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A Luna Secreta do Alfa

A Luna Secreta do Alfa

Autor:: ellcarolinne
Gênero: Lobisomem
Só preciso que entenda uma coisa: você é minha agora. Fará o que eu mandar, quando eu mandar e se eu mandar. Acredito que já está acostumada com regras." os olhos frios do alfa encontraram os de Anne" Quando os pais de Anne falecem em um acidente de carro, ela se vê forçada a viver como escrava na casa de seus tios, sendo relegada a um porão sombrio. Em meio a humilhações constantes, ela sonha com um futuro diferente, ansiando por um alívio para sua vida difícil, na qual é proibida de estudar e de literalmente viver. A vida de Anne sofre uma reviravolta quando William Carter, o respeitado CEO de Portland e conhecido como o Alfa mais cruel em sua matilha, cruza seu caminho. Desde então, ele não consegue esquecer o cativante cheiro dela. Contudo, Anne não faz ideia da existência do mundo sobrenatural, até ser comprada e levada pelo misterioso alfa, ela descobre um mundo que nunca pensou existir: o mundo dos lobisomens. À medida que segredos arrebatadores vêm à tona, ela se vê imersa em um universo repleto de revelações impactantes.

Capítulo 1 A carta

Sinto roupas sujas sendo jogadas em direção ao meu rosto com agressividade e me levanto atordoada, meu corpo inteiro dói após um dia de trabalho árduo.

- Ei, órfã preguiçosa! - a voz ecoou sobre o porão. - Eu te disse para lavar todas as roupas, e o que seriam essas que sobraram? - Ela aponta para a trouxa de roupas que acabará de jogar em mim.

Levanto-me devagar, os músculos protestando a cada movimento. Encaro a figura imponente da minha tia, lutando para manter a compostura, mesmo que minhas mãos estejam tremendo de frustração e tristeza. Respiro fundo, buscando forças para não deixar as lágrimas traíras rolarem livremente pelo meu rosto.

- Eu... eu estava... tentando terminar, eu juro - as palavras saem da minha boca em um sussurro frágil, quase abafadas pela raiva contida.

Mas as palavras dela cortam meu ímpeto. Um nó se forma na minha garganta, mas preciso manter a calma, preciso. Com um esforço sobre-humano, controlo a vontade de rebater, resistindo ao impulso de explodir em choro. Limpo o rosto rapidamente, tentando disfarçar a fragilidade que transparece.

- Não fale nada, Anne, levante dessa cama e vá terminar os seus serviços. Você não mora aqui por caridade e sabe disto.

Aquilo parecia nunca ter fim, e quanto mais eu tentasse me esquivar de toda a escravidão, mais infelizmente eu não tinha para onde ir.

- Eu... eu fiz tudo o que a senhora me mandou fazer, eu não havia visto essas roupas - respondi com a cabeça baixa.

- Não, sua tonta. Não fez, você sempre faz as coisas pela metade. Levante-se e termine de lavar as roupas, como eu ordenei. Estamos entendidas?

Ela era uma bruxa!

Saio do porão e me dirijo até a área de serviço, sabendo que esse era o ciclo diário da minha vida. Respiro fundo mais uma vez, como se buscasse a coragem no fundo dos meus pulmões, e com passos pesados, saio do porão. Cada passo é como se carregasse não só o fardo das roupas sujas, mas toda a humilhação e desespero que parecem ser meu destino diário.

Meus pais haviam falecido em um acidente, e eu sobrevivi, mas não tinha lembranças claras deles, apenas algumas fotos e memórias fragmentadas.

Desde então, minha vida se transformou em um verdadeiro inferno diário. Eu era apenas uma criança de dez anos na época, e me recordo de que por mais que não entendesse muitas coisas na época, a dor da perda era insuportável.

Meus tios eram pessoas ricas, mas eu não tinha nada. Eles me tratavam como uma escrava, obrigando-me a limpar a casa todos os dias, a realizar todas as tarefas domésticas, especialmente minha prima Valerie. Eu não tinha voz nesse lugar, eu era apenas uma empregada. Não tinha parentes próximos, nem conhecimento sobre minha infância ou minha vida anterior. Às vezes, sentia-me como alguém sem identidade.

Meu tio é irmão de meu falecido pai. E mesmo assim, eles deixam com que maltratem dessa maneira. Eu sentia que eu era o pior lixo do mundo.

E era exatamente isso.

Aos vinte e dois anos, eu sonhava em me tornar médica. Meus tios permitiram que eu estudasse quando mais nova, apenas porque tinham outra criança em casa, e eles não queriam que as pessoas fizessem muitas perguntas.

Essa foi a única chance que tive na vida, e eu a agarrei com todas as minhas forças. Estudei incansavelmente, minhas mãos estavam cansadas de tanto segurar lápis e livros, mas eu consegui entrar em uma das universidades mais prestigiadas de Portland.

E é óbvio que mantive isso em segredo, pois sabia que meus tios tirariam essa oportunidade de mim se descobrissem.

Eles não queriam que eu tivesse sucesso, na verdade, eles nem sequer queriam que eu tivesse nada, pois assim, perdem a empregada. Eu os odiava, e na maioria das vezes, eu apanhava, principalmente da esposa dele, Amélia, que me odiava com todas as forças.

Eu estudava à noite, escondida. Mentia para eles, dizendo que eu dava aulas a uma garota, eles acreditaram e não me impediram, pois assim eles não precisam me dar nada para o básico.

Mas, na verdade, eu me sustentava com uma pequena bolsa que recebia na faculdade, era pouco, mas dava para suprir as necessidades.

Eu corria para as aulas noturnas na faculdade de medicina. Mas essa situação estava se tornando insustentável. Havia tantas tarefas que eu precisava enfrentar, e eu não sabia por quanto mais tempo conseguiria esconder essa realidade dos meus tios. Eu poderia optar por ir embora daqui, mas eles iriam me caçar como um animal.

Exausta, eu esfregava as roupas da madame na pia da área de serviço. Meus olhos ardiam de tanto sono, então me apoiei sobre a pia, na tentativa de descansar um mísero segundo. Aquela água da lavanderia estava fria, passei as minhas mãos molhadas em meu rosto, e bufei, lembrando que elas estavam molhadas.

- Argh! - Bufei irritada jogando as roupas na pia.

Ouvi alguém se aproximar. E pude sentir pelo ar de superioridade.

A minha prima Valerie. Ela era insuportável e me tratava como lixo, mas, na verdade, todos aqui me tratavam. Ela parecia encontrar prazer nisso. Suas palavras ofensivas e atitudes, para ser sincera, não me feriam mais. Passei quase metade da vida ouvindo coisas semelhantes, que eu não valia nada e que era uma órfã estúpida.

Eu não tinha esperança, mas tinha a determinação de continuar lutando, pois eu queria ser alguém, queria um dia ser a Doutora Anne Turner, o que parecia impossível.

- É melhor você lavar as minhas roupas direito. Não as coloque na máquina de lavar; são peças caras - Valerie apareceu atrás de mim, com seu ar de superioridade.

Virei-me para encará-la, meu rosto mantinha uma expressão impassível.

- Então, por que você não as lava, Valerie? - eu não hesitei em responder.

- Porque a empregada aqui é você, Anne. Deveria agradecer aos meus pais por terem te acolhido nesta casa, já que você não serve para mais nada - ela disse com um sorriso sarcástico.

- Eu não estou reclamando de nada, pelo contrário - disse.

- Então faça por onde, queridinha - ela disse rindo.

Mantenha a calma e ignore, Anne. Pensei.

A vontade que eu sentia era de rasgar todas as roupas dela se ela me dissesse algo mais.

Terminei minhas tarefas e o meu corpo já estava à beira do colapso.

Me encontrava tão cansada, passei o dia todo limpando, cozinhando e servindo. Era desumano o que eles faziam comigo. Entendo que eles me deram abrigo e comida, e que não tinham a declarada obrigação de me acolher quando perdi a minha família. Eu me recordava de um dia, em que sem querer queimei uma das roupas da minha tia enquanto as passava, e ela me desferiu tantos tapas no rosto que não aguentei e cai.

Sai dos meus pensamentos, estava pronta para me retirar e descansar finalmente de tudo, mas, como de costume, a vida tinha outros planos para mim.

Meu tio entrou no cômodo e anunciou que traria pessoas importantes para casa daqui a alguns dias, e adivinha só, eu teria a "honra" de servi-los.

Parabéns, Anne.

Suspirei profundamente, ciente de que não tinha escolha. Minha vida era uma série interminável de obrigações não desejadas, e a perspectiva de faltar a mais uma aula na faculdade nesse dia para atender a essas pessoas estúpidas e vazias, era apenas mais um fardo.

- Ok, tio Antony - falei.

Eu odiava minha vida. Cada dia era um teste de paciência, e eu já estava à beira do limite. A dor, a humilhação, a exaustão, tudo parecia inevitável, e eu me perguntava até quando conseguiria suportar.

Me encarei no espelho, observando as contusões no meu pescoço, elas estavam sumindo, ainda bem. Não aguentava mais ter que escondê-las com o cabelo. Bom, elas eram frutos das agressões que eu sofria.

Mesmo assim, antes de dormir, eu sabia que não poderia deixar meu sonho escapar.

Minha determinação vinha de um lugar que eu não conseguia identificar, talvez tivesse puxado aos meus pais, mas era o que me mantinha firme. Peguei meus livros e cadernos, e enquanto me dirigia para o quarto, eu sabia que, apesar de todos os obstáculos, eu poderia fugir disso um dia.

Amanhã, a cidade celebraria uma grande festa, marcando a comemoração anual da fundação.

Era um evento aguardado por todos, mas eu sabia que meus tios não me permitiriam participar. Mesmo assim, a ideia de comparecer à festa me enchia de um desejo profundo, uma ânsia por algo diferente, por um instante de liberdade.

Eu desejava intensamente ir, e estava determinada a encontrar uma maneira de fazer isso acontecer. Sempre havia um jeito, uma brecha na rigidez das regras.

Era como se a festa representasse uma pequena fuga, somente pensava em tomar um ar fresco, e eu estava decidida a aproveitar essa oportunidade, custasse o que custasse.

Eu estava prestes a dormir quando ouvi um barulho como se alguém estivesse vindo até o porão. Rapidamente escondi meus livros e me deitei na cama fingindo dormir.

- ANNE! - pude ouvir os gritos da bruxa da Amélia.

Meu coração acelerou rapidamente juntamente com a minha respiração, e eu me recostei no canto perto da parede com as mãos nos joelhos. Isso não era nada bom.

Ela entrou no quarto, sua expressão era de ódio. E eu não fazia ideia do que eu havia feito.

- Valerie disse que você manchou a roupa dela de propósito, você tem noção de quanto custou essa roupa?

- Tia... eu não estraguei nada, eu juro! A roupa estava normal.

Era mais uma das armações de Valerie.

- Irá pagar por isso. - ela falou retirando o cinto de sua calça jeans e desferindo em minhas costas.

A dor física era horrível, mas a psicológica era ainda pior. Eu só queria que um anjo, ou sei lá se algo assim existisse, me salvasse desse tormento.

Ela saiu me deixando sozinha. Entre a bagunça,e as lagrimas meus olhos se fixaram em algo que parecia não pertencer ao caos das roupas que foram jogadas em mim. Uma pilha de papéis, escondida entre as dobras de tecido.

Curiosa e confusa, pego a carta de cobrança. Ao desdobrá-la, meu coração aperta conforme leio as palavras impressas. Uma casa, uma herança que eu nem sabia que existia, penhorada para quitar dívidas. As lágrimas começam a obscurecer minha visão enquanto a realidade se desenrola diante de mim.

Eles fizeram isso comigo....

Aquela casa era mais do que tijolos e argamassa. Era a única lembrança física que eu tinha dos meus pais, e eu nem sabia disso.

Amasso a carta com força, como se pudesse desfazer a cruel realidade que se revelava.

A dor no meu peito se intensifica, e as lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto. Sento-me ali, no porão frio e sombrio, segurando a carta, eu não podia perder essa casa. Mas essa divida ameaçaria minha futura carreira medica.

Eu os odiava.

Capítulo 2 Desilusões

O ônibus estacionou uns dois pontos antes da universidade, e eu precisava andar apenas alguns passos até lá. Meus olhos tentavam não se fechar pelo simples fato de ter que acordar antes de todos para fazer o café da manhã e os afazeres, mesmo após apanhar como uma mala velha.

Não era simples conviver com toda aquela situação. Eu sempre percebi ser diferente das outras pessoas; era tímida e reclusa. Talvez fosse normal, considerando o ambiente em que fui criada como uma escrava a vida toda, sem nenhum resquício de amor ou afeto. Não havia muitas convicções ou esperanças para mim; eu nunca conseguiria ser feliz estando naquela casa.

Muitas vezes, já me perguntei: se meus tios têm boas condições, por que não contrataram uma empregada?

Isso era simples de responder; por que raios eles iriam contratar mão de obra se tinham a minha gratuitamente?

Andei mais um pouco com dificuldade, pois meu corpo doía e latejava. Enfim, eu cheguei à universidade.

As garotas me olhavam com desprezo e superioridade. Eu não tinha roupas boas, usava normalmente os restos de minha prima, e eram os restos mesmo. Era um olhar de "coitada desta pobre órfã".

Eu me incomodava com isso, é claro, mas eu sabia que carregava comigo uma arma poderosa: a inteligência e a força de vontade para vencer.

Balancei a cabeça em negação aos olhares, e continuei seguindo em direção à entrada, quando David se aproximou do meu lado.

- Hoje as aulas irão ser mais rápidas - comentou ele.

- Espero que sim - sorri em resposta. Às aulas de anatomia são sempre complexas, mas eu gosto.

- Você é muito inteligente, senhorita Turner, faz algo com facilidade em todas as matérias - disse ele e imediatamente meu rosto corou.

- Eu não diria desta maneira, não ando com tempo para estudar.

David era praticamente um sonho de consumo, ele era lindo, inteligente e o melhor de tudo: me tratava bem. Coisa que eu não estava muito acostumada, muito menos com homens, eu não tinha tempo para isso.

Além de tudo, ele era sobrinho do homem mais poderoso da cidade, William Carter. Ele era misterioso e eu nunca o vi. Porém, as meninas não saíam do pé de David por conta do dinheiro e propriedades da família dele.

Ele despertava algo em mim, acredito que pelo fato dele me tratar tão bem, talvez ele até quisesse algo comigo. Não que já tenha dito algo, mas estava sendo gentil.

Ou eu que seria iludida?

Seguimos andando lado a lado, e um sorriso bobo surgiu em meus lábios, imaginando a possibilidade de sermos um casal, será que eu poderia me apaixonar por alguém?

Adentrei a sala de aula e a senhora Johnson já estava escrevendo na lousa, me sentei rapidamente na cadeira e tirei meus cadernos da bolsa, eu precisava prestar atenção se quisesse manter a minha bolsa. Bolsistas só tinham uma opção, que era estudar.

A aula prosseguiu, e eu me segurava para não cair na carteira, provavelmente pela falta de uma noite de sono de qualidade.

Meus pensamentos se voltavam para a maldita cara e a dívida de trezentos mil dólares em meu nome, eu nunca ia reaver aquela casa. E meu nome estava perdido para sempre.

David estava sentado ao meu lado, soltando piadinhas e me fazendo sorrir, eu devia estar que nem uma completa idiota o observando. Todas as meninas da sala estavam obcecadas por ele, e era comigo que ele fazia piadinhas.

Eu sabia que não era das mais bonitas. Bom, eu podia até ter alguns atributos, os olhos esverdeados que haviam sido características herdadas da minha mãe, eu sabia disso, pois tinha uma foto dela em minha estante. Uma das únicas. Meus cabelos eram castanhos e longos, e tinha uma altura mediana, mais ou menos 1,65 de altura.

Eu tentei buscar mais informações sobre os meus pais, mas sem sucesso, meus tios não me permitiam e não me contavam, com a justificativa que era para evitar o meu sofrimento.

Anne, você fez a atividade de ontem?" ele perguntou se aproximando podia sentir seu hálito quente de tão próximo que ele estava.

- Fiz, sim-o encarei" Essa atividade vale nota David, como não faria?" arqueei as sobrancelhas.

- Eu não fiz, estava ocupado. Você poderia me emprestar depois?

- Claro -sorri e senti minhas bochechas corarem.

- Você é linda, Anne -cochichou em meu ouvido -Obrigado.

Eu sentia como se fosse um pimentão de tão vermelha, ele me causava sentimentos que eu não sabia expressar direito, que merda.

A aula acabou, e David se despediu de mim com um beijo no rosto.

As pessoas foram saindo gradualmente, e eu iria ficar um pouco mais para tirar algumas dúvidas sobre a matéria com a professora. A medicina era a única parte boa da minha vida, e as aulas teóricas eram as melhores. Mal podia esperar por mais.

Me despedi da professora Johnson e saí da sala feliz. Quando saísse dali, iria para a festa escondida.

Eu teria que me esconder para que meus tios não me vissem de forma alguma.

Eu era uma típica Cinderela, porém sem os sapatinhos de cristal, e muito menos o príncipe, é claro.

Fui até o banheiro me trocar; eu havia trazido comigo um vestido na bolsa. Era lindo, todo preto, com alguns detalhes em prata.

Lembro-me de ter juntado tudo que pude para comprá-lo e só usá-lo em uma ocasião especial, já que eu não saía mesmo.

Entrei no vestido, me observei no espelho meio sujo do banheiro da universidade e pela primeira vez em muito tempo eu me achei bonita, passei um batom vermelho nos lábios e por fim soltei os cabelos.

Eu senti como se hoje eu não fosse Anne Turner, mas sim uma jovem que só queria ver uma festa de verdade.

Saí de lá esperançosa; meus cabelos que batiam na cintura estavam esvoaçando por aí.

Quando andei mais um pouco, chegando quase à saída principal da faculdade, o meu sorriso broxou imediatamente quando me deparei com David aos amassos com Amber, uma das garotas medíocres da sala.

Não consegui conter as minhas lágrimas; eu sabia que não tínhamos nada sério e que nunca tivemos nada, na verdade. Mas estávamos flertando há meses, e ele parecia querer algo.

Me afastei rapidamente dali, ao correr acabei dando de cara com Sarah, a faxineira de lá.

Conversávamos sempre que podíamos e ela era uma pessoa maravilhosa. Ela era uma das poucas que sabiam realmente o que eu passava.

Minha menina, você está linda, mas que lágrimas são essas?-Ela ergueu meu queixo.- Por que está chorando, Anne?

- O cara que eu gosto- Falei entre soluços -Ou melhor, que eu pensava gostar, estava se agarrando com outra na saída. Agora não quero sair e encará-lo.

- Querida- ela se sentou no banco ali perto me pedindo para se sentar ao seu lado - Homens são assim, só pensam com a cabeça de baixo. Escute o que eu lhe direi. Não se diminua por eles, pois no fim, a maioria deles só sabem fazer merda e se deitar com qualquer uma que eles veem pela frente. Você acha que vale a pena essas lágrimas?

Fiz que não com a cabeça.

- Então, Anne, vá com esse vestido seja lá para onde você estiver indo. Passe por ele, e ele irá ver o que perdeu. - ela deu um sorriso contagiante.

- Você tem razão, Sarah -dei um sorriso amarelo. - Não vou deixar isso me abalar.

- Se a bruxa da sua tia não te abala, quem é esse garoto? - Ela disse, e rimos.

Sarah tinha razão. Iria para essa festa. Um pouco de liberdade não iria matar ninguém.

Eu estava decidida a estar livre das correntes invisíveis daquela casa, então coloquei a minha máscara, e segui.

O que de pior poderia acontecer afinal?

Capítulo 3 Encontro

O ambiente era totalmente diferente do que imaginei, eu criei tantos cenários em minha cabeça de como seria o baile de máscaras. É, eu não ia a festas. Meus tios me proibiam, sempre. Eu não os denunciava, pois eles eram influentes na cidade por conta de seus comércios.

Então eu, uma órfã, que não tinha onde cair morta, iria desafiá-los. Quem eu pensava ser? Eles podiam fazer o que quisessem comigo que jamais iria haver alguém para me defender, e me deixavam ciente disso.

Eles eram regados de segredos. Segredos que eu não fazia a mínima ideia de quais eram. Afinal, meu quarto era fora da casa, isso mesmo, eu vivia num quarto fora da casa. Quão legal minha vida era?

A festa estava muito bonita, tudo bem-arrumado e todas as pessoas aqui parecem ser tão importantes, eu me sentia deslocada naquele lugar, mas ok. Era somente não deixar meus tios me verem aqui. Mas se tem uma coisa que viver naquelas condições subalternas me ensinaram, era a me esconder.

Todos estavam me observando, talvez porque nunca me viam muito pela cidade. Alguns olhavam com desconfiança, como se estivessem falando sobre mim, mas pouco me importava, eu só queria aproveitar.

Minha máscara era preta, combinando com o meu vestido, eu estava totalmente encantada, nunca havia vindo para um baile de máscaras, era num espaço tão requintado, pessoas dançavam, parecia um verdadeiro sonho. Por um instante até esqueci de todos os meus problemas.

Me aproximei do garçom, peguei uma taça de vinho, dei um gole no vinho e fiz uma careta, era forte, então não podia me dar ao luxo de beber ao menos mais que umas três taças.

Parei um pouco próximo aos fogos que estavam soltando em comemoração, e pensei em David, eu estava me sentindo frustrada por criar esperanças em relação a ele.

Continuei a andar e me distraí com as luzes, de repente fui atingida por algo, ou alguém. Virei a cabeça de lado assustada com o impacto, senti um pouco de dor por conta da agressão sofrida ontem, e curiosamente, dei de cara com um homem.

Ele estava vestido com uma camisa social preta, e parecia ter uma expressão furiosa. Seu tamanho era notável, ele era tão alto que próximo a mim, eu me sentia extremamente pequena.

Os seus cabelos escorridos e completamente alinhados, e a barba por fazer que não revelava muito seu rosto, sua mandíbula era esculpida. Ele não estava de máscara e acredito que podia ter entre uns trinta a quarenta anos, eu não sei, a sua aparência era de um homem maduro, mas muito bonito, de longe o homem mais bonito que já vi. Algo nele era estranho e atrativo.

"Que porra garota!" esbravejou" Olha por onde anda" ele tentava limpar a camisa, só então percebi haver derrubado um pouco do vinho tinto em sua roupa.

"Perdão, senhor, eu não quis, deixe-me ajudar", tentei limpar a roupa dele com as mãos sem sucesso.

- Agora que você já sujou. - sua expressão era dura e fria.

Anne, você é uma burra. Em sua primeira festa você suja a roupa dos outros."pensei".

- Eu sei como retirar essa mancha rapidamente, venha comigo senhor, eu insisto.-ofereci ajuda novamente.

Ele me encarou com uma expressão hostil,e pareceu analisar as minhas feições, seus olhos cor âmbar me encaravam de uma forma que não conseguia explicar. Eu estava envergonhada.

- Vamos logo, então, não tenho tempo a perder, já que sujou, conserte o que fez.- Ele disse revirando os olhos.

Pedi para que ele me seguisse, havia um local aqui próximo, uma espécie de loja de conveniência, onde eu poderia encontrar vinagre e água. Rapidamente chegamos até lá e comprei o que era necessário, paramos ao lado do posto de abastecimento, e eu comecei a limpar a sua camisa suja de vinho em seu corpo.

Isso era tão embaraçoso.

Toquei em seu braço sem querer e me assustei, a sua temperatura corporal era extremamente quente, tentei fingir que isso não aconteceu e apenas voltei a limpar a camisa, ele estava em silêncio apenas me observando. Após algum tempo esfregando consegui retirar a mancha, ufa. Que alívio. Só essa camisa deveria custar mais que a minha própria vida.

Ele parecia estar ali entre nós nessa festa por obrigação.

- A mancha saiu, senhor, me desculpe novamente, eu não estava olhando para onde andava.-

- William. - Sua voz grossa ecoou em meu ouvido.

- Oi? - Pergunto.

- O meu nome é William Carter, não senhor. E qual o seu nome? - perguntou, a voz era extremamente sexy.

Meu rosto corou imediatamente e eu arregalei os olhos.

William Carter. Puta merda.

Liguei os pontos, era ele, o tio de David. Não o reconheci, afinal nunca tinha o visto, só ouvido falar sobre o maior CEO dono das construtoras de Portland.

- Anne- pausei em seguida dizendo meu sobrenome - Anne Turner. -

- Nunca havia visto você, parente dos Turners... mora aqui na cidade? - me analisou cima a baixo.

- Moro, é que... - penso numa desculpa que não seja dizer que sou uma prisioneira -É, que eu não saio muito.

- Deveria sair mais - Disse-me olhando de cima a baixo.

Oh, meu Deus. Eu não achava que um homem desse porte iria flertar comigo, jamais, mas eu apostava que minhas bochechas estavam rosadas.

- Ok, senhorita Turner, foi um prazer. Você está muito bonita, a propósito, mas deveria tomar mais cuidado ao esbarrar e derrubar vinho em estranhos. A cidade pode ser perigosa.- ele disse, me causando um arrepio na espinha, e simplesmente saiu de minha presença.

Engoli o seco, o que foi isso?

Voltei até a festa, mas minha cabeça só pensava nele...ele era um monumento, e o que tinha de bonito tinha de arrogante, ele era uma versão melhorada do sobrinho. Mas isso não me importava, eu sabia que não iria vê-lo novamente.

Fiquei mais um pouco, e para ser sincera já estava chata, não vi meus tios, então resolvi que era a hora de ir para casa, me sentia cansada também, e amanhã haveria um jantar de negócios com os amigos velhos e insuportáveis de meu tio. E eu iria servir e ficar responsável por preparar tudo. Infelizmente.

Segui para casa, no caminho para lá, havia uma floresta, e se eu entrasse nela e nunca mais voltasse para aquele inferno? Bom... Fora de cogitação.

A floresta, o meio ambiente, me despertava algo que eu não sabia explicar. Só sabia que eu gostava de estar conectada à natureza.

Ao chegar, fui direto para o porão, iria tirar essa roupa e me trancar para que ninguém pudesse me ver.

Pulei o muro devagar, e fui com pequenos passos até o meu quarto, que era um porão, na verdade, abri a porta delicadamente e já fui tirando os sapatos, eles estavam me matando.

Quando me virei em direção à cama, minha tia estava sentada lá com uma expressão sombria.

- Eu sei de tudo, sua órfã mentirosa.- ela disse enfurecida.

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