ARIA
"Sorria, Aria." Meu pai disse baixinho. O tom de advertência na voz dele fez minha espinha enrijecer. Eu conhecia aquele tom a vida inteira.
Ao nosso redor, a decoração do salão de baile brilhava. O salão e o lounge estavam lotados de convidados ricos, champanhe caro e risadas falsas.
Todos pareciam felizes.
Era a festa perfeita.
Mas parada ao lado do meu pai, obrigada a cumprimentar pessoas que eu mal conhecia, eu me sentia como um enfeite posicionado ao lado dele.
Meu sorriso permanecia nos lábios, mas meus dedos apertavam cada vez mais a taça de champanhe.
Eu me pegava olhando novamente para as portas do salão... imaginando quanto tempo ainda faltava para eu poder ir embora.
Mantive o sorriso no rosto mesmo assim. Anos de prática tornavam isso fácil.
"Sr. Bennett, sua filha está deslumbrante esta noite", disse um dos sócios dele, com o olhar demorando um segundo a mais.
"Tarado", murmurei baixinho.
"Obrigado", meu pai respondeu com um sorriso largo, pousando a mão firme no meu ombro. "Aria entende como esses eventos são importantes e sempre se veste da melhor forma."
Importante.
Essa era a palavra favorita dele.
Tudo na minha vida era importante para ele: minha escola, meus amigos, até a forma como eu me vestia, até com quem eu saía.
Tudo, menos o que eu realmente queria.
Franzi a testa só de pensar em como ele me impediu de entrar para o grupo de dança da escola. Insistiu que era coisa de "gente sem classe" e que eu acabaria inútil como minha irmã mais velha, que fugiu com o namorado depois de tanta pressão.
Ela cansou de ser mandada e de ser a filhinha do papai.
Às vezes eu me perguntava como seria minha vida se eu tomasse ao menos uma decisão por mim mesma. Se eu resolvesse seguir os passos da minha irmã.
Mas eu sabia que não seria tão fácil quanto parecia.
Quando outro convidado se aproximou, ouvi um sussurro familiar ao meu lado.
"Meu Deus, você parece uma refém."
Virei ligeiramente e vi Ashley, minha melhor amiga, segurando uma taça de champanhe com um sorriso travesso.
Senti um alívio imediato ao vê-la. Ashley também tinha sido arrastada pelo pai. A diferença era que o dela se certificava de que ela estivesse realmente feliz e se divertindo.
Olhei para os cachos selvagens dela e para a tatuagem que aparecia na manga - algo que o pai dela até incentivava. Já o meu nem suportaria ver um pontinho sequer no meu corpo.
"Você não faz ideia", murmurei, fechando o punho atrás das costas para esconder qualquer sinal de frustração.
Ashley se aproximou mais, baixando a voz.
"Claro que faço. Você está com cara de quem quer fugir daqui", acrescentou, sorrindo.
"É óbvio. Qualquer chance que eu tiver, eu fujo."
"Então foge comigo por um dia." Ela murmurou baixinho.
Franzi a testa.
"Fugir pra onde?"
O sorriso dela se alargou.
"Um lugar que faria seu pai surtar se soubesse que você esteve lá."
Olhei para ela como um filhotinho perdido.
Ashley ergueu a taça e deu um gole lento.
"Estou falando sério", disse. "Vamos sair daqui. A festa está ficando chata mesmo."
Olhei para o meu pai. Ele já estava em uma conversa profunda com outro grupo de empresários, rindo alto como se fosse o dono do lugar.
O que, tecnicamente, ele era.
"Você sabe que ele vai notar se eu sumir", eu disse.
Ashley revirou os olhos.
"Por favor. Seu pai está ocupado demais impressionando os sócios para perceber que a filha desapareceu. Além disso, está escuro. Ele nem vai notar. Vai achar que você voltou pra casa."
Ela se inclinou mais perto.
"Além do mais... eu conheço um lugar bem mais interessante que esse salão chato."
Ergui uma sobrancelha.
"Interessante como?"
O sorriso dela ficou mais sombrio.
"Perigosamente interessante."
Isso deveria ter sido o suficiente para eu dizer não. Porque eu sabia que o "perigoso" da Ashley não era nada bom.
Meu pai passou a vida inteira me alertando sobre lugares perigosos e pessoas perigosas.
Mas parada ali, dentro daquele vestido sufocante, sorrindo para estranhos enquanto meu pai me exibia como parte do império dele...
O perigo de repente soava tentador.
"Que tipo de lugar estamos falando?" perguntei, agora mais interessada.
Ashley olhou ao redor para ter certeza de que ninguém estava escutando.
Então baixou a voz ainda mais.
"Um clube privado."
Franzi a testa.
"Isso não parece tão chocante, excitante ou perigoso."
"Ah," ela arquejou, ainda sorrindo. "Não é o tipo normal de clube."
O jeito como ela falou fez algo apertar no meu peito.
"O que você quer dizer?" perguntei, desconfiada.
Ashley se aproximou até os lábios quase tocarem minha orelha.
"Do tipo que você vai perder a linha quando vir."
Olhei para ela.
"Isso parece uma péssima ideia."
O sorriso dela se alargou.
"Exatamente."
Antes que eu pudesse responder, ela segurou minha mão e me puxou gentilmente.
"Vamos. Uma noite de liberdade não vai te matar. Você nunca viveu de verdade o que é isso."
Hesitei, olhando para o meu pai.
Do outro lado do salão, ele jogava a cabeça para trás rindo enquanto alguém elogiava o último negócio dele.
Nem olhou na minha direção. Era como se tivesse esquecido que eu estava ali com ele.
Por um momento, algo rebelde se acendeu dentro de mim.
Talvez Ashley tivesse razão. Talvez eu merecesse uma noite que não fosse controlada pelo meu pai.
Soltei o ar devagar.
"Tá bom", murmurei.
Os olhos de Ashley brilharam.
"Perfeito."
Ela passou o braço pelo meu e me guiou em direção à saída.
Ashley e eu saímos pela porta lateral do salão, passando pelos seguranças e convidados curiosos.
O ar da cidade bateu no meu rosto e eu inspirei fundo. Pela primeira vez naquela noite, consegui respirar.
Ashley sorriu.
"Viu? Bem melhor aqui fora. Vamos, a diversão de verdade começa agora."
Hesitei, olhando para trás, para o salão brilhante. Meu pai ainda ria, apertava mãos, sem fazer ideia de que eu havia escapado.
"Tem certeza de que esse lugar é... seguro?" sussurrei.
Ashley deu um sorrisinho.
"Seguro? Provavelmente não. Mas é o tipo de lugar que faria seu pai surtar. E confia em mim... você vai adorar."
Meu coração batia forte, uma mistura de medo e excitação. Talvez eu precisasse disso... uma noite só minha.
A porta se fechou atrás de nós com um baque pesado, cortando as risadas falsas e o tilintar das taças. De repente, o ar parecia diferente, mais fresco. Meu coração martelava tão forte que eu sentia na garganta.
A viagem até o lugar foi curta. Assim que saímos do carro, Ashley apertou meu braço.
"Respira, Aria. Você está bem."
Caminhamos por um corredor curto e escuro. Luzes vermelhas e douradas brilhavam suavemente nas paredes, gritando perigo. Meus saltos batiam no chão de concreto. A cada passo, eu repensava minha decisão.
Então o corredor se abriu para um salão enorme.
Estava escuro, quente e perigoso. Correntes pendiam do teto, captando a luz e brilhando como estrelas. Uma música baixa preenchia o ar. Gemidos suaves e suspiros altos flutuavam ao nosso redor, e cada som me atingia em cheio.
Minha pele arrepiou. Meus mamilos endureceram contra o tecido do vestido antes que eu pudesse impedir.
À esquerda, uma mulher nua estava amarrada em um grande X de madeira na parede. Braços e pernas bem abertos, pulsos e tornozelos presos em algemas grossas pretas. A boceta rosada e molhada dela estava completamente exposta para todos verem.
Um homem estava atrás dela, arrastando lentamente um chicote de couro macio pelas costas nuas. As tiras roçavam a pele dela com suavidade e ela tremia.
Então o chicote acertou. Não com muita força, mas o suficiente para ela soltar um gemido alto e arquear as costas. A boca se abriu em um grito silencioso que virou um gemido baixo e trêmulo.
Linhas vermelhas se espalharam pela pele dela. Parecia... perdida na sensação. Como se a ardência estivesse se transformando em algo doce bem no fundo dela.
Apertei as coxas sem pensar. Um calor se espalhou pela minha barriga baixa.
Ashley sussurrou:
"Está sentindo?"
Não consegui responder. Minha boca estava seca.
Ao lado deles havia um banco. Um homem estava deitado sobre ele, nu da cintura para baixo, pulsos e tornozelos amarrados. Uma mulher de botas pretas brilhantes estava ao lado dele. Ela fazia círculos lentos na bunda dele com a palma da mão, quase carinhosa, depois ergueu uma palmatória larga de couro.
Pá.
O corpo inteiro dele se sacudiu. Uma marca vermelha apareceu instantaneamente. Ele gemeu fundo na garganta, os quadris se movendo contra o banco como se não conseguisse se controlar.
Ela se inclinou, os lábios perto da orelha dele, sussurrando algo que não consegui ouvir. O pau dele endureceu na hora e começou a vazar pré-gozo. Ela sorriu e bateu de novo.
"Mais forte." Ele implorou, um som cru e necessitado que fez um calor inundar entre minhas pernas.
Eu estava ficando molhada só de assistir. Minha respiração estava curta, as mãos tremiam um pouco.
Para onde eu olhava, as pessoas se tocavam, saboreavam, machucavam e acalmavam umas às outras.
Mais à frente, um homem estava ajoelhado entre as coxas abertas de uma mulher no sofá. Ela estava vendada, com as mãos amarradas atrás das costas dele. Ela cavalgava o rosto dele devagar, se esfregando enquanto ele lambia desesperado.
Os dedos dela estavam enroscados no cabelo dele, puxando com força. Os gemidos abafados dele vibravam contra ela. Ela jogou a cabeça para trás e gozou com um grito agudo que ecoou pelo salão vermelho.
Meu corpo inteiro estava quente demais e meu clitóris latejava a cada segundo. Eu queria apertar as pernas com mais força, mas tinha medo de gemer se fizesse isso.
Ashley se inclinou, os lábios roçando minha orelha. O hálito dela estava quente e ainda cheirava levemente a champanhe.
"Ainda acha que foi uma má ideia?" perguntou, com a voz rouca.
Engoli em seco. Minha voz saiu baixa e trêmula.
"Eu... não consigo pensar direito."
Ela riu baixinho.
"Ótimo. Significa que está funcionando."
Arrastei os olhos para longe da cena à minha frente, tentando acalmar o coração acelerado. O salão parecia quente demais, barulhento demais, intenso demais.
E mesmo assim eu não conseguia parar de olhar.
De repente, a música baixou um pouco, mas não parou. Só o suficiente para as pessoas começarem a se mexer.
A mudança foi sutil, mas perceptível.
Algumas cabeças se viraram para a entrada do salão.
Alguns se afastaram, abrindo espaço. Franzi a testa, seguindo o olhar deles.
Um homem alto entrou no salão. Ele não estava vestido como os outros.
Sem máscara, sem couro.
Apenas calça preta, camisa escura com as mangas dobradas até os antebraços e a confiança silenciosa de quem não precisava provar nada.
Ele caminhava devagar pela multidão.
As pessoas o cumprimentavam com acenos e alguns abriam caminho imediatamente. Outros o observavam com algo próximo a respeito ou medo.
Meu estômago se contraiu.
"Quem é esse?" sussurrei.
Ashley não respondeu de imediato. Em vez disso, deu uma risadinha baixa.
"Nossa..." murmurou. "Você escolheu a noite certa."
Olhei para ela, confusa.
"O que isso significa?"
Ela se aproximou da minha orelha mais uma vez.
"Aquele ali", disse baixinho, "é o dominante mais temido e respeitado deste clube. Perito em fazer suas submissas sentirem dor e prazer ao mesmo tempo."
Meus olhos voltaram para ele imediatamente. Como se sentisse meu olhar, o homem parou de andar.
Ele ergueu a cabeça devagar.
Nossos olhares se encontraram através do salão lotado. E por um segundo, tudo ao nosso redor desapareceu.
O olhar dele percorreu lentamente meu rosto... os olhos com uma expressão indecifrável.
Meu coração bateu ainda mais forte.
Tive a estranha sensação de que ele conseguia ver tudo.
O nervosismo, a curiosidade, o calor ainda queimando sob minha pele, a umidade entre minhas coxas.
Então, devagar, ele ergueu o canto da boca em um sorriso arrogante.
E começou a caminhar na minha direção.
ARIA POV
O homem parou a poucos passos à minha frente.
De perto, ele era ainda mais intimidante. Alto, calmo, com ombros largos. Parecia ter completo domínio sobre si mesmo.
As luzes vermelhas do salão iluminavam seu rosto, projetando sombras escuras ao longo do maxilar. As mangas da camisa estavam dobradas até os antebraços, revelando mãos fortes, cobertas de tatuagens que pareciam acostumadas a serem obedecidas.
Ele me estudava em silêncio. Não estava apenas olhando - estava me observando. Como se eu fosse algo interessante que ele acabara de descobrir.
Então ele falou:
- Primeira vez aqui.
A voz dele carregava autoridade.
Não era uma pergunta.
Minha espinha se endireitou imediatamente. Era tão óbvio assim? Levantei o queixo, tentando não parecer nervosa.
- Está tão na cara? - perguntei.
O canto da boca dele se ergueu levemente.
- Só para quem conhece bem este lugar - respondeu, cheio de confiança.
Algo naquela calma e segurança dele fez meu estômago se contrair. Ele estendeu a mão na minha direção.
- Adrian.
Só Adrian. Sem sobrenome.
Hesitei por meio segundo antes de colocar minha mão na dele.
O aperto era quente e firme, mas gentil.
No instante em que nossos dedos se tocaram, quase puxei a mão de volta.
- Aria - eu disse.
Os olhos dele desceram por mim, me avaliando.
- Aria - repetiu devagar.
A forma como ele pronunciou meu nome fez um calor subir pela minha nuca. Depois seu olhar percorreu o salão antes de voltar para mim.
- Você está observando tudo com muita atenção - comentou de repente.
Franzi a testa.
- O que isso significa?
Ele inclinou a cabeça ligeiramente.
- As pessoas que frequentam este lugar ou que vêm com frequência não ficam tão chocadas.
Cruzei os braços.
- Talvez eu seja apenas observadora.
Um pequeno sorriso surgiu nos lábios dele.
- Talvez.
Então ele se inclinou um pouco mais perto, baixando a voz apenas o suficiente para que só eu ouvisse.
- Ou talvez você tenha entrado em algo que não entende... algo perigoso.
Um arrepio suave desceu pela minha espinha.
Desviei o olhar dele e olhei novamente ao redor do salão.
Correntes pendiam do teto. A música baixa preenchia o ambiente. Pessoas se moviam ao nosso redor como se aquilo fosse completamente normal para elas.
Mas para mim... ainda parecia irreal. Eu nem sabia que um lugar assim existia.
- Que lugar é este, exatamente? - perguntei baixinho.
Adrian seguiu meu olhar com calma.
- É um clube privado.
- Isso eu já tinha percebido.
A expressão dele não mudou.
- É construído sobre regras, confiança, controle, submissão e dominação.
A última palavra fez algo se torcer dentro do meu peito.
Controle.
Eu havia passado a vida inteira sob o controle de outra pessoa. Meu pai decidia tudo por mim: escola, amigos, agenda. Até a forma como eu me vestia em eventos como o de hoje.
Adrian continuou, com a voz calma e controlada:
- Nada acontece aqui sem que as duas partes concordem.
Pisquei.
- Isso é... surpreendente.
Ele me olhou.
- Por quê?
Dei de ombros levemente.
- Não parece ser assim.
O olhar dele suavizou um pouco, como se entendesse exatamente o que eu queria dizer.
- Aqui o controle é escolhido - disse ele. - Não imposto.
Aquela frase ficou ecoando na minha mente por mais tempo do que deveria.
Escolhido.
Por algum motivo, aquela ideia me fascinava.
De repente me lembrei de algo e me virei rapidamente.
- Ashley?
Meus olhos vasculharam o salão, mas ela não estava mais ao meu lado. Girei o corpo.
- Ela estava bem aqui.
Adrian seguiu meu olhar com tranquilidade.
Então olhou para o outro lado do salão e acenou de leve com a cabeça.
- Ela saiu com alguém.
Meu coração deu um salto.
- O quê? - arquejei, chocada.
Ele voltou a me olhar.
- Relaxa. Ela está bem.
- Você parece bem certo disso - respondi.
- Eu conheço as pessoas daqui - retrucou, e a confiança na voz dele tornava difícil discutir.
Mesmo assim, meu peito ficou apertado. Foi então que percebi: eu estava sozinha.
Completamente sozinha com ele.
Adrian pareceu notar a mudança na minha expressão.
- Você está pensando em ir embora. Está com medo - disse.
Pisquei.
- Como você sabe disso? - perguntei, surpresa.
- Porque uma parte de você parece excitada e iluminada - respondeu calmamente. Fez uma pausa. - ...e a outra parte está apavorada.
Soltar uma risada nervosa.
- Talvez você esteja só chutando - murmurei, tentando soar corajosa.
Os olhos escuros dele prenderam os meus.
- Eu nunca chuto - rosnou.
Por um momento, nenhum de nós falou.
A música pulsava suavemente ao nosso redor. Pessoas circulavam pelo salão, rindo, conversando, sussurrando, se beijando e transando.
Mas, de alguma forma, o espaço entre nós parecia estranhamente silencioso.
Então Adrian ergueu a mão e gesticulou para o corredor atrás de mim.
- A saída fica por ali.
Meus olhos seguiram a direção que ele apontou. Depois ele gesticulou para o interior mais profundo do clube.
- Ou... - A voz dele baixou um tom. - Você pode ficar.
Meu coração acelerou.
- ...e descobrir por que as pessoas vêm aqui.
Engoli em seco.
Pela primeira vez em anos, ninguém estava me dizendo o que fazer. A escolha estava nas minhas mãos.
Olhei mais uma vez para a saída. Se eu fosse embora agora, tudo voltaria ao normal.
As regras do meu pai. A vida controlada por ele.
Então olhei de volta para Adrian. Algo rebelde se acendeu novamente no meu peito.
- O que acontece se eu ficar? - perguntei baixinho.
Adrian me estudou por um longo momento. Depois estendeu a mão e segurou a minha com gentileza.
Meu coração falhou uma batida.
- Então eu te mostro - sussurrou, com a voz mais grave e sombria.
Meu coração martelava forte no peito enquanto ele se virava e começava a me guiar para o interior do clube.
A música ficava mais alta, as luzes mais escuras.
E enquanto eu o seguia para só Deus sabe onde, um único pensamento ecoava na minha mente.
Talvez esta noite mudasse tudo.
Ou talvez...
Eu tivesse acabado de tomar a decisão mais perigosa da minha vida.
ARIA POV
Adrian não tinha pressa. Ele ia com calma, o que me deixou um pouco mais à vontade.
Ele me guiou por um corredor estreito com cortinas de seda preta. Quanto mais avançávamos, mais silencioso ficava. Meus saltos ecoavam alto no chão e meu coração batia acelerado a cada segundo.
Ele parou em frente a uma porta de madeira simples. Parecia comum por fora. Abriu devagar e se afastou para eu entrar.
A sala era menor que o salão principal. Uma lâmpada âmbar quente brilhava no canto, iluminando o espaço com suavidade.
No centro havia um largo banco de couro preto, com algemas presas em cada canto. Na outra extremidade, uma barra mais longa chamou minha atenção.
- O que é isso? - perguntei, apontando para a segunda peça e já indo em direção a ela, mas Adrian segurou minha mão, me impedindo de avançar.
- Barra separadora. É usada para prender as pernas abertas.
Só de ouvir aquilo, apertei as coxas com uma antecipação inesperada. Mas não disse mais nada.
Na parede, vários instrumentos estavam organizados com cuidado: cordas de seda, tiras de couro, palmatórias e um flogger escuro. Eu conhecia tudo isso porque Ashley tinha me emprestado livros sobre o assunto. Nem desconfiava que ela curtia esse tipo de coisa.
Nada ali parecia violento. Tudo parecia cuidadosamente colocado.
Adrian fechou a porta atrás de nós. O clique suave deixou o ambiente ainda mais íntimo.
- Sem pressão - disse ele com calma. - Paramos no momento em que você disser "pare". Se disser "vermelho", tudo acaba imediatamente.
Assenti devagar.
- Tudo bem.
- Não vou aprofundar muito com você porque parece nova nisso.
Assenti novamente.
Ele se aproximou. Agora eu conseguia sentir seu cheiro: sabonete limpo, pele quente e um leve toque de cigarro.
Meu corpo reagiu imediatamente.
Meus mamilos endureceram sob o vestido e um calor lento se espalhou entre minhas pernas.
- Vire-se - ordenou com voz suave.
E eu obedeci.
Os dedos dele encontraram o zíper do meu vestido. Ele o desceu devagar, de forma sensual, enquanto o polegar deslizava pela minha nuca e descia pela coluna em movimentos circulares. O ar fresco tocou minhas costas conforme o tecido escorregava dos meus ombros.
O vestido caiu no chão.
Fiquei ali apenas de calcinha e sutiã de renda preta, ainda de salto.
Sem pensar, cruzei os braços sobre o peito, me sentindo exposta demais.
- Braços abaixados - comandou com voz rouca, o que me fez estremecer.
Baixei-os imediatamente.
Ele circulou ao meu redor devagar, os olhos percorrendo meu corpo. Não de um jeito que me fazia sentir desconfortável. Parecia mais que ele me estudava, me avaliava.
- Linda - murmurou. Seu olhar se fixou nos meus mamilos endurecidos, visíveis através da renda do sutiã.
A palavra fez um rubor subir pelo meu rosto e um calor se espalhar pela minha barriga.
Ele me guiou até o que imaginei ser o banco de bondage.
- Deite-se - sussurrou contra minha orelha. - De barriga para cima.
Não soava mais como o Adrian frio de antes.
Subi no banco de couro. Estava levemente quente e meu coração disparou.
Ele prendeu primeiro as algemas nos meus pulsos. O couro era macio e confortável.
Depois prendeu meus tornozelos.
Meu corpo ficou aberto e exposto. Testei as restrições levemente.
Elas me mantinham no lugar.
Ele ficou ao meu lado, olhando para baixo. Meus seios completamente à mostra para ele.
- Cor? - perguntou.
- Roxo - sussurrei.
Ele pegou um pedaço de seda preta.
- Venda?
Hesitei, depois assenti.
A seda cobriu meus olhos e a escuridão tomou conta. De repente, cada pequena sensação ficou mais intensa: o ar fresco na pele, o som da respiração dele, o movimento suave do couro.
Os dedos dele roçaram de leve minha clavícula.
Depois desceram para o meu peito, para os meus seios. Circulou um mamilo gentilmente por cima do sutiã, provocando uma sensação que eu nunca tinha sentido antes.
Soltei um suspiro suave.
- Boa menina - murmurou.
O elogio fez um calor percorrer meu corpo inteiro.
Ele tirou meu sutiã devagar, com maestria. O ar frio tocou minha pele, me fazendo estremecer.
Então sua boca substituiu o frio.
Seus lábios quentes envolveram meu mamilo endurecido. A língua dele se movia devagar ao redor, enviando ondas de prazer pelo meu peito.
Arqueei o corpo levemente contra as algemas.
Ele beijou descendo pela minha barriga até a coxa, bem devagar.
Quando deslizou minha calcinha pelas pernas, um gemido suave escapou dos meus lábios.
Agora eu estava completamente exposta. A respiração dele roçava a parte interna das minhas coxas.
Tão perto, mas ainda não o suficiente.
- Me diga o que você quer - disse ele baixinho.
Mordi o lábio.
- Eu... não sei - respondi, achando difícil admitir o que eu desejava.
- Sabe sim.
Os dedos dele traçaram o caminho entre minhas coxas, mal tocando.
Gemi.
- Por favor...
- Por favor o quê? - perguntou suavemente.
- Me toca - pedi, me contorcendo sem controle.
- Onde?
Meu rosto queimava.
- Entre as minhas pernas.
Ele sorriu, satisfeito. Devagar, deslizou um dedo pela minha umidade, circulando meu clitóris.
Depois parou.
Gemi novamente.
- Paciência - murmurou.
Então enfiou dois dedos dentro de mim. Movimentou-os devagar no começo, pressionando meu clitóris até uma explosão de prazer me fazer gritar.
Meu corpo se arqueou.
Ele acelerou. Minha respiração ficou entrecortada.
Continuou com os dedos, depois substituiu um deles pela língua. O prazer explodiu pelo meu corpo.
Gozei com um grito alto, as pernas tremendo e as costas se arqueando contra as algemas.
Ele não parou, prolongando o orgasmo até eu estar tremendo inteira.
- Por favor... Adrian... está demais...
Ele finalmente diminuiu o ritmo. Beijou minha coxa com carinho.
Fiquei ali tremendo, tentando recuperar o fôlego. Ele removeu a venda.
A luz suave voltou e os olhos escuros dele me observavam atentamente. Soltou as algemas.
Pensei que tinha acabado.
Mas não.
Ele me ajudou a levantar e me inclinou com cuidado sobre a borda do banco. Meu peito pressionado contra o couro, quadris erguidos no ar.
A mão dele deslizou devagar pelas minhas costas.
- Você está tremendo - disse.
- Eu sei - respondi, ainda abalada pelas ondas de prazer.
- Ainda roxo?
- Sim.
A mão dele acertou minha bunda de leve.
Arquejei.
Outro tapa veio, um pouco mais forte. Ele continuou dando palmadas, esfregando e acalmando com as mãos.
A ardência logo se transformou em prazer. Gemi, aproveitando cada segundo.
Ele continuou devagar, criando um ritmo constante até um calor se espalhar pela minha pele.
Então parou e beijou minha orelha com suavidade.
Ouvi o som do zíper dele. Um instante depois, senti algo grosso e quente pressionando contra mim.
Ele se inclinou perto da minha orelha.
- Diz sim - gemeu.
- Sim - sussurrei. - Por favor.
Com isso, ele entrou em mim devagar. A sensação foi profunda e incrível.
Um gemido entrecortado escapou dos meus lábios.
Ele me fodeu com força, segurando meus quadris com firmeza. Uma das mãos deslizou para frente e voltou a tocar meu clitóris.
Movimentava-se rápido, cada vez mais fundo. A cada estocada ele dava um tapa na minha bunda, fazendo-me gritar mais alto.
Minutos depois gozei com força, as pernas tremendo descontroladamente.
- A... Adrian... - gritei o nome dele sem pensar.
Pouco depois ele gozou também, derramando seu gozo quente nas minhas costas, a respiração pesada contra meu pescoço.
Depois, ele me envolveu com um cobertor macio e me puxou para perto.
Encostei o rosto no peito dele, ouvindo as batidas do seu coração.
Pela primeira vez em anos, me senti calma, livre.
Viva.
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Quando acordei mais tarde, a sala estava silenciosa.
Uma luz dourada suave preenchia o espaço, vinda da pequena lâmpada no canto. Por um momento, fiquei imóvel, tentando lembrar onde estava.
Então as memórias da noite voltaram lentamente.
O clube.
Adrian.
Meus lábios se curvaram num pequeno sorriso enquanto eu virava para o lado.
Mas a outra metade do banco estava vazia.
O cobertor ao meu lado estava frio.
Meu sorriso desapareceu no mesmo instante.
- Adrian? - chamei baixinho.
Minha voz soou estranha no silêncio da sala.
Nenhuma resposta.
Sentei-me devagar, o cobertor escorregando até meu colo. Meu corpo ainda estava quente e dolorido do que havíamos feito.
A sala estava igual: o banco de couro, a luz fraca, os brinquedos arrumados na parede.
Mas ele havia sumido.
Olhei ao redor mais uma vez, procurando qualquer pista.
Foi quando notei o pequeno papel dobrado na mesa ao lado do banco.
Meu peito apertou enquanto eu o pegava.
Por algum motivo, hesitei antes de abrir.
Finalmente desdobrei o bilhete.
A mensagem era curta:
__Às vezes o prazer é para ser vivido apenas uma vez, e guardado como memória.__
**A**
Fiquei olhando para as palavras por um longo tempo.
Uma dor estranha se formou no meu peito. Não fazia sentido, eu mal o conhecia.
Tinha sido apenas uma noite.
Apenas algumas horas com um homem cujo sobrenome eu nem sabia. Mesmo assim, parecia que eu o conhecia a vida inteira. Meu coração se partiu em vários pedaços.
Dobrei o bilhete devagar e coloquei de volta na mesa.
Levantei-me e juntei minhas roupas do chão com os olhos cheios de lágrimas.
Minhas pernas pareciam fracas enquanto me vestia.
Quando finalmente saí da sala, o clube ainda estava movimentado. Homens e mulheres faziam suas coisas.
A música tocava baixinho ao fundo.
As pessoas riam, conversavam e se moviam sob as luzes fracas como se nada tivesse mudado.
Caminhei em silêncio pela multidão, olhando para baixo. Ninguém me parou, ninguém pareceu notar minha saída.
Quando cheguei à porta de saída, empurrei-a e saí. Pensei em Ashley, mas sabia que ela ficaria bem.
A brisa fresca bateu na minha pele.
Inspirei profundamente, deixando o ar frio encher meus pulmões.
Por um momento, fiquei parada na calçada, olhando para a rua escura à frente.
Então comecei a andar. Não olhei para trás, para o prédio.
Lágrimas embaçavam minha visão, mas eu as pisquei para longe.
Dizia a mim mesma que não importava. Tinha sido apenas uma noite.
Apenas um momento, apenas uma memória para guardar. Era só isso que deveria ser.
Mas torcia para estar errada. Torcia para vê-lo novamente.
E esse pensamento me assustava mais do que tudo.