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A Perne Quebrada e o Coração Curado

A Perne Quebrada e o Coração Curado

Autor:: Shao Yuan
Gênero: Romance
Abri os olhos no hospital, com o cheiro forte de desinfetante. Ao meu lado, meu noivo Tiago mal notou que eu tinha acordado. Minha garganta seca, perguntei pelo nosso casamento. Ele suspirou, irritado: "Sofia, vamos adiar." Adiar? Eu tinha acabado de ser atropelada pela irmã dele. E ele ainda a defendia, dizendo que Laura não fez por mal, que estava preocupada com o cachorro. Foi então que peguei meu celular e vi a foto de Laura nas redes sociais. A imagem clara e cruel dela, sorrindo e celebrando em um restaurante chique, postada enquanto eu estava na sala de cirurgia. "Traumatizada?", perguntei a Tiago, mostrando a foto. Ele tentou se justificar, mas sua mentira se desfez diante dos meus olhos. Naquele momento, toda a frieza e a traição se revelaram. Eu não o amo mais, eu percebi. Com a perna quebrada e o coração em pedaços, olhei para Tiago. "Vamos cancelar o casamento", eu disse, com uma clareza assustadora. Ele me acusou de ser egoísta, saiu batendo a porta. Minha mãe chegou, e para meu choque, ela também tinha ajudado a família dele, deixando-me sozinha no hospital sob o pretexto de cuidar da velha avó. Ouve-se agora sua voz no telefone, gritando em alto e bom som, perguntando por que eu, uma "filha ingrata", estou arruinando sua vida por um "arranjo na perna". Essa família me abandonou, me envergonhou, me roubou. Agora, eles estão me processando, exigindo uma compensação por "danos emocionais" e pelos custos do casamento cancelado? Ninguém pode ser tão desprezível, certo? Mas eles não sabem que o meu pai, que me abandonou há anos, voltou. E com ele, uma sede de justiça que eles jamais esperariam. É hora de virar o jogo.

Introdução

Abri os olhos no hospital, com o cheiro forte de desinfetante.

Ao meu lado, meu noivo Tiago mal notou que eu tinha acordado.

Minha garganta seca, perguntei pelo nosso casamento.

Ele suspirou, irritado: "Sofia, vamos adiar."

Adiar? Eu tinha acabado de ser atropelada pela irmã dele.

E ele ainda a defendia, dizendo que Laura não fez por mal, que estava preocupada com o cachorro.

Foi então que peguei meu celular e vi a foto de Laura nas redes sociais.

A imagem clara e cruel dela, sorrindo e celebrando em um restaurante chique, postada enquanto eu estava na sala de cirurgia.

"Traumatizada?", perguntei a Tiago, mostrando a foto.

Ele tentou se justificar, mas sua mentira se desfez diante dos meus olhos.

Naquele momento, toda a frieza e a traição se revelaram.

Eu não o amo mais, eu percebi.

Com a perna quebrada e o coração em pedaços, olhei para Tiago.

"Vamos cancelar o casamento", eu disse, com uma clareza assustadora.

Ele me acusou de ser egoísta, saiu batendo a porta.

Minha mãe chegou, e para meu choque, ela também tinha ajudado a família dele, deixando-me sozinha no hospital sob o pretexto de cuidar da velha avó.

Ouve-se agora sua voz no telefone, gritando em alto e bom som, perguntando por que eu, uma "filha ingrata", estou arruinando sua vida por um "arranjo na perna".

Essa família me abandonou, me envergonhou, me roubou.

Agora, eles estão me processando, exigindo uma compensação por "danos emocionais" e pelos custos do casamento cancelado?

Ninguém pode ser tão desprezível, certo?

Mas eles não sabem que o meu pai, que me abandonou há anos, voltou.

E com ele, uma sede de justiça que eles jamais esperariam.

É hora de virar o jogo.

Capítulo 1

Quando abri os olhos, o teto branco do hospital foi a primeira coisa que vi.

O cheiro de desinfetante era forte.

O meu noivo, Tiago, estava sentado ao meu lado, a olhar para o telemóvel com uma expressão sombria.

Ele nem reparou que eu tinha acordado.

A minha garganta estava seca, e a minha voz saiu rouca.

"Tiago..."

Ele levantou a cabeça, a sua irritação era óbvia.

"Finalmente acordaste? A cirurgia correu bem. O médico disse que vais recuperar."

A sua voz era fria, sem um pingo de preocupação.

"Onde está a minha mãe?", perguntei.

"Ela está a caminho," ele respondeu impacientemente, voltando a olhar para o telemóvel. "A avó não está bem, teve de ir para casa primeiro para cuidar dela."

A avó dele. Claro.

"E o nosso casamento?", a minha voz tremeu um pouco.

Tiago suspirou, um som longo e cansado.

"Sofia, vamos adiar. Não vês a situação em que estamos? A tua perna está partida, a minha avó está doente. Não temos tempo nem energia para um casamento agora."

Ele disse isto como se fosse a coisa mais razoável do mundo.

Como se o acidente não tivesse sido culpa da irmã dele.

"Adiar?", repeti, a palavra soava estranha na minha boca. "A Laura atropelou-me com o carro dela, Tiago. E agora queres adiar o nosso casamento por causa disso?"

A sua cara fechou-se.

"Não fales assim da Laura. Ela não fez por mal. Estava em pânico, o cão dela tinha acabado de ser atacado por um cão de rua. Ela estava a correr para o veterinário."

Um cão.

A minha perna partida, a nossa vida virada do avesso, por causa de um cão.

"Ela estava a correr para o veterinário e não me viu na passadeira?", a minha voz subiu de tom.

"Ela já pediu desculpa, Sofia! O que mais queres que ela faça? Ela está traumatizada! A culpa foi do dono do outro cão que o deixou andar sem trela!"

Senti um frio a percorrer-me, um frio que não vinha da anestesia.

O meu telemóvel estava na mesa de cabeceira. Peguei nele com a mão a tremer.

Abri as redes sociais.

A primeira coisa que vi foi uma foto da Laura.

Ela estava no melhor restaurante da cidade, a sorrir para a câmara, com um copo de vinho na mão.

A legenda dizia: "A celebrar a recuperação do meu bebé! Um susto enorme, mas agora está tudo bem. Obrigada ao meu irmão maravilhoso, Tiago, por todo o apoio!"

A foto tinha sido publicada há uma hora.

Enquanto eu estava na sala de cirurgia.

Enquanto o Tiago me dizia que a irmã dele estava traumatizada.

Mostrei-lhe o telemóvel.

"Traumatizada? Parece que ela está a recuperar muito bem."

Tiago olhou para a foto e o seu rosto ficou vermelho.

"Isso... isso foi para a animar. Ela estava muito em baixo."

"Em baixo", repeti, sem emoção. "Tiago, vamos cancelar o casamento."

Ele olhou para mim, chocado.

"O quê? Estás a falar a sério? Vais acabar tudo por causa disto? Depois de tudo o que passámos?"

"Sim," disse eu, com uma clareza que me surpreendeu. "Acabou."

"Não sejas ridícula, Sofia! Estás a exagerar por causa de um pequeno acidente. A Laura vai pagar todas as tuas despesas médicas."

"Não é pelo dinheiro," respondi calmamente. "É por ti. Pela tua escolha."

Ele ficou em silêncio, a fúria a crescer nos seus olhos.

"A minha escolha? Eu escolhi ajudar a minha família! Algo que tu aparentemente não entendes. Estás a ser egoísta!"

Com isso, ele levantou-se abruptamente.

"Pensa bem no que estás a fazer. Quando saíres desse teu drama, falamos."

Ele saiu do quarto, batendo a porta com força.

O som ecoou no silêncio.

Olhei para a minha perna, imobilizada com gesso.

O nosso casamento não foi adiado.

Foi cancelado.

Por mim.

Naquele momento, eu soube que não havia volta a dar.

Capítulo 2

A minha mãe chegou pouco depois, com o rosto cansado.

"Minha querida, como te sentes?"

Ela sentou-se na cadeira que o Tiago tinha deixado vazia, a sua mão quente a segurar a minha, que estava fria.

"Onde estiveste, mãe? O Tiago disse que foste para casa por causa da avó."

A minha mãe hesitou, desviando o olhar.

"Sim, a Dona Helena não se estava a sentir bem. A pressão arterial subiu. A Laura ligou, desesperada. Tive de ir lá ver como ela estava."

Senti o meu coração afundar um pouco mais.

"A Laura ligou e tu foste? Mãe, a filha dela atropelou-me."

"Eu sei, querida, eu sei," ela disse, com a voz cheia de uma cansaço que eu conhecia bem. "Mas a Helena é uma senhora idosa, e a Laura estava sozinha com ela. O Tiago estava aqui contigo. Eu só... tentei ajudar."

Ela sempre tentava ajudar toda a gente, menos a si mesma. E, por vezes, menos a mim.

"A Laura não estava sozinha," disse eu, com a voz vazia. "Ela estava a celebrar num restaurante com o Tiago."

Mostrei-lhe a foto no meu telemóvel.

A minha mãe olhou para a imagem, e o seu rosto perdeu a cor.

Ela ficou em silêncio por um longo tempo.

"Eu não sabia," sussurrou ela finalmente. "Eles disseram-me que estavam em casa."

Claro que disseram.

"Mãe, eu cancelei o casamento."

Ela olhou para mim, os seus olhos a encherem-se de pânico.

"Sofia, não! Não podes fazer isso. Foi um acidente. As pessoas cometem erros. Tu e o Tiago amam-se."

"Eu não o amo mais," disse eu. A mentira soou quase como uma verdade. "E ele não me ama. Ele escolheu a irmã dele. Ele sempre a escolherá."

"Isso não é verdade," ela insistiu. "Ele está apenas stressado. A família dele depende muito dele. Tens de ser compreensiva."

Compreensiva.

Eu estava numa cama de hospital com uma perna partida, e tinha de ser compreensiva.

"Não," disse eu, firme. "Acabou. E preciso que fiques do meu lado."

A minha mãe começou a chorar, lágrimas silenciosas a escorrerem-lhe pelo rosto.

"Sofia, por favor, pensa bem. O que vais fazer? Um casamento cancelado... as pessoas vão falar. E a nossa casa? O Tiago pagou a maior parte da entrada."

"É apenas uma casa, mãe."

"Não é apenas uma casa! É a nossa segurança! Onde vamos viver?"

A sua angústia era palpável. Eu entendia o seu medo. Depois do meu pai nos ter deixado, ela lutou muito para nos dar uma vida decente. Para ela, o Tiago não era apenas o meu noivo, era a promessa de estabilidade que ela nunca teve.

"Vamos dar um jeito. Eu dou um jeito."

"Como?", ela soluçou. "Não podes trabalhar assim. Eu não ganho o suficiente."

Naquele momento, o telemóvel dela tocou.

Era a Dona Helena, a mãe do Tiago.

A minha mãe atendeu, tentando controlar a voz.

"Olá, Helena... Sim, estou com ela... Ela está... está a recuperar."

A voz da Helena era alta e estridente, mesmo através do telefone.

"Passa-me essa tua filha ingrata! Quero falar com ela!"

A minha mãe olhou para mim, com os olhos a implorar.

Recusei com a cabeça.

"Ela não pode falar agora, está a descansar," disse a minha mãe, com a voz a tremer.

"Descansar? Depois de partir o coração do meu filho? Ele chegou a casa devastado! Tudo por causa de um arranhão na perna! Que egoísta! Depois de tudo o que fizemos por vocês, a dar-vos um teto, é esta a gratidão que recebemos?"

Um arranhão na perna.

A minha mãe desligou o telefone, pálida como uma folha de papel.

Ela olhou para mim, a derrota estampada no seu rosto.

"Vês?", disse eu, baixinho. "É isto que eles pensam de nós."

Ela não respondeu. Apenas ficou ali sentada, a chorar silenciosamente no quarto de hospital estéril.

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