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A Prisioneira do Ódio

A Prisioneira do Ódio

Autor:: Blue
Gênero: Romance
O cheiro de tecido novo e o som da máquina de costura eram meu refúgio, até que o telefone tocou. Era meu pai, sua voz ríspida anunciando o colapso da empresa, e me forçando a aceitar um casamento arranjado para nos salvar. Com Lucas, o homem que me odiava, que culpava minha mãe pela morte da dele. "Você é a filha da mulher que matou minha mãe. Você pagará a dívida dela. Será minha prisioneira" , ele cuspiu no altar, humilhando-me publicamente. A dor e a humilhação se tornaram meu cotidiano, um ciclo de crueldade que me esmagava. Fui tratada como serva, forçada a trabalhos degradantes, acusada de roubo, e punida de formas bárbaras que marcavam meu corpo e alma. Minha meia-irmã, movida por pura inveja, conspirava, plantando armadilhas e alimentando o ódio de Lucas com mentiras. Eu me perguntava por que tanto sofrimento, por que eu era o alvo de tanta maldade. Secretamente, eu carregava um fardo ainda maior: um câncer terminal, me dando apenas meses de vida. A vida estava me roubando tudo, mas então, uma centelha de esperança surgiu – um tratamento experimental na Suíça, minha única chance de viver. Meus próprios pais, a quem sacrifiquei minha vida, riram do meu pedido de ajuda, declarando meu sofrimento um "custo inconveniente". Mas a verdade, oh, a verdade era uma ferida ainda mais profunda: meu pai havia forjado provas, manipulado Lucas para acreditar que minha mãe era uma assassina. Toda a base do ódio de Lucas, toda a minha tortura, era uma mentira cruel e calculada. Minha raiva e desespero se transformaram em uma determinação fria. Eu não morreria por suas mentiras. Eu me salvaria. Com as joias de minha mãe, minha última esperança, eu tentaria comprar minha liberdade e minha vida.

Introdução

O cheiro de tecido novo e o som da máquina de costura eram meu refúgio, até que o telefone tocou.

Era meu pai, sua voz ríspida anunciando o colapso da empresa, e me forçando a aceitar um casamento arranjado para nos salvar.

Com Lucas, o homem que me odiava, que culpava minha mãe pela morte da dele.

"Você é a filha da mulher que matou minha mãe. Você pagará a dívida dela. Será minha prisioneira" , ele cuspiu no altar, humilhando-me publicamente.

A dor e a humilhação se tornaram meu cotidiano, um ciclo de crueldade que me esmagava.

Fui tratada como serva, forçada a trabalhos degradantes, acusada de roubo, e punida de formas bárbaras que marcavam meu corpo e alma.

Minha meia-irmã, movida por pura inveja, conspirava, plantando armadilhas e alimentando o ódio de Lucas com mentiras.

Eu me perguntava por que tanto sofrimento, por que eu era o alvo de tanta maldade.

Secretamente, eu carregava um fardo ainda maior: um câncer terminal, me dando apenas meses de vida.

A vida estava me roubando tudo, mas então, uma centelha de esperança surgiu – um tratamento experimental na Suíça, minha única chance de viver.

Meus próprios pais, a quem sacrifiquei minha vida, riram do meu pedido de ajuda, declarando meu sofrimento um "custo inconveniente".

Mas a verdade, oh, a verdade era uma ferida ainda mais profunda: meu pai havia forjado provas, manipulado Lucas para acreditar que minha mãe era uma assassina.

Toda a base do ódio de Lucas, toda a minha tortura, era uma mentira cruel e calculada.

Minha raiva e desespero se transformaram em uma determinação fria. Eu não morreria por suas mentiras. Eu me salvaria.

Com as joias de minha mãe, minha última esperança, eu tentaria comprar minha liberdade e minha vida.

Capítulo 1

O cheiro de tecido novo e o som suave da máquina de costura eram o refúgio de Sofia, mas o telefone tocando sem parar quebrou a paz de seu ateliê. Era seu pai, e a insistência dele só podia significar uma coisa, mais problemas. Sofia suspirou, limpou as mãos suadas no jeans e atendeu.

"Sofia, preciso de você em casa, agora" , a voz do Sr. Mendes soou ríspida, sem espaço para recusa.

"Pai, estou no meio de uma coleção, não posso simplesmente..."

"A empresa faliu, Sofia" , ele a cortou, e as palavras caíram como uma bigorna no estômago dela. "Tudo acabou, a casa, os carros, tudo. A menos que você faça exatamente o que eu disser."

O coração de Sofia disparou, o zumbido da máquina de costura agora parecia um eco distante. Ela sabia o que viria a seguir, seu pai sempre teve uma solução drástica para cada problema, e essa solução geralmente envolvia sacrificar a felicidade de outra pessoa. Ela dirigiu para casa sentindo um pavor crescente, a cidade passando borrada pela janela. A mansão da família, que sempre pareceu tão imponente, agora parecia um mausoléu esperando para ser lacrado.

Na sala de estar, seu pai andava de um lado para o outro, enquanto sua madrasta, Sra. Costa, e sua meia-irmã, Mariana, estavam sentadas no sofá com expressões tensas.

"Que bom que você chegou" , disse o Sr. Mendes, parando na frente dela. "Temos uma proposta que vai salvar a todos nós."

"Que proposta?" , Sofia perguntou, embora já temesse a resposta.

"Um casamento" , ele disse diretamente. "Você vai se casar com Lucas, o herdeiro da família Ferreira. O império deles pode nos tirar deste buraco."

Sofia sentiu o ar faltar. Lucas Ferreira. O nome era como veneno em seus lábios. Ele a odiava, odiava sua família inteira. Ele culpava a mãe de Sofia, falecida há muito tempo, pela morte de sua própria mãe em um trágico acidente de carro anos atrás. Um casamento com ele não seria uma união, seria uma sentença de tortura.

"Pai, você não pode estar falando sério" , ela sussurrou, incrédula. "Ele me despreza. Ele acha que minha mãe foi uma assassina."

"Isso não importa!" , ele gritou, o rosto vermelho de desespero. "O que importa é que o pai dele concordou. Eles nos darão o dinheiro para reerguer a empresa, mas a condição é o casamento. Você é a nossa única esperança, Sofia."

Sua madrasta, Sra. Costa, acrescentou com uma voz melosa, "Pense nisso como um sacrifício pelo bem da família, querida. Todos nós dependemos de você."

Mariana apenas a observava com um brilho de inveja e satisfação nos olhos. Ela sempre quis tudo o que Sofia tinha, e agora, via Sofia sendo forçada a um destino que ela, Mariana, considerava humilhante.

Sofia olhou para os rostos deles, o egoísmo e a manipulação eram claros. Eles não se importavam com ela, apenas com o estilo de vida que estavam prestes a perder. Um cansaço profundo a dominou, um cansaço que ia além da situação atual. Era um cansaço que vivia em seus ossos, em seu sangue.

"Tudo bem" , Sofia disse, a voz surpreendentemente firme. "Eu me caso com ele."

O alívio na sala foi imediato e nauseante.

"Mas eu tenho uma condição" , ela continuou, olhando diretamente para o pai. "Vocês nunca mais vão me procurar para pedir nada. Este é o preço final. Eu compro a salvação de vocês, e em troca, eu compro a minha liberdade de vocês."

Sr. Mendes hesitou por um segundo, mas a ganância venceu. "Fechado."

Mais tarde naquela noite, Sofia se encontrou com seu melhor amigo de infância, Ricardo, em um pequeno café. Ela contou a ele sobre o acordo, a voz monótona, desprovida de emoção.

Ricardo segurou as mãos dela sobre a mesa, os olhos cheios de uma preocupação genuína. "Sofi, não faça isso. Isso é loucura. Esse homem vai destruir você. Nós podemos dar um jeito, eu te ajudo a encontrar um emprego, podemos..."

"Não há tempo, Ric" , ela o interrompeu suavemente. "Eles já estão vendendo as coisas. E... há outra razão."

Ela fez uma pausa, a decisão de contar a ele pesando em seu peito. Ela não tinha contado a ninguém, nem mesmo para a família que estava "salvando" .

"Eu fui ao médico na semana passada" , ela começou, a voz um pouco trêmula. "Os exames voltaram. Eu tenho câncer, Ric. Em estágio terminal."

O rosto de Ricardo empalideceu. O choque e a dor em seus olhos eram quase insuportáveis para Sofia ver.

"Eles me deram seis meses, talvez um ano com tratamento, mas não há garantias" , ela disse, forçando um pequeno sorriso triste. "De qualquer forma, meu tempo é limitado. Pelo menos assim, eu posso garantir que a memória da minha mãe não seja manchada pela ruína da família que ela ajudou a construir. E posso garantir que meu pai nunca mais me use."

O casamento foi marcado para a semana seguinte, uma cerimônia apressada e sem alegria. Sofia usava um vestido simples, um de seus próprios designs, o único toque pessoal em um dia que parecia um pesadelo. Ela estava de pé no altar, o corpo fraco, a mente entorpecida.

Quando Lucas chegou, o ar na igreja ficou gelado. Ele era alto, de uma beleza sombria e intimidadora, e seus olhos negros a fitavam com um ódio puro e sem disfarces. Ele não fez nenhum esforço para esconder seu desprezo.

Durante os votos, quando o padre perguntou se ele a aceitava como sua esposa, Lucas fez uma pausa dramática. Ele pegou o microfone do altar, e sua voz ressoou pela igreja silenciosa.

"Eu, Lucas Ferreira, aceito esta mulher" , ele começou, o tom carregado de sarcasmo. "Mas que fique claro para todos os presentes. Este não é um casamento de amor, nem mesmo de conveniência. Esta é uma punição."

Os convidados prenderam a respiração, um murmúrio de choque percorreu a multidão. O Sr. Mendes parecia que ia desmaiar.

Lucas se virou para Sofia, o rosto a centímetros do dela. "Você, Sofia Mendes, é a filha da mulher que matou a minha mãe. Você carrega o sangue dela. E a partir de hoje, você pagará pela dívida dela. Você não será minha esposa. Você será minha prisioneira, meu lembrete diário da traição e da dor que sua família causou. Bem-vinda ao seu inferno pessoal."

Ele soltou o microfone, que bateu no chão com um baque surdo, e colocou a aliança no dedo de Sofia com uma força que a fez recuar. A humilhação era completa, pública e brutal. Sofia ficou ali, imóvel, sentindo os olhares de pena e desprezo de todos, o frio do metal em seu dedo prometendo o sofrimento que estava por vir.

Capítulo 2

Sofia manteve a cabeça erguida durante o resto da cerimônia, uma máscara de calma impassível cobrindo a tempestade que se formava dentro dela. Cada olhar de pena, cada sussurro chocado, era uma facada, mas ela se recusava a dar a Lucas a satisfação de vê-la desmoronar. Ela sentia o peso do anel em seu dedo, frio e estranho, um símbolo não de união, mas de posse. A dor aguda que vinha de seu abdômen era um lembrete constante de seu segredo, de sua sentença de morte, e de alguma forma, isso lhe dava uma estranha força. Se ela já estava morrendo, o que mais Lucas poderia tirar dela?

Na recepção forçada que se seguiu, sua família a evitou. Quando finalmente conseguiu encurralar seu pai perto do bar, ele a recebeu com acusação em vez de conforto.

"Como você pôde deixar isso acontecer?" , Sr. Mendes sibilou, o rosto pálido de raiva e vergonha. "Ele nos humilhou na frente de todos! Você deveria ter dito alguma coisa, deveria ter controlado a situação!"

"O que você queria que eu fizesse, pai?" , Sofia respondeu, a voz baixa e cansada. "Isso foi o que você comprou. A humilhação era parte do preço."

Sua madrasta, Sra. Costa, aproximou-se, abanando-se com um leque. "Francamente, Sofia, você poderia ter sido um pouco mais charmosa. Talvez se você tentasse agradá-lo, ele não seria tão... hostil."

A hipocrisia deles era sufocante. Eles a jogaram aos lobos e agora a culpavam por ser mordida. Sofia sentiu uma onda de náusea, e não era apenas pela ansiedade. Ela discretamente pressionou a mão contra o estômago, tentando controlar a dor que se intensificava. Ela precisava tomar seu remédio, mas sua bolsa estava trancada no quarto que eles haviam designado para ela.

Ela se afastou deles, buscando um canto tranquilo. Enquanto se apoiava em uma coluna, uma lembrança a atingiu com força. Uma lembrança de um tempo muito diferente, antes da tragédia que envenenou tudo. Ela e Lucas, adolescentes, rindo em um piquenique de verão. Ele tinha um sorriso fácil na época, olhos que brilhavam com travessura, não com ódio. Eles eram amigos, talvez até o começo de algo mais. Ele a chamava de "Sofi-luz" porque dizia que ela iluminava qualquer lugar onde estivesse.

A lembrança era tão vívida que doía. O que aconteceu com aquele garoto? O acidente que matou a mãe dele, Helena, e a mãe de Sofia, Clara, que dirigia o carro, mudou tudo. As investigações concluíram que foi um acidente causado por falha mecânica, mas a família Ferreira nunca aceitou. Eles teceram uma narrativa de que Clara, supostamente infeliz no casamento, jogou o carro do penhasco de propósito, levando Helena com ela. Lucas, que idolatrava a mãe, abraçou essa versão com toda a força de seu luto e raiva. O garoto que a chamava de "Sofi-luz" morreu naquele dia, e em seu lugar nasceu o homem que a via apenas como a filha de uma assassina.

Sofia engoliu em seco, aceitando a ironia cruel do destino. Talvez aquele casamento fosse uma forma de penitência. Não pelo crime que sua mãe não cometeu, mas por ela não ter lutado mais por aquele garoto, por não ter conseguido alcançar Lucas através de sua dor. Ela o deixou afundar no ódio, e agora, ela estava se afogando com ele.

A festa finalmente terminou. Um motorista silencioso a levou para a mansão de Lucas, um lugar ainda maior e mais frio que a casa de seus pais. A propriedade era vasta e impecavelmente cuidada, mas parecia vazia de vida. Um mordomo a cumprimentou na porta com uma formalidade gélida.

"Sra. Ferreira. O Sr. Lucas instruiu que eu a levasse aos seus aposentos."

A palavra "aposentos" era um eufemismo. Ele a guiou por corredores luxuosos, passando por portas de quartos grandiosos, até uma escada de serviço nos fundos da casa. Eles desceram para uma área que claramente pertencia aos empregados. Ele parou em frente a uma pequena porta de madeira lascada.

"Este é o seu quarto" , disse ele, sem emoção.

Sofia abriu a porta e seu coração afundou. O quarto era minúsculo, pouco mais que um armário, com uma cama de solteiro estreita, uma cômoda velha e uma pequena janela gradeada que dava para uma parede de tijolos. Era um quarto de serva, um lugar projetado para ser esquecido. A humilhação do altar foi apenas o começo, esta era a realidade diária que a esperava.

Ela entrou, e o mordomo fechou a porta atrás dela, o som do clique da fechadura ecoando como a porta de uma cela de prisão. Sozinha no quarto frio e úmido, o estresse do dia finalmente cobrou seu preço. Uma dor lancinante atravessou seu corpo, fazendo-a dobrar-se. Ela cambaleou até a cama, ofegante, o suor frio brotando em sua testa. A doença estava se manifestando, lembrando-a de que seu tempo era curto e que ela passaria o resto dele neste lugar, sofrendo nas mãos do homem que um dia a chamou de luz.

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