Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > A Promessa Quebrada do Elevador Lacerda
A Promessa Quebrada do Elevador Lacerda

A Promessa Quebrada do Elevador Lacerda

Autor:: Keely Alexis
Gênero: Romance
O vento frio de Salvador chicoteava meu rosto. No topo do Elevador Lacerda, olhava para a cidade que, assim como eu, assistia ao fim. Meu nome é Raegan Hayes. Sou uma arquiteta de sucesso, mas meu casamento com Liam Neame era um contrato frio, pontuado pela minha constante indiferença e desprezo. Eu o amava? Eu não sabia. Minha obsessão por meu primeiro amor, Hugo, me cegava para o homem gentil que me idolatrava. "Você é ridículo", eu disse, quando ele, em seu aniversário, me trouxe os acarajés que tanto preparei. Eu não imaginava que aquelas seriam as últimas palavras que ele ouviria de mim. Três dias depois, a notícia: Liam estava morto. Suicídio. Pulou do Elevador Lacerda. Recebi os papéis do divórcio e assinei, sentindo alívio. Mas uma voz em minha cabeça sussurrava: "A culpa é sua." Eu neguei. Eu negava tudo. Não tinha como ser minha culpa. Eu não estava de luto! Minha irmã, Cecília, apareceu, com um brilho estranho nos olhos, e logo o caos se instalou. O que ela sabia? Agora, com as cinzas de Liam em minhas mãos, sinto uma possessividade doentia. Ele não pode me deixar. Não pode. Mas eu ainda não entendo. Por que ele se foi? Por que de repente me sinto tão ligada a ele? E por que o silêncio dele me sufoca mais do que qualquer grito? E se a história que me contaram fosse uma mentira? E se houvesse algo mais, algo perverso por trás daquela carta anônima que ele recebeu, daquele rim doado, daquele "sacrifício" que ele fez para mim? Preciso descobrir a verdade. Antes que essa dor me enlouqueça.

Introdução

O vento frio de Salvador chicoteava meu rosto.

No topo do Elevador Lacerda, olhava para a cidade que, assim como eu, assistia ao fim.

Meu nome é Raegan Hayes. Sou uma arquiteta de sucesso, mas meu casamento com Liam Neame era um contrato frio, pontuado pela minha constante indiferença e desprezo.

Eu o amava? Eu não sabia. Minha obsessão por meu primeiro amor, Hugo, me cegava para o homem gentil que me idolatrava.

"Você é ridículo", eu disse, quando ele, em seu aniversário, me trouxe os acarajés que tanto preparei. Eu não imaginava que aquelas seriam as últimas palavras que ele ouviria de mim.

Três dias depois, a notícia: Liam estava morto. Suicídio. Pulou do Elevador Lacerda.

Recebi os papéis do divórcio e assinei, sentindo alívio. Mas uma voz em minha cabeça sussurrava: "A culpa é sua."

Eu neguei. Eu negava tudo. Não tinha como ser minha culpa. Eu não estava de luto!

Minha irmã, Cecília, apareceu, com um brilho estranho nos olhos, e logo o caos se instalou. O que ela sabia?

Agora, com as cinzas de Liam em minhas mãos, sinto uma possessividade doentia. Ele não pode me deixar. Não pode.

Mas eu ainda não entendo. Por que ele se foi? Por que de repente me sinto tão ligada a ele? E por que o silêncio dele me sufoca mais do que qualquer grito?

E se a história que me contaram fosse uma mentira? E se houvesse algo mais, algo perverso por trás daquela carta anônima que ele recebeu, daquele rim doado, daquele "sacrifício" que ele fez para mim?

Preciso descobrir a verdade. Antes que essa dor me enlouqueça.

Capítulo 1

O vento frio da noite em Salvador soprava forte, chicoteando o rosto de Liam Neame. Ele estava no topo do Elevador Lacerda, o ponto mais alto da cidade, olhando para as luzes que brilhavam lá em baixo, na Baía de Todos-os-Santos.

Seus olhos estavam vazios, sem vida.

Quatro anos. Quatro anos de um casamento que era como um inverno sem fim. Ele amava Raegan Hayes com cada fibra do seu ser, mas para ela, ele não era nada.

Um calafrio percorreu seu corpo, mas não era do vento. Era do desespero que o consumia por dentro. Ele fechou os olhos, e a imagem dela apareceu em sua mente, fria e desdenhosa.

Três dias atrás, no aniversário de Raegan.

Ele passou o dia todo na cozinha do seu pequeno restaurante, não para os clientes, mas para ela. Ele preparou os acarajés que ela tanto amava quando criança, uma receita que ele aprendeu com a avó dela, na esperança de ver um vislumbre de sorriso em seu rosto.

Quando ele chegou em casa com a comida ainda quente, ela estava no sofá, olhando para o celular, a expressão impassível.

"Feliz aniversário, meu amor."

Ele disse, a voz um pouco trêmula.

Raegan nem sequer olhou para ele.

"Coloque na mesa."

A voz dela era gelada, sem qualquer emoção.

Liam sentiu seu coração apertar, mas ele não desistiu. Ele colocou o prato na mesa de centro, o cheiro de dendê e camarão enchendo a sala.

"Eu fiz seus acarajés favoritos, do jeito que você gostava."

Ela finalmente levantou o olhar, mas seus olhos estavam cheios de desprezo.

"Liam, quantas vezes eu tenho que te dizer? Este casamento é um contrato. Um acordo. Eu nunca vou te amar. Você acha que um prato de acarajé pode mudar isso?"

As palavras dela foram diretas, cada uma o ferindo profundamente.

"Você é ridículo."

Ela acrescentou, e então voltou sua atenção para o celular, como se ele nem estivesse ali.

A esperança que Liam carregava se desfez completamente. Ele se sentiu um tolo, um palhaço. A humilhação queimava em seu peito. Ele ficou ali parado, segurando a bandeja vazia, enquanto o silêncio da sala o sufocava.

O golpe final veio no dia seguinte. Uma carta anônima chegou pelo correio. Dentro, havia uma foto. Raegan, mais jovem, sorrindo ao lado de um homem carismático com os tambores do Olodum ao fundo. Era Hugo, seu primeiro amor.

Junto com a foto, um bilhete.

"O rim que você doou não foi para a irmã dela. Foi para Cecília, a irmã do Hugo. Você foi apenas uma ferramenta para ela salvar a família do homem que ela realmente amava. Ela nunca se importou com você."

A verdade o atingiu com a força de um soco. Todo o seu sacrifício, a dor da cirurgia, a esperança de construir uma vida com ela... tudo foi baseado em uma mentira. Ele não era um marido, era um peão. Uma peça descartável no jogo trágico de amor de Raegan.

Ele doou um rim, uma parte de si mesmo, acreditando que estava salvando a irmã de Raegan, Cecília, e em troca, casou-se com a mulher que amava. Ele pensou que com o tempo, com dedicação, o amor dela poderia florescer.

Que tolo ele foi. A Cecília que ele salvou não era a irmã de Raegan. A verdadeira Cecília, irmã de Raegan, estava perfeitamente saudável. Ele foi enganado.

Agora, de pé no topo do Elevador Lacerda, o peso daquela mentira, daquela humilhação, era insuportável. O amor de sua vida o via como um aproveitador, e o sacrifício que ele fez foi para um estranho, tudo para satisfazer a culpa ou o amor de Raegan por outro homem.

Não havia mais nada. A esperança estava morta.

Liam deu um passo à frente, para a beirada. Ele olhou para a cidade uma última vez. Salvador, a cidade que ele amava, a cidade que testemunhou seu amor não correspondido.

Ele se jogou.

O som de seu corpo se chocando contra o chão foi abafado pelo barulho da cidade, um final abrupto e brutal para uma vida cheia de um amor que nunca foi seu. O sangue se espalhou pelo concreto, a nota final e silenciosa de sua dor.

Capítulo 2

No dia seguinte, no seu escritório de arquitetura com vista para o mar, Raegan Hayes recebeu um envelope. Era do advogado de Liam. Dentro, os papéis do divórcio.

Uma onda de alívio a invadiu. Finalmente. A liberdade que ela tanto desejava.

Ela pegou uma caneta de sua mesa de mogno e assinou o nome dela na linha pontilhada sem a menor hesitação. A assinatura era firme, decidida.

"Finalmente livre daquele homem," ela murmurou para si mesma, um sorriso frio se formando em seus lábios. Ela se sentia leve, como se um peso enorme tivesse sido tirado de seus ombros.

Ela ligou para sua melhor amiga e sócia, Nancy Perez.

"Nancy, ele finalmente assinou. Estou livre."

Houve uma pausa do outro lado da linha.

"Você tem certeza de que é isso que você quer, Raegan?"

"Claro que tenho. Eu nunca o amei. Foi tudo um erro."

Enquanto isso, no aeroporto de Salvador, Cecília Hayes, a irmã mais nova de Raegan, desembarcava. Ela estava radiante, com um brilho malicioso nos olhos. Ela tinha voltado para reivindicar o que acreditava ser seu.

Seu telefone tocou. Era Raegan.

"Cecília! Você chegou? Estou a caminho para te buscar."

"Acabei de desembarcar, irmã. Mal posso esperar para te ver."

A voz de Cecília era doce, mas carregava uma intenção oculta.

No saguão de desembarque, as duas irmãs se abraçaram.

"Ouvi a boa notícia," Cecília disse, sorrindo. "Você e o Liam finalmente se divorciaram."

"Sim, os papéis chegaram hoje. Assinei na hora," Raegan respondeu, sentindo-se orgulhosa de sua decisão.

"Estou tão feliz por você," Cecília disse, mas sua felicidade era por seus próprios motivos. O divórcio era o primeiro passo de seu plano.

Elas decidiram ir para um hotel de luxo no Pelourinho para comemorar. Enquanto estavam sentadas no lobby, tomando um café, uma voz familiar as interrompeu.

"Raegan Hayes. Que surpresa."

Era Fiona Lawrence, a melhor amiga de Liam. Ela era uma baiana de acarajé, uma mulher forte e direta que nunca gostou de Raegan.

Fiona olhou de Raegan para Cecília, seus olhos cheios de desprezo.

"Vejo que você não perdeu tempo. Mal se divorciou e já está comemorando com outra pessoa. Traindo o Liam até o fim."

Raegan ficou chocada com a acusação.

"Do que você está falando? Nós nos divorciamos. Não é da sua conta."

Cecília interveio, com uma expressão de falsa inocência.

"Senhora, acho que há um mal-entendido. Minha irmã acabou de se divorciar. Ela está livre para fazer o que quiser."

Fiona riu, um som amargo.

"Divórcio? Liam te contou sobre o divórcio?"

"Ele me enviou os papéis," Raegan disse, confusa.

Fiona balançou a cabeça, um mau pressentimento crescendo dentro dela. Ela pegou o celular e tentou ligar para Liam. Chamou, chamou, e caiu na caixa postal.

"Liam não está atendendo," Fiona disse, a preocupação evidente em sua voz. "Isso não está certo. Ele nunca ignora minhas ligações."

A atmosfera ficou tensa. Raegan sentiu um arrepio percorrer sua espinha, um desconforto que ela não conseguia explicar. Cecília, por outro lado, tentou aproveitar o momento.

Ela colocou a mão no braço de Raegan, tentando confortá-la.

"Não se preocupe, irmã. Deve estar tudo bem."

Mas o toque de Cecília fez Raegan recuar abruptamente. Havia algo estranho, algo que a repelia, apesar da familiaridade de sua irmã. Um pressentimento ruim começou a se formar no fundo de sua mente.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022