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A Pegadinha Que Destruiu o Amor

A Pegadinha Que Destruiu o Amor

Autor:: Zhi Ning
Gênero: Romance
O mundo voltou num clarão branco. Teto branco, lençóis brancos, o cheiro estéril de antisséptico. Minha cabeça latejava. Eu estava num hospital. Meu noivo, Caio, correu para o meu lado, o rosto vincado de preocupação. Decidi pregar uma peça, fingir que tinha amnésia. "Quem... quem é você?", sussurrei. O alívio dele evaporou, substituído por um olhar calculista. Ele me mostrou a foto de outra mulher, Helena Neves, uma estagiária na empresa da família dele. "Ela é a mulher que eu amo", ele disse, a voz vazia. "Mas você e eu vamos nos casar. Nossas famílias têm um acordo. Uma fusão de negócios. É importante demais para dar errado." Minha mente girou. O homem que eu amava estava me dizendo que nosso relacionamento inteiro era uma mentira. Senti uma onda de fúria. "Então cancele tudo", disparei. Ele agarrou meu pulso, pânico em seus olhos. "Se essa fusão não acontecer, minha família está arruinada. A Helena... ela é muito frágil. O estresse a destruiria." Minha vida, meu amor, meu futuro... tudo não passava de um efeito colateral no drama patético e egoísta dele. Eu não era nada mais que um negócio. A espirituosa e orgulhosa Alice Arruda, herdeira de um império de tecnologia, reduzida a uma moeda de troca. Mais tarde, ouvi-o ao telefone, a voz suave e terna. "Não se preocupe, Helena. Está tudo sob controle. Ela está com amnésia. Não se lembra de nada. Me amar? Claro que ela me ama. É obcecada por mim desde criança. Chega a ser patético." Meu coração se estilhaçou. Ele achava que eu era uma tola, quebrada e esquecida, que ele podia manipular. Ele estava prestes a descobrir o tamanho do seu erro.

Capítulo 1

O mundo voltou num clarão branco. Teto branco, lençóis brancos, o cheiro estéril de antisséptico. Minha cabeça latejava. Eu estava num hospital.

Meu noivo, Caio, correu para o meu lado, o rosto vincado de preocupação. Decidi pregar uma peça, fingir que tinha amnésia. "Quem... quem é você?", sussurrei.

O alívio dele evaporou, substituído por um olhar calculista. Ele me mostrou a foto de outra mulher, Helena Neves, uma estagiária na empresa da família dele. "Ela é a mulher que eu amo", ele disse, a voz vazia. "Mas você e eu vamos nos casar. Nossas famílias têm um acordo. Uma fusão de negócios. É importante demais para dar errado."

Minha mente girou. O homem que eu amava estava me dizendo que nosso relacionamento inteiro era uma mentira. Senti uma onda de fúria. "Então cancele tudo", disparei. Ele agarrou meu pulso, pânico em seus olhos. "Se essa fusão não acontecer, minha família está arruinada. A Helena... ela é muito frágil. O estresse a destruiria."

Minha vida, meu amor, meu futuro... tudo não passava de um efeito colateral no drama patético e egoísta dele. Eu não era nada mais que um negócio. A espirituosa e orgulhosa Alice Arruda, herdeira de um império de tecnologia, reduzida a uma moeda de troca.

Mais tarde, ouvi-o ao telefone, a voz suave e terna. "Não se preocupe, Helena. Está tudo sob controle. Ela está com amnésia. Não se lembra de nada. Me amar? Claro que ela me ama. É obcecada por mim desde criança. Chega a ser patético." Meu coração se estilhaçou. Ele achava que eu era uma tola, quebrada e esquecida, que ele podia manipular. Ele estava prestes a descobrir o tamanho do seu erro.

Capítulo 1

O mundo voltou num clarão branco. Teto branco, lençóis brancos, o cheiro estéril de antisséptico. Minha cabeça latejava, uma dor surda e persistente atrás dos meus olhos. Eu estava num hospital.

Uma figura saltou de uma cadeira no canto. "Alice! Você acordou."

Era o Caio. Meu noivo. Seu rosto bonito estava vincado de preocupação, seu cabelo normalmente perfeito, uma bagunça. Ele correu para o meu lado, as mãos pairando sobre mim como se tivesse medo de me tocar.

"O médico disse que você só teve uma concussão. Leve", ele disse rapidamente. "Você sofreu uma queda feia na pista de esqui em Bariloche. Você se lembra?"

Eu me lembrava de tudo. A velocidade eletrizante, a curva acentuada, a placa de gelo que fez meus esquis voarem. Lembrei-me do mundo girando, uma bagunça caótica de neve e céu, antes que tudo ficasse escuro.

Mas, olhando para o rosto ansioso de Caio, uma ideia travessa surgiu em minha mente. Estávamos numa viagem de pré-casamento, uma última escapada antes que a fusão de nossas duas famílias, o Grupo Arruda e a Lacerda Holdings, fosse finalizada com o nosso casamento. Era tudo tão sério, tão planejado. Uma pequena brincadeira não faria mal.

Deixei meus olhos ficarem vazios, sem foco. Fiquei olhando para ele por um longo momento.

"Desculpe", sussurrei, minha voz intencionalmente fraca. "Quem... quem é você?"

Caio congelou. O alívio em seu rosto evaporou, substituído por um lampejo de confusão. "O quê? Alice, sou eu. Caio."

Ele se inclinou, a testa franzida. "Você não se lembra de mim?"

Eu balancei a cabeça lentamente, meu coração batendo forte com a emoção da brincadeira. Eu estava esperando que ele risse, que percebesse meu blefe, que me puxasse para seus braços e me dissesse que me amava não importava o quê. Eu queria aquele amor profundo e reconfortante que sempre acreditei que tínhamos.

Em vez disso, um olhar estranho cruzou seu rosto. Não era preocupação. Não era amor. Era algo que eu não conseguia identificar, algo calculista. Ele olhou para a porta, depois de volta para mim. Acreditando que eu era uma lousa em branco, ele deixou a máscara cair.

"Eu sou Caio Lacerda", ele disse, sua voz de repente vazia, desprovida de todo o calor. "Seu noivo."

A frieza em seu tom me deu um arrepio. Isso não fazia parte do jogo.

Ele pegou o celular e deslizou o dedo pela tela. Ele não me mostrou uma foto nossa. Ele me mostrou a foto de uma garota que eu nunca tinha visto antes. Ela era bonita de um jeito frágil, de olhos grandes, encostada nele num parque ensolarado.

"Esta é Helena Neves", disse ele, a voz suavizando ao olhar para a foto. "Ela é estagiária na empresa da minha família. Ela é a mulher que eu amo."

O ar sumiu dos meus pulmões. A brincadeira morreu na minha garganta, sufocada por uma onda súbita e doentia de choque.

"Mas você e eu", ele continuou, olhando para mim com o mesmo distanciamento arrepiante, "vamos nos casar. Nossas famílias têm um acordo. Uma fusão de negócios. É importante demais para dar errado."

Minha mente girou. Isso não podia ser real. O homem que eu amava desde a adolescência, o homem com quem eu estava prestes a me casar, estava me dizendo que nosso relacionamento inteiro era uma mentira.

Senti uma onda de fúria. "Então cancele tudo", disparei, minha voz rouca.

"O quê?" Ele pareceu genuinamente surpreso, como se não esperasse que eu tivesse uma opinião.

"O casamento. A fusão. Cancele tudo", repeti, minhas mãos apertando os lençóis engomados. "Eu não vou me casar com você."

Estendi a mão para o botão de chamada para chamar uma enfermeira, para ligar para o meu pai. Meu pai acabaria com essa farsa em um segundo.

Caio se lançou para frente e agarrou meu pulso. Seu aperto era surpreendentemente forte. "Não."

Havia pânico em seus olhos agora. Por um momento fugaz e estúpido, pensei que era porque ele tinha medo de me perder. Que talvez suas palavras cruéis fossem apenas um erro, um lapso momentâneo de julgamento.

"Você não pode", disse ele, a voz tensa. "Você não entende."

"Me solta, Caio."

"Não. Se essa fusão não acontecer, minha família está arruinada", ele sibilou, o rosto perto do meu. "A Helena... ela é muito frágil. O estresse a destruiria. Ela já tentou se machucar uma vez porque se sentiu culpada por nossa causa."

A esperança dentro de mim azedou, tornando-se algo amargo e frio. Não era sobre mim. Nunca foi sobre mim. Ele estava com medo por seu dinheiro e por sua outra mulher.

Minha vida, meu amor, meu futuro... tudo não passava de um efeito colateral no drama patético e egoísta dele. Um gosto amargo encheu minha boca. Eu não era nada mais que um negócio. A espirituosa e orgulhosa Alice Arruda, herdeira de um império de tecnologia, reduzida a uma moeda de troca.

Ele viu a luta se esvair do meu rosto. Ele soltou meu pulso, um lampejo do que poderia ter sido remorso em seus olhos. Desapareceu tão rápido quanto apareceu.

"Vou ter que mandar a Helena para longe por um tempo", disse ele, mais para si mesmo do que para mim. "Até as coisas se acalmarem depois do casamento. É melhor assim."

Ele se levantou, ajeitando as roupas, tornando-se o noivo charmoso e bonito novamente. Ele saiu do quarto sem outra palavra, deixando-me sozinha no silêncio estéril.

As paredes do quarto pareciam se fechar. Fiquei olhando para o teto, a dor latejante na minha cabeça abafada pelo zumbido nos meus ouvidos. Repassei nossos anos juntos, cada risada compartilhada, cada promessa sussurrada, cada beijo roubado. Tudo tinha sido uma ilusão. Uma mentira na qual eu vivi feliz.

Lágrimas queimaram meus olhos, mas me recusei a deixá-las cair. Não por ele.

Mais tarde, ouvi sua voz do corredor. Ele estava ao telefone.

"Não se preocupe, Helena. Está tudo sob controle. Ela está com amnésia. Não se lembra de nada."

Uma risada fria se seguiu. "Me amar? Claro que ela me ama. É obcecada por mim desde criança. Chega a ser patético."

Meu coração, que eu pensei que não poderia se quebrar mais, se estilhaçou em um milhão de pedacinhos.

"Não, você é diferente", sua voz suavizou para aquele tom terno que ele usara quando me mostrou a foto dela. "Você é a única que me entende. A única de quem eu preciso."

"Depois que nos casarmos, vou te manter em um lugar seguro. Ela será minha esposa, mas você... você terá meu coração. Sempre."

Fechei os olhos. As lágrimas finalmente vieram, quentes e silenciosas. Mas não eram mais lágrimas de coração partido. Eram lágrimas de raiva.

Ele achava que eu era uma tola, quebrada e esquecida, que ele podia manipular. Ele estava prestes a descobrir o tamanho do seu erro.

Com os dedos trêmulos, encontrei meu celular na mesa de cabeceira. Enviei uma única mensagem para meu pai.

`Pai, não vou me casar com o Caio. Cancele o noivado.`

Capítulo 2

Eu não dormi naquela noite. Apenas fiquei ali, olhando para a escuridão, a repetição da crueldade de Caio um loop constante em minha mente. Pela manhã, o choque inicial havia se transformado em uma determinação fria e clara. Tinha acabado.

Meu celular tocou. Era meu pai.

"Alice, querida, você está bem? Recebi sua mensagem. O que é isso de cancelar o noivado? Vocês brigaram?"

Sua voz era uma onda quente de preocupação que quase me fez desabar de novo. Quase.

"Nós só percebemos que não somos certos um para o outro, pai", eu disse, tentando manter minha voz leve. "É melhor descobrir isso agora do que depois do casamento, certo?"

"Claro, meu amor. O que você quiser", disse ele sem hesitar. "Não se preocupe com a parte dos negócios. Eu cuido disso. Estou pegando um voo para te ver. Já pedi para o Arthur ir te buscar."

Arthur Cordeiro. O chefe de segurança da nossa família. A ideia de sua presença firme e silenciosa era um conforto.

"Ok, pai. Obrigada."

Eu não contei a ele sobre a Helena. Qual era o sentido? Caio não valia o fôlego que levaria para expô-lo. Ele era um covarde e um mentiroso, e eu só o queria fora da minha vida.

Alguns minutos depois, uma notificação apareceu no meu celular.

`Helena Neves enviou uma solicitação de amizade.`

Meu dedo pairou sobre o botão 'aceitar'. Uma parte de mim queria ignorar, bloqueá-la e nunca mais pensar nela. Mas outra parte, a parte que fervia com uma fúria fria, queria ver qual era a dessa mulher. Eu aceitei.

Instantaneamente, uma série de fotos chegou.

A primeira era uma foto de Caio e Helena sentados em uma mesa de plástico barata no que parecia ser um boteco de beira de estrada. Um prato de batatas fritas gordurosas estava entre eles. Caio estava sorrindo, um sorriso real e desprotegido que eu não via há anos.

Lembrei-me de como ele sempre reclamava do meu amor por comida de rua, como ele chamava de "sem refinamento" e se recusava a comer qualquer coisa que não viesse de uma cozinha estrelada.

Uma mensagem de Helena seguiu a foto.

`O Caio nunca gostou de lugares assim, mas ele come aqui comigo porque sabe que é tudo que eu posso pagar. Ele disse que ama me ver feliz mais do que ama comida chique.`

As palavras foram um golpe direto. Lembrei-me de implorar para ele experimentar o pastel de feira que eu amava, apenas para ele torcer o nariz com desdém. Não era sobre a comida. Ele estava me treinando, me preparando para uma vida onde eu sempre seria a única a ceder, a me adaptar, a ser menos. A percepção foi um gosto amargo na boca.

Minha mão tremeu enquanto eu deslizava para a próxima foto. Era um close de duas mãos, entrelaçadas. No pulso de Caio havia uma pulseira de couro trançado simples. Na de Helena, uma igual.

`Ele disse que viu essas numa feirinha em Trancoso e pensou em mim na hora. Não são fofas?`

Minha respiração falhou. Eu me lembrava daquelas pulseiras. Nós as tínhamos visto naquela viagem, dois anos atrás. Eu as queria, tinha dito a ele que eram um símbolo doce e simples de um casal.

Ele tinha rido. "Alice, isso é porcaria de turista. Nós somos melhores que isso." Ele me levou a uma joalheria H.Stern e me comprou uma pulseira de diamantes que eu nunca usei.

Agora eu entendia. Ele não achava que eram porcaria. Ele só não as queria comigo. Ele estava guardando aquele gesto simples e doce para outra pessoa. Para o seu "amor verdadeiro".

Percorri o resto das fotos, cada uma um punhal cuidadosamente escolhido. Caio ajudando-a a se mudar para um apartamento minúsculo. Caio lendo para ela quando ela estava supostamente doente. Caio olhando para ela com uma adoração crua que ele nunca, nem uma vez, me mostrou.

A cada deslize, a dor se tornava uma pontada surda e entorpecente. A ilusão do nosso amor estava sendo sistematicamente desmontada, peça por peça dolorosa.

Então, uma nova mensagem de Helena.

`Ele me disse que você está com amnésia. É por isso que você ainda está se segurando? Porque não consegue se lembrar de como ele não te ama?`

Uma risada fria escapou dos meus lábios. Essa garota tinha coragem.

Eu digitei de volta uma resposta lenta e deliberada.

`Desculpe, quem é? Como você disse, minha memória não está muito boa agora. O nome não me é familiar.`

Adicionei mais uma linha, uma pequena reviravolta da minha parte.

`O Caio esteve aqui agora há pouco. Mencionou que ia mandar uma estagiária grudenta para longe para ela não nos incomodar mais. Era você?`

Os três pontos indicando que ela estava digitando apareceram e depois desapareceram. Um minuto de silêncio se passou. Então, sua mensagem final chegou. Era arrepiante.

`Você vai se arrepender disso.`

Fiquei olhando para a tela, uma estranha mistura de nojo e confusão. O que ela poderia fazer? Ela era apenas uma estagiária. Eu era Alice Arruda. Ela não era nada.

Eu estava tão, tão errada.

Capítulo 3

A porta do meu quarto de hospital se abriu com tanta força que bateu contra a parede. Caio entrou, o rosto uma máscara trovejante de fúria.

"O que você disse pra ela?", ele rugiu.

Ele marchou até minha cama e, sem uma palavra, arrancou a agulha do soro do dorso da minha mão. Uma pontada aguda de dor subiu pelo meu braço, e uma gota de sangue brotou na minha pele.

"Que porra é essa, Caio?", gritei, mais em choque do que com dor.

"A Helena tentou se matar", ele rosnou, agarrando meu braço. "Ela cortou os pulsos. Está em choque, perdeu muito sangue. Eles precisam de uma transfusão. Agora."

Minha mente ficou em branco. "O que isso tem a ver comigo?"

"Não se faça de idiota, Alice!", ele vociferou, seus dedos cravando na minha carne. "Ela me contou o que você disse pra ela. Você a empurrou para isso! Você tem que consertar. Você tem o mesmo tipo sanguíneo. Você vai doar seu sangue pra ela."

A audácia pura daquilo me deixou sem palavras. Ele estava me culpando pelo drama encenado de sua amante.

"Eu não vou a lugar nenhum", eu disse, minha voz tremendo de fúria. "Eu sou uma paciente aqui. Acabei de ter uma concussão. Não posso doar sangue."

Ele soltou uma risada áspera e cruel. "Ah, agora você está preocupada com a sua saúde? Você não estava tão preocupada quando estava ameaçando uma garota frágil e inocente, estava? Você queria que ela morresse, não é? É disso que se trata."

Ele me acusou de ser sem coração, de não ter consideração pela vida humana. As palavras, vindo dele, o homem que havia sistematicamente destruído meu mundo apenas algumas horas antes, eram tão distorcidas, tão profundamente injustas, que eu não conseguia nem formular uma resposta.

Minha confiança nele, no menino com quem cresci, no homem que pensei conhecer, se desfez em pó. Tinha acabado. Para sempre.

"Você vem comigo", disse ele, a voz baixando para uma calma ameaçadora. Ele não esperou por uma resposta. Ele me puxou da cama.

Minha camisola de hospital ofereceu pouca resistência. O mundo girou enquanto ele me arrastava, descalça e tonta, para fora do quarto e pelo corredor. Eu estava fraca demais para lutar de forma eficaz.

Ele me empurrou para dentro de um helicóptero particular que esperava no heliporto do hospital. As hélices já estavam girando, chicoteando meu cabelo em volta do meu rosto. O helicóptero decolou com um solavanco violento, e as luzes da cidade abaixo se transformaram em um borrão vertiginoso. Senti-me enjoada, minha cabeça latejando no ritmo das pás.

Quando pousamos, ele me arrastou com a mesma brutalidade para outro hospital. Era uma clínica particular menor. Ele me empurrou para uma cadeira em uma sala de coleta branca e austera. Enfermeiras se apressavam, seus rostos um borrão.

"Preparem-na", Caio ordenou a elas.

Um algodão frio com álcool na minha dobra do cotovelo me chocou de volta aos meus sentidos. Finalmente encontrei minha voz.

"Caio, você enlouqueceu?", gritei, tentando puxar meu braço. "Você não pode fazer isso!"

Uma das enfermeiras hesitou, olhando do meu rosto aterrorizado para o furioso de Caio. Ela podia ver que isso não estava certo.

"Senhor", disse ela timidamente, "acabamos de receber uma ligação. O banco de sangue enviou unidades suficientes para a Sra. Neves. Não precisamos de uma transfusão direta."

A sala ficou em silêncio. O olhar de Caio caiu sobre meu rosto, agora pálido como um fantasma sob as luzes fluorescentes. Por uma fração de segundo, sua testa se franziu. Vi um lampejo de algo em seus olhos - dúvida, talvez até culpa. Ele viu como eu parecia doente, como minha mão tremia.

Então, um gemido fraco e baixo veio do quarto ao lado.

"Caio...?"

Era a voz de Helena.

Instantaneamente, o lampejo de humanidade nos olhos de Caio desapareceu. Foi substituído por aquela determinação fria e dura. Seu foco mudou inteiramente para ela.

Ele olhou para a enfermeira, sua voz desprovida de qualquer emoção. "Tirem o sangue mesmo assim."

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