Sinopse
Eles me salvarão. Eles vão me quebrar. Não se eu chegar lá primeiro. Rockwell Academy. Um lugar onde os demônios circulam e o destino muda vidas. Fui enviado para me juntar ao meu irmão gêmeo. Para terminar minha educação antes que o destino me alcance e me arraste na linha. A liberdade é algo que desejo, mas nunca será minha enquanto for controlada por meu pai. Não tenho muito tempo - não temos muito tempo porque não estou sozinho nessa loucura. Cinco homens caminham ao meu lado Filhos das famílias mafiosas mais poderosas do mundo. O Chefe - meu gêmeo que é minha felicidade vestido como um cavaleiro do inferno e que Deus me ajude se é assim que se sente o conforto. O Demônio - O homem com uma mente corrupta e distorcida, olhos escuros sem alma que guardam os segredos do próprio Satanás. O Anjo - Uma beleza caótica de santo e pecador combinados. Alto, largo e devastadoramente bonito. A cor de seu cabelo é a única coisa clara sobre ele e a loucura em seus olhos faria qualquer um se encolher de medo. O Selvagem - Brutalmente bonito de uma forma distorcida, áspera, capaz. Uma máquina com músculos ondulados e cabelo cortado rente. O sonho da maioria das mulheres e o pesadelo de todos os homens. O tipo forte e silencioso. Depois, há a Besta – forte, possessivo, dominante. Amoroso, escuro e delicioso. Exigente, doce e protetor. O único homem que eu quero, mas nunca poderei ter. Um beijo mudará a história e um beijo é tudo o que seria necessário para me arruinar para sempre. Eu quero uma noite apenas em seus braços. Isso destruirá todos nós. Ande com o diabo e ele corrompe sua alma e se você for muito azarado, ele a destrói.
PRÓLOGO
WINTER QUATORZE ANOS
É a espera que é mais difícil. Esperar a morte porque é tudo o que temos
pela frente. Está sempre lá, à espreita nas sombras, pronta para atacar a qualquer momento.
Os gritos da mulher atravessam o ar no sopro do vento que dança em
meu rosto, eu estremeço.
Uma mão forte alcança a minha e a segura com força e uma voz profunda sussurra com voz rouca. - Está tudo bem, Winter.
Piscando, tento me distanciar da minha realidade e imaginar uma vida diferente. Uma vida normal onde nenhum demônio espreita, tramando sua morte. Uma vida cheia de esperança e sonhos de felicidade em vez de um senso de destino dando a você a carta da morte.
Os gritos chicoteiam ao nosso redor como as almas contaminadas do Inferno, me pergunto por quanto tempo ela vai lutar. Da última vez, eles levaram horas para morrer. Os perversos, os tolos e os condenados. Um morre e outro toma seu lugar. Negócios como de costume no Inferno.
Fechando bem os olhos, tento imaginar um lugar mais feliz. Qualquer lugar menos aqui serviria, mas tudo o que posso ver é um vazio negro esperando que eu caia de cabeça nele sem rede de segurança.
Meu passado, meu futuro e meu presente, se houver, espero não ter muito tempo.
Ela para e eu respiro pela primeira vez.
Graças a Deus ela se foi.
Se sinto alguma coisa, é surpresa por não sentir nenhuma emoção. Eu realmente a conhecia? Uma perfeita estranha que só fez uma coisa por mim, me deu a vida.
O suspiro suave ao meu lado me faz apertar sua mão um pouco mais forte, um braço envolve meus ombros e uma voz suave diz. - Eu nunca vou deixar que eles machuquem você, Winter. Você tem minha palavra nisso. Somos só você e eu agora.
Suas palavras são destinadas a oferecer conforto, mas elas apenas trazem uma nova onda de dor que me apunhala repetidamente na maioria dos dias, porque eu só o tenho enquanto meu pai permitir. Um caroço se forma na minha garganta junto com a dor no meu coração porque e se...?
- Pare de pensar. - Sua voz é curta e sombria, eu aceno, já derrotada.
- Angelo...
- Ouça-me, Winter. - Ele me interrompe porque nós dois sabemos que
sou a mais fraca e diz asperamente. - Vamos esperar, quando for a hora certa, vou libertar nós dois. Acredite em mim, nunca vou deixar ninguém te machucar.
Palavras me faltam porque como isso vai acontecer. Nós dois conhecemos a vida difícil à nossa frente e ambos sabemos que a ampulheta está correndo rápido e logo nossas vidas mudarão para sempre.
Ouvimos vozes altas e Angelo suspira pesadamente.
- Devemos ir antes que eles se lembrem de que estamos aqui.
Não quero ir embora, mas sei que devo, porque trancada na casa da
árvore com meu irmão gêmeo é o único lugar onde quero estar na vida.
Amanhã estaremos separados. Duas crianças que vão crescer rápido
porque nosso destino já está decidido. A ideia de estar longe da única pessoa que amo neste mundo é muito dolorosa de se contemplar, sei que preciso lidar com o que isso significa para nós dois. Já sei que nossa história não terá um final feliz e se de alguma coisa tenho certeza é disso.
Alguns podem achar estranho que eu não chore por minha mãe. Era apenas uma palavra, de qualquer maneira. Ela era uma estranha, um nome e um rosto borrado de uma mulher que deveria se sair melhor e eu me sinto estranhamente distante de toda a situação e aliviada por ela ter ido embora. É difícil admitir, mas minha mãe me assustava e pelo menos metade do meu problema está resolvido. Sua morte foi, sem dúvida, dolorosa. Um aviso do que acontece se você sair da linha. Uma promessa de um fim amargo se você não cumprir sua parte em uma família que não conhece o significado da palavra.
Angelo me puxa para cima e vejo a amargura em seus olhos enquanto ele
sibila. - Eu prometo que vou matá-lo um dia.
Essa declaração faz com que um breve sorriso cintile em meu rosto e quando seus olhos escuros perfuram os meus, compartilhamos um momento que escurece as almas. Duas metades da mesma moeda que serão separadas fisicamente, mas nossas almas estão unidas para sempre. Irmão e irmã até a morte, meu maior desejo é que eu morra primeiro porque sem Angelo eu não gostaria de viver mesmo.
WINTER ROCKWELL ACADEMY
Se alguém está surpresa, por estar aqui, sou eu. Nunca esperei ser enviada para cá, nem em um milhão de anos. A vida na Glendale Academy era boa e eu estava feliz até certo ponto, mas quando a diretora me chamou em seu escritório e me informou que meu pai estava me mudando, lembro-me de pensar que ele estava me chamando de volta para casa. Aparentemente não. Devo terminar meus estudos na Rockwell Academy e tenho sentimentos confusos sobre isso.
O Diretor Stoner sorri em sua enorme mesa de carvalho e eu encaro um homem que já viu de tudo isso antes. Ele parece cansado, um pouco abatido e como se já tivesse desistido.
Ele consulta a tela do computador e suspira.
- Eu juntei você com Emma Bayliss. Uma excelente aluna que irá guiála no caminho certo. Ela é uma de nossas alunas mais estudiosas e um excelente modelo.
Alguns podem achar estranho, mas tudo que eu quero é me misturar nas sombras e manter minha cabeça baixa.
- Ela é minha colega de quarto?
Ele levanta os olhos. - Sim, a anterior dela se mudou para outro estado. Tenho certeza que você vai conseguir, ela se mantém longe de problemas e eu ficaria grato se você seguisse o exemplo dela.
A nitidez de suas palavras me faz sorrir, porque acho que ele está se
referindo ao meu irmão Angelo. Esta é a escola dele, é por isso que fiquei surpresa por meu pai ter concordado em me enviar para cá e não tenho certeza se estou feliz com isso.
Por mais que eu ame meu irmão, foi bom ter alguma independência da minha família e tentar fingir que era apenas uma garota comum. Na maioria das vezes, consegui e fiquei feliz o suficiente, mas havia uma parte de mim que invejava meus colegas porque nunca terei as oportunidades que eles consideram garantidas.
- Hum, diretor Stoner.
Ele olha para cima e eu suspiro.
- Existe alguma chance de eu ficar fora das aulas do meu irmão? É
apenas...
Ele me olha pela primeira vez com interesse e quase vejo pena em seus olhos quando ele suspira. - Não precisa explicar Srta. Sontauro. Eu sentiria o mesmo em sua posição. Você sabe...
Ele balança a cabeça e diz baixinho. - Estou sempre aqui se você
precisar de mim. Caso contrário, a Sra. Grayson, sua housemistress,1 ficará mais do que feliz em ouvir. Você não está sozinha, nós podemos ajudar.
Concordo com a cabeça, no entanto, nós dois sabemos que ninguém pode me ajudar, meu pedido foi apenas para ganhar um pouco de tempo.
- Ele sabe que estou aqui?
Mais uma vez, ele suspira e passa os dedos pelo cabelo ralo. - Acho
que ele sabe de tudo, Srta. Sontauro e duvido que precise lembrá-la disso.
Uma batida na porta me faz pular, ele grita cansado. - Entre.
Olho com interesse para a garota que passa pela porta como se tivesse
acabado de fugir de um assassino em série e fico surpresa ao ver o olhar selvagem em seus olhos e o arfar em seu peito. Seus olhos estão arregalados e ela parece assustada, eu pego o olhar do diretor, notando que ele já parece derrotado.
- Emma, há algo errado?
- Não senhor. - Ela mantém os olhos no chão e nem olha para mim,
ele pigarreia e diz com a voz cheia de resignação.
- Esta é Winter, sua nova colega de quarto. Mostre a ela e dê-lhe as
boas-vindas.
Eu sorrio, mas ela nem olha e uma sensação desconfortável toma conta de mim. Ela sabe quem eu sou, o que significa que estou fodida antes mesmo de começar.
De pé, atravesso a sala e digo gentilmente. - Oi, sou Winter. Obrigada
por me ajudar.
Ela olha para cima e vejo o medo em seus olhos, o que me deixa triste. Sorrindo, tento deixá-la à vontade, ela acena com a cabeça, a curiosidade afastando um pouco seu medo.
- Vocês podem ir.
A voz do diretor a faz pular, ela olha para a porta como se houvesse um
pelotão de fuzilamento esperando do lado de fora.
Tomando as rédeas da situação, viro a maçaneta e quando saio, meu
coração afunda.
Pelo amor de Deus.
Agora eu sei por que ela estava tão assustada porque encher o corredor com uma raiva sombria é a única pessoa que eu esperava evitar por pelo menos algumas horas.
Ele não está sozinho.
Quatro caras estão com ele e é difícil respirar o ar tóxico que os cerca. Cheios de ameaça e vestindo uma roupa escura como um uniforme, esses homens à espreita assustariam o próprio diabo.
Mas não consigo nem registrá-los porque encostado na parede, me
observando aproximar, está Angelo e pelo visto ele não está muito feliz em me ver.
- Winter.
- Angelo.
Emma está em silêncio atrás de mim, eu sei que ela está tentando não respirar com medo de atrair a atenção deles. Suspiro pesadamente e vou até meu irmão gêmeo e sussurro. - Obrigada pelo comitê de boas-vindas, mas você está assustando minha nova colega de quarto.
O brilho de seus olhos, o sorriso escuro e torcido me fazem sorrir, antes que eu perceba, seus braços se estendem e me puxam para perto quando eles me envolvem, me sinto muito em casa.
Descansando minha bochecha em seu peito, respiro o cheiro familiar e quando ele beija o topo da minha cabeça, quase posso acreditar que estou feliz. Angelo é a felicidade para mim vestido como um cavaleiro do inferno e que Deus me ajude se é assim que se sente o conforto.
Ele se afasta e diz em sua voz baixa e rouca. - Vamos conversar em
casa.
- Não!
- Não?
Eu suspiro com exasperação. - Eu vou com Emma, você vai me deixar. Esta é minha última chance de liberdade, então me dê pelo menos isso. Eu só quero que você fique longe e me deixe ser normal pelo menos uma vez.
Ele não parece chocado e meu coração suspira de alívio quando ele dá
um pequeno passo para trás.
- Se é o que você quer.
- Isso é.
Eu o encaro desafiadoramente e ele acena com a cabeça. - Estarei aqui
se precisar de mim.
Ele olha além de mim e a diversão em seus olhos me faz virar para
assistir a cena mais estranha.
Um de seus amigos está observando Emma como um lobo salivando para sua próxima refeição, ela está achando toda a experiência extremamente enervante. Não estou surpresa porque esse cara parece ter acabado de escapar de uma instituição, o olhar ligeiramente louco em seus olhos complementa uma beleza caótica de santo e pecador combinados. Alto, largo e devastadoramente bonito, sua cor de cabelo é a única coisa clara sobre ele e os olhos loucos que encaram minha nova amiga fariam qualquer um se encolher de medo.
Olho para Angelo incrédula e ele sorri antes de dizer abruptamente. - Estamos indo embora.
Sem outra palavra, ele se afasta pelo corredor e seus amigos apenas encolhem os ombros e o seguem sem outro olhar em nossa direção.
Imediatamente a atmosfera se ilumina, me pergunto se preciso
ressuscitar minha guia porque ela se joga contra a parede e respira fundo.
- Você está bem?
Eu me sinto bastante preocupada, ela balança a cabeça.
- Isso foi intenso.
- Na verdade, não. - Reviro os olhos. - Apenas ignore-os. Funciona
para mim.
Ela parece chocada e diz com um tremor na voz. - Angelo é seu irmão?
- Sim. Irmão gêmeo, na verdade.
- Estou tão fodida.
- Por quê? - Eu não posso deixar de rir e ela se endireita, olha em volta como se as paredes tivessem ouvidos. - Com o devido respeito, Winter, seu irmão não é o tipo de companhia que mantenho. Eles não iriam querer minha companhia de qualquer maneira, mas eu tento ficar invisível perto daquele grupo de caras. A maioria das pessoas o faz, a menos que você tenha um desejo de morte ou goste de dançar com os bad boys. Quando digo dançar, não quero dizer dançar de verdade, quero dizer...
Ela respira fundo outra vez e ri nervosamente. - Desculpe, estou divagando. Você vai descobrir em breve, mas só para constar, eles me assustam pra caralho, só de dizer.
Começamos a andar e eu cavo um pouco. - Como funciona por aqui?
- Igual à maioria das escolas, eu acho, mas há uma grande diferença no
que diz respeito ao seu irmão e sua gangue.
- Eu meio que esperava isso, mas tirando eles, como é?
Pela primeira vez, ela sorri. - É principalmente bom. Os professores
são bons e as instalações são as melhores do estado. Se você gosta de esportes, está no melhor lugar, academicamente, isso envia mais alunos para a Ivy League do que a maioria dos outros.
- O que você está estudando?
- Lei.
Ela se vira e noto a luz em seus olhos quando ela diz com entusiasmo. - Estou tentando uma vaga em Harvard. Eu estudo muito, então você vai ter que me desculpar por isso. Mas se você gosta de festas, as melhores são na casa do Augustus.
- Por que elas são as melhores?
- Por causa dos caras que participam. Quero dizer, seriamente
carregados, super bonitos e eles dão as melhores festas. Não que eu saiba disso em primeira mão, é claro, mas se é isso que você está procurando, tente ser amiga das líderes de torcida. Elas são regulares lá e podem conseguir um passe para você.
- Eu dificilmente sou o tipo de líder de torcida.
Eu rio baixinho e ela balança a cabeça. - Talvez não, mas você é o tipo delas. Na verdade, acho que você é do tipo que gosta mais de garotos, algumas garotas também, não que eu seja... bem, eu gosto de garotos, não que sejam como eu, mas você sabe o que quero dizer.
Ela parece tão desajeitada tagarelando palavras como confete enquanto seus nervos levam a melhor, descanso minha mão em seu braço e sorrio. - Só para constar, sei exatamente o que você quer dizer. Para ser sincera, não sou de festejar muito e gosto de estudar também. Talvez possamos ser colegas de estudo.
Ela parece um pouco chocada.
- Sério.
- Sim. Eu gostaria disso.
Ela sorri, mas vejo que ela realmente não acredita que eu seja genuína, o que me entristece um pouco.
Emma é a típica nerd que sofre bullying na maioria das escolas. Roupas práticas com suéteres grandes e jeans. Seu cabelo castanho provavelmente sempre preso em um rabo de cavalo bagunçado e seus enormes óculos grossos fazendo seus olhos parecerem maiores através das lentes. Sua acne está fora de controle e não há um pingo de maquiagem em seu rosto. Ela também é maior do que a média e obviamente prefere estudar em vez de se exercitar, me sinto mal por ela porque ela obviamente tem baixa autoestima por causa de anos sendo ignorada.
Enquanto caminhamos para o nosso dormitório, penso em Emma. O fato de um dos amigos de Angelo estar dando a ela atenção indesejada me deixa furiosa. Ele estava brincando com ela. Fazendo-a se sentir desconfortável e não estou nem um pouco feliz com isso.
Pensar no meu irmão me dá sentimentos contraditórios. Por um lado,
estou feliz por ele estar aqui. Senti tanto a falta dele, mas sei que estamos melhores separados. Ele cresceu na loucura sombria que está dentro de sua alma, estou fazendo o possível para me separar da minha. Precisamos um do outro, mas precisamos estar separados para sobreviver, mas uma vez, me pergunto qual era o plano de meu pai ao me enviar para cá.