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A Rainha Inabalável Retorna

A Rainha Inabalável Retorna

Autor:: Zhi Ning
Gênero: Horror
Voltei de uma viagem de negócios e meu marido me disse que nosso filho de seis anos estava morto. Ele me mostrou a filmagem da câmera veicular de Léo morrendo de insolação, deixado sozinho no carro por sua jovem babá, Karina. Mas em vez de buscar justiça, meu marido me trancou no carro e ligou o aquecedor no máximo, recriando os momentos finais do nosso filho. Ele exigiu a senha do meu celular para apagar a filmagem, rosnando que não podíamos arruinar o futuro de uma garota de vinte anos por causa de um "deslize". Para me forçar a ceder, ele mandou bandidos invadirem o quarto do meu pai idoso na casa de repouso, ameaçando-o em uma videochamada ao vivo. Mais tarde, no velório do nosso filho, ele defendeu Karina enquanto ela tirava selfies com o caixão e tocava música pop. Ele a ajudou a mostrar um vídeo manipulado para a multidão, me pintando como uma mãe negligente e obcecada pela carreira. Os presentes jogaram bebida em mim enquanto meu marido protegia sua amante. No dia seguinte, descobri a verdade. Meu pai, depois de ser chantageado por aqueles mesmos bandidos, tirou a própria vida para me proteger. Meu marido não apenas encobriu um assassinato; ele causou outro. Ele achou que tinha vencido, que havia destruído todas as provas e me quebrado completamente. Mas ele se esqueceu de uma coisa. O smartwatch com GPS no pulso do nosso filho. Ele gravou tudo - não apenas sua morte, mas cada palavra cruel e provocadora que Karina sussurrou enquanto o deixava morrer.

Capítulo 1

Voltei de uma viagem de negócios e meu marido me disse que nosso filho de seis anos estava morto. Ele me mostrou a filmagem da câmera veicular de Léo morrendo de insolação, deixado sozinho no carro por sua jovem babá, Karina.

Mas em vez de buscar justiça, meu marido me trancou no carro e ligou o aquecedor no máximo, recriando os momentos finais do nosso filho. Ele exigiu a senha do meu celular para apagar a filmagem, rosnando que não podíamos arruinar o futuro de uma garota de vinte anos por causa de um "deslize".

Para me forçar a ceder, ele mandou bandidos invadirem o quarto do meu pai idoso na casa de repouso, ameaçando-o em uma videochamada ao vivo.

Mais tarde, no velório do nosso filho, ele defendeu Karina enquanto ela tirava selfies com o caixão e tocava música pop. Ele a ajudou a mostrar um vídeo manipulado para a multidão, me pintando como uma mãe negligente e obcecada pela carreira.

Os presentes jogaram bebida em mim enquanto meu marido protegia sua amante. No dia seguinte, descobri a verdade. Meu pai, depois de ser chantageado por aqueles mesmos bandidos, tirou a própria vida para me proteger.

Meu marido não apenas encobriu um assassinato; ele causou outro. Ele achou que tinha vencido, que havia destruído todas as provas e me quebrado completamente.

Mas ele se esqueceu de uma coisa. O smartwatch com GPS no pulso do nosso filho. Ele gravou tudo - não apenas sua morte, mas cada palavra cruel e provocadora que Karina sussurrou enquanto o deixava morrer.

Capítulo 1

O jato particular pousou suavemente, um leve solavanco na pista do aeroporto em São Paulo.

Alina Vasconcelos soltou o cinto de segurança, sua mente já mudando da fusão bem-sucedida em Tóquio para seu filho de seis anos, Léo.

Ela pegou o celular, sorrindo para a foto na tela de bloqueio. Era Léo, com o rosto sujo de sorvete de chocolate, exibindo um sorriso cheio de dentes, inocente. Ela estava fora há quatro dias. Pareciam quatro anos.

Seu marido, Bernardo Moraes, a esperava no terminal particular. Ele não estava sorrindo. Seu rosto era uma máscara pálida e tensa. Um pavor gelado percorreu Alina, afugentando o calor de sua volta para casa.

"Bê? O que foi? Onde está o Léo?"

Ele não respondeu. Apenas pegou a mala de mão dela e a conduziu até o carro. O silêncio no sedã preto era pesado, sufocante.

"Bernardo, você está me assustando. Me diga o que aconteceu."

Ele finalmente olhou para ela, seus olhos vazios. "Houve um acidente, Alina."

"Um acidente? O Léo está bem? Ele está no hospital?"

"Ele se foi", disse Bernardo, a voz gélida, sem qualquer emoção. "O Léo se foi."

As palavras não faziam sentido. Eram apenas sons, pairando no ar. Se foi? Léo não podia ter ido embora. Ela tinha acabado de comprar para ele um novo aeromodelo, aquele que ele queria, guardado em segurança em sua bagagem.

"Não", ela sussurrou. "Isso não tem graça, Bê. Pare com isso."

Ele não parou. Tirou o celular do bolso e apertou o play em um vídeo. A data e a hora mostravam a tarde de ontem. Era a câmera veicular do carro deles. O sol forte entrava pelo para-brisa. A câmera estava apontada para o banco de trás, onde Léo estava preso em sua cadeirinha. Ele se abanava com as mãos, seu rostinho vermelho.

"Tá quente, Karina", disse a vozinha de Léo.

A porta do motorista se abriu e Karina Alves, a nova estagiária da empresa, se inclinou para dentro. Ela era jovem, bonita, com um sorriso radiante que agora parecia doentiamente falso.

"Vou ser super rápida, Léo", disse Karina. "Só vou entrar na loja por um minutinho. Seja um bom menino."

Ela fechou a porta. A trava clicou. O vídeo continuou. Um minuto se passou. Depois cinco. Depois dez. A temperatura no painel subia. 38. 42. 45 graus. Léo começou a chorar, seus pedidos pela mamãe suaves no início, depois se tornando frenéticos. Ele lutava contra o cinto. O carro era um forno. O vídeo era um filme mudo de seus momentos finais e aterrorizantes.

Alina gritou, um som gutural, animalesco, de pura agonia. Ela se lançou para o telefone, querendo fazer aquilo parar, mas Bernardo o afastou.

"Ela o deixou", Alina engasgou, as lágrimas finalmente escorrendo por seu rosto. "Ela o trancou no carro e o deixou para morrer."

"Estamos indo para a delegacia agora", disse Bernardo, com a voz firme. Ele até estendeu a mão e apertou a dela. "Eu te prometo, Alina. Ela vai pagar por isso."

Uma fagulha de esperança brilhou em meio à sua dor. Ele era seu marido. Ele era o pai de Léo. Claro que ele queria justiça. Ela assentiu, agarrando a mão dele como se fosse uma tábua de salvação enquanto ele entrava na Marginal.

Eles dirigiram por vinte minutos. Alina olhava pela janela, sua mente uma névoa entorpecida de dor. Então ela percebeu que não estavam indo em direção à delegacia central. Estavam nos arredores da cidade.

"Bê, para onde estamos indo?"

Ele não respondeu. Apenas parou o carro em uma via de acesso deserta. Com um bipe suave, as portas do carro se trancaram. Ele se virou para ela, sua expressão indecifrável.

Então, ele ligou o aquecedor. No máximo.

O ar quente e seco jorrou das saídas de ar, sufocando-a instantaneamente. Era o mesmo calor do vídeo. O mesmo calor sufocante e mortal.

"Bê, o que você está fazendo? Desliga isso!"

"Me dê seu celular, Alina. E a senha."

Ela o encarou, confusa. "O quê? Por quê?"

"A filmagem da câmera é enviada automaticamente para um servidor na nuvem", disse ele, com a voz calma, racional. "Preciso da sua senha para fazer o login e apagar."

O mundo girou. "Apagar? Bernardo, isso é a prova! É a única coisa que prova o que aquele monstro fez com o nosso filho!"

"Karina não é um monstro", disse ele, a voz endurecendo. "Ela é uma garota de vinte anos que cometeu um erro. Um erro terrível, sim. Mas não podemos arruinar a vida inteira dela, o futuro dela, por causa disso."

"O futuro dela?", Alina gritou, a voz rachando. "E o futuro do Léo? Ele tinha seis anos! Ela assassinou nosso filho!"

O calor estava se tornando insuportável. O suor brotava em sua testa e seus pulmões ardiam a cada respiração. Ela se sentia tonta, desorientada. O homem sentado ao lado dela era um estranho.

"Eu preciso da senha, Alina", ele repetiu, a voz baixa e ameaçadora. "Não torne isso mais difícil do que precisa ser."

Ela balançou a cabeça, a teimosia surgindo em meio à sua dor. "Nunca."

Seu rosto se contorceu em um rosnado. "Você se acha forte, não é? Sempre se achou."

Ele engatou a marcha e voltou para a estrada, dirigindo a uma velocidade aterrorizante. Alina sentiu uma onda de náusea. O calor estava embaçando as bordas de sua visão. Ela viu a placa da Casa de Repouso Villa Serena.

O lar do seu pai.

"O que você está fazendo?", ela ofegou, o coração batendo forte contra as costelas.

"Você ama seu pai, não ama?", disse Bernardo, um sorriso cruel brincando em seus lábios. "Um velho gentil e amável. Com um coração muito fraco."

Ele entrou no estacionamento e pegou seu próprio celular. Fez uma ligação. "Eles estão aqui. Vão agora."

Ele virou o celular para ela, mostrando uma transmissão de vídeo ao vivo. Era de uma câmera apontada para a porta do quarto de seu pai. Dois homens grandes e brutais, de macacão, estavam usando um pé de cabra para forçar a porta.

"Não", Alina sussurrou, o corpo gelando apesar do calor sufocante. "Bernardo, por favor. Não faça isso."

A porta se estilhaçou. Os homens invadiram o quarto. A câmera mudou para um ângulo de dentro do cômodo. Seu pai, Júlio, frágil e confuso, estava sentado na cama. Os homens o agarraram.

"Me dê a senha, Alina", disse Bernardo suavemente, sua voz um sussurro venenoso contra o som do grito de pânico de seu pai vindo do telefone. "Ou a próxima coisa que você vai planejar é outro funeral."

Lágrimas de fúria e desamparo absoluto escorriam por seu rosto. Ela olhou do homem monstruoso que era seu marido para a imagem de seu pai aterrorizado na tela do celular. Ela estava encurralada.

"A senha", ela engasgou, a voz mal um sussurro. "É o aniversário do Léo."

Capítulo 2

O ar no carro era um peso físico, denso e escaldante. A garganta de Alina parecia uma lixa e seus pulmões ardiam a cada respiração superficial. O calor era uma lembrança constante dos últimos momentos de Léo, uma tortura planejada pelo homem que havia prometido amá-la e protegê-la.

O rosto de Bernardo era uma máscara de fria satisfação enquanto ele digitava os números no celular dela. "1-8-0-5", ele murmurou. "Boa menina."

Ele jogou o celular dela no painel, a tela agora inútil para ela. Sua conexão com o mundo, com a ajuda, havia desaparecido. Sua visão turvou, pontos escuros dançando diante de seus olhos. Ela se lembrou do dia do casamento, a mão de Bernardo na dela, sua voz sincera enquanto ele jurava cuidar dela, estar ao seu lado em qualquer situação. Aquele homem se fora, substituído por este monstro frio e calculista.

"Pare", ela grasnou, tentando agarrar a maçaneta da porta, suas unhas raspando inutilmente no plástico. "Me deixe sair."

"Ele era só uma criança, Bê", ela chorou, as palavras rasgando sua garganta ferida. "Ele era nosso filho. Nosso menininho."

"Não se atreva a chamá-la assim", Bernardo retrucou, seus olhos brilhando com um fogo protetor que ela não via há anos. Um fogo que não era para ela, nem para o filho morto deles, mas para uma estagiária de vinte anos. "Não chame a Karina de monstro."

Ele se virou para o celular em sua mão, seus dedos se movendo rapidamente. "Você estava sempre tão ocupada com o trabalho, Alina. Sempre em um avião, em uma reunião. Quando foi a última vez que você passou um dia inteiro com ele? A Karina era ótima com ele. Ele a amava."

A acusação foi um golpe físico, tirando o último resquício de ar de seus pulmões. Era uma mentira, uma mentira cruel e distorcida. Ela havia estruturado sua vida inteira, toda a sua carreira como COO da empresa que eles construíram juntos, em torno de Léo. Ela pegava voos noturnos para estar em casa no café da manhã, trabalhava até tarde da noite depois que ele dormia e sacrificou promoções para evitar se mudar. Sua vida era um ato de equilíbrio constante e exaustivo, que ele nunca havia reconhecido.

"Ele era só uma criança", disse Bernardo novamente, a voz mais suave agora, mas com uma falta de preocupação arrepiante. "É uma tragédia. Mas a Karina é jovem. Ela tem a vida inteira, uma carreira inteira pela frente. Não podemos deixar um erro arruinar isso."

Alina o encarou, uma clareza horrível cortando sua dor e a névoa induzida pelo calor. Suas palavras não eram uma defesa de Karina; eram uma admissão. Ele não estava apenas protegendo uma estagiária. Ele estava protegendo sua amante.

A percepção a atingiu com a força de um impacto físico. As noites tardias que ele alegava serem reuniões do conselho. Os "retiros de trabalho" de fim de semana. O cheiro de um perfume diferente em seus ternos. Tudo se encaixou, um mosaico de traição que estava sendo construído há anos.

"Você está dormindo com ela", ela sussurrou.

Um lampejo de algo - irritação, talvez vergonha - cruzou seu rosto antes de ser substituído por uma fria indiferença. "Isso não vem ao caso agora."

A última gota de sua força se esgotou. Ela esmurrou a janela com os punhos, um ritmo desesperado e sem esperança. "Me deixe sair! Me deixe ver meu pai!"

Suas mãos estavam em carne viva, os nós dos dedos sangrando, mas ela não sentia a dor. Tudo o que sentia era uma raiva ardente e avassaladora.

"Eu vou te matar, Bernardo", ela sibilou, as palavras com gosto de veneno. "Juro por Deus, vou ver você e aquela vadiazinha queimarem por isso."

Por um momento, ele olhou para ela, para as marcas de sangue que ela deixava na janela, e um toque de inquietação cruzou suas feições. Mas desapareceu tão rápido quanto veio.

Ele clicou em um botão em seu celular, e o som de um homem gritando encheu o carro. Era o pai dela.

"Pare! Por favor!", ela implorou, o corpo amolecendo.

Com um toque final e decisivo em seu próprio celular, Bernardo ergueu os olhos. "Está feito", disse ele. "O arquivo na nuvem foi apagado. O cartão original da câmera já foi destruído."

Uma onda de oxigênio fresco a atingiu quando ele finalmente abaixou os vidros. Ela ofegou, os pulmões doendo.

"Viu?", disse ele, a voz tingida de uma calma condescendente. "Todo esse drama, por nada. Você deveria ter cooperado desde o início."

Ele os afastou da casa de repouso, deixando o destino de seu pai em suspenso.

"Eu quero ver meu pai", disse ela, a voz uma casca oca.

"Os médicos estão com ele agora", disse Bernardo com desdém. "Ele teve um pequeno susto, só isso. Você pode vê-lo amanhã. Agora, precisamos nos concentrar nos preparativos para o Léo."

Ele estava organizando o funeral de seu filho. O filho a quem ele acabara de negar justiça. A hipocrisia era de tirar o fôlego.

"E Alina", disse ele, o tom um aviso claro. "Esta conversa nunca aconteceu. Para todos os efeitos, a morte de Léo foi um trágico acidente. Uma trava de carro com defeito, talvez. Não sabemos. Não há provas. Não há ninguém para culpar. Você entende?"

Ela não respondeu. Apenas olhou pela janela, o coração uma pedra fria e pesada no peito. Ela não havia perdido apenas seu filho. Havia perdido seu marido, sua vida e sua fé em tudo o que já acreditara.

E naquele momento, no silêncio estéril e climatizado do carro, um novo sentimento começou a florescer no deserto de sua dor. Era frio, afiado e duro como diamante.

Era ódio.

Capítulo 3

Alina estava em seu closet, o cheiro da colônia de Bernardo pairando no ar como um fantasma. Sua mão repousava sobre uma pequena caixa de veludo na cômoda dele. Dentro estava o primeiro par de abotoaduras que ela lhe dera, simples nós de prata. Ele era apenas um programador júnior esforçado naquela época, cheio de grandes sonhos e um charme autodepreciativo. Foi ela quem viu seu potencial. Seu pai, um respeitado professor de história, o orientou, o conectou, o tratou como o filho que nunca teve.

Ela se lembrou do pedido de casamento de Bernardo, em uma toalha sob as estrelas, depois que eles garantiram sua primeira rodada de financiamento. "Vou passar a vida inteira te fazendo feliz, Alina", ele prometera, os olhos brilhando com o que ela pensava ser amor. "Vou proteger você e nossa família de tudo."

Uma risada amarga e sem humor escapou de seus lábios. Que tola ela tinha sido.

A voz de Bernardo ecoou do corredor, tirando-a do passado. "Alina, você está pronta? As pessoas estão começando a chegar para o velório."

Ela vestiu o vestido preto que ele havia separado para ela, sentindo-se como uma boneca sendo posicionada para uma peça. Ele a conduziu escada abaixo, a mão na base de suas costas um toque possessivo e repulsivo.

O velório estava sendo realizado em sua casa, uma mansão moderna e ampla que ela havia projetado. Deveria ser um lugar de amor e risadas. Agora, era um túmulo.

A primeira coisa que a atingiu foi a música. Não era o sombrio quarteto clássico que ela havia solicitado. Em vez disso, uma música pop alta e pulsante, com um baixo irritante, ecoava pela sala de estar de plano aberto. Era uma daquelas canções vazias e sem cérebro que Léo ouvira no rádio e odiava.

Seus olhos percorreram a multidão de presentes, seus rostos um borrão de simpatia educada. E então ela a viu.

Karina Alves.

Ela estava perto do pequeno caixão branco de Léo, que estava cercado por uma montanha de lírios brancos. Ela usava um vestido preto justo e inadequadamente curto. E estava tirando uma selfie. Ela ergueu o celular, fez biquinho e tirou uma foto com o caixão de seu filho ao fundo.

Uma onda de fúria pura e inalterada percorreu Alina. Ela se soltou do aperto de Bernardo e marchou em direção à garota.

"Que porra você pensa que está fazendo?", a voz de Alina era um rosnado baixo.

Karina ergueu os olhos, sua expressão de inocência de olhos arregalados. "Ah! Sra. Vasconcelos. Eu só estava... prestando minhas homenagens." Ela postou a foto em seu story do Instagram com uma legenda leviana: "Dando tchau pro pequeno. #triste #luto."

A mão de Alina disparou e deu um tapa no celular da mão de Karina. Ele caiu com um baque no chão de mármore.

"Fora", Alina sibilou. "Fora da minha casa. Agora."

O lábio inferior de Karina começou a tremer. Lágrimas brotaram em seus olhos. Foi uma atuação magistral. "Sinto muito", ela choramingou. "Não quis desrespeitar. É só... o jeito da minha geração de lidar com o luto. E o Léo... ele amava essa música."

"Isso é mentira!", Alina gritou, o som rasgando a música da festa. "Ele odiava essa música! Você não sabe nada sobre o meu filho!"

Bernardo apareceu instantaneamente, puxando-a para trás, seu aperto como ferro em seu braço. Ele se colocou entre ela e Karina, protegendo a mulher mais jovem.

"Alina, pare! Você está fazendo um escândalo!", ele sussurrou duramente em seu ouvido.

"Ela está profanando o velório do nosso filho!", Alina chorou, lutando contra ele. "Mande-a embora!"

"Ela está de luto à sua maneira", disse Bernardo, a voz alta o suficiente para os convidados próximos ouvirem. Ele estava jogando para a plateia. "Karina era muito próxima de Léo. Talvez mais próxima do que você, com suas viagens de negócios e reuniões de diretoria."

As palavras foram um golpe calculado, projetado para ferir e isolá-la. Os murmúrios começaram ao redor deles. As pessoas se moveram desconfortavelmente, seus olhares de compaixão se transformando em julgamento.

"Não acredito que você a está defendendo", disse Alina, a voz caindo para um sussurro chocado. "Olhe para ela. Olhe o que ela está fazendo."

Karina, vendo sua oportunidade, começou a soluçar dramaticamente. "Sinto muito, Sr. Moraes. Eu não deveria ter vindo. É que... eu me sinto tão culpada. Talvez se eu tivesse sido uma babá melhor... mas a Sra. Vasconcelos sempre disse que eu era muito mole com ele. Ela disse que ele precisava ser mais independente."

Era outra mentira, uma distorção venenosa de uma conversa que nunca tiveram.

"Sua vadia mentirosa", Alina cuspiu, avançando novamente.

Desta vez, Bernardo a empurrou para trás, com força. "Já chega!"

A multidão ofegou. Ele havia colocado as mãos nela na frente de todos.

Karina escolheu aquele exato momento para jogar sua carta na manga. "Eu... eu tenho um vídeo", disse ela, a voz trêmula enquanto pegava o celular do chão. "Eu não queria mostrar a ninguém, mas... todos vocês precisam ver o quanto ele sentia falta da mãe."

Ela ergueu o celular, inclinando a tela para que todos pudessem ver.

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