Eu tinha apenas 15 anos quando Jenny Simons se mudou para a casa ao lado, era a menina mais estranha que eu já tinha visto, com jeans rasgado, camiseta masculina, All Star amarelo e boné virado pra trás, mais se parecia com um moleque, e ainda trazia um Skate debaixo do braço.
Com certeza era um cara.
Assim que a vi, fiquei apalermado, com aquela garota totalmente largada, despenteada, porém extremamente linda.
Fiquei com cara de tonto, enquanto, ela me olhava curiosa, talvez estivesse observando, minhas roupas, e meus sapatos corine, com os óculos de grau.
Jenny havia sido a primeira garota que conhecia minha verdadeira personalidade.
Ao anoitecer, minha mãe e eu, fomos dar as boas vindas as novas vizinhas.
Minha mãe tocou a campainha e se apresentou para a mãe de Jenny, até ali, estava tudo bem, eu me comportei como um verdadeiro gentleman, até que...
Dona Olga chamou a filha, para me conhecer.
Droga! Eu não estava pronto pra ser apresentado a Mulher da minha vida, assim, de repente, sem nenhuma carta na manga.
Jenny, veio correndo para a porta..Deus! Como ela era linda!
Estava sem boné, apenas com um short jeans, e camiseta branca, era irresistível, e eu, era um tonto, fiquei imaginando, minha vida com Jenny, totalmente distraído, enquanto, ela me estendia a mão, eu apenas sorria feito um idiota.
Quando despertei do transe, só consegui fugir.
Mano a mudança de cidade foi mó radical pra mim.
Afinal, precisava ter moral pra pegar o beco no meio do ano escolar, deixar pra trás todos os meus parças sem mais nem menos, minha moral, minha vida inteira, e dar área pra uma cidade de riquinhos, em um bairro de gente fresca, com cachangas enormes e vizinhos salsicha.
Mas eu não podia quebrar a corrente agora, a mudança era muito importante, não pra mim, eu sempre segurei a onda, mas, pra minha mãe, coitada, a morte do papai mexeu demais com ela,
Eles viveram juntos durante trinta e cinco anos, passaram por tudo juntos, até pelo problema de esterílidade da minha mãe.
Sim, eu não era a filha biológica deles, mas era como se fosse, sempre me senti completa nessa família, recebi todo o amor que meus pais verdadeiros não puderam me dar.
Mas vou te mandar a real, eu não guardo rancor dos meus pais biológicos, minha mãe disse que eles eram muito pobres, e as vezes faltava até o que comer, ela disse que eles me amavam demais, e que me deram para que eu não morresse de fome.
Como eu poderia odiá-los?
Eles sacrificaram seu amor por mim, para que eu tivesse um futuro.
Eu tinha duas famílias que me amavam, mas com a morte do papai, vítima do maldito câncer, minha mãe caiu na maior sofrência, e o médico orientou, que nós nos mudássemos, para diminuir a dor, encontrar uma cura.
Então decidimos nos mudar para Fetmancity, uma cidade "nobre", com grandes e "renomadas" escolas, grandes mansões, vizinhança segura, ao contrário, de Montezch, onde tudo era simples sem frescuras.
Assim que nos mudamos pra nova cidade, fomos recebidos por uma das vizinhas, uma senhora de uns sessenta e poucos anos, se chamava Jade, era a velhinha mais ponta firme, que eu já tinha conhecido.
Enquanto ela nos recebia, me distraí com a presença de outra pessoa...
Era um cara todo engomadinho, de camisas caras, óculos fundo de garrafa, e sapatos horríveis.
Não sei porque, mas eu não pude ficar indiferente a ele, era um franguinho, franzino, mas tinha alguma coisa, que me prendia, me arrastava pra ele.
Ele estava lá no quintal ao lado, com aquela cara de bocó, e eu não podia evitá-lo.
Na minha cidade, se alguém te encara, ele pode acabar morto, mas eu sinceramente, não desejava nenhum mal aquele garoto, não sei porque motivo, ele me inspirava carinho, confiança.
Pensei em puxar um papo, mas eu precisava ajudar com as caixas.
Mamãe e eu levamos metade do dia para desembrulhar tudo, mas valeu a pena, ela estava tão feliz, tinha um novo brilho nos olhos, e isso me deixou feliz.
Já era quase noite, quando a campainha tocou,
Mamãe atendeu, escutei ao longe, uma voz de mulher.
--Olá, boa noite, Eu sou Cherry Stolths, sou sua vizinha da esquerda..
Ótimo agora eu tinha que me enturmar com os fresquinhos daquele lugar...
OK, quem tá na chuva é pra se molhar.. não é isso?
Eu já abri a última caixa...em cinco minutos estaria tudo pronto se não fosse por aquilo...
--e este é meu filho Victor Drew.
Me perdoe o horário, mas é que como trabalho todo dia, não pude dar lhe as boas vindas.
...cara não ouvi mais nada depois de "filho" ela tinha um filho... será que?
Mamãe agradeceu, e me chamou, para conhecê-los.
Corri para a porta, e eis minha confirmação..
Era ele, o menino engomadinho que me deixou pilhada, tava lá na minha porta.
A mãe me cumprimentou, eu retribui, sem tirar meus olhos do Victor.
Ele por sua vez, estava me encarando, fixou o olhar em mim, sorriu, e meteu o pé..
Cara! fiquei muito bolada, o nóia pegou o beco e deixou todo mundo de cara lá.
Fiquei, esperando a mãe do Mané se recuperar do micão, logo ela encontrou uma explicação idiota.
--Oh, querida, não repare nos modos dele, Victor adora jogar charme par as garotas!
Mas não se preocupe, logo ele se acostuma, e vocês serão grandes amigos.
Adora jogar charme... Que sem noção! Que mina tonta cairia na conversa daquele Nerd, com sapatos horríveis, óculos horríveis... um olhar.. um sorriso...
Caraca maluco! Qualquer uma tombaria por aquele mané..
Talvez a dona tivesse razão,
Mas será que ser amiga de Victor era tudo o que eu queria?