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A Noiva Errada do CEO

A Noiva Errada do CEO

Autor:: JL Oliveira
Gênero: Romance
Geovane Geordano quer se declarar para a mulher da sua vida, prepara uma festa e compra uma aliança. Quando o carro para, ele imediatamente abre a porta e se ajoelha para pedi-la em casamento. Ansiedade e nervosismo tomam conta da cena. Quando Mia Madson abre a porta do carro, ela encontra um homem de joelhos e um grupo de pessoas felizes esperando por sua resposta. Devido ao nervosismo do momento, ele responde com um "sim". A família está em êxtase, mas quando os olhares do homem e da mulher se encontram, ele percebe que cometeu um erro ao propor casamento a uma estranha em vez da mulher que ama. MIA MADSON E GEOVANE GEORDANO Convidamos você para o nosso Casamento!

Capítulo 1 Casamento

Mia Madson

Enquanto eu entrava naquele corredor, pensava o que eu estava fazendo ali? Qual a real razão de estar fazendo aquilo? As pessoas me olhavam, cochichavam e algumas delas tinha um sorriso que eu não sabia dizer se eram de alegria por estar ali vendo um circo ou se zombavam de mim pelo meu passado pitoresco, tive vontade de gargalhar. Eu sorria, afinal todos esperavam isso de mim. O que uma atriz faz? Ela atua e faz o seu papel. Não conhecia a metade daquelas pessoas, mas elas me conheciam, afinal quem não me conhece? Digamos que eu seja um pouco peculiar.

Tudo foi feito às pressas, mas está bonito e olha essas flores? Uma breve observação. Os lírios-brancos que enfeitavam a pequena capelinha da propriedade dos Geordano, fico impressionada com tamanha beleza e de como o dinheiro pode pagar uma festa como essa e com tanta rapidez. O buquê em minhas mãos, era perfeito, as lindas rosas-vermelhas que eu mesma escolhi, afinal eu era a noiva. E o noivo então? Meu Deus, que perfeição, mas isso eu guardo somente para mim, ninguém precisa saber dessa parte. Todos ali se perguntavam, o porquê de Geovane Geordano estar se casando comigo? Sabe, eu também me perguntava. Afinal, o Playboy, que curtia sua vida e gostava de dizer a todos que nunca se casaria, estava se casando e comigo. Logo comigo, eu tive vontade de gargalhar novamente, mas não iria fazer isso no meu casamento. Sim, pois estou no meu casamento com um dos homens mais ricos da Itália.

Outra coisa que era muito visível, era a felicidade do noivo, a cara dele era tão emburrada que qualquer um que visse aquela cena não iria entender o porquê de tudo isso de toda essa encenação, mas afinal eu sou uma atriz e estou contracenando, e é ele que não está fazendo o papel dele. Afinal, o acordo foi que os dois fariam o seu papel. Eu sei que minha reputação não é lá aquelas coisas, que eu tenho alguns escândalos, pequenos, a meu ver, nada muito escandaloso. Porém, as pessoas gostam de falar, saem falando de mim sem nem saber o que acontece. Quando dou por mim, um simples sorriso meu se torna matéria para a internet toda.

Mesmo nosso casamento sendo feito na capela da propriedade da família de Geovane, nós optamos por um juiz de paz e não um padre, afinal o nosso casamento não era de verdade e então para que mexer com as coisas de Deus não é mesmo?

- Você aceita Geovane Geordano, como seu legítimo esposo? - o juiz diz.

- Sim, eu aceito - faço a minha melhor cara de apaixonada.

- Você aceita Mia Madson, como sua legítima esposa? - dessa vez o juiz diz a ele.

- Sim - foi só o que ele respondeu e de forma grossa - Não tenho outra alternativa - era visível que ele não queria se casar.

- Eu os declaro casados na lei dos homens e desejo muitas felicidades - enfim acabou o blá blá blá todo.

Saímos da igreja sem nem mesmo esperar as fotos ou qualquer outro tipo de ritual, principalmente o tão esperado beijo e eu quase fiz um biquinho, aguardando ansiosa, afinal quem não queria beijar o belo homem, mas Geovane praticamente saiu na minha frente indo direto para a recepção que seria ao ar livre. O céu naquele dia estava lindo, e tudo tinha um ar romântico, o verde do local onde foi escolhido para colocar as mesas, as flores brancas e uma rosa no meio delas dava um ar sofisticado e solitário naquela festa e algumas mesas foram colocadas na varanda da casa para a família do meu esposo já que eu não tinha muitas pessoas para convidar.

Meu esposo, o playboy Geovane Geordano, estava sempre com uma taça de vinho nas mãos e longe de mim, também não fiz questão de estar perto dele. As pessoas comentavam sobre nós dois, era somente o que se falava naquela festa, um casamento repentino com um noivo mal humorado, quando passei despercebida por duas senhoras que comentavam sobre a minha reputação e diziam: "Ela está grávida, por isso da rapidez do casamento e ainda foi tão cínica. A outra respondeu fazendo uma pergunta: será que realmente é filho dele? Pode até mesmo não ser, eu sei das coisas que ela apronta". Essa garota não presta. Eu tomei um gole do meu vinho, e continuei circulando por ali, já que não conhecia muitas pessoas, quando levei um susto.

- Vem cá - Geovane segurou meu braço, me pegando de surpresa parada ali ouvindo a conversa e saiu me puxando para dentro da casa.

- Ei, vai fazer eu derrubar o vinho no meu vestido de noiva - eu ri de lado provocando e ele me olhou com uma cara de bravo que me deu medo - Imagine uma noiva com o vestido sujo de vinho, vão dizer que não será um bom sinal e que pode trazer azar ao casal - o ódio no olhar dele foi tão visível que fiquei com medo.

Continuei correndo atrás dele e aquele vestido não me deixava ser rápida e por que escolhi aquele modelo tão colado? Não me deixava andar e ele com as pernas longas dava passos largos e eu não conseguia manter o mesmo ritmo que ele. Entramos na casa, e ele foi direto para o escritório, abriu a porta e entrou, correu para trás da grande mesa de madeira e abriu uma gaveta, de lá tirou uma pasta e jogou para mim fazendo deslizar.

- O que é isso? Algum presente de casamento? Não sabia que você seria gentil - claro que debochei dele, aquela altura eu já tinha bebido um bocado de vinho.

- Esse é nosso acordo de divórcio.

- Eu sabia que nosso casamento não iria durar, mas não imaginei que fosse tão rápido - poxa, ele nem esperou.

- Mia, não seja hipócrita, nem eu e nem você queremos esse casamento, essa palhaçada toda, assina logo isso e já estaremos livres um do outro - eu realmente não queria, mas não podia ser tão rápido assim eu precisava de tempo.

- E se eu não assinar? - pergunto preocupada.

- Você vai assinar, nem que eu tenha que forçar você.

- Não, eu não tenho que assinar nada, não foi esse o nosso acordo. Vamos sair em todos jornais, como o casal que não ficou uma hora casado.

- Mia, deixe de ser teimosa e assine isso logo, não vê que eu não quero isso, essa palhaçada de casamento, nem sei como cheguei a concordar com isso, esse circo que armaram. Não me faça te forçar a assinar.

- Eu quero um mês - eu pedi já entrando em pânico.

- Um mês? Como assim? - ele faz uma cara de quem não está entendendo nada.

- Eu quero que nosso casamento dure um mês, é o que lhe peço, só isso - quase imploro e se fosse preciso eu faria.

Capítulo 2 Não me deixe

MIA MADSON

- Mia, por que está arrumando esse tipo de confusão? Agora você vem com essa loucura de um mês, eu quero que assine isso logo - ele estende o papel.

- E se eu não assinar? O que o meu maridinho vai fazer? - ele pegou a minha taça de vinho e jogou na parede - Mia, não me desafie sua...

- Sua? - eu o desafiei com o olhar - Eu assino Geovane, mas você terá que prometer que ficará casado comigo e manteremos a farsa por mais um mês. Só assim eu assino esses papéis, é pegar ou largar? - estendo a mão para ele - Acordo fechado? - ele não pegou minha mão, então dei a última cartada - Ou eu não assino nada - fui decisiva - E então ficaremos casados do mesmo jeito por que o processo do divórcio vai demorar mais que isso ou até mesmo a anulação.

- Você é uma manipuladora Mia Madson, da pior espécie - ele estava furioso comigo - Por isso que odeio você.

- O sentimento é recíproco, vou assinar os documentos, mas eles vão ficar comigo - Peguei uma caneta e assinei o tal acordo de divórcio - Em um mês contando com a data de hoje eu devolvo para você e então pode pedir o divórcio.

Geovane se aproxima de mim e ficamos nos encarando, nossos rostos ficam próximos, os nossos corpos também, ele queria me intimidar, e eu também o encarei não iria fugir daquela briga, as nossas respirações estavam muito alteradas, meu peito subir e descer com tamanha rapidez e os olhos dele cravaram nos meus, pude jurar que o ódio estava se tornando um outro tipo de sentimento, pois os olhos dele desceram até a minha boca e a observaram, ficamos ali por alguns segundos que pareceram horas até que ele solta uma frase nos tirando daquela cena.

- Sua manipuladora barata - os lábios dele quase toca os meus chego a sentir o cheiro do vinho - Deve ser por isso que as pessoas falam tanto de você - ele seguiu para a porta do escritório saindo e me deixando lá sozinha.

- Não fale assim da sua noiva, querido - e soltei uma gargalhada e cai na poltrona quase não acreditando no que tinha acontecido ali.

Peguei a pasta onde estavam os papéis e guardei na minha bolsa, e fiquei um pouco decepcionada com a atitude Geovane, eu sei que o nosso casamento não era de verdade, o que tudo aquilo era uma farsa, mas ele poderia pelo menos ter esperado terminar a festa do casamento para me pedir para assinar o acordo do divórcio. Voltei para minha festa de casamento e fiquei perambulando e bebendo vinho, um ótimo vinho por sinal. Meu marido veio ao meu encontro e pegou no meu braço e me comunicou que estávamos indo embora da festa, e assim como tinha feito saiu me arrastando até chegar na mãe dele, que conversava com algumas pessoas da sociedade.

- Mamãe, já estou indo embora. Vim apenas avisá-la - a mãe de Geovane arregalou os olhos.

- Meu filho, eu sei que vocês acabaram de se casar - ela ri sem graça - Mas não precisa sair correndo assim - ela sorriu e as pessoas que estavam perto dela também.

- Estou indo, embora - ele diz já saindo e ela o segura.

- Geovane, Paola está voltando - minha sogra o avisa e parece que ele fica ainda mais furioso comigo, como se eu tivesse alguma culpa - Achei que deveria saber, meu filho - ela novamente sorri como se zombasse de mim e me dissesse que o jogo acabou.

- Tchau mãe, eu vou procurá-la e resolver toda essa situação - algumas pessoas, vem em nossa direção para cumprimentar os recém-casados, mas ele dá apenas um sorriso e me puxa para fora.

- Tchau sogrinha - grito e solto um sorriso e ela me olha com a cara feia, acho que ela não vai muito com a minha cara, na verdade, eu tenho certeza, pois não sou a nora que ela queria.

- Pare de ficar provocando as pessoas - ele me arrasta até a caminhonete dele, abre a porta e me diz trincando os dentes - Entra logo Mia.

- Calma aí marido, eu queria mais uma tacinha de vinho, ele é tão gostoso - eu peço mais uma vez, quero provocá-lo.

- Entra nesse carro, Mia Madson, agora.

- Só mais uma tacinha de vinho.

- Entra no carro - depois que ele grita comigo eu fico com medo e fico paralisada.

Meu marido então vem para cima de mim e eu fico entre a sua picape e ele, nossos olhos se encontram e a respiração afetada dele também faz com que a minha fique da mesma forma, ficamos ali por um tempo olhando um para o outro, eu molho os meus lábios e prendo a atenção dele em meu rosto, assim como no escritório nos dois ficamos paralisados olhando um para outro sem nem mesmo entender o que estava acontecendo, alguém grita o nome de Geovane nos tirando daquela nuvem de luxúria.

- Entre na picape, por favor - ele diz em voz baixa e eu atendo o que ele pede.

Coloco meu vestido para dentro fechando a porta, ele observa tudo, as pessoas que estavam ali naquela festa estavam nos olhando, só me dei conta disso quando entrei na picape e tenho certeza que vão sair dizendo que eu sempre acabo em alguma confusão e dessa vez não diferiu, eu estava protagonizando mais um showzinho com o então meu marido, mais um escândalo para minha lista e estalo a língua e espero que não me cause mais uma confusão ou alguma foto vazada. Tudo que eu faço acaba virando notícia, depois da primeira confusão que me envolvi acabei me tirando a "preferida" dos fotógrafos.

Ele, antes de entrar no carro, deu um soco na lateral e parecia muito nervoso, não disse mais uma palavra e sua cara não estava das melhores, às vezes ele dava um pequeno soco no volante, parece que depois da nossa troca de olhares ele ficou ainda mais irritado comigo. Estávamos em uma estrada perigosa, Geovane então começou a correr, parecia transtornado, bufava a cada cinco minutos. O tempo estava limpo, mas as nuvens cinza tomaram conta tão rápido do céu e agora estava tudo escuro, parecia muito com humor do homem que estava ao meu lado, e parecia que a chuva se aproximava, dava até medo e pelo jeito iria cair um temporal. O vento batia na estrada de terra e levantava uma nuvem de poeira, e eu estava ficando com medo de Geovane que a cada vez dirigia mais rápido perdido nos seus pensamentos.

- Geovane, você pode ir mais devagar.

- Fica quieta, sua manipuladora - ele começou a correr mais ainda.

- Geovane, eu não quero morrer não, pode ir devagar, você está correndo demais - eu estava com a voz trêmula de medo.

A cada vez que eu falava, ele acelerava mais e mais. Então me deu um ataque de fúria e eu comecei a dar uns tapas nele. O homem parecia estar fora de si, e eu não queria morrer, tinha muitas coisas ainda para fazer da minha vida, muitos segredos para desvendar.

- Para com isso, Mia.

- Para. Você. De. Correr. Com. Esse. Carro, não quero morrer - eu batia nele - Parece que está louco.

Ele então freou o carro que parou com um supetão, e eu que nem tinha me dado conta que havia tirado o cinto de segurança e estava de joelhos no banco, fui arremessada para frente, mas as mãos ágeis de Geovane me seguraram e eu fui parar no colo dele, dessa vez eu respirava com dificuldade, pois a situação me fez ficar com medo e o meu vestido apertado estava me deixando sem ar, outra coisa que estava me deixando sem ar era estar sentada no colo daquele homem, a mão dele segurou na minha cintura, nós dois éramos um misto de confusão e de mãos, pois a minha estava no seu terno e eu pude sentir como peito dele era musculoso, eu olhei para baixo e ele também, e os olhos dele pararam o decote do meu vestido que foi escolhido especialmente para provocá-lo, e não era minha intenção provocá-lo de forma sexual.

E posso dizer que ele era bem provocante, o decote profundo tinha um tule na cor da pele, que me deixava exposta, as mãos dele se moveram e foram parar no meu seio, foi tudo tão rápido que eu não tive tempo nem mesmo tempo de associar o que estava acontecendo, só consegui soltar um gemido, a boca dele estava no meu pescoço e uma das minhas mãos segurava seus cabelos, segundos depois a sua boca estava onde os olhos haviam se fixado, os meus gemidos se intensificaram, a sensação da boca dele na minha pele, a língua que brincava cada vez com mais velocidade e me deixava perdida no desejo. Um misto de sentimentos e emoções, algo desconhecido para mim, como era bom estar ali até que um trovão nos traz de volta a realidade. Nos olhamos e eu coloco rapidamente o meu seio de volta para dentro do vestido e sai do colo dele. Geovane parece perdido, assim como eu. E acaba dizendo algo que eu não queria ouvir, saindo da picape e indo em direção a porta do passageiro.

- Saia do carro - apontando para fora.

- O quê? - fico espantada - Você vai me deixar aqui sozinha com esse tempo de chuva?

- Saia do meu carro, sua manipuladora. Você fez isso de propósito.

- Geovane, você não vai fazer isso comigo? - ele estava blefando.

- Saia do carro, antes que - ele deu me olha e estava tão perdido quanto eu - Mia só saia do carro.

- Seu louco, quem não quer seguir com você sou eu, seu descompensado - ele vai me falar para entrar, cruzei os braços e esperei, tenho certeza, mas não aconteceu - Seu babaca.

Geovane entrou em sua caminhonete e me deixou ali parada, olhando para ele e sem acreditar no que ele iria fazer comigo, o carro saiu me deixando numa nuvem de poeira, meu vestido branco ficou todo sujo e eu fiquei ali sem acreditar no que estava acontecendo comigo.

- Seu babaca - dei uma banana para ele - Vai seu idiota embora e me deixa aqui, nessa estrada sozinha. Finge que eu não existo na sua vida.

Eu já tinha entrado em bastante enrascadas na vida, mas dessa vez eu acho que me superei. Não sabia para onde ia, se voltava para a casa da família dele ou se seguia para a cidade. Meu celular estava sem bateria, algo que acontece com frequência.

As gotas de água começaram a cair do céu, eu não estava acreditando naquilo, no meu azar de noiva e em como eu não tinha sorte, eu nunca tive sorte para o amor, na verdade, eu não sei se tive ou não, mas com o Geovane eu sei que não terei. Comecei a andar, não podia ficar ali parada, depois de alguns minutos percebi que ele não iria voltar e que fui deixada no meio da estrada pelo meu marido. Estava escuro e chovendo, o vento gelado me fazia ficar com mais frio. Tirei os meus sapatos, pois ficaria mais fácil para caminhar e segui rumo à cidade e andei por um bom tempo. Ao longe um farol iluminava a escuridão, então o medo me bateu se eu continuava na estrada e pedisse ajuda ou se me escondia.

- O que uma noiva está fazendo no meio da estrada sozinha? - o homem do carro me disse.

- Digamos que ela foi abandonada - dei de ombros.

- Vem, entra eu te levo para casa - Matteo, o irmão de Geovane estava ali e me daria uma carona.

Capítulo 3 Não é nada disso

MIA MADSON

A minha cabeça estava estourando e doía tanto que eu não queria nem mesmo abrir os meus olhos, eu já tive algumas ressacas na vida depois dos últimos acontecimentos, mas as piores delas são a de vinho e de whisky.

- Eu preciso parar de beber. Falando em beber, onde eu estou? - tento puxar na minha memória o que aconteceu comigo, mas algo está me intrigando, que barulho de água é esse? Será que eu tô em algum lugar com vazamento? Não espera, parece ser um chuveiro? - Ah, não, o que foi que fiz dessa vez? - coloco a mão na minha cabeça.

Abro apenas um dos olhos, pois a claridade me fez fechá-los, preciso saber onde estou, não me recordo de muita coisa, já falei que vinho e eu não combinamos muito. O barulho do chuveiro para e eu me sento na cama, pelo menos estou em uma cama macia, já estive em lugares piores. O local estava com uma luz baixa, mas mesmo assim faziam meus olhos doerem e era tão aconchegante, aquele lugar parecia tão romântico, talvez se meu casamento fosse de verdade eu estaria com meu novo marido nesse lugar e aproveitando a minha noite e não bebendo todas, como eu devo ter feito, mas isso é o que me incomoda mais e me deixa mais nervosa. O que eu fiz?

É um lugar bonito, as paredes eram um misto de madeira e pedras, algumas folhagens verdes faziam a decoração ser mais acolhedora, quando me sentei na cama pude observar melhor o espaço, não era muito grande, mas era tão aconchegante e eu gostei muito dali, alguns porta-retratos estavam espalhados, uma pequena cozinha fazia uma composição com o quarto, duas taças de vinho estavam em cima do balcão que separava a cozinha do quarto, algumas garrafas de vinho também estavam lá paradas olhando para mim, como se me acusassem.

Então me veio a pergunta: quem está naquele banheiro? E eu estou vestindo apenas uma camiseta, acabei de constatar isso.

- Oh Deus, o que será que eu fiz? Quem tá nesse banheiro? - isso eu falei baixinho - Será que saí com algum padrinho? Não posso ter feito isso.

Procuro coragem para abrir aquela porta bem devagar e ver quem está lá dentro, eu sei que eu estou aqui no fim do mundo, mas dependendo de quem esteja ali dentro, nem que eu roube um carro, eu vou dar no pé. Chego na porta e verifico se ela está fechada ou aberta, e ela está só encostada. Mas quando eu coloco a mão na maçaneta para abrir, lá está ele.

- Aí - eu grito.

- Aí - ele também grita - Que isso Mia, quer me matar de susto.

- Acho que quem quer me matar de susto é você Matteo - o irmão de Geovane.

- O que você tava fazendo na porta do banheiro, tá querendo ver o seu cunhado é?

- Deixa de ser bobo, eu só quero saber o que aconteceu aqui - eu gesticulo - Sabe tudo isso - gesticulo novamente - Nós dois, sabe? Não me lembro bem...

- Ah, você me deu um trabalhão, cunhadinha - ele encosta na porta do banheiro e eu fico ali de pé parada olhando para ele, é até que Matteo é bem bonito, assim como aquele idiota do Geovane, os dois são bem-parecidos, qualquer um poderia confundi-los - Mia?

- O que aconteceu? Eu não me lembro de muita coisa? - coço a cabeça.

- Você não se lembra de nada?

- Eu? Só lembro de algumas coisas - mas era mentira, não me lembro de praticamente nada, o vinho acaba comigo - Sabe né, foi um dia bem difícil para mim.

- Eu peguei você na estrada.

- Disso eu me lembro, depois que aquele babaca do seu irmão me deixou lá.

- Nós viemos para cá, aqui é um chalé dentro da propriedade da minha família, esse é o cantinho do Geovane, desde crianças ficávamos aqui, então ele reformou o lugar e ficamos aqui quando estamos na Vinícola.

- E por que eu estou aqui? - ele sorri.

- Foi você que insistiu, queria beber ou iria ir atrás do meu irmão e matá-lo - Matteo é mais leve e alegre - Como eu amo o meu irmão, eu deixei que você bebesse todas as garrafas de vinho que tinha na mini adega do chalé. E ainda queria mais. Ele vai matar você, pois bebeu alguns vinhos que ele guarda para ocasiões especiais.

- Era o meu casamento, uma ocasião especial - dou de ombros - Eu fiz isso, sério?

- Fez tanta coisa que você não tem noção? - a próxima frase dele - E agora sei de todos os segredos que você esconde - ele sorriu zombeteiro.

- Eu sei que vinho me deixa um pouco perdida nos meus pensamentos - eu levo a mão no rosto - Mas o que eu aprontei? Estou com medo do que falei - fiquei preocupada com o que eu havia dito.

- Após ficar bebendo e bebendo, pode olhar na minha taça que ainda está cheia e na sua, você queria ir embora para sua casa, e quando se levantou daquela poltrona quase caiu de cara no chão, então eu a segurei e você ainda vestida de noiva vomitou em cima de mim e em todo seu vestido. Por isso eu vim tomar banho. E troquei a sua roupa, tirei o vestido todo vomitado e coloquei uma camiseta que achei no closet do meu irmão e te coloquei na cama para dormir.

- Ah, então não rolou nada entre a gente? Ufa.

- Não, não faria nada com você bêbada daquele jeito.

- Ai que bom, estava preocupada, achei que tivesse, sabe né, nos dois, a gente - eu gesticulo com vergonha.

- Não com você bêbada, eu sou um cavalheiro e você é a esposa do meu irmão - ele disse baixinho.

- Bom, eu acho que vou embora, acho que já dei trabalho demais por hoje - quando me virei para sair de perto dele, tropecei na mala que estava no chão e quase caí.

O quase foi porque Matteo me segurou e ainda bem que ele foi rápido, eu estava um pouco zonza por conta do álcool e meus movimentos estavam lentos, se ele não me segurasse eu iria dar com a cara no chão, o corpo grande e musculoso atrás de mim, me prensando em seus músculos, eu sou uma garota pequena e magra, é estranho estar ali dentro daqueles braços e sentir aquele corpo quente atrás de mim. Ficamos um tempo naquela posição, acho que eu ainda estava associando o que estava acontecendo comigo e então a porta do chalé se abriu tão rápido e Geovane ficou parado nos olhando.

- O que está acontecendo aqui, Matteo? - os olhos dele varreu toda a cena.

- Nada do que você está pensando que é, irmão.

- Por que você tá agarrado na minha mulher? - ele olha para mim e parece que despertou o ódio que existe nele - Você não pode ficar um dia sem escândalos Mia Madson e fazer sua cara arder de vergonha - ele me diz e eu fico chateada, pois ele quer me machucar.

- Olha aqui - eu aponto o dedo para ele - Você não pode falar assim comigo, você não me conhece e não sabe quem eu sou.

- Você é uma louca que só faz passar vergonha, quem não conhece você? Está sempre na mídia com seus escândalos. Agora dar em cima do meu irmão? Você passou dos limites. Manipuladora.

- Do que você tá falando? Seu maluco. Eu não dei em cima do seu irmão.

Enquanto eu discutia com meu "marido", o irmão dele foi até o closet e se trocou e veio onde nós estávamos, Geovane saiu do chalé e parou na área externa e já estava ficando cansativo toda aquela discussão, que homem turrão, e nunca termina uma conversa como um adulto.

- Eu vou embora - Matteo estava perto de mim e veio me dar um beijo no rosto se despedindo.

- Você não vai ficar aqui? - eu questiono preocupada.

- Não, linda - ele disse no meu ouvido - Eu sei dos seus segredos, não se esqueça - deu uma piscadinha e saiu porta fora e foi conversar com o irmão. Será que contei coisas que não devia? Será que abri meus segredos?

Meu Deus, o que esse homem sabe de mim? Eu fiquei aflita, comecei a andar de um lado para o outro dentro do chalé, o que o Matteo descobriu de mim e como ele descobriu? Eu sentei em uma poltrona, a mesma que eu estava bebendo algumas horas antes e coloquei as mãos na cabeça, eu não podia ser descoberta, tudo era perfeito, para que ninguém descobrisse nada e como esse garoto soube sobre mim. Bufei, sabendo a resposta e me odiando por beber demais e talvez contado o porquê de tudo isso.

Geovane entrou no chalé, e foi até o closet, escutei os barulhos nos cabides batendo um no outro. Sem me falar uma palavra, ele ficou lá dentro por um tempo, e dava para ver que ele estava nervoso com a minha presença ali. Saiu com uma mala na mão e a jogou em cima da cama. Será que eu estava na casa dele? É eu acho que estava, e estava na cara que eu não era bem-vinda ali.

- Eu quero o acordo do divórcio em trinta dias, você irá me devolver e nunca mais eu quero te ver na minha frente, pode ficar aqui se quiser.

- Essa casa é sua? - pergunto sem saber.

- Sim, a casa é minha, você é tão espaçosa que até minha casa você conseguiu me tirar.

- Porque você me odeia tanto? - eu o questiono.

- Porque você conseguiu me tirar tudo, tudo que era importante na minha vida, você consegue destruir tudo à sua volta - ele se alterou, gritou comigo, apontando o dedo próximo do meu rosto - Arruinou a minha vida, você não vale nada. Você poderia ter dito não.

- Geovane, eu...

- Não fale nada - ele fez sinal para que eu parasse - Não fale mais nada, por favor. Eu não quero mais falar com você, fique aqui o tempo que precisar, depois você vai deixar o acordo e vai embora - ele estava na porta - Eu não quero ver você nunca mais - ele partiu, ouvi quando a porta da sua picape bateu e ele seguiu o seu caminho.

- Por que esse homem me odeia tanto?

Não era minha casa, mas eu pretendia passar o resto daquela noite ali, minha cabeça doía muito, abracei um travesseiro, deitada naquela cama e fiquei olhando ponto fixo na parede. O que eu tinha dito para Matteo? Quais segredos que eu trago comigo que contei a ele? E por que Geovane me odeia tanto?

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