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A Luna dos 100 Alfas

A Luna dos 100 Alfas

Autor:: Arthur Souza
Gênero: Lobisomem
Em uma ilha remota, onde a magia e o destino se entrelaçam, uma jovem Luna chamada Bianca naufraga em busca de um novo começo. Perseguida por sombras do passado, ela logo descobre que a ilha é o lar de 100 Alfas, homens poderosos que perderam suas Lunas em tragédias que ecoam por gerações. Cada Alfa carrega uma dor única e um desejo ardente de se reconectar com sua alma gêmea. À medida que Bianca se adapta à vida na ilha, ela percebe que não é apenas uma sobrevivente, mas a chave para a redenção desses Alfas. Conforme suas habilidades e sentimentos emergem, ela é puxada para um vínculo profundo e inquebrável, revelando um amor que transcende o tempo e a perda. No entanto, a convivência em um lar com tantos corações partidos traz desafios inesperados, à medida que rivalidades, ciúmes e dilemas emocionais ameaçam desestabilizar a nova família que ela encontrou. Enquanto a ilha esconde segredos antigos e perigos iminentes, a Luna deve decidir: será que ela pode curar as feridas do passado e, ao mesmo tempo, encontrar seu próprio lugar entre os Alfas? E, com o peso da responsabilidade sobre seus ombros, até onde ela irá para proteger aqueles que agora considera sua verdadeira família?

Capítulo 1 A Tempestade

Ela olhava pela pequena janela da cabine, O céu, que até algumas horas atrás era um manto azul tranquilo e infinito, agora se transformava rapidamente em um espetáculo aterrorizante. Observando a imensidão que a cercava. O horizonte parecia desaparecer lentamente, engolido pelo que ela agora percebia ser mais do que apenas uma tempestade passageira. Algo dentro dela sussurrava que aquilo era um presságio, uma advertência. Seu coração batia acelerado, o medo começando a invadir suas veias, mas ela o empurrava para longe.

Respirou fundo, tentando se lembrar de quem ela era - sempre forte, sempre determinada, nunca cedia ao medo, mesmo quando ele apertava seu peito como agora.

- Vai ficar tudo bem - murmurou para si mesma, mais como um mantra do que uma verdade.

Ela estava a caminho de um novo destino, uma nova vida, uma nova chance de recomeçar. Tinha feito a escolha certa, ou pelo menos, era o que tentava acreditar. Deixar tudo para trás tinha parecido sensato na época, mesmo que agora, no meio do mar furioso, ela começasse a questionar. O barco balançava com uma violência crescente, e a sensação de perigo iminente tornava difícil pensar em qualquer coisa além do momento presente.

- Maldita tempestade - murmurou, apertando os lábios. O barulho ensurdecedor do vento e das ondas batendo no casco era quase surreal.

De repente, a porta da cabine foi aberta com um estrondo, e um dos tripulantes entrou, molhado até os ossos. Seus olhos estavam arregalados de pânico, a respiração curta.

- Temos problemas grandes, senhorita - disse ele, as palavras saindo trêmulas. - É melhor se preparar. Vai ser uma noite longa.

Antes que Bianca pudesse perguntar algo, o tripulante se foi tão rápido quanto veio, voltando para o caos do convés. A sensação de impotência crescia em seu peito, um nó na garganta que ela se forçava a engolir. Ficando de pé, ela se chocou contra a parede quando o barco inclinou-se de maneira perigosa. O capitão gritava ordens do lado de fora, mas suas palavras eram tragadas pelo rugido do vento.

Por um breve momento, Bianca pensou em correr para a segurança da cabine interna, onde provavelmente estaria mais protegida. Mas algo a fez hesitar. Ela sentia que precisava estar lá fora, que deveria enfrentar a tempestade de frente, não se esconder dela.

Seus pés hesitaram por um segundo, mas ela logo se moveu em direção à porta que levava ao convés. O frio cortante do vento a atingiu assim que saiu, quase tirando seu fôlego. A água da chuva misturada com os respingos salgados das ondas batia em seu rosto, cegando-a temporariamente.

A cena à sua frente era um caos absoluto. A tripulação corria de um lado para o outro, tentando manter o controle do barco que agora parecia ser uma mera casca de noz à deriva no oceano furioso. O convés estava inclinado em um ângulo assustador, e cada batida das ondas fazia o barco tremer violentamente.

- Senhorita, volte para dentro! - gritou um dos tripulantes, sua voz quase inaudível no meio da tempestade.

Mas Bianca não se moveu. Ela agarrou a lateral da embarcação, seus dedos firmes contra o metal frio. Algo nela recusava-se a ceder. Mesmo com o coração batendo na garganta, uma parte dela se recusava a se render ao pânico que começava a tomar conta de todos ao redor.

- Eu posso fazer isso - murmurou para si mesma, mais uma vez, como se repetisse uma verdade que precisava desesperadamente acreditar.

Uma onda colossal se ergueu à frente, como um monstro, e Bianca arregalou os olhos, incapaz de se preparar para o impacto. O barco foi arremessado para o lado com uma força brutal, e, por um momento, ela sentiu o chão sumir debaixo de seus pés. Sua mão escorregou da grade, e ela foi lançada contra a parede do convés.

A dor irradiou por todo o seu corpo, o impacto a deixando tonta. Ela lutou para se levantar, sentindo a náusea crescer enquanto o mundo girava ao seu redor. Quando finalmente conseguiu se erguer, uma sensação de desespero a atingiu

- Não... não assim - murmurou, tentando segurar uma nova rajada de pânico.

Foi então que ela ouviu o grito. Um dos tripulantes foi jogado para fora do barco, desaparecendo nas águas agitadas antes que alguém pudesse sequer tentar ajudá-lo. Bianca congelou, o sangue gelando em suas veias ao ver a cena. Sua mente recusava-se a acreditar no que seus olhos viam.

- Não... Não pode ser verdade.

Mas a realidade estava bem diante dela. O mar estava tomando tudo.

Uma nova onda colossal se formava à frente. Desta vez, Bianca soube que não havia para onde correr, e antes que pudesse reagir, a água atingiu o barco em cheio. O impacto a arremessou de novo, e ela sentiu seu corpo ser puxado pelo chão inclinado em direção às grades do convés. Ela tentou se segurar, mas seus dedos encontraram apenas o vazio.

- Segura! - alguém gritou, a voz abafada pelo rugido do vento.

Mas era tarde demais.

Bianca sentiu o vazio abaixo de si. O mundo ao seu redor virou de cabeça para baixo enquanto ela era lançada para fora do barco. O tempo pareceu desacelerar, e tudo o que ela viu foi o céu, coberto de nuvens escuras, girando acima de sua cabeça. Uma última palavra se formou em seus lábios, mas ela não teve chance de dizê-la antes de sentir a água gelada do oceano.

O impacto foi brutal. A água era como gelo, cortando sua pele e roubando seu fôlego em um único golpe. A sensação de ser engolida pelas profundezas tomou conta, e Bianca lutou desesperadamente para subir à superfície. Seu corpo implorava por ar, mas as ondas eram implacáveis, jogando-a de um lado para o outro como uma boneca de pano.

- Eu... preciso... respirar - pensava enquanto suas mãos e pernas batiam freneticamente contra a água. Mas o sal queimava seus olhos e sua garganta, e cada tentativa de subir parecia mais fútil que a anterior.

Lá em cima, ela conseguiu vislumbrar o barco, uma sombra distante no meio da tempestade. Mas ele parecia cada vez menor, mais longe. Sozinha, em meio ao vasto oceano, Bianca sentiu o desespero crescer em seu peito como uma chama incontrolável.

- Isso não pode estar acontecendo - pensou, o pânico tomando conta. - Eu não posso morrer assim.

O medo era quase paralisante, mas em algum lugar, dentro de si, algo gritava mais alto - a lembrança do motivo pelo qual ela estava ali. Ela não havia lutado tanto para acabar assim, não agora. Não no meio de um oceano furioso, onde ninguém a encontraria. Bianca não cederia.

Com um esforço sobre-humano, ela se forçou a bater as pernas contra as ondas, usando cada grama de força que ainda restava. Seu corpo inteiro implorava por descanso, por desistir, mas ela lutava.

- Não aqui. Não agora - repetia mentalmente, sua determinação empurrando o desespero para longe.

Mas, por mais que tentasse, o cansaço finalmente a dominou. Seu corpo começou a se entregar ao peso das ondas, seus braços e pernas se recusando a obedecer. A última coisa que sentiu antes de ser envolvida pela escuridão foi o frio mortal da água e o som distante da tempestade, ainda furiosa, mas cada vez mais distante.

Bianca foi levada pelas correntes, seus pensamentos e consciência desaparecendo no abismo do mar. Ela não sabia para onde as águas a levariam, mas, naquele momento, tudo que restava era o vazio silencioso.

Capítulo 2 À Deriva

Sentia a água fria envolvê-la, penetrando em seus ossos, mas havia algo pior: o silêncio absoluto. Um vazio opressor que consumia cada pensamento, cada emoção, deixando apenas o pavor da incerteza.

Seu corpo doía. Cada músculo parecia tenso, desgastado, e o gosto salgado de maresia estava impregnado em seus lábios rachados. Bianca tossiu, tentando expulsar o gosto amargo da garganta seca. Não havia barco, tripulação, ou qualquer sinal de terra firme. Apenas o oceano infinito e impiedoso, vasto e indiferente.

Ela olhou ao redor, seus olhos ardiam com o sal. A mente ainda nebulosa a fazia lutar para se lembrar do que acontecera. A tempestade e o caos. Tudo desabou de uma vez, e antes que pudesse reagir, foi lançada à deriva, prisioneira do oceano. Bianca sentia suas forças a abandonarem. Seu corpo parecia à beira de desistir, e sua mente, turva pela exaustão, começou a ceder. Mas então algo mudou. O som do mar foi interrompido por uma presença. A água ao seu lado se agitou. No limite de sua visão turva, uma sombra se aproximava.

Era um homem.

Ele surgiu como uma figura imponente, alto e musculoso, o cabelo escuro e pesado pela água. Seus olhos penetrantes a observavam com uma mistura de determinação e curiosidade. Bianca mal teve tempo de se perguntar antes que ele a agarrasse com firmeza e, em um movimento preciso, a puxasse para fora da água com uma facilidade impressionante, como se ela fosse leve como uma pena.

Bianca tentou murmurar algo, mas estava exausta demais. O toque quente dele contrastava com a frieza que a cercava, e, naquele momento, ele era a única coisa que a mantinha consciente. "Ele me salvou", pensou, sentindo uma onda de gratidão misturada ao choque. O alívio percorreu seu corpo ao mesmo tempo que sua mente se enchia de perguntas.

"Quem era ele? Onde estava? E, o mais importante, finalmente fui encontrada!" Ela pensou sentindo que finalmente poderia descansar.

O homem a carregou com determinação, seus passos firmes afundando levemente na areia molhada da praia. Bianca observava ao redor, ainda atordoada, notando a vegetação densa da ilha que se estendia à sua frente, uma floresta verdejante que parecia quase selvagem, mas misteriosamente acolhedora.

"Onde estou?" ela pensou, mas não havia forças para perguntar.

- Eu... - ela tentou falar, sua voz rouca e falhando, a exaustão tomando conta de cada parte de seu corpo.

- Não fale agora - ele a interrompeu suavemente, ajustando seu corpo com firmeza contra o dele. - Vou levá-la a um lugar seguro.

Havia algo reconfortante em seu tom. Uma autoridade silenciosa, como se ele soubesse exatamente o que estava fazendo. "Quem é esse homem?" Bianca sentiu sua respiração misturada à dele, a sensação da proteção que emanava daquele estranho fazia com que ela relaxasse, apesar da confusão que latejava em sua mente. "Por que confio nele?"

Ele a levou pela praia, passando por rochedos e raízes expostas, até encontrarem uma trilha estreita que se adentrava na floresta. As árvores, altas e imponentes, ofereciam uma sombra refrescante que os protegia do sol, que agora começava a se erguer no céu. O homem avançava sem hesitação, como se conhecesse cada pedra, cada árvore daquele lugar.

Bianca tentava processar o que acontecia, mas tudo era rápido demais. O silêncio entre eles era interrompido apenas pelo som de seus passos e do vento suave que agitava as folhas. "Quem é ele? Um nativo? Um viajante como eu?" Sua mente se debatia entre a necessidade de respostas e a exaustão física.

- Quem... você... - ela balbuciou novamente, em um esforço quase desesperado para entender o que estava acontecendo.

- Me chamo Draven - ele respondeu com um ligeiro sorriso, seus olhos ainda focados à frente, atentos ao caminho. - Estamos quase lá.

"Draven" O nome ressoou em sua mente. Havia algo nele que parecia antigo, como se pertencesse a uma história há muito esquecida. Algo forte, sólido. Ela sentiu um arrepio ao ouvir aquele nome, como se carregasse consigo um peso que ela ainda não compreendia. "Será que posso confiar nele?" Mas, neste momento, ela não tinha escolha. Seu corpo já não respondia.

Finalmente, a trilha se abriu em uma clareira.

No centro, uma construção rústica e imponente se erguia, feita de madeira e pedra, parecendo uma extensão natural da própria ilha. A cabana, ao mesmo tempo simples e resistente, emanava uma sensação de abrigo, um refúgio no meio do desconhecido. "Isso é real?"

Draven a levou para dentro, onde o calor de uma lareira acesa envolveu Bianca instantaneamente. O interior da cabana era surpreendentemente aconchegante, com móveis de madeira robusta e tecidos grossos que traziam uma sensação de segurança. Ele a deitou suavemente sobre uma cama coberta por mantas quentes e macias. "Estou segura agora."

- Você vai ficar bem aqui - disse ele, afastando-se para preparar algo, provavelmente comida ou água, sem perder o foco na tarefa. "Ele parece conhecer esse lugar tão bem. Será que mora aqui sozinho?"

Bianca o observava enquanto tentava se recuperar. Draven movia-se com a graça de alguém acostumado a sobreviver naquele ambiente, como se fosse parte daquela ilha. "Quem é ele realmente? E o que essa ilha misteriosa esconde?"

Ela sentiu os olhos se fecharem, pesados pela exaustão, mas sua mente continuava agitada. "Há algo mais aqui?" A sensação de ter sido levada até ali por forças além de seu controle era inegável. "Será que foi o destino?" Bianca não sabia o que esperar dali em diante, mas, por agora, seu corpo cedia à exaustão e a última imagem em sua mente era o olhar penetrante de Draven.

Capítulo 3 Refúgio

Bianca acordou sem saber onde estava, a mente ainda nublada, sem conseguir raciocinar direito. Ela escutou o crepitar suave da lareira, que rompia o silêncio da cabana, enquanto o calor acolhedor a envolvia. Cada músculo cansado começava a relaxar sob as mantas macias. Ela se sentia segura, ainda que uma parte de sua mente permanecesse inquieta, como se estivesse em alerta.

Draven, em contraste, movia-se pela pequena cabana com eficiência controlada. Ele sabia exatamente o que fazer. Agora, ele preparava algo para ela comer, uma sopa quente que lançava um aroma reconfortante no ar. Ele não disse muito; suas ações falavam por ele. Porém, apesar de sua postura rígida e semblante fechado, havia algo em Draven que sugeria mais do que ele deixava transparecer.

Bianca sentiu o aroma suave de ervas e legumes, e seu

estômago roncou em resposta. Quando Draven finalmente trouxe a tigela de sopa fumegante, ele a colocou em suas mãos com um gesto cuidadoso. O toque de seus dedos contra os dela, mesmo que breve, foi surpreendentemente quente, quase protetor.

- Coma - disse ele, com a voz grave, mas firme. - Vai precisar de forças.

Bianca olhou para a sopa e, embora o cheiro fosse tentador, sua mente ainda estava presa aos eventos recentes. O mar, o afogamento iminente, o resgate inesperado. Ela deu a primeira colherada hesitante. O sabor era simples, mas trouxe uma sensação de conforto imediato. Cada colherada parecia devolver um pouco de força ao seu corpo enfraquecido.

Enquanto comia, seus olhos observavam Draven pelo canto. Ele estava de pé ao lado da lareira, os braços cruzados sobre o peito, a expressão tão impenetrável quanto a primeira vez que o vira. A luz das chamas lançava sombras sobre suas feições severas, mas havia algo de magnético nele, uma espécie de atração inquietante. Bianca não conseguia parar de observá-lo.

A sopa quente trouxe mais clareza à sua mente, e com ela, vieram as perguntas que borbulhavam em sua cabeça.

- Obrigada... - disse ela, com a voz hesitante, tentando puxar uma conversa. - Você me salvou. Eu... nem sei como te agradecer.

Draven não respondeu de imediato. Seus olhos escuros pousaram sobre ela por um breve momento antes de desviar para o fogo.

- Não precisa agradecer - disse ele, com a mesma seriedade de sempre. - Qualquer um faria o mesmo.

"Qualquer um?" Bianca sabia que ele estava sendo modesto. O modo como ele a resgatara, com precisão e força, sugeria que ele era mais do que um simples morador da ilha. E ela queria saber mais.

- Quem é você? - perguntou, a curiosidade tomando conta. - E como soube onde me encontrar?

Draven franziu ligeiramente a testa, como se a pergunta o incomodasse. Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder, sem olhá-la diretamente.

- Eu moro aqui - disse ele, sem rodeios. - Conheço essa ilha. Vi você à deriva no mar. Foi sorte... ou destino.

Bianca franziu o cenho. "Destino?" A palavra soou estranha vinda dele, como se carregasse um peso maior do que ela poderia compreender naquele momento. Algo em seu tom sugeria que ele acreditava que havia mais acontecendo ali do que um simples resgate.

- Destino? - ela repetiu, tentando entender. - O que quer dizer com isso?

Ele se mexeu, desconfortável, claramente não querendo prolongar a conversa sobre o tema.

- Apenas descanse - disse ele, desviando o olhar para a porta.

Ela olhou para ele, querendo mais respostas, querendo entender o homem que a salvara e por que parecia tão misterioso. Ele, no entanto, parecia disposto a manter o mistério por enquanto. Ele era uma figura impenetrável, mas ao mesmo tempo, algo no modo como ele a tratava - com gentileza inesperada - a fazia sentir que havia mais sob aquela fachada fechada.

- Eu só... - começou Bianca, hesitante, tentando romper o silêncio pesado que se formava. - Não sei o que teria acontecido se você não estivesse lá.

Por um breve segundo, algo mudou no rosto de Draven. Seus olhos suavizaram, e ele deu um meio sorriso quase imperceptível, mas tão rapidamente quanto surgiu, desapareceu.

- Apenas descanse - repetiu ele, agora em um tom mais suave. - Amanhã conversamos mais. Vai precisar de forças para sobreviver aqui.

Bianca hesitou, mas não conseguiu segurar mais a pergunta que a atormentava.

- Você está sozinho aqui? - perguntou, com a voz suave, mas cheia de curiosidade.

Draven ergueu uma sobrancelha, surpreso com a pergunta.

- Não, não estou sozinho - ele respondeu, a expressão séria. - Se é isso que está pensando, esta não é uma ilha deserta. Há uma vila não muito longe daqui. Nós estamos em uma ilha, sim, mas você não está tão isolada quanto imagina.

As palavras dele aliviaram um pouco a tensão que Bianca sentia, mas ao mesmo tempo, levantaram novas perguntas. **Uma vila?** Isso significava que havia outras pessoas? Mas então, por que ela ainda se sentia tão isolada?

- Uma vila? - ela murmurou, intrigada.

- Sim - confirmou Draven. - Mas descanse. Amanhã podemos ver como você está. Por enquanto, precisa recuperar suas forças.

Mesmo com tantas perguntas sem respostas, sentia-se exausta demais para continuar insistindo. Draven se afastou, deixando-a descansar, mas permaneceu atento, seus olhos azuis vigilantes mesmo enquanto lhe dava espaço. Bianca, agora deitada, envolveu-se nas mantas quentes e fechou os olhos.

Draven, ao perceber que a mulher fechou os olhos, se moveu silenciosamente, levantando uma cadeira de madeira a levando para o lado da cama. Ele se sentou com um movimento firme, mas tranquilo. Ela sentiu sua presença perto dele, uma figura silenciosa, mas imponente, como uma sombra protetora que não deixava seu posto. Ele cruzou os braços sobre o peito e se acomodou na cadeira, os olhos fixos no fogo, mas atento a qualquer sinal de desconforto dela.

"O que te trouxe aqui?" Ele pensou enquanto permanecia sentado, imóvel, enquanto observava ela adormecer. Draven não a deixou sozinha e a simples proximidade dele era reconfortante. Antes que percebesse, Bianca foi lentamente levada ao sono.

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