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A Redenção do Nosso Amor

A Redenção do Nosso Amor

Autor:: Guo Bao
Gênero: Moderno
O cheiro de fumaça sufocava meus pulmões, e os gritos da minha mãe rasgavam a noite e a minha alma. Então, o silêncio pesado preencheu o espaço, indicando que eu estava sozinha. No meio do caos, flutuando na escuridão antes da morte, o rosto dela surgiu: minha prima, Bruna. Ela não chorava; em vez disso, sorria friamente, vitoriosa, enquanto as chamas de nossa casa se refletiam em seus olhos. "Finalmente", ela sussurrou, a voz como veneno. "Tudo que era seu. Agora é meu." A dor da perda era insuportável, mas a traição, ainda pior. Nós a acolhemos, minha mãe a amou como filha, meu pai abriu as portas de nossa casa e eu a tratei como irmã. Ela nos pagou com fogo e morte. Para roubar nossa vida, ela destruiu tudo. O teto desabou, engolindo-me na escuridão. No entanto, um chamado familiar me trouxe de volta: "Sofia? Filha, você está me ouvindo?" Abri os olhos com um sobressalto, o coração batendo descontroladamente. Eu estava na sala de estar, minha mãe, Dona Lúcia, e meu pai, Seu Carlos, estavam vivos e bem. "Estamos discutindo sobre a Bruna", disse meu pai. "Sua mãe acha que deveríamos trazê-la para morar conosco." Bruna. O nome ecoou como uma pedra no meu estômago. Olhei o calendário, e a data me atingiu como um soco. Eu havia voltado. Voltei no tempo. Para o dia exato em que a tragédia começou, o dia em que acolhemos a cobra em nosso ninho. "Não", declarei, a voz surpreendentemente firme.

Introdução

O cheiro de fumaça sufocava meus pulmões, e os gritos da minha mãe rasgavam a noite e a minha alma.

Então, o silêncio pesado preencheu o espaço, indicando que eu estava sozinha.

No meio do caos, flutuando na escuridão antes da morte, o rosto dela surgiu: minha prima, Bruna.

Ela não chorava; em vez disso, sorria friamente, vitoriosa, enquanto as chamas de nossa casa se refletiam em seus olhos.

"Finalmente", ela sussurrou, a voz como veneno. "Tudo que era seu. Agora é meu."

A dor da perda era insuportável, mas a traição, ainda pior.

Nós a acolhemos, minha mãe a amou como filha, meu pai abriu as portas de nossa casa e eu a tratei como irmã.

Ela nos pagou com fogo e morte.

Para roubar nossa vida, ela destruiu tudo.

O teto desabou, engolindo-me na escuridão.

No entanto, um chamado familiar me trouxe de volta: "Sofia? Filha, você está me ouvindo?"

Abri os olhos com um sobressalto, o coração batendo descontroladamente.

Eu estava na sala de estar, minha mãe, Dona Lúcia, e meu pai, Seu Carlos, estavam vivos e bem.

"Estamos discutindo sobre a Bruna", disse meu pai. "Sua mãe acha que deveríamos trazê-la para morar conosco."

Bruna. O nome ecoou como uma pedra no meu estômago.

Olhei o calendário, e a data me atingiu como um soco.

Eu havia voltado. Voltei no tempo.

Para o dia exato em que a tragédia começou, o dia em que acolhemos a cobra em nosso ninho.

"Não", declarei, a voz surpreendentemente firme.

Capítulo 1

O cheiro de fumaça ainda estava nas minhas narinas, o calor do fogo queimando minha pele. Eu podia ouvir os gritos da minha mãe, um som que rasgava a noite e a minha alma, e depois, o silêncio. Um silêncio terrível, pesado, que significava que eu estava sozinha.

No meio do caos, flutuando na escuridão antes da morte, eu vi o rosto dela.

Minha prima, Bruna.

Ela não estava chorando. Estava sorrindo. Um sorriso frio, vitorioso, enquanto as chamas dançavam em seus olhos, refletindo a destruição da minha casa, da minha família, da minha vida.

"Finalmente" , ela sussurrou, a voz dela um veneno no ar carregado de cinzas. "Tudo isso. Tudo que era seu. Agora é meu."

A dor era insuportável, mas a traição era ainda pior. Nós a acolhemos. Minha mãe, com seu coração de ouro, a tratou como uma filha. Meu pai, sempre tão protetor, abriu as portas da nossa casa e do nosso cofre para ela. E eu... eu a tratei como uma irmã.

E ela nos pagou com fogo e morte. Para herdar nossos bens. Para roubar a vida que ela tanto invejava.

O teto desabou. A escuridão me engoliu.

E então...

"Sofia? Filha, você está me ouvindo?"

Abri os olhos com um sobressalto, meu coração batendo descontroladamente no peito, o ar entrando nos meus pulmões com uma urgência desesperada. Eu não estava queimando. Não havia fumaça, nem gritos, nem o sorriso cruel de Bruna.

Eu estava na sala de estar da minha casa. A casa que eu vi queimar até o chão.

Minha mãe, Dona Lúcia, estava sentada no sofá à minha frente, o rosto dela cheio de preocupação. Seus olhos gentis, a expressão de compaixão que a tornava tão vulnerável.

"Você está pálida, querida. Aconteceu alguma coisa?"

Meu pai, Seu Carlos, estava em pé perto da janela, os braços cruzados. Ele me olhava com seu jeito pragmático, observador. Ele estava vivo. Eles estavam vivos.

"Estamos discutindo sobre a Bruna" , disse meu pai, a voz dele firme, exatamente como eu me lembrava. "Sua mãe acha que deveríamos trazê-la para morar conosco."

Bruna.

O nome caiu como uma pedra no meu estômago. Olhei ao redor da sala, a decoração familiar, o cheiro de café que minha mãe sempre passava à tarde. O calendário na parede. A data me atingiu como um soco.

Eu tinha voltado. Tinha voltado no tempo.

Para o dia exato. O dia em que a tragédia começou. O dia em que decidimos acolher a cobra no nosso ninho.

Há uma semana, a casa da família de Bruna pegou fogo. Um incêndio terrível que levou seus pais. Bruna foi a única sobrevivente. Agora, a família estava decidindo quem ficaria com ela.

"Eu sei que é uma situação delicada" , minha mãe continuou, a voz suave, cheia de uma piedade que, na minha vida passada, nos custou tudo. "Mas ela é nossa família, Carlos. Perdeu tudo. Não podemos virar as costas para ela."

Meu pai suspirou.

"Eu entendo, Lúcia. Mas é uma responsabilidade enorme. E a outra tia dela, a Márcia?"

"Márcia?" , minha mãe bufou com desdém. "Aquela mulher só pensa em dinheiro. Ela vai fazer da vida da Bruna um inferno. Aqui conosco, ela teria amor, teria uma família de verdade."

A campainha tocou, interrompendo a conversa. Meu coração gelou. Eu sabia quem era.

Minha mãe se levantou para atender a porta, o rosto já se abrindo em um sorriso de boas-vindas. E lá estava ela.

Bruna.

Ela parecia exatamente como na minha memória daquele dia. Pequena, frágil, vestindo roupas emprestadas que eram grandes demais para ela. Seus olhos estavam vermelhos e inchados de tanto chorar, o cabelo bagunçado. A imagem perfeita de uma vítima trágica.

Uma loba em pele de cordeiro.

"Tia Lúcia..." , ela soluçou, e se jogou nos braços da minha mãe, que a abraçou com força, afagando suas costas.

"Oh, minha querida. Calma, calma. Vai ficar tudo bem. Estamos aqui para você."

Bruna levantou o rosto do ombro da minha mãe e seus olhos encontraram os meus por cima do ombro dela. Por uma fração de segundo, a máscara de dor vacilou. Eu vi um brilho de cálculo, de avaliação. Ela estava medindo o terreno, testando a compaixão que planejava explorar até as últimas consequências.

Então, a máscara voltou ao lugar, e ela desabou em mais lágrimas.

Meu pai se aproximou, o desconforto evidente em seu rosto. Ele nunca foi bom com demonstrações exageradas de emoção.

"Bruna, sinto muito pela sua perda" , ele disse, formalmente.

Bruna se afastou da minha mãe e olhou para meu pai, e então para mim. Ela caminhou lentamente em nossa direção, os ombros encurvados, a cabeça baixa. Quando chegou na nossa frente, ela fez algo que chocou a todos.

Ela se ajoelhou.

"Tio Carlos, Tia Lúcia... Sofia..." , ela choramingou, agarrando a barra da calça do meu pai. "Eu não tenho para onde ir. Tia Márcia não me quer. Ela disse que sou um fardo. Por favor... por favor, me deixem ficar. Eu faço qualquer coisa. Eu limpo a casa, eu cozinho... eu não vou dar trabalho, eu juro. Só não me deixem ir com ela. Por favor."

Era uma atuação de mestre. Digna de um Oscar. Minha mãe já estava com os olhos marejados novamente, completamente conquistada.

"Levante-se, menina, pelo amor de Deus!" , disse minha mãe, tentando puxá-la para cima. "Você não precisa implorar. Esta é sua casa."

Ela olhou para o meu pai, um apelo silencioso. Meu pai olhou para mim. Na minha vida passada, esse foi o momento em que eu cedi. Eu, com minha ingenuidade e meu desejo de agradar, disse: "Claro, mãe. A Bruna pode ficar comigo no meu quarto" .

Minhas palavras selaram nosso destino.

Desta vez, as coisas seriam diferentes.

"Sofia?" , minha mãe me chamou, a voz cheia de expectativa. "O que você acha? Você e a Bruna sempre se deram bem."

Todos os olhos se voltaram para mim. Bruna, ainda de joelhos, me olhava de baixo para cima, o rosto molhado de lágrimas falsas, os lábios trêmulos. A imagem da predadora esperando o golpe final.

Eu respirei fundo, sentindo o poder daquela segunda chance correndo nas minhas veias. A memória do fogo, da dor, do sorriso dela. Tudo isso me deu uma força que eu não sabia que possuía.

Olhei diretamente nos olhos dela, passando por toda a encenação, e vi a escuridão que se escondia ali.

Protegerei minha família. Desta vez, eles não vão conseguir.

Minha voz saiu firme, clara e sem um pingo de hesitação.

"Não."

O silêncio que se seguiu foi mais chocante do que qualquer grito. Minha mãe ofegou. Meu pai ergueu as sobrancelhas. E Bruna, por um instante, esqueceu de chorar. Seus olhos se arregalaram, a surpresa e a raiva brilhando neles antes que ela pudesse esconder.

Eu tinha acabado de declarar guerra. E eu não ia perder.

Capítulo 2

O "não" ficou pairando no ar da sala, pesado e definitivo. Minha mãe me olhava como se eu tivesse acabado de falar em outra língua.

"O quê?" , ela disse, a voz um sussurro incrédulo. "Sofia, o que você disse?"

"Eu disse não" , repeti, mantendo meu olhar fixo em Bruna, que agora tinha voltado a baixar a cabeça, os ombros tremendo como se estivesse soluçando de verdade. "Ela não pode ficar aqui."

Dona Lúcia se aproximou de mim, o rosto uma mistura de confusão e decepção.

"Filha, por que? O que deu em você? Nós acabamos de conversar sobre isso. Bruna é sua prima, ela precisa de nós."

A mão dela tocou meu braço, e senti o apelo desesperado em seu gesto.

"Olhe para ela, Sofia. A menina está destruída. Como você pode ser tão fria?"

A palavra "fria" me atingiu, mas não me abalou. Fria? Eu vi o que a "bondade" dela nos causou. Eu senti na pele.

"Mãe, eu tenho meus motivos" , respondi, a voz mais baixa, mas ainda firme.

"Que motivos? Que motivos poderiam ser mais importantes do que ajudar um membro da nossa família em desespero?" , a voz da minha tia-avó, Helena, soou da porta. Ela devia ter chegado com Bruna e esperado o momento certo para entrar.

Tia Helena era a matriarca da família, uma mulher que valorizava as aparências acima de tudo. O "o que os outros vão dizer" era seu lema de vida.

Ela entrou na sala, seguida por seu marido, Tio Roberto, ambos com expressões de reprovação.

"Lúcia, Carlos, que cena é essa? A menina de joelhos no chão? E Sofia..." , ela se virou para mim, o olhar duro. "Eu não esperava essa falta de compaixão de você. Sua prima acaba de passar pela pior tragédia que se pode imaginar, e você a rejeita? Que tipo de pessoa isso faz de você?"

Tio Roberto acrescentou, com sua voz pomposa: "Vocês têm a casa mais espaçosa, as melhores condições. É obrigação moral de vocês acolhê-la. O que o resto da família vai pensar se vocês a mandarem para a casa da Márcia?"

A pressão estava aumentando, exatamente como eu sabia que aconteceria. Eles estavam me encurralando, usando a culpa e a obrigação social como armas. Na minha vida anterior, eu teria desmoronado sob esse peso.

Mas agora, o peso da minha memória era muito maior.

Bruna, percebendo que tinha aliados, intensificou o drama.

"Não, tia Helena, a culpa não é da Sofia..." , ela disse com a voz embargada. "Eu sou um fardo. Eu entendo. Eu só causo problemas. Melhor eu ir embora..."

Ela fez menção de se levantar, um movimento calculado para gerar ainda mais pena.

Minha mãe, claro, caiu na armadilha.

"De jeito nenhum!" , ela exclamou, segurando o braço de Bruna. "Você não vai a lugar nenhum. Esta é sua casa."

Ela olhou para mim, os olhos suplicando. Depois olhou para meu pai, que até agora tinha permanecido em silêncio, observando tudo.

"Carlos? Diga alguma coisa."

Meu pai me encarou por um longo momento. Ele me conhecia. Sabia que eu não era cruel ou impulsiva. Havia algo no meu olhar, na minha determinação, que o fez hesitar. Ele viu que não era um capricho de adolescente.

Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo.

"Lúcia, Helena... esta decisão afeta a Sofia diretamente. Ela teria que dividir o quarto, o espaço dela. Se ela tem uma objeção tão forte, não podemos simplesmente ignorar."

Ele se virou para mim.

"Sofia. A decisão final é sua. Mas você precisa entender as consequências do que está dizendo. Se você disser não, sua prima vai para a casa da Márcia. E todos nós sabemos como a Márcia é."

A responsabilidade caiu sobre meus ombros. Era a última chance deles de me fazerem ceder. O ultimato.

Eu olhei para minha mãe, cujo rosto implorava por um "sim" . Olhei para meus tios, cujos rostos me julgavam. Olhei para Bruna, que escondia um sorriso de antecipação por trás de suas mãos. E olhei para meu pai, que me dava o poder da escolha, mas também o fardo dela.

Eu escolhi minha família. A minha família de verdade.

"Minha decisão não mudou" , falei, olhando diretamente para meu pai. "A segurança e a paz da nossa casa vêm em primeiro lugar. Bruna não pode ficar aqui."

Um suspiro coletivo de choque encheu a sala. Tia Helena abriu a boca para protestar, mas eu continuei antes que ela pudesse falar, mudando o rumo da conversa.

"Mas isso não significa que não vamos ajudá-la."

Todos me olharam, confusos.

Eu me virei na direção da porta, onde eu sabia que outra pessoa estava ouvindo, esperando sua deixa.

"Tia Márcia? Pode entrar, por favor?"

Tia Márcia, a irmã da mãe de Bruna, entrou na sala. Ela era uma mulher magra, de rosto azedo, cujos olhos brilhavam com ganância. Ela não tinha vindo com os outros. Eu tinha ligado para ela mais cedo, antes de descer para a sala, assim que "acordei" . Eu sabia que ela seria minha peça-chave.

"O que está acontecendo aqui?" , ela perguntou, fingindo confusão.

"Tia Márcia" , comecei, com uma voz calma e de negócios. "Nós estávamos discutindo sobre o futuro da Bruna. Sei que sua situação financeira não é fácil, e cuidar de uma adolescente tem seus custos."

Os olhos de Márcia se estreitaram, o interesse despertado.

"E daí?" , ela resmungou.

"E daí que meu pai e minha mãe estão dispostos a oferecer uma generosa ajuda de custo mensal para você cuidar da Bruna" , anunciei. "Um valor para cobrir todas as despesas dela, e mais um pouco pela sua dedicação e tempo. Digamos... dois salários mínimos por mês?"

O queixo de Tia Márcia caiu. Dois salários mínimos era mais do que ela ganhava no seu emprego de meio período. O rosto dela se transformou. A azedume deu lugar a um sorriso largo e ganancioso.

"Dois salários? Por mês? Para cuidar da minha própria sobrinha?" , ela disse, a voz subitamente doce. "Mas é claro! Eu faria isso de graça, ela é meu sangue! Mas já que vocês insistem em ajudar... eu aceito. Seria um prazer cuidar da pequena Bruna."

A dinâmica na sala mudou instantaneamente. A crise moral tinha se tornado uma transação comercial.

Bruna olhou para Tia Márcia, o pânico genuíno aparecendo em seu rosto pela primeira vez. Ela conhecia a tia. Sabia que aquele dinheiro não seria usado para seu bem-estar, mas para os luxos de Márcia. E sabia que a tia a controlaria com mão de ferro para garantir que a fonte de renda não secasse.

Ela tinha caído na minha armadilha. Eu não a trouxe para debaixo do meu teto, mas a coloquei em uma gaiola dourada, longe de mim e da minha família.

Meu pai me olhou com uma nova expressão. Uma mistura de surpresa e... respeito. Ele entendeu o que eu tinha feito. Eu não fui apenas cruel, eu fui estratégica.

A primeira batalha estava ganha.

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