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A OBSESSÃO DO MAFIOSO

A OBSESSÃO DO MAFIOSO

Autor:: Danny veloso
Gênero: Romance
Você já pensou no que faria se descobrisse que o mundo que conhece e as pessoas que confia, não são exatamente como imaginava? Eu era uma filha exemplar, nunca faltei a escola ou dava bola para as provocações da minha irmã mais velha. Amava o meu pai, mesmo que passasse pouco tempo em casa, mas tudo mudou quando ele morreu. Fui humilhada e expulsa de casa pela invejosa da minha irmã e quando pensei que estava livre, descobri que havia algo nas sombras que me observava e que não me deixaria ir. Eu nunca imaginei que ele fosse tão terrível. Não sabia como escapar das suas garras, e agora, estou presa ao seu amor obsessivo.

Capítulo 1 PRÓLOGO

Muitos achariam estranho um homem como eu, tão mais velho, se interessar por alguém como Ellen: jovem, inocente e minha prima, mas essa menina despertou algo em mim que eu não conseguia explicar.

Sempre que estava ao seu lado, não conseguia me controlar, nutrindo um louco desejo de protege-la, persegui-la e deseja-la.

Muitas vezes me torturei devido a isso. Era errado e perigoso, no entanto, quanto mais o tempo passava e ela crescia, meu desejo pela bela jovem aumentava.

Agora, me via sendo um psicopata correndo atrás da sua presa.

Não conseguia dormir, comer ou trabalhar sem que minha mente voltasse a pensar nela. Era como se eu não conseguisse viver sem saber onde estava e o que fazia.

Desde que Ellen entrou na universidade, minha loucura se tornou mais intensa, me fazendo observa-la por onde quer que fosse. Odiava ver aqueles idiotas ao seu lado, a tocando e olhando com desejo, quando ela já pertencia a mim.

Tive que me controlar várias vezes para não quebrar a cara dos moleques que pensavam que teriam chances com a minha garota.

Agora que seu pai morreu e ela ficou sob a minha proteção, tudo ficou mais fácil e faltava pouco para que finalmente fosse minha por completo.

Eu não desejava assusta-la. Não queria que a minha Bela me visse como um monstro cruel, mas não sabia até quando iria suportar vê-la vivendo tão longe, mesmo estando perto, e sendo cercada de imbecis que ainda estavam na puberdade.

Muitos questionam a minha solidão ou desinteresse por mulheres da minha idade. O problema era que o meu coração já pertencia a uma pessoa, a questão era como a traria para mais perto, sem que ela pudesse fugir.

Capítulo 2 ELLEN

Já se sentiu sendo observada o tempo todo, mas não sabia quem e onde estava o seu observador?

Pois bem, me sentia assim o tempo todo. Em casa, na faculdade, andando na rua, acompanhada ou não.

Estava começando a achar que estava ficando esquizofrênica e que precisaria de um tratamento urgente para o meu transtorno.

Tinha vezes que imaginava alguém nas sombras do meu quarto, me observando dormir. Eu ficava tão assustada que não conseguia fechar os olhos.

Desde que meu pai morreu, venho tendo a impressão de que ele me assombrava, e isso era como uma tortura. Já não bastasse a minha irmã tentar a todo custo me manter fora de casa, ou de quaisquer coisas que pertencesse a nossa família, por simplesmente desejar tudo só para ela.

Por sorte eu tinha Anthony que, desde que essa tragédia aconteceu, vem cuidando de mim. Às vezes penso que ele exagera com o seu excesso de proteção, mas no fundo sei que faz isso por me amar.

Eu não desejava vir a esse lugar, odiava lugares fechados, barulhento e cheio de pessoas que eu nem conhecia, porém, minha amiga, Eva, insistiu por duas semanas para que eu a acompanhasse nessa festa com a desculpa de que não queria ficar sozinha, o problema era que ela sumiu há vinte minutos, me deixando sozinha perto do bar.

O lugar estava lotado e muito barulhento, coisa que me incomodava. Olhei em meio à multidão e não a achei, provavelmente devia estar colada a um desconhecido qualquer que lhe pagou uma bebida.

Ela era minha única amiga de verdade, por isso cedi e vim, mas agora parece que Eva não precisava mais da minha companhia e ainda tinha o fato de que mesmo estando nesse lugar, algo me observava e incomodava.

Passar em meio a multidão foi difícil e tenho certeza de que, quando chegar em casa, estarei fedendo a álcool, pois quase me encharquei por conta de um homem que derramou o líquido sobre mim.

Nunca frequentei lugares assim. Gostava mais de ficar em casa estudando e lendo bons livros. Quando meu pai era vivo, ele sempre me dizia para aproveitar a minha juventude enquanto era tempo, mas odiava ter que fazer algo só porque era típico da minha faixa etária. Sempre fui assim e gostava de viver em paz, sem os problemas da adolescência.

Como não conhecia a região, também não fazia ideia de como chegar em casa. Não havia muitos taxis e pensei que teria que ir andando até a minha casa.

Sabia que na próxima rua havia mais movimento de carro, e seria mais fácil pegar um taxi. O problema era que para chegar até lá, eu teria que andar alguns metros no escuro da rua onde ficava a casa noturna.

Me amaldiçoava mentalmente por ter cedido às chantagens de Eva, que nem se importava se eu seria morta ou raptada por um estranho se saísse do lugar sem companhia.

Respirei fundo antes de sair de onde estava para enfrentar a rua esquisita. Eu não era tão medrosa, no entanto, quem visse a localidade poderia dizer que era o covil de pervertidos à espera da sua próxima vítima.

Não demorou muito para que aquela sensação estranha voltasse a mim, causando um frio na barriga que quase paralisava as minhas pernas. Forcei-me a continuar a andar, rezando para que fosse apenas minha cabeça paranoica me irritando novamente.

- ELLEN!

Parei no meio do caminho ao ouvir meu nome ser gritado com uma entonação de fúria. No momento eu estava com muito medo para identificar de quem era a voz raivosa que me chamava. Era óbvio que deveria ser um conhecido, pois não anunciei quem eu era dentro da boate, aliás, não havia conversado com ninguém além da minha amiga sumida e o barman.

Virei-me devagar e encontrei os olhos cheios de fúria do meu primo, que vinha em minha direção a passos largos.

Assim que confirmei que não era ninguém que pudesse me matar e esquartejar, respirei fundo e deixei meus ombros, tensos, caírem.

- Por Deus, Anthony, quer me matar de susto?! – Falei assim que estávamos frente a frente.

Mesmo com a má iluminação da rua, conseguia ver a beleza que ele tinha. Era inegável que meu primo era um dos caras mais lindos de Los Angeles, e sabia que muitas mulheres corriam atrás dele. Anthony nunca deu atenção a nenhuma, o que me deixava pensando sobre o porquê alguém como ele, na sua idade, ainda não tinha assumido um relacionamento.

- O que pensa que está fazendo aqui? – Perguntou ainda bastante furioso. Ele era bastante alto, e muito forte. Quando ficava bravo, como agora, sentia como se ele fosse me engolir. – Deseja ser morta ou algo parecido?

Como se não bastasse o seu porte físico e sua cara de mau, eu ainda tinha uma queda, ou melhor dizendo, uma avalanche, por ele. Seus olhos azuis eram penetrantes, seu rosto com traços fortes e a barba davam a Anthony uma beleza fora do comum, se ele não fosse um empresário bastante ocupado, teria uma carreira na moda.

Por isso que sempre que ele brigava comigo, ou só me assistia fazendo alguma coisa, meu coração batia no peito como um motor de carro, minhas mãos suavam e ficava difícil pensar em alguma coisa.

- Acredite, pensei o mesmo, mas parece que é bastante difícil conseguir um taxi aqui, e eu não ficaria esperando um milagre acontecer. – Me justifiquei.

- Não precisaria de taxi se não tivesse vindo. – Falou se aproximando mais e me deixando realmente amedrontada.

Às vezes parecia que Anthony era um irmão mais velho, que estava sempre cuidando de mim ou dando uma bronca. O problema era que o meu corpo não o via assim e isso era preocupante.

- Está chateado porque vim? – Perguntei quase sussurrando. – O que você está fazendo aqui? – O questionei assim que me dei conta da coincidência.

Meu primo era o homem mais fechado que eu conhecia, nunca saía para boates ou festas, que não fossem necessárias, claro. Ele odiava estar na presença de estranhos, assim como eu, e essa coincidência me colocava em dúvida.

- Vamos embora desse lugar. – Falou, ignorando os meus questionamentos.

Ele pegou em meu braço e praticamente me carregou para mais perto do seu carro, que eu não vi quando entramos na boate.

- Anthony, me solta, posso andar sem que você tenha que me carregar. – Disse ficando irritada.

- Não estou para brincadeiras, Ellen, então é melhor me obedecer. – Falou rude.

Estava achando estranho a forma como ele estava agindo, pois meu primo era uma pessoa gentil e carinhosa comigo. Ele era a pessoa que me apoiava e protegia, mas agora estava agindo como um maluco só porque vim a uma boate.

Seu carro conversível não estava muito longe da onde estava, e surpreendi-me por não tê-lo notado quando saí. Anthony realmente estava fora de si, e isso me preocupava.

Ele abriu a porta do carro e esperou que eu entrasse para fecha-la. Não fazia ideia do porquê estava tão bravo. Apesar de ter corrido certo risco ao vir para esse lugar, não era nada de tão grave. Ou pelo menos não tinha acontecido nada ainda. Assim que entrou e ligou o carro, meu primo permaneceu com a sua expressão irritada e não disse mais nada.

Fizemos o percurso em completo silêncio e sabia que ainda ouviria algumas coisas quando chegasse em casa.

Isso me fazia lembrar do meu pai. Se estivesse vivo, também me daria uma bronca por ter me arriscado em uma rua escura e esquisita, mas estaria feliz por finalmente eu ter saído de casa.

Na mansão da família, só Becca e eu morávamos. Ela era a típica irmã irritante que implicava por tudo. Era óbvio que falaria por horas devido ao ocorrido, mas não porque se preocupava e sim porque adorava achar um porquê para me irritar.

Nunca fui de fazer tal coisa, ninguém nunca teve que me dar uma bronca e agora eu me sentia como uma criança. Assim que ele estacionou em frente a porta da mansão, permaneceu por alguns segundos antes de abrir aporta e sair.

Anthony deu a volta e abriu minha porta e eu não movi nenhum músculo com medo de sair e ter que ouvir mais e mais. Antes de colocar o pé para fora, olhei para ele, que se recusava a me olhar.

Agora eu conseguia ver seu rosto com exatidão. Ele estava bravo e mesmo assim era lindo. Desejei me bater por estar admirando a beleza do homem que era muito mais velho e que é meu primo. Apesar de não haver barreiras sanguíneas.

- Não queria que isso tivesse acontecido, mas não estava confortável na boate para ficar sozinha e resolvi voltar para casa. – Falei tentando mudar o clima de tenso.

Saí do carro ainda preocupada em pisar em um campo minado. Essa situação era nova, por isso não sabia como agir.

Seus olhos azuis estavam cinza devido à iluminação. Depois que deixou a barba crescer, seu rosto ficou ainda mais sério e sombrio, o que me deixava com um misto de medo e desejo. Às vezes, quando me encarava, sentia como se fosse derreter em sua frente. Mesmo sem experiência alguma, sabia quando um homem desejava uma mulher e muitas vezes eu achava ver isso em seus olhos.

Era como se Anthony tivesse uma alma escura e desconhecida. Apesar de ter crescido com ele ao meu lado, tinha impressão de que não o conhecia, não sabia o que se passava em sua cabeça e que queria me engolir viva.

Anthony era o nosso único primo. Seus pais também já haviam morrido. Ele sempre foi protetor, e depois do que houve com meu pai, ele tomou a responsabilidade para si. Becca já tinha seu rumo na vida, mas eu era a mais nova, havia acabado de completar dezoito e comecei a faculdade.

- Prometa-me que nunca mais se colocará em perigo dessa forma. – Exigiu ainda me olhando com superioridade. – Não estarei sempre a seu lado para protegê-la. – Falou tocando em meu rosto de forma carinhosa, mesmo que seu olhar demostrasse outra coisa. Seu toque era como brasa em minha pele, provocando no meu corpo um desejo incomum. – Não sabe o quanto desejo isso, porém, sou uma pessoa ocupada e não posso estar em todos os lugares.

A pergunta que fiz anteriormente ainda estava na minha cabeça, mas seu olhar e toque me fazia esquecer de qualquer coisa, e sentia que a qualquer minuto minhas pernas me trairiam, denunciando o que se passava na minha cabeça.

Controle-se, Ellen, ele é seu primo, nunca a olhariam desse jeito.

- Não se preocupe. – Falei tocando em sua mão que ainda me torturava. – Não pretendo ir a lugares como esse, não são o meu estilo.

- Ótimo. – Falou ao afastar-se, quebrando o seu feitiço. – Entre, já está tarde.

Ele estava de costas para mim, parecendo não querer mais olhar nos meus olhos. Via a tenção em suas costas largas. Não sabia o que tinha feito para deixa-lo desconfortável.

Desde muito jovem convivo com Anthony e a cada ano ele se torna uma pessoa misteriosa e sombria para mim. Às vezes sendo sensível e amoroso, me dando conforto e paz, e outras vezes sendo mandão e me tratando como um cristal. Odiava vê-lo sendo o cara mais velho que cuidava de mim, pois esse cara eu não conhecia, ele se transformava em um desconhecido.

Mesmo tendo trinta e quatro anos, nunca o vi com uma mulher e nem com mais ninguém. Sabia que desde que seus pais morreram, o homem se tornou mais reservado e focado no trabalho.

Capítulo 3 ELLEN

Quando acordei, senti minha cabeça doer. Não sabia o porquê, pois não toquei em álcool. Talvez fosse porque fiquei um bom tempo pensando no que havia acontecido ontem.

A imagem de Anthony no escuro quase berrando o meu nome, não saiu da minha cabeça. Ele parecia outra pessoa, uma que eu ainda não conhecia.

Nunca tive uma relação com qualquer outro garoto por ser mais calada e tímida. Já me peguei tendo sonhos estranhos e inapropriados com o meu primo mais velho, uma dessas vezes foi na noite passada.

Era estranho e perturbador, pois não foi como das outras vezes. Anthony não era o homem carinhoso, mas sim sombrio que me amedrontava com a sua fúria. O problema era que eu não estava com tanto medo dele. Na verdade, isso me excitou.

Loucura.

Depois que meu pai morreu, acredito que adquiri uma paranoia sem sentido e isso estava afetando até o meu sono.

Anthony não era essa pessoa malvada que me prenderia e torturaria. Apesar da sua mudança de atitude comigo ontem, meu primo ainda era a pessoa que eu mais confiava.

Levantei-me da cama sentindo que a noite não tinha sido suficiente para que meu cansaço acabasse.

O dia seria cheio, assim que pisasse na universidade. Havia um grande trabalho para ser entregue e eu odiava deixar as coisas para última hora.

Tomei um banho relaxante, me preparando para ir direto para a faculdade. Ainda era cedo e isso significava que minha irmã ainda estava dormindo.

Eu não podia dizer que odiava Becca, ela era minha irmã e a única que ainda estava aqui, fora Anthony. Talvez sua implicância comigo vinha do rancor do nosso pai que se separou da sua mãe para casar-se com a minha.

Papai e eu éramos próximos, e depois que minha mãe morreu de câncer, ele passou a se afastar aos poucos, mas ainda éramos unha e carne.

Sabia que isso incomodava Becca. Ela sempre demostrou seu desagrado por mim e depois que nosso pai faleceu, isso se tornou mais evidente.

Para não acabar brigando com ela, optava por sair mais cedo e não estar em casa quando ela estivesse. Era claro que tínhamos que resolver esse problema entre nós, ainda mais agora que só restávamos nós.

Desci as escadas brancas que tinha corrimões dourados, dando à entrada uma impressão de realeza. Nosso pai, Dominic Goldner, era conhecido por adorar esbanjar luxo e poder. Quando minha mãe era viva, eles davam festas grandiosas com muitos convidados que elogiavam a beleza do lugar.

Ele dizia que eu havia puxado a beleza e delicadeza dela, mas não a forma glamorosa que Elisabete adorava viver.

Mesmo minha família tendo muito dinheiro e propriedades ao redor do mundo, nunca gostei de esbanjar o nosso dinheiro com coisas desnecessárias, só por puro prazer.

Eu odiava chamar atenção. Quando tinha que ser o centro das atenções, que graças a Deus eram poucas vezes, eu me sentia como se estivesse nua na frente de todos.

- Não vai tomar café? – Perguntou Meredith. A mulher trabalhava aqui desde que nasci e quando minha mãe morreu, foi ela quem praticamente me criou. – Já está magra demais, não quero que passe mal enquanto estuda.

Geralmente não tomava café e isso irritava a mulher que tinha cabelos grisalhos e olhos castanhos. Ela agia como se realmente fosse minha mãe e isso era acolhedor. Aproximei-me dela e beijei sua testa carinhosamente. Seus olhos autoritários me julgavam sem ao menos ter falado nada.

- Tomo algo na cantina da faculdade, sabe que não posso me atrasar. – Falei.

Ela me olhou desconfiada e colocou as mãos na cintura como sempre fazia quando iria me contestar.

- Sei bem que não quer ver Rebeca, mas não pode ficar saindo de casa sem comer nada. Quer que um vento leve você como se fosse uma pluma?

Rio da sua piada sabendo que não era totalmente piada. Meredith adorava usar o seu sarcasmo em qualquer situação.

- Não vou. – Disse antes de abrir a porta e sair.

Era besteira sair fugida só porque não queria encontrar a minha irmã babaca, mas isso me salvava de um dia terrível e mau humor.

Quando mais jovem diziam que eu poderia ser o que eu quisesse, só porque tinha memória fotográfica e conseguia aprender rápido. Porém, quando completei quinze anos descobri a minha paixão: literatura.

O curso não era algo tão brilhante como medicina, direito ou engenharia, mas eu era apaixonada por livros. Quando abria um livro, o mundo ao meu redor mudava completamente, levando-me para outra realidade. Eu poderia dizer que me via em cada personagem que lia e isso me fez abrir a mente para as demais coisas.

Quando cheguei a universidade, quase não tive tempo para comprar um café no Starbucks e um pedaço generoso de bolo. Mere podia até imaginar que minha magreza era devido à falta de alimentação, mas na verdade eu era como uma formiga que adorava devorar tudo o que fosse doce ou salgado.

Eu era a aluna que sentava na frente para entender melhor o assunto, mesmo já sabendo o que seria. Era difícil fazer amigos, e eu nem sabia como tinha conseguido me tornar amiga de Eva. Ela era totalmente o oposto de mim: não tinha medo de nada, chamava atenção, sempre estava vestida com roupas sexy e não tinha dificuldade em fazer amizade com ninguém. Às vezes eu a invejava.

Eu estava começando a escrever um romance, o problema era a falta de experiência em relacionamento. Claro que sabia a teoria da coisa, pois como já dito, adorava ler livros, mas sabia que para um bom romance a autora deveria saber do que estava escrevendo e eu não fazia ideia de muita coisa.

Como sempre, assim que as aulas haviam acabado, fui direto para a grande biblioteca da universidade em que estudava. A bibliotecária já me conhecia de tanto que eu frequentava.

As horas pareciam voar quando estava aconchegada a uma poltrona lendo um bom livro. Como já estava adiantada, não precisava me preocupar com o trabalho que entregaria na próxima semana.

Quando olhei as horas parecia que havia se passado dias. Saí do lugar quase correndo. Não era como se eu fosse a algum lugar importante, mas havia prometido a Mere que chegaria às seis. Ela completará sessenta e sete anos, e desejei preparar um pequeno jantar para dois. A mulher fazia tanto por mim, coisas que não eram um dever para ela, pois o amor que me dava era real, e isso era raro de se achar.

Quando o taxi me deixou na porta da mansão, não ousei entrar. Por sorte a governanta tinha sua própria casa que ficava dentro da propriedade dos Goldner, mas quando cheguei ela não estava. Tudo estava escuro e silencioso. Achei estranho, pois havíamos combinado.

Pelo visto eu teria que entrar em casa e dar de cara com a Becca e escutar mais algumas gracinhas que ela insistia em dizer mesmo depois de anos de convivência.

O mais intrigante era que até a cozinha estava vazia e silenciosa. Parecia que todos haviam se mudado e me deixado para trás.

Eu já estava desanimada, e ao chegar ao hall de entrada a imagem de Becca só me fez pensar que minha noite ainda ficaria ruim.

Talvez as pessoas tivessem razão em dizer que eu deveria sair mais, mas como comprovado ontem, eu não era o tipo de pessoa que ia à festa e curtia.

- Achou que fugiria de mim para sempre? – Questionou ela com sua pose típica de superioridade.

Não poderia negar que Rebeca era uma mulher linda, poderia ser uma top model, mas decidiu optar por marketing. Os cabelos escuros, caíam pelos ombros firmes, o nariz arrebitado era consequência de uma cirurgia plástica, que não era a única que ela tinha feito.

Rebeca adorava usar roupas chiques da moda atual, juntamente com joias glamorosas e caras, moldadas em ouro e diamante.

Ela também tinha a segurança e determinação que eu tanto gostaria de ter. Claro que deixaria de fora a arrogância e egocentrismo, mas lá no fundo, eu queria ser mais como ela. Pelo menos não teria tanto medo de uma irmã mais velha que me odiava apenas por eu existir.

- O que deseja? – Questionei, deixando os meus ombros cansados caírem. Já tinha desistido e provavelmente deixaria que as baboseiras dela entrassem por um ouvido e saíssem pelo outro. – Estou cansada, não quero ouvir qualquer coisa que tenha que dizer sobre mim que possam me deixar ainda mais cansada.

Ela me olhou como se eu fosse a pior pessoa do mundo e impediu que eu subisse as escadas. Achei estranho a forma como estava agindo, isso somado ao fato de não ter mais ninguém nessa casa além de mim e ela, me deixava desconfiada.

Os olhos claros estavam escuros de raiva. Eu não estava surpresa, desde muito jovem Rebeca me olhava com desdém. Quando criança, ela já me trancou em lugares escuros e sujos, só para me provocar medo. Mesmo nosso pai a punindo depois disso, ela fazia mesmo assim, e as punições só aumentavam o seu ódio pela minha presença.

- Está cansada? – Questionou irritada, empurrando-me contra a parede. Bati a cabeça e pensei em reclamar, mas ela apertou as minhas bochechas com suas unhas longas e afiadas. – Eu estou cansada, Ellen. Cansada de ouvir você, de ver você e dividir tudo o que tenho com você, até o meu pai. – Eu sempre soube da sua mágoa, suas ações deixavam isso bem claro, porém, ela nunca tinha me machucado como agora. Me sentia mal por saber que minha irmã não gostava de mim devido a isso. O papai nunca foi o melhor homem do mundo e, depois que Elisabete morreu, descobri que ele só havia se separado da mãe da Becca porque a traiu com a minha. – Você é irritante. Uma sugadora como a sua mãe.

- Becca, sei que está... – Tentei dizer, mas ela apertou a minha pele com mais força.

- JÁ CHEGA! – Eu não desejava sentir medo dela. Apesar de ser uma bruxa, duvidava que me fizesse algum mal físico, no entanto, era capaz de tudo, pois minha pele ardia com o seu aperto. – Eu não quero mais ouvir a sua voz ou os seus pensamentos, lamurias ou suspiros. Meu pai já morreu e não tenho que suportar nada que tenha relação a você.

- O que está dizendo? – Questionei a empurrando com força e tentando segurar as lágrimas que ardiam no meu rosto. – Eu sou sua irmã, apesar de tudo.

O olhar que me lançou foi assustador e seu sorriso pareceu até psicótico.

- Você é um rato que suga a energia dessa casa, até do papai que morreu por sua causa.

- Ele teve um infarto. – Sussurrei já não aguentando o peso que estava nos meus olhos. – Por que está fazendo isso?

- Quero que saia dessa casa agora! – Falou apontando as suas longas unhas pitadas de vermelho para mim. – Vou dar uma boa quantia para que não precise me dar dor de cabeça no futuro. Pagarei a faculdade e depois disso você deve sumir da minha vida.

Fiquei estática ao ouvir esse absurdo.

- Não preciso da sua esmola. – Falei ainda chorando e soluçando. Odiava parecer fraca, mas era impossível não ser afetada com as palavras malvadas que ela acabou de desferir. – Se acha que sou uma sugadora, devo lhe informar que não sou. Ao contrário de você, não preciso de luxo para viver. Tenho dinheiro o suficiente para pagar a minha faculdade, não se preocupe com isso.

A verdade era que eu deveria ter saído dessa casa no dia seguinte em que enterramos nosso pai. Ela sempre me maltratou e deixou claro seu ódio por mim, mas resolvi empurrar esse problema com a barriga por conta de Mere e das lembranças que eu tinha nessa casa.

Corri subindo as escadas ainda em prantos. Eu tinha perdido tudo, meus pais e agora minha casa. Não importava quanto luxo ela tinha, mas me acolhia nas noites frias e protegia da chuva.

Assim que entrei em meu quarto liguei para Eva para lhe pedir ajuda. Ela morava sozinha, mas sabia que seu namorado ioiô vivia por lá também, porém, não pretendia fiar em sua casa por mais que uma noite.

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