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A Obsessão dos Irmãos Darkmore.

A Obsessão dos Irmãos Darkmore.

Autor:: Jihyo_Gostosa
Gênero: Romance
A vida de Yara é marcada por uma prisão emocional e física dentro de um casamento arranjado, onde seu marido é uma sombra constante de opressão. Quando Magnus , Kael e Damien Darkmore, com suas intenções sombrias, se tornam figuras centrais em sua vida, ela se vê dividida entre o medo e a atração que sente por eles.

Capítulo 1 ♥ Prólogo ♥

Aviso de Gatilho:

Este livro é uma obra de ficção. A cidade mencionada foi criada pelo autor e não tem relação com lugares ou eventos da vida real. Este livro contém representações de violência, casamento arranjado. Trata-se de um romance dark. Um Harem Reverso. Espero que gostem.

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Yara Voss.

Estava de pé diante do espelho, ajustando as dobras do vestido de noiva. O tecido suave contra a minha pele era um contraste inquietante com a frieza que sentia por dentro. O vestido, que deveria simbolizar felicidade e promessa, parecia mais uma armadura, uma prisão inevitável.

Desde pequena, meus pais decidiram meu destino. O noivo, filho dos amigos deles, foi escolhido antes mesmo de eu entender o significado de "casamento". Nunca tive a chance de escolher ou sonhar com um amor verdadeiro; tudo foi decidido para mim. Agora, estava prestes a cumprir o que foi imposto.

Minha mãe entrou no quarto, seu rosto iluminado por um sorriso forçado. Embora radiante, seus olhos carregavam uma preocupação disfarçada.

- Querida, você está linda. Estou tão orgulhosa de você. - disse ela, com uma voz suave e encorajadora. - Vai dar tudo certo. Não se preocupe agora. No começo pode parecer difícil, mas com o tempo, você vai aprender a amar seu marido, assim como eu aprendi a amar o seu pai.

Olhei para ela, tentando encontrar conforto nas palavras, mas o medo e a incerteza ainda dominavam meu coração. Ela se aproximou e ajeitou uma mecha do meu cabelo com delicadeza.

- Tudo vai ficar bem. Lembre-se, é só uma fase. - continuou, tentando transmitir confiança.

Forcei um sorriso, tentando me convencer de que, com o tempo, tudo melhoraria. Talvez eu viesse a sentir algo por ele, talvez conseguisse encontrar alguma forma de felicidade neste caminho traçado para mim.

Enquanto minha mãe me dava um último olhar de aprovação e saía do quarto, continuei observando meu reflexo. O vestido era lindo, mas era apenas uma parte do papel que estava prestes a desempenhar. Fechei os olhos e me perguntei se algum dia poderia realmente sentir a alegria e o amor que esperavam de mim.

Desci as escadas lentamente, cada passo ecoando em minha mente. No hall de entrada, encontrei meu pai, de terno escuro e um sorriso de orgulho estampado no rosto.

- Você está deslumbrante. - disse ele, com a voz carregada de emoção. Seu olhar brilhava, e senti uma onda de tristeza misturada com uma sensação de dever cumprido. - Estou tão feliz por ver você iniciar esta nova etapa.

Forcei um sorriso, tentando ocultar a angústia que sentia. Ele me ofereceu o braço, e juntos caminhamos até o local da cerimônia, um salão adornado com flores brancas e luzes suaves. Cada detalhe parecia estar no lugar, meticulosamente preparado para este momento. As cadeiras estavam alinhadas em duas filas, e um tapete branco se estendia até o altar.

Chegando ao altar, avistei Ronan Blake. Ele estava parado lá na frente, vestido com um terno escuro que realçava sua figura alta e esguia. Aos vinte de dois anos, Ronan exalava uma aura de confiança e autoridade. Seus olhos, de um tom profundo e intenso, observavam a entrada da noiva com uma expressão neutra, quase distante. A falta de emoção no rosto dele era um contraste agudo com o calor das flores e a solenidade da cerimônia.

O padre, com um tom solene e reverente, iniciou a cerimônia. Sua voz ecoava pelo salão, preenchendo o ambiente com um peso de tradição e formalidade.

- Queridos irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos para celebrar a união de Yara Voss e Ronan Blake. Que este momento seja abençoado e que o amor e a fidelidade guiem seus passos daqui em diante.

Ele prosseguiu com as palavras do rito matrimonial, falando sobre compromisso, lealdade e o propósito sagrado do casamento. O ritual era um baluarte de tradições, e cada palavra parecia ressoar com um significado profundo e irremediável.

Ronan e eu trocamos votos em meio ao cerimonial, e, enquanto ele falava, percebi a falta de emoção nas suas palavras. Sua entrega ao compromisso parecia mais uma formalidade do que uma expressão de sentimentos profundos. Mas, ao mesmo tempo, meu pai me observava com orgulho e esperança, como se essa união fosse a realização de um sonho para ele.

Após os votos, o padre nos declarou casados, e o aplauso que se seguiu foi uma mistura de alívio e entusiasmo contido. Ronan se voltou para mim com um leve sorriso, ainda tão distante quanto antes, mas agora acompanhado por um novo peso de responsabilidade.

A cerimônia terminou e o salão se transformou em um espaço para celebração. Os convidados se aproximaram para parabenizar, mas a alegria parecia superficial, como se todos estivessem apenas cumprindo um papel.

Enquanto caminhávamos pelo salão, ainda de mãos dadas, o peso do que acabara de acontecer começou a se assentar sobre mim. O casamento estava completo, e eu era agora a esposa de Ronan Blake, com todas as suas implicações e consequências. A vida que me esperava era uma incógnita, envolta em tradições e expectativas que pareciam pesadas demais para serem carregadas.

A noite avançou, e eu segui cumprindo meu papel de noiva, tentando encontrar algum conforto no meio da formalidade e da expectativa. A nova vida que se iniciava era um caminho ainda desconhecido, e eu me perguntava se algum dia encontraria a felicidade ou a realização que todos esperavam de mim.

Capítulo 2 ♥ Capítulo 1♥

Yara Blake.

12:20 - Casa da Yara. - Eldoria.

Sexta-Feira.

Estou de pé em frente ao espelho, observando meu reflexo. A imagem do meu vestido de casamento continua fresca em minha mente, um lembrete cruel do dia em que minha vida mudou para sempre. Por um momento, me perco nas lembranças daquele infeliz casamento, acreditando que tudo iria melhorar com o tempo. Pensei que, eventualmente, me apaixonaria por Ronan e ele por mim. Mas não foi isso que aconteceu.

Desde o dia em que nos casamos, ele nunca me tocou. Não consumamos nosso casamento na lua de mel. As palavras dele ainda ecoam em minha mente: "Você não serve para mim." Desde então, minha vida se resume a cumprir as obrigações de casa e ser uma boa esposa, do jeito que ele acha que deve ser.

Ele constantemente joga na minha cara que só tenho ele na vida, que devo obedecê-lo sem questionar. Quando tentei conversar com minha mãe, na esperança de encontrar algum consolo, ela ficou do lado dele. Disse que devo sempre abaixar a cabeça para meu marido, que é o que se espera de uma esposa.

Estou cansada. Me casei quando tinha dezoito anos e agora, aos vinte e dois, esses quatro anos têm sido um verdadeiro inferno. Tenho medo de pedir o divórcio e ele me machucar. Conheço bem sua verdadeira personalidade, escondida atrás de uma fachada de respeito e educação.

Hoje acordei cedo para preparar o café da manhã para Ronan, como faço todos os dias. Mas, agora, estou no banheiro, terminando de me arrumar para a entrevista. Minha mente está focada no que essa nova oportunidade pode significar para mim. A entrevista surpreendentemente será na empresa do senhor Magnus, algo que descobri através do jornal que consegui ler.

Foi difícil, mas liguei pelo telefone fixo da nossa casa para o número que estava no anúncio. Surpreendentemente, a mulher que me atendeu foi muito gentil e me passou todas as informações necessárias: o endereço, o horário da entrevista, e até disse que não preciso de currículo, apenas da minha identidade, porque serei entrevistada pelo próprio senhor Magnus.

Ouvi falar que a senhora Darkmore tem três filhos: Magnus, Kael e Damien. Apenas sei seus nomes porque pesquisei discretamente, mas não consegui encontrar nenhuma imagem ou informações nos jornais. Meu marido não me permite ter um celular, e qualquer contato com o mundo exterior é controlado por ele.

Surpreendentemente, ele me deu permissão para tentar essa entrevista. Acho que o status da família Darkmore influenciou sua decisão. Se fosse em algum lugar mais humilde, ele jamais teria permitido. Ele acredita que, ao trabalhar para uma família rica e poderosa, minha lealdade a ele só aumentará.

Estou aqui, diante do espelho, ajustando os últimos detalhes da minha aparência. Dou uma última olhada no meu reflexo, certificando-me de que não tenho olheiras visíveis e que minha roupa está adequada. Hoje, estou vestida com um conjunto simples, mas decente: uma blusa branca de algodão e uma saia preta até os joelhos. A blusa é básica, com um decote em V discreto e mangas curtas, enquanto a saia tem um tecido leve e fluído que cai suavemente. Apesar de sua simplicidade, a roupa está bem passada e faz com que eu me sinta um pouco mais confiante.

Apliquei um pouco de maquiagem para disfarçar a palidez e garantir que meu visual esteja apresentável. O esforço é mínimo, mas é o melhor que posso fazer com o que tenho. Olho novamente para o espelho e sinto uma mistura de nervosismo e esperança.

Saio do banheiro, pego minha bolsa com os documentos e começo a descer os degraus. Por sorte, Ronan deixou dinheiro para o táxi, cobrirá apenas a ida e a volta. Se eu sentir fome durante o dia, não poderei comer nada, pois o dinheiro disponível é exatamente o necessário para o transporte.

Chego ao no último degrau, respiro fundo antes de sair de casa. Hoje, tenho uma chance de mudar minha vida, e não posso deixar essa oportunidade escapar. Coloco o dinheiro no bolso e saio, determinada a fazer o melhor na entrevista.

Por sorte, vejo um táxi se aproximando. Faço sinal e ele para rapidamente. Entro no veículo e dou ao motorista o endereço da empresa dos Darkmore. Enquanto o táxi avança pelas ruas, meu coração bate acelerado.

Tenho muita vontade de conhecer novas pessoas, de interagir com alguém fora do meu círculo restrito. As únicas pessoas com quem falo são meus pais e o meu marido. Ronan restringe muito os meus passos; até para fazer compras, ele me acompanha. Por que ele tem essa obsessão de me prender? Não posso ter amigos, não posso conversar com ninguém além dele e da minha família.

Tenho certeza de que Ronan me trai. Está cada vez mais óbvio. Ele chega do trabalho com um cheiro diferente, e já encontrei marcas de batom em suas roupas. Uma vez, confrontá-lo sobre isso me trouxe apenas mais dor. Perguntei sobre as evidências que encontrei, mas, em vez de uma resposta, ganhei um tapa no rosto que ficou roxo por quase uma semana. Como minha pele é clara, qualquer marca se torna visível e dura por um tempo.

Esses sinais de traição, junto com a violência e o controle, fazem com que minha vida se sinta ainda mais opressiva. Sinto-me presa e sem opções. No entanto, essa entrevista pode ser minha chance de mudar tudo isso. Posso sair mais, interagir com novas pessoas, e quem sabe, essas pessoas possam me ajudar a escapar desse casamento. Se conseguir o emprego, minha vida pode começar a se transformar, e a oportunidade de encontrar uma saída pode finalmente se concretizar.

- Chegamos. - O motorista me avisa.

Saio do transe em que me encontrava e olho pela janela. A cidade parece tão distante e o prédio imenso à minha frente se destaca entre os outros.

- Obrigada. - Agradeço, puxo a bolsa para pegar o dinheiro e pago a corrida.

Ele me entrega o troco e eu saio do carro, sentindo o frio do ar fresco em meu rosto. Pego a minha bolsa e olho para o enorme prédio à minha frente. O edifício é imponente, com vidros escuros que refletem a luz do sol e uma entrada elegante que parece quase inacessível.

Fecho os olhos por um momento e conto até dez mentalmente, tentando acalmar o turbilhão de emoções dentro de mim. Quando abro os olhos novamente, respiro fundo e sussurro para mim mesma:

- Estou pronta.

Com determinação renovada, dou o primeiro passo em direção à entrada do prédio.

Capítulo 3 ♥ Capítulo 2♥

Yara Blake.

13:00 - Empresa. - Eldoria.

Sexta-Feira.

Entro no prédio e, imediatamente, sou envolvida pela grandiosidade do lugar. O hall é vasto, com pisos de mármore brilhante que parecem nunca ter sido pisados. Lustres enormes pendem do teto, espalhando uma luz suave que reflete em todas as superfícies, dando ao ambiente uma sensação de requinte absoluto. As paredes são decoradas com obras de arte modernas, e tudo ao meu redor exala luxo e sofisticação, algo que nunca tinha visto antes.

Sinto-me desconfortável. Olho para a minha roupa simples, que, embora esteja limpa e bem arrumada, parece deslocada em meio a tanto luxo. Respiro fundo, tentando afastar o nervosismo que começa a me consumir. Não posso deixar que isso me afete agora. Preciso manter o foco.

Caminho até a recepção, onde uma mulher elegante está sentada atrás de um balcão de vidro. Ela sorri de forma profissional ao me ver se aproximar.

- Bom dia. Em que posso ajudá-la? - pergunta, com a voz suave e educada.

- Bom dia. - respondo, tentando parecer mais confiante do que realmente estou. - Eu... eu vim para uma entrevista. Meu nome é Yara Blake. - digo, tentando manter a voz firme.

A recepcionista digita meu nome no computador e, após alguns segundos, concorda com um leve aceno de cabeça.

- Ah, claro, senhora Blake. Aqui está o seu crachá de visitante. - ela diz, entregando-me um pequeno cartão com uma fita que coloco em volta do pescoço. - A entrevista será no vigésimo andar. Pode seguir para o elevador à sua direita.

Agradeço novamente, sentindo um misto de alívio e ansiedade, e sigo na direção indicada. Ao entrar no elevador, aperto o botão para o vigésimo andar e respiro fundo, tentando acalmar meu coração que parece querer saltar do peito. O elevador começa a subir, e a sensação de nervosismo só aumenta.

Quando as portas se abrem no vigésimo andar, deparo-me com um salão elegante e moderno, onde várias mulheres estão sentadas ou em pé, todas vestidas com roupas luxuosas e estilosas. Elas conversam entre si, parecendo completamente à vontade, enquanto eu me sinto ainda mais deslocada com minha roupa simples.

Meu estômago se revira de ansiedade. Sinto que todos os olhos estão voltados para mim, embora ninguém pareça realmente prestar atenção. Respiro fundo novamente, preciso me concentrar e fazer o meu melhor.

Vejo um sofá com um espaço vazio e, com muito receio, caminho até ele. Sento-me lentamente, tentando não chamar atenção, mas logo percebo alguns olhares curiosos em minha direção. Mulheres elegantes, com suas roupas caras e maquiagem impecável, me observam. Algumas sussurram entre si e riem baixinho, claramente me julgando por minha simplicidade.

Abaixo a cabeça, sentindo-me completamente deslocada e fora de lugar. Cada risada, cada olhar, faz com que eu me sinta ainda menor. Mas preciso ser firme, lembrar do motivo pelo qual estou aqui. Esta oportunidade pode ser minha chance de me libertar, ao menos um pouco, da prisão em que meu marido transformou minha vida.

Fecho os olhos por um instante e respiro fundo. Não importa o que essas mulheres pensam de mim. Preciso agarrar essa chance, custe o que custar.

Enquanto espero, tento ignorar as risadas e os olhares que ainda sinto sobre mim, quando a porta da sala de entrevistas se abre. Uma mulher sai de lá, com o rosto pálido e os olhos marejados, parecendo prestes a chorar. Ela passa por mim rapidamente, e logo em seguida, uma mulher elegante, que deduzo ser a secretária, aparece na porta.

Ela olha ao redor, examinando todas as candidatas com um olhar crítico. Quando seus olhos param nos meus, sinto meu coração disparar.

- Você é a próxima, venha. - diz, com uma voz firme, mas sem hostilidade.

Levanto-me rapidamente, sentindo os olhares de raiva e inveja das outras mulheres sobre mim. Tento ignorá-los e sigo a secretária até a sala de entrevistas. Ao chegar à porta, ela para e a abre para mim, fazendo um gesto para que eu entre.

- Boa sorte. - ela diz, com um leve sorriso, antes de me deixar sozinha.

Respiro fundo e dou um passo à frente, pronta para enfrentar o que vier.

Assim que entro na sala, sinto minhas pernas tremerem ao avistar os três homens sentados à mesa. Eles não são apenas elegantes, mas incrivelmente lindos. Meu coração dispara, e a insegurança que sentia antes agora parece uma avalanche prestes a me esmagar.

- Seja bem-vinda. Sente-se. - diz um dos homens, com uma voz firme, mas acolhedora.

Respiro fundo e, com todo o esforço que consigo reunir, caminho até a cadeira que está de frente para eles. Ao me sentar, mantenho minhas mãos no colo, tentando esconder o nervosismo.

O homem que falou comigo, sentado no centro, se inclina levemente para a frente.

- Meu nome é Magnus. - ele se apresenta, com um leve sorriso nos lábios. - Esses são meus irmãos, Kael e Damien. Eles estarão presentes durante a entrevista.

Magnus é imponente, com cabelos negros bem penteados e olhos castanhos intensos que parecem observar cada detalhe. Sua expressão é séria, mas há algo de caloroso em seu olhar, como se ele fosse capaz de ler minha mente.

Kael, sentado à direita de Magnus, tem uma postura mais relaxada. Seus cabelos são um pouco mais compridos, caindo de maneira despreocupada sobre a testa. Seus olhos castanhos têm um brilho travesso, como se estivesse se divertindo com a situação, mas há também uma seriedade subjacente que me faz querer não subestimá-lo.

Damien, à esquerda, é o mais silencioso dos três. Seus traços são marcantes, com uma mandíbula forte e olhos penetrantes. Ele mantém uma postura rígida, quase fria, mas é impossível não notar o charme natural que emana dele.

Sinto-me pequena diante deles, mas sei que preciso manter a compostura. Tento controlar minha respiração, enquanto aguardo o início da entrevista, esperando que meus nervos não me traiam.

Magnus olha diretamente para mim e, após um breve silêncio, começa a entrevista.

- Qual é o seu nome e quantos anos você tem?

Sinto meu coração acelerar, mas tento manter a calma.

- M-Meu nome é Yara Blake - digo, gaguejando levemente. - E eu tenho vinte e dois anos.

Magnus anota algo em um caderno à sua frente, enquanto seus irmãos continuam a me observar de maneira intensa. A sala fica em silêncio por um momento, o que só aumenta meu desconforto. Passo a mão na perna várias vezes, um hábito que tenho quando estou nervosa. Finalmente, Magnus pergunta:

- Por que você se interessou por esta vaga? Sabe que essa vaga é para ser a nossa cozinheira ou faxineira.

Sinto minha garganta secar, mas tento me concentrar. Sei que essa é uma oportunidade importante, e preciso dar uma resposta convincente.

- Bem, eu... - começo, hesitando um pouco, mas logo encontro minha voz. - Eu sempre gostei de cozinhar e de manter as coisas em ordem. Desde pequena, aprendi a valorizar essas tarefas, e sempre fui muito dedicada em casa. Quando vi essa vaga, senti que era uma oportunidade de aplicar essas habilidades em um ambiente diferente, mais desafiador.

Percebo que os três continuam a me observar, e meu desconforto aumenta. Seus olhares são tão intensos que parece que estão tentando ver algo em mim que eu mesma não consigo enxergar. Damien cruza os braços, ainda me analisando, enquanto Kael mantém seu olhar fixo, como se estivesse esperando por algo mais.

Passo a mão na perna novamente, tentando me acalmar, mas o gesto não ajuda muito. Sei que preciso parecer confiante, mesmo que por dentro eu esteja uma bagunça de nervos. Essa é uma oportunidade que não posso deixar escapar, e preciso me lembrar disso a cada segundo.

Kael, que até então se mantinha em silêncio, descruza os braços e olha diretamente nos meus olhos.

- Você é solteira? - Seu tom é firme e direto.

A pergunta me pega de surpresa, e por um momento, sinto meu estômago revirar. Mordo os lábios, hesitando antes de responder.

- Não. - digo, minha voz saindo mais baixa do que gostaria. - Sou casada.

Os três irmãos trocam olhares, e algo muda no ar. Um brilho diferente passa pelos olhos de Magnus e Kael, enquanto Damien, que me olha e esboça um leve sorriso, que o deixa ainda mais bonito. Por um instante, meus pensamentos se perdem admirando aquele sorriso, mas logo me repreendo mentalmente. Esse não é o momento para distrações.

Magnus toma a palavra novamente, com um tom que não deixa espaço para dúvidas:

- Sabe que, se for aceita, terá que morar na mansão. Você poderá voltar para casa na sexta à noite e retornar no domingo à noite.

Engulo em seco ao ouvir essa condição. A ideia de morar fora, mesmo que apenas durante a semana, parece impossível, considerando como Ronan é controlador. Sei que ele nunca permitiria isso sem uma boa briga. Mesmo assim, respiro fundo e concordo com um leve aceno.

- Entendo. - respondo, tentando manter a calma.

Damien, que até agora havia se mantido mais distante, inclina-se um pouco para frente, ainda com aquele sorriso enigmático nos lábios.

- Seu marido não vai se importar com a sua ausência?

A pergunta é feita com um tom quase desinteressado, mas sinto o peso dela. Minhas mãos começam a suar, e passo a mão na perna de novo, tentando esconder meu nervosismo.

- Ele vai... - começo, mas me corrijo rapidamente. - Vai se importar, claro. Mas vou conversar com ele. Se for uma boa oportunidade, tenho certeza de que ele vai entender.

Mesmo enquanto digo essas palavras, sei que elas soam mais como uma esperança vaga do que como uma certeza. Por dentro, sinto uma mistura de medo e determinação, sabendo que essa decisão pode mudar tudo na minha vida, para o bem ou para o mal.

Kael, ainda com o olhar fixo em mim, faz a próxima pergunta, o que me deixa ainda mais desconfortável:

- Você tem filhos?

Sinto meu rosto esquentar instantaneamente. A simples ideia de ter filhos já seria surreal para mim, considerando que nunca fui tocada. A pergunta me atinge de uma forma estranha, quase como se estivesse invadindo um território desconhecido e íntimo. Respiro fundo, tentando manter a compostura antes de responder.

- Não, eu... não tenho filhos.

Assim que as palavras saem, percebo como o olhar dos três homens se intensifica. Magnus, Kael e Damien me observam de uma maneira que nunca experimentei antes. É como se estivessem analisando cada detalhe, cada expressão, e isso faz meu desconforto aumentar ainda mais.

Essa é a primeira vez que tenho homens me olhando tão intensamente, e é uma sensação avassaladora. A situação toda me deixa profundamente constrangida, e mal consigo manter contato visual. Meu coração dispara, e as mãos começam a suar. Tento não demonstrar o quanto estou nervosa, mas a intensidade daqueles olhares é algo que nunca imaginei que enfrentaria.

Magnus se endireita na cadeira.

- Amélia, venha aqui. - Ele a chama com uma voz firme e autoritária.

Amélia entra no escritório e se aproxima, mantendo uma postura profissional. Ela o cumprimenta.

- Sim, meu senhor?

Magnus olha para mim e dá um pequeno sorriso. Seu olhar é intenso e enigmático.

- Já temos a nossa empregada. - diz ele, com um tom que demonstra decisão. - Dispense as outras, a entrevista terminou.

Amélia responde prontamente.

- Sim, meu senhor.

Magnus continua me observando e diz:

- Vá com a Amélia. Ela explicará as coisas para você e dará o endereço da nossa casa. Queremos que você venha no domingo à noite.

- Sim, senhor. - concordo rapidamente, tentando manter a compostura.

Enquanto digo "senhor", noto que o brilho intenso nos olhos dos três homens parece ter mudado de forma sutil, o que me deixa um pouco mexida. É uma reação que não consigo compreender completamente, mas que me faz sentir uma mistura de nervosismo e curiosidade. Seguindo a orientação, vou com Amélia, ansiosa para descobrir mais sobre o que me espera.

Quando estou prestes a sair da sala, olho para trás. Os três ainda me observam com aquele olhar estranho, mas ao mesmo tempo diferente, que mexe comigo. É um olhar que mistura intensidade e algo mais, um mistério que me intriga e me deixa ainda mais nervosa.

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