Eu sou a Camile Almendares, o fato que tenha sobrevivido àquele ataque poderia ser considerado um milagre, porém, as mulheres como eu, não acreditamos em milagres, eu chamo de "intuição" a isso que me salvou da morte.
Nunca pensei que minha vida seria assim. Ainda menos pensei que me sentiria atraída pelos gêmeos Rizzo, sim, ambos os dois. Mass é o tipo de homem carinhoso e afetivo, inteligente... e agora descobri que até sensual. Piero, meu Piero, o cara popular, inteligente, mas muito sensual, muito mesmo.
Eu quis o Piero, foi ele quem me trouxe a este mundo, mundo que muitos chamam de sujo e imoral, mas para mim, é divertido e excitante. Piero, Piero, Piero... ele ficou para atrás. Ele me traiu e até deixou à cunhada grávida. Sim, a mulher do Mass. Isto é algo que eu devo resolver. Essas crianças deviam ser minhas. É a única coisa que tenho dele, o único que fica. E vou recuperar-lhes.
Poderia ficar aqui, em Milão e continuar reinando no mundo do ouro branco e diamantes azuis, continuar sendo "A Rainha da Máfia" como me conhecem os meus sócios e os meus inimigos, mas devo voltar. Voltar para vingar a morte do Piero, assim foi que jurei para ele no seu túmulo quando repatriaram seu corpo para Venezuela. Ninguém soube que estive ali com ele e que chorei seu óbito.
É por isso que estou disposta a voltar e vingar sua morte. Ter de volta ao Mass e recuperar aos filhos do Piero, mesmo que tenha que acabar com a Paulina Carusso.
"Eu não sou má, só fiz escolhas diferentes"
Camile
-O que é que um Padre está fazendo aqui? -a Camile murmura ao seu fiel escolta.
-Não sei não, chefa. Você sabe que os italianos acreditam mais no Vaticano que em Deus mesmo. -respondeu ele em voz baixa.
É o funeral do Piero, muitas pessoas estão ali só para confirmar que desta vez ele não tenha se salvado da morte.
Camile engole o choro, ela não é uma mulher de lágrimas. Além disso está disfarçada para que ninguém a possa reconhecer. A loira de óculos escuros, vai de mãos dadas com o homem de boina cinza e traje europeu, aproxima-se ao caixão que daqui a pouco será sepultado, ela joga uma rosa vermelha e se va.
Por enquanto ela vai se afastando, o Massimo sente curiosidade de saber quem é aquela mulher. Paulina ainda chocada com aquela história doida, se agarra a ele.
-Não posso acreditar que ele esteja morto-chora sem parar Úrsula, quem embora sabia que Piero não suportava à filha Fiorella, sempre o amou como uma mãe.
-Já, meu bem. Piero sempre foi meu filho predileto e não quero falar da morte dele. Para mim, ele continua vivo.- Disse o Donato abraçando-a.
No rosto da Fiorella escorregam lágrimas que ela mesma nem entende, mas dói ver que o seu irmão está aí, no caixão, e que nunca mais voltará.
Aos poucos, às pessoas começam ir embora do cemitério, Camile ainda no carro segue cada movimento da Paulina e do Massimo. Aperta com força seus punhos até sentir que suas unhas cortam a pele.
-Nunca poderei entender o que foi que o Mass viu naquela maldita mulher.
-Não se preocupe com isso. O CEO nunca soube o que desejava, isto deve ser mais do mesmo. O chefe era tão diferente a ele.
Camile pondera as palavras do seu acompanhante. Ninguém mais que ela sabia o quão diferentes eram o Mass e o Piero, em todos os sentidos, mesmo até no sexual.
Flash back***
Por enquanto a rede balança, os seus corpos nus desfrutam de uma experiência maravilhosa. Camile jamais pensou que o Massimo pudesse agitar-lhe tanto assim. Estava tão acostumada ao sexo apaixonado e salvagem com o Piero, que agora sentindo a ternura de aqueles beijos e a conexão dos seus sexos, dúvida por um momento, de ter realmente amado a Piero.
Ela se levanta e anda pensativa até a mesa, Pega um copo com água, com sede pelo prazer que seu cunhado, amante e agora, amor verdadeiro? Acabou de dar-lhe.
Como ela poderia ter sabido isso aos seus quince anos? Naquele momento, ela era só uma garota com problemas que se deixou levar pela luxúria e paixão. Massimo, ao contrário do Piero, era submisso, calado e, sobretudo, tímido. O que ele pode oferecer-lhe? Paz? Não, ela não precisava isso. Ela queria se devorar ao mundo. Demonstrar ao seu pai que ninguém a podia controlar. Ninguém, a exceção do Piero Rizzo.
Massimo se levanta e se aproxima dela, a pega por trás e ela sente o corpo dele ardendo e pingando de suor. Ele só com encostar nas nádegas dela sente uma ereção imediata. Astuta e insaciável como ela costuma ser no sexo, começa a se mexer provocando maior atrito entre o seu corpo e o falo ereto dele.
Ela se vira de frente para ele, o observa com paixão e ternura ao mesmo tempo.
-Mass, eu não posso acreditar que isto esteja acontecendo.
-o que, meu amor? -responde ele com sua doçura de sempre como se fosse um amor de adolescentes.
-Isto...Nós. Sentir como se fosses o homem com quem sempre devi estar-ela aproxima sua boca, ele a aperta contra seu corpo e seus lábios se abraçam famintos pelo seu sabor e maciez.
Camile precisa retormar o seu poder sobre suas emoções. Ela não pode se permitir duvidar e ainda menos, permitir que sua paixão pelo Mass a deixe afastada do seu objetivo principal: vingar-se da traição do Piero. Ela acaricia os glúteos do Massimo, começa a descer desde a boca até o seu pescoço. Ele desfruta do prazer que sente pelas carícias da Camile.
O repertório da Camile é substancioso entre beijos, lambidas e mordidas suaves, sobe e desce entre os mamilos e os lábios do seu amante. Ele respira ofegante por enquanto a observa. Ela continua descendo pelo seu abdômen até sua pélvis, lança um olhar para ele desde essa posição, abre sua boca e saboreia seu sexo. Embora Massimo está experimentando a glória, o amor que sente pela Camile transcende além do prazer, ele a agarra pelos braços para levantá-la, porém, ela como criança mimada se nega a deixar seu trabalho pela metade.
Aquilo se trata de controle, ela deve ser quem domine a situação. Ela precisa de sentir esse poder. Logo ela escuta a voz de Acácia quem a está chamando desde fora
-Chefa, está pronta? -pergunta como se soubesse o que pode estar passando atrás das portas.
-Me dá um minuto -Camile responde por enquanto saboreia os cantos da sua boca e o Massimo vai até o banheiro
Ela pega seu vestido de algodão, se veste e saí para se encontrar com a empregada.
-O que acontece? -pergunta com hostilidade.
-Minha avó quer vê-la.
Massimo, na ducha, deixa a água cair em seu corpo tentando acalmar seus espasmos sexuais.
***
-Precisamos ir ao aeroporto, devemos voltar a Milão. Já está na hora de tomar o controle dos negócios. O império que crie com Piero não pode ser abatido. Não enquanto eu estiver viva. -e com essas palavras sela sua decisão de se converter na Rainha da Máfia.
-Sim, Chefa. -responde como sempre seu guardião fiel.
Tem um ditado que disse: por trás de cada grande homem, existe uma grande mulher. Essa frase não fecha com ela, mesmo estando com Piero, ela sempre soube fazer os negócios com astúcia e precaução. Ela era uma grande mulher, mesmo sem um homem na frente.
Chegam ao hangar, onde está o jato que os vai levar de volta à Italia. Ela tira a peruca loira e solta o seu cabelo ondulado longo, tira o vestido preto comprido, ficando só de blusa verde militar e calça jeans preta. O Piloto do jato A330 desce para recebê-la. Ele pega a mão dela e a ajuda a embarcar. O Índio sobre trás dela e após disso, Hermes, o Piloto.
Seguindo as coordenadas padronizadas, o jato levanta o vôo. Camile observa desde a janela toda a paisagem, como se estivesse dizendo "adeus" para o seu passado. Nada parece já importar. Ela só quer atingir seu objetivo e se vingar de todos que quiseram destruí-la.
-Sirva-me Conhaque, preciso me liberar desta ansiedade -ela ordena.
-Sim, Chefa -o homem se levanta, tira a boina e seu cabelo longo, liso e preto cai sobre suas costas. Serve a taça e a entrega a sua chefa.-Tome.
De um gole, Camile bebe todo o conteúdo da taça.
-Mais uma.
Embora o Índio quisesse pará-la, sabe que não poderia convencê-la, ele cumpre as ordens, ele está aí para isso. Sua lealdade vai além da admiração que sente pela mulher corajosa que é sua patroa, ele a quer, a deseja, porém, seu silêncio é o seu melhor amigo.
Chegando em Milão, eles descem do avião, ela fica um pouco empolgada com a bebida. Ela segura o ombro de seu escolta
-Ajude-me a descer, idiota.
-Sim, chefa –Ele pega a mão delicada dela enquanto desce degrau por degrau até chegar ao último.
O piloto se despede dela com uma saudação militar. Ela apenas sorri. Hermes é um aviador atraente, que trabalha com Piero há vários anos. Agora que ele se foi, ele deve cumprir as ordens de seu empregador.
Camile entra na van blindada que foi deixada no estacionamento do aeroporto. El Indio dirige, olhando pelo espelho retrovisor a delicadeza de seu rosto e seus lábios provocantes. Como não querer? Ele pensa enquanto dirige a caminho do hotel.
Eles descem da van, ela tentando esconder o desequilíbrio. Entram no elevador, ela tira o salto para andar melhor.
O Indio a acompanha até a suíte do hotel. Abra a porta do dormitório. Camile está sensível, ela gostaria de se quebrar e chorar muito, mas é um luxo que ela não pode pagar. Muito menos na frente do seu funcionário.
Ela caminha até a sacada, observa a noite milanesa e pede ao seu acompanhante.
-Índio, sirva-me um gole de conhaque.
-Sim, chefa. Agora mesmo.
-Droga, você não sabe outra palavra-Ela o repreende.
O homem cabisbaixo não responde. Ele entrega a ela outra taça de conhaque.
-Você não acha que isso é o suficiente, chefa?
Ela olha para ele, solta uma gargalhada e aproxima-se dele, pega-o pela lapela do sobretudo cinzento e diz-lhe, fitando-o nos olhos, bem perto do seu rosto.
- Ninguém, você me entende, ninguém, nenhum idiota me dá ordens.
O Índio gostaria de pegá-la pela cintura e mostrar-lhe o que é um homem de verdade, mas se o fizer, até esse dia poderá estar com ela. Ou ela o despede ou ele... acabaria matando-a.
Respira fundo para se controlar.
-Desculpe minha estupidez, eu só queria...
-Nada.
-Posso ir, chefa?
-Não. Eu preciso que você esteja aqui- ela responde, colocando a taça sobre a mesa, vai até o banheiro, tira a roupa, entra na banheira.
A porta entreaberta permite ao escolta ver, por trás da penumbra, o corpo delicado de sua patroa. Desejando-a por tanto tempo, mas ela não olha para ele. Ele não existe para Camile. Lembra-se então das palavras de Ringo "Essa não é mulher de homem nenhum irmão, esquece ela. Mulheres como ela não pertencem a ninguém e todos pertencem a ela."
Ele vira as costas para não alimentar seu desejo, seu amigo tinha toda a razão. Minutos depois, ele ouve a voz dela atrás dele.
-Índio, diga-me, como estou?"
Ele se vira para encará-la, Camile está totalmente nua e molhada na frente dele.
-Patroa!-Ele cobre os olhos com a mão e abaixa o rosto.
-Levante o rosto e me diga como eu pareço. E não me refiro ao meu corpo nu. Mas para o meu novo visual.
O homem é forçado a superar sua masculinidade e olhar para ela novamente. Embora seus olhos tentem permanecer fixos, seu subconsciente quer vê-la como ela tantas vezes sonhou. Ele mal consegue manter o olhar no rosto dela. Seu longo cabelo havia sumido, o cabelo mal reto, roçando seus ombros.
- É muito diferente, chefa.
-Ótimo, é disso que eu preciso. Me veja diferente, agora sou outra, Índio. A nova Camile "A Rainha da Máfia"
Ela caminha até a cama, pega o roupão de seda que gruda em seu corpo ainda úmido.
- Pode ir, ao lado há um sofá. Durma aí, caso... eu precise de você- diz ela, abreviando nessa frase tudo o que ele gostaria de assumir.
O homem acena com a cabeça, abre a porta do quarto e tira o paletó comprido, enrola o suéter preto de algodão, tira os sapatos e deita-se.
Camile também se deita na cama gigantesca para ficar ali, sozinha. Ele se lembra da segunda vez que esteve com Massimo no banheiro da cabana. Ele começa a acariciar os seios, o abdômen e a parte interna das coxas, pega uma das mãos dela, separa os lábios verticais e com o dedo indicador acaricia a cartilagem dela em movimentos circulares, com a outra mão acaricia os seios, no mesmo sentido que seu dedo indicador realiza o mesmo movimento em ambas as áreas, em seu corpo cavernoso e em um de seus mamilos.
Seus gemidos de prazer são ouvidos do outro lado da sala, o homem escuta enquanto ela se satisfaz. Se ela apenas o chamasse, ele iria para o lado dela. Ele poderia mostrar a ela tudo o que sempre sentiu por ela e fazê-la estremecer como nenhum outro homem soube fazer.
-Mass, Mass! -Ela repete entre gemidos.
Esse nome ecoa na cabeça do seu escolta. Ele não consegue acreditar que ela está "apaixonada por outro maldito Rizzo", ele pensa.
Um súbito ódio toma conta do índio. Se não for seu, não permita que seja de Massimo Rizzo, nunca. Era como se o fantasma de Piero ainda estivesse à sua frente, com a agravante de que sua patroa queria seu cunhado como homem.
Ele se vira e se cobre com o antebraço para não ouvi-la. Ele não é homem o suficiente para Camile notá-lo?
-Por que eles, e eu não?-ele se pergunta repetidamente até que finalmente adormece.
"A verdadeira amizade prevalece quando ambos lembram e apreciam o que um fez pelo outro"
Juliano
É um novo dia, o verão está quente. Camile acordou com um pouco de dor de cabeça, porque o conhaque não tinha caído nada bem. Levanta-se na cama, estica os braços, esfrega os olhos, a dor de cabeça impede-a de se levantar completamente.
-Indio! - ela chama seu guarda-costas que está acordado há horas, esperando que ela acorde. Ele se levanta e vai para a sala.
Bate na porta antes de entrar.
-Vamos lá, o que você está esperando? Estou-te chamando- Ela responde imperativamente.
O homem abre a porta, ainda não levanta o rosto, não quer ter que olhar para ela nua de novo, talvez não consiga se conter dessa vez. Menos agora que ele sabe que ela quer outro homem que não seja ele.
- Diga-me, chefa. Ele ainda não a olha, ela se levanta, ele vê suas coxas nuas.
Ela pega o roupão de seda branca, cobre-se e fecha o roupão.
- Preciso de algo para acalmar esse desconforto. Sinto minha cabeça prestes a explodir.
-Vou trazer alguma coisa, patroa- Ele sai da sala, abre a geladeira executiva, pega um energético, põe um pouco da droga dele, sabe que isso vai tirar a ressaca.
Ele volta para a sala, entrega-lhe o copo. Camile bebeu de um só gole. Ela devolve o copo para ele.
-Agora desça e prepare o carro. Vou me aprontar. Eu quero ir ao shopping e me arrumar um pouco.
-Sim, chefa..
Sai da sala. Aquele energizador parecia ser muito eficaz, sua dor de cabeça havia melhorado rapidamente, ela até se sentia melhor. Ela se aprontou para sair, como nos seus melhores dias, quando Piero a mandava fazer compras para foder a garçonete. Essa lembrança a enfurece.
-Maldito traidor!- Ela se olha no espelho, pega sua bolsa e sai da suíte V.I.P.
Minutos depois, ela aparece no saguão do hotel, enquanto seu motorista e guarda-costas a observa de fora. O homem corre para abrir a porta do carro para ela. Ela sobe.
- Vamos ao ateliê do Juliano. Quero roupas novas e exclusivas.
O Índio dirige, enquanto vê seu amor impossível pelo espelho retrovisor. Ela percebe isso.
– Tem algo errado, índio?- Ela pergunta astutamente.
- Não, patroa, nada errado. Se sente melhor?
– Sim! Eu diria incrivelmente bem. Eu acho que sua poção é realmente mágica. - ao comentário de Camile, seu acompanhante sorri.
Durante a viagem, ela não volta a pronunciar uma palavra, parece distante e pensativa. O Índio, por outro lado, não consegue parar de se lembrar dela completamente nua diante dele, excitando-se com o som de seus gemidos, que ele gostaria que fossem causados pelas suas mãos e sua língua.
Ele para o carro em frente ao Ateliê do Juliano. Sai do carro para abrir a porta para ela e escoltá-la para dentro.
-Benvenuto cara mia, Camile! -Juliano cumprimenta uma das suas clientes mimadas com alguns beijos.
-Mio caro, mi sei mancata tanto (meu querido, estava com muitas saudades).
– Sinto muito por Piero. Fiquei sabendo no noticiário.
- Sim, é muito difícil para mim, saber que ele não estará mais ao meu lado. Um olhar de tristeza aparece em seus olhos.
– Opa! Sem tristeza, amor, porque acho que estou começando a chorar - Juliano a abraça para confortá-la - Diga-me o que você procura, em particular?- Pergunta seu designer pessoal.
-Roupas exclusivas, desenhadas especialmente para mim- Ela responde animadamente.
– Hum! Deixe-me ver. Acho que tenho uma coleção especial para você. Venha comigo.- Ele pega a mão dela e vai até o fundo da loja, enquanto Indio os segue. -Droga, diga ao seu guarda-costas para parar de nos seguir. Eu não vou sequestrar você.
-Espera aqui. -ordena ela.
Para seu pesar, o homem cumpre a ordem de Camile; ele nunca desobedeceria a uma ordem de seu empregador. Ela cruza os braços e fica na entrada do longo corredor.
– Olha que coisa fofa- Ele tira um vestido cinza, com um estilo muito parecido com o dela.
– Eu não vim atrás das roupas que a amante do mafioso usaria. Agora sou a rainha da máfia! Você tem algo pra mim?- Ela pergunta a ele mais gentilmente.
-Oh, my God! É claro, querida. Eu adoro essa nova Camile que está na minha frente agora. Deixe-me dizer-lhe que você será a padroeira mais elegante e sexy do planeta Terra. - ele caminha um pouco mais para dentro e levanta uma cortina vermelha- Você não sabe como esperei por este momento, minha querida.
Os trajes e vestidos que penduram em cada departamento acompanhados dos respetivos acessórios, malas e sapatos, são verdadeiramente únicos. Exatamente o que ela estava procurando.
– Eu acho que você me conhece melhor do que meu próprio ex.
– Você acha? Sua cumplicidade com Piero não é nem o olhar que havia entre os dois, no colégio.
Juliano não era italiano, nem apenas o designer estrela de Camille, era seu melhor amigo e confidente. Além disso, aquele que a salvou de ser descoberta por Piero quando ela descobriu que ele a havia traído e decidiu descontar em um de seus colegas de basquete ou em seu professor de literatura.
Flash back***
– Apresse-se, entre em seu cubículo. Avisarei se o diretor vier- Julio murmura para a sua colega.
– Obrigada, Júlio!- Ela caminha pelo corredor, olha para os dois lados e entra no cubículo, onde o professor Ivan revisa as provas que a turma onde está Camile acabou de fazer.
-Profe, vim ver minhas anotações -o homem um tanto nervoso se levanta, caminha até a porta e olha para os dois lados do corredor para verificar se não há nenhum colega que possa ver aquele aluno, entrando em seu escritório.
– O que você quer, Srta. Almendares?
- Você mais do que ninguém sabe o que eu quero, professor- A adolescente diz sedutoramente.
- Não é bom que você esteja aqui, Camile. Você pode me colocar em sérios problemas. Se descobrirem você aqui, não dirão que você veio aqui, mas que eu a persuadi.- Ivan responde, agitado e fazendo gestos exagerados com as mãos.
– E não era verdade?- Ela se aproxima dele.
– Não, claro que não. Mostrei-te apenas um dos poemas que me inspiraram pelo teu rosto, pela tua beleza- Ele se defende com esse argumento.
- Bem, que eu me lembre ele não disse nada assim não: "teus lábios são como uma maçã proibida, suculenta e apetitosa. Tenho vontade de mordê-la, saboreá-la" - ela recita.
– É uma metáfora, Camille...
– Metáfora? "Gostaria de apertar suas coxas e ter meu corpo entrelaçado entre elas como uma videira" - continua a jovem insistente, capaz de fazer de tudo para conseguir o que deseja no momento.
- É um símile, outra figura literária, pelo amor de Deus.- Ele coloca a mão na cabeça e anda pelo pequeno escritório.
- Profe, você e eu, sabemos o que isso significa, que você não quer admitir que é outra coisa.- Camile responde, chegando ainda mais perto, agarra-se ao pescoço dele e seus seios roçam em seu peito.
- Você tem que ir embora, Camile, eu não sou o homem de ferro não.- Ele tenta tirar os braços dela entrelaçados no seu pescoço mas ela resiste, colocando as mãos em volta do pescoço dele novamente.
– Vamos, professor. Ninguém tem que saber. Não consigo parar de pensar em você. Toda vez que você lê os poemas de Neruda na aula, minha vagina lateja de desejo. -Ela respirou perto de sua boca.
-Não está bem, você é menor de idade, eu sou seu professor e não sou... - os lábios dela aprisionam os dele, impedindo-o de terminar a frase.
Ivan não pode impedir que isso aconteça. Ele também a quer, embora tenha tentado não quebrar seu código de ética e moral. Camile sempre foi uma de suas alunas mais notáveis em sua classe, ela sempre lê os textos que ele passa, faz seus deveres de casa e intervém em todas as suas aulas.
Mas parece tarde demais para não ceder aos seus instintos masculinos. Ele deixa suas grandes mãos deslizarem pelas costas da jovem até suas nádegas. Camile pula e cruza as pernas sobre o quadril dele.
Ele a segura pelas nádegas, massageia e aperta com diferentes intensidades, promovendo nela sensações mais intensas. Ela começa a levantar os quadris com movimentos sinuosos, tocando o falo do professor com a meia-calça.
– É melhor pararmos- diz ele entre suspiros irregulares e respirações irregulares.
-Não podemos! Quero que escrevas dentro de mim, o teu melhor poema, que a tinta branca que carregas se derrame na minha barriga e tu tatues o teu nome na minha consciência.
-Caramba!- Ivan responde, vira-se, deita-a sobre a mesa, salta sobre ela e se move instintivamente para aumentar sua excitação.
Como pode, enquanto acaricia seus lábios verticais, com a outra mão consegue abaixar o zíper, tirar sua barra de força, enquanto ela o ajuda, afastando sua meia-calça e ele entra na caverna quente e úmida de Camile.
O prazer de ambos é imenso, é justamente o que é proibido que os leva ao limite da luxúria. Ivan faz movimentos circulares com o quadril, do lento ao intenso, do raso ao profundo. Ela geme de prazer, mordendo os lábios para não gritar, ele também permanece em silêncio, apenas o som de suas peles colidindo após cada movimento frenético de seus corpos é ouvido. Ambos atingem um orgasmo épico, ele tira seu falo e borrifa o monte púbico da garota especialista.
Minutos depois, Camile sai do cubículo visivelmente perturbada com o encontro sexual com seu professor.
– Como foi?- Ele pergunta à amiga com entusiasmo.
– Diz alguma coisa, esse cheiro?- Ela põe a mão na saia e, ainda com os dedos molhados, passa pelas bochechas do parceiro.
– Você é uma vadia... você cheira a alvejante puro.-ele enxuga o rosto com o antebraço- Grande ou pequeno?- Júlio pergunta com extrema curiosidade.
– Aquele homem é um garanhão- ela suspira.- Perfeito e ajustável.- Ela sorri maliciosamente.
- Vamos para a aula, a matemática insuportável deve estar chegando - ela se agarra ao antebraço dele, enquanto juntos entoam o clássico reggaeton:
-¡Qué perra, que perra! que perra, es mi amiga. ¡La real Lassie! ("Que vadia, que vadia!" Que vadia, ela é minha amiga. A verdadeira Lassie!) Eles riem alto.
Depois daquele primeiro encontro entre os dois, Camile não é apenas a melhor da turma de literatura, mas também a melhor amante que Ivan aos trinta anos, dobrando a idade daquela jovem, já teve.
- Então, Júlio anus (ano). Eu levo tudo isso. Prepare tudo– Ela lhe entrega o cartão preto do Centurião.
Juliano ajuda ao Indio a colocar as sacolas e caixas com os diferentes trajes no porta-malas do Mercedes Benz-AMG branco.
– Boa sorte, amiga! Não esqueça que estou aqui para o que precisar, sem exceção.
-Eu sei July, você é o melhor amigo que eu já tive. Obrigada!
- Obrigado por me dar a oportunidade de vir para a Itália, nunca vou esquecer isso - ele a abraça e beija cada uma de suas bochechas novamente.
– Sem lágrimas, vadias não choram- os dois caem na gargalhada, enquanto Indio espera por Camile, sem entender seus códigos de comunicação.