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A Mentira Perfeita Dele, A Verdade Perversa Dela

A Mentira Perfeita Dele, A Verdade Perversa Dela

Autor:: Ming Yue Zhang Die Sui Xin
Gênero: Moderno
Por cinco anos, eu fui a amorosa Sra. Monteiro, suportando tratamentos de fertilidade excruciantes para dar ao meu marido, Bruno, o herdeiro que ele merecia. Ele era minha rocha, meu protetor desde que um trote violento na faculdade me deixou estéril. Então, eu ouvi a verdade por trás da porta do seu escritório. Nosso casamento era uma farsa, nunca registrado legalmente. Ele tinha feito uma vasectomia antes do nosso casamento. Era tudo uma mentira elaborada para proteger Bruna - seu amor de infância e a mesma mulher que orquestrou a agressão que destruiu meu futuro. Ele não era meu salvador. Ele era cúmplice dela, e eu era apenas sua compensação. Cada toque gentil, cada palavra reconfortante, era uma atuação. Ele achou que eu nunca descobriria. Ele achou que eu sempre seria sua esposa dedicada e ingênua. Mas quando sua preciosa Bruna machucou meu irmão doente, meu luto virou gelo. Eu sorri docemente, interpretei o papel da esposa que perdoa e comecei a reunir as provas que incendiariam o mundo deles até as cinzas.

Capítulo 1

Por cinco anos, eu fui a amorosa Sra. Monteiro, suportando tratamentos de fertilidade excruciantes para dar ao meu marido, Bruno, o herdeiro que ele merecia. Ele era minha rocha, meu protetor desde que um trote violento na faculdade me deixou estéril.

Então, eu ouvi a verdade por trás da porta do seu escritório.

Nosso casamento era uma farsa, nunca registrado legalmente. Ele tinha feito uma vasectomia antes do nosso casamento. Era tudo uma mentira elaborada para proteger Bruna - seu amor de infância e a mesma mulher que orquestrou a agressão que destruiu meu futuro.

Ele não era meu salvador. Ele era cúmplice dela, e eu era apenas sua compensação. Cada toque gentil, cada palavra reconfortante, era uma atuação.

Ele achou que eu nunca descobriria. Ele achou que eu sempre seria sua esposa dedicada e ingênua.

Mas quando sua preciosa Bruna machucou meu irmão doente, meu luto virou gelo. Eu sorri docemente, interpretei o papel da esposa que perdoa e comecei a reunir as provas que incendiariam o mundo deles até as cinzas.

Capítulo 1

POV Eloísa:

Eu encarava o folheto da clínica de fertilidade, meus dedos traçando a curva delicada da barriga de uma mãe esperançosa. Era isso. O procedimento complexo que eu estava prestes a enfrentar, uma tentativa desesperada de gerar um filho.

"Sinto muito, Sra. Monteiro", disse a agente do seguro ao telefone, sua voz monótona. "Seu marido não está listado como dependente na sua nova apólice. O sistema não mostra nenhuma certidão de casamento válida em arquivo."

"Às vezes", ela continuou, "essas coisas acontecem com registros mais antigos, digamos, 'informais'. Gostaria que investigássemos? Pode ser um descuido burocrático, ou talvez... algo mais."

Meu coração falhou uma batida. Bruno? Um erro? Impossível. Ele era meticuloso. "Não, obrigada", eu disse, minha voz mais firme do que eu me sentia. "Deve ser um erro da minha parte. O Bruno cuida de tudo perfeitamente."

Cinco anos. Cinco anos eu fui a Sra. Monteiro. Cinco anos eu vivi com a dor silenciosa da infertilidade, um legado cruel de um trote na faculdade que havia roubado muito mais do que apenas minha paz.

Bruno tinha sido minha rocha, meu protetor. Ele me protegeu da pressão implacável de sua família por um herdeiro, sempre sussurrando: "Sua saúde vem em primeiro lugar, Eloísa. Encontraremos outra maneira."

Mas eu sabia a verdade. O legado de sua família. O nome dele. Eu faria qualquer coisa por ele, até mesmo suportar essa jornada dolorosa, na esperança de finalmente dar a ele a única coisa que eu não podia fornecer naturalmente.

Meu celular vibrou, zumbindo violentamente contra o tampo de vidro da mesa. Um número desconhecido, mas a urgência no toque cortou meus pensamentos.

"Eloísa? É a Ana. Você precisa vir para a mansão. O Cláudio... ele está furioso. O Bruno está sendo confrontado. A coisa está feia." A voz dela era um sussurro tenso e em pânico.

Minha respiração engatou. Bruno? O que poderia justificar a ira de seu pai? Peguei minhas chaves, o folheto esquecido na mesa, minha mente a mil.

A mansão dos Monteiro se erguia, uma fortaleza de dinheiro antigo e regras não ditas no Morumbi. Seus grandes portões de ferro se abriram com um gemido lento e rangente, engolindo meu carro pequeno por inteiro.

Antes mesmo de eu entrar, os gritos me alcançaram, abafados, mas agudos, ecoando do escritório. A voz trovejante de Cláudio, depois os tons suplicantes de Ana e, finalmente, as respostas baixas e tensas de Bruno.

"Bruna!", Cláudio rugiu, o nome me atingindo como um golpe físico. "Tudo isso... por causa da Bruna!"

Bruna. O nome por si só revirava meu estômago. Seu rosto desdenhoso. Seus sorrisos manipuladores. A garota que sempre parecia orbitar Bruno, uma sombra que eu aprendi a ignorar há muito tempo.

Minha mão voou para a boca, abafando um suspiro. Minhas pernas pareciam gelatina, enraizadas no lugar do lado de fora da porta fechada do escritório.

"Eu tinha que protegê-la, pai!", a voz de Bruno estava crua. "Você sabe o porquê. O pai dela... o que ele fez pelo nosso. Eu devo a ela."

"Uma dívida antiga!", gritou Ana, sua voz rachando. "Uma dívida de amizade, não uma coleira para a vida toda! A visão de negócios do pai dela ajudou Cláudio a estabelecer este império, sim, mas isso não significa que sacrificamos os nossos pela depravação da filha dele!"

"É mais do que amizade, mãe", contrapôs Bruno, o cansaço claro em seu tom. "É uma promessa. Um pacto sagrado entre famílias."

"Pacto sagrado?", zombou Cláudio. "Ela é uma praga! Uma pirralha mimada e manipuladora que quase derrubou nosso nome com seus esquemas mesquinhos!"

"E quanto a Eloísa?", a voz de Ana subiu para um grito. "E o que a Bruna fez com ela? Aquele 'trote' na faculdade? Não foi só um trote, Bruno! A Bruna orquestrou a agressão que deixou a Eloísa traumatizada e estéril!"

O mundo inclinou. Meus ouvidos rugiram, um ruído branco ensurdecedor abafando todo o resto. Meu estômago se revirou, a bile subindo pela minha garganta. Bruna. Estéril. As palavras giravam, coalescendo em uma verdade grotesca e inegável.

A voz de Bruno era quase um sussurro. "Eu... eu sei. Eu resolvi isso. Garanti que ela não enfrentaria acusações."

"Resolveu?", trovejou Cláudio. "Você enterrou o caso! Você deixou aquela psicopata andar livre enquanto a Eloísa sofria em silêncio!"

"O que eu deveria fazer?", gritou Bruno. "Ela precisava de uma compensação! Proteção! Você queria uma imagem limpa, pai! Então eu me casei com a Eloísa, para mantê-la segura... e para manter a Bruna fora da prisão!"

O estalo agudo de um tapa ecoou pelo escritório. "Seu tolo!", a voz de Cláudio estava carregada de nojo. "Você sacrificou uma mulher inocente por aquela víbora!"

"E o casamento?", a voz de Ana estava fria, letal. "Nunca foi nem registrado legalmente, não é? Uma farsa. Uma charada. Tudo isso."

"Ele fez uma vasectomia antes do casamento, Eloísa!", gritou Ana, sua voz crua de dor. "Ele sabia que você nunca poderia ter filhos, e ele garantiu que ele também não pudesse! Ele nunca pretendeu construir uma família de verdade com você!"

"E onde ela está agora?", exigiu Cláudio. "Ainda escondida naquele chalé isolado que você comprou, não é? Seu segredinho, Bruno, enquanto a Eloísa se desgasta tentando engravidar!"

"Ela precisa de mim", murmurou Bruno, sua voz quebrada. "Ela é frágil. Ela não tem para onde ir."

Meus joelhos cederam. Um soluço engasgado rasgou minha garganta, cru e agonizante. O chão correu para me encontrar, frio e implacável.

Era tudo uma mentira. Cada toque gentil, cada palavra reconfortante. As memórias daquela noite, o medo, a dor, ressurgiram com uma clareza brutal.

"É isso que você ganha por ser tão ingênua, Eloísa." A voz de Bruna, presunçosa e pingando desprezo, ecoou na minha cabeça. "O Bruno sempre foi meu."

Então a voz de Bruno, suave e sincera: "Eu vou te proteger, Eloísa. Sempre." A mentira suprema.

Eu tinha acreditado nele. Acreditado em sua integridade inabalável, seu senso feroz de justiça. Ele era meu herói, aquele que me tirou dos poços mais profundos do desespero.

Ele me abraçou quando eu chorei, afastou os repórteres, me protegeu do olhar cruel do mundo.

"Eu assumo total responsabilidade pelo bem-estar da Eloísa", ele anunciou à imprensa, seu maxilar cerrado, seus olhos sérios. "Ela agora é minha prioridade."

"Case-se comigo, Eloísa", ele disse, olhando nos meus olhos, "e me deixe passar o resto da minha vida te fazendo feliz." Uma promessa vazia. Uma armadilha.

Ele não era meu salvador. Ele era o arquiteto da minha gaiola dourada, o cúmplice silencioso no meu sofrimento prolongado.

Cinco anos. Cinco anos felizes e ignorantes onde eu pensei que era amada, querida, às vezes até culpada por minha incapacidade de lhe dar um filho.

Tudo isso, uma mentira. Uma performance meticulosamente elaborada para me compensar por um trauma que ele conhecia, um trauma que seu amor de infância havia infligido.

A voz de Bruno, abafada pela porta, me alcançou novamente, cheia de uma arrogância confiante. "A Eloísa me ama, mãe. Ela sempre amou. Ela nunca vai saber."

Uma calma estranha se instalou sobre mim, fria e afiada. O desespero foi substituído por um fogo ardente e resoluto. Ele achou que eu nunca saberia? Ele estava errado. E ele se arrependeria.

Um toque de celular súbito e frenético perfurou o ar de dentro do escritório. Bruna. Eu sabia, apenas pela borda frenética do som.

A porta se abriu de repente, e Bruno saiu correndo, seu rosto pálido, seus olhos arregalados de alarme. Ele não me viu, caída no chão. Ele apenas correu.

Ele parou abruptamente quando me viu, seus olhos se fixando nos meus. O alarme frenético em seu rosto se solidificou em puro e absoluto choque.

Capítulo 2

POV Eloísa:

Meus olhos estavam secos, sem piscar, enquanto eu o encarava. O choque inicial em seu rosto deu lugar a uma máscara cuidadosamente construída de preocupação.

"Eloísa? O que você está fazendo aqui?", ele perguntou, sua voz tensa, uma tentativa desesperada de normalidade.

Eu me levantei lentamente, meus membros pesados. "A Ana ligou", eu disse, minha voz surpreendentemente firme. "Ela disse que você estava com problemas. Fiquei preocupada."

Seu olhar piscou para a pequena pasta azul escura que eu segurava. O folheto da clínica de fertilidade. Ele provavelmente pensou que eu ainda estava envolvida na minha ignorância feliz.

"Estou bem, querida", ele disse, dando um passo em minha direção, sua mão se estendendo. "Apenas um desentendimento familiar. Nada para você se preocupar."

Seus olhos, no entanto, continuavam a se desviar para o celular. Vibrou novamente, um tremor silencioso em seu bolso. Ele era um péssimo mentiroso, agora que eu sabia o que procurar.

Eu vi o sorriso forçado, a ansiedade fugaz em suas pupilas. Era tudo uma performance, um eco da vida que havíamos construído sobre mentiras.

"Você parece exausto", eu disse, fingindo preocupação. "Talvez você devesse ir. Eu... eu vou esperar pela Ana."

Ele hesitou, uma batalha clara travando-se por trás de seus olhos. A ligação de Bruna versus manter as aparências. Bruna venceu.

"Tem certeza?", ele perguntou, sua voz ainda carregada de falsa preocupação. "Eu posso ficar."

"Não, vá", insisti, uma pressão sutil em meu tom. "Ela precisa de você."

Ele assentiu, um movimento rápido, quase imperceptível. Então ele se foi, um borrão de terno caro e urgência frenética, me deixando sozinha no silêncio ecoante do hall de mármore.

No momento em que a porta da frente se fechou, a máscara que eu usava se estilhaçou. Uma onda de náusea me invadiu, do tipo que vem de uma traição profunda e avassaladora.

Meus olhos caíram sobre uma grande porta de carvalho no final do corredor. O escritório particular de Bruno. O único lugar nesta casa em que eu era proibida de entrar sem sua permissão explícita.

Parecia um desafio, uma provocação. Caminhei em direção a ela, meus passos anormalmente altos no chão polido.

A porta estava destrancada. Eu a abri.

A sala estava mal iluminada, pesada com o cheiro de couro velho e seu perfume. Em sua enorme mesa de mogno, uma fotografia emoldurada se destacava. Era Bruna, seu cabelo selvagem, seus olhos brilhando, rindo para a câmera. Uma foto de anos atrás, antes que ela tivesse aperfeiçoado seu ato frágil.

Meu olhar estava frio, vazio. Estendi a mão, meus dedos roçando a moldura. Houve um clique fraco.

Uma trava escondida.

A parte de trás da moldura se abriu, revelando um pequeno compartimento recesso. Dentro, empilhadas ordenadamente, havia mais fotografias. Todas de Bruna.

Minha respiração ficou presa na garganta, não de surpresa, mas de uma confirmação arrepiante. Preto e branco, tons de sépia, cores vibrantes. Uma linha do tempo de sua devoção secreta.

Peguei uma. Era Bruna, radiante, segurando uma taça de champanhe. A data estampada no canto me deu um choque, frio e agudo. 15 de outubro, cinco anos atrás. Nosso aniversário de casamento.

Naquele dia, eu havia surpreendido Bruno com um pequeno bolo, esperando um jantar tranquilo. Ele me disse que tinha uma viagem de negócios urgente, lamentando não poder estar lá. Ele até mandou flores. Mandando flores, percebi agora, enquanto estava com ela.

Outra foto. Bruna em uma camisola de hospital, parecendo pálida, mas serena, um pequeno sorriso brincando em seus lábios. Abaixo, uma nota manuscrita na caligrafia familiar de Bruno: "Minha garota corajosa. Você finalmente está segura." A data: 2 de março, dois anos atrás.

2 de março. O dia em que eu desmaiei, agarrando meu abdômen em agonia, os médicos lutando para controlar uma hemorragia interna de meus intermináveis tratamentos de fertilidade. Bruno ficou inacessível por horas, depois ligou de volta, sua voz grossa de preocupação, dizendo que estava preso em uma reunião crítica e não programada.

Ele nunca esteve preso. Ele nunca esteve preocupado. Ele estava sempre com ela, sempre a colocando em primeiro lugar. Estas não eram meras fotos; eram carimbos de data e hora do meu abandono, evidências de sua crueldade calculada.

Um vazio profundo se espalhou por mim, entorpecendo tudo. Ele não apenas me traiu; ele me apagou sistematicamente de sua vida, substituindo-me por ela em todos os momentos cruciais.

Meus dedos tremeram, segurando as fotos. Eu precisava me mover. Eu precisava agir.

Peguei meu celular, discando um número que não usava há anos. "Alô, Dr. Esteves? Estou ligando sobre a transferência do Felipe. Gostaria de agilizar o processo para a instalação especializada em Campos do Jordão. Imediatamente."

Em seguida, enviei uma mensagem concisa e codificada para um contato discreto, um velho amigo da universidade que agora se especializava em perícia digital. "Preciso de todas as informações que você puder encontrar sobre Bruna Bittencourt, retrocedendo dez anos. Foco em transações financeiras, comunicações e quaisquer incidentes relacionados a uma 'agressão' ou 'trote' durante nossos anos de faculdade. Não deixe pedra sobre pedra. Discrição absoluta necessária. A compensação será... significativa."

O relógio de pêndulo no corredor bateu meia-noite. O carro de Bruno entrou na garagem.

Rapidamente, recoloquei as fotos, ajeitei a moldura e saí do escritório. Corri para o nosso quarto, deslizando para debaixo das cobertas, fingindo dormir. Meu coração martelava contra minhas costelas, um tambor caótico contra o silêncio.

Ele entrou no quarto silenciosamente. Senti a cama afundar enquanto ele se despia, depois o roçar de sua mão enquanto ele tentava me mover, me puxar para mais perto.

Eu me encolhi, um movimento brusco e involuntário. Meu celular, ainda em minha mão sob as cobertas, escorregou, sua tela piscando com o último e-mail que eu havia enviado. "Assunto: Urgente – Investigação Bruna Bittencourt."

Ele parou. "Eloísa?" Sua voz era baixa, cautelosa. "O que você está fazendo com seu celular?"

Meus olhos se abriram, fingindo sonolência. "Apenas checando e-mails", murmurei, puxando o celular de volta rapidamente. "Coisas do trabalho. Coisas de arquiteta. Você sabe."

"Deixe-me cuidar disso para você", ele ofereceu, sua mão ainda pairando sobre a minha. "Você teve um dia longo."

Minha respiração engatou. Ele tinha visto? Não, impossível. Balancei a cabeça levemente. "Não, está tudo bem. Apenas um projeto atrasado. Eu consigo."

Ele não insistiu, mas senti seu olhar demorar. Um lampejo de suspeita, rapidamente mascarado. "Você esteve na mansão hoje, não foi?" Sua voz estava calma, calma demais. "Mamãe disse que você saiu abruptamente."

"Ah", eu disse, virando-me para encará-lo, minha expressão cuidadosamente neutra. "Sim. Eu só... me senti um pouco mal depois da viagem. Não queria incomodar ninguém."

Olhei para ele, meus olhos cheios de uma preocupação fabricada. "Você saiu tarde. Está tudo bem? Com... sua amiga?"

Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo. "É complicado. Ela é... delicada. Precisa de muitos cuidados."

"Claro", eu disse, uma nota suave e compreensiva em minha voz. "Ela sempre precisou. Talvez... seria mais fácil se ela ficasse aqui? Conosco?"

Bruno congelou, seus olhos se arregalando em descrença. Ele me encarou, sua boca ligeiramente aberta.

"É o mínimo que podemos fazer", continuei, minha voz doce, uma borda oculta de aço por baixo. "Ela é da família, afinal. E ela realmente precisa de você. Nós dois sabemos disso."

Ele me puxou para um abraço apertado, enterrando o rosto em meu cabelo. "Eloísa", ele sussurrou, sua voz grossa de emoção. "Você é verdadeiramente a mulher mais compreensiva que eu já conheci."

Capítulo 3

POV Eloísa:

Acordei com os sons estridentes de móveis sendo movidos, vidros tilintando e gritos abafados do andar de baixo. Meus olhos se abriram de repente, um pavor frio já apertando meu peito.

Sentei-me, balançando as pernas para o lado da cama. Isso não era apenas barulho; era uma invasão.

Caminhei até o corrimão, espiando para baixo. O hall de entrada, meu santuário, estava em desordem. Caixas, malas e uma decoração brega estavam sendo carregadas por uma equipe de carregadores. E no centro de tudo, dirigindo o caos como uma rainha malévola, estava Bruna.

Ela estava envolta em um robe de seda, seu cabelo loiro platinado uma bagunça em volta dos ombros, seus movimentos bruscos e imperiosos. Seus olhos, geralmente tão calculistas, agora estavam arregalados com um júbilo febril.

Um dos carregadores, um jovem com olhos nervosos, encontrou meu olhar. Ele gesticulou vagamente para Bruna, depois para as pilhas de caixas, um pedido de desculpas silencioso em sua explicação apressada. "Sra. Monteiro, a Srta. Bittencourt... ela disse para colocar tudo onde ela queria. O Sr. Monteiro confirmou."

Eu simplesmente assenti, uma calma que eu não sentia se instalando sobre mim. "Obrigada", eu disse, minha voz baixa, mas firme. "Isso é tudo por agora. Podem deixar o resto." Os carregadores, sentindo uma tensão não dita, rapidamente pegaram suas coisas e fugiram.

Bruna se virou, seus olhos se estreitando. "Ora, ora, se não é a Eloísa", ela ronronou, sua voz pingando doçura falsa. "Ainda vagando por esta casa como um fantasma, eu vejo. Esqueceu onde fica seu quarto?" Ela fez uma pausa, um sorriso malicioso brincando em seus lábios. "Ou esqueceu da última vez que tentou se impor?"

Meu silêncio era meu escudo. Eu simplesmente a observei, minha expressão indecifrável. Eu não lhe daria a satisfação de uma reação.

Seu sorriso vacilou ligeiramente. A crueldade casual em seus olhos se aguçou quando ela viu meu olhar inabalável. Ela estava acostumada com meu encolhimento, minhas lágrimas. Este novo olhar vazio parecia perturbá-la.

Ela caminhou em direção a uma pequena mesa lateral antiga no canto do hall, uma mesa que eu havia escolhido com cuidado. Com um movimento deliberado e amplo, ela derrubou um delicado vaso de cerâmica, fazendo-o se espatifar no chão de mármore.

Era o vaso que Bruno me comprara em nossa lua de mel, uma coisinha insignificante, mas um símbolo do que eu pensei que tínhamos compartilhado. Ele se quebrou em um milhão de pedaços.

Mantive meu olhar fixo nela. Ainda nada.

Seus olhos brilharam de frustração. Ela precisava de uma reação, uma confirmação de seu poder. Ela pegou um controle remoto na mesa de centro.

A grande TV de tela plana na parede piscou, ganhando vida, exibindo uma imagem nítida e granulada. Era um vídeo. Uma gravação trêmula e distorcida daquela noite.

A noite do trote. A noite em que meu mundo se fraturou. Meu coração bateu forte contra minhas costelas, uma nova onda de medo gelado me invadindo.

A tela mostrava figuras borradas, sombras contra as luzes duras do dormitório da faculdade. Eu me vi, mais jovem, mais ingênua, sendo empurrada, empurrada, humilhada. O terror em meu rosto era inconfundível. Ouvi as zombarias, as provocações. Meus próprios gritos, crus e desesperados. E então... a violência. A dor. O momento em que meu futuro foi roubado.

Minhas mãos se fecharam em punhos, as unhas cravando em minhas palmas. Minha respiração engatou, uma batalha silenciosa para manter o pânico crescente sob controle.

Bruna, enquanto isso, continuava olhando para a porta da frente. Ela estava esperando uma audiência. Bruno, sem dúvida. Ela estava atuando.

"Ainda se lembra disso, Eloísa?", ela zombou, sua voz alta, ecoando na sala cavernosa. "A noite em que você aprendeu seu lugar? A noite em que percebeu que o Bruno sempre me escolheria?" Ela se inclinou, sua voz caindo para um sussurro venenoso. "Ele sempre escolheu, e sempre escolherá. Você é apenas um lindo tapa-buraco, uma mentira conveniente."

Algo dentro de mim estalou. A calma evaporou, substituída por uma onda de raiva pura e sem adulteração. Movi-me antes que pudesse pensar, meu braço se esticando, um empurrão rápido e brutal.

No exato momento em que o som da minha mão se conectando com seu ombro ecoou, a porta da frente se abriu.

Bruna cambaleou para trás, um grito surpreso escapando de seus lábios, então ela desabou no chão, uma imagem de delicada fragilidade.

Bruno estava lá, pasta ainda na mão, seu rosto gravado com choque. Ele largou a pasta, correndo para frente. "Bruna! O que aconteceu?!"

Ele a pegou nos braços, seus olhos ardendo enquanto olhava para mim. "Eloísa, o que você fez?!", sua voz estava tensa de raiva.

Bruna gemeu, agarrando seu braço. "Ela... ela me atacou, Bruno! Ela me empurrou! Ela sempre foi tão ciumenta, tão irracional!" Seus olhos, arregalados e lacrimejantes, olharam para ele.

O olhar de Bruno endureceu, a decepção nublando suas feições. "Eloísa", ele disse, sua voz fria, "eu pensei que você fosse melhor do que isso."

Eu não falei. Eu simplesmente apontei, um único dedo inabalável, para a tela atrás dele. Para o loop horrível do meu trauma passado se desenrolando em clareza silenciosa e brutal.

Ele se virou, seguindo meu olhar. Seus olhos se fixaram na tela, depois se arregalaram, seu maxilar se contraindo. A cor sumiu de seu rosto enquanto ele assistia à filmagem horrível.

A raiva em seus olhos se dissolveu lenta e dolorosamente em uma percepção doentia. Ele se afastou de Bruna, apenas uma fração, uma mudança sutil, mas o suficiente para eu ver.

Uma única lágrima silenciosa traçou um caminho pelo meu rosto. Era fria, cortante. Não por ele, não por ela, mas pela tola ingênua que eu tinha sido.

Ele estendeu a mão, sua mão pairando, incerta. "Eloísa... eu..."

Eu me afastei de seu toque, uma repulsa visceral. A ideia de suas mãos, que tão gentilmente enxugaram minhas lágrimas, agora parecia contaminada por sua traição.

Ele puxou a mão para trás como se estivesse queimado. Seu rosto se contraiu, uma pontada de dor real piscando em seus olhos.

"Bruna!", ele rugiu, sua voz tremendo com uma mistura de raiva e descrença. "O que é isso?! Por que você faria isso?!"

Bruna, assustada com sua fúria, de repente começou a soluçar dramaticamente. "Eu... eu vi, Bruno! Agora mesmo! Foi tão horrível! Minha cabeça começou a doer, e então... e então ela simplesmente me atacou!" Ela agarrou a cabeça, balançando dramaticamente.

Seu ato foi impecável. Projetado para puxá-lo de volta, para reafirmar sua lealdade equivocada. E funcionou.

Ele a alcançou, seu braço envolvendo instintivamente sua forma trêmula. Ele a puxou para perto, murmurando palavras suaves, acariciando seu cabelo. O gesto familiar, o mesmo que ele usara para me confortar inúmeras vezes, agora uma adaga em meu coração.

Eu observei, entorpecida, enquanto ele a embalava, seus olhos cheios de preocupação. A ironia era um gosto amargo em minha boca. Ele estava confortando a algoz, usando os mesmos gestos que uma vez usara para "curar" a vítima.

Ele fez sua escolha. O pensamento me atravessou, mais frio que qualquer lâmina. Ele sempre a escolherá.

Um peso sufocante se instalou em meu peito. Eu não conseguia respirar, não conseguia me mover. Ela sorriu, um flash rápido e triunfante em seus olhos cheios de lágrimas enquanto encontrava meu olhar por cima do ombro de Bruno. Ela havia vencido.

Mas ela ainda não sabia. Ela apenas pensava que havia vencido esta batalha. A guerra estava longe de terminar.

Endireitei minha coluna, uma desafio silencioso endurecendo minha expressão. Eu não quebraria. Não agora. Nunca mais.

Ele estava alheio, murmurando para ela. Meu olhar percorreu sua cabeça curvada. Ele nem me vê mais. Eu não sou nada.

Virei-me, meus passos silenciosos, e me afastei.

Uma hora depois, Bruno me encontrou na cozinha, olhando pela janela. Ele parecia exausto, sua gravata afrouxada, seus olhos sombreados. "Eloísa", ele disse, sua voz pesada de exaustão. "Sinto muito. Pelo vídeo. Por... tudo." Ele esfregou a mão no rosto. "Eu nunca quis que você descobrisse dessa maneira."

Ele se aproximou, parando a alguns metros de mim. "Eu tive que proteger a Bruna. Você conhece o pai dela e o meu. A dívida. Tem sido um fardo, uma promessa que carrego desde a infância."

Ele olhou para mim, seus olhos suplicantes. "Eu sei que parece uma desculpa, mas... minha família dependia de mim. A família dela dependia de mim." Sua voz baixou. "Eu realmente sinto muito, Eloísa. Por tudo isso. Pelas mentiras, pela maneira como você descobriu."

Virei-me, meus olhos encontrando os dele. Meu rosto estava cuidadosamente em branco. "Você está certo", eu disse, minha voz suave, calma. "É uma desculpa. E não é o suficiente." Respirei fundo. "Eu tenho um pedido."

Ele parecia confuso. "Qualquer coisa, Eloísa. Qualquer coisa. Apenas... me diga o que você precisa."

"Eu preciso do histórico médico e psicológico completo da Bruna", afirmei, minha voz clara e inabalável. "Cada arquivo, cada registro, cada detalhe. Quero acesso a isso, agora."

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