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A Noiva Rejeitada do Alfa

A Noiva Rejeitada do Alfa

Autor:: Lili Marques
Gênero: Lobisomem
Em um mundo onde lobisomens e humanos coexistem em tensão, Alina foi dada em casamento ao poderoso alfa Kaian, em um acordo selado por seu pai em seu leito de morte. Para proteger Alina e honrar o último desejo de seu pai, Kaian aceita o casamento, ganhando em troca as terras da família dela que tanto queria Todo ódio que sente pelos humanos faz com que ele a rejeitei e despreze por dois anos. Até a noite da Lua Vermelha, Kaian é incapaz de negar o chamado da Deusa da Lua e finalmente cede à conexão com Alina, consumando o casamento, e reacendendo as esperanças dela de um futuro juntos. Mas quando ele volta a rejeitá-la, Alina vai embora escondida, sem saber que ela carrega em seu ventre o filhote dele. Enquanto ela tenta descobrir como viverá longe de tudo, Kaian descobre que a conexão dos dois era bem mais do que ele imaginou e agora precisa reconquistar a esposa que rejeitou.

Capítulo 1 1 - Alina

Os olhos dourados viajavam de mim para o meu pai deitado naquela cama, enviando uma onda de calor que subia por minhas pernas e se espalhava por meu corpo de um jeito que me deixava inquieta.

Eu não sabia porque meu pai tinha chamado Kaian Hawkings até ali. Ele e seu povo claramente nos odiavam e desprezavam. Tudo o que aquele homem sempre quis foram as nossas terras.

- Que bom que veio, meu amigo. - meu pai disse, com seus movimentos contidos, não parecendo o homem que já foi um dia.

Ele se referia a Kaian como amigo, mas aquilo não era verdade. A reserva da alcatéia fazia divisa com nossa fazenda, meu pai e o pai de Kaian tinham sido amigos, mas desde que os assassinatos começaram tem sido uma relação difícil.

- Como está se sentindo hoje? Tenho certeza que logo estará correndo por aí. - Kaian falou arrancando um sorriso do meu pai, que logo se transformou em uma tosse.

O ar ali nas montanhas era puro, mas nem mesmo isso ajudava ele a respirar melhor.

- Nós dois sabemos que... que isso não é verdade. - falou apesar da dificuldade. - E foi por isso que te chamei aqui.

- Vai finalmente assinar o acordo e me vender as terras, senhor Duncan? - Um sorriso debochado surgiu nos lábios de Kaian, atraindo minha atenção para a boca carnuda.

Apesar de sempre ser duro e direto, eu tinha que confessar que ele era lindo, alto e forte, com os ombros largos e a pose sempre firme. Ele parecia um homem que não temia nada, o olhar sempre afiado e confiante, que o deixavam ainda mais sexy. Como se isso fosse preciso, com aquela pele bronzeada e os cabelos grandes e castanhos, sempre bagunçados com aquele ar selvagem. Faziam me perguntar como seria deslizar meus dedos por eles.

- Vou fazer melhor, vou dá-las a você! - As palavras do pai me trouxeram de volta dos meus pensamentos.

- O que? - praticamente gritei, me ajoelhando ainda mais perto dele. - Do que o senhor está falando?

- Eu não vou viver muito mais, minha menina. - Meu pai disse, erguendo a mão com muito esforço e tocando meu rosto. - Você vai precisar de alguém que te ajude a cuidar de tudo.

- Mas temos trabalhadores para isso, pessoas que já cuidam da fazenda. Eu posso dar conta de gerir tudo aqui. - falei com desespero, mas era inútil porque ele parecia decidido.

- Eu sei que pode cuidar de tudo, já faz isso há muito tempo. - ele puxou o ar com dificuldade antes de voltar a falar. - Mas alguém precisa cuidar de você.

Os olhos cansados se desviaram até o homem parado ao pé de sua cama, ele encarou Kaian por um longo tempo, como se os dois pudessem conversar pelo olhar.

E então eu comecei a entender, meu coração deu um salto no peito, ele não podia... meu pai não podia estar pensando em pedir que aquele homem cuidasse de mim.

- O que está insinuando papai?

- As terras são dele se vocês se casarem! - meu pai afirmou sem fazer rodeios e eu engoli em seco, me levantando em um pulo e quase caindo.

Meus pés se embaralharam e eu cambaleei para trás sem conseguir evitar, até que duas mãos agarraram minha cintura me segurando com firmeza e me arrancando o ar quando uma descarga elétrica me acertou.

Eu olhei por cima do ombro, como se quisesse constatar que ele havia sentido o mesmo, mas dei de cara com os olhos dourados me encarando de perto com um brilho predatório que fez meu coração disparar no peito.

Nunca estivemos tão próximos assim, Kaian nunca havia me tocado antes, mas ali estávamos nós, com nossos rostos a centímetros de distância enquanto suas mãos apertavam minha cintura.

Mas tão rápido quanto me pegou ele me soltou, me dando um impulso para frente. Eu o vi abrir e fechar as mãos rapidamente depois de me soltar, como se tivessem se queimado por ter me tocado.

- Qual é a pegadinha, Duncan? - ele questionou com a voz mais ríspida do que segundos atrás, enquanto eu ainda estava atordoada pelo nosso contato.

- Nenhuma! A minha filha não tem mais ninguém além de mim e quando eu morrer ela vai precisar de alguém que cuide dela, que a proteja...

- Posso fazer isso sozinha! - afirmei finalmente encontrando a minha voz. - Não tem que me passar adiante como se eu fosse um animal que não pode se cuidar!

Eu não ia deixar que meu pai entregasse as terras de bandeja, em troca de proteção. Eu tinha vinte anos e podia me virar, vinha fazendo isso desde que minha mãe nos abandonou quando eu tinha dez anos. Mesmo com meu pai ali por mim as coisas não foram as mesmas, uma garota ser criada rodeada de homens que não sabiam nem mesmo como usar um absorvente era difícil, eu tive que aprender a me virar sozinha.

- Filha, por favor... - o pedido dele foi interrompido por uma nova onda de tosse que me fez abaixar ao seu lado, segurando sua mão com cuidado até que ele se acalmasse. - Sei que pode se cuidar, mas não deveria precisar disso. Quero que tenha um homem com quem contar, alguém que vá protegê-la e garantir sua segurança não importa o que aconteça.

Eu estava prestes a negar, mas os olhos marejados e a mão calejada e enrugada apertando meus dedos me impediu de dizer qualquer coisa, deixando presa todas as palavras em minha garganta.

Meu pai não era um homem de demonstrar emoções, mesmo que eu soubesse que ele sentia ele sempre guardava para si, mas naquele momento eu via um homem destruído pelo trabalho árduo, maltratado pela vida e pela doença.

- Tudo bem, pai. - foi o que me ouvi dizendo em resposta, não podia negar aquilo a ele, não naquele momento.

Ele sorriu e deu um tapinha em meu rosto de forma carinhosa, antes de virar o olhar para Kaian, que tinha se mantido quieto atrás de mim.

- Prometa pra mim. Prometa que vai se casar com minha menina, cuidar e protegê-la de tudo até seu último dia nessa terra?

Capítulo 2 2 - Kaian

- Eu prometo! - falei firme vendo Alina se virar para mim espantada. Com toda certeza surpresa com a rapidez que as palavras saíram da minha boca.

- Vocês se casam e tudo é seu, faça o contrato! Mas não é qualquer casamento, eu quero que seja feita a cerimônia do seu povo!

O velho Duncan era esperto, ele sabia que a cerimônia não podia ser quebrada nem anulada como o casamento entre os humanos, a cerimônia matrimonial nos uniria para o resto da vida.

Mas eu não ia perder a chance de colocar as mãos naquelas terras!

- Faremos a cerimônia daqui dois dias, na lua cheia. - avisei antes de sair de lá, deixando Alina com o pai.

Ainda podia sentir a eletricidade em minha mãos quando a toquei. Aquilo não deveria ter acontecido, era algo que não existia entre um humano e um lobo, mas ainda sim meu corpo respondeu aquela garota como se ela fosse destinada a mim.

Sacudi a cabeça para afastar o pensamento e enviei uma mensagem para Leon, ordenando que ele redigisse um novo contrato rápido, não ia dar tempo para que Duncan mudasse de ideia, ou que sua filha o convencesse a desistir e perdêssemos as terras.

Bastou o pensamento passar por minha mente para que o cheiro dela voltasse a invadir meus sentidos, o perfume de jasmim misturado ao seu calor ficou marcado em mim como ferro.

Alina Lancaster, a garota que eu vi crescer, tímida e quieta, escondida naquela fazenda, vivendo apenas para trabalhar e cuidar do pai. Era assim que todos a conheciam.

Eu só nunca pensei que um dia me casaria com ela, uma humana... aquilo não estava certo, ninguém na alcatéia concordaria com isso.

- Você está falando sério? - A voz de Leon me alcançou no instante que parei meu carro na frente da sede onde fazíamos as reuniões da alcateia. - Vai se casar com a garota?

Ele era meu melhor amigo de infância e nosso advogado, tinha passado anos criando formas de conseguirmos as terras que faziam fronteira com o território da nossa alcateia, tentando negociar com o senhor Duncan sem nenhum sucesso.

Passei direto por ele sem responder, entrei indo para minha sala sabendo que tudo precisava ser resolvido com pressa.

- Quero todos do conselho reunidos aqui em dez minutos. - dei a ordem a minha secretária. - Esse casamento vai acontecer em dois dias!

- Então está mesmo disposto a casar com uma humana? - Leon fechou a porta e se jogou na cadeira à minha frente. Havia um sorriso de descrença em seu rosto, quase como se não acreditasse no que eu estava prestes a dizer.

- O velho planejou assim, o casamento em troca das terras. Casamento é algo que eu posso lidar por todos aqueles hectares.

Ele sacudiu a cabeça em negação sem perder o sorrisinho, ele sabia o que aquilo significava pra mim, eu nunca quis me casar, nunca quis nada daquilo, muito menos com alguém da espécie dela.

- É sem dúvida ruim não vai ser. - ele apoiou a mão no queixo, fingindo estar pensativo. - Não quando a garota é gostosa pra caramba. Ganhar as terras e de quebra ter Alina cavalgando em cima de você, é como ganhar na loteria.

- Cale a boca. - grunhi sentindo meu corpo ferver, não por desejo e sim por raiva em ouvi-lo falar dela assim.

- Será que ela é virgem? Aposto que sim, ninguém nunca a viu com um homem por aí. - uma satisfação involuntária tomou meu peito com aquele pensamento. Alina nunca tinha deixado a fazenda, e eu duvidava que algum dos homens que trabalhavam para seu pai teria coragem de tocá-la. - É meu amigo, eu posso fazer esse sacrifício e trocar de lugar com você. Vai ser um prazer ter aquela garota toda só para mim...

- Vai se foder! - bradei batendo a mão sobre a mesa e vendo o sorriso dele voltar a crescer. - De agora em diante você não vai falar e nem sequer pensar na minha futura esposa desse jeito!

Eu não sabia de onde tinha vindo aquela raiva ou o calor que pulsava dentro de mim querendo me fazer pular no pescoço dele por vê-lo fantasiando com Alina daquele jeito. Mas foi assim que me senti, disposto a arrancar o coração do meu amigo.

Leon ergueu as mãos em rendição, mas o sorriso continuou preso em seu rosto, como se estivesse aproveitando cada segundo.

- O cheiro dela está em você. - ele murmurou me deixando novamente consciente do perfume dela impregnado em mim. - Como isso aconteceu? O velho Duncan te fez agarrar a filha ou foi você que decidiu consumir o casamento antes?

- Seu babaca! - me levantei virando para a janela, me lembrando da sensação de ter minhas mãos em volta dela, o calor, a eletricidade, o perfume me deixando tonto antes mesmo que os olhos verdes se encontrassem com os meus. - Isso não aconteceu e nem vai acontecer, não vou consumar o casamento com ela.

As palavras pularam da minha boca colocando um fim naqueles pensamentos e em qualquer ideia absurda que poderia vir daí. Eu não ia ter uma humana em minha cama, isso jamais iria acontecer!

- Como não vai consumar o casamento? - Leon questionou. - Pretende se separar depois que o pai dela falecer? Ou vai passar o resto da vida em celibato?

Capítulo 3 Kaian

Antes que eu pudesse responder os outros três membros do conselho entraram parando à minha frente, os olhares curiosos esperando uma palavra minha, com toda certeza eles sabiam sobre a visita a fazenda Lancaster e serem chamados assim as pressas só poderia ser para uma decisão urgente.

- Duncan Lancaster concordou em nos dar as terras, em troca de um casamento por cerimônia com a filha dele. - Contei a todos observando suas expressões mudarem de felicidade para choque.

Eu não estava fazendo uma pergunta ali porque já havia prometido a Duncan, faria isso. Eles só estavam ali para avaliar as consequências.

- Então não vai ter separação, você sabe que uma união por cerimônia é para sempre! - Leon constatou levantando e se aproximando dos outros.

- Duncan sabe e por isso pediu assim, não queria correr o risco de que tudo fosse desfeito depois.

- Ele planejou isso, aquele humano nunca quis nos vender as terras e agora quer que você case com aquela fedelha? - Roug, o mais velho do conselho, rosnou a pergunta retórica. - Não pode aceitar isso!

- O povo não aceitaria uma luna humana, não acho que já tenha acontecido antes.

- Podemos colocar outro no seu lugar. - Maya opinou me fazendo olhar imediatamente para Leon, que tinha a sobrancelha erguida em minha direção e o sorriso escroto. - Assim nosso alfa ainda pode se casar com uma loba e ter seus herdeiros.

Os outros começaram a concordar, apenas Leon se manteve em silêncio, como se esperasse por minha reação, enquanto a ideia de que Alina fosse tocada por outro, unida até sua morte a outro lobo que a reivindicaria como sua, crescia dentro de mim como uma sombra escura e fria.

- Não! - bradei colocando um fim na conversa deles. - Eu prometi a Duncan que iria me casar e protegê-la até o dia da minha morte. Tem que ser eu, não voltarei atrás com a minha palavra. Mas não se preocupem, não vou consumar o casamento e nunca a marcarei, então ela não será sua luna.

- Mas se fizer isso não terá herdeiros. Não pode deixar a alcatéia sem um sucessor, o povo não vai aceitar isso.

- Sem "mas", está decidido! - afirmei colocando um fim a toda aquela discussão. - Vocês têm dois dias para preparar tudo, o casamento será na primeira noite de lua cheia!

Os olhares à minha volta eram de raiva e indignação. Nenhum deles concordava com que eu tinha acabado de dizer, e o brilho nos olhos me dizia que estavam determinados a me fazer desistir da ideia.

- Acho que Kaian tem razão. - Leon voltou a falar, chamando a atenção de todos enquanto se sentava novamente. - Nosso povo precisa daquelas terras, sem falar em tudo o que vem com os hectares dos Lancaster.

- É um sacrifício o que eles estão pedindo....

- Um sacrifício pequeno para todo o bem que vai trazer ao nosso povo. - ele insistiu interrompendo. - O papel do alfa se sacrificar em prol da alcateia.

Eu não sabia porque ele estava querendo me ajudar a convencer os outros, mas agradeci internamente.

O silêncio durou por um tempo, todos com certeza tentando pesar os prós e contras, avaliar se valia mesmo a pena que eu me casasse com uma humana. Mas independente da opinião deles eu não voltaria atrás, não mudaria o que disse a Duncan. Principalmente depois do que senti quando a toquei.

Ainda podia sentir a corrente se espalhando por meu corpo, subindo por meu braço quando agarrei a cintura dela impedindo que caísse. Tinha que testar aquilo novamente, tocá-la de surpresa para ter certeza que senti corretamente.

- Sabe que todos vão odiá-la por isso, não é? - Roug se sentou ao lado de Leon, parecendo se dar por vencido. - A alcateia vai rejeitá-la e cada dia que ela passar aqui vai ser detestada, eles vão acusá-la de destruir sua vida.

- Ela será vista como um parasita e se os assassinatos ao nosso povo continuar... não quero nem pensar na revolta que causará.

Respirei fundo enfiando as mãos em meus cabelos, impaciente. Sabia que era verdade, ninguém ali gostava de humanos, convivíamos porque éramos obrigados, e eu jamais teria concordado com esse acordo se não fosse pelas terras.

- Talvez isso seja uma coisa boa. Ela pode acabar a cansando uma hora e indo embora. - Maya falou com um sorriso se formando, como se a ideia a alegrasse, mas teve o efeito oposto em mim, deixando um gosto amargo na boca.

- Não vamos ter um casamento comum, Maya. Ela ir embora não seria nada bom, ainda estaríamos ligados para o resto da vida! - declarei vendo os lábios se contorcendo em desaprovação.

- Bom, se nosso povo vai sofrer sem um herdeiro do alfa, ela também merece sofrer. - Roug resmungou parecendo convencido da ideia de casamento. - Vamos falar sobre o que vamos fazer com os novos hectares de terra.

Era o que importava para ele, para todos na verdade. Ter aquelas terras nos daria mais poder, aumentaria nossos negócios e teríamos um lugar para expandir nossa alcateia. Aquele era o plano há anos.

- Não deveríamos tratar dos detalhes do casamento?

Leon estava certo, eu devia começar os preparativos para a cerimônia, dar um jeito na minha casa, encontrar uma roupa para o grande dia. Ou até mesmo passar um tempo tentando conhecer minha noiva.

A ideia de levar Alina para sair se fixou na mente. A garota era tão tímida que mal trocamos palavras. A lembrança do toque e o cheiro dela voltou com força, me atingindo e trazendo o mesmo calor ao meu corpo. Ficar a sós com ela seria a oportunidade para tocá-la e ver se realmente existia uma ligação entre nós.

- Não vai ser uma cerimônia de verdade, que importância isso tem? - Maya retrucou, fazendo meu amigo bufar e se levantar.

- Vocês podem continuar com isso. Eu vou redigir o contrato e avisar ao ancião sobre a cerimônia, afinal ainda é o casamento do nosso alfa. - Leon disse se virando para sair, mas parou no instante que colocou a mão na maçaneta e se virou para mim. - Vai ao menos dar uma aliança para sua esposa, Kaian?

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