Casei-me com o Diogo, o homem que amei por uma década.
A noite de núpcias, que deveria ser o início do nosso "para sempre", transformou-se num pesadelo.
Ele desapareceu, só para reaparecer de madrugada, cambaleante e com cheiro a perfume barato.
A desculpa? A ex-namorada, Beatriz, tinha tentado suicidar-se.
Ele a consolava no hospital, enquanto eu estava sozinha na nossa nova casa, vestida de noiva.
Diogo, cegado pela culpa e por uma promessa antiga, trouxe-a para morar connosco, dizendo que ela "precisava dele".
Minha casa, nosso quarto, foram invadidos por aquela mulher que ele jurava não significar nada.
Eu tentei ser compreensiva, por Deus, mas a cada dia eu afundava mais na dor e na humilhação.
Como podia ele não ver? Como podia ser tão cego à manipulação enquanto o nosso casamento desmoronava?
A raiva gelada substituiu a tristeza quando descobri a verdade: a "tentativa" de suicídio era uma farsa, e o pai "morto" da Beatriz estava bem vivo.
Chega de paciência. Chega de compreensão.
Agora, eu sou a advogada, e ele vai ter que escolher: eu ou ela.
Esta guerra, eu vou ganhá-la.
O meu nome é Sofia.
Hoje, casei-me com o Diogo, o homem que amei durante dez anos.
A cerimónia foi grandiosa, com todos os nossos amigos e familiares presentes.
O Diogo estava incrivelmente bonito no seu fato. Ele segurou a minha mão, os seus olhos cheios de um carinho que eu conhecia tão bem.
"Sofia, serás a minha mulher para sempre."
Eu sorri, acreditando em cada palavra.
Mas quando a noite caiu e os convidados foram embora, ele desapareceu.
Liguei-lhe. Sem resposta.
Mandei mensagens. Nenhuma foi lida.
Fiquei sentada sozinha na nossa nova casa, o meu vestido de noiva branco a parecer uma piada cruel no silêncio.
Às duas da manhã, a porta abriu-se.
O Diogo entrou, cambaleando ligeiramente. O cheiro de álcool e de um perfume feminino barato encheu o ar.
"Onde estiveste?", perguntei, a minha voz a tremer.
Ele olhou para mim, os seus olhos frios.
"A Beatriz tentou suicidar-se. Tive de ir para o hospital."
Beatriz. A sua ex-namorada. A mulher que ele me disse que já não significava nada.
"Ela está bem?", consegui perguntar.
"Ela cortou os pulsos. Está estável agora, mas está muito fraca. Precisa de mim."
O meu coração afundou-se. Na nossa noite de núpcias, ele estava com outra mulher.
"E eu?", a minha voz era um sussurro. "Eu não preciso de ti?"
O Diogo franziu o sobrolho, a sua paciência a esgotar-se.
"Sofia, não sejas egoísta. A vida da Beatriz estava em perigo. O que querias que eu fizesse? Deixá-la morrer?"
Ele despiu o casaco e atirou-o para uma cadeira. Havia uma mancha de batom vermelho no colarinho da sua camisa.
Não era a cor que eu estava a usar.
"A Beatriz não tem mais ninguém", continuou ele, sem me olhar. "Os pais dela não querem saber. Eu sou tudo o que ela tem."
Senti um nó na garganta.
"E o que sou eu para ti, Diogo?"
Ele finalmente olhou para mim, a sua expressão dura.
"Tu és a minha mulher. Age como tal. Sê compreensiva."
Depois, virou-se e foi para o quarto de hóspedes, fechando a porta atrás de si.
Fiquei ali, no meio da sala de estar, o frio a instalar-se nos meus ossos.
O casamento que eu sonhei durante uma década tinha-se transformado num pesadelo em apenas algumas horas.
Na manhã seguinte, acordei no sofá. O meu corpo doía.
O Diogo já tinha saído. Havia uma nota na mesa da cozinha.
"Fui ver a Beatriz. Não me esperes para o almoço."
Nenhuma palavra de desculpa. Nenhuma palavra de carinho.
Eu era a sua esposa, mas sentia-me como uma estranha na minha própria casa.
Peguei no meu telemóvel. Havia notificações das redes sociais. Amigos a publicarem fotos do nosso casamento.
"Que casal lindo! Felicidades!"
"O amor verdadeiro existe! Tão feliz por vocês!"
Ri amargamente. Se eles soubessem.
Liguei à minha melhor amiga, a Lara. Contei-lhe tudo.
"O quê?!", ela gritou ao telefone. "Na vossa noite de núpcias? Sofia, tens de te impor!"
"O que posso fazer?", perguntei, sentindo-me impotente. "Ele diz que ela precisa dele."
"E tu não? Acabaram de casar! Isso é inaceitável. A Beatriz está a manipulá-lo, e ele está a deixar."
Eu sabia que a Lara tinha razão.
Durante anos, a Beatriz tinha sido uma sombra na nossa relação. Sempre que dávamos um passo em frente, ela aparecia com uma crise.
Uma doença súbita. Uma emergência financeira. Uma crise emocional.
E o Diogo corria sempre para a salvar.
"Ela é frágil, Sofia", dizia ele. "Eu prometi ao pai dela antes de ele morrer que cuidaria dela."
Eu tentei ser compreensiva. Tentei acreditar nele.
Mas agora, casados, a situação era diferente. Eu era a sua mulher. A sua prioridade.
Ou pelo menos, devia ser.
Decidi ir ao hospital. Precisava de ver com os meus próprios olhos.
Quando cheguei, encontrei o quarto dela facilmente. A porta estava entreaberta.
Espreitei.
A Beatriz estava deitada na cama, o pulso enfaixado. O Diogo estava sentado ao lado dela, a descascar-lhe uma maçã.
Ele estava a sorrir para ela, um sorriso terno que eu não via há muito tempo.
"Diogo, és tão bom para mim", disse a Beatriz, a sua voz fraca e melosa. "Não sei o que faria sem ti."
"Não te preocupes. Eu estarei sempre aqui para ti", respondeu ele suavemente.
O meu estômago revirou-se.
Era uma cena íntima, quase doméstica. Eu não pertencia ali.
Recuei silenciosamente, o meu coração a bater descontroladamente.
Quando me virei, esbarrei em alguém.
Era a mãe do Diogo, a Sra. Helena. Ela olhou para mim, depois para a porta do quarto, e suspirou.
"Sofia, minha querida."
Os seus olhos estavam cheios de pena.
"Ele ama-te", disse ela em voz baixa. "Mas ele sente-se culpado pela Beatriz. É uma obrigação que ele não consegue largar."
"Uma obrigação?", repeti, a minha voz a falhar. "Ele abandonou-me na nossa noite de núpcias por causa de uma obrigação."
A Sra. Helena pegou na minha mão. A sua estava fria.
"Eu sei que não é justo. Falei com ele vezes sem conta. Mas ele é teimoso. Ele acha que lhe deve isso."
Ela olhou-me nos olhos.
"Por favor, sê paciente com ele. Ele vai perceber. Ele só precisa de tempo."
Tempo? Quanto mais tempo eu teria de esperar?
Dez anos não foram suficientes?