Elizabeth Lublin nasceu na pequena cidade de Council, no estado de Idaho, EUA. Por ser uma cidade extremamente pequena com menos de 1000 habitantes, ela sabia que para ser uma grande advogada, teria que estudar muito para conseguir uma bolsa e não poderia viver ali para sempre.
Filha única, morava com os pais na fazenda deles na zona rural da cidade. O pai, Zachary, era um rude fazendeiro que estava acostumado com a vida que tinha e não queria que a filha fosse para longe dele. Já sua mãe, Ella, era uma dona de casa que sempre apoiou em secreto as decisões da filha, pois se ela tivesse a oportunidade de cursar uma faculdade quando era jovem, provavelmente teria os mesmos desejos.
Por não ser de uma família de grandes posses, Elizabeth fazia pequenos trabalhos durante as férias escolares para juntar dinheiro e ter uma vida mais tranquila quando fosse para faculdade.
Quando chegou o tempo das provas e admissões, Liz, como era chamada pelas colegas, enviou suas notas para todas as universidades que tinham o curso de direito nos EUA, e para sua surpresa - não que ela não acreditasse em sua capacidade - ela foi selecionada para muitas universidades, mas escolheu a Universidade de Howard, em Washington, D.C. Estar na capital americana, no centro do poder, era uma realidade muito diferente para uma menina do interior de um estado repleto de montanhas rochosas.
Após se formar, ela decidiu se mudar para cidade vizinha de Arlington com Ashley, sua colega de sala, como forma de arrumar um emprego. Com um tempo as duas foram efetivadas em um escritório de advocacia, o que era mais um sonho realizado.
Após três anos trabalhando intensamente, com sua carreira de advogada decolando aos 25 anos, ela recebe uma ligação de seu pai.
Elizabeth Lublin
Mais um dia de trabalho no escritório, o caso do famoso empresário John Tate estava me dando muita dor de cabeça, o processo era bastante complicado, pois a sua ruptura com seu antigo sócio estava carregada de muito rancor de ambas as partes e ninguém estava disposto a ceder para houvesse um acordo bom para ambos, ele e Daniel Key, só pensavam nos seus próprios umbigos.
Decido beber um pouco de água para clarear minha mente. Sou branca e tenho cabelos castanhos lisos que vão até a cintura, olhos castanhos, nariz e bocas finas. Apesar do meu rosto ser fino, minhas bochechas são cheias, tenho sardas no rosto e sou baixinha, apenas 1,62 de altura.
Minha maquiagem é bem básica, em tons nudes, somente no batão é rosado. Estou de vestido preto tubinho, com um salto da mesma cor. Para dar vida ao look preto, uso braceletes, brincos e um colar dourado. De repente, meu telefone toca, pego e no visor está escrito Zac, o nome do meu pai. Atendo, já que pode ser algo importante.
- Alô, pai? - digo.
- Alô minha filha, preciso que venha para casa imediatamente. - Diz ele, com voz em tom de preocupação, o que me deixa em alerta.
- Pai, o que aconteceu? - Precisava entender o precisava de mim em Council.
- Sua mãe passou mal pela manhã e está internada em McCall. Os médicos dizem que é um problema sério no coração. Ela quer te ver minha filha. - Quando ele me diz isso, só não entrei em pânico porque minhas emoções poderiam afetar ainda mais meu pai e eu queria que ele estivesse bem até minha chegada.
- Meu Deus, pai. Estou indo o mais rápido que eu posso, fique tranquilo. Fale pra mamãe que estou indo vê-la - Disse, tentando tranquilizá-lo.
- Venha rápido filha, tchau. - Disse ele.
- Vou no primeiro voo para Boise City. Tchau, pai. - Eu disse, encerrando a ligação e me levantando da mesa.
Desliguei meu computador, peguei minhas coisas e sai o mais rápido possível para a sala de William, meu chefe, bato na porta e espero sua autorização para entrar.
- Pode entrar - William fala. Meu chefe tem o cabelo liso curto preto com alguns fios brancos, o que contrasta bastante com sua pele bem branca. Ele tem olhos azul claro e o nariz arredondado, diferente do seu rosto que era bem definido pelos seus ossos.
Com mais de 40 anos, William estava bem para sua idade bem comparação com outros advogados da mesma idade. Ele estava em um terno cinza chumbo que parecia ser feito sobre medida para seu corpo, gravata vermelha e camisa branca. Assim que me vê na porta, seu rosto é amistoso.
- Com licença Sr. William, preciso conversar urgente contigo. - Digo transparecendo minhas emoções no momento.
- Pode entrar Elizabeth, você parece preocupada, aconteceu algo? - Meu chefe claramente percebeu que existe algo errado.
- Acabei de receber uma ligação do meu pai avisando que minha mãe está internada em estado grave, é um problema no coração, ela está pedindo para me ver. Vou precisar de uma licença por uns dias para ir a Idaho. - Digo, explicando o meu problema.
- Claro que te dou esses dias, você sempre foi uma funcionária dedicada. Só repasse as últimas do caso do Sr. Tate para Ashley - Diz, para meu alívio.
- Muito obrigada Sr. William, irei falar com Ashley agora mesmo. - Digo e saio de sua sala.
Volto pra minha sala, pego as pastas do caso do Sr. Tate e vou até a sala da minha querida amiga Ash. Bato na porta e espero seu comando.
- Entra - Diz Ash. Seu cabelo é liso e loiro acinzentado e vai apesar um pouco além dos ombros, bem diferente de mim que tenho um cabelão. Seu rosto é delicado como de um anjo, de olhos verdes, nariz fino e a boca carnuda. Assim como eu, a sua maquiagem é em tons de nude, mas o batom dela é marrom puxado para o bronze. Ela está de conjuntinho azul marinho, sendo a saia estilo lápis um pouco acima do joelho e a camisa social. Ash é um pouco mais alta do que eu, apesar disso, quando estamos juntas não fica destoadas.
- Sou eu, amiga. - Digo entrando e fechando a porta atrás de mim.
- O que aconteceu contigo, Liz? Você está pálida. - Ela diz, olhando com preocupação.
- Minha mãe está internada em estado grave e pediu para me ver, amiga. - Digo em um tom quase choroso.
- Meu Deus, o que aconteceu com ela? - Pergunta Ash também bem preocupada.
- Ela está com um problema no coração, meu pai quando ligou, não soube me explicar direito, mas eu descubro assim que chegar no hospital, já está tudo certo com o Sr. William. Ele só me pediu para explicar os últimos passos do caso do Sr. Tate até aqui - Digo entregando a ela as pastas e explicando tudo que aconteceu nesse processo nos últimos dias. - Conseguiu entender tudo, Ash? - Pergunto para ver se está tudo certo.
- Claro que sim, pode ir tranquila pra Idaho, só me liga assim que chegar lá e vai me passando as notícias sobre sua mãe, okay? - Ela me diz tranquilizadora. - Vai ficar tudo bem com sua mãe.
- Aí amiga, eu espero, minha mãe sempre teve uma saúde forte. Pode deixar que eu te ligo assim que chegar na cidade onde ela está internada. - Digo dando garantia a minha amiga. - Bom, preciso ir pra casa arrumar minhas coisas e pesquisar uma passagem de avião para lá.
Ash me abraça e eu retribuo. Saio em seguida de sua sala em direção ao elevador.
Considerei a sorte estar do meu lado, pois consegui um voo direto de Washington para Boise City, capital do estado onde nasci, Idaho, era raro. Após isso, precisei trocar de avião para ir de Boise até McCall, a cidade onde minha mãe estava internada. Eu gosto do meu estado, um lugar com bastante montanhas e paisagens naturais. Mas, a profissão que escolhi seguir, eu realmente precisava ir para lugares mais movimentados.
Acostumei-me com minha vida agitada em D.C. e depois em Arlington, sinceramente não cogitava voltar para o interior tão cedo. Estou realmente focada na minha carreira. Porém no momento só consigo pensar em minha mãe. Minha mente pede o tempo todo para que ela não piore e consiga me ver a tempo.
Apesar do meu pai ter me ligado no meio da manhã, estava quase anoitecendo e ainda não tinha chegado em McCall, olha que existe um fuso horário de três horas a mais da Virgínia para Idaho. Tento me distrair com a revista que tem no avião ou dormir um pouco, mas minha mente não deixa, só consigo pensar na dona Ella, minha querida e amada mãe.
Cheguei em McCall quase as 18 horas no horário de Idaho, o que seria umas 21 horas no horário da Virgínia. Como não despachei bagagens, apenas trouxe uma mochila com uma muda de roupas, além da minha bolsa, o desembarque foi rápido e logo cheguei na área dos Taxis e tinha alguns disponíveis, entrei no primeiro da fila e pedi para ir à emergência do Hospital St. Luke, que era o único da cidade.
Apesar de ter nascido em Council, conhecia bem McCall, pois para ter uma assistência médica especializada, vinha sempre a McCall quando morava aqui, já que na minha cidade natal só tem um centro médico que atende procedimentos e exames simples. Logo chego no hospital, pago em dinheiro, agradeço ao motorista e desço do veículo, me dirigindo a recepção do hospital e logo uma atendente acena para ir à direção dela.
- Boa noite, gostaria de visitar Ella Collins Lublin, não tenho o número do quarto dela. - Digo o nome completo da minhã mãe, pois esqueci de perguntar sobre o quarto dela para meu pai e depois não liguei novamente, não queria deixar ninguém mais ansioso do que já estava.
- Boa noite, Ella Collins Lublin né? Vou pesquisar. - Balanço a cabeça em confirmando e a atendente digita no computador. - Achei, ela está no andar da CTI, quarto 307, como só tem uma pessoa com ela, consigo liberar sua entrada. Seu nome e sua identidade, por favor?
- Elizabeth Collins Lublin. - Digo entregando a minha identificação. Ela digita meus dados no computador e depois vai na impressora buscar a etiqueta que tenho de colar na roupa.
- Entrada liberada, pode colar na sua camiseta, é quarto 307 no 3º andar, sabe chegar até o elevador? - Ela me entrega a etiqueta e minha identidade.
- Sei sim, muito obrigada e bom trabalho. - Agradeço a recepcionista.
- Obrigada a você e boa noite. - Ela me responde.
Me dirijo ao elevador e espero alguns minutos até um chegue ao térreo, juntamente com algumas pessoas. Assim que chega um elevador, entro e aperto o 3º Andar. Alguns minutos depois chego no andar e procuro pelo quarto 307. Por ela estar no CTI, possivelmente estaria sozinha no quarto. Localizo o quarto e bato na porta.
- Entre. - Diz meu pai com sua voz forte. Assim que abri a porta, meu pai me olhou aliviado e minha mãe esbouçou um sorriso.
- Mãe, cheguei. - Digo enquanto fecho a porta do seu quarto atrás de mim. Após, ando rápido até a sua maca. - Estou aqui mamãe, nunca deixaria de ver a senhora.
- Minha filha, pensei que nunca mais te veria novamente. - Disse ela com a voz bem fraca.
- Desde de manhã quando pisou nesse hospital, ela deu pra falar que vai morrer a qualquer momento. - Responde meu pai antes que eu pergunte por que ela havia pensado o que disse.
- Pronto mamãe, estou aqui e você está me vendo. - Digo para tranquilizá-la e pego na sua mão esquerda com a minha mão direita. Ela sorri para mim e eu acaricio o seu cabelo com a outra mão.
Minha mãe tinha a mesma cor de cabelo que o meu, porém o dela era bem curto e estava enrolado do jeito que ela gostava de manter, apesar naturalmente ser liso. Seus olhos são azuis bem claros, lembra aquelas fotos do mar caribenho que se vê nas revistas.
A pele dela era branca como a minha e o volume de suas bochechas era igual o meu, apesar de sua idade, ela ainda tinha uma bochecha cheia, a boca e o nariz são finos e as sardas em seu rosto mostram bem que somos mãe e filha, além da pouca altura nos condenar. A testa e os cantos dos seus olhos com diversas linhas de expressão mostravam sua idade avançada. Porém, ela está bem pálida, por conta de seu problema de saúde.
Já meu pai era mais alto que nós duas, tinha os olhos castanhos, nos quais eu puxei dele, a boca é fina, mas o nariz era bem arredondado, assim como seu rosto. Ele já tinha ficado careca e estava visivelmente acima do peso, apesar de trabalhar bastante na fazenda.
Além das marcas de expressão, o seu olhar sempre sério, deixava a impressão dele ser uma pessoa fria, o que de fato era verdade, ele nunca foi de demonstrar afeto comigo e com minha mãe, eu somente o vi seriamente irritado e ciumento quando falei que ia estudar em D.C.
Escuto alguém bater na porta e meu pai fala para entrar.