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A Pegadinha Que a Destruiu

A Pegadinha Que a Destruiu

Autor:: Lan Zhen
Gênero: Moderno
Eu estava a caminho de contar ao meu namorado, Caio, que eu estava grávida. Ele era meu salvador, o homem que me resgatou depois que um ataque brutal me deixou órfã. Mas quando cheguei à sua cobertura, ouvi-o conversando com a irmã, Kaila. Minha vida inteira era uma mentira. O ataque não foi aleatório; foi uma "pegadinha de mau gosto" que eles orquestraram para que ele pudesse bancar o herói. E só piorou. Kaila torturou e matou meu cachorro para "prática de cirurgia", e Caio a defendeu. Eles vazaram um vídeo íntimo meu, destruindo minha reputação na faculdade. Quando tentei escapar, Kaila mandou capangas atrás de mim, e o ataque me fez perder nosso filho. Enquanto eu sangrava no hospital, Caio me culpou por perder o bebê. Ele então me disse que o aborto espontâneo me deixou permanentemente infértil. Sua exigência final foi a mais cruel. Ele disse que eu tinha que "compensar" sua irmã por todo o problema que causei, doando um dos meus rins para ela. Mas eles cometeram um erro fatal. Eles pensaram que eu era uma órfã indefesa. Eles não sabiam que eu tinha acabado de herdar um império bilionário de uma tia secreta. E eu estava prestes a usar cada centavo para queimar o mundo deles até as cinzas.

Capítulo 1

Eu estava a caminho de contar ao meu namorado, Caio, que eu estava grávida. Ele era meu salvador, o homem que me resgatou depois que um ataque brutal me deixou órfã.

Mas quando cheguei à sua cobertura, ouvi-o conversando com a irmã, Kaila. Minha vida inteira era uma mentira. O ataque não foi aleatório; foi uma "pegadinha de mau gosto" que eles orquestraram para que ele pudesse bancar o herói.

E só piorou. Kaila torturou e matou meu cachorro para "prática de cirurgia", e Caio a defendeu. Eles vazaram um vídeo íntimo meu, destruindo minha reputação na faculdade. Quando tentei escapar, Kaila mandou capangas atrás de mim, e o ataque me fez perder nosso filho.

Enquanto eu sangrava no hospital, Caio me culpou por perder o bebê. Ele então me disse que o aborto espontâneo me deixou permanentemente infértil.

Sua exigência final foi a mais cruel. Ele disse que eu tinha que "compensar" sua irmã por todo o problema que causei, doando um dos meus rins para ela.

Mas eles cometeram um erro fatal. Eles pensaram que eu era uma órfã indefesa.

Eles não sabiam que eu tinha acabado de herdar um império bilionário de uma tia secreta. E eu estava prestes a usar cada centavo para queimar o mundo deles até as cinzas.

Capítulo 1

Eu segurava a pequena caixa embrulhada para presente com força em minhas mãos. Dentro, um teste de gravidez positivo. Uma surpresa para o Caio. Meu coração batia rápido, um ritmo nervoso, mas feliz, contra minhas costelas. Imaginei a expressão em seu rosto, o jeito que seus olhos se iluminariam. Nós seríamos uma família.

Usei minha chave para entrar em seu luxuoso apartamento de cobertura. Música e risadas vinham da sala de estar. Parei, meu sorriso vacilando. Ele estava dando uma festa. E não tinha me contado.

"Se livra dela logo, Caio. Já faz tempo demais."

Era a voz de Kaila, aguda e mimada. A irmã mais nova de Caio.

Eu congelei na entrada do corredor, escondida nas sombras.

"Ela está tão sem graça agora", outra voz, uma amiga deles, comentou. "A graça foi quebrar ela. Agora ela é só... um bichinho de estimação."

Minha respiração falhou. Encostei-me na parede fria, a caixa de presente de repente parecendo pesada e gelada.

Esperei que Caio me defendesse. Ele iria. Ele sempre defendia. Ele era meu salvador, o homem que me tirou da escuridão depois do ataque que me deixou órfã. Ele não deixaria que falassem de mim daquele jeito.

Meu celular vibrou no bolso no exato momento em que ouvi a voz dele, suave e calma.

"Eu sei, Kaila. Não se preocupe, eu vou resolver isso."

Foi um acordo gentil. Uma promessa para a irmã dele.

A tela do meu celular acendeu com uma mensagem dele.

*Oi, amor, surgiu um imprevisto no trabalho. Vou ficar preso aqui por um tempo. Não precisa me esperar.*

Uma mentira. Uma mentira casual e sem esforço.

Olhei da tela brilhante para a fresta da festa visível no corredor. Risadas. Música. E o homem que eu amava, escolhendo eles em vez de mim.

Um frio se espalhou por mim, tão profundo que parecia que meu sangue tinha virado gelo. Meus dedos tremiam enquanto eu digitava uma resposta.

*Ok. Se cuida. Não trabalhe demais.*

Um momento depois, um celular tocou dentro da sala.

"Aff, que garota grudenta", reclamou Kaila. "'Se cuida, não trabalhe demais.' Me dá vontade de vomitar."

"Bloqueia o número dela só por hoje", sugeriu outra pessoa. "Não aguento olhar para aquela cara de coitada dela."

A voz de Caio era leve, divertida. "Tudo bem. Vamos nos livrar dela em breve."

Então ele mencionou o ataque. O meu ataque. Aquele que destruiu minha vida, do qual ele me salvou.

"Você realmente exagerou naquela pegadinha, Kaila", disse ele, mas não havia raiva em seu tom. Apenas um toque de repreensão fingida. "Você quase a matou."

Meu mundo girou. Pegadinha?

Ele estava falando da noite em que fui atacada, deixada para morrer em um beco. A noite em que meus pais morreram em um acidente de carro correndo para o meu lado. Pegadinha?

"Não foi minha culpa ela ser tão fraca", Kaila retrucou, sua voz cheia de indignação. "Além disso, valeu a pena. Fez de você um herói. Você adora isso, não é? Bancar o salvador."

"Ele adora", riu outro amigo. "Especialmente porque foi você quem realmente o salvou daquele incêndio quando eram crianças. Ele te deve essa."

A sala explodiu em concordância. Todos eles sabiam. O tempo todo.

Minha mente ficou em branco. Os sons da festa se transformaram em um zumbido abafado. A base da minha vida, a única verdade à qual eu me agarrei por anos - que Caio era meu salvador - se desfez em pó.

Era tudo uma mentira.

Um jogo doentio e perverso.

Meu estômago se revirou e uma dor aguda atravessou meu corpo. Eu não conseguia respirar. Sentia como se estivesse sufocando.

Isso era real? Alguma coisa disso era real?

"Chega", a voz de Caio cortou o barulho, firme e final. "Não vamos mais falar sobre isso." Houve uma pausa. Então, sua voz baixou, tingida com uma diversão arrepiante que eu confundi com afeto por tanto tempo.

"Ela estava um caco quando a encontrei. Tão quebrada. Foi divertido montá-la de novo, torná-la exatamente o que eu quero."

Ele me descreveu.

"Como uma bonequinha. Ou um bichinho de estimação. Ela faz tudo o que eu digo. Ela acha que eu sou o mundo inteiro dela."

Eu podia ouvir o sorriso em sua voz.

"E o casamento?", perguntou Kaila, com um tom provocador. "Você não vai realmente se casar com essa coitadinha, vai?"

Caio riu. Um som frio e feio.

"Não seja ridícula. Ela não é material para a família Monteiro. Ela é só um passatempo. Algo para matar o tempo."

Uma risada amarga e sufocada escapou da minha própria garganta. Parecia um soluço.

Virei-me e saí tropeçando, meus movimentos bruscos e descoordenados. Eu não sabia para onde estava indo. Meu cérebro era uma névoa de ruído branco. O mundo era uma piada doentia e absurda, e eu era o alvo.

Minhas pernas cederam e eu desabei contra a parede no corredor vazio, deslizando até o chão.

Suas palavras ecoavam na minha cabeça, cada uma uma nova onda de agonia.

Bichinho de estimação. Bonequinha. Passatempo.

Pensei na noite do ataque, no sangue, no terror. Pensei nos meus pais, que se foram para sempre. Pensei em Caio chegando como um anjo, seus braços ao meu redor, prometendo me manter segura.

Tudo uma mentira. Uma mentira meticulosamente elaborada.

A náusea subiu pela minha garganta e eu tive um espasmo, mas nada saiu.

Ele me encontrou naquele galpão, quebrada e aterrorizada. Ele me abraçou enquanto eu chorava por meus pais mortos. Ele ficou ao meu lado quando tentei acabar com minha própria vida, sussurrando palavras de esperança e um futuro. Ele me deu um anel lindo, não de casamento, mas como um símbolo de sua "proteção eterna".

Cada ato de salvação era apenas mais um elo na corrente que me mantinha cativa.

Minha mão foi para o meu estômago, para a pequena vida secreta dentro de mim. A surpresa que eu estava tão animada para compartilhar. Agora, parecia a piada final e mais cruel de todas.

Eles tinham tirado tudo de mim. Minha família, minha segurança, minha sanidade. Eles não levariam esta criança.

Peguei meu celular, meus dedos tremendo tanto que mal conseguia discar. Liguei para meu orientador acadêmico, o Professor Almeida.

"Professor", sussurrei, minha voz falhando. "Preciso da sua ajuda. O programa de intercâmbio... ainda é possível eu ir?"

"Alice? O que aconteceu?", sua voz estava cheia de preocupação. "Sim, claro. Podemos resolver isso. Você está bem?"

"Eu preciso ir embora", eu disse, as palavras saindo em uma torrente. "Preciso ir embora agora."

Capítulo 2

A voz do Professor Almeida foi uma âncora firme na tempestade que se formava dentro de mim. "Claro, Alice. Vamos fazer acontecer. Apenas me diga do que você precisa."

"Obrigada", sussurrei. Senti uma pontada de culpa por preocupá-lo, mas o desespero era um peso físico no meu peito.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, a tela do meu celular piscou e apagou. Sem bateria. Claro.

O caminho de volta para o apartamento que eu dividia com Caio foi um borrão. Meu corpo se movia no piloto automático, me carregando pelas ruas da cidade como um fantasma.

Quando finalmente cheguei à porta, vi que as luzes estavam fracas lá dentro. Empurrei a porta, uma centelha de esperança irracional piscando no meu peito. Talvez ele tivesse voltado mais cedo. Talvez estivesse me esperando.

Mas o apartamento estava vazio. O silêncio era pesado, preenchido pelos fantasmas da nossa vida compartilhada. O cheiro do perfume dele pairava no ar, um aroma que antes me trazia conforto, mas que agora fazia meu estômago se contrair.

Desabei no sofá, o esgotamento me atingindo de uma vez. Cada músculo do meu corpo doía. Encolhi-me em uma bola, as almofadas macias não oferecendo nenhum conforto.

Lágrimas que eu não sabia que ainda tinha começaram a cair, silenciosas e quentes, encharcando o tecido sob minha bochecha.

No caminho para casa, um grupo de homens me assediou em uma rua escura. Seus rostos maliciosos e palavras grosseiras me causaram um terror familiar. Naquele momento, eu desejei por Caio. Eu ansiava pela falsa sensação de segurança que ele proporcionava. A ironia era um comprimido amargo de engolir.

O sono finalmente me venceu, um vazio negro e sem sonhos.

Acordei com uma dor aguda e cortante na perna.

Meus olhos se abriram de repente. A luz da sala estava acesa, ofuscante. Pisquei, tentando entender a cena.

Kaila Monteiro estava ajoelhada ao meu lado, uma pinça na mão, cavando um corte na minha canela.

"O que você está fazendo?", ofeguei, tentando puxar minha perna.

Ela olhou para cima, sua expressão de pura inocência. "Estou te ajudando, boba. Você estava sangrando."

Ela ergueu a pinça, um pequeno pedaço de cascalho preso nas pontas. "Você deve ter se arranhado. Só estou limpando o ferimento."

Meu olhar caiu sobre minha perna. O corte era profundo, muito pior que um simples arranhão. E o que ela estava fazendo... não era limpar. Era desajeitado, quase malicioso. Eu cursava medicina. Eu sabia que não era assim que se tratava um ferimento.

"Pare", eu disse, minha voz ríspida. "Fique longe de mim."

Recuei no sofá, colocando o máximo de distância possível entre nós. A visão dela, tão perto, me tocando, fazia minha pele arrepiar. Tudo o que eu conseguia ver eram seus olhos risonhos das minhas lembranças da festa.

Seu rosto se contorceu de raiva. "Tudo bem! Seja assim. Eu só estava tentando ajudar. O Caio tem razão, você ficou tão insuportável ultimamente."

Nesse momento, a porta da frente se abriu e Caio entrou. Ele viu o rosto emburrado de Kaila primeiro.

"O que foi, Kai?", ele perguntou, sua voz suave e calmante.

Ele se aproximou e colocou o braço ao redor dela, me ignorando completamente.

Então seus olhos caíram sobre mim, encolhida na outra ponta do sofá. Ele notou meu rosto pálido, as marcas de lágrimas em minhas bochechas.

Sua expressão mudou para uma de preocupação fingida. "Alice, meu amor, você está machucada."

Ele se moveu em minha direção, sua mão estendida. "Deixa eu ver. Dói? Vem, deixa eu te abraçar."

A visão de seu olhar carinhoso, o mesmo pelo qual eu me apaixonei, agora fazia meu estômago revirar. Eu me encolhi ao seu toque, virando a cabeça para não ter que olhá-lo.

"Não precisa de pontos", eu disse, minha voz fria e sem emoção. "Só precisa ser limpo e enfaixado."

Caio pareceu surpreso com meu tom. "A Kaila só estava tentando ajudar, Alice. Ela estava preocupada com você."

Ele queria que eu agradecesse a ela. Agradecer à garota que orquestrou meu ataque. O pensamento era tão absurdo que era quase engraçado.

Eu não respondi. Apenas encarei a parede, meu maxilar cerrado.

Ignorando a dor latejante, estendi a mão e arranquei o pedaço de cascalho do meu próprio ferimento com os dedos. Sangue fresco brotou, pingando no carpete branco imaculado.

Levantei-me e caminhei em direção ao meu quarto sem dizer uma palavra.

"Viu?", ouvi Kaila choramingar atrás de mim. "Ela é impossível."

"Tudo bem", a voz de Caio era um murmúrio baixo. "Ela só está chateada. Eu vou falar com ela."

Abri a porta do meu quarto e parei abruptamente.

O quarto estava diferente. Minhas coisas tinham sumido, substituídas pelas roupas de grife e maquiagem de Kaila espalhadas pela cômoda.

Caio apareceu atrás de mim. "Ah, é mesmo. A Kaila vai ficar com a gente por um tempo, então eu dei o seu quarto para ela. Você pode ficar no quarto de hóspedes por enquanto."

Ele disse isso tão casualmente, como se estivesse falando do tempo. Ele tinha dado o meu quarto, o nosso quarto, para ela.

Kaila espiou por trás dele, um sorriso triunfante no rosto.

"Você não se importa, não é, Alice?", ela perguntou, sua voz escorrendo uma doçura falsa.

Antes que eu pudesse responder, um choro fraco e baixo veio do canto do quarto.

Meus olhos dispararam para a fonte do som. Vi uma pequena mancha escura no carpete. Sangue.

Meu coração parou.

"Sol?", sussurrei.

Corri passando por eles, minha perna ferida esquecida. No canto, encolhido em sua caminha, estava meu golden retriever, Sol. Ele estava coberto de sangue, seu pelo lindo, emaranhado e escuro. Seu corpo tremia e sua respiração era superficial.

Ele estava morrendo.

Caí de joelhos ao lado dele, minhas mãos pairando sobre seu corpo quebrado, com medo de tocá-lo, com medo de causar mais dor.

"Sol, meu amor, sou eu", engasguei, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. "Vai ficar tudo bem."

Mas eu sabia que não ficaria. Eu podia sentir a vida se esvaindo dele. Ele conseguiu dar uma lambida fraca na minha mão, seu rabo deu uma única e fraca batida contra a cama.

Lembrei-me do dia em que o trouxe para casa, um filhote minúsculo e desajeitado. Ele tinha sido minha sombra, meu conforto, minha única família depois que meus pais morreram. Ele tinha lambido minhas lágrimas mais vezes do que eu podia contar. Ele era a única coisa pura e boa na minha vida.

Meus olhos examinaram seu corpo, e então eu vi. Feridas grosseiramente costuradas, vermelhas e inflamadas, cruzando seu tronco. Alguém havia praticado suturas nele.

Uma onda de agonia tão intensa que me dobrou. Eu não conseguia respirar.

Olhei para cima, meu olhar pousando em Kaila.

"Você", murmurei, minha voz uma coisa crua e quebrada. "Foi você que fez isso."

O rosto de Kaila era uma máscara de indiferença. Ela nem teve a decência de parecer culpada. Ela apenas deu de ombros, escondendo-se um pouco atrás de Caio.

"Foi um acidente", disse ela com desdém. "Eu estava praticando minhas habilidades cirúrgicas para a faculdade de veterinária. Ele não parava quieto. Vira-lata idiota."

Capítulo 3

Meu último resquício de esperança se voltou para Caio. Ele tinha que ver. Ele tinha que entender.

"Caio, olhe para ele", implorei, minha voz tremendo. "Ela o torturou. Ele é nosso cachorro. Nosso... nosso bebê."

A voz gentil de Caio cortou minhas palavras frenéticas como um caco de vidro. "Alice, se acalme. Foi para o seu próprio bem."

Eu o encarei, sem compreender. "Para o meu bem?"

"A Kaila precisa praticar", disse ele, como se fosse a coisa mais razoável do mundo. "Além disso, ele é só um cachorro. A vida dele não é tão importante quanto a de uma pessoa."

Eu o olhei boquiaberta, as palavras me atingindo com a força de um golpe físico. Só um cachorro.

"Você costumava chamá-lo de nosso filho", sussurrei, a memória uma ferida fresca. "Você disse que ele era da família."

Minha voz se elevou, aguda e estridente com incredulidade e dor. "Ele era da família!"

Kaila bufou atrás de Caio. "Patético. Ficar tão alterada por causa de um animal estúpido."

Caio deu um passo à frente, sua mão se estendendo para o corpo sem vida de Sol. "Vamos tirar isso daqui. Está fazendo uma bagunça."

"Não toque nele!", gritei, protegendo Sol com meu próprio corpo.

"Alice, seja razoável", disse ele, sua paciência claramente se esgotando. "É só um cachorro. Eu te compro um novo. Um melhor."

Eu o encarei, vendo-o de verdade pela primeira vez. A fachada encantadora havia se dissolvido completamente, revelando o vazio frio e oco por baixo. Ele não sentia nada. Nem por Sol, e nem por mim.

A luta se esvaiu de mim, substituída por um vazio arrepiante. Sentei-me no chão, embalando o corpo de Sol, e não me movi pelo resto da noite. Minhas lágrimas finalmente secaram, deixando meus olhos inchados e irritados.

Pouco antes do amanhecer, enrolei Sol em seu cobertor favorito. Peguei todo o dinheiro que tinha, cada centavo, e encontrei um serviço de cremação de animais 24 horas. Levei suas cinzas ao cemitério e as enterrei ao lado dos túmulos de meus pais.

Fiquei sentada ali no chão frio por horas, a dor na minha perna uma pontada surda em comparação com o buraco aberto no meu coração. Sol era inocente. Ele não merecia morrer de uma forma tão horrível.

Meu celular tocou, me assustando. Era o Professor Almeida. Ele parecia preocupado. "Alice, você está bem? Tem algo que você precisa ver. Pode vir ao meu escritório?"

Uma sensação de pavor me invadiu enquanto eu atravessava o campus. Os alunos me encaravam e sussurravam, seus olhos se desviando quando eu olhava para eles. Algo estava errado.

Em seu escritório, o Professor Almeida virou seu laptop para mim. Ele não disse uma palavra.

Na tela havia um vídeo. Era eu. No meu quarto. O vídeo era granulado, filmado por uma câmera escondida, e o conteúdo era privado, íntimo. Algo que Caio me convenceu a fazer, prometendo que era só para ele.

Meu rosto ficou branco. Senti-me enjoada, exposta, violada mais uma vez. Fechei o laptop com força.

"De onde veio isso?", perguntei, minha voz mal um sussurro.

Os olhos do Professor Almeida estavam cheios de compaixão. "Está em todos os fóruns da faculdade, Alice. Alguém vazou ontem à noite."

Eu sabia, com uma certeza que me gelou até os ossos, quem era o responsável. "Nunca deveria ter saído do celular dele."

"Precisamos ir à polícia", disse ele com firmeza. "Isso é um crime. Eles te identificaram no vídeo, e há rumores horríveis se espalhando. Algumas pessoas estão até sugerindo que você está envolvida em... vender esse tipo de conteúdo."

O mundo girou diante dos meus olhos. Minha reputação, meu futuro, tudo isso estava sendo destruído.

"Preciso encontrá-lo", eu disse, minha voz entorpecida. Recusei a oferta do professor de me acompanhar à delegacia. Eu tinha que enfrentar Caio sozinha.

Denunciei o incidente e depois voltei para o apartamento. Caio e Kaila tinham sumido. Seus celulares iam direto para a caixa postal. Uma parte de mim, a parte estúpida e esperançosa, se preocupou que algo tivesse acontecido com eles.

Eu estava andando de um lado para o outro na sala, minha mente a mil, quando a porta da frente se abriu. Não era Caio. Eram dois homens grandes e ameaçadores que eu nunca tinha visto antes.

"Estávamos esperando por você, Alice", disse um deles com um sorriso malicioso.

"Quem são vocês? Como entraram aqui?", exigi, recuando.

Eles trocaram um olhar. "Você nos deu a chave, lembra?", o outro riu.

Meu sangue gelou. Era outra mentira, outra armadilha. "Eu não conheço vocês."

"Não importa", disse um deles, avançando sobre mim. "Nossa chefe está muito infeliz com você."

Tateei em busca do meu celular, meus dedos tremendo enquanto eu discava 190.

"Vadia!", o homem praguejou, avançando para cima de mim. Eles viram o celular e fugiram, batendo a porta atrás de si. Fiquei ali, tremendo, meu corpo coberto de um suor frio.

A porta se abriu novamente. Desta vez, era Caio.

"Alice!", ele parecia frenético.

Por uma fração de segundo, o alívio me invadiu. O velho instinto de correr para ele, de buscar sua proteção, ainda estava lá.

"Caio, onde você esteve?", perguntei, um soluço preso na garganta. Eu queria perguntar sobre o vídeo, sobre os homens, sobre tudo.

Mas antes que eu pudesse, Kaila apareceu atrás dele. Seu rosto era uma máscara de fúria. Ela deu um passo à frente e me deu um tapa forte no rosto.

A força do golpe me fez cambalear para trás.

"Sua vadia estúpida!", ela gritou. "Você chamou a polícia para os meus amigos? Você vai comigo para a delegacia agora mesmo para limpar o nome deles!"

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