- Senhorita Luana, o seu celular está desligado?
- Simon! Que Susto. - Ela diz com a mão no peito, pega o celular e o mesmo está sem bateria. - Esqueci de colocar, para carregar, deve ter descarregado. - Ela para de falar quando vê o semblante preocupado dele. - O que aconteceu? Está branco como papel.
- Seus pais ligaram, Nathan sofreu um acidente de carro.
- Meu irmão, o quê? Como e onde ele está Simon?
- Eles falaram que Nathan foi encaminhado para a Santa Rita de Cássia, no centro da cidade.
- Ok, cancele todos os meus compromissos, estou indo para lá agora.
Antes de sair do prédio da Spangler Corporation, ela decidiu ir até a sala do Victor, seu noivo e Presidente da empresa. Ao chegar na sala de recepção achou estranho sua secretária não estar na mesa, mas devido à pressa não ia esperar, ela abriu a porta e se deparou com a secretária nua, cavalgando em seu noivo. Naquele momento ela sentiu o chão se abrir aos seus pés.
Victor a viu e apressou-se para tirar Elvira de seu colo, sem se importar com a nudez, ele tenta chegar até Luana que o impede com um gesto de mão.
- Não se aproxime. - Sem dizer mais nada, ela vira as costas e segue para o elevador. Sem poder ir atrás dela, Victor grita por seu nome, pedindo que o espere, ela o ignora e segue seu caminho sem olhar para trás.
...
Luana é uma linda jovem de vinte e cinco anos, baixa, magra, morena, com os cabelos longos e negros, olhos também negros, comparando os com duas jabuticabas, ela tem o corpo esbelto de dar inveja em qualquer mulher. Ela se formou em Designer de Marketing Digital, na melhor faculdade do país, como sempre foi muito estudiosa, ela ganhou uma bolsa de estudos, se formando com horas. Ela sempre foi muito apegada à família, principalmente ao seu irmão, Nathan, ele era cinco anos mais novo que ela, ambos se cuidavam e se protegiam de tudo e todos. Sua família é muito humilde, considerada classe média, eles eram estáveis financeiramente falando, mas nada fora do comum; mas isso não impediu de Victor, o herdeiro milionário, se apaixonar por ela.
Quando ela começou a estagiar na empresa, ele ficou louco por ela, a perseguia dentro e fora da empresa, mas ela assistia os noticiários, via as diversas manchetes com o rosto dele em muitas revistas famosas, então o quanto pode ela o evitou. Mas Victor era persistente, e a enchia de mimos, elogios, presentes, até que ela cedeu, e uma noite decidiu jantar com ele.
O jantar foi maravilhoso, tudo muito elegante, na cobertura do hotel mais famoso da cidade, ele foi um perfeito cavaleiro. Após o jantar eles começaram a sair para jantar, almoçar, até mesmo para um passeio no parque, ele estava sendo tão perfeito, tão carinhoso, que foi impossível Luana não se apaixonar. Eles nunca rotularam o que tinham, mas para Luana, ele era seu namorado.
Em uma noite quente, Victor a convidou para mais um jantar, desta vez ele escolheu o Hotel Plaza Ocion, e reservou a área externa toda para eles, ele contratou uma renomada empresa em decorações, a qual enfeitou o ambiente, para que ficasse confortável, luxuoso e muito romântico. Quando Luana chegou, ficou encantada com a decoração. O chão estava repleto de pétalas de rosas-brancas e vermelhas. Havia balões de ar em formato de coração, presos a lindos arranjos de orquídeas roxas, sua cor preferida. No centro, havia uma tenda com tecidos brancos, o que dava uma atmosfera mais romântica. No centro da tenda, havia uma mesa com pratos sofisticados, um balde de Champanhe Cristal Rosé, uma das mais caras do mundo, e duas taças de cristais. Luana não ligava para luxo, e ficou um pouco constrangida com a luxuosa decoração, já que vinha de uma família humilde, sabia que só o valor do Champanhe era maior que alguns meses de seu salário mensal. Vendo a constrangida, Victor a abraçou por trás e lhe deu um beijo no pescoço, dizendo:
- Não faça essa carinha, aproveite a noite, eu fiz tudo pensando em você. - Ela sorri timidamente, e ele continua. - Sente-se, o jantar vai esfriar.
Eles jantaram com uma conversa descontraída, quando foi ficando tarde, Victor percebeu o que Luana ia dizer, então ele se apressou, e ajoelhou-se aos seus pés a pedindo em namoro, com um lindo anel de diamante em formato de coração.
- Luana, você é como o sol em minha vida, ao seu lado eu me sinto aquecido, protegido, amado. Não consigo imaginar minha vida sem você, pois com você meus dias são mais leves, mais lindos. Eu te amo desde a primeira vez em que te vi, linda e nervosa com a entrevista de emprego. - Ambos sorriem com o comentário, Luana sente as lágrimas de felicidade escorrer por sua face, ele as seca delicadamente e pergunta. - Aceita se casar comigo?
- Sim, claro que sim.
Aquela noite eles passaram no hotel, e foi a primeira vez de Luana. Victor foi um cavaleiro tornando a noite mágica e memorável. O problema é que ele se sentia dominador, era mimado, arrogante e sentia-se o todo-poderoso, devido ao seu status. Acreditava que a bela morena nunca o abandonaria. Além disso, frequentava baladas caras, ia à festa e saía com mulheres. Sempre que surge uma notícia nova, sua equipe corria para sumir com ela, para que sua noiva não o visse. Por mais que ele amasse, e ele era realmente obcecado por ela, ele não conseguia se ver longe daquela vida, e seus amigos também não o ajudava nesse quesito, eles achavam Luana sem graça e chata, mas para Victor isso era ótimo, assim não tinha nenhum deles a cobiçava.
Victor vivia em constante conflito, ele sabia que o que fazia era errado, mas tinha medo de ser abandonado pelos amigos, já que eles eram solteiros e curtiam as noitadas, ele tinha medo de ser considerado fraco. Então, mesmo amando Luana, ele se obrigava a ser um escroto, para manter sua aparência de menino mal para os amigos, mas em todas às vezes que a traiu, quando chega em casa ele se xinga pelo que fez.
Enquanto Luana se dirige para o hospital, atordoada, Victor volta para a sua sala desesperado, ele estava seminu, então não poderia sair correndo atrás dela.
Nervoso, ele pediu para sua secretária se vestir e sumir da sua frente, ela tenta argumentar.
- Assim é melhor meu amorzinho, agora ela não empaca o nosso caminho. - Sem acreditar no que ouvia, ele vai até ela a pega pelo pescoço e diz.
- Nunca mais fale assim da minha mulher, você é apenas um projeto de puta que, eu uso quando quero, ela é meu diamante bruto, minha joia rara. - Elvira o olha com lágrimas nos olhos, ela tenta tirar a mão que a sufocava, mas ele estava cego de raiva, até que a porta é aberta abruptamente e seu pai entra na sala.
- Que pouca-vergonha é essa, Victor Spangler? - Victor estava apenas com as calças levantadas, mas ainda aberta, Elvira estava com os seios amostra, e usando apenas uma calcinha vermelha fio dental.
- P.pai! Eu, posso explicar. - Victor diz constrangido.
- Pegue sua roupa e vista-se Elvira, vá para casa e não volte a empresa até segunda ordem. - Elvira apenas assente com a cabeça e sai em disparada. - Estou decepcionado com você.
- Papai, eu. - Victor tenta argumentar, mas seu pai estava muito nervoso com a atitude do filho, o que seria da imagem da empresa, se alguém descobrisse e colocasse nas mídias, neste momento ele conseguiu enxergar o que muitos diziam, seu filho era um moleque sem respeito, não merecia o cargo que tinha.
- Calado, a partir de hoje algumas coisas irão mudar. Você irá marcar a data do casamento com Luana, não sairá mais para as noitadas com seus amigos, e se for será por sua conta, me dê todos os seus cartões, ficará apenas com o cartão salário.
- Eu não sou mais criança para me tratar assim. - Victor diz com raiva.
- O que vi agora foi uma atitude de moleque, então te tratarei como tal. Onde já se viu, com uma noiva linda e competente, você se aventura com a secretária, que com toda certeza só está querendo ganhar status e dinheiro por meio de você. Acorda garoto, você já tem vinte e nove anos, cresça. - Seu pai passa a mão na cabeça e na nuca, nervoso e diz: - Pensa se invés de mim, Luana entrasse na sala. - Então foi a vez do Vitor passar a mão nos cabelos, nervoso. - Porra, Victor, o que está fazendo aqui ainda, vá atrás dela.
Só então Victor se toca que não falou com ela depois do que ela presenciou, ele começa a ligar para ela, andando de um lado para o outro da sala, mas sem sucesso, a ligação caia direto na caixa postal. Ele colocou a camisa de qualquer jeito e correu para a sala dela, se deparando com Simon trancando-a.
- Onde está a Luana? - Simon o olha confuso e diz.
- Onde mais estaria no hospital. - Victor o olha assustado, e pergunta.
- Oh, meu Deus! O que aconteceu? Ela está bem? - Ele pensava que tinha acontecido alguma coisa com Luana, e ficou desesperado, na mesma hora perdeu a cor do seu rosto, se recriminava internamente por isso, se acontecesse alguma coisa com ela, ele nunca se perdoaria.
- Ela não te contou? - Victor o olha confuso - Nathan! - Vendo que seu chefe se mantinha confuso, ele falou - Nathan sofreu um acidente de carro, está no hospital agora, Luana foi para lá, ela disse que ia te avisar.
- Merda! - Sem dizer nada, ele volta para a sua sala e começa a digitar muitas mensagens para Luana. Ele se sentiu um bosta naquele momento, ela foi pedir seu apoio e o flagra traindo-a, ela com certeza o odiava naquele momento, pois ele mesmo está se odiando.
Ele sabia que se aparecesse lá poderia ser pior, por mais que ele quisesse estar com ela, ele tinha medo de que ela o rejeitasse, então continuou ligando e mandando mensagens pedindo perdão. Quando finalmente conseguiu falar com ela, como esperado, ela o tratou com indiferença, o que cortou seu coração. Ele queria estar lá consolando-a, abraçando-a, mas é um filho da puta orgulhoso.
Sem ter notícias de Nathan, ele decidiu ir até o hospital, mesmo sem a permissão de Luana. Ao entrar na sala de espera, ele a viu encostada em um canto, olhando para o anel em seu dedo.
...
Ao chegar no hospital ela se deparou com o seu pai amparando a mãe dela, na mesma hora pensou no pior, correu até eles e os abraçou apertado.
- Como está o Nathan?
- Ele acabou de entrar em cirurgia, mas Michele não resistiu - Sua mãe diz chorando, seus ombros caem, e ela sente a dor pelo irmão, Luana sabia o quanto seu irmão a amava, e ele ficaria devastado quando soubesse que ela não resistiu.
- Mas o que aconteceu? Onde foi o acidente? - Luana perguntou, chorando.
- Eles estavam voltando da faculdade, Michele não estava se sentindo muito bem, então Nathan decidiu levá-la ao médico, ele chegou a me ligar para comunicar, e no caminho um louco invadiu a contramão colidindo de frente com eles, Michele morreu na hora e seu irmão ficou preso nas ferragens.
- Meu Deus! - Luana coloca a mão na boca, imaginando o desespero do seu irmão. Ela senta-se na recepção com seus pais e aguarda por notícias.
Não demora muito Simon aparece com o seu carregador, ela agradece indo em direção à tomada, para color o aparelho para carregar.
Simon, além de seu assistente, era seu amigo. Quando ela foi promovida a Diretora de Marketing, ele havia entrado recentemente na empresa, então vendo a oportunidade de moldar um funcionário para suprir suas necessidades, ela optou por ele, por ser o primeiro emprego dele e não ter manias de antigos lugares trabalhados, para assim formar a equipe perfeita.
Luana sempre foi muito metódica, organizada e responsável, e com a ajuda de Simon ela se tornava uma profissional espetacular.
- Você está bem, Luana? - Simon pergunta, preocupado com sua amiga.
- Não, mas, eu vou ficar. - Ela diz, fazendo carinho na mão do seu amigo.
- Victor foi até sua sala te procurar, ele estava todo desalinhado, e posso dizer que até um pouco desesperado, atrás de você. - Ela o olha com os olhos marejados, e pergunta.
- Contou onde eu estava?
- Sim, até achei que o encontraria aqui.
- Acho que ele não vira. - Antes que Simon pudesse perguntar algo, uma enfermeira apareceu para falar com os pais dela, a mesma levanta e vai ao encontro deles.
- Ele continua em cirurgia, então infelizmente terão que aguardar. - Todos baixam a cabeça cabisbaixos, e voltam a sentar na sala de espera.
- Vou buscar um café para você, quer puro? - Simon pergunta, Luana ia dizer que não precisava, mas ele a interrompe dizendo. - Você não almoçou hoje. - Sentindo se derrotada, ela assente com a cabeça, vai até os pais e diz.
- Vou com Simon até a cafeteria, vocês querem um chá, um suco?
- Quero um café preto, mas pegue um chá de camomila para sua mãe. - Luna confirma com a cabeça, estava indo, quando seu pai diz:
- Onde está Victor? - Ela engole em seco, e diz.
- Está atarefado de trabalho, mas ele virá depois. - Seu pai concorda com um aceno de cabeça e ela segue para a cafeteria com Simon atrás.
- O que aconteceu? Por que mentiu para seu pai? - Ele a questiona.
- Não quero falar sobre isso agora, minha preocupação é meu irmão. - Simon entende e fica quieto.
Quando voltam para a sala de espera, ela entrega os copos aos seus pais e senta-se perto do aparelho que já deu sinal de vida. Tinham dez mensagens e vinte ligações não atendidas do Victor, ela apaga todas as mensagens sem ler.
Os pais de Michele chegam e Luana se aproxima deles para os abraçá-los carinhoso. A mãe de Michele senta ao lado dos seus pais para aguardar notícias, enquanto o marido trabalha nos preparativos para o velório. Luana se oferece para ajudar, mas ele recusa educadamente, dizendo que ela precisava ficar e apoiar a família. Ela concorda e dá mais um abraço forte no pai de sua cunhada, amiga ou irmã.
O celular de Luana começa a tocar novamente, ela vê que é o Victor, e silencia o aparelho deixando-o tocar, mas devido à insistência, ela acabou saindo para atender.
- O que você quer, Victor, eu não estou em um bom momento.
- Meu amor, me perdoa, eu preciso te ver, me deixe estar com você.
- Preciso estar com minha família agora, depois conversamos, ok.
- Eu te amo Luna, eu juro que te amo de todo o meu coração.
- Ok, Victor, depois nos falamos, preciso apoiar os meus pais agora.
Ela desliga o celular com lágrimas nos olhos, "Como ele pode dizer que me ama, se estava agora mesmo transando com sua secretária".
Suas amigas chegam assim que ela limpa uma lágrima, elas a abraçam apertado, imaginando a dor que Luana estava sentindo, pois elas sabem que a relação de Luana e Nathan era muito próximo, eles eram inseparáveis.
- Sinto muito amiga, vim o mais rápido que pude. - Juliana, sua amiga de faculdade, diz, ainda a abraçando.
- Eu também, mas lá na Agência chegou um modelo novo, que tive que dar atenção, mas assim que consegui, vim correndo para cá. Como Natan está? E Michele? - Tamires diz afobada, ela era amiga de infância de Luna.
- Obrigada por estarem aqui meninas, então Natan continua em cirurgia, não tivemos notícia nenhuma até agora. Em relação a Mi, ela, ela - Luana não conseguia concluir a frase, amava Michele como se fosse sua irmã, e dizer aquelas palavras era como enfiar uma faca em seu peito. Sem conseguir conter as lágrimas, ela começa a chorar. Os soluços escapam de sua boca, enquanto seus ombros balançam, a medida em que seu choro fica mais intenso.
Suas amigas nunca a viram assim, se preocupavam com ela, e se prontificaram a levá-la para um lugar mais calmo, longe da família, para não preocupar seus pais.
Quando ela já estava mais calma, Tamires perguntou.
- Onde está o embuti do Victor? - Juliana revira os olhos, e tenta esconder uma risadinha. Elas não gostavam de Victor.
- Ele está atarefado. - Luana responde sem olhar para as meninas. Ela sempre foi péssima mentindo, então as meninas pegaram na hora, que alguma coisa havia acontecido.
- Desembucha, o que aconteceu? - Tamires, a mais desbocada delas, pergunta.
- Não foi nada, Tami.
- O que nada é peixe, fala logo, o que aconteceu. - Tami diz, tentando animar a amiga.
Luana estava constrangida com tudo que aconteceu, ela amava o Victor e por mais que tenha visto tal ato, ela não podia manchar a imagem dele para suas amigas, elas já não gostavam dele, se souberem o que ele fez, elas o odiariam.
- Ele tem que ter um motivo muito bom, para não dar apoio para sua noiva em um dia tão triste como esse. - Juliana resmunga ao lado de Tamires.
- Eu estava falando com ele quando chegaram, eu disse que não precisava vir, pois precisava apoiar minha família e não poderia dar atenção a ele.
- E o manequim de brechó aceitou de boa. - Tamires diz nervosa.
- Tami! - Juliana a repreendeu - Precisamos apoiar a Luna, e não deixá-la nervosa.
- Certo, certo, me desculpem. - Tami faz sinal de rendimento.
- Já estou mais calma agora, vamos voltar para a sala de espera, quem sabe os médicos trazem notícias de Natan.
As meninas concordaram, e juntas foram para dentro do hospital. Elas abraçaram a família de Luana e Michele, falaram algumas palavras de conforto, depois sentaram-se ao lado de Luana, que permanecia quieta.
Sem que Luana percebesse, Tamires fez sinal para Simon com a cabeça, eles saem de fininho e assim questão distante e sozinhos ela diz.
- O que aconteceu com Luna e o babaca do Victor?
- De verdade eu não sei, ela não quis dizer, mas antes de vir para cá o Victor foi desesperado para a sala dela, queria conversar com ela, eu não entendi nada.
- Hum, interessante, será que aconteceu alguma coisa?
- Acredito que sim, porque assim que contei sobre Natan, ela disse que iria até a sala dele, para comunicá-lo, e quando ele foi procurá-la, ele se assustou quando eu disse onde ela estava.
- Isso não está me cheirando bem, vamos ficar de olho.
- Combinado. Agora você pode me cumprimentar direito. - Tamires sorri com a cara de pidão que Simon olha para ela, e o beija. Eles estão se envolvendo há um tempo, mas devido à diferença de idade, Tamires se sente insegura para contar às amigas, então eles se encontram escondidos.
Já era madrugada, Luana estava encostada em uma parede, olhando para o diamante que brilhava em seu dedo, se perguntando o que faria agora?
A dor que sentia naquele momento era muito grande, o dia estava sendo cansativo. No mesmo dia ela descobre a traição do amor da sua vida, enquanto seu outro amor, seu irmão, luta para sobreviver em uma sala fria do hospital. Luana não se alimentou o dia todo, então começou a se sentir fraca, foi perdendo ao poucos as forças nas pernas e de repente tudo ficou escuro.
Ao perceber que Luana não estava bem, Victor correu ao seu encontro, conseguindo ampará-la antes que caísse ao chão. Com ela em seus braços, ele começa a pedir ajuda, logo duas enfermeiras aparecem e a levam para ser examinada.
Algumas horas depois, a enfermeira permite que os pais entrem no quarto de Luana, que dormia. O médico disse que ela estava bem, apenas foi uma queda de pressão, provavelmente por estar preocupada com o irmão e o fato de não ter se alimentado direito. Mais tranquilos, os pais dela aproveitam a oportunidade para perguntar sobre Natan.
- Ele já saiu da sala de cirurgia, mas está na UTI, então hoje não poderá receber visitas.
- Mas ele está bem, doutor? - Pergunta Paula preocupada com o filho.
- Ele está estável, amanhã faremos mais exames e poderemos dar mais notícias. Aconselho a irem para casa, ele não pode ficar com acompanhante, e assim que a senhorita Luana acordar, ela também poderá ir para casa.
- Vou pedir para o meu motorista levar vocês, depois peço para deixarem o carro de vocês em casa, o senhor não pode dirigir desse jeito, está cansado e preocupado. Eu, fico até a Luna acordar.
- Obrigada, meu querido, que Deus proteja vocês - Paula diz abraçando Victor, ela era muito religiosa. Se despedem e vão para casa, enquanto Victor fica no quarto segurando a mão de Luana com carinho.
Ao amanhecer, Luana começa a despertar, ela abre os olhos com dificuldade, até que consegue enxergar claramente, ela vê Victor sentado em uma cadeira simples, com o braço dobrado e apoiado na maca do hospital, sua cabeça deitada no mesmo, enquanto a outra mão segurava a sua com ternura. Ela sentiu seu coração apertar. "Como vim parar aqui? E o que ele faz aqui?" Luana se perguntava, até que soltou a mão de Victor, que acordou assustado.
- Meu amor, graças a Deus, estava tão preocupado.
- O que faz aqui, Victor? - Por mais que via preocupação nos olhos dele, ela ainda não entendia o que estava acontecendo, então decidiu perguntar.
- Ontem vim te ver, mesmo sem a sua permissão, quando cheguei a ver passando mal, consegui te segurar a tempo de não cair ao chão, os médicos disseram que está bem, que pode ter sido o emocional, e por não se alimentar.
- Obrigada, onde estão meus pais?
- Eu os mandei ir descansar.
- Houve notícias sobre o Natan?
- Não muita, ele saiu da cirurgia, mas está na UTI, hoje farão mais exames e conseguiram dar o diagnóstico.
- Certo, preciso ir ao banheiro, me ajuda por favor.
- Claro, meu amor, ah! Tomei a liberdade de solicitar exclusividade para o caso do seu irmão. Dessa forma, durante a madrugada, ele foi encaminhado para a melhor e mais equipada sala de UTI do hospital. Às oito horas da manhã, um amigo do meu pai chegará para cuidar pessoal e exclusivamente do Nathan. Ele ficará bem meu amor.
- Nossa! Obrigada Victor. Prometo que vou te recompensar, pagando todas as despesas. Eu só peço que tenha um pouquinho de paciência.
- Não se preocupe com isso, minha linda. Sua família é minha família. - Luana o olha sem saber o que dizer, ela o amava, o que ele estava fazendo pelo seu irmão era com certeza a coisa mais linda que ele já fez para ela, mas, no fundo, ainda sentia seu coração apertado ao lembrar da cena que presenciou. Vendo que ela ficou muda e seu semblante se contorceu um pouco, Victor a abraça apertado.
- Não pense nisso ok, eu me arrependo do que fiz e não vou fazer de novo. Você me perdoa?