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A Mulher Esquecida

A Mulher Esquecida

Autor:: Xiao Liuzi
Gênero: Bilionários
A festa de gala borbulhava, copos tilintavam e sorrisos falsos adornavam os lábios, mas para Sofia, esposa do magnata da construção Ricardo, tudo era um borrão distante e abafado. Seus olhos fixavam-se em Patrícia, a "musa inspiradora" de seu marido, cujo abraço possessivo em público era um golpe em seu já combalido coração. Todos os olhos estavam neles, e não nela. Naquela noite fatídica, no estacionamento subterrâneo, o terror se instalou quando homens mascarados os cercaram. "O dinheiro ou sua esposa", rosnou um deles. Sofia olhava para Ricardo, um fio tênue de esperança em seu peito partido, afinal, era sua esposa, mãe de sua filha. Mas a decisão dele foi brutal e instantânea: "Levem-na!", ele gritou, empurrando-a para os sequestradores, priorizando Patrícia e seu filho ilegítimo. Abandonada por um ano em um porão úmido, Sofia sobreviveu a torturas físicas e psicológicas. "Seu marido disse que você não vale o resgate", zombavam seus captores. A esperança deu lugar a uma raiva fria e uma sede inabalável de viver. Quando a oportunidade surgiu e ela escapou, o que encontrou não foi um lar em luto, mas uma festa, o batizado do segundo filho de Ricardo com Patrícia, e sua própria filha, Clara, de seis anos, trancada em um canil sujo no escuro. A inocência quebrada de Clara, os hematomas em seu corpo frágil e a confissão "A tia Patrícia disse que o papai não gosta de meninas más", foram a fagulha final. Naquele instante, a esposa submissa morreu. Emergiu uma mãe, sem nada a perder, com uma única certeza avassaladora: ela destruiria Ricardo.

Introdução

A festa de gala borbulhava, copos tilintavam e sorrisos falsos adornavam os lábios, mas para Sofia, esposa do magnata da construção Ricardo, tudo era um borrão distante e abafado.

Seus olhos fixavam-se em Patrícia, a "musa inspiradora" de seu marido, cujo abraço possessivo em público era um golpe em seu já combalido coração. Todos os olhos estavam neles, e não nela.

Naquela noite fatídica, no estacionamento subterrâneo, o terror se instalou quando homens mascarados os cercaram. "O dinheiro ou sua esposa", rosnou um deles.

Sofia olhava para Ricardo, um fio tênue de esperança em seu peito partido, afinal, era sua esposa, mãe de sua filha.

Mas a decisão dele foi brutal e instantânea: "Levem-na!", ele gritou, empurrando-a para os sequestradores, priorizando Patrícia e seu filho ilegítimo.

Abandonada por um ano em um porão úmido, Sofia sobreviveu a torturas físicas e psicológicas. "Seu marido disse que você não vale o resgate", zombavam seus captores.

A esperança deu lugar a uma raiva fria e uma sede inabalável de viver.

Quando a oportunidade surgiu e ela escapou, o que encontrou não foi um lar em luto, mas uma festa, o batizado do segundo filho de Ricardo com Patrícia, e sua própria filha, Clara, de seis anos, trancada em um canil sujo no escuro.

A inocência quebrada de Clara, os hematomas em seu corpo frágil e a confissão "A tia Patrícia disse que o papai não gosta de meninas más", foram a fagulha final.

Naquele instante, a esposa submissa morreu.

Emergiu uma mãe, sem nada a perder, com uma única certeza avassaladora: ela destruiria Ricardo.

Capítulo 1

A festa de gala da construtora de Ricardo fervilhava, as luzes dos lustres de cristal refletiam nas taças de champanhe e nos sorrisos falsos dos convidados, mas para Sofia, tudo parecia distante e abafado. Ela era a esposa, a renomada arquiteta de interiores que dava um verniz de classe aos empreendimentos do marido, mas naquela noite, como em tantas outras, ela era invisível. Todos os olhos, especialmente os de Ricardo, estavam fixos em Patrícia.

"A minha musa inspiradora", Ricardo dizia a quem quisesse ouvir, com o braço possessivamente em volta da cintura de Patrícia.

Patrícia, a irmã de seu falecido sócio, sorria, um sorriso que não alcançava seus olhos astutos, ela absorvia a adoração, exibindo uma resiliência que Ricardo elogiava publicamente, uma resiliência forjada, segundo ele, pela trágica perda do irmão. Sofia sabia a verdade, essa resiliência era a fachada para encobrir os negócios ilícitos que Ricardo herdou do sócio e a existência do filho ilegítimo que ele tinha com ela.

Sofia segurava sua taça com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos, ela observava seu marido e a amante dele no centro do salão, um casal perfeito sob os holofotes, enquanto ela, a esposa legítima, era apenas uma sombra na periferia. A humilhação era uma brasa constante em seu peito.

Ricardo subiu ao pequeno palco, pegou o microfone e o barulho diminuiu, ele sorriu, um sorriso de predador que ele reservava para os negócios e para as câmeras.

"Boa noite a todos", sua voz ressoou pelo salão, "É uma honra tê-los aqui para celebrar mais um ano de sucesso da nossa empresa."

Ele falou sobre projetos, lucros e expansão, mas então seu olhar encontrou o de Sofia por um breve momento, um olhar vazio, protocolar.

"E eu não poderia deixar de agradecer à minha querida esposa, Sofia", ele disse, e um holofote perdido finalmente a encontrou, fazendo-a piscar, "O pilar da minha vida, a mulher que com sua elegância e talento transforma meus prédios em lares. Um brinde a Sofia!"

Os aplausos foram educados, mas Sofia sentiu o gosto amargo da hipocrisia, as palavras dele eram ocas, um roteiro ensaiado para manter as aparências, segundos depois, seu olhar já havia voltado para Patrícia, com um calor que ele nunca mais dirigiu a ela.

A festa acabou tarde, o ar da noite estava frio quando saíram do salão, Ricardo caminhava na frente, com uma mão protetora nas costas de Patrícia, que reclamava do frio. Sofia os seguia em silêncio, sentindo-se como uma serviçal.

Quando chegaram ao estacionamento subterrâneo, o silêncio foi quebrado não por suas vozes, mas pelo som de pneus cantando e portas de uma van se abrindo com violência, homens mascarados e armados os cercaram em segundos.

"Ricardo Bastos!", um deles rosnou, a voz distorcida pela máscara, "Você tem uma dívida conosco."

O pânico tomou conta de Ricardo, seus olhos saltaram de Sofia para Patrícia.

Patrícia gritou, um som agudo e performático, "Ricardo, meu amor! O bebê! Nosso filho!"

Ela colocou a mão sobre a barriga, uma barriga que mal começava a aparecer, mas que naquele momento se tornou a coisa mais importante do mundo.

O líder dos sequestradores agarrou o braço de Sofia, puxando-a com força, a dor subiu por seu ombro.

"A escolha é sua, Ricardo", disse o homem, "O dinheiro ou sua esposa."

Sofia olhou para o marido, um fio de esperança desesperada em seu coração partido, ela era sua esposa, mãe de sua filha.

Mas Ricardo olhou para o rosto assustado de Patrícia, para a mão dela em sua barriga, e sua decisão foi instantânea e brutal.

"Levem-na!", ele gritou, empurrando Sofia na direção dos homens, "Levem-na! Mas deixem a Patrícia em paz! Ela está grávida, ela é frágil, ela precisa de mim!"

O olhar de Sofia encontrou o de Ricardo pela última vez naquele momento, e o que ela viu ali não foi medo ou dor, foi alívio, ele a estava descartando, trocando sua vida pela conveniência de proteger sua amante e seu novo herdeiro.

"Ricardo...", ela sussurrou, mas a palavra foi engolida quando um capuz sujo foi jogado sobre sua cabeça, mergulhando-a na escuridão.

Ela foi arrastada para a van, o som do motor acelerando foi a última coisa que ouviu de seu antigo mundo.

O ano seguinte foi um borrão de dor e escuridão, ela foi mantida em um porão úmido, alimentada com restos, torturada não apenas fisicamente, com brutalidade casual, mas psicologicamente, com as palavras dos seus captores.

"Seu marido não atende nossas ligações", eles riam, "Ele disse que você não vale o resgate. Disse que a outra está grávida de novo e precisa da proteção dele."

Cada palavra era uma faca girando na ferida aberta pela traição dele, a esperança morreu lentamente, substituída por uma raiva fria e uma vontade de sobreviver que ela não sabia que possuía. Ela aprendeu a ser um fantasma, a observar, a esperar.

E a oportunidade veio, uma noite, um dos guardas, bêbado, esqueceu a porta destrancada, Sofia não hesitou. Ela correu, com o corpo fraco, mas a mente afiada pela adrenalina, correu por ruas que não reconhecia, até que a exaustão a derrubou. Um estranho a ajudou, deu-lhe comida e algumas moedas para uma passagem de ônibus.

A viagem de volta para casa foi longa, ela era uma espectadora em sua própria vida, observando o mundo passar pela janela suja do ônibus. Quando finalmente chegou à sua rua, ao seu bairro luxuoso, algo estava errado, a casa, em vez de estar silenciosa e em luto, estava iluminada, cheia de música e risadas.

Ela se aproximou cautelosamente, esgueirando-se pelo jardim lateral que ela mesma projetara, o som de uma festa chegou aos seus ouvidos, e pela grande janela da sala de jantar, ela viu a cena que selou seu destino.

Ricardo estava na cabeceira da mesa, sorrindo, erguendo uma taça, Patrícia estava ao seu lado, radiante, segurando um bebê recém-nascido envolto em rendas brancas, era o batizado do segundo filho deles. Seus amigos e familiares estavam todos lá, rindo e comemorando, ninguém parecia se lembrar dela, ninguém sentia sua falta.

Um nó se formou na garganta de Sofia, onde estava Clara? Onde estava sua filha?

O pânico a impulsionou, ela deu a volta na casa, indo para os fundos, para o quintal, e foi então que ela ouviu, um gemido baixo, um som que partiu o que restava de seu coração.

Em um canto escuro do jardim, ao lado da casinha do cachorro que eles nunca tiveram, havia um canil de metal, e dentro dele, encolhida em um monte de trapos sujos, estava Clara.

Sua filha de cinco anos, agora com seis, estava magra a ponto de seus ossos se destacarem, seu cabelo estava emaranhado e sem vida, e em seus olhos grandes e assustados havia um vazio que nenhuma criança deveria conhecer.

Sofia caiu de joelhos, o ar fugindo de seus pulmões, o som da festa, das risadas, do brinde de Ricardo, misturou-se com o gemido de sua filha faminta, trancada como um animal.

Naquele instante, todo o amor que um dia sentiu por Ricardo se transformou em pó, toda a dor se solidificou em uma única e avassaladora certeza.

Ela não ia apenas deixá-lo, ela ia destruí-lo, ela ia fazê-lo pagar, ela ia tirar sua filha daquele inferno e apagar cada vestígio dele de suas vidas. A esposa submissa estava morta, enterrada no porão onde ele a abandonou, o que emergiu foi uma mãe, e não havia nada no mundo mais perigoso. O tempo de sofrer tinha acabado, era hora de lutar.

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Capítulo 2

Duas semanas depois, Sofia estava pronta, o tempo que passou escondida na casa de uma antiga empregada leal foi usado para se recuperar minimamente e planejar seu próximo passo, ela não voltaria como uma vítima suplicante, ela voltaria como uma aparição, um fantasma vindo para assombrar o banquete.

A ocasião era perfeita: o anúncio oficial do noivado de Ricardo e Patrícia. A notícia correu pela alta sociedade como fogo em palha seca, a viúva de luto mal fora declarada legalmente morta e o viúvo já estava refazendo a vida com a "musa inspiradora".

Sofia escolheu um vestido simples, preto, que acentuava sua magreza e a palidez de seu rosto, ela não usou maquiagem, as olheiras profundas e as cicatrizes finas em seu rosto, que ela se recusou a esconder, eram seu testemunho.

Quando ela entrou no salão de festas do hotel mais caro da cidade, um silêncio se espalhou como uma onda, a música parou, as conversas morreram, as cabeças se viraram. Ricardo e Patrícia estavam no centro do salão, prestes a cortar um bolo de noivado de vários andares.

O queixo de Ricardo caiu, a faca de prata que ele segurava caiu de sua mão e bateu no chão com um barulho metálico que ecoou no silêncio mortal. Seus olhos se arregalaram em puro choque e descrença.

"Sofia?", ele sussurrou, a palavra quase inaudível.

Mas o choque inicial foi rapidamente envenenado, Patrícia, mestra da manipulação, reagiu instantaneamente, ela soltou um pequeno grito e se agarrou ao braço de Ricardo, seu rosto se contorcendo em uma máscara de medo e dor.

"Ricardo, quem é essa mulher?", ela choramingou, alto o suficiente para que todos ouvissem, "Ela... ela se parece com a Sofia, mas não pode ser... é um truque cruel!"

As palavras dela foram o gatilho, a mente de Ricardo, que por um segundo pareceu vacilar, endureceu, seu choque se transformou em irritação e depois em fúria. Como essa mulher ousava aparecer aqui e estragar seu momento, sua nova vida perfeitamente construída?

Os sussurros começaram entre os convidados, como o zumbido de vespas.

"Meu Deus, é a Sofia Bastos!"

"Mas ela não estava morta? Sequestrada e morta?"

"Olhe para ela... parece um fantasma."

"Então a história da 'musa' era verdade o tempo todo... pobre Sofia."

A narrativa que Ricardo havia vendido à sociedade, a de um marido de coração partido encontrando consolo nos braços da amiga da família, estava se desfazendo diante de seus olhos.

Patrícia sentiu a mudança na atmosfera e intensificou seu teatro, lágrimas brotaram de seus olhos, ela levou a mão ao peito, ofegante.

"Eu não aguento isso", ela soluçou para Ricardo, "Depois de tudo o que passamos... ela volta do túmulo para nos assombrar? Para tentar roubar nossa felicidade? Meu coração..."

Ela se apoiou nele, fingindo uma fraqueza que não possuía.

Ricardo, encurralado e humilhado publicamente, fez sua escolha, ele abraçou Patrícia, protegendo-a, e olhou para Sofia com um desprezo gelado.

"Patrícia é a mulher que esteve ao meu lado na minha hora mais sombria", ele declarou em voz alta, para todo o salão ouvir, "Ela me deu força, me deu um novo motivo para viver, me deu um filho! Esta... esta mulher que apareceu aqui esta noite é uma estranha para mim."

A dor daquelas palavras foi física, Sofia sentiu como se o ar tivesse sido arrancado de seus pulmões, ele não estava apenas negando-a, estava apagando a existência dela, o casamento deles, a família que um dia foram.

Foi então que ela viu, no pescoço de Patrícia, brilhando sob as luzes, o colar. Era o seu colar, um pingente de diamante único que Ricardo lhe dera em seu primeiro aniversário de casamento, ele havia dito que era tão único quanto o amor deles. Mas agora, o design original havia sido alterado, pequenas esmeraldas, a pedra de nascimento de Patrícia, foram adicionadas ao redor do diamante, profanando a memória, transformando um símbolo de seu amor em um troféu para sua substituta.

A visão daquele colar em seu pescoço foi mais dolorosa do que qualquer tortura física que ela suportou, foi a prova final e inegável de que ela havia sido completamente e totalmente substituída, sua vida, seu amor, suas memórias, tudo foi roubado e refeito para caber em outra pessoa.

Um convidado mais ousado, um antigo sócio de Ricardo, se aproximou.

"Ricardo, o que está acontecendo? É a Sofia, não é?"

Ricardo nem sequer olhou para o homem, seus olhos estavam fixos em Sofia, cheios de uma fúria fria.

"Eu não sei quem é essa mulher", ele repetiu, cada palavra um martelo cravando o prego em seu caixão, "Minha noiva é Patrícia. A mãe do meu filho. O futuro da minha família. Segurança!", ele gritou, sua voz ecoando com autoridade, "Tirem essa impostora daqui agora!"

Dois seguranças corpulentos se moveram em direção a Sofia, a humilhação era completa, ela não era mais Sofia Bastos, esposa e arquiteta, ela era uma "impostora", uma louca a ser removida para que a festa pudesse continuar. Ela não resistiu, ela os deixou agarrar seus braros, mas antes de ser arrastada para fora, ela olhou diretamente nos olhos de Ricardo, e no seu próprio olhar não havia lágrimas, nem súplica, apenas um vazio gélido que prometia um acerto de contas.

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