O homem olhava diretamente para seus documentos, queria estar preparado para quando sua secretária atual fosse embora. Analisou tudo novamente, e jogou-os na mesa. Ema era uma senhora de idade que fazia um excelente trabalho e Peter pagava um bom salário para ela não deixá-lo sozinho. Mas para seu azar, a senhora descobriu que sua única filha, que morava do outro lado da cidade, estava passando por uma doença difícil, e seria operada, e Peter como um bom chefe, liberou sua adorada secretaria para ela está com sua única filha.
Mas isso lhe custaria alguns momentos de paciência, porque ele gostava muito do trabalho dela.
Quando soube que teria que contratar uma nova secretaria, ligou para algumas agências e pediu, mas nenhuma outra o deixou certo de que contrataria. Deixou Ema cuidar disso então, pediu para ela escolher uma boa secretária para ficar em seu lugar. E como sempre, a velha tinha feito tudo certo. Pois sua secretária estava vindo para sua cidade apenas para trabalhar duas semanas ao seu lado, e pelo que tinha ouvido falar de moça, e de seus bons feitos, tinha gostado e não via a hora de conhecer.
- Sr Johnson? - O homem levantou a cabeça olhando diretamente para a senhora parada no batente da porta. Ela sorriu meigamente e entrou na sala, deixou uma pasta transparente em cima da mesa e juntou suas mãos no corpo. - Este é seu último investimento, basta assinar e mandar para seus pais que o aguardam em sua casa.
- Obrigado – ele pegou abrindo a porta e leu alguns trechos. - Como está sua filha?
- Melhorou, e não se preocupe com ela no momento eu creio que deva se preocupar apenas com seu casamento que está chegando, não é mesmo? – o homem levantou os olhos para ver a senhora sorrir.
E mais uma coisa, Peter Johnson, o empresário e administrador da empresa da família, estava noivo aos seus trinta e dois anos. Deixou a pasta na mesa e olhou para a senhora pensando no que ela tinha dito, e com toda razão. Devia pensar em seu casamento, mas não queria e nem se forçaria a isso. A mulher com quem casaria era apenas uma escolha de sua mente. Era bonita, charmosa, tinha um corpo bonito, e ficava calada quando ele queria. Não se preocupava com amor, ou afeto, coisa do tipo, mas queria muito se saciar com o corpo esbelto debaixo dos lençóis, para ele, isso já bastava.
- Não me interesso pelo casamento. – A senhora riu terna, sabia dos sentimentos do menino a sua frente, o conhecia desde pequeno, e queria que ele fosse feliz com uma mulher que o amasse de verdade, pois sua noiva atual, mais se preocupava com roupas de marcas e sapatos de luxo, sem contar no cartão sem limites que Peter tinha a dando de presente, e esse foi um erro muito grave.
- Pois devia meu senhor. Todos esperam muito de seu casamento com a senhorita Miriam. E ela o ama muito. – Falou mais terna ainda. Peter riu de lado e levantou arrumando o paletó. - Mas menino, eu torno a dizer que não devia escolher a mulher para viver ao seu lado apenas porque é boa na cama. Tinha que pensar mais nisso.
- Ema, sempre lhe respeitei muito, mas não quero ouvir o que tem a dizer sobre minha escolha de esposa. – A mulher confirmou. - Além de tudo, vou sentir sua falta, espero ansioso por sua volta. Sem você por aqui, será um tremendo caos.
- Oh não, não se preocupe com isso, eu mesma me encontrei com a secretária que irá me substituir, é uma mulher elegante, bonita, e tem um histórico perfeito. Quase não consigo trazê-la para cá. – Cantarolou a última parte, e Peter levantou uma das suas adoráveis sobrancelhas. - Você vai gostar dela, não é preguiçosa, é competente, do jeito que você gosta.
- Espero que sim – acenou com a cabeça e os dois viram a porta abrir subitamente e uma loira aparece sorrindo... e, quase vestida naquele dia. Talvez a moda desses dias não tenha ajudado ninguém. - Dafne?
- Meu amor, eu vim te visitar hoje. – disse já entrando sem ser anunciada, ou permitida a entrar naquela sala. - Olá.., e oi meu amor. – Parou em sua frente. Peter ficou olhando para ela e depois para a senhora que riu amigavelmente e saiu em seguida. - Não sei como consegue olhar para aquela senhora. - Perguntou olhando-se no espelho de mão que trazia na bolsa.
- Não se preocupe, a partir de amanhã terei uma nova – sentou de novo e a mulher fechou o espelho.
- Contratou uma nova secretaria? - Quis saber, extremamente interessada naquela declaração.
- Vamos dizer que sim. - Sorriu ao ver uma pontada de ciúme em cada olhar lançado em sua direção pela noiva.
- Até que fim vai se livrar da velha rabugenta – fez biquinho enquanto falava e foi para o lado de Peter, depois sentou em seu colo e beijou sua boca. Peter retribuiu, ele era um homem com um apetite sexual insaciável, jamais dispensaria sua noiva. - Fiquei pensando se poderia sair para almoçar comigo, e quem sabe, eu poderia ser a sua sobremesa. – perguntou maliciosa, Peter apenas riu de lado.
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- Espero que fique acomodada por aqui, senhorita Sobral – o síndico do prédio a qual alugou o quarto de hotel, falou ao seu lado, ignorou a aproximação do homem e focalizou seriamente no quarto branco com sacada mais na frente - gostou?
- Adorei, gosto de ver o mar – falou séria, indo até a sacada e deixou-se ser animada pela bela visão da praia mais embaixo. - Gostei muito.
- Que bom, suas malas chegaram daqui a pouco e o carro que pediu para alugar por duas semanas já está lá embaixo – falou entregando um chaveiro para a mulher. - foi o prazer recebê-la.
- O prazer é todo meu – o acompanhou até a porta e trancou quando o homem deu tchau. Finalmente sozinha, ela tirou o cachecol do seu pescoço e os saltos que queriam machucar seus pés, pisou no chão coberto pelo carpete e fechou os olhos sentindo o alívio. - Não pode ser tão ruim assim.
Falou para si mesma ao começar a andar pelo quarto que alugou. Era bonito e espaçoso. Nada muito luxuoso, ela não precisava de tanto luxo. A sala era grande, um sofá em forma de lua em tons cinza e branco ocupava boa parte dela, estava de frente para a TV de tela plana na parede. O tapete no meio, em cima dele uma mesinha de centro feita de vidro e os pés de cerâmica, tudo em branco e cinza, charmoso e perfeito.
Foi para o quarto onde dormiria. Ali, os tons branco e vermelho tomaram conta. A sacada do quarto também era de frente para a praia que ficava a alguns quilômetros do prédio.
Respirou fundo e ouviu a campainha tocar. Foi até a mesma e recebeu suas malas. Trancou a porta novamente e decidiu que dormiria um pouco. Estava cansada da viagem e na manhã seguinte, acordaria cedo para começar a trabalhar na empresa Johnson, da qual pouco ouviu falar, mas decidiu vir a pedido de uma amiga de longa data da sua mãe, ela precisava de uma substituta e Aline tinha acabado de perder o emprego porque não foi capaz de segurar o coração do seu chefe.
Passaria duas semanas ali, e depois voltaria para sua cidade.
O empresário Peter Johnson queria só uma secretaria para substituir a sua por duas semanas, concordou em contratar uma mulher competente e inteligente para estar ao seu lado por duas semanas. Mas seu coração, e nem seu corpo ficou calmo, ou colocar os olhos naquela mulher.. Era difícil pensar direito quando ela cruzou e descruzou as pernas, e ficou ainda mais, quando ela sorria e colocava a caneta entre seus dentes. Mas, ele também sabia brincar, e dominaria aquela mulher.
Aline abriu os olhos começando a sentir o calor do sol por todo o corpo, olhou ao redor e sentou devagar, apoiando seus cotovelos na cama. Reparou na janela aberta, devia ter fechado antes de dormir para não atrapalhar seu sono quando acordasse. Tirou o lençol das pernas e levantou da cama, foi direto para a janela e saiu da sacada. A visão era bonita, o sol tinha acabado de nascer, e misturando ao grande mar mais na frente, era a paisagem mais bonita que já tinha visto.
Entrou novamente e foi para o banheiro, olhou as horas rapidamente, não tinha passado das sete da manhã. Olhou-se no espelho do banheiro, ela não era uma mulher feia, nunca foi. Tinha a pele clara, e seios pequenos, a boca carnuda, mas nada que chamasse atenção, seus olhos eram verdes, muito verdes, ela pintou porque amava a cor, e todos ao seu redor gostaram, gostou até demais. Nunca deixou que a cor do seu cabelo revelasse algo para os outros, ou os fizessem duvidar de sua capacidade dentro de uma empresa.
Depois do banho, Aline entrou no quarto novamente, foi para as malas que não tinha arrumado e abriu à primeira. Procurar uma roupa para ir ao primeiro dia de trabalho não seria difícil quando ela já tinha escolhido. Pegou uma saia lápis cor vinho que não passava do joelho, e uma camisa de manga comprida com babados no lugar de botões. Pegou outra mala para buscar os saltos, da cor branca, destacando sua tornozeleira cor preta. Olhou no espelho do quarto gostando do que via. Tinha amado mais ainda aquele espelho enorme, sentirá falta quando fosse embora. Procurou por sua bolsa para começar a passar maquiagem, escolheu um batom da mesma cor da saia, forte, destacando seus lábios cheios. A sombra nos olhos da mesma cor da pele e o cabelo grande, longo e macio, solto, não estava com vontade de penteá-los naquela manhã, apenas arrumou, deixando-o quieto, como sempre.
Saindo do quarto, ela foi direto para a cozinha, onde preparou um pequeno copo de café da cafeteira sentada no banco da ilha que tinha na cozinha e abriu o primeiro dossiê que lhe mandaram. A empresa Johnson, era a mais famosa de Seant, vinha de geração a geração. O fundador foi Madara Johnson e desde então, a empresa só cresceu nas mãos da sua família. Enquanto lia tudo, ouviu a campainha tocar. Deixou o café na mesa e foi na direção da porta, abriu a mesma revelando uma senhora muito bem vestida dentro de um vestido da cor vermelha. Ela sorriu para a senhora.
- É a Ema? – Aline perguntou, ela confirmou. - É um prazer lhe conhecer, minha mãe fala demais sobre você.
- Sei que fala. Está pronta? – perguntou, Aline confirmou e entrou apenas para pegar sua bolsa e uma pasta preta. - Vamos indo, o senhor Johnson não gosta de atrasos, que fique sabendo logo.
- Pode deixar. Não me atrasarei. – Passou confiança. - Está de carro? – a senhora confirmou. - Então eu lhe sigo, aluguei um para não ter que pegar metrô, ou ir de táxi.
- Muito bom – a senhora saiu no estacionamento e sorriu para Aline. - Me siga e não se perca. Esse é meu último dia, memorize o caminho, por favor.
**+**
Peter chegou à empresa com as costas doendo, e o corpo ainda dolorido. A noite tinha sido boa, mas ele procurava saber qual foi a parte do espancamento que lhe deixou todo dolorido depois de três transas seguidas. Isso devia ajudá-lo a relaxar, não lhe destruir. Olhou para a mesa que ficava em frente a sua sala, não tinha Ema, e nem a nova secretária, esperava que não demorassem muito, ele teria uma reunião às dez da manhã e pretendia levar uma delas consigo. Não esperando muita coisa, ele entrou na sala. Procurou pela agenda que Ema deixou e olhou o que teria que fazer no dia seguinte.
Tinha que colocar a nova secretária a par daquela agenda, era sua e dos seus compromissos com todo mundo, se perdesse aquela, ele teria que ralar para conseguir todos os números de contatos novamente. Sentou na cadeira deitando o pescoço no encosto, tudo doía em seu corpo, mas logo, logo ficaria bom. Sentou direto e começou seu trabalho, chegava cedo à empresa, gostava do seu trabalho, queria sempre ter uma carta na manga, um lugar para construir algo que lhe desse dinheiro, coisas realmente importantes.
Depois de vinte e dois minutos trabalhando, ele ouviu uma risada baixa do outro lado da porta, era de Ema, ela tinha chegado e trazido à nova secretaria. Tentou ouvir a voz da mulher, ou uma risada, mas não teve nada. Voltou sua atenção para os documentos na mesa, estava projetando uma estratégia de comprar um terreno novo, seria perfeito para construir a casa que sua noiva, Ino, queria.
- Com licença senhor Johnson? – Ema abriu um pouco da porta, Peter riu de lado e deu total atenção para a senhora. - Me desculpe interromper – falou e entrou trazendo um copo de café, o preferido dele. - Queria que conhecesse a minha substituta – ela disse, lhe dando o currículo da moça.
Ela trabalhou em mais de quatro empresas, todas com mais de dois anos, e a última passou quase cinco, e foi demitida. Sem motivos aparentes. Peter gostou de saber que ela falava outras línguas, trabalhava direito com planilhas e tinha outros cursos que não eram tão importantes ali, mas ajudaria talvez. Aline Sobral era seu nome, jovem, com apenas vinte e nove anos.
- Parece uma boa pessoa – abaixou o currículo da mulher e encontrou um par de pernas muito elegante, bonitos e... - Porra!
- Parece uma boa pessoa – abaixou o currículo da mulher e encontrou um par de pernas muito elegante, bonitos e... - Porra!
Levantou da cadeira subindo seu olhar pelo corpo que não era de Ema com certeza, a cintura fina, a barriga que mal aparecia, os seios pequenos, o pescoço a amostra, a boca carnuda e... Os olhos verdes. Ele limpou a garganta voltando a olhar para o corpo dela, piscou duas vezes e olhou para Ema que sorria e voltou a olhar para a jovem.
- Sou Aline Sobral, senhor Johnson – ela lhe estendeu a mão. Peter hesitou em tocar na pele dela, mas tocou, e apertou sua mão.
Ela tinha a pele macia, ele logo sentiu, com certeza usava alguns cremes para pele, assim como sua noiva que tinha mais creme e maquiagem do que roupas e sapatos. Olhou para o rosto da nova secretária de novo, era tão bonita, com os olhos verdes, e que olhos eram aqueles? Nossa! Era tudo o que sua mente podia dizer "nossa".
- Peter Johnson – soltou a mão dela vendo o membro ir direto para o lado do corpo magro, queria ser aquele braço que escorreu para debaixo dos seios quando ela cruzou - é um prazer conhecer você.
- O prazer é todo meu. - "não, é nosso". Pensou sozinho e até riu.
- Certo, já se conhecem – Ema tomou iniciativa quando percebeu os olhares de Peter para cima da mulher. - Senhor Johnson, eu expliquei algumas coisas para Aline, e também informei que qualquer dúvida que tivesse ela podia vir até o senhor.
- Claro, sem problemas – ele sentou de novo. - Seja bem-vinda.
- Obrigada senhor Johnson. – disse sorrindo, aquele "senhor Johnson" tinha alguma coisa, porque aquela boca sussurrando não estava prestando.
- Já vamos indo, se precisar é só ligar para a mesa dela agora. – as duas riram baixo e viraram as costas.
Peter estreitou os olhos vendo o rebolado pequeno da mulher de cabelo curto dentro da saia curta que mostrava suas pernas. Aquilo com certeza mexeu com seu pau, porque ele despertou cedo naquela manhã.
Aline saiu da sala do novo chefe com o coração acelerado, olhou para a senhora que circulava a mesa em que trabalharia e pegou sua bolsa logo em cima, olhou para Aline e riu de lado, querendo muito que a nova secretária ficasse confortável naquele lugar. Sabia que nem sempre as pessoas procuravam por Peter sem avisar antes, ligavam primeiro para saber que podiam subir e falar com Peter Johnson, o dono de todo o prédio em que trabalhavam. A única pessoa que não fazia isso, era sua noiva: Dafne Miriam, a única dentre todos que não ligava e nem pedia permissão para entrar na sala, apenas chegava, entrava, conseguia o que queria e voltava.
- Ele tem uma reunião às dez horas da manhã, você precisava estar pronta quando ele sair, com um tablet na mão e anotar tudo o que for decidido lá – explicava Ema a Aline que entendia tudo. - Ele também tem uma agenda que discute tudo que aconteceu no dia anterior. Antes de ir embora, você tem que ir com ele para saber o que vão fazer amanhã e lhe informar do que já está marcado.
- Certo. – confirmou, tinha entendido.
- Ah, ninguém pode entrar na sala dele sem ser anunciado, porém, a uma mulher que não precisa ser anunciada, e não é porque tem acesso livre, é porque é sem educação e entra quando quer. – Aline olhou para a porta em frente à mesa e pra senhora depois.
- Quem é? Sua mãe? – sentou na cadeira, e olhou diretamente para a porta, ficando bem na sua frente. Sentiu as pernas tremerem.
- Quem dera fosse. É a sua noiva – Aline olhou pra senhora. Claro, um homem daquele tamanho, com aquela beleza, só podia ser casado, ou quase casado. - Não se preocupe com Dafne Miriam.
- Dafne? A Dafne Miriam? A modelo? – Perguntou incrédula. - Entendi.
Via aquela mulher em muitas revistas de moda com sua maquiagem excessiva e cabelo sempre arrumado, perfeita para qualquer homem que caia aos seus pés. Era bonita, rica, e uma devoradora de cremes para beleza. E maquiagem.
- Sim, ela mesma – olhou para o relógio e depois para Aline. - Ok, eu preciso ir agora, meu ônibus sai da cidade em poucos minutos – foi até a mulher dando um beijo em seu rosto - se cuide, e qualquer dúvida, vá até a sala de Peter, eu não estarei disponível nem para uma ligação. Mande um beijo pra sua mãe por mim – despediu-se e esperou o elevador chegar para ir embora.
Aline ficou sentada ali, esperando que tudo acontecesse. Não era muita coisa que tinha que fazer, além de atender os telefonemas que chegariam, marcar algumas reuniões e estar do lado daquele homem quando fosse para as reuniões, nada que já não tivesse feito antes. Na empresa em que trabalhava, ela fazia a mesma coisa. Olhou ao redor, tinha muitas coisas sob a mesa, papéis e planilhas, entre elas, estavam uma em que distribuía lucros de seus patrimônios pela cidade, uma coisa importante para está ali. Aline ficou olhando por segundos antes de perceber uma coisa muito errada.
O ramo de comunicação era mais importante que o de entretenimento, porque as pessoas necessitavam de transporte e se comunicar com todo mundo, contudo, a empresa Johnson parecia não saber disso, e mandou uma grande quantidade para o entretenimento, como se, se comunicar com as pessoas, não fosse importante.
- Algum problema? – Aline levantou da cadeira olhando para o rosto do seu chefe. Engoliu a seco antes de falar alguma coisa.
- Não senhor, me desculpe – abaixou a cabeça fechando todo o documento. - Eu só estava vendo... Nada – lhe entregou o documento, Peter olhou para as planilhas e riu de lado.
- Sabe? O mais importante para as pessoas hoje em dia, sair das coisas mais pretas e brancas – Aline ficou de pé o vendo caminhar pelo espaço que tinha entre sua mesa e a porta de sua sala - coisas para entreter, principalmente as crianças. Não acha?
Aline ficou calada, abaixou a cabeça e sentou.
- Não sou a pessoa certa para opinar, senhor Johnson. – disse. Peter olhava para a boca dela, pintada de vinho, uma tentação, por assim dizer. - Acho que devia investir no que lhe trás mais dinheiro.
- Correto! - olhou novamente para as planilhas e por cima delas, viu Aline revirar os olhos, e morder os lábios. - Algum problema? – ela levantou a cabeça, os olhos dela eram tão bonitos.
- Não acho que entretenimento traga tanto lucro assim, o mais importante é as pessoas se comunicarem, acho que elas preferem apenas um aplicativo novo, ou um novo modelo de celular. – Falou de uma vez. Peter piscou, ela abaixou a cabeça, tinha a língua grande e isso sempre lhe condenava.
- Até que fim – Peter olhou para o elevador, e um homem surgiu vestido de terno e de cabelo loiro, seu sócio, Kevin Araújo. - já vim buscá-lo, mas é claro, chegou há dez minutos. – desligou o telefone e parou na frente do amigo. - Pronto para mais uma parceria meu amigo? – virou o rosto para cumprimentar a "senhora"... - Meu Deus.
- Olá, sou Aline, a nova secretária do senhor Johnson. – Kevin ficou parado olhando pra ela. Estendeu a mão para ele, e Kevin a beijou, lentamente, olhando para o rosto da mulher e depois para o corpo.
- É um prazer conhecer você, Aline. – Olhou para Peter e depois para ela. - Amigo, nós precisamos conversar agora – empurrou Peter de volta para sua sala, e trancou a porta depois - Quem é essa gostosa?
- Minha nova secretária – respondeu, olhando para a porta fechada - não a chame assim, mais respeito, por favor.
- Como não chamar assim? – mordeu o dedo na boca e olhou para o chefe. - É uma gata. Acha que Dafne vai gostar?
- Não quero que agrade ninguém, eu quero apenas que faça seu trabalho direito, e você também procure o que fazer. – Saiu da sala novamente, e encontrou a mulher já de pé, com um sorriso no rosto. - Precisa de alguma coisa?
- Não. A senhora Ema me disse que tinha uma reunião às dez horas, e falou para que o acompanhasse – Peter concordou, lhe entregando sua agenda, Aline pegou um dos tablet.
- Vamos indo – falou indo em direção ao elevador, ele se abriu minutos depois e entraram. Aline entrou primeiro e ficou do lado esquerdo, Peter do lado direito e Kevin na frente, pois foi o último a entrar.
Ali dentro, o silêncio reinou intensamente, Peter vez ou outra cruzava seus dedos, ou apertava um, Kevin apenas suspirava, sentindo o cheiro que vinha dela. Peter desviou o olhar por dois segundos para encarar a menina de canto de olho, ela estava séria, deixando seus lábios formarem um bico agradável. Riu. Desceu o olhar para o tronco do corpo ao lado, e a primeira coisa que percebeu foi o tamanho da bunda dela. Não era lá uma coisa grande, mas lhe atraiu a ponto de pigarrear desviando olhar, não podia sequer tocar em outra mulher quando a sua não parava de lhe ligar pedindo uma opinião para o casamento.
Coisa que Peter não sabia por onde começar.
A porta se abriu depois de dois minutos e lá estavam eles, na maior sala de reunião no andar abaixo do de Peter, ele deixou a cobertura para sua sala, e os dois andares abaixo do seu para o resto do seu "escritório" ele não gostava de trabalhar com barulho, por isso, exigiu que tudo ficasse do seu conforto. Foi o primeiro a sair do elevador, cumprimentou algumas pessoas e notou olhares atrás, mas não ligou. Chegou na porta da sala de reuniões e abriu, deixou Aline passar primeiro, depois Kevin que foi olhando diretamente para a bunda dela e depois entrou.
Quando parou diante dos homens que tratavam de suas coisas, todos olhavam diretamente para Aline, sem saber o que dizer. O Johnson revirou os olhos e se sentou na cadeira que tinha seu nome, bateu os documentos que trazia nas mãos na mesa chamando atenção.
- Essa é Aline Sobral, irá substituir Ema por duas semanas, alguma pergunta? – todos levantaram a mão. Peter olhou para Kevin que abaixou a sua. - Vamos começar isso logo – resmungou abrindo sua pasta.
Dentro daquela sala, tudo parecia pequeno quando não conseguia mais levantar a cabeça e encarar qualquer homem que fosse. Peter sentou em sua cadeira lhe apresentando, sorriu com educação e passou a prestar atenção em seu chefe que começava o discurso de melhor empresa já de pé por aqueles anos. Acomodou-se ao lado, abrindo o tablet para começar a escrever tudo o que seria dito e decidido ali, e depois discutiria com Peter, como Ema lhe tinha instruído.
- O novo projeto exige que demos toda a nossa atenção, não vamos apenas lançar mais um e deixar a mercê das pessoas normais para decidirem se é bom, ou não – uns concordaram. - Precisamos de marketing, uma equipe especializada para tal.
- Sim, claramente. Não vamos colocar qualquer pessoa para fazer um trabalho mal feito. Por isso, decidir por mim mesmo, caso o senhor fosse precisasse o que no caso, precisou, eu separei algumas listas de empresas que podem nos ajudar – falou Shikamaru, o homem sentado à esquerda duas cadeiras a frente de Peter. - São as melhores desse ramo, e seis dela, trabalham aqui no prédio Johnson.
- Aline – ela despertou do seu modo concentrada e foi para o lado de Peter.
- Senhor Johnson – aquele "senhor Johnson" novamente preencheu os ouvidos de Peter, ele sentiu sua pele arrepiar, a voz dela era delicada, decidida, cheia de atitude e humildade, tão rara que chegava a despertar seu interior.
- Pegue as pastas, e distribua – deu a ordem para a mulher que deixou o tablet na ponta da mesa, foi até o homem a duas cadeiras na frente de Peter e pegou as pastas que tinha na lista.
Na mesa tinha nove homens, quatro de cada lado, e Peter no meio, como um bom chefe. Aline começou do lado esquerdo, ficando entre o quarto e o terceiro, abaixou um pouco para colocar e abrir na frente do homem, Peter olhou para os movimentos com certa atenção, quando Scott voltou a falar de algumas empresas. Ela voltou-se para o outro, ficando entre o terceiro e segundo e abaixou mais um pouco, dessa vez, Peter olhou para suas pernas, e estreitou os olhos ao ver algo colorido saindo da saia de Aline. Ela passou por Scot, já que esse tinha a lista e foi para o primeiro ao lado de Peter, onde abaixou novamente e Peter percebeu ser a metade de uma flor desenhada em sua pele. Uma tatuagem, a sua secretaria de pernas bonitas e que sussurrava "senhor Johnson" tinha uma tatuagem pequena de florzinha.
Quando foi para ela deixar o papel na sua mesa, ela agachou um pouco ele não pôde ver claramente os seios dela, mas a visão por cima foi muito boa. Aline não vestia roupas para torturar nenhum homem, estava formal e gostosa ao mesmo tempo, podia se controlar. Ela deu a volta em sua cadeira e entregou a lista para Kevin enquanto Scott continuava a falar, mas foi só Aline virar as costas e agachar um pouco quando Kevin quis lhe dizer algo no ouvido, que Peter percebeu outra flor em sua pele, agora na parte de trás de suas pernas, ele pôde ver claramente uma flor rosa, com o miolo amarelado, mas não via o caule, ou o final.
- Essa foi minha escolha, eles são os melhores nesse ramo, e, já fizeram outros trabalhos para nós – Peter olhou para Scott.
Quando a reunião acabou, eram mais de onze da manhã, faltava pouco para o meio dia. Aline arrumou os papéis que Peter precisava levar e esperou ele terminar de cumprimentar a todos para começar a segui-lo de volta para o elevador.
- E aí, vamos almoçar onde hoje? – Kevin perguntou indo com o amigo para dentro do elevador.
- Ainda não sei. Quem fazia as reservas eram Ema – Aline olhou para Peter sentindo suas pernas tremer com o olhar feroz, ela ofegou e respirou fundo.
- Me desculpe, senhor Johnson – "senhor Johnson" - Eu não sabia, prometo fazer as reservas de amanhã – as portas do elevador se abriram e ela saiu primeiro, Kevin logo atrás olhando para a bunda avantajada da mulher, uma tentação.
- Claro que fará – ele tentou ainda ver a tatuagem nos dois pontos, mas não deu - E como punição, irá vir conosco – Aline que já tinha sentado olhou para o chefe que sorriu de lado, Kevin estava de braços cruzados, esperando pela resposta.
- É uma ordem... Senhor Johnson?
- Não.
- Me perdoe então, vou declinar no convite – Kevin estreitou os olhos, como assim ela tinha se recusado a almoçar com eles? Sempre achou que Peter fosse o desejado, e ele logo atrás, não esperava que uma mulher como ela, fosse rejeitar.
- Está desobedecendo? – perguntou Kevin.
- Ele disse que não era uma ordem – riu para os dois homens. Peter concordou com a cabeça e entrou na sua sala, saiu pouco tempo depois segurando o celular no ouvido, passou por Aline sem dizer nada e Kevin o seguiu.
- Tá. Te encontro mais tarde – desligou o telefone e olhou para o amigo que ainda estava incrédulo – o que foi?
- Você viu quanta petulância aquela mulher tem? – Peter revirou os olhos guardando o celular - me perdoe, mas vou declinar do convite – imitou a voz afeminada, fazendo Peter rir.
- A deixe.
- Você nunca pediu pra Ema fazer reservas em algum lugar só pra gente almoçar – Peter riu e foi seguido por Kevin.
- Não acredito que ela irá levar isso a sério, foi apenas para ver sua reação – os dois saíram do elevador.
Pouco depois das duas da tarde, Peter voltou, quando a porta do elevador se abriu, encontrou a mulher sentada e escrevendo alguma coisa rápido demais. Ela sorriu, esperando que falasse algo, mas ele não o fez. Com um sorriso no rosto, ele entrou e não fechou a porta, foi até sua mesa, tirou o paletó colocando no encosto da cadeira e se sentou. Levantou um pouco a blusa branca até os cotovelos e olhou para frente, a mulher parecia tranquila. Na verdade, ele deixou a porta aberta porque queria ver a maldita tatuagem, não sabia como, mas podia ao menos ver suas pernas.
Porém, uma coisa lhe chamou atenção, a porra da mesa da sua secretaria era fechada na frente, ele riu de lado, mandaria trocar aquilo o quanto antes. Queria saber de onde aquelas flores começavam, e onde terminavam.
Antes das oito da noite, Peter estava concentrado demais em seu trabalho, o novo projeto de seus sonhos, era conseguir abrir uma filial nos Estados Unidos, sua empresa crescendo e expandindo seria perfeito. Ali, os empreendimentos cresceram cada vez mais, o que foi confirmado poucos minutos antes de alguém bater na sua porta. Ele deixou entrar e teve o deleite de assistir belas pernas vir em sua direção.
- Senhor Johnson, sua agenda precisa ser modificada? – perguntou calma, terna, olhando em seus olhos.
- O que temos para amanhã? – perguntou, respirando fundo para engolir o maldito "senhor Johnson".
- Tem uma reunião às sete e meia, Mateus Santos só tem esse horário antes de voltar para sua cidade – falou, lendo o que estava escrito - tens que passar na casa de sua mãe ao meio dia, é de extrema importância – Peter revirou os olhos - à tarde, tem um encontro com sua noiva.
- Hm – ele esperou ela levantar a cabeça para lhe olhar diretamente - tudo ok, você já pode ir embora.
Ela riu e deu as costas, desfilando até a porta, onde passou e deixou aberta. Peter estreitou os olhos, franzindo o cenho, ela andou até sua mesa, pegou a bolsa ao lado e inclinou para desligar o computador, Peter, agora, pôde ver de longe o volume por cima dos panos e a parte de cima dos seios. Por último, ela colocou a bolsa no ombro e foi atravessando a mesa quando se lembrou do celular, em frente à mesa, ela debruçou sobre para pegar o celular na cadeira, Peter se engasgou com o vinho Tinto que tomava limpando sua boca logo em seguida, e quando voltou a olhar, ela não estava mais lá.
De olhos arregalados, ele começou a respirar rápido, ele não tinha visto a calcinha de renda vermelha, não, ele não tinha visto. Pegou a sua agenda e respirou fundo, abriu a mesma e folheou até achar a última folha que foi gasta, anotaria no seu celular e botaria um alarme para não se esquecer de nada, mas, assim que achou a página, tinha um bilhete colado nela, a letra bonita junto às palavras chocante, fizeram o Johnson se afastar na mesa fazendo a cadeira se arrastar pela cerâmica branca. Ele passou a mão no rosto e olhou pra mesa dela.
- Vamos ver... – ela tinha entendido o que ele tentou fazer, e foi um golpe baixo para seu ego.
"Eu não sou seduzível, senhor Johnson, mas sei seduzir".