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A Maldição do Amor Roubado

A Maldição do Amor Roubado

Autor:: Gorgeous Killer
Gênero: Romance
Eu sempre acreditei que era amaldiçoada. Perdi meus pais em um acidente, sendo criada por parentes que me viam como um fardo. Minha única luz era Sofia, minha melhor amiga, minha irmã de alma. Até que a maldição a encontrou também. Sua morte trágica em um acidente de carro me despedaçou. No dia do funeral, na casa dela, Ricardo, o namorado de Sofia, me encontrou vulnerável. Ele me estuprou. Ali, naquele lugar de luto, ele roubou minha dignidade. A polícia chegou, alertada por um vizinho. Ricardo e seus pais, Helena e Afonso, poderosos e influentes, me pressionaram. Com a acusação pairando no ar, e o peso da influência deles me esmagando, eu fiz o impensável. Olhei para o policial e disse: "Não aconteceu nada. Eu tive um pesadelo." Eu o encobri, protegi meu estuprador. Naquele momento, algo em mim morreu, e algo mais frio e escuro nasceu. A maldição não me seguiria mais. A partir daquele dia, eu seria a maldição.

Introdução

Eu sempre acreditei que era amaldiçoada.

Perdi meus pais em um acidente, sendo criada por parentes que me viam como um fardo.

Minha única luz era Sofia, minha melhor amiga, minha irmã de alma.

Até que a maldição a encontrou também.

Sua morte trágica em um acidente de carro me despedaçou.

No dia do funeral, na casa dela, Ricardo, o namorado de Sofia, me encontrou vulnerável.

Ele me estuprou.

Ali, naquele lugar de luto, ele roubou minha dignidade.

A polícia chegou, alertada por um vizinho.

Ricardo e seus pais, Helena e Afonso, poderosos e influentes, me pressionaram.

Com a acusação pairando no ar, e o peso da influência deles me esmagando, eu fiz o impensável.

Olhei para o policial e disse: "Não aconteceu nada. Eu tive um pesadelo."

Eu o encobri, protegi meu estuprador.

Naquele momento, algo em mim morreu, e algo mais frio e escuro nasceu.

A maldição não me seguiria mais.

A partir daquele dia, eu seria a maldição.

Capítulo 1

Eu sempre acreditei que era amaldiçoada, que alguma força sombria me seguia, determinada a me tirar tudo e todos que eu amava.

Não era um pensamento dramático de uma jovem, era uma constatação fria, baseada em fatos.

Primeiro, perdi meus pais em um acidente de carro quando eu ainda era uma adolescente, um evento que me deixou à deriva em um mundo que de repente se tornou silencioso e cinza.

Fui criada por parentes que me viam mais como um fardo do que como família, suas gentilezas eram raras e sempre vinham com um preço.

A única luz em toda essa escuridão era Sofia.

Sofia não era apenas minha melhor amiga, era minha irmã, minha alma gêmea, a única pessoa que me entendia sem que eu precisasse dizer uma palavra.

Ela me acolheu, me defendeu, e me mostrou que a vida ainda podia ter cor.

Até que a maldição a encontrou também.

Um acidente de carro, disseram. Fatal.

No dia do funeral de Sofia, o mundo desabou pela segunda vez, mas desta vez foi diferente, foi mais sujo, mais violento.

Eu estava no quarto de hóspedes da casa dos pais dela, tentando respirar em meio à dor que me sufocava, quando Ricardo entrou.

Ricardo era o namorado de Sofia, um empresário do ramo imobiliário, bonito, charmoso e, como eu viria a descobrir, um monstro.

Ele me encontrou ali, vulnerável e quebrada, e em vez de oferecer consolo, ele tirou de mim a última coisa que eu ainda possuía: minha dignidade.

Ele me estuprou.

Ali, no silêncio da casa que cheirava a flores de velório, enquanto o corpo da mulher que ele dizia amar ainda não havia sido enterrado.

A dor física não era nada comparada à traição, à violação, à sujeira que se instalou na minha alma.

Quando a polícia chegou, alertada por um vizinho que ouviu meus gritos abafados, eu estava encolhida no chão, um trapo humano.

Ricardo já havia se recomposto, seu rosto era uma máscara de preocupação e inocência.

Seus pais, Helena e Afonso, chegaram logo depois, seus rostos carregados de uma fúria controlada, não por mim, mas pela ameaça de escândalo.

Helena se aproximou de mim, seus olhos frios me analisando.

"Ana, querida," ela disse, sua voz falsamente doce, "sabemos que você está passando por um momento difícil, a perda de Sofia foi um choque para todos nós."

Ela olhou para Ricardo, depois de volta para mim.

"Mas você precisa entender, meu filho está destruído, ele não faria mal a uma mosca. Talvez você tenha... se confundido, na sua dor."

A pressão era imensa, o olhar deles me esmagava, a sala parecia encolher.

Os policiais me fizeram perguntas, suas vozes eram gentis, mas distantes.

Eu podia ver a acusação tomando forma, o poder da família de Ricardo pairando no ar.

Eles eram ricos, influentes, e eu não era nada.

Apenas a amiga órfã, a coitadinha.

Então, para o choque de todos, especialmente dos policiais que esperavam uma denúncia, eu fiz o impensável.

Eu olhei para o policial, meu rosto inexpressivo.

"Não aconteceu nada."

Minha voz saiu como um sussurro rouco.

"Eu... eu tive um pesadelo. Gritei. O Sr. Ricardo só veio ver o que tinha acontecido."

O policial franziu a testa, confuso. "Senhorita, você tem certeza? Você tem marcas..."

"Eu caí," menti, a palavra queimando minha garganta. "Eu tropecei no escuro. Estou bem."

Eu me recusei a olhar para Ricardo ou para seus pais, mantive meu olhar fixo em um ponto na parede.

Eu o encobri. Eu protegi meu estuprador.

Naquele momento, algo dentro de mim morreu, e algo muito mais frio e escuro nasceu em seu lugar.

A maldição não iria mais me seguir.

A partir daquele dia, eu seria a maldição.

Capítulo 2

A reação na sala foi imediata e palpável.

Os pais de Ricardo, Helena e Afonso, mal conseguiram esconder o alívio que inundou seus rostos.

A tensão em seus ombros desapareceu, e um pequeno sorriso presunçoso brincou nos lábios de Helena.

Eles se entreolharam, uma comunicação silenciosa de vitória passando entre eles.

A desgraça pública de seu filho amado havia sido evitada, e o preço era apenas a minha palavra, que para eles não valia nada.

O policial mais velho, um homem chamado Inspetor Moraes, me olhou com uma profunda preocupação.

Ele não parecia convencido.

"Senhorita Ana," ele disse suavemente, se aproximando um pouco mais. "Se você estiver sob pressão, se estiver com medo, podemos conversar em particular. Podemos garantir sua segurança."

Sua voz era genuína, um pequeno barco salva-vidas em um oceano de maldade.

Por um segundo, uma parte de mim quis agarrar aquela mão estendida, quis gritar a verdade e deixar que a justiça seguisse seu curso.

Mas a nova e fria Ana, a estrategista que nascia da dor, sabia que a justiça deles não seria suficiente.

Eu balancei a cabeça, forçando um sorriso fraco.

"Não precisa, inspetor. Agradeço sua preocupação, mas estou bem. Eu só... sinto muita falta da Sofia. Acho que minha cabeça não está no lugar."

Eu me diminuí, me pintei como uma garota frágil e confusa, exatamente o papel que eles esperavam de mim.

O Inspetor Moraes suspirou, derrotado. Ele sabia que não podia me forçar.

"Tudo bem. Se mudar de ideia, aqui está meu cartão."

Ele me entregou o pequeno retângulo de papel, e eu o peguei com a mão trêmula, evitando seus olhos.

Quando os policiais saíram, o ar na sala mudou.

A farsa da preocupação caiu, e a dinâmica de poder se restabeleceu.

Nos dias que se seguiram, os rumores se espalharam pela pequena e abafada sociedade da cidade como um incêndio.

Eu ouvia os sussurros quando passava.

"É ela, a amiga da Sofia."

"Dizem que ela tentou seduzir o Ricardo no dia do funeral. Que sem-vergonha."

"Pobre Ricardo, ter que lidar com uma louca dessas depois de perder a noiva."

A culpa foi jogada em mim com uma facilidade chocante. Eu era a aproveitadora, a desequilibrada. Ninguém questionou o herdeiro rico e bonito.

A sociedade me condenou, e eu aceitei o veredito em silêncio.

Era parte do plano. A humilhação era um veneno que eu beberia de bom grado, se isso me levasse ao meu objetivo.

Uma semana depois, eu pedi uma reunião com Helena e Afonso.

Eles me receberam em sua mansão opulenta, seus rostos uma mistura de cautela e desprezo.

Eu me sentei na beirada de um sofá caro, minhas mãos unidas no colo.

"Eu sei o que as pessoas estão dizendo sobre mim," comecei, minha voz baixa e submissa. "E eu entendo. Eu não quero causar mais problemas para sua família."

Helena ergueu uma sobrancelha. "E então?"

Foi então que eu joguei minha bomba.

"Eu quero me casar com o Ricardo."

O silêncio que se seguiu foi tão profundo que eu podia ouvir o tique-taque de um relógio de pêndulo no corredor.

Helena e Afonso me encararam como se eu tivesse acabado de anunciar que era de outro planeta.

Afonso se inclinou para frente. "O que você disse?"

"Eu amo o Ricardo," menti, a palavra "amor" soando como uma obscenidade na minha boca. "Eu sempre amei, em segredo. Sofia sabia. Eu quero cuidar dele, ajudá-lo a superar essa dor. E... casar com ele limparia a imagem de todos. Silenciaria os rumores."

Eu ofereci a eles a solução perfeita para o problema deles, embrulhada em uma declaração de amor absurda.

Vi a ganância e o cálculo nos olhos de Helena.

Uma nora que eles podiam controlar completamente. Uma nora que já havia provado que ficaria quieta. Uma nora que o público via como uma oportunista, o que tornava seu filho Ricardo a vítima da situação.

Era perfeito demais para eles recusarem.

Helena sorriu, um sorriso que não alcançou seus olhos mortos.

"Bem, Ana. Isso é... inesperado. Mas se é o que seu coração deseja, e se Ricardo concordar... quem somos nós para nos opormos ao amor?"

Ela disse a palavra "amor" com tanto sarcasmo que quase me fez rir.

Eles aceitaram. Claro que aceitaram.

Eles não viram a armadilha se fechando ao redor deles.

Naquela noite, sozinha no meu quarto, eu olhei para a foto de Sofia na minha mesinha de cabeceira.

"Espere por mim, Sofi," sussurrei para a imagem sorridente. "A vingança é um prato que se come frio. E o banquete deles está apenas começando."

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