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A Noiva Abandonada e Seu Triunfo

A Noiva Abandonada e Seu Triunfo

Autor:: Clara
Gênero: Moderno
Sete anos. Foi o tempo que minha família e meu noivo pediram para que eu ficasse na prisão, assumindo um crime da minha irmã adotiva, Helena, para proteger a reputação deles. Mas no dia em que o portão se abriu, meu noivo, Cristiano, me abandonou no meio da estrada para socorrer Helena, que teve uma "crise de ansiedade" com a minha volta. Em casa, fui mandada para o quarto de serviço úmido e mofado. Minha família me humilhava em francês, achando que eu não entendia, enquanto planejavam o noivado de Cristiano com a mulher que destruiu minha vida. A traição mais profunda veio quando ele me acusou de mentir. Anos atrás, eu doei um rim para salvar a vida dele em segredo. Agora, ele acreditava que Helena tinha sido a doadora. Eles não roubaram apenas minha liberdade, mas também meu maior sacrifício, meu ato mais puro de amor. A dor era tão avassaladora que se transformou em um vazio gelado. O amor que eu sentia por eles morreu para sempre naquela mansão. Foi então que, no meu celular antigo, encontrei um e-mail esquecido. Uma oferta da Agência Brasileira de Inteligência. Uma nova identidade. Uma missão secreta em outro país. Uma fuga. Em dez dias, Clarinda Magalhães morreria. E eu, finalmente, renasceria das cinzas.

Capítulo 1

Sete anos. Foi o tempo que minha família e meu noivo pediram para que eu ficasse na prisão, assumindo um crime da minha irmã adotiva, Helena, para proteger a reputação deles.

Mas no dia em que o portão se abriu, meu noivo, Cristiano, me abandonou no meio da estrada para socorrer Helena, que teve uma "crise de ansiedade" com a minha volta.

Em casa, fui mandada para o quarto de serviço úmido e mofado. Minha família me humilhava em francês, achando que eu não entendia, enquanto planejavam o noivado de Cristiano com a mulher que destruiu minha vida.

A traição mais profunda veio quando ele me acusou de mentir. Anos atrás, eu doei um rim para salvar a vida dele em segredo. Agora, ele acreditava que Helena tinha sido a doadora.

Eles não roubaram apenas minha liberdade, mas também meu maior sacrifício, meu ato mais puro de amor.

A dor era tão avassaladora que se transformou em um vazio gelado. O amor que eu sentia por eles morreu para sempre naquela mansão.

Foi então que, no meu celular antigo, encontrei um e-mail esquecido. Uma oferta da Agência Brasileira de Inteligência. Uma nova identidade. Uma missão secreta em outro país. Uma fuga.

Em dez dias, Clarinda Magalhães morreria. E eu, finalmente, renasceria das cinzas.

Capítulo 1

Sete anos. Foi o tempo que a minha família e o meu noivo pediram. Sete anos da minha vida em troca da reputação deles e da liberdade da minha irmã adotiva, Helena.

"Helena tem a saúde frágil, ela não sobreviveria à prisão. Por favor, Clarinda, faça isso por nós," meu pai, Adauto Magalhães, um advogado renomado, implorou.

"São só sete anos, meu amor. Quando você sair, eu me caso com você. Eu prometo," disse Cristiano Ramalho, o magnata do mercado financeiro que eu amava.

Eu não concordei, mas eles me traíram. Eles me entregaram à polícia.

Agora, sete anos depois, o portão da penitenciária se abriu. O sol de São Paulo queimou meus olhos, desacostumados à luz. Eu mancava, um lembrete permanente de uma briga na prisão. Cicatrizes cobriam meus braços, escondidas sob a roupa barata que me deram.

Um carro preto e luxuoso parou na minha frente. Cristiano saiu. Ele estava impecável como sempre, em um terno caro, o cabelo perfeitamente penteado. Ele não tinha mudado nada.

Eu, por outro lado, era um fantasma.

Ele me olhou, seu rosto se contorcendo em uma mistura de pena e desconforto. Ele não conseguiu esconder a repulsa ao ver meu estado.

"Clarinda... você saiu."

Sua voz era um sussurro. Ele tentou me abraçar, mas parou no meio do caminho, como se tivesse medo de tocar na minha pele danificada.

"Vamos para casa," ele disse, abrindo a porta do carro para mim. "Vamos recomeçar."

Recomeçar. A palavra soou vazia, uma promessa oca. Sentei no banco de couro macio, o cheiro de riqueza enchendo minhas narinas. Era um mundo que eu não conhecia mais.

Ele dirigiu em silêncio por um tempo. O silêncio era pesado, cheio de coisas não ditas. Eu olhava pela janela, a cidade passando como um borrão. Nada parecia real.

Então, o celular dele tocou. Ele atendeu, e sua expressão mudou de tensa para preocupada.

"O que aconteceu? Calma, Helena, respira fundo. Eu estou a caminho."

Helena. Sempre Helena.

Ele desligou e olhou para mim, o rosto cheio de desculpas. "Clarinda, eu sinto muito. É a Helena. Ela teve uma crise de ansiedade quando soube que você estava voltando. Preciso ir até ela."

Eu não disse nada. Apenas o encarei. A velha ferida em meu peito se abriu um pouco mais.

"O motorista vai te levar para casa. Eu vou assim que ela se acalmar, prometo."

Ele parou o carro, me abandonando no meio do caminho para socorrer a mulher que destruiu minha vida. Ele chamou um de seus motoristas, que chegou em minutos e me levou até a mansão dos Magalhães. A casa onde eu cresci.

Ao chegar, fui recebida pela governanta, uma mulher que me conhecia desde criança. Ela me olhou de cima a baixo com desprezo.

"A senhora Cláudia disse para você ir para o quarto de serviço nos fundos. Suas coisas antigas não estão mais no seu quarto."

Cláudia, minha mãe. A socialite que sempre me tratou com indiferença, preferindo a filha adotiva, Helena, a mim, sua filha biológica.

Obedeci sem uma palavra. O quarto de serviço era pequeno, úmido e cheirava a mofo. Era uma cela, só que com uma janela. Sentei na cama dura, o corpo doendo.

Do lado de fora, ouvi as vozes da minha família no jardim. Eles falavam em francês, achando que eu não entenderia.

"Ela está horrível," disse minha mãe. "Como Cristiano pôde sequer pensar em se casar com isso?"

"Ele não vai," disse minha irmã mais nova, Giulia. "Ele ama a Helena. Ele só sente pena da Clarinda."

Eu fechei os olhos. A dor era tão familiar que quase se tornou reconfortante. Era tudo o que eu conhecia deles.

Abri minha bolsa velha, o único pertence que levei da prisão. Dentro, havia apenas alguns documentos. Peguei meu celular antigo, um modelo simples que a prisão me devolveu. Liguei o aparelho, e uma notificação de e-mail apareceu na tela.

Era um e-mail com o selo oficial do governo. Agência Brasileira de Inteligência. ABIN.

"Prezada Sra. Clarinda Magalhães, sua inscrição de oito anos atrás foi reavaliada e aceita. Apresente-se em dez dias para sua missão. Nova identidade e realocação sigilosa em um país da América do Sul. Ordens de não contatar ninguém por cinco anos."

Meus olhos se arregalaram. Eu tinha me inscrito antes de tudo acontecer, quando era uma estudante brilhante de Relações Internacionais, fluente em vários idiomas. Eu pensei que esse sonho tinha morrido na prisão.

Uma nova identidade. Uma fuga. Uma chance de desaparecer.

Um sorriso lento se formou em meus lábios pela primeira vez em sete anos.

Dez dias. Eu só precisava suportar mais dez dias.

E então, eu estaria livre para sempre.

Capítulo 2

O e-mail da ABIN era minha única esperança. Um bote salva-vidas em um oceano de traição. Eu o li de novo e de novo no quarto de serviço úmido, as palavras brilhando no escuro como uma promessa.

Eu me lembrava do dia em que me inscrevi. Eu era jovem, cheia de sonhos. Queria usar minha inteligência e meu talento para idiomas para servir ao meu país. Cristiano zombou de mim na época.

"Uma espiã? Clarinda, você é uma Magalhães. Seu lugar é ao meu lado, organizando jantares e eventos de caridade."

A prisão destruiu meu corpo, mas não minha mente. Durante aqueles sete anos, eu li tudo o que pude. Estudei, mantive meu cérebro afiado. Eu enviava cartas de apelação para a ABIN todos os anos, sem nunca receber resposta. Até agora.

O e-mail era claro: dez dias. Eu tinha dez dias para me preparar para a minha nova vida. Dez dias para aguentar o inferno que era a minha antiga casa.

Na manhã seguinte, a casa estava em festa. Era o "dia da recuperação" de Helena. Aparentemente, ela precisava de uma celebração por ter superado a "ansiedade" causada pelo meu retorno.

Minha mãe, Cláudia, organizou um almoço no jardim. Amigos da família, gente rica e influente, todos estavam lá. Helena era o centro das atenções, vestida com um vestido branco caro, parecendo um anjo frágil e inocente.

Eu fui obrigada a participar. Fiquei em um canto, observando. Ninguém falava comigo, exceto para me lançar olhares de pena ou desprezo.

Cristiano chegou e foi direto para o lado de Helena, segurando sua mão. Ele me viu, hesitou por um segundo, e então sorriu para mim, um sorriso forçado. Ele tentou me puxar para o grupo.

"Venha, Clarinda. Junte-se a nós."

"Estou bem aqui," respondi, minha voz rouca.

Helena, com um sorriso doce no rosto, se aproximou. "Clarinda, que bom que você está aqui. Eu queria te pedir uma coisa."

Seus olhos brilharam com malícia.

"Eu amo o seu anel de noivado. Cristiano me deu um, mas o seu... o seu tem história. Você me daria?"

O anel. O anel que Cristiano me deu quando me pediu em casamento, antes de tudo desmoronar. Era a única coisa de valor que eu ainda tinha.

"Não," eu disse, simplesmente.

A expressão de Helena se desfez. Ela olhou para Cristiano, os olhos se enchendo de lágrimas. "Cris, ela me odeia."

Meu pai, Adauto, se aproximou, o rosto severo. Ele começou a falar em francês, a língua que eles usavam para me humilhar.

"Clarinda, pare de ser infantil. Dê o anel para sua irmã. Você não tem mais direito a ele."

Minha mãe acrescentou, também em francês: "Seja grata por ainda te deixarmos viver aqui. Uma ex-presidiária manchando o nome da nossa família."

Eles continuaram, suas palavras cruéis me atingindo como pedras. Eles não sabiam que eu entendia cada sílaba. Na prisão, eu tive tempo. Tempo para aperfeiçoar meu francês, meu inglês, meu russo. Eu era mais do que a garota quebrada que eles viam.

Eu fingi ignorância, mantendo meu rosto sem expressão. Deixei que eles pensassem que suas palavras não me atingiam.

Dentro de mim, uma chama fria queimava. Eu não precisava mais do amor deles. Eu não precisava da aprovação deles.

"Com licença," eu disse em português, minha voz firme. "Preciso tomar um ar."

Eu me virei e saí do jardim, deixando-os para trás com seus sorrisos falsos e suas vidas vazias.

Enquanto eu caminhava para longe, percebi uma coisa. Ninguém tinha se lembrado.

Era o meu aniversário.

Capítulo 3

Eu precisava de dinheiro. Os dez dias até minha partida para a missão da ABIN pareciam uma eternidade, e eu não podia depender da "caridade" da minha família. Eu precisava de um pouco de independência, mesmo que temporária.

Lembrei-me de um pequeno café perto da mansão onde eu costumava ir. O dono era um senhor simpático. Fui até lá e, para minha surpresa, ele me ofereceu um trabalho temporário lavando pratos e limpando o chão.

O dinheiro era pouco, mas era meu. Era suado e honesto. Minha família nunca me deu um centavo que não viesse com uma condição ou uma humilhação. Helena sempre recebia tudo, enquanto eu tinha que implorar por dinheiro para livros ou material de estudo.

No terceiro dia de trabalho, enquanto eu esfregava o chão, a porta do café se abriu. Era Cristiano.

Ele me viu ali, de joelhos, com um balde e um esfregão. Seu rosto era uma máscara de choque e vergonha.

"Clarinda? O que você está fazendo?"

"Trabalhando," respondi, sem parar o que estava fazendo.

Ele se aproximou, tirando a carteira do bolso. "Você não precisa fazer isso. Eu te dou dinheiro."

"Eu não quero o seu dinheiro," eu disse, minha voz fria.

Ele parecia perdido. Então, ele pareceu se lembrar de algo. "Eu sei que ontem foi seu aniversário. Eu sinto muito. Eu... eu trouxe um presente."

Ele me estendeu uma pequena caixa de veludo. Abri. Era um colar de diamantes. Caro, impessoal. Um presente para aliviar sua culpa, não para me fazer feliz.

Ele provavelmente nem se lembrava que eu era alérgica a níquel, um metal frequentemente misturado em joias de ouro branco. Ou que eu preferia livros a diamantes.

Nossa história era longa. Nos conhecemos na universidade. Ele era o cara popular, e eu, a nerd quieta. Ele se apaixonou pela minha mente, ele dizia. Anos depois, quando sua empresa estava à beira da falência, eu usei minha habilidade com análise de dados para encontrar uma falha no mercado que o salvou, tornando-o o magnata que era hoje.

Um ano depois, ele teve uma falência renal. Eu era compatível. Doei um dos meus rins para ele, em segredo. Só minha família sabia. Foi meu maior ato de amor. Um ato que ele jogou no lixo.

"Eu não posso aceitar," eu disse, fechando a caixa e a empurrando de volta para ele.

"Por quê?" ele perguntou, confuso.

Antes que eu pudesse responder, o celular dele tocou. Era Helena, claro. Sua voz era histérica do outro lado da linha.

"Cris! Socorro! Eu acho que estou morrendo!"

"O que foi, Helena? Onde você está?" ele perguntou, já em pânico.

"Eu tentei cortar meus pulsos! O sangue não para de sair! Estou na banheira!"

Cristiano ficou pálido. "Não se mova! Estou indo!"

Ele desligou e correu para a porta, sem nem olhar para trás. Sem nem se despedir.

Eu continuei esfregando o chão. Sabia que Helena estava mentindo. Era seu truque favorito para chamar a atenção. Um pequeno arranhão no pulso, um drama exagerado. Ela nunca se machucaria de verdade.

Mas Cristiano sempre caía. E, mais uma vez, ele me deixou para correr atrás dela.

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