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A Obsessão do Bilionário: A Virgem e o CEO Intocável

A Obsessão do Bilionário: A Virgem e o CEO Intocável

Autor: Celeste J Rowan
Gênero: Bilionários
"Senhor... eu sou apenas sua assistente. Eu..." "Você era minha assistente até cair nos meus braços esta manhã. Agora, você é a única maldita mulher neste mundo que eu consigo tocar sem sentir nojo. E eu vou ter cada centímetro de você." Regra número um da Vance Enterprises: Nunca toque no CEO. Arthur Vance é o bilionário mais temido de Nova York. Frio, sádico e implacável, ele é conhecido como o "Lorde de Gelo". Por trás dos ternos sob medida e das luvas de couro escuras que ele nunca tira, esconde-se um trauma: uma fobia paralisante do toque humano. Ninguém ousa chegar perto. Ninguém o toca. Até que Clara Martins, uma jovem de 21 anos - virgem, endividada e desesperada para salvar a vida da avó -, tropeça direto no colo dele em seu primeiro dia de trabalho. O que deveria causar um ataque de pânico no bilionário se transforma em uma fome doentia e incontrolável. Pele na pele. Sem repulsa. Apenas um desejo selvagem. Clara é a única exceção à maldição de Arthur. A partir desse segundo, o monstro intocável desenvolve uma obsessão sombria por ela. Ele a promove. Ele a isola em sua cobertura. Ele secretamente compra todas as dívidas dela. Clara achou que estava assinando um contrato de trabalho de luxo, mas acabou de se entregar a um predador insaciável, disposto a corromper sua inocência da forma mais suja e deliciosa possível.
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Capítulo 1 O Palácio de Gelo

O vento cortante de Nova York parecia ter um alvo específico naquela manhã de segunda-feira: eu. Puxei as golas do meu casaco de lã barato, que já tinha visto dias melhores, tentando reter o pouco calor que meu corpo ainda produzia. Diante de mim, erguia-se a Vance Tower. Um monólito de vidro fumê e aço negro que rasgava as nuvens cinzentas da cidade como uma lâmina afiada. Era intimidador, frio e absurdamente rico. Exatamente como o homem que o construiu.

Respirei fundo, sentindo o ar gelado queimar meus pulmões, e apertei a alça da minha bolsa gasta. Você consegue, Clara. Você precisa conseguir.

Minha avó, dona Marta, estava deitada em uma cama de hospital do outro lado da cidade, conectada a máquinas que custavam mais por hora do que eu havia ganhado em toda a minha vida. O aviso do hospital fora claro: ou eu apresentava um comprovante de renda substancial e um plano de saúde corporativo de primeira linha até o fim da semana, ou ela seria transferida para o sistema público, onde a fila para a cirurgia que ela precisava levaria meses. Meses que ela não tinha.

Eu tinha vinte e um anos, um diploma recém-conquistado com muito suor e noites em claro, e absolutamente nenhuma experiência no mundo corporativo de alto escalão. Conseguir a entrevista final para a vaga de Assistente Júnior na Vance Enterprises já tinha sido um milagre, um erro do algoritmo de triagem de currículos, ou talvez uma piada cruel do destino. Mas eu não podia recuar. Eu engoliria meu medo, minha insegurança e qualquer orgulho que ainda me restasse.

Empurrei as pesadas portas giratórias de cristal e entrei no saguão. O contraste com a rua foi imediato. O ar lá dentro cheirava a dinheiro, cera de mármore e poder puro. Homens em ternos italianos que custavam o equivalente a um ano do meu aluguel andavam apressados, sussurrando em fones de ouvido invisíveis. Mulheres com saltos agulha e posturas impecáveis cruzavam o piso espelhado sem fazer um único ruído. Eu, com minha saia preta comprada em uma loja de descontos e meu cabelo castanho preso em um coque para parecer mais velha, me sentia uma intrusa. Uma presa fácil no meio de predadores.

Fui até a recepção, minhas mãos suando frio.

- Clara Martins. Tenho uma entrevista final com a Diretora de Recursos Humanos, Sra. Sterling - minha voz saiu um pouco trêmula, mas eu pigarrei, erguendo o queixo.

A recepcionista, uma loira de beleza plástica e olhar entediado, digitou algo em seu tablet sem sequer piscar.

- Centésimo andar. O elevador executivo à direita.

Agradeci com um aceno nervoso e caminhei até as portas prateadas. O elevador subiu em um silêncio sepulcral, a pressão nos meus ouvidos sendo a única prova de que estávamos cortando dezenas de andares em segundos. Meu estômago revirou, uma mistura de ansiedade e falta de café da manhã. Quando as portas se abriram no 120º andar, prendi a respiração.

O andar executivo não parecia um escritório. Parecia o saguão de um hotel cinco estrelas ou um museu de arte moderna. O piso era de madeira escura e polida, as paredes decoradas com obras de arte abstratas, e o silêncio era tão denso que quase zumbia. Havia uma mesa de recepção monumental esculpida em um único bloco de mármore negro.

Atrás dela, uma mulher mais velha, com cabelos grisalhos cortados em um chanel afiado e óculos de aros vermelhos, me avaliava como se eu fosse um inseto sob um microscópio.

Sra. Sterling.

- Srta. Martins - a voz dela era gélida, cortante. - Você está exatamente dois minutos adiantada. A pontualidade é a única virtude aceitável aqui. Sente-se.

Ela apontou para uma cadeira de couro branco à frente de sua mesa. Caminhei com passos rígidos e me sentei, mantendo a postura reta, cruzando os tornozelos como havia treinado.

- Seu currículo é medíocre para os padrões da Vance Enterprises, Srta. Martins - ela começou, folheando um arquivo com unhas perfeitamente esmaltadas de vinho. - Formada em uma universidade estadual, notas excelentes, mas nenhuma experiência internacional, nenhum estágio em empresas da Fortune 500. Você tem vinte e um anos e a presença de alguém que acabou de sair do ensino médio.

Senti meu rosto esquentar, mas mordi a parte interna da bochecha. Pense no hospital. Pense na avó.

- Eu sou extremamente dedicada, Sra. Sterling. Aprendo rápido, não tenho distrações na minha vida pessoal e estou disposta a trabalhar quantas horas forem necessárias para provar meu valor. Eu preciso desta oportunidade.

Ela parou de folhear o arquivo e ergueu os olhos para mim. Havia um brilho calculista por trás das lentes vermelhas.

- O fato de você ser uma lousa em branco é a única razão pela qual está sentada aqui. As últimas três assistentes seniores do Sr. Vance tinham currículos impecáveis, diplomas de Harvard e Yale. E todas foram demitidas chorando antes do fim do primeiro mês. O Sr. Vance não precisa de alguém que ache que sabe administrar a empresa. Ele precisa de alguém que obedeça. Cegamente. Silenciosamente. Sem questionar.

O nome fez um arrepio descer pela minha espinha. Arthur Vance. O CEO. O bilionário mais temido de Wall Street, frequentemente chamado pela mídia de "O Lorde de Gelo". Homem de poucos sorrisos, nenhuma aparição pública desnecessária e uma reputação de destruir impérios concorrentes antes do café da manhã.

- Eu posso seguir ordens - respondi, tentando soar firme, embora meu coração batesse como um tambor desgovernado.

Sra. Sterling suspirou, abrindo uma gaveta e tirando um calhamaço de papéis grossos. Ela deslizou o documento sobre o mármore até mim, junto com uma caneta-tinteiro de ouro.

- Este é um acordo de confidencialidade. Ele estipula que absolutamente nada do que você vir, ouvir ou deduzir neste andar pode ser compartilhado com qualquer pessoa fora deste prédio. Se você violar isso, os advogados do Sr. Vance não apenas a processarão até a última geração da sua família, como garantirão que você nunca mais consiga um emprego legal no país. O salário inicial é de cento e vinte mil dólares anuais, com bônus de performance e pacote de saúde premium com cobertura total retroativa para dependentes a partir do momento da assinatura.

Meus olhos se arregalaram. Cento e vinte mil dólares. Isso era muito mais do que o dobro da média para uma assistente júnior. E o plano de saúde... aquilo salvaria a vida da minha avó. Minhas mãos tremeram levemente quando peguei a caneta. Sem ler as letrinhas miúdas que com certeza selavam minha alma ao diabo, assinei todas as páginas onde havia um "X".

Sra. Sterling recolheu os papéis, seu semblante tão impenetrável quanto antes.

- Bem-vinda à Vance Enterprises. Agora, ouça com muita atenção, Clara. Porque eu não vou repetir as regras, e o Sr. Vance certamente não tem paciência para ensinar funcionários novos.

Endireitei-me na cadeira, pronta para anotar mentalmente as rotinas de reuniões, preferências de café ou formatações de relatórios. O que veio a seguir, no entanto, foi bizarro.

- Regra número um, e a mais importante: O Sr. Vance nunca deve ser tocado. Sob nenhuma circunstância.

Pisqui, confusa.

- Tocado? A senhora quer dizer... sem apertos de mão?

- Quero dizer tocado - ela repetiu, a voz baixando um tom, como se estivéssemos falando de uma maldição antiga. - Sem apertos de mão. Sem esbarrões casuais no corredor. Sem entregar papéis diretamente nas mãos dele; você os colocará sobre a mesa e dará um passo para trás. Se for servir algo, use a bandeja, pouse na mesa, afaste-se.

Tentei processar a informação. Um bilionário no topo do mundo que não podia ser tocado?

- Ele usará luvas de couro a maior parte do tempo. Não olhe para elas. Não pergunte sobre elas. Não aja de forma estranha - continuou a Sra. Sterling, enumerando nos dedos. -

Regra número dois: Não o encare diretamente nos olhos por mais de três segundos. Ele acha isso insolente. Regra número três: O silêncio é ouro. Não fale a menos que seja diretamente questionada. Não faça "perguntas amigáveis" sobre o dia dele. Ele não é seu amigo, não é seu mentor, ele é seu empregador. Você é uma máquina programada para facilitar a vida dele.

Engoli em seco. Aquele lugar não soava como um escritório de alta tecnologia; soava como a corte de um rei tirano da Idade Média.

- Eu entendi, Sra. Sterling. Sem toques. Sem perguntas. Invisível e eficiente.

Ela pareceu levemente satisfeita.

- Bom. Você será a assistente júnior da Sra. Montgomery, a assistente sênior. Sua mesa fica no anel externo da suíte executiva. Venha, vou mostrá-la o seu lugar. E, Clara...

Levantei-me, arrumando a saia, e esperei.

- Não se deixe enganar pela aparência dele - ela sussurrou, e por uma fração de segundo, achei ter visto uma sombra de genuíno temor passar pelos olhos velhos da Diretora de RH. - O Sr. Vance pode parecer a perfeição esculpida em mármore, mas ele é perigoso. Mantenha sua cabeça baixa, faça o seu trabalho e vá para casa. Garotas inocentes como você tendem a ser esmagadas neste andar.

Caminhamos por um longo corredor atapetado que abafava completamente os nossos passos. Passamos por salas de reuniões vazias, com mesas de vidro quilométricas e telas gigantes. O cheiro de café forte misturado com algum perfume cítrico caríssimo pairava no ar.

No fim do corredor, entramos na "Suíte Presidencial". Era um espaço colossal em plano aberto. No centro, havia um imenso aquário de vidro fumê do chão ao teto. O escritório do CEO. As paredes de vidro eram controladas eletronicamente; naquele momento, estavam opacas, impedindo qualquer pessoa de ver o que acontecia lá dentro.

A poucos metros dessa fortaleza de vidro, havia duas mesas brancas e minimalistas. Uma, perfeitamente organizada, pertencia à Sra. Montgomery, que não estava presente. A outra,

ligeiramente menor, seria minha.

Sentei-me na cadeira ergonômica que devia custar o triplo do meu guarda-roupa. A tela do computador já piscava com o meu nome e dezenas de pastas com relatórios para organizar. Sra. Sterling deu as últimas instruções sobre senhas e se retirou, deixando-me sozinha no silêncio daquela antessala.

Respirei fundo. Eu estava dentro. O dinheiro do hospital estava garantido. Tudo o que eu precisava fazer era seguir regras e trabalhar feito uma condenada. Seria fácil. Eu já era invisível para o mundo de qualquer maneira; ser invisível para um bilionário não seria diferente.

Tirei meus cadernos velhos da bolsa e comecei a abrir os e-mails na tela. Dez minutos se passaram. Depois vinte.

Foi então que o ambiente mudou. Não houve nenhum som. Nem o toque de um telefone, nem o bater de uma porta. O ar ao meu redor ficou subitamente pesado, denso, elétrico. Os pelos dos meus braços se arrepiaram sob a lã do casaco.

Levantei os olhos do monitor, atraída por uma força invisível em direção ao escritório de vidro no centro do andar.

A parede de vidro fumê, antes totalmente opaca, estava clareando lentamente, tornando-se translúcida. O sistema eletrônico estava sendo desativado por dentro.

Lá estava ele. Arthur Vance.

Ele estava de pé, de costas para a parede de vidro, olhando para a imensidão da cidade através da janela panorâmica do seu escritório. Ele vestia um terno preto que abraçava ombros largos e uma postura rígida, imponente. O cabelo escuro caía ligeiramente fora de ordem sobre o colarinho branco e imaculado.

Ele estava a pelo menos dez metros de distância, isolado em sua caixa de vidro à prova de som, e ainda assim, a presença dele parecia preencher cada milímetro quadrado do meu pulmão, roubando meu ar.

De repente, ele girou sobre os calcanhares.

Meu instinto foi desviar o olhar, lembrar da maldita regra número dois da Sra. Sterling, mas meu corpo congelou. Eu não consegui mover um músculo.

O olhar de Arthur Vance encontrou o meu através do vidro divisório.

Seus olhos eram da cor de um céu de tempestade prestes a desabar. Cinzas, frios, predatórios. E eles estavam fixos em mim. A garota de roupas baratas e cabelos mal arrumados

que ousava respirar o mesmo ar que ele.

Pude ver suas mãos descansando sobre a borda de mogno de sua mesa. Eram mãos grandes, longas. E, como avisado, estavam rigorosamente cobertas por luvas de couro preto feitas sob medida.

Ele não piscou. Eu não respirei.

O aviso da Diretora de RH ecoou na minha mente, muito mais sombrio agora do que há vinte minutos: O Sr. Vance nunca deve ser tocado. Sob nenhuma circunstância.

Um calafrio desceu pela minha espinha, misturando um terror com algo muito mais quente, muito mais perigoso, que se instalou no fundo do meu ventre. Engoli em seco, forçando meus olhos trêmulos a voltarem para a tela do computador, sentindo o peso do olhar daquele predador intocável queimando minha pele à distância.

Capítulo 2 O Toque e o Caos

O restante da minha primeira manhã na Vance Enterprises foi um borrão de ansiedade e tarefas mecânicas. Eu tentava desesperadamente focar nas planilhas de custos e na organização da caixa de e-mails, mas a cada cinco minutos, meus olhos traidores deslizavam na direção do aquário de vidro no centro da sala.

Arthur Vance havia escurecido a divisória novamente logo após aquele contato visual esmagador, me deixando com a sensação perturbadora de que eu havia imaginado toda a intensidade do momento. Mas o frio na barriga ainda estava lá, um lembrete físico de que o monstro estava na jaula ao lado.

Por volta das duas da tarde, a Sra. Montgomery finalmente apareceu. Ela era uma mulher de quarenta e poucos anos, com uma postura impecável, usando um terninho azul-marinho que gritava eficiência e falta de humor. Ela não me deu nem "bom dia". Apenas caminhou até a minha mesa e jogou uma pasta de couro preta pesada, selada com um fecho de metal, bem em cima do meu teclado.

- Estes são os relatórios de fusão da filial de Cingapura - ela disse, a voz seca. - Precisam da assinatura do Sr. Vance imediatamente. Os investidores asiáticos estão em uma videoconferência na linha dois, esperando pela confirmação.

Pisquei, olhando para a pasta e depois para ela.

- A senhora quer que eu... leve lá dentro?

Sra. Montgomery estreitou os olhos, suspirando como se a minha existência fosse um fardo exaustivo.

- Não, Srta. Martins. Eu quero que você use telepatia para transferir os papéis. É claro que é para você levar lá dentro! Eu tenho uma crise com o setor de Relações Públicas no andar de baixo para resolver. Você é a assistente dele agora. Assuma a função.

- Mas as regras... a Sra. Sterling disse... - tentei argumentar, meu coração já acelerando.

- Coloque a pasta na mesa dele, dê dois passos para trás e saia. Não é difícil, garota. Apenas não o toque e não o encare. Vá. Agora!

Ela girou nos calcanhares e desapareceu no corredor, me deixando sozinha com a bomba-relógio de couro nas mãos.

Engoli a seco, pegando a pasta e apertando-a contra o peito como se fosse um escudo. Levantei-me, alisei minha saia modesta e caminhei em direção à fortaleza de vidro. Cada passo parecia ecoar ensurdecedoramente na minha cabeça. Não olhe. Não toque. Fique em silêncio.

Parei diante da pesada porta de vidro automatizada. Havia um pequeno painel na lateral. Aproximei meu crachá recém-impresso. Um bipe suave soou, e a porta deslizou para o lado com um chiado quase inaudível.

O ar dentro do escritório do CEO era diferente. Era mais frio, talvez uns três graus abaixo do resto do prédio, e tinha um aroma inebriante, uma mistura de madeira de cedro e algo puramente masculino. O cheiro de Arthur Vance.

Lembrei-me da regra número dois e mantive meus olhos fixos no chão de mogno polido, caminhando a passos curtos e silenciosos. O escritório era imenso. Havia estantes repletas de livros encadernados em couro, um bar de cristal em um canto e uma área de estar com sofás de couro negro. Mas o centro de comando era a grande mesa em formato de "L", voltada para a janela panorâmica.

Eu não o vi de imediato. Quando finalmente ergui o olhar, apenas até a altura do peito dele, para não quebrar a regra do contato visual , percebi que ele não estava sentado.

Arthur estava de pé ao lado da mesa, inclinado sobre um enorme painel digital inclinado, que parecia um protótipo de tela sensível ao toque de altíssima tecnologia. Ele deslizava os dedos pela tela, manipulando gráficos complexos tridimensionais que flutuavam no vidro.

E foi aí que eu notei o detalhe que me fez prender a respiração.

Ele estava sem as luvas.

As famosas luvas de couro, sua marca registrada, repousavam esquecidas sobre a mesa de mogno. Suas mãos estavam nuas. Eram mãos grandes, de dedos longos e elegantes, as veias levemente saltadas sob a pele pálida. Vê-lo assim, expondo algo que o resto do mundo considerava proibido, parecia um vislumbre de uma intimidade que eu não tinha o direito de presenciar.

A atração foi tão súbita e hipnótica que eu hesitei. Meus pés pararam no meio do tapete felpudo.

O movimento no escritório cessou. Arthur parou de deslizar os dedos pela tela. Ele não se virou, mas sua voz, rouca e absurdamente autoritária, cortou o silêncio.

- Eu não me lembro de ter autorizado ninguém a entrar, Srta. Montgomery.

A voz dele enviou um choque térmico direto para o meu baixo-ventre. Tentei engolir o nó na garganta para responder, mas o pânico me emudeceu por um segundo longo demais.

Ele girou o corpo lentamente. Quando percebeu que não era a assistente sênior, sua postura mudou. Seus olhos cinzentos recaíram sobre mim, tão afiados que poderiam cortar vidro. A expressão de aborrecimento deu lugar a uma frieza calculista.

- Quem é você e o que faz na minha sala? - ele exigiu, o tom perigosamente baixo.

- C-Clara... Clara Martins, senhor - gaguejei, amaldiçoando minha própria voz trêmula. Lembrei-me de desviar o olhar dos olhos dele, focando no nó da sua gravata de seda escura. - Sou a nova assistente júnior. A Sra. Montgomery teve uma emergência. Eu... eu trouxe os relatórios de Cingapura para assinatura. Os investidores estão na linha.

Apontei estupidamente para a pasta em minhas mãos. Arthur me avaliou por um longo instante. O peso da sua atenção era quase físico, como se me pressionasse contra o chão. Ele

olhou para minhas roupas baratas, para meus sapatos sem graça, e então voltou ao meu rosto. Senti minhas bochechas queimarem.

- Deixe na mesa e saia - ele ordenou, virando-se de volta para a tela interativa, descartando minha existência tão rapidamente quanto a notara.

Senti uma pontada de irritação se misturar ao meu medo. Máquina programada para facilitar a vida dele. Era assim que eu devia agir.

Respirei fundo e apressei o passo para cruzar os metros que faltavam até a mesa. Eu só queria largar aquela maldita pasta e sair correndo para o ar seguro do corredor. Mas, na minha pressa cega, meu sapato esquerdo - cujo salto eu já havia colado duas vezes com supercola - prendeu na borda do espesso tapete persa.

O mundo pareceu entrar em câmera lenta.

Meu tornozelo virou. O impulso me jogou para frente. A pasta de couro voou das minhas mãos, batendo na quina da mesa de mogno e explodindo em uma chuva de documentos confidenciais. Mas isso era o menor dos meus problemas.

Eu estava caindo de mau jeito, e diretamente na minha trajetória estava a borda afiada da pesada mesa de centro de vidro temperado.

Fechei os olhos com força, encolhendo os ombros e erguendo os braços para proteger o rosto, preparando-me para a dor aguda do impacto. O som dos papéis se espalhando pelo chão foi ensurdecedor.

Mas o impacto com o vidro nunca veio.

Em vez disso, uma força brutal e incrivelmente ágil me interceptou no ar.

Ouvi um grunhido áspero. Um par de braços fortes envolveu minha cintura e a parte superior dos meus braços com uma precisão assustadora. O movimento foi tão abrupto que o ar foi expulso dos meus pulmões. O momento da queda foi interrompido por um peito largo e musculoso, firme como uma parede de pedra.

Meu cérebro demorou um segundo inteiro para processar a mudança de trajetória. Abri os olhos, ofegante.

Arthur Vance estava me segurando.

Ele havia se movido com uma rapidez letal para evitar que eu esmagasse o rosto no vidro. Suas mãos... suas mãos largas e descobertas estavam cravadas na minha cintura.

No momento da queda, minha blusa de botões havia escorregado levemente para cima. Os dedos longos e nus do bilionário estavam pressionados diretamente contra a pele

sensível e desprotegida do meu abdômen lateral, enquanto a outra mão apertava meu braço com firmeza. Pele com pele.

O tempo não apenas parou. Ele deixou de existir.

Eu esperava que ele me empurrasse com violência. Esperava que ele gritasse, que tivesse um ataque de pânico, que os seguranças entrassem correndo porque a assistente estúpida havia quebrado a regra número um e encostado no "Lorde de Gelo".

Mas nada disso aconteceu.

Arthur congelou no lugar. Eu estava prensada contra ele, meu rosto a centímetros de seu pescoço. Pude sentir a respiração dele falhar. Os músculos de seus braços ficaram tensos, duros como aço ao meu redor.

Aos poucos, ousei erguer meu rosto.

Ele não estava olhando para mim com repulsa. Ele estava olhando para o vazio, a mandíbula travada, as pupilas dilatadas de uma forma que devorava o cinza da sua íris. Sua respiração, antes controlada, agora saía em arfadas curtas e pesadas, batendo contra o topo da minha cabeça.

A pele dele, onde tocava a minha, era absurdamente quente. Não havia nojo. Não havia o menor indício de asco. O que estava irradiando do toque dele era uma corrente elétrica violenta, uma faísca crua que enviou um calor denso direto para o meu centro.

- S-senhor... - sussurrei, minha voz tão fraca que mal passou de um sopro. Tentei me afastar, ciente de que estava encostada em um homem que não suportava o toque humano.

Mas no instante em que movi meu corpo para trás, os dedos dele se apertaram na minha cintura, afundando na minha pele. Não foi um toque de quem queria soltar. Foi um toque

de possessividade absoluta. Um reflexo instintivo e predatório de quem acabara de encontrar algo que não queria largar.

Arthur finalmente baixou o olhar para o meu rosto. A distância entre nós era perigosamente íntima. O cheiro de cedro dele me envolveu, entorpecendo meus sentidos. Os olhos dele, agora tempestuosos e sombrios, varreram meus lábios entreabertos antes de se fixarem nos meus olhos.

O silêncio do escritório foi quebrado apenas pelo som alto e descompassado dos nossos corações.

Ao tocar a minha pele, o monstro de Arthur Vance não encontrou o medo ou o nojo de sempre. O que brilhava naqueles olhos cinzentos naquele momento era algo muito pior.

Era fome.

E ele estava olhando para mim como se eu fosse a única refeição que ele teve na vida inteira.

Capítulo 3 O Monstro Acorda

O ar ao nosso redor parecia ter se transformado em chumbo líquido. Cada milissegundo que eu passava prensada contra o corpo rígido de Arthur Vance parecia esticar o tempo até o limite da realidade.

Meus sentidos estavam em curto-circuito, bombardeados por uma sobrecarga de informações que meu cérebro de vinte e um anos simplesmente não conseguia processar. Eu sentia a aspereza do tecido do seu terno caríssimo roçando contra a minha bochecha quente. Sentia o cheiro embriagador que emanava do seu pescoço - uma mistura inebriante de madeira de cedro, vetiver, e um aroma almiscarado e puramente masculino que gritava poder. Mas, acima de tudo, eu sentia as mãos dele.

Mãos grandes, imponentes, nuas e absurdamente quentes, cravadas na minha cintura com uma força que me deixava absolutamente paralisada.

A regra. A maldita regra número um. O Sr. Vance nunca deve ser tocado.

O pânico começou a borbulhar na minha garganta, sufocando o oxigênio dos meus pulmões. O "Lorde de Gelo", o homem que não suportava a presença física de outro ser humano, que governava um império de bilhões por trás de luvas de couro e paredes de vidro à prova de som, estava me segurando. E eu estava encostada na pele nua dele.

Ele ia me demitir. Ele ia chamar a segurança. Os advogados dele iriam arrancar até o último centavo que eu não tinha. A imagem da minha avó sendo expulsa do leito do hospital piscou na minha mente, trazendo lágrimas de desespero aos meus olhos.

- S-senhor Vance... me perdoe - eu murmurei, a voz tão embargada que mal soou como minha. Tentei recuar, tentei empurrar o peito largo e duro dele com as minhas mãos trêmulas, que agora estavam espalmadas contra a seda da sua gravata.

A reação dele, no entanto, desafiou toda a lógica do que a Sra. Sterling havia me alertado.

Arthur não recuou com asco. Ele não gritou por socorro ou teve um ataque de pânico. Em vez disso, quando tentei me afastar, os dedos longos dele na minha cintura se contraíram. O aperto se tornou possessivo, afundando na minha pele desprotegida, onde a minha blusa havia subido durante a queda. O calor da palma da mão dele irradiou direto para a minha corrente sanguínea, causando um arrepio violento que desceu direto para o meu baixo-ventre.

Um som baixo, quase animalesco, vibrou fundo no peito dele.

Eu congelei debaixo daquele aperto. Lentamente, ousei erguer o rosto para encará-lo, esperando ver o repúdio desfigurando suas feições aristocráticas. Mas o que encontrei me deixou ainda mais aterrorizada.

Havia uma tempestade cinzenta naquelas íris. O olhar dele desceu da minha testa para os meus olhos, e então caiu pesadamente sobre a minha boca entreaberta. A respiração dele, que antes era rítmica e controlada, agora estava descompassada, batendo pesada e quente contra o meu rosto.

Foram precisos mais três longos segundos para que a mente brilhante do bilionário parecesse "reiniciar". O maxilar de Arthur travou com tanta força que um músculo saltou de forma visível em sua bochecha. Lentamente, como se estivesse lutando uma guerra brutal contra a própria vontade, ele começou a afrouxar o aperto.

Mas ele não me soltou de imediato. Seus dedos deslizaram pela minha cintura, roçando a pele sensível do meu abdômen milímetro por milímetro, antes de finalmente se afastarem.

O atrito deliberado causou uma trilha de fogo que me fez estremecer de forma incontrolável. Quando o ar frio e condicionado do escritório atingiu o local onde as mãos dele estavam, senti uma sensação bizarra e inexplicável de... vazio.

Dei dois passos largos para trás, quase tropeçando nos meus próprios pés novamente. Meu coração martelava contra as costelas como um pássaro enjaulado em pânico.

- E-eu tropecei, senhor. Sinto muito. Foi um acidente! Eu juro que não queria... eu não queria tocar... - disparei, atropelando as palavras, sem ousar olhar para o rosto dele novamente. Eu encarei os sapatos italianos perfeitamente polidos dele.

Caí de joelhos no tapete persa, minhas mãos tremendo tão violentamente que eu mal conseguia agarrar as folhas de papel. Os relatórios de Cingapura estavam espalhados pelo chão como confetes de um desastre anunciado. Gráficos, planilhas, termos de confidencialidade. Eu juntava tudo de forma caótica, amassando as bordas, querendo apenas que o chão se abrisse e me engolisse.

Arthur não disse uma única palavra. O silêncio dele era mil vezes mais opressivo do que um grito. Ele não chamou a segurança. Ele apenas ficou ali, de pé, uma estátua imponente projetando uma sombra densa sobre mim. Sentir a presença dele pairando enquanto eu rastejava no chão me fazia suar frio.

Enfiei os papéis de qualquer jeito dentro da pasta de couro, abracei-a contra o peito como se fosse minha única proteção e me levantei num pulo.

- Os papéis estão aqui, senhor. Para a sua assinatura. Com licença - sussurrei, deixando a pasta na beirada da mesa, o mais longe possível dele, mas ainda dentro do seu alcance.

Virei as costas e praticamente corri em direção à porta de vidro automatizada. Quando ela se abriu com um chiado suave, eu não olhei para trás. Atirei-me no corredor, o ar da antessala batendo no meu rosto febril como um choque de realidade.

Corri até a minha mesa, sentei-me na cadeira de forma desajeitada e escondi o rosto entre as mãos.

Minha respiração saía em soluços curtos e silenciosos. Eu estava tremendo da cabeça aos pés. O formigamento na minha cintura, onde os dedos dele haviam cravado, recusava-se a desaparecer. Parecia que ele havia deixado uma marca invisível ali.

Eu o toquei. A pele dele encostou na minha.

Eu havia acabado de destruir minha vida no meu primeiro dia de trabalho. Fechei os olhos, esperando o telefone na minha mesa tocar com a ordem sumária da Diretora de RH para que eu esvaziasse minhas gavetas e fosse escoltada para fora do prédio por guardas armados.

Passei os próximos vinte minutos em um estado de quase catatonia. Olhava para a tela do computador sem ler uma única palavra dos e-mails. Cada vez que uma luz piscava no painel do telefone, meu estômago despencava.

Mas o telefone não tocou. Ninguém veio.

O silêncio no ambiente continuou pesado, absoluto e assustadoramente calmo. E, no fundo da minha mente, a lembrança dos olhos cinzentos escurecidos de fome continuava a me assombrar, sussurrando que o verdadeiro pesadelo não seria a minha demissão. Seria o que ele faria se eu ficasse.

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