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A PROMESSA DO ALFA Á FEITICEIRA PROIBIDA

A PROMESSA DO ALFA Á FEITICEIRA PROIBIDA

Autor: Bianca C. Lis
Gênero: Lobisomem
- Eu o rejeito, Alfa Keenan, pertenço ao Feiticeiro Supremo. - O recuso de forma fria, caminhando em direção a porta, secando uma lágrima teimosa. "Devo proteger meu povo, mas meu coração pertence ao lobo" Yulli uma poderosa feiticeira foi criada para acreditar que seu destino estava selado ao lado do Feiticeiro Supremo, Drevan, um líder admirado que jurou proteger seu clã. Mas o amor nunca respeitou as tradições, e o coração de Yulli se entregou a Keenan, o Alfa do Norte, cujo toque e presença desafiam tudo o que ela aprendeu a valorizar. "Como eu poderia lutar contra algo tão poderoso quanto o dever, quando meu coração já pertence a um lobo selvagem?" Enquanto a guerra se aproxima e segredos sombrios são revelados, Yulli precisa escolher entre proteger seu povo e seguir o amor que ameaça destruir o mundo deles.
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Capítulo 1 PRÓLOGO

POV: YULLI

O ar frio de Orion cortava meus pulmões enquanto eu tentava puxar o ar desesperadamente, cada respiração um esforço doloroso que parecia inútil. A chuva intensa golpeava minhas costas sem piedade, transformando a cidade em um labirinto traiçoeiro. Meus pés se afundavam em poças geladas, cada impacto contra o solo mandando ondas de dor pelas pernas que já ameaçavam ceder. Estavam em chamas, ardendo a cada passo, a exaustão da fuga corroendo minhas forças.

Quando minhas pernas finalmente vacilaram, deixei meu corpo cair contra uma parede áspera, coberta de musgo úmido. Pressionei a testa contra a pedra fria, tentando conter o pânico que rastejava pela minha espinha.

- Merda, eles nunca desistem? - murmurei, minha voz rouca, quase engolida pelo som da chuva. Levantei o olhar para o céu escuro, gotas de água escorrendo pelo meu rosto como se fossem lágrimas. - Deusa... eu sei que não mereço nada de você, mas, por favor... me ajude.

Uma brisa sutil tocou meu rosto, como um sussurro, trazendo consigo um fio de esperança. Peguei esse sinal e me movi novamente, ignorando a dor latejante nos músculos enquanto mergulhava nos becos estreitos, procurando escapar dos meus perseguidores. Encontrei refúgio temporário em um canto escuro e puxei o colar que trazia ao pescoço. Com as mãos trêmulas, comecei a murmurar um feitiço, minha voz embargada pelo medo. Se ao menos pudesse camuflar meu cheiro...

Mas o som me congelou. Um som agudo, como garras arranhando pedra, reverberou pelo beco, o suficiente para fazer meu coração acelerar como se fosse explodir.

- Como eles me encontraram? - sussurrei para mim mesma, sentindo as mãos vacilarem enquanto afastava os cabelos encharcados do rosto. Meu corpo inteiro tremia, mas mesmo assim, ajustei a postura, forçando-me a uma posição defensiva.

- Muito esperta, feiticeira - disse uma voz, baixa e ameaçadora, carregada de malícia. O som de um assobio longo. - Mas já aprendemos seus truques. Eles não funcionam mais.

O rosnado que se seguiu fez o chão sob meus pés parecer menos firme. O predador estava ali. Perto demais.

Vultos se aglomeravam ao meu redor, bloqueando qualquer caminho de fuga. As sombras nas paredes aumentavam minha sensação de estar encurralada. Meu coração disparava, batendo tão forte que parecia querer romper meu peito. O frio cortante fazia minhas articulações doerem. Meu corpo tremia, sem saber se era pelo medo ou pelo cansaço de uma perseguição interminável.

- Lobos errantes - disse com firmeza, apesar de estar à beira do colapso. Recuei um passo, fixando meu olhar no brilho ameaçador dos olhos vermelhos de um Lycan. - Até vocês estão atrás de mim? Por quê?

- Não se faça de inocente, ratinha - respondeu com um sorriso cruel, os caninos se alongando enquanto falava. Sua voz misturava desprezo e diversão, revirando meu estômago. O círculo de lobos se fechava, empurrando-me contra a parede. Não havia escapatória. Minha garganta secou ao perceber a desvantagem esmagadora. Mordi os lábios, tentando conter o pânico.

- Uma bruxa considerada traidora pelo alfa supremo e pelo próprio clã das bruxas deveria saber que caçadores não precisam de outra justificativa para caçá-la - provocou, estralando a língua como se saboreasse minha derrota.

- Sou prisioneira do Alfa do Norte! Vocês não podem... - meu protesto foi interrompido por um rugido ensurdecedor que me paralisou. Um lobo avançou, dentes arreganhados, prestes a me atacar.

- O Alfa do Norte? - ele gargalhou com uma frieza cortante. - Ele foi banido por sua causa, bruxa. Não há ninguém para protegê-la agora.

A raiva explodiu, superando o medo. Apertei o colar em minhas mãos, sua superfície fria lembrando-me do único poder que ainda me restava.

- Keenan vai matá-los quando souber disso! - gritei em desafio. Comecei a entoar um feitiço, cada palavra carregada de tensão crescente. Eu não iria cair sem lutar.

- Você está encurralada, bruxa miserável. - A voz dele era carregada de sarcasmo e desdém, arrancando gargalhadas dos outros. - Quando ele souber, será tarde demais. Tudo o que encontrará será apenas os seus ossos roídos!!

Endireitei o corpo e lancei um sorriso frio.

- A única coisa que vão encontrar aqui serão suas peles de lobo que servirá de tapete. - Disse, com uma calma venenosa. Sem hesitar, joguei o amuleto ao chão. O pó de desorientação se espalhou rapidamente, formando uma cortina sufocante.

- Não inalem! - gritou o Lycan, interrompido por uma tosse violenta. - Ela está tentando nos desorientar! Matem-na, agora!

A fumaça espessa dificultava minha visão, mas eu sabia que não tinha muito tempo. Dei alguns passos para trás, tateando o caminho, até que algo úmido e quente tocou minhas costas. Um rosnado feroz ressoou atrás de mim, gelando meu sangue. Virei-me instintivamente, mas não rápido o suficiente. Pulei para frente quando senti dentes afiados rasparem contra minha perna, arrancando um grito de dor e frustração.

- Malditos vira-latas! - Cuspi, a dor alimentando minha fúria. Mas antes que pudesse reagir, um lobo enorme saltou sobre mim, me derrubando com força. O impacto fez minha cabeça bater contra o chão, um estalo surdo que deixou minha visão turva. O peso da criatura era esmagador, e suas presas investiam com ferocidade, buscando meu rosto e pescoço.

Lutando contra o atordoamento, minha mão tateou desesperadamente pelo chão até encontrar algo sólido: Uma barra de ferro. Com todas as forças que ainda restavam, a ergui e a prendi contra o maxilar do lobo que avançava.

- Engole isso, desgraçado! - gritei, empurrando com força, o som do metal rangendo contra os dentes dele.

Ajoelhei com toda a força nas costelas da criatura, repetindo o movimento até que seu grunhido se tornou um urro de dor. A barra de ferro escorregou de sua mandíbula e ele cambaleou para o lado. Aproveitei o momento, arrastando meu corpo para trás enquanto recuperava o equilíbrio, e desferi um golpe certeiro contra sua cabeça. O impacto ressoou como um estrondo abafado, e o lobo balançou o focinho desorientado antes de tombar no chão, seu corpo imóvel denunciando que a vida havia escapado.

- Um já foi. - Murmurei, ofegante, enquanto meus dedos tocavam o ombro ferido. O sangue quente escorria pelo rasgo deixado por seus dentes. Cerrei os dentes, ignorando a dor, e encarei o próximo inimigo. - Quem é o próximo?

Capítulo 2 01 – CAÇADA

POV: YULLI

- Quanta coragem, presa. - A voz do Lycan era um rosnado profundo, carregado de ódio. Ele avançou com a velocidade de um predador, cada movimento tão rápido que mal tive tempo de reagir. - Vamos ver se continua assim quando eu rasgar sua carne.

Antes que eu pudesse me defender, fui arremessada contra a parede. O impacto arrancou o ar dos meus pulmões, uma onda de dor explodindo em minhas costas enquanto o mundo ao meu redor girava.

- Onde está a sua força agora? - Ele rugiu, suas presas a milímetros do meu rosto. O hálito quente e fétido fazia meu estômago revirar. Com um último esforço desesperado, chutei suas partes íntimas com toda a força que consegui reunir. Ele soltou um rosnado de dor, mas sua reação foi tão rápida quanto brutal. Suas garras enormes se fecharam em torno do meu pescoço, esmagando minha traqueia enquanto eu me debatia, a sensação de sufocamento me fazendo entrar em pânico.

- Maldita. - Sua voz era implacável, cada palavra gotejando veneno. - Íamos brincar com você mais um pouco, presa, mas acho que vou matá-la aqui e agora. Quais são as suas últimas palavras?

Minha visão começava a escurecer, mas não cedi ao medo. Com o pouco ar que me restava, cuspi as palavras:

- Não mexa com uma sacerdotisa, seu vira-lata nojento!

Reuni minhas forças e joguei a cabeça para frente, acertando a dele com tudo o que tinha. Ele riu, um som cheio de escárnio, como se o golpe fosse insignificante. Mas enquanto ele ria, minhas mãos, movidas pela raiva e pelo desespero, encontraram seus olhos. Sem hesitar, afundei os dedos nas órbitas oculares, sentindo a carne ceder sob a pressão, o rugido que se seguiu foi puro ódio e dor

Afundei os dedos com brutalidade, ignorando a resistência da carne enquanto o lobo rugia em agonia. Ele me golpeou contra a parede com força, tentando me fazer soltá-lo. O impacto foi devastador, tirando o ar dos meus pulmões, e um grito de dor escapou dos meus lábios.

- Maldito! - gritei, entre arfadas, recusando-me a soltar. Mesmo com cada pancada que recebia, mantive meus dedos cravados. Finalmente, um estalo grotesco ecoou, e a criatura me largou, cambaleando para trás. O sangue escorria por seu rosto, seus olhos destruídos enquanto ele tentava desesperadamente cobri-los com as garras. A outra mão buscava me alcançar, mas seus movimentos estavam descoordenados.

Os lacaios dele, ainda desorientados pelo pó e pela magia, tentavam se aproximar. Cambaleavam, mal conseguindo manter-se de pé. Era patético, mas eu não tinha tempo para desprezo. Passei a mão pelo meu pescoço, tentando aliviar a pressão e recuperar o ar que ainda parecia faltar. A dor latejava, mas eu não podia parar.

Meus dedos encontraram a barra de ferro caída no chão. Agarrando-a com força, ergui-a e desferi golpes incessantes contra o Lycan. Cada impacto fazia o som de ossos rachar. Ele recuava, passos hesitantes, sua força diminuindo a cada golpe. Eu não parei. Não podia parar. Minha raiva alimentava cada movimento, mesmo enquanto meus braços ardiam, ameaçando ceder.

- Quem é a presa encurralada agora?! - vociferei, minha voz carregada de fúria e determinação. Continuei batendo até que minhas mãos falharam, a barra de ferro escorregando dos dedos, manchada de sangue. O Lycan desabou, um corpo sem força.

Olhei para os outros, ainda tropeçando e lutando para se mover. Meu peito subia e descia, ofegante, enquanto a dor em meu corpo se tornava cada vez mais nítida.

- Voltem para o buraco imundo de onde vieram, antes que eu termine o serviço!

Virei-me, tonta, pronta para fugir, quando senti uma dor aguda nas costas. As garras afiadas do Lycan rasgaram minha carne com brutalidade, arrancando um grito preso em minha garganta. O ardor das feridas aumentava a cada segundo, cada movimento intensificando a dor. Girei sobre os ombros, encarando o lobo com seu sorriso sombrio e macabro.

- Volte para o seu clã, feiticeira - disse ele, com uma voz baixa e ameaçadora. - A menos que queira que a Noite da Caça às Bruxas comece novamente, desta vez por sua culpa.

Ele riu, um som rouco e cruel, enquanto suas garras deslizavam pelas minhas costas, abrindo feridas mais profundas. Meu corpo cedeu, caindo de joelhos no chão frio e molhado. A dor era insuportável, queimando cada nervo. Com um último esforço, olhei para o lobo, que desabou no chão, desmaiado.

Tremendo, forcei-me a levantar, cada movimento uma luta contra a fraqueza. O sangue escorria pelas costas, misturando-se à chuva incessante. Minhas pernas vacilavam, e mordi os lábios com tanta força que senti o gosto metálico. Não podia cair. Não ali.

Apoiando-me na parede, arrastei meu corpo ferido para longe daquele beco, cada passo um desafio. A respiração vinha em arfadas curtas, carregadas de dor. O frio e a chuva não ocultavam o calor da vida que escapava pelos meus ferimentos.

- Está na hora de voltar e enfrentar o conselho - murmurei, minha voz fraca, quase inaudível entre os gemidos de dor. Meu corpo ameaçava desabar, mas me agarrei à determinação que restava. - Chega de fugir.

Capítulo 3 CHEGA DE FUGIR

POV: YULLI

Com dedos trêmulos, disquei seu número uma última vez. Meu corpo doía, não apenas pelos ferimentos, mas por todo peso das decisões que me trouxeram até aqui, aos portões ancestrais do clã das bruxas.

- Alô? - Sua voz grave e familiar fez meu coração apertar.

- Me perdoe, pulguento... - sussurrei direta, enquanto o vento gélido cortava minha pele. Uma lágrima teimosa escorria por meu rosto, mordi os lábios, tentando conter um soluço. - Não consegui ficar fora de confusão.

- Yulli? Onde você está? - A preocupação em seu rosnado me fez quase desistir de tudo.

- Preciso que pare de me procurar, vira-lata. - Endureci minha voz, mesmo que por dentro estivesse despedaçada. Ergui o queixo, como se ele pudesse me ver. - Siga com sua vida, encontre uma Luna e seja feliz. Não venha mais atrás de mim!

Desliguei antes que sua voz pudesse me fazer mudar de ideia. O celular encontrou seu fim sob meus pés, cada pedaço quebrado simbolizando o fim desta história. Com passos pesados, entrei na cidade chamada Fenda. Meus dedos percorreram as antigas gravuras na grande pedra ornamental contando o início da nossa história, uma história que agora também carregaria minha marca:

"Um romance proibido selou nosso destino: o amor impossível entre um poderoso rei Lycan e uma feiticeira lançou nossas espécies à beira da ruína, desencadeando uma maldição terrível sobre o nosso clã.

Desesperados por salvação, rituais eram realizados a cada década. Nas sombras da floresta, jovens feiticeiras poderosas eram sacrificadas aos Deuses, seus gritos ecoando enquanto os sacerdotes buscavam uma forma de nos libertar.

Resta apenas uma esperança: encontrar a chave de libertação para quebrar a maldição e salvar nosso povo da extinção.

Mas até que ela seja encontrada, o sangue continuará a ser derramado, e a linha entre salvação e destruição ficará cada vez mais tênue."

Atravessei o corredor do conselho com passos firmes, mesmo sentindo o peso dos olhares sobre mim. Os guardas, ao me reconhecerem, arregalaram os olhos em espanto, afinal, não era todo dia que uma traidora voltava por vontade própria. Parei diante deles e ergui meus braços em rendição.

- Anunciem ao feiticeiro supremo que Yulli Fireveil retornou - declarei com o queixo erguido e um olhar desafiador, completei: - A noiva traidora do clã das bruxas está pronta para seu julgamento e para enfrentar as consequências de seus atos!

Me vi ajoelhada em um chão frio e úmido, os ossos do meu corpo dolorido pelo despertar da marcar, sentia a raiz daquele maldito pacto absorvendo minhas forças vitais. Tentei me erguer, mas algo me puxou de volta impedindo, olhei ao redor, vendo correntes apertadas em torno dos meus pés e punhos, brilhando com uma energia que queimava minha pele e repelia qualquer tentativa de acessar o meu poder.

- Precisa mesmo de tudo isso? - Indaguei nervosa, sentindo seus olhos sobre mim, avaliando-me, ergui os punhos mostrando as algemas que marcavam minha pele, criando feridas profundas em minha carne.

- Sabemos que sim. - Drevan torceu o nariz com desgosto, parando diante de mim.

Com um movimento brusco, puxou a corrente que prendia meus pulsos, forçando meu corpo a contorcer-se, a inclinar-se em sua direção, até que nossos rostos estivessem a milímetros de distância. Seu olhar intenso cravado ao meu, cruel e dominador.

- Vim de bom grado, se fosse fugir não teria retornado, querido noivo. - Retruquei com sarcasmos gotejando raiva.

Drevan se agachou diante de mim, tão próximo que sua magia negra empesteava o ar. Seus dedos esguio e gélidos apertaram minhas bochechas, fazendo meus dentes rangerem de dor.

- Deveria se sentir honrada, minha adorável noiva... - sussurrou ele com perversidade. - Por ter o privilégio de ser escolhida por mim.

Seus olhos percorreram meus lábios com luxúria revoltando, a arrogância em sua voz causando-me náuseas.

- De todas as mulheres que já possuí - continuou ele, apertando ainda mais meu rosto - você foi a única que deixou uma marca. - Seu sorriso cruel despertou lembranças que me fizeram tremer. - Seus beijos permanecem em minha memória.

- Única que sobreviveu às suas atrocidades! - Gritei, arrancando meu rosto de suas mãos e cuspindo nele com todo o desprezo que sentia.

Drevan limpou o rosto devagar. Seus olhos negros faiscaram com uma fúria assassina enquanto seu sorriso se desfazia. O tapa veio violento, cortando o canto de minha boca. Antes que pudesse reagir, seus dedos envolveram meu pescoço, apertando, cravando na pele, roubando meu ar.

- Isso... termine logo com isso. - murmurei, sentindo a escuridão me envolver.

- Buscando a saída mais fácil? - sua gargalhada ecoou sinistra. - Não minha adorável Yulli, nós temos um casamento para firmar.

Com brutalidade, agarrou meus cabelos e puxou minha cabeça para trás, seus dedos se enroscando na base da minha nuca. Sem aviso, invadiu minha boca com sua língua asquerosa. O gosto amargo de sua presença queimava minha garganta, fazendo todo meu ser gritar em repulsa. Quando finalmente me libertou, jogou-me ao chão com violência.

Ofegante, tentei limpar a boca nos ombros, desesperada para apagar o rastro nojento de seus toques. Meus punhos se fecharam enquanto a fúria dentro de mim queimava cada vez mais intensa.

- Hora de oficializar nossa união! - anunciou ele, acenando para as empregadas. - Te vejo no altar, feiticeira.

Como uma boneca sem vida, fui entregue aos cuidados das criadas. Elas rasgaram minhas roupas com tesouras afiadas e limparam meus ferimentos sem gentileza, cada toque fazendo-me conter gemidos de dor. O vestido de noiva foi praticamente forçado em meu corpo, enquanto cobriam com maquiagem os hematomas, presentes do meu futuro marido. Finalizaram com um batom vermelho, cílios bem-marcados e um coque alto, deixando alguns fios dourados emoldurarem meu rosto.

Diante do espelho, não pude negar, estava linda. A maquiagem realçava o tom único de púrpura dos meus olhos. Em outro momento, se fosse com o lobo que verdadeiramente tinha meu coração este seria o dia mais feliz da minha vida. Mas as correntes em meus pulsos me lembravam da cruel realidade.

Os guardas me arrastaram sem cerimônia até o santuário sagrado, onde as sacerdotisas abençoavam as uniões dos feiticeiros. No altar, Drevan me aguardava em seu elegante terno preto, seus olhos negros brilhando com uma mistura de prazer e crueldade.

- Sorria, minha querida, hoje é o dia do seu casamento! - provocou ele, com um sorriso malicioso.

- A morte me parece mais convidativa - retruquei, recebendo seu olhar furioso em resposta.

A sacerdotisa começou o ritual, recitando as palavras de união até chegar ao momento decisivo:

- Enfim a profecia se cumprirá - declarou ela solenemente. - Se alguém tiver algo contra esta união, fale agora ou cale-se para sempre.

De repente, as portas do santuário explodiram em uma onda de poder primitivo. Um rosnado feroz ecoou pelas paredes, fazendo o ar vibrar e os presentes estremecerem. Por entre a poeira e destroços, surgiu ele, imponente em seu terno azul, cada passo seu uma declaração de domínio absoluto.

Keenan avançou com a elegância fatal de um predador alfa, mãos nos bolsos em uma falsa demonstração de casualidade. Seus olhos esverdeados cintilavam predatório, percorrendo o ambiente com uma intensidade. Um sorriso perigosamente sedutor brincava em seus lábios, uma aura de poder selvagem emanava de cada movimento seu.

- Eu tenho muitas objeções a este casamento - sua voz, rouca e profunda com um toque sedutor como pecado, reverberou pelo santuário. O chão tremeu sob seus pés, respondendo à sua presença dominante. Erguendo o olhar desafiador, suas pupilas dilataram fixas em sua presa. - Vocês têm algo que me pertence, e vim reivindicar o que é meu!

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