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A REDENÇÃO de Yago

A REDENÇÃO de Yago

Autor:: Dominic
Gênero: Romance
Yago Valente é um homem hedonista, egoísta e devasso. Não pensa no futuro, e nem em compromisso. É o legítimo cafajeste, que só quer aproveitar a vida. Depois da última viagem de motocicleta pelo país, está de volta a Espanha. E as noites são regadas a festa e a um novo vício que adquiriu, mas que guarda segredo por medo de julgamentos. Cassandra é uma moça inocente e doce, cresceu sem afeto dos pais. E carente, se viu acolhida pela família da melhor amiga, Estela, que por sua vez, é irmã mais nova de Yago. Ao frequentar a casa pela primeira vez, se apaixona perdidamente pelo motoqueiro grosseirão. E apesar de linda, é muito jovem para o marmanjo experiente. E ele mesmo sentindo uma atração avassaladora pela jovem garota, a despreza e humilha por receio que ela o rejeite quando descobrir o seu segredo sujo. Essa é uma história de arrependimento e vingança, onde um casal vai lutar com todas as forças para obter o que deseja. Ele a desprezou na juventude por um segredo. Ela jurou vingança pelo modo que foi tratada. Ele amadureceu e a quer a todo custo. Ela se tornou uma mulher difícil, uma que vai fazê-lo pagar. Obs: ROMANCE com conteúdo sensível +🔞 Bullying, Lactofilia, suicídio

Capítulo 1 Yago e o começo do segredo

BAIRRO NOBRE Salamanca, ESPANHA, JANEIRO de 2015.

Chegou finalmente o dia que vou conhecer a associação de ABR de Salamanca. Entrei em contato no mês passado e depois de muitas exigências me forneceram o endereço.

Estaciono minha motocicleta Harley em frente e tiro minha jaqueta pesada. Arrumo minha camisa e me olho no espelho retrovisor. Preciso apresentar boa figura ao CEO. Essa entrevista final vai confirmar se vão me dar a carteira de sócio ou não. Um clube de elite desses é muito difícil de entrar, e com muito custo descobri um lugar para alívio do meu vício. Há meses conheci a prática com uma mulher na cidade vizinha, onde fui convidado a um jantar com um investidor do meu negócio. Um cara mais velho que se interessou na minha futura empresa de peças personalizadas de motos importadas. Não quero algo grande ou um império, desejo apenas estabilidade e independência. Morar sozinho e ter minhas coisas já será um bom começo. Nesse jantar observei os homens fumando charuto e conversando sobre esse lugar. Perguntei do que se tratava e para minha surpresa era algo que nunca tinha experimentado. Ele me ofereceu uma degustação e eu fissurei na prática.

Subo as poucas escadas em direção a porta da frente, bem seguro e compenetrado. Senhor Abenatti é um homem muito sério e não quero deixar margem para dúvidas quanto as minhas intenções nesse clube.

Agora aqui na sala de espera do escritório do CEO da associação, confesso que estou mais curioso que apreensivo. É tudo muito discreto, toda a decoração é clássica e arrojada, porém com charme e elegância de um clube de elite. Da outra vez que entrei em contato, fui direcionado para outro prédio. Queriam confirmar minhas fontes. O homem alto e grisalho que me recebe na porta não é o senhor Abenatti, esse é ainda mais imponente, possui um semblante nada amigável, é sisudo e um pouco carrancudo em demasia pelo estilo de ambiente que vejo. Sou direcionado a uma cadeira em frente à sua mesa suntuosa. Permaneço calmo e compenetrado, pois parece mais uma entrevista de emprego do que um clube secreto de fetiche.

- Yago Valente, como o senhor soube da nossa associação?

- Fiz algumas pesquisas sobre o assunto, fui apresentado a prática pelo senhor monteiro em uma de suas reuniões íntimas. Me forneceu o telefone pra contato que me trouxe até aqui.

- Certo, sabe que não é costume alardear esse clube. O que fazemos aqui nem todos compreendem.

- Sei.

- Não preciso deixar claro que preferimos não ser divulgados, Sr Valente.

Me remexo desconfortável no assento, que homem mais chato, já entendi que não posso falar desse lugar, eu nem tenho intenção que minha família descubra que pratico isso.

Aceno entediado... Vamos senhor pinguim, me dê os papéis para que eu assine de uma vez!

- Bem, precisamos de algumas informações suas se não se importa e farei uma ficha para o nosso arquivo. Tudo bem?

- Tudo bem.

- Durante nossa conversa você preencha esse formulário simples de localização, idade e outras informações de contato.

O homem me alcança uma folha e obedeço prontamente o que ele diz, afinal a pressa pelo jeito é só minha.

- Qual é o seu objetivo com a prática que realizamos aqui?

- Objetivo?

- Sim, o que você pretende? Preciso saber pois será direcionando a salas com atendimento personalizado conforme seus interesses. O que deseja? Encontrar uma parceira que aprecie o mesmo que você? Sexo casual ou apenas alívio de um desejo latente que não é saciado de outra maneira? Suponho que já tenha experimentado na mansão do senhor Monteiro, por isso curiosidade está fora de questão.

- Sim, experimentei e desde aquela ocasião não consigo o alívio completo sem partilhar essa prática no ato.

- Muito bem, então não procura uma relação monogâmica?

- Ah, relação com uma das... não, nem pensar!

Imagina se quero namorar agora! Uma mulher me controlando e manipulando, seguindo meus passos feito um detetive? Jamais!

- Ok, explicarei rapidamente antes que você entre no local e se sinta desconfortável com a visão da dinâmica.

Vou sentir é vontade de começar hoje, isso sim.

- Não temos salas privativas, são cabines abertas onde a cúmplice aguarda o parceiro que partilhará o ato. Ninguém é vendado mas é estritamente proibido trocar informações pessoais entre vocês, nem mesmo nomes pois algumas delas tem vida paralela fora dessa associação. Você receberá um número e será conhecido por ele. Toques são permitidos desde que não haja consumação do ato, ou seja, penetração. Claro com consentimento de ambas as partes.

- Cinco contra um é permitido o senhor quer dizer?

- Na linguagem vulgar é isso mesmo. O que eu quero deixar claro é, aqui não é um clube de sexo Sr Valente. Mas é inevitável o alívio se a tara é essencial ao gozo. Entretanto se uma das cúmplices se interessar por qualquer um dos associados e quiser estreitar alguma relação fora deste ambiente, sem problemas. Não tem objeção no envolvimento fora daqui, basta assinalar o número do interesse no caderno de entrada. Consentido é repassado o contato para ambas as partes.

- Ok. Eu compreendi.

- Todos são testados com exames médicos rigorosos periódicos, trouxe os que lhe foi solicitado ao telefone?

- Sim, estão nesse envelope. - Deslizo o papel ao homem.

- Ótimo, veremos depois do seu primeiro dia quantas vezes na semana o senhor gostaria de frequentar, bem como as taxas. Espero que nossas instalações sejam do seu agrado. Chamarei meu assistente para lhe acompanhar ao salão.

Um aperto de mão cordial, encerra a conversa e sou direcionado novamente a sala de espera.

Um outro homem com vestimenta menos formal, vem me buscar para o salão. Andando por ele percebo que possui o mesmo requinte, mas a iluminação é mais baixa e as tais cabines são separadas por cortinados luxuosos. Tapeçaria fina e divãs espalhados por todo o lugar. Hum... vou gostar desse negócio mais do que imaginei.

Noto que as mulheres são bem o tipo que eu prefiro, com carnes, gostosas e curvilíneas. Loiras, morenas, negras, ruivas, asiáticas, não importa, tem que ser bem abundante de peito, coxa e traseiro. Oh meu Deus! Melhor criação essa sua hein, meu senhor! Mulher é a primeira maravilha do mundo! E eu vou me esbaldar na minha tara.

Capítulo 2 CASSANDRA

MADRI, 26 de Março de 2015

Querido diário

Essa data ficará marcada como o dia que encontrei o amor da minha vida, quer dizer, eu já conhecia como você bem sabe, há tempos que falo sobre ele pra você. O nome dele é Yago Valente irmão mais velho da minha melhor amiga Estela.

Tudo aconteceu quando estudávamos na antiga escola. No nono ano numa tarde chuvosa, uma caminhonete antiga encostou no meio fio. E quando o motorista barbudo tatuado saiu de dentro dela, uau! Perdi o fôlego. Era o homem mais lindo que já tinha visto na vida. Seus cabelos muito claros contratavam com a pele beijada pelo sol.

Músculos e mais músculos sobressaiam pela regata branca e os braços tatuados me deixaram sonhando por dias. Fiquei hipnotizada por ele.

Naquele dia ele a buscou na escola. Estela muito solícita e preocupada me ofereceu uma carona até a mansão, porém eu estava tão nervosa e impactada com a visão daquele deus louro, que não consegui murmurar nenhuma sílaba. Gaguejei miseravelmente. Então apenas acenei com a cabeça que não queria. Recordo como ele me olhou, certamente me achou uma retardada, com algum severo atraso mental. Foi muito estranho e intenso, mas não saia nenhum som de minha boca, parecia que meu coração estava na garganta, só de ter aqueles olhos azuis direcionados a mim.

Depois daquela ocasião, o tal homem, chamado Yago, volta e meia aparecia para buscar a irmã ou levá-la pela manhã. Ele encostava a caminhonete no meio fio, e a escola inteira suspirava. Até mesmo as professoras mais quietas e casadas paravam tudo o que estavam fazendo no momento, para ver o monumento sair da veículo escuro. E ele percebia, numa das vezes ele veio de motocicleta. Nossa! Bad boy, misterioso foi os dois atributos que adicionei aquele pacote.

A motocicleta era linda como ele, parecia fazerem parte um do outro de tão perfeitos juntos. Muito tempo que cuido aquele homem, querendo ser notada por ele e sempre desejei uma oportunidade, apesar de saber que ele é mais velho, quando eu completar 18 anos poderei me declarar abertamente. Agora que começamos nesse cursinho ando um pouco mais animada, Estela vai sozinha, então eu decidi voltar a frequentar a casa. No início me desanimei, Yago estava em uma viagem de motocicleta pela Europa com o moto clube que ele faz parte. Ficou quase dois anos fora. Entretanto me apeguei a família e nem senti tanto a ausência, quanto imaginava que sentiria. Os Valente me tratam como um membro, e meu aniversário nunca mais foi solitário. Tia Marieta e vovó Maria fazem a festa para mim com meu bolo predileto, recheio de ameixas negras e leite condensado.

Mas hoje tive uma maravilhosa surpresa ao chegar lá. Consegui vê-lo de perto pela primeira vez em anos, pois não é que ele ficou ainda mais lindo.

Um espetáculo, com aqueles jeans surrados abraçando as coxas torneadas, a camiseta de algodão justa arregaçada nas mangas mostrando os bíceps tatuados era um delírio aos olhos.

Estávamos somente as mulheres na cozinha conversando sobre amenidades e aí foi quando ele entrou, apanhou uma maçã e deu um beijo na tia Marieta, mãe dele, acenou um cumprimento silencioso e saiu.

Mas esses poucos segundos foram suficientes para o meu pulso acelerar desgovernado. Meu coração quase saiu pela boca quando ele dentou aquela fruta. Parecia em câmera lenta. Senti uma inveja, queria aquela mordida na minha pele, no lugar que fosse não importava, desejei sentir aquela ferocidade. Ansiei as marcas que aquela barba propiciaria na minha pele sensível. Seu cheiro deve ser incrível e seu gosto muito mais. Calma maluca! Você é uma virgem tarada, precisa se acalmar. Mas perco o foco quando o vejo.

Aquele aceno antes de sair do cômodo, foi rápido e desinteressado, minha tentativa de uma saudação oral audível foram por terra outra vez. Fiquei nervosa, mesmo que aqueles olhos azuis escuros não se direcionaram pra mim, emudeci e minhas mãos gelaram por baixo da mesa, espero que ele não tenha percebido como eu estava.

Mesmo ansiosa preciso bolar um plano perfeito para interagir como uma adulta que eu sou. Aguardo ansiosa os efeitos da minha presença constante na casa dos Valente. Só preciso que ele me note, sei da nossa diferença de idade, porém final do ano serei maior de idade e ficarei mais tranquila para ser mais ousada ao demonstrar o que eu sinto por ele.

Madri setembro de 2015

Querido diário

Muitas vezes reclamei ao longo desses cinco meses o desprezo de Yago por mim, não entendo ainda o motivo, mas ouvi algo entre ele e o irmão como não querer me encorajar a ter esperança, mas um pouco de gentileza não faz mal a ninguém.

Não bastasse fingir não saber meu nome só pra me chamar de magricela, ver a cartela de mulheres que entram e saem da garagem onde ele instalou a oficina provisória, me corrói cada vez mais. Ando até recusando os convites pra sair a noite por puro despeito em não ver as garotas penduradas em seu pescoço como num jogo de cadeiras.

Pensei que com o tempo ele iria me notar, estou sempre que posso dando brecha pra isso, mas percebi o efeito contrário, quando mais eu me aproximo mais ele me afasta. Isso não me faz sentir feia ou desmerecida, porque na escola dizem que sou bonita, os meus colegas a maioria já me convidaram para sair. Ele é o único que parece sentir repulsa por mim e é isso que não entendo.

Triste e complicada essa minha fixação por esse maldito homem que não sai da minha cabeça. Dei o braço a torcer e acabo por desistir de entender. A minha dignidade de mulher grita pra parar com essa atitude que pode passar aos que não me conhecem a fundo uma infantilidade de menina dos coeiros.

Corajosamente hoje pelo menos tomei o primeiro passo pra mudar isso. Marquei uma consulta com um novo psicólogo e vou me tratar, não é normal, há três anos uma paixonite adolescente dessas, moldando meus atos e planos pra girar ao redor de um homem que só me dá o seu desprezo em troca. Sei que sou carente de afeto, mas tem algo errado comigo, talvez a medicina explique e resolva.

Minha vida não pode parar por causa dele, sou uma jovem com quase dezoito anos, pronta pra cursar uma faculdade e não sou acostumada com autopiedade, nem vitimismo. Se eu não mudar isso agora vou me afundar ainda mais na minha depressão. Não é por ele que minha carência de afeto será suprida, infelizmente tenho que aceitar essa constatação. Vivo sozinha há anos, mas infelizmente não me acostumei. O que eu fiz pra merecer viver assim?

Capítulo 3 Yago capítulo 3

Madri, agosto de 2015, residência dos Valente.

Quando os almoços de domingo acontecem aqui em casa, geralmente eu dou um jeito de estar presente. Entretanto assim que a sobremesa acaba, eu fujo rapidinho. Porque não tenho paciência para cambada de primos curiosos que eu tenho. São chatos e inconvenientes me cercando para conversar. Na realidade depois que viajei pelo Estado de motocicleta, ficou ainda pior. Eles pedem sobre tudo, desde conversar sobre lugares até chegar mulheres. Querem saber sobre detalhes que não estou disposto a dar. Ok é família, são conversas amenas, mas caramba, eu não tenho obrigação de ficar batendo papo sobre o que eles querem. E lá vem o primeiro curioso.

- Como vai a construção da sua oficina, primo?

- Uma aporrinhação pra falar a verdade, não há dinheiro que chegue.

Tento driblar desviando, mas o chato me alcança uma cerveja gelada.

- Ah, mas seu pai tem posses, não há risco.

- Não é bem assim Alessandro, pedi o adiantamento da herança exatamente pra não ficar devendo ao seu Nereu, jamais quero que alguém diga que ganhei minhas coisas do meu pai.

O engomadinho sorri torto, sei bem que ele fez exatamente ao contrário com o pai dele. Construiu o seu negócio com a peixaria, usando o dinheiro do próprio pai. Sei que houve uma rusga entre eles, bem séria que pôs em risco a união na família. Porque Alessandro pediu a herança antes do tempo, quer dizer, enquanto o pai ainda está vivo e este precisou dividir em vida com os outros irmãos. Sei que deu um trabalho tremendo e tio Bernal ficou meio maluco aquela época. Tudo por causa desse irmão mais velho que não tem paciência de esperar quando a hora chegar. Agora, fazer com as próprias mãos, não né?

Não gosto desse tipo de atitude Ele acha que sou igual a ele? Coitado está muito enganado. Eu pretendo subir na vida sim, pretendo ter a minha carreira como empresário no ramo que eu amo, mas não subindo nas costas dos outros. Principalmente que seja nas costas do meu pai e ele oferecendo ajuda para isso. Talvez se fosse uma outra circunstância, um outro patamar de vida, talvez mais dificultoso, sim eu pediria a herança, mas não é o caso. Meu pai me dá de tudo, enquanto eu e meus irmãos estamos morando com ele. Agora o resto, eu tenho que correr atrás, Isso é atitude de macho e não atitude de molenga.

- Entendo, fez bem. Vai lidar somente com motocicletas?

- É o que sei fazer, vou deixar os carros pro Liandro, teremos as oficinas mais famosa de Madri, os Valente's Mecânica.

- Fico contente por vocês e mais ainda por ter parentes que entendem das minhas máquinas.

Sorrio amarelo, para o meu primo já prevendo os choros de desconto que terei que ceder. É um pedante, puxa saco e inconveniente.

Liandro se aproxima com a cara amarrada, dizendo que nosso pai quer que o encontre na adega. Pedido estranho já que ele estava no forno a lenha cuidando do porco assado, mas se tratando de vinho não me admira a rapidez da troca de serviço.

Andando até lá, um lapso me passa na mente sobre uma piada que ele soltou quando me viu segurando o filho da prima Joana no colo. Presumo que conversa sairá desse encontro inesperado na adega. Seu Nereu não esconde que deseja netos, muitos deles. Meu pai disse

que quer a casa cheia de crianças. E adivinha para quem que ele pediu primeiro? É isso aí, acertou, eu mesmo.

Chegando ao porão onde meu pai instalou a adega, me deparo com o velho coçando a cabeça e mirando a escadinha que dá acesso às garrafas mais altas. Talvez precise de ajuda já que ainda não o vejo de posse de nenhuma.

- Fala pai.

- Yago meu filho, sobe essa escada e pega aquele Marsala pra mim, por favor, meu joelho está fraco não quero um desastre no domingo.

- Não quer outro mais suave, Marsala ao meio-dia não é forte demais?

- Seu tio Bernal pediu este, quer anunciar o nascimento do outro neto, finja surpresa hein!

Acho graça do jeitão dele com as mãos na cintura tentando não rir, pra ele tudo é motivo de riso e gosto disso nele. Seu bom humor contagia.

Desço com o vinho e alcanço na mão rechonchuda do meu pai, andamos juntos pelo chão de pedras com a outra no meu ombro.

- Está no fim a construção do seu negócio no centro, hein?

- É, quase pronta.

- Está ficando bom. Tô orgulhoso, Yago.

- Obrigado, pai.

- Vai se mudar pra lá mesmo? Tem certeza que não quer ficar aqui e ir todo dia trabalhar lá?

- Meio fora de mão, não acha, pai?

- Concordo, mas é que agora que sua irmã resolveu ir pra América, a casa ficará tão vazia, sem vocês dois. Sua mãe já anda saudosa desde agora.

- Prometo que virei todo domingo almoçar com vocês ou sempre que precisar estarei aqui, mas já tenho 30 anos não posso morar na casa do papai mais tempo.

- Entendo, falando nisso, vi você com a criança da nana mais cedo no colo, pretende ter filhos logo?

...E lá vamos

- Ah pai!

Ele ri do meu jeito, mas mesmo brincando sei que sua preocupação é séria e verdadeira.

- Yago, eu quero netos, você não pensa no seu velho pai? Tem que apresentar pra família aquela sua namorada que você visita em Salamanca toda a semana.

Engulo seco e paraliso, meu pai percebe e tenta consertar.

- Bom, presumo que é isso que você faz lá, sua mãe e eu vemos quando o portão da garagem é aberto no horário da sua chegada, às vezes passa da uma da madrugada, no meio da semana. O que há de tão urgente senão uma moça bonita, hein?

Tento organizar alguma desculpa rápida e plausível que ele acredite pelo menos.

- Não é nada sério, não temos planos para o futuro.

- Ela não é a mulher da sua vida?

Sorrio desconfortável, nem sei o que é esse tipo de sentimento que faz a gente falar dessa maneira sobre uma garota. Nenhuma nem sequer se aproximou disso. Será que existe esse negócio de amor? Ficar pensando numa pessoa o tempo inteiro? Duvido muito.

- Não é pai.

- Não me faça esperar muito, arrume uma moça direita e forme uma família, já está na hora, você é um homem independente, só falta perpetuar os Valente agora.

- Prometo me esforçar.

Com um tapinha nas costas nos dividimos, saio aturdido com essa conversa, se ele soubesse o que faço na cidade vizinha, não sei o que ele acharia do filho.

Merda! Porque fui gostar tanto desse fetiche? E o pior, virou um vício que não consigo controlar!

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