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A Queda da Amante Famosa

A Queda da Amante Famosa

Autor:: Xiang Si Tiao Tiao
Gênero: Bilionários
Abri mão da minha herança de vinte bilhões de reais e cortei os laços com a minha família, tudo por causa do meu namorado de cinco anos, Heitor. Mas, no exato momento em que eu ia contar que estava grávida do nosso filho, ele soltou uma bomba. Ele precisava que eu assumisse a culpa por sua queridinha de infância, Lorena. Ela tinha atropelado uma pessoa e fugido, e a carreira dela não aguentaria o escândalo. Quando eu recusei e contei sobre o nosso bebê, o rosto dele ficou gélido. Ele me mandou interromper a gravidez imediatamente. "A mulher que eu amo é a Lorena", ele disse. "Descobrir que você está grávida do meu filho a destruiria." Ele pediu para sua assistente marcar a consulta e me mandou para a clínica sozinha. Lá, a enfermeira me disse que o procedimento tinha um alto risco de infertilidade permanente. Ele sabia. E mesmo assim me mandou para lá. Eu saí daquela clínica, decidida a ter o meu filho. Naquele exato momento, um alerta de notícia iluminou meu celular. Era um artigo radiante anunciando que Heitor e Lorena estavam esperando o primeiro filho, com direito a uma foto da mão dele pousada de forma protetora sobre a barriga dela. Meu mundo desabou. Enxugando uma lágrima, encontrei o número para o qual não ligava há cinco anos. "Pai", sussurrei, com a voz embargada. "Estou pronta para voltar para casa."

Capítulo 1

Abri mão da minha herança de vinte bilhões de reais e cortei os laços com a minha família, tudo por causa do meu namorado de cinco anos, Heitor.

Mas, no exato momento em que eu ia contar que estava grávida do nosso filho, ele soltou uma bomba.

Ele precisava que eu assumisse a culpa por sua queridinha de infância, Lorena. Ela tinha atropelado uma pessoa e fugido, e a carreira dela não aguentaria o escândalo.

Quando eu recusei e contei sobre o nosso bebê, o rosto dele ficou gélido. Ele me mandou interromper a gravidez imediatamente.

"A mulher que eu amo é a Lorena", ele disse. "Descobrir que você está grávida do meu filho a destruiria."

Ele pediu para sua assistente marcar a consulta e me mandou para a clínica sozinha. Lá, a enfermeira me disse que o procedimento tinha um alto risco de infertilidade permanente.

Ele sabia. E mesmo assim me mandou para lá.

Eu saí daquela clínica, decidida a ter o meu filho. Naquele exato momento, um alerta de notícia iluminou meu celular. Era um artigo radiante anunciando que Heitor e Lorena estavam esperando o primeiro filho, com direito a uma foto da mão dele pousada de forma protetora sobre a barriga dela.

Meu mundo desabou. Enxugando uma lágrima, encontrei o número para o qual não ligava há cinco anos.

"Pai", sussurrei, com a voz embargada. "Estou pronta para voltar para casa."

Capítulo 1

"O que você acabou de dizer?"

A pergunta pairou no ar do nosso apartamento minimalista, aquele que eu mesma tinha projetado. Minha voz era quase um sussurro.

Heitor Torres, meu namorado de cinco anos, nem sequer levantou os olhos do celular. Ele apenas repetiu, calmo e direto.

"Eu disse que a Lorena precisa que você assuma a culpa. Foi um atropelamento e fuga, Helena. Coisa pequena, ninguém se machucou gravemente, mas a carreira dela não aguenta um escândalo agora."

Eu o encarei, encarei o rosto bonito que amei por tanto tempo. Agora, parecia o de um estranho.

"Você quer que eu diga que estava dirigindo o carro dela? Que eu atropelei alguém e fugi?"

"Faz sentido", ele disse, finalmente erguendo os olhos. Eram frios, racionais. "Você é uma pessoa discreta, uma arquiteta. Não tem uma imagem pública para proteger. Você aguenta a pressão. A Lorena... ela é frágil."

Minhas mãos começaram a tremer.

"Frágil? Heitor, ela cometeu um crime. E a minha ficha? A minha carreira?"

"Não vai afetar sua carreira", disse ele, com um gesto displicente. "Nossos advogados vão cuidar de tudo. Uma multa, talvez um serviço comunitário. Não é nada."

Senti uma raiva fria subir pelo meu peito.

"Nada? Heitor, você tem noção do que está me pedindo? Eu deixei minha família por você. Abri mão do meu nome, da minha herança, de tudo, para que pudéssemos ter uma vida normal, longe da influência deles. Eu fiz isso por você."

"E eu agradeço por isso, Helena, de verdade", disse ele, suavizando a voz. Ele se levantou e veio em minha direção, tentando pegar minhas mãos. "É por isso que eu sei que você é forte o suficiente para fazer mais essa coisinha por nós. Por mim."

Ele estava perto agora, seu cheiro familiar preenchendo meus sentidos. Antes, me confortava. Agora, me dava enjoo.

"Tem outra coisa", eu disse, minha voz tremendo enquanto eu me afastava do seu toque.

Ele parou, um lampejo de irritação cruzando seu rosto.

"O que foi agora?"

"Estou grávida."

As palavras saíram, baixas, mas pesadas. Eu tinha acabado de descobrir naquela manhã. Tinha planejado um jantar romântico para contar, para comemorar.

Heitor congelou. Sua expressão encantadora desapareceu, substituída por um olhar que eu nunca tinha visto antes: um pânico frio e duro.

"Não", ele disse.

"Sim. Eu fiz o teste. Estou de seis semanas."

Ele passou a mão pelo cabelo perfeitamente penteado, andando de um lado para o outro.

"Isso é um desastre. Um desastre absoluto."

Eu ri, um som quebrado e oco. Lágrimas que eu não sabia que estavam ali começaram a escorrer pelo meu rosto.

"Um desastre? É o seu filho, Heitor."

"A Lorena não pode lidar com isso agora!", ele explodiu, virando-se para mim. "O estresse do acidente, a ansiedade dela... descobrir que você está grávida do meu filho a destruiria. Ela não é forte como você, Helena. Ela precisa do meu apoio total."

"Então sou eu que sou sacrificada? De novo?", as palavras saíram espremidas entre meus dentes. "Minha vida, minha reputação, e agora... nosso bebê?"

Ele parou de andar e me olhou, seus olhos agora carregando uma piedade assustadora.

"Não podemos ter este bebê. Não agora."

Meu mundo girou. O chão parecia ter sumido sob os meus pés.

"O que você está dizendo?"

"Estou dizendo que você precisa interromper a gravidez", disse ele, sua voz baixando para um tom baixo e persuasivo. "É o melhor. Para todo mundo. Assim que essa história com a Lorena passar, a gente tenta de novo. É só... um péssimo momento."

O ar me faltou. Ele estava falando do nosso filho como se fosse um compromisso inconveniente a ser remarcado.

"É seu filho, Heitor", sussurrei, minha voz rouca. "Seu sangue."

"E a Lorena é a mulher que eu amo!", ele gritou, sua compostura finalmente se quebrando. "Ela é sensível! Isso a destruiria! Você não consegue entender?"

Eu apenas o encarei, minha mente um muro em branco de dor. Depois de um longo e silencioso momento, um sorriso triste e distorcido se formou em meus lábios.

"Tudo bem", eu disse. "Tudo bem, Heitor."

Um alívio tomou conta do rosto dele. Ele não viu o vazio por trás dos meus olhos.

Nesse momento, o celular dele tocou, uma música pop animada que reconheci como um dos sucessos de Lorena. Ele atendeu imediatamente.

"Lô? Oi, meu amor, o que foi? Não chora, estou a caminho. Estou indo agora mesmo."

Sua voz era uma carícia gentil e amorosa. Uma voz que ele não usava comigo há anos.

Ele desligou e pegou as chaves, sem nem olhar para mim enquanto corria para a porta.

"Vou pedir para minha assistente marcar a consulta para você", disse ele por cima do ombro. "Só faça isso rápido."

Então ele se foi. A porta se fechou, me deixando em um silêncio que era mais alto que seus gritos.

No dia seguinte, eu estava na clínica. O ar cheirava a antisséptico e desespero silencioso. A enfermeira que pegou minhas informações me olhou com pena. Aquilo me deu arrepios.

Ela me entregou uma prancheta com um termo de consentimento. A assinatura dele já estava lá no final: Heitor Torres. Ele tinha assinado naquela manhã, antes mesmo de saber se eu concordaria. Ele tinha tanta certeza de mim.

"A médica quer que você saiba", disse a enfermeira suavemente, evitando meu olhar, "que devido a uma pequena complicação, este procedimento acarreta um alto risco de infertilidade futura. Existe a chance de você não conseguir engravidar novamente."

A prancheta escorregou dos meus dedos dormentes e caiu no chão com um baque.

Ele sabia. Ele devia saber. A médica teria contado para a assistente dele, e a assistente teria contado para ele. Ele sabia que isso poderia me deixar estéril, e mesmo assim assinou o formulário. Ele ainda me mandou aqui para apagar nosso filho e o meu futuro.

Mordi o lábio com força. O gosto metálico de sangue encheu minha boca, mas eu não senti nada. Apenas um vazio vasto e frio.

Eu estava pronta para ir em frente. Para acabar logo com isso, para arrancar o último pedaço dele de dentro de mim. Levantei-me para seguir a enfermeira.

E então eu senti.

Um tremor minúsculo, inconfundível, no fundo do meu ventre. Era muito cedo para um chute de verdade, a médica tinha dito. Mas eu senti. Um lampejo de vida, um protesto silencioso.

*Não me deixe ir.*

"Não", eu disse, minha voz alta e clara na sala silenciosa.

A enfermeira se virou, surpresa.

"Eu não vou fazer isso", eu disse, puxando meu braço. "Vou ficar com o meu bebê."

Saí daquela clínica, deixando o termo de consentimento no chão. O sol da tarde era ofuscante e, por um momento, senti uma onda de força. Eu tinha meu bebê. Era tudo o que importava.

Então, peguei meu celular. A tela se acendeu com um alerta de notícia de última hora de um site de fofocas de celebridades.

A manchete foi um soco no estômago: "Lorena Mattos e o Namorado Heitor Torres Esperam o Primeiro Filho! Fontes dizem que a cantora está radiante após um susto recente com a saúde."

O artigo estava cheio de fotos deles da noite anterior, saindo de um restaurante chique. Heitor a abraçava, com a mão protetoramente pousada em sua barriga lisa. Ambos sorriam, radiantes para as câmeras.

Abaixo do artigo, a seção de comentários era um esgoto.

"Quem é essa tal de Helena Ball? A que atropelou a pessoa com o carro da Lorena? Provavelmente alguma fã obcecada de quem o Heitor sentiu pena."

"Ouvi dizer que ela o persegue há anos. Ainda bem que ele finalmente está com alguém do nível dele."

"Ela parece tão sem sal. Claro que ele escolheu uma estrela como a Lorena. E agora eles estão começando uma família! Tão feliz por eles!"

Mordi meu lábio de novo, com mais força desta vez. Senti a pele se romper, o filete quente de sangue escorrendo pelo meu queixo. Mas eu ainda não conseguia sentir a dor. Eu estava completamente entorpecida.

Olhei para a minha própria barriga, e uma única lágrima rolou pela minha bochecha e caiu na minha mão.

"Está tudo bem", sussurrei para a pequena vida dentro de mim. "Eu vou te proteger. Eu prometo."

Enxuguei o rosto, minha expressão endurecendo. Abri meus contatos e encontrei o número do meu advogado.

"Preciso que você prepare os papéis do divórcio", eu disse, minha voz firme e fria. "E eu quero tudo a que tenho direito."

Capítulo 2

Quando voltei para o apartamento, a porta da frente estava entreaberta. Um nó de pavor se apertou no meu estômago. Empurrei-a lentamente.

O som de risadas suaves vinha da sala de estar.

Lá, no sofá que eu mesma escolhi, estava sentada Lorena Mattos. Heitor estava sentado na mesinha de centro na frente dela, dando um morango na boca dela. Ela riu e se inclinou para beijá-lo.

Era um momento íntimo, perfeitamente encenado. E eu tinha acabado de entrar no meio dele.

Heitor me viu primeiro. Seu sorriso vacilou por um segundo, seus olhos endurecendo.

"Helena."

Lorena olhou, seus olhos grandes e inocentes se arregalando. Ela imediatamente se encolheu contra as almofadas, fazendo-se parecer pequena e assustada.

"Helena, pode nos dar um minuto?", disse Heitor, mantendo a voz baixa, como se eu fosse uma intrusa. "A Lorena não está se sentindo bem. Eu vou para o quarto de hóspedes mais tarde."

Soltei uma risada curta e aguda.

"O quarto de hóspedes? Heitor, este é o meu apartamento. Meu nome está no contrato de aluguel. Se alguém deve sair, é ela."

Ele se levantou, sua expressão se tornando suplicante.

"Por favor, só por hoje à noite. Você sabe como ela é. Nós crescemos juntos, eu sempre cuidei dela. Ela precisa de mim agora."

Ele estava tentando apelar para a parte de mim que sempre deu desculpas para ele, para o "laço especial" deles.

"Eu arranjo um hotel para ela amanhã, eu prometo", disse ele, a voz um murmúrio baixo. "Nós vamos resolver isso."

Não disse mais uma palavra. Apenas me virei e caminhei para o quarto de hóspedes, fechando a porta atrás de mim.

Eu não conseguia abafar os sons. Alguns minutos depois, ouvi as risadas deles novamente, mais altas desta vez, misturadas com o som da TV. Eles estavam se acomodando para a noite. Na minha casa.

Encolhi-me na cama, sem me dar ao trabalho de trocar de roupa. As lágrimas que segurei o dia todo finalmente vieram, encharcando o travesseiro no escuro.

Muito mais tarde, ouvi a porta do quarto ranger ao se abrir. Uma sombra caiu sobre a cama.

"Helena? Você está acordada?" Era Heitor, sua voz um sussurro culpado.

Ele se sentou na beirada da cama, seu peso fazendo o colchão afundar. Ele estendeu a mão e tocou meu cabelo.

"Me desculpe por hoje", disse ele, a voz embargada. "É muita coisa para lidar. O bebê... nós teremos outro, Helena. Quando for a hora certa, eu juro."

Fiquei perfeitamente imóvel, meu corpo rígido. Ele não sabia. Ele pensava que eu tinha ido em frente. Ele estava se desculpando pelo inconveniente, não pela coisa monstruosa que me pediu. A ironia era uma pílula amarga na minha garganta.

De repente, um grito agudo veio da sala de estar.

"Tito! Tito, onde você está?"

Heitor saltou da cama como se tivesse levado um choque.

"Lô?"

"Eu tive um pesadelo!", ela choramingou. "Volta!"

Sem pensar duas vezes, sem me lançar outro olhar, ele saiu correndo do quarto.

"Estou indo, Lô! Estou aqui!"

Pelo resto da noite, o som de sua voz baixa e calmante ecoou pelo corredor enquanto ele a confortava, me deixando sozinha no escuro.

Na manhã seguinte, arrastei meu corpo exausto para fora da cama. O cheiro de café e bacon enchia o ar. Por um segundo delirante, parecia uma manhã qualquer.

Então entrei na cozinha.

Heitor estava no fogão, virando panquecas. Lorena estava empoleirada em um banquinho, vestindo uma de suas caras camisas de seda, com as pernas nuas balançando. Ela ria enquanto ele, de brincadeira, passava um pouco de chantilly em seu nariz.

Pareciam um casal feliz em um comercial de café. Eu era o fantasma assombrando o set.

Lorena me viu e seu sorriso brilhante desapareceu. Ela instantaneamente adotou seu olhar de corça assustada, agarrando o braço de Heitor.

"Ah. Helena. Você acordou."

"Tito", ela sussurrou, alto o suficiente para eu ouvir. "Eu quero suco de laranja. Espremido na hora."

"Claro, Lô. O que você quiser", disse Heitor, virando-se para a geladeira sem um único olhar na minha direção.

No momento em que ele se ocupou com o espremedor, todo o comportamento de Lorena mudou. O medo se dissipou, substituído por um sorriso presunçoso e triunfante. Ela olhou diretamente para mim.

"Ele ficou tão desapontado quando pensou que você estava grávida", disse ela, sua voz um veneno adocicado. "Ele me disse que nunca quis ter filhos com você. Disse que a ideia o arrepiava."

Eu congelei, minha mão no balcão. Minha cabeça se virou para olhá-la. Meus dedos tremeram.

"Você acha que pode vencer?", ela continuou, sua voz pingando desprezo. "Eu sou Lorena Mattos. Meu tio é um dos produtores mais poderosos de São Paulo. Quem é você? Uma arquiteta qualquer que ele pegou por pena."

Meu sangue gelou. Eu sabia que o tio dela era influente. Não tinha percebido o quanto. Era por isso que Heitor estava tão desesperado para protegê-la. Não era apenas amor; era ambição. Ela era o passaporte dele para um mundo que ele cobiçava.

De repente, Lorena soltou um grito agudo e escorregou do banquinho, caindo no chão.

"Ahh! Meu tornozelo!", ela gritou, agarrando-o. "Helena, por que você me empurrou?"

Heitor se virou, o rosto uma máscara de fúria. Ele me viu parada perto dela, a viu no chão, e não hesitou. Ele avançou e me empurrou, com força.

"Qual é o seu problema?", ele rugiu.

Eu cambaleei para trás, meu quadril batendo na quina da ilha da cozinha. Uma dor aguda e lancinante atravessou meu lado. Eu arquejei, agarrando o local.

Ele nem percebeu. Já estava no chão, embalando Lorena em seus braços.

"Você está bem, Lô? Ela te machucou?"

Ele olhou para mim, seus olhos cheios de um ódio frio e aterrorizante.

"Ela é frágil, sua idiota! Eu te disse isso!"

"Eu... eu não toquei nela", gaguejei, a dor fazendo minha voz tremer.

"Suma da minha frente", ele rosnou, a voz baixa e perigosa. "Nunca mais toque nela. Estou te avisando, Helena."

Ele pegou Lorena no colo e a carregou para fora da cozinha, me deixando ali, tremendo de dor e choque.

Minha mão foi instintivamente para a minha barriga, uma oração silenciosa para que o bebê estivesse bem.

Esta era a minha casa. E eu tinha acabado de ser declarada a inimiga.

Capítulo 3

Heitor não voltou por dois dias. Passei o tempo atordoada, movendo-me pelo apartamento silencioso como um zumbi. Tirei nossas fotos, coloquei as roupas dele em caixas. Até tirei minha aliança. Ela deslizou do meu dedo sem resistência. Eu tinha perdido tanto peso que nem tinha notado.

Joguei-a na lata de lixo. Fez um baque surdo e final.

Então, uma mensagem de texto dele iluminou meu celular.

*Pode me fazer um favor? Tem uma caixinha de veludo azul na minha gaveta de cima. Um entregador vai passar para pegar em uma hora. Deixe pronta para ele.*

Fui até a gaveta dele. Dentro havia uma pequena e elegante caixa de uma joalheria famosa. Eu a abri. Aninhado no veludo preto estava um colar de diamantes, do tipo ostentoso que eu nunca usaria. Lembrei-me dele me mostrando online meses atrás.

"Não é lindo?", ele tinha dito. "Vou comprar para a pessoa mais importante da minha vida."

Eu pensei que ele se referia a mim.

Olhando para o colar, uma risada amarga escapou dos meus lábios. Fechei a caixa.

Quando o entregador chegou, um jovem de uniforme impecável, entreguei-lhe o pacote sem uma palavra.

"Senhora, o destino é o Hotel Fasano", disse ele, confirmando os detalhes.

"Eu sei", eu disse, pegando minha bolsa do gancho perto da porta. Tirei o acordo de divórcio dobrado. "Eu vou com você."

A viagem de carro foi silenciosa. O Fasano estava sediando uma enorme coletiva de imprensa para o novo filme de Lorena. Quando paramos, pude ouvir o rugido da multidão e o clique frenético das câmeras.

Entrei no salão de festas. O barulho cessou instantaneamente. Todas as cabeças se viraram. Todas as câmeras giraram para mim. Eu usava um vestido simples e sem maquiagem. Meu cabelo estava preso em um coque bagunçado.

Sussurros irromperam ao meu redor.

"É ela? A perseguidora?"

"O que ela está fazendo aqui? Olha como ela está vestida. Sem classe nenhuma."

Ignorei todos eles. Meus olhos estavam fixos no palco na frente da sala, onde Heitor e Lorena estavam de pé, de mãos dadas.

Heitor me viu, e seu rosto se contraiu em um nó de raiva.

"Helena? Que diabos você está fazendo aqui?", ele sibilou enquanto eu me aproximava.

Não respondi. Apenas estendi a caixa de veludo azul.

"Você esqueceu isso", eu disse, minha voz surpreendentemente firme.

Lorena arrancou a caixa da minha mão e a abriu com um suspiro de deleite.

"Ah, Tito! É lindo!"

Ela se virou para ele, fazendo beicinho.

"Coloca em mim. Agora mesmo."

Heitor hesitou por uma fração de segundo, seus olhos dardejando entre mim e ela. Então, seu rosto endureceu, e ele pegou o colar. Seus dedos roçaram a pele dela enquanto ele fechava o fecho.

Lorena se inclinou e o beijou na boca, com os olhos fixos em mim o tempo todo. Era uma declaração de vitória.

Eu fiquei ali, em silêncio.

Então, ela fez de novo. Soltou um pequeno suspiro e cambaleou, fingindo perder o equilíbrio.

"Oh!"

"Helena, eu te avisei!", Heitor rugiu, avançando para amparar Lorena. Ele me fuzilou com o olhar, o rosto contorcido de raiva. "Você está tentando machucá-la?"

Não disse nada. Apenas estendi o acordo de divórcio que eu segurava na mão.

Ele mal olhou para ele. Lorena de repente agarrou o estômago.

"Tito, não estou me sentindo bem. Minha barriga dói."

"O quê?" Sua atenção voltou-se para ela, todos os pensamentos sobre mim e os papéis se foram. "Ok, meu amor, ok. Vamos te levar para o hospital."

"Os papéis, Heitor", eu disse, estendendo-os novamente. "Assine."

"Assina logo para ela ir embora!", Lorena gemeu, pressionando-se contra ele.

Sem nem ler, ele pegou uma caneta de uma mesa próxima, rabiscou seu nome na linha e empurrou o documento de volta para mim.

Então ele pegou Lorena nos braços e começou a abrir caminho pela multidão de repórteres.

"Deixem a gente passar! É uma emergência!"

Apertei os papéis assinados contra o peito e me virei para sair. Enquanto eu me afastava, alguém deliberadamente esticou o pé.

Eu caí, com força.

Minha cabeça bateu no chão de mármore com um estalo pavoroso. O mundo explodiu em um flash de dor branca e quente.

Ouvi suspiros da multidão. Através de uma névoa de dor, vi Heitor parar e olhar para trás. Ele deu um meio passo em minha direção, o rosto uma confusão.

"Tito, vamos!", Lorena choramingou, puxando seu braço. "Ela só está fingindo para chamar a atenção."

Ele olhou de mim, deitada no chão com sangue começando a se acumular ao redor da minha cabeça, para ela. Ele hesitou por mais um segundo.

Então ele se virou e saiu, desaparecendo nas luzes piscantes dos paparazzi.

Fiquei ali, o chão polido frio contra minha bochecha. Minha visão estava embaçando. As pessoas estavam olhando, sussurrando, apontando. Ninguém se moveu para ajudar.

Com um gemido, me levantei. Minha cabeça estava girando. Percebi que minha aliança tinha sumido. Deve ter voado quando caí. A aliança que estava tão frouxa no meu dedo. Um símbolo de um casamento que estava vazio há muito, muito tempo.

Nem procurei por ela.

Ignorando os olhares e as câmeras, cambaleei para ficar de pé, minhas pernas tremendo. Andei, um pé na frente do outro, para fora do salão de festas e para a rua.

Chamei um táxi. Os olhos do motorista se arregalaram quando ele viu o sangue no meu rosto.

"Hospital?", ele perguntou, a voz cheia de alarme.

Limpei uma mancha de sangue da minha bochecha com as costas da mão.

"Sim", eu disse, um sorriso sombrio tocando meus lábios. "Mas eu não vou morrer."

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