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A Loba Branca Rejeitada do Alfa

A Loba Branca Rejeitada do Alfa

Autor:: Lukas Difabio
Gênero: Lobisomem
Era a noite da minha primeira exposição de arte solo, mas meu companheiro Alfa, Caio, não estava em lugar nenhum. O ar estava denso, com cheiro de champanhe e elogios, mas cada cumprimento soava como um tapa na cara, me chamando de "a companheira do Alfa", e não de artista. Então, eu o vi no noticiário. Ele estava protegendo outra mulher, uma Fêmea Alfa, dos flashes das câmeras. Os sussurros no salão confirmaram: suas alcateias estavam se unindo, um pacto selado por um novo acasalamento. Aquilo não era apenas um atraso; era a execução pública do nosso laço. A voz dele cortou minha mente, gélida e distante. "Kátia precisa de mim. Você é uma Ômega, resolva essa cena." Nenhuma desculpa, apenas uma ordem. Foi nesse momento que o último fio de esperança ao qual me agarrei por quatro anos finalmente se estilhaçou. Ele não tinha apenas me esquecido; ele tinha me apagado sistematicamente, chegando a levar o crédito pelo aplicativo bilionário que nasceu das minhas visões secretas, tratando minha arte como um mero "hobby". Mas a parte quieta e submissa de mim morreu naquela noite. Entrei em um escritório nos fundos e enviei uma mensagem para minha advogada. Pedi que ela redigisse um documento do Ritual de Rejeição, disfarçado como uma transferência de Propriedade Intelectual pela minha arte "sem valor". Ele nunca leria as letras miúdas. Com a mesma soberba que usou para estilhaçar minha alma, ele estava prestes a assinar a própria sentença.

Capítulo 1

Era a noite da minha primeira exposição de arte solo, mas meu companheiro Alfa, Caio, não estava em lugar nenhum. O ar estava denso, com cheiro de champanhe e elogios, mas cada cumprimento soava como um tapa na cara, me chamando de "a companheira do Alfa", e não de artista.

Então, eu o vi no noticiário. Ele estava protegendo outra mulher, uma Fêmea Alfa, dos flashes das câmeras. Os sussurros no salão confirmaram: suas alcateias estavam se unindo, um pacto selado por um novo acasalamento. Aquilo não era apenas um atraso; era a execução pública do nosso laço.

A voz dele cortou minha mente, gélida e distante. "Kátia precisa de mim. Você é uma Ômega, resolva essa cena." Nenhuma desculpa, apenas uma ordem. Foi nesse momento que o último fio de esperança ao qual me agarrei por quatro anos finalmente se estilhaçou.

Ele não tinha apenas me esquecido; ele tinha me apagado sistematicamente, chegando a levar o crédito pelo aplicativo bilionário que nasceu das minhas visões secretas, tratando minha arte como um mero "hobby".

Mas a parte quieta e submissa de mim morreu naquela noite. Entrei em um escritório nos fundos e enviei uma mensagem para minha advogada.

Pedi que ela redigisse um documento do Ritual de Rejeição, disfarçado como uma transferência de Propriedade Intelectual pela minha arte "sem valor". Ele nunca leria as letras miúdas. Com a mesma soberba que usou para estilhaçar minha alma, ele estava prestes a assinar a própria sentença.

Capítulo 1

AYLA POV:

O ar na galeria era denso. Cheirava a champanhe caro, perfume importado e ao aroma sutil e limpo de tinta a óleo secando na tela. Mas o único cheiro que minha alma ansiava estava ausente.

Pinho e a carga elétrica de uma tempestade se aproximando.

Caio.

Meu Alfa. Meu companheiro.

Ele deveria estar aqui. Esta era a minha noite, minha primeira exposição solo. O resultado de anos curvada sobre telas na cobertura estéril e solitária que ele chamava de nosso lar.

Um tremor de inquietação percorreu meu corpo. Alisei o vestido de seda simples que usava, um azul profundo da cor da meia-noite. Era elegante, mas parecia uma fantasia. Tudo naquela vida parecia uma fantasia.

Alguém tilintou uma taça por perto. "Um brinde à companheira do Alfa! Uma Ômega tão talentosa."

As palavras eram para ser um elogio, mas caíram como uma bofetada. *A companheira do Alfa.* Não Ayla Matos, a artista. Apenas uma extensão dele. Um acessório.

Através do Link Mental, o espaço compartilhado da nossa alcateia, eu podia sentir os pensamentos dos outros lobos da Pedra Negra no salão. Alguns eram de pena. *Coitadinha, ele deu um bolo nela.* Outros estavam carregados de uma satisfação cruel. *Ela sempre foi quieta demais para um Alfa como ele.*

O Link Mental era um presente da Deusa da Lua, destinado a unir uma alcateia, a criar uma família. Mas hoje à noite, parecia uma jaula de sussurros, cada um deles uma pontada aguda no meu coração.

Forcei um sorriso para um colecionador humano que admirava minha maior obra, um vórtice de prata e sombras que representava o nascimento de uma ideia. A ideia dele.

Meu olhar se desviou para a grande tela no fundo da galeria, que deveria estar exibindo um loop dos meus esboços digitais. Em vez disso, estava sintonizada em um noticiário ao vivo.

E lá estava ele.

Caio Menezes. Meu Caio.

Ele estava nos degraus da Prefeitura de São Paulo, seus ombros largos uma fortaleza dentro de um terno perfeitamente cortado. Seu corpo poderoso estava posicionado de forma protetora, escudando outra mulher da avalanche de flashes das câmeras.

Kátia Chaves, a Fêmea Alfa da Alcateia da Lua Vermelha.

O cheiro dela, mesmo através da tela, era forte e agressivo - gengibre selvagem e sol do sertão. Ela era uma predadora, uma igual. Não uma Ômega quieta que cheirava a lilás e chuva.

Os sussurros na galeria ficaram mais altos, não mais confinados ao Link Mental.

"...uma fusão entre a Pedra Negra e a Lua Vermelha..."

"...a aliança será selada por um acasalamento..."

"...um verdadeiro casal poderoso. Um Alfa e uma Fêmea Alfa..."

O salão girou. O champanhe no meu estômago virou ácido. Aquilo não era apenas um atraso. Era uma execução pública. A minha execução.

Então, a voz dele cortou o barulho, diretamente na minha cabeça. Um comando frio e distante através do nosso link privado.

*Kátia precisa de mim. Você é uma Ômega, resolva essa ceninha. Parabéns.*

As palavras foram secas, impacientes. Nenhum pingo de desculpa. Nenhum vislumbre de calor. Era uma ordem de um Alfa para uma subordinada.

Foi isso. O último fio de esperança ao qual eu vinha me agarrando por quatro anos se partiu. O laço sagrado entre nós, aquele que a Deusa da Lua havia tecido, de repente pareceu gelado e quebradiço, como um galho congelado prestes a se estilhaçar.

"Você está bem, Ayla?"

Uma presença sólida surgiu ao meu lado. Breno Lopes, o dono da galeria. Seu cheiro de Beta, terra úmida e livros antigos, era um escudo reconfortante, bloqueando os olhares e pensamentos curiosos.

Sua voz era baixa, apenas para meus ouvidos, mas sua fúria era um grito silencioso no Link Mental. *Aquele Alfa imbecil! É igual ao último que partiu o coração da minha irmã. Ele vai se arrepender deste dia até seu último suspiro!*

Respirei fundo, trêmula, meus olhos fixos na pintura na parede. Era um dos meus primeiros esboços para o projeto "Aether" - o aplicativo revolucionário que rendeu bilhões à Menezes Tech. A inspiração veio a mim em uma visão, um dom da minha linhagem oculta, uma torrente de imagens e códigos que eu pintei freneticamente na tela.

Caio chamava isso de meu "hobby". Ele sabia exatamente o que era, a magia pulsando sob a tinta. Mas reconhecer isso significaria reconhecer meu poder. Então ele me diminuiu. E a minha arte.

Ele não tinha apenas me esquecido. Ele tinha me apagado sistematicamente. Ele pegou a parte mais sagrada da minha alma, a magia da minha herança de Loba Branca, e a marcou com seu próprio nome.

A parte quieta de mim, a parte que aprendeu a sobreviver sendo pequena e silenciosa, finalmente morreu. Em seu lugar, uma determinação fria e dura se encaixou, afiada como um caco de vidro.

Eu não iria quebrar. Eu não iria desmoronar.

Eu iria revidar.

Pedindo licença, caminhei com pernas firmes até o escritório dos fundos. Minhas mãos nem tremiam quando peguei meu celular. Rolei até o contato de Sara, minha advogada, outra alma abrigada pelo neutro Conselho da Clareira Lunar.

Minha mensagem foi simples, transmitida por um canal seguro e criptografado.

"Sara", digitei. "Preciso que você prepare um documento para um Ritual de Rejeição. Disfarce como um contrato de transferência de Propriedade Intelectual para toda a minha arte conceitual do 'Aether'. Ele nunca vai ler as letras miúdas. Ele acha que o 'hobby' de uma Ômega não vale nada."

Apertei enviar. A decisão se assentou em meus ossos, não com dor, mas com a calma aterrorizante de uma tempestade que se aproxima. Ele estava prestes a assinar a própria alma, e faria isso com a mesma arrogância casual com que acabara de estilhaçar a minha.

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Capítulo 2

AYLA POV:

Na manhã seguinte, entrei no monolito de vidro e aço da Menezes Tech pela última vez. O documento de Rejeição assinado estava dentro de um envelope pardo em minhas mãos, pesando como uma lápide.

O ar vibrava com poder e os cheiros misturados de centenas de lobisomens, uma sinfonia de ambição. Era um lugar ao qual eu nunca pertenci.

A Beta de Caio, Clara, estava em sua mesa, sua expressão uma mistura de pena e distância profissional.

"Ele está em uma reunião, Ayla", disse ela, com a voz suave. "Com a Alfa Chaves."

"Eu sei", respondi, minha voz firme. "Isso vai levar só um momento."

Não esperei por permissão. Fui direto para as pesadas portas de carvalho de seu escritório e as abri.

A cena lá dentro era exatamente como eu havia imaginado. Caio e Kátia estavam debruçados sobre um mapa holográfico de territórios globais, suas cabeças próximas. A energia Alfa combinada deles era uma força palpável na sala, uma pressão esmagadora que deixava o ar rarefeito. Era uma atmosfera de conspiração, de poder, um mundo no qual eu, como sua companheira Ômega, nunca fui convidada a entrar.

Caio ergueu o olhar, seus olhos dourados faiscando de fúria pela interrupção. Seu Lobo Interior soltou um rosnado baixo e gutural. Não havia desculpa em seu olhar pela noite anterior, nenhum sinal de suavidade por sua companheira. Apenas a irritação de um rei cujo conselho de guerra havia sido perturbado por uma serva.

"Ayla. Estou ocupado", ele disse, ríspido.

Kátia recostou-se na cadeira, um sorriso lento e triunfante brincando em seus lábios. Ela cheirava a vitória.

*Estamos no meio de algo vital, Alfa,* ela enviou a ele em um Link Mental privado, mas deixou vazar o suficiente para que eu ouvisse. *A fusão territorial está em uma fase crítica.* A mensagem dela era clara: isso é importante. Você não é.

Desliguei meu próprio Link Mental, erguendo uma parede de silêncio puro e frio em minha cabeça. Era um truque que minha avó, outra Loba Branca, havia me ensinado. Uma maneira de encontrar paz em um mundo de ruído.

"Não vou demorar", eu disse, minha voz desprovida de emoção. Coloquei o envelope em sua mesa. "A galeria precisa da sua assinatura em um formulário de liberação de PI. Para o catálogo digital da exposição."

Minha mentira era simples, crível. Ela se encaixava perfeitamente em sua campanha deliberada para me diminuir e à minha arte.

Ele encarou o envelope, depois a mim. Por um segundo, sua intuição de Alfa vacilou. Um predador sentindo uma armadilha que não conseguia ver. Ele se inclinou para frente, suas narinas se dilatando levemente, tentando captar meu cheiro. Ele estava procurando pelo cheiro familiar e submisso de lilás que sempre me envolvia, o cheiro que lhe dizia que eu era sua.

Mas não havia nada.

Eu havia envolvido meu cheiro em uma mortalha de gelo, outro dom da minha linhagem. Encarei seu olhar sem vacilar, meus olhos prateados sustentando os dourados dele. Eu era uma página em branco, uma sala vazia.

Ele estendeu a mão para o envelope, a testa franzida em suspeita. Ele estava prestes a abri-lo, a ler as palavras que o destruiriam.

Mas Kátia escolheu aquele exato momento para intervir.

"Caio", disse ela, sua voz um ronronar sedoso. "Os Anciões estão esperando na chamada de conferência. Sua decisão é necessária."

A atenção dele voltou-se para ela, para os negócios "importantes" de seu império. O destino das alcateias. A movimentação de bilhões de reais.

Ele grunhiu de frustração, seu foco agora inteiramente nos assuntos urgentes de seus deveres de Alfa. Aquilo era apenas uma tarefa de uma Ômega, uma distração.

Com um último olhar desdenhoso para mim, ele rasgou o envelope, puxou a única folha de papel e a virou direto para a última página. Ele não leu uma única palavra, porque fazer isso seria admitir que meu "hobby" tinha alguma validade legal. Seu ego não permitiria.

Sua caneta, um instrumento pesado e caro que havia assinado acordos que valiam fortunas, moveu-se pela linha de assinatura em um rabisco rápido e raivoso.

Observei a tinta penetrar no papel, soletrando seu nome sob a sentença condenatória.

"Eu, Caio Menezes, rejeito você, Ayla Matos, como minha companheira."

Peguei calmamente o documento de sua mesa, meus dedos se fechando ao redor do papel. Estava feito.

"Obrigada, Alfa", eu disse, o título honorífico com gosto de cinzas na minha boca.

Virei-me e saí do escritório, de costas retas, deixando-o lá com sua nova aliada e seu império em ruínas. Ele só não sabia ainda que estava em ruínas.

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Capítulo 3

AYLA POV:

Quando as portas do elevador se fecharam, me isolando de seu mundo, uma onda de euforia misturada com terror me invadiu. Liberdade. Eu a segurava em minha mão, uma única folha de papel que era tanto minha libertação quanto minha declaração de guerra.

Ao mesmo tempo, uma sensação aguda e dilacerante começou no fundo da minha alma. O laço de companheiros, agora oficialmente rompido por sua própria mão, estava começando a se desfazer. Era uma dor fantasma, uma dor em um membro que não estava mais lá.

De volta à cobertura que havia sido minha jaula dourada, o silêncio era ensurdecedor. Caminhei pelos cômodos opulentos, vendo-os pelo que eram: um showroom, não um lar. Nada aqui era verdadeiramente meu.

Uma notificação apitou no meu celular. Era um e-mail criptografado com o selo do Conselho da Clareira Lunar.

"Sua inscrição foi aprovada. Uma vaga no Santuário de Artistas da Serra, em São Francisco Xavier, está reservada para você. Chegada em duas semanas."

Parecia um sinal da própria Deusa da Lua. Um caminho a seguir. Um porto seguro.

Sem um segundo de hesitação, respondi: "Eu aceito. Obrigada."

Minha próxima busca foi por um voo só de ida para São Paulo. Eu o comprei, o e-mail de confirmação uma promessa de uma nova vida. Meu exílio.

Os dias seguintes foram um borrão de preparação silenciosa. Embalei apenas o que importava. Meus pincéis gastos, meus cadernos de desenho cheios de visões frenéticas, um punhado de romances antigos com lombadas rachadas e as poucas roupas simples que eu possuía antes de me tornar a "companheira do Alfa".

Os vestidos de grife, as joias brilhantes, os símbolos da minha posição - deixei tudo para trás nos armários cavernosos, como a pele trocada de uma vida que eu não queria mais.

Uma estranha fadiga se instalou no fundo dos meus ossos. Uma náusea persistente revirava meu estômago todas as manhãs. Culpei o estresse, o trauma espiritual da Rejeição. O laço se desfazia a cada hora que passava, e a dor era uma pulsação constante e baixa sob minha pele.

Então, uma tarde, enquanto eu embrulhava uma tela, um pensamento me ocorreu. Parei, contando os dias nos dedos.

Meu ciclo. Estava atrasado.

Para uma loba, especialmente uma acasalada com um Alfa poderoso, isso quase sempre significava uma coisa.

Uma mistura estonteante de esperança e medo puro e visceral fez meu coração bater contra minhas costelas. Em uma ida à loja de artigos de arte, meus pés me levaram, como se por vontade própria, a uma pequena botica que atendia à nossa espécie.

Comprei um teste de gravidez, sua pequena caixa contendo uma lasca de Pétala Lunar polida, uma substância que reage aos hormônios específicos de uma gravidez de lobisomem.

De volta ao meu ateliê, o único lugar na cobertura que parecia meu, tranquei a porta. Minhas mãos tremiam enquanto eu seguia as instruções simples. Lembrei-me de um texto antigo que li, um aviso sobre os filhos de Lobos Brancos e Alfas dominantes - seu poder poderia ser volátil, instável. Um novo medo, agudo e específico, perfurou a névoa.

Então eu esperei.

Os três minutos mais longos da minha vida.

Lentamente, uma luz fraca começou a brilhar de dentro da lasca de Pétala Lunar. Ela ficou mais brilhante, se unindo em uma única forma inconfundível.

Uma lua prateada, perfeita e luminosa.

Positivo.

Eu estava grávida.

E a vida crescendo dentro de mim não era uma criança qualquer. Era o herdeiro da Alcateia da Pedra Negra, uma fusão impossível de um Alfa dominante e uma rara Loba Branca.

Meu plano simples de desaparecer, de me curar na solidão, foi instantaneamente estilhaçado. Não se tratava mais apenas da minha liberdade.

Tratava-se de proteger meu filho do pai que já havia rejeitado a nós dois.

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