Lisley Coby
Dois anos atrás
Estava casada há 10 anos, tinha um filho que amava, mas o relacionamento era doente, eu estava doente, mas não enxergava isso, vivia procurando justificativas para as grosserias do meu marido, para os desrespeitos dele, era um fantoche para ele e para a família dele, e o pior que eles me faziam mal, e eu que me sentia culpada.
Peguei algumas traições dele ao longo dos anos, mas ele sempre dava uma justificativa, e ainda me colocava como errada na equação, eu me sentia mal, e comprava aquelas desculpas esfarrapadas, isso foi minando meu brilho.
Fui uma adolescente cheia de vida, de energia, sempre amei me divertir, dar risada, cantar, dançar, nem sei mais o que é isso, minha vida sintetizou em uma bolha, onde trabalho, cuido de casa, do meu filho, minhas aspirações profissionais paralisaram, não me cuido, não sobra tempo nem dinheiro para tal, meu marido diz que é desnecessário ir em um cabelereiro ou em uma manicure.
Quanta ironia da vida, era demasiado desnecessário eu me cuidar, mas ele achava interessante admirar as mulheres que estavam arrumadas e bonitas, elogiá-las, aff, como nos sujeitamos a situações degradantes, por não aprendermos a nos valorizar e nos colocar em prioridade, e isso não vai nos tornar menos mulher, ou menos mãe, ou menos esposa, se houver um marido de verdade ao lado, ele iria valorizar e reconhecer a
mulher que tem.
Descobri, aliás mais uma vez peguei fatos, provas da traição dele, eu trabalhando dando um duro, para construir nossas idealizações, deixava de me cuidar, de me permitir comer algo que queria, de fazer algo por mim ou pelo meu filho, para comprar nossa casa, enquanto isso, ele gastava em restaurante caro com outra mulher, e sabe o que mais me machucou nisso tudo, não que o fato da traição, tenha machucado menos, mas ver ele e a família fazendo chacota com minha cara, achando bonito o fato de ele estar me enganando, e olhe só, depois de ter visto tudo isso, ele mais uma vez tentou dar uma desculpa como sempre, tentou virar a mesa, se fazer de vítima e me colocar como a errada, a louca, sim fiquei extremamente chateada, e dei um chilique, chorei, gritei, esbravejei, eu que nos últimos anos, só ficava calada quando começava uma discussão, ele gritava, apontava o dedo e eu simplesmente abaixava a cabeça e ouvia calada, para evitar discussões, e brigas maiores, não era aquele ambiente que queria que meu filho crescesse assistindo, mas ele nem se importava.
Mas depois de 10 anos, vivendo para empurrar os dias e uma relação com a barriga, e para fazer de conta para os outros que estava tudo bem, sendo que não estava nada bem, e depois de aguentar tantos desaforos, tantas humilhações, eu já estava cansada, cansada de chorar, cansada de sufocar minhas tristezas, minhas dores, cansada de ser feita de boba, de fingir que não via enquanto estava sendo sumariamente desrespeitada, mas precisei cair, cair num poço escuro e bem fundo, que me machucou bastante, doeu, doeu tanto que pensei que iria morrer, aliás, eu quis morrer, porque parecia ser a única solução para suportar tudo aquilo.
Dessa vez, eu senti o soco de uma forma diferente, já havia sido agredida algumas vezes, mas eu nunca contei para ninguém, porque parecia que eu quem havia feito algo errado, me sentia envergonhada, culpada, me sentia um lixo por aquilo, e não falava para ninguém, pelo contrário, fingia que vivia em um relacionamento "perfeito", pintava ele como o marido perfeito, mesmo quando algumas pessoas viam o contrário, eu o justificava, pior erro que cometemos, defender e justificar alguém que nos machuca, que nos magoa, mas tudo bem, a vida tem fatos que nos fere, mas também há aqueles que nos cura, ou pelo menos nos proporciona alívio, e nos ensina a sermos mais fortes e resilientes.
Eu estava doente, sim doente de alma, de espírito, e isso estava refletindo em meu corpo, descontava tudo em comida, cabelo caindo, ganho de peso, queria me isolar de tudo e de todos, ficar deitada,, mas meu filho me dava motivação nesse processo, me levantava da cama por ele, saia à luta porque sabia que não poderia desmoronar lá dentro daquele poço, ele necessitava de mim, era só uma criança estava com seus 4 aninhos, um menino incrível.
Descobrir a traição só agravou meu quadro, eu que já vinha suprimindo aquele meu estado de saúde, não consegui me conter, dormia chorando e acordava, chorando mais ainda, parecia que a dor no coração iria me estraçalhar, a dor de uma traição ela não é apenas "coisa da mente" como alguns deduzem, ela dói no físico também, e como doeu, a dor do parto não me causou a dor que eu tive ao constatar aquela traição, e conforme ia pensando e refletindo sobre o que vi e ouvi, a ficha ia caindo sobre tudo.
Comecei a me afogar naquele poço que caí, estava lutando para não me afogar, porque mesmo querendo simplesmente abandonar tudo, o amor maior pulsava em mim, que era o meu filho, então eu sabia que precisava luta e reagir por ele. Mas como fazer isso, quando você se encontra perdida, ferida, ali você esquece que tem identidade. É, descobri isso, relacionamento tóxico, faz com que a pessoa perca a sua identidade, perca sua autonomia de Ser. Trabalhava, era independente, mas só mesmo tempo, me sentia dependente das migalhas que me era ofertada, fui sendo moldada para aceitar aquilo, e que se eu não o fizesse, quem perderia seria eu.
Não gostava do que via no espelho, não conseguia sorrir, não conseguia me ver como uma mulher, pelo contrário, me via mal, e confesso que cheguei a tentar justificar os atos dele pela minha figura, destratada.
Mas depois de tanta coisa, decidi que precisava pontuar algumas coisas em minha vida, ou então eu morreria afogada ali naquele poço, foi então que decidi refletir meus últimos dez anos, e acrescentar nessa equação a Lisley que eu era antes dessa relação com essa mulher tristonha e doente que me transformei ao longo desses anos nesse relacionamento.
Nesse processo, levantei algumas pautas, e eu decidi que precisava ser sincera comigo mesmo e responder para mim com franqueza, primeiro, eu estava feliz? O que me deixava triste? O que me fazia feliz? O que aquela pessoa que se dizia meu marido fazia por mim? O que eu fazia por ele? Eu estava sendo eu mesma? O que eu estava fazendo por mim? E conforme eu ia me respondendo essas questões, ia ficando mais claro para mim a luz no poço, comecei a enxergar as coisas não como eu idealizava que fossem, mas como eram de fato.
E nisso fui vendo que eu vivia às margens do que eu idealizava como casamento perfeito, com o marido perfeito, eu queria que ele fosse bom, gentil, carinhoso, que me cuidasse, mas o que eu estava recebendo na prática não era isso, e por eu entrar naquela bolha da manipulação de uma relação tóxica eu não conseguia me dar conta disso.
E ali de repente a luz foi ficando mais forte, e eu comecei a sentir o ar melhorar, decidi que precisava colocar um basta naquilo que me fazia mal, precisava cuidar do meu filho, mas antes de tudo, precisava cuidar de mim, porque se eu não estivesse bem comigo, eu não ia ficar bem para ele, e para nada.
Meu "ex" marido jamais imaginou que eu fosse ter coragem de fazer isso, tomar tal decisão, ele tinha como tão certo que eu suportaria tudo calada pelo resto da vida, enxerguei isso pelas ações e palavras dele quando fiz meu anúncio, chamei ele para conversar, ele todo arrogante, mal imaginava o teor da conversa, porque até então eu havia descoberto a traição, ele deu as desculpas, eu me chateei, dessa vez havia sido um pouco diferente, depois entrei em um silêncio, ele pediu perdão, disse que iria mudar, mas conforme foram passando os dias, semanas, meses eu vi que não mudaria, tudo iria voltar a ser como era, mas dessa vez ele quebrou algo em mim que não era possível remontar mais, eu fiquei em silêncio, mas estava com o coração sangrando, lutando para reagir e sair daquele poço que havia me enclausurado seis meses antes.
E naquele dia, mesmo se passando meses, que para ele estava como resolvido, para mim não, decidi verbalizar meus sentimentos, eu escrevi tudo que queria falar, porque não queria que a emoção suprimisse minhas palavras, que minha memória falhasse ao expor tudo o que senti e sentia, o quanto doeu todas as feridas que ele me causou ao longo daqueles anos, as físicas podiam até ter passado, mas ele deixou cicatrizes que só eu poderia ver e sentir o quanto ainda doíam.
Falei tudo que senti, tudo que guardei ao longo de todos aqueles anos, tivemos sim, momentos bons e felizes, mas quando parei pra analisar nossa trajetória juntos, só me vinham momentos de dor e tristeza, e foi assim depois de falar tudo, e mesmo ele tentando me interromper, dessa vez não permitir, não deixei com que ele me mandasse "calar a boca" como ele fez outras vezes, falei que eu iria dizer tudo o que eu tinha para dizer, e quando eu finalizasse, ele teria o direito dele de fala também.
Quando terminei de verbalizar, falei que queria o divórcio, pois não me via feliz, eu perdi minha essência naquela relação, logicamente ele se alterou, porque não esperava eu dizer isso, mas ele mais uma vez, tinha que me ferir para se justificar, ele disse que eu não conseguiria ninguém, que se ele quisesse ele pegaria mulher a qualquer hora, ele me desprezou como mulher para de sentir superior, disse que eu não arrumaria alguém como ele, como se eu tivesse terminando aquela relação para procurar homem, eu queria sim procurar alguém, mas esse alguém era eu mesma, aquela Lisley cheia de perspectivas de antes desse relacionamento, aquela menina que sorria com os olhos, que cantava com a alma, que irradiava alegria por onde passava.
Mas em resumo, ele me pontuou de desajeitada, que mesmo eu estando acima do peso ele ainda me "aceitava", e que não seria qualquer "bom homem" que queria isso não, ali eu senti como um tapa na cara, mesmo diante da minha decisão e vendo o quanto estava sendo intoxicada, as palavras dele ainda tiveram o poder de me machucar. Mas ali ele fez eu virar uma chave, eu iria cuidar de mim mesma, com mais determinação ainda.
Comecei a cuidar de minha saúde como não fazia há muito tempo, decidir e determinei que precisava me priorizar em tudo, e assim o fiz, tinha uma rotina puxada, criança de 4 anos para cuidar, mas ali me reorganizei, encaixava uma caminhada aliada com corrida logo cedo, e assim iria trabalhar mais disposta, mudei minha alimentação, mas sem sofrer, e nem fazendo dietas milagrosas ou mirabolantes, só decidir ir reduzindo nas quantidades, porque meu erro muita das vezes era no exagero, por descontar minhas frustrações na comida, acabava por comer em excesso, arrumei um horário e encaixei academia, e ali ia transformando minha mente cada dia mais, e a mudança no corpo foi uma consequência dessa mudança que fui construindo.
Mas engana-se quem pensa que foi um processo fácil, a superação do término depois que verbalizei tudo que tinha vontade foi até tranquila, o difícil foi lidar com os ataques, a máscara caindo e eu constatando a verdadeira pessoa com quem compartilhei minha vida nos últimos dez anos, e sabe o que descobri, que a nossa sociedade é demasiada hipócrita, podemos fazer tudo por algumas pessoas, mas no dia que você decidir não fazer mais, não estar mais a disposição delas, elas simplesmente vão te pintar como o pior ser humano do mundo, e assim foi, meu ex, fez um papel de coitado, e aqueles que outrora me conheciam, e conviviam mais comigo preferiram comprar a versão dele, só porque eu decidi me calar, eu encerrei meu ciclo com ele, falei tudo o que tinha que falar pra ele, mas não fiz mais nada, eu tinha provas, tinha tudo que comprovava quem era quem, mas sabe o que eu concluí, que eu não precisava me justificar para ninguém, se a pessoa me conheceu, e não sentiu a necessidade de vir conversar comigo antes de comprar a história do outro, então ela não merece fazer parte do meu círculo mais, e assim, fui fechando portas, janelas, e acabei fechando o meu coração também.
Houve muitos julgamentos, muitos "conselhos" que eu não deveria me separar em nome do "amor", eu estava definhando em vida, mas as pessoas queriam que eu me mantivesse naquela relação por pura dogma religioso, mas mantive firme minha decisão em mudar, não retornaria para aquele estágio novamente.
Nick Lewis
Quatro anos atrás
Minha mãe estava doente, o sonho dela era que eu pudesse dar netos para ela, queria ver a casa cheia de crianças, eu sempre a confrontava de modo brincalhão, porque ela não me encheu de irmãos, mas na verdade eu sabia, que não foi por falta de vontade dela, muito pelo contrário, sempre foi o sonho dela ter mais filhos, inclusive ela queria adotar, mas meu pai, é um daqueles burgueses, aristocratas arrogantes, e extremos, e que achava inaceitável essa questão da adoção, entretanto, minha mãe sempre deixou claro o quão grata e feliz ela era por ter me concebido a vida, ela fazia questão de dizer sempre "ah meu filho, você me tornou mãe, e a mãe mais completa e realizada desse mundo".
A descoberta da doença pegou todos nós de surpresa, ela era meu pilar, aliás o nosso, a relação com meu pai era um tanto conturbada, parecíamos mais empregador e empregado, do que pai e filho, ele estava sempre ditando o que deveria ser feito, como deveria ser feito, o que não deveria ser feito, somente minha mãe conseguia lidar com aquele genioso.
Depois da descoberta do carcinoma lobular invasivo, nós sentimos o impacto, ele se fez de durão, mas foi nítido o quanto essa notícia o abalou, depois disso ele decidiu me colocar na presidência da empresa, mas mesmo de longe ele ainda controla tudo a mão de ferro, às vezes acabamos por discutir por ele querer interferir nas minhas tomadas de decisões. Minha mãe mesmo estando fragilizada tratava de tentar apaziguar a situação, eu muitas das vezes acabava por ceder, para não gerar mais desgaste para ela.
Doía muito ver ela naqueles processos de tratamentos, parecia que ela voltava cada vez mais debilitada das sessões de quimioterapia e radioterapia, estávamos confiantes, mas era necessário muito cuidado, mas mesmo ela naquela aparência delicada, mantinha o olhar sereno, e era capaz de nos passar conforto e forças.
Voltando a falar do sonho dela de eu encher a casa de netos, eu tive essa vontade, queria formar minha família, queria ser o pai que eu não tive, fazer exatamente o contrário do que meu pai fez, ser presente de fato na vida do meu filho, as pessoas dizem que dinheiro é tudo na vida, mas não, nesse meio em que vivo, onde o dinheiro sobressai o caráter, a honra, a humanidade, tudo e todos são vistos como cifrões, não existe sentimento genuíno em ninguém, por isso tenho que o único e exclusivo amor real que já tive, e vou ter em minha vida, é do da minha mãe, do resto, não espero nem confio em ninguém, não mais, depois do que aquela mulher fez comigo, foi sórdida, eu a amei de verdade, daria tudo por ela, mas ela me enganou, tudo por dinheiro, a droga do dinheiro, tomei nojo de relacionamentos depois disso, e o pior foi ter que dar a notícia para a minha mãe, e ela a estimava, pois ela só consegue ver o lado bom nas pessoas, já idealizava nossa família completa.
Um ano atrás conheci a Dany, era uma morena linda, estávamos em uma festa, que só fui por um acaso, porque um cliente queria aproveitar para desfrutar da noite em alguma balada, acabamos indo para o acompanhar, por se tratar de um cliente importante, e estávamos na iminência de fecharmos um contrato milionário, e que me daria mais credibilidade com meu pai, pois esse era um projeto totalmente meu, queria garantir que tudo sairia certo e mostrar para ele que eu era capaz, e que ele não precisava me tratar como um menino inexperiente como ele fazia.
Enquanto estávamos na área VIP, do evento, vi de relance ela passando, ela estava deslumbrante, o cabelo estava na altura do ombro, um preto que refletia as luzes do ambiente, o olhar mais sedutor, e era possível ver como se destacava, a cor verde deles, com a maquiagem focada para o preto, a pele clara, era impossível não ser hipnotizado naquele olhar, os lábios com um batom vermelho destacando-os, ela estava com um vestido preto, que se amoldava perfeitamente ao corpo dela. Ela me chamou muita atenção, trocamos alguns olhares, e conversei com meu cliente, como ele era Russo, não falava inglês, eu pedi a bebida que ele queria, e resolvi ir ao banheiro logo em seguida.
Quando estava retornando para a área que fora reservada por minha equipe, acabei vendo uma cena, que me soou desagradável, e quando vi já estava envolvido na situação, a morena dos olhos verdes, estava sendo coagida por um imbecil bêbado, então fui até ela, e olhando fixamente para os olhos dela perguntei: "Está tudo bem? Precisa de ajuda?" ela respondeu com uma voz bem melosa, que na hora me deixou ainda mais instigado por ela "Por favor, esse babaca está achando que algum tipo de objeto dele, e não quer sair do meu pé".
Naquele momento o homem soando irritado com a situação, levantou a mão para ela, mas eu prontamente o segurei, e mandei que ele vazasse dali imediatamente, meus seguranças, prontamente se colocaram em nosso lado, e eu dei ordens para que o tirassem dali.
Resolvido essa questão me direcionei a ela e me apresentei, "prazer sou o Nick Lewis", ela me olhava como se fosse pular sobre mim a qualquer instante, eu gostava daquilo, "prazer Nick, sou a Dany", fomos a área VIP que estava com meu cliente, nesse momento ele já estava bem entretido com algumas mulheres, que entraram após minha saída, e como havia pessoas de minha confiança, decidi deixá-los por conta dele, e saí com a Dany, tivemos uma noite incrível, foi atração física pura, desejo a flor da pele, e ela sabia como seduzir um homem.
Não demorou muito, mas acabei me envolvendo por completo com ela, em questão de duas semanas já havia a pedido em namoro, estava vivendo nas nuvens, a apresentei para minha família, ela sabia como usar sua beleza e charme para envolver as pessoas, e ela fez isso com minha família. E diante de tudo que vivíamos, eu só tinha uma certeza, ela seria a mulher da minha vida, a mãe dos meus filhos, quem eu iria passar o resto de minha vida junto.
Mas para minha surpresa, no dia que recebi o diagnóstico da minha mãe, eu teria muitas reuniões nesse dia, e ela sempre sabia como era a minha agenda, estávamos noivos, ela já estava instalada em meu apartamento, dormíamos juntos todos os dias, às vezes ela dizia que não poderia ir, que houve algum imprevisto ou coisa assim, eu sentia muita falta dela, mas nunca desconfiei de nada. Mas naquele fatídico dia, estava extremamente abalado com a notícia, e a primeira coisa que minha mãe me pediu, foi para dar ela netos antes que ela morresse, "ah meu filho não fique triste com esse diagnóstico, estou bem, mas vou ficar imensamente feliz, se você me abençoar com netos, quero muito poder ver um filho seu antes de partir", respondi com a voz embargada "para com isso mãe, você não vai morrer, e vai ver todos os seus netos te deixando descabelada" ela deu uma risada, conversamos mais um pouco, ela precisava descansar, eu precisava processar aquilo tudo, e naquele momento precisava do apoio da mulher que eu tanto amava, e ela estava lá em minha casa, tentei ligar para ela, mas não atendeu, então fui direto para o apartamento.
Mas para meu desgosto, e para me deixar num estado ainda pior, quando cheguei no meu apartamento, subi, mas não vi jeito dela, até chegar na sala, o telefone estava sob a mesa de centro da sala, havia ali roupas dela, e roupas de outra pessoa, meu sangue gelou, quando vi que as roupas iam traçando um caminho, seguia na direção do nosso quarto, aliás meu quarto, inferno, pensei, não seria possível, não tinha como, fui com o coração na mão, e conforme ia chegando próximo da porta do quarto, era nítido os sons emitidos, ali eu queria que o mundo se abrisse para eu poder me jogar, não era possível, que ela fez aquilo comigo, mas quando cheguei em frente a porta, que olhei para dentro pude constatar a ordinária que era a mulher que eu pensei que seria a mulher de minha vida, ela estava cavalgando sobre outro homem, o olhar dele encontrou o meu, e os ruídos que eram de gemidos e risada, se transformaram em um "oh" e expressão de pavor, ela também olhou na direção que ele olhava, e pela primeira vez, desde que a conheci, enxerguei por trás da máscara que ela escondeu, ou que fui idiota demais para enxergar durante esse um ano juntos, ela nunca me amou, só fui um brinquedo para ela.
A raiva me consumia, eu não conseguia esboçar nenhuma reação, até ela vim até mim com aquelas mãos sujas tentando me tocar, e eu só conseguir esbravejar "Não me toca sua vagabunda".
Saí de lá imediatamente, mas pedi aos meus seguranças que os tirassem de lá, nunca mais retornei aquele apartamento, solicitei que vendessem, e eu não queria nem saber, fiz algumas investigações após descobrir a traição dela, e na verdade, aquele era um caso antigo, o cara era o mesmo que estava na boate a 'importunando' no dia que a conheci, e ela só queria me dar um golpe, como fui otário, custei a me envolver com alguém assim, tive algumas namoradas, mas nada muito sério, nunca havia pensando em algo mais permanente com ela, com aquela ordinária eu pensei diferente, mas ela me quebrou de todas as formas possíveis, e no momento em que eu me encontrava mais fragilizado, e como eu falaria aquilo para minha mãe, odiava aquela mulher com todas as minhas forças.
Mas mesmo imerso na raiva e dor da traição aliado com a dor do diagnóstico da minha mãe, sabia que deveria me manter firme e impassível, fiquei alguns dias sem ir vê-la, meu pai já sabia de tudo, ele sempre sabe de tudo quase que instantaneamente, decidi passar as duas primeiras semanas de tratamento, mas sabia que não poderia postergar muito, e precisava ser sincero e falar a verdade com ela o quanto antes, antes que a decepção aumentasse ainda mais, e ela fosse gerando expectativas daquela relação que na verdade nunca existiu.
Quando cheguei na mansão, me senti vazio, era como aquela casa, enorme, para morar apenas duas pessoas ali, vários cômodos, mas tudo vazio.
Minha mãe estava no jardim, tomando banho de sol, a verdade é que eu não estava preparado para aquela conversa, porque sabia que seria doloroso para ela, eu não queria a decepcionar assim, mas era necessário resolver isso logo, fui até ela, dei um abraço nela, a aparência dela, era como de uma flor extremamente delicada, "Oi, mamãe, como a senhora está?", ela me olhou com aqueles olhos afetuosos, segurando a minha mão, e eu ali agachado em frente a ela, e me respondeu com uma voz que tentava parecer firme, mas na verdade soava bem frágil "estou ótima meu filho amado, e você como está?"
Naquele momento eu que me julgava ser um cara frio, que nunca chorava por nada, nem mesmo quando descobri a traição daquela ordinária, tinha vontade de chorar como uma criança de 10 anos, que pedia colo a mãe, queria pedir pra ela ficar bem, queria ver ela com o brilho e a cor da alegria de sempre, queria não decepcioná-la com a notícia que tinha que dar a ela.
Mas minha mãe tinha um senso de percepção que era realmente fora do comum.
"Tudo bem, não estar bem meu filho, mas lembre-se que você não teve culpa de nada, quem errou com você foi ela, quem perdeu esse homem incrível que você é, foi ela, e que bom que você conseguiu descobrir a verdadeira essência dela antes de vocês darem um passo mais importante, mas eu não quero que você delimite a sua vida com base nessa experiência que você teve com ela, não feche seu coração, no momento certo, a pessoa certa, aquela com quem você vai construir sua história, que irá valorizar quem você é, irá aparecer..." Ainda estava embasbacado por ela já saber tudo, mas tive que interrompê-la.
"Não mamãe, não vai haver próxima, nunca mais irei me envolver, e me deixar ser enganado por ninguém, só queria que você pudesse me perdoar, por não ser capaz de realizar o seu sonho em ser avó, mas e seguirei sendo seu filho, e você seguirá aqui conosco."
Ela deu um sorriso compassivo, não discutiu ou tentou me contradizer, apenas falou "tudo bem meu filho, tudo vai se encaixar ao seu tempo, você é jovem, está no auge dos seus 30 anos, tem muito o que viver."
Mas ali eu determinei que mulher nenhuma entraria em minha vida mais, nunca mais.
Lisley Coby
Dias atuais
Hoje é o aniversário de uma amiga, e o grupo está decidido a ir comemorar em um lugar novo que abriu, parece que é bem bacana, vai ter música ao vivo, parece que a comida de lá é muito boa, então vamos, amo sair assim, me divertir, dançar, cantar, dar boas risadas, todo mundo fala que eu resgatei meu brilho após o divórcio, minhas amigas de adolescência sempre falam isso comigo, Lis, fico tão feliz de ver você com aquele brilho e energia da nossa época de adolescente, ouço muito coisas nesse sentido, e nossa você está linda, parece que rejuvenesceu 10 anos.
Nesses dois anos eu de fato me remodelei, perdi quase 15 quilos, pensa numa baixinha de 1,60 com quase 75 quilos, cabelo caindo, sem energia para nada, auto estima lá no chão, aprendi a me cuidar com o mesmo carinho e amor que eu entregava para os outros.
Só que mesmo nessa minha transformação, há feridas que não são tão fáceis de serem cicatrizadas e sumir totalmente, elas permanecem ali, o medo de me relacionar novamente era uma delas, não queria viver aquilo que vivi antes, não permitia que ninguém entrasse em minha vida, em meu coração, virou meu mantra dizer 'meu coração estava forjado no aço e que ninguém adentraria nele mais'.
Há quem dizia sempre pra mim, "Ah mas uma hora você vai ter que se relacionar com alguém", "ninguém fica sozinha a vida toda", ou "mulher precisa de um homem", eu dava risada, mas isso me irrita um pouco, confesso, porque não preciso de homem para ser, e estive sozinha, mesmo estando dentro de um relacionamento, então não, eu não precisava de ninguém, e não queria ninguém na minha vida, não faz diferença alguma, manter alguém na vida da gente, a julgar pela maioria das relações das pessoas à minha volta, só serve para causar transtorno e mal estar, então não, não quero isso para minha vida de modo algum.
Passei a olhar as relações de uma forma mais clínica, eu diria, consigo mapear os problemas das pessoas, dos relacionamentos, dava conselhos para serem melhores juntos, mas simplesmente não consigo me ver com ninguém.
Estava ali tomando meu café distraída, eu amo essa cafeteria da Beck, o aroma, o gosto do café, a torta de maçã dela eu acho simplesmente incríveis, sempre que tenho uma brecha, em meu horário, corro ali para me sentar e me deliciar com esse momento e com minha companhia, amo fazer isso, reorganizar minhas ideias, há quem julgue que me tornei uma solitária triste, mas na verdade amo é minha solitude, minha liberdade, entender que sou suficiente comigo mesma, me tornou alguém mais forte.
Perdida ali no meu momento nem me dei conta que a Cora havia chegado ali, "haha aí está você, aqui hoje é o aniversário da Camila, vamos comemorar lá naquele restaurante novo, vê se não me atrasa tá?!"
Revirei os olhos pra essa última colocação dela, sim eu sempre chego tarde nos eventos, elas ficam bravas comigo, em partes porque eu acabo garrada em algum trabalho e até que me arrumo para ir, e às vezes até posso ir mais cedo, mas confesso que prefiro ir depois, senão muitas das vezes, elas ficam tentando me empurrar algum cara, mesmo eu falando para não fazerem isso.
"Pode deixar que irei estar lá antes de vocês, satisfeita?"
"Ah não Lis, não me venha com ironia ou deboche, só quero que você chegue mais cedo, para aproveitarmos ao máximo antes que estejamos loucas, porque geralmente você chega e nós já estamos tontas, e hoje é o aniversário da Camila, e ela já falou que quer extravasar."
Ai céus, por isso não me relaciono mais, pergunto o que já tenho certeza:
"Ela brigou mais uma vez com o André, e na véspera do aniversário dela, como pode isso? É dia de celebrar aí ficam brigando por besteiras, e acaba os dois magoados, aff, e depois vocês me julgam não querer me relacionar com ninguém mais, tem base isso."
Eu suspiro, sei que eles se gostam muito, mas sinceramente não entendo porque brigam e acabam se magoando tanto, mas como a vida é deles, eles que se entendam, mas quando for mais tarde, eles dois vão ficar bêbados e se juntam novamente, de praxe isso.
A Cora então pontua de forma séria:
"Parece que dessa vez a coisa foi mais séria, quase duas semanas que eles nem se falam."
Um adendo aqui, sou uma amiga ausente, sempre que precisarem de mim estarei lá, mas não sou do tipo, que liga, ou envia mensagens todos os dias para saber o que está se passando, nesses últimos dois anos isso virou um traço mais forte em mim, mas conheço bem a Camila e o André, são meus amigos, acompanho sempre essa novela deles, mas eles sempre se resolvem rápido.
"Mas eles não estão se comunicando de modo algum? Você falou com ele? Ele vai no aniversário dela?"
Ela deixa o ar sair com cara de frustração e me responde:
"Ai Lis, aí que está o problema, eu liguei pra ele, e ele disse que está viajando e que mesmo se estivesse aqui, não iria, que dessa vez a coisa foi mais séria, e eu sei que a Camila tá mal, e que no fundo ela espera que ele vá, aargh!"
É então deve ter sido sério, não é porque é minha amiga que passo pano, mas a Camila é de um temperamento bem difícil, e o André não fica para trás, mas às vezes eu até falo com ela, que ela precisa fazer terapia, ser menos controladora, ninguém deve controlar ninguém, ainda mais em uma relação amorosa, você vai acabar sufocando o outro, e sendo bem sincera, se a pessoa tiver que errar contigo, não vai ser você sendo ciumenta, ou talvez boazinha demais que irá coibir, é do caráter da pessoa, se tiver que trair, ela vai trair, não importa o como você seja, então, se não puder confiar em seu par, é necessário rever essa relação.
"Vou conversar com ele e com ela, para tentar entender isso, e pode deixar que não irei ir tarde, já programei meu último cliente com tempo de sobra para eu poder me arrumar e ir, já combinei com a Cláudia para cuidar do Emanuel para mim, então tudo encaminhado para eu não me atrasar. Você precisa que eu leve alguma coisa ou alguém?"
Ela respira meio que aliviada, mas ainda com uma certa tensão:
"Na verdade ia te pedir carona, porque preciso passar pra pegar o bolo, e depois iríamos direto."
"Entendi, pode ser então, te pego às 19 horas, porque daí passamos na confeitaria pegamos o bolo e depois vamos para lá, eu acho que poderíamos ter olhado uma confeitaria lá por perto para não sair daqui até lá carregando bolo..."
Ela me responde prontamente, porque iremos em um restaurante de uma cidade vizinha.
"Ah relaxa dão só 40 quilômetros, é pertinho, vou indo então, fica combinado, te aguardo lá em casa às 19 horas."
Ela saiu apressada, olhei o horário ainda tenho 10 minutos até meu próximo atendimento, então fui até o caixa como sempre, paguei minha conta, e a Beck falou comigo "Lis, preciso de uma orientação sua, o Luciano mandou as exigências dele para o divórcio" ela revira o olho descontente, é impressionante, como conhecemos a verdadeira natureza das pessoas no ato de separação, todo aquele conto de fadas dos primeiros encontros, na maioria se dissipa total, e você parece que está conhecendo outra pessoa, alguém totalmente repulsivo.
"Está bem Beck, se quiser adiantar me enviando os termos dele, e depois sentamos e conversamos sobre, vou reservar um horário para te atender lá no escritório, assim podemos tratar isso com calma e sobriedade."
Antes do divórcio eu trabalhava em uma empresa, havia cursado direito aos trancos e barrancos, mas não trabalhava na área, meu ex sempre colocava para baixo, fazia eu me sentir insegura, então eu acabava que suprimindo minhas qualidades, depois que me separei, acabou havendo cortes na empresa, e eu mãe solo, não podia me dar o luxo de paralisar, resolvi integrar na minha área, mas não que seja fácil, a maioria dos meus clientes não tem condições de me pagar os honorários no ato da consulta, maioria geral só recebo no ato de conclusão do processo, o que acaba me gerando algumas demandas maiores, e às vezes passo apertos, mas nem por isso explano isso para ninguém, porque se tem uma coisa que aprendi ao longo desses anos é que ninguém além de ti mesma vai te desejar estar melhor, na verdade as pessoas na grande maioria, pode até querer nos ver bem, mas não melhores que elas, e muitas se sentem felizes por nos ver passando dificuldades, então não permito que ninguém acesse minhas fragilidades, eu lido e luto com elas sozinha.
E Eu não costumo advogar para familiares e amigos, fiz muita coisa por familiares (principalmente do meu ex) mas, depois de lidar com tanta ingratidão, decidi que não faria mais, ajudo, no que puder, mas sobre trabalho não misturo mais, prefiro indicar algum colega do que deixar que as coisas se misturem, mas no caso da Beck como de alguns outros era diferente, então eu até fazia questão de me envolver.
Tive um dia agitado, entre atendimentos, corri para almoçar com o Emanuel, e deixar ele na escola, voltei correndo porque tinha audiência, e depois finalizei algumas pendências, quando me dei conta da hora já era quase 18 horas, precisava correr para me arrumar e ir buscar a Cora e o bolo.
Nessa hora pensei pra que me comprometi a ir buscar ela às 19 horas, agora terei que me ajeitar na correria, corri para casa para tomar um banho, tinha que lavar meu cabelo, sequei rapidamente, eu sempre uso maquiagem no meu dia a dia, faz parte dessa nova Lisley que construí nesses últimos dois anos, estou sempre arrumada, cabelo, unhas, e mesmo que uma maquiagem leve, para não parecer cara de cansada, eu uso, me sinto bem, fazendo isso, terminei de me arrumar já era 18 horas e 55 minutos, dei um beijo no Emanuel, falei com a Cláudia que qualquer coisa me ligasse, peguei meu telefone, disquei pra Cora, avisando que estava saindo de casa e que chegaria lá uns minutinhos atrasada.
Quando ela entrou no carro e estávamos para sair a primeira coisa que ela me perguntou foi:
"Você ligou para o André?!"
Nossa, esqueci! Foi o que pensei, não verbalizei, mas minha expressão denotou isso.
"Ah Cora, acabei me esquecendo, tu ligou pra ele novamente?"
"Tentei, mas deu só caixa postal, e as mensagens nem estão chegando pra ele, então, ou ele desligou o telefone, ou está sem rede, pelo jeito a coisa foi séria, a Camila vai estar arrasada bem no dia de celebrar o aniversário dela, teremos que dar o nosso máximo pra deixar ela bem."
"Sim, teremos, mas vamos torcer pra tudo se ajeitar, e não vamos pintar um cenário negativo não, deixa as coisas fluírem..."
Ela deu uma risada, e eu fiquei sem entender, até ela abrir a boca, "deixa as coisas fluírem, falou a pessoa que não deixa nada fluir fora do cenário"
Revirei os olhos, lá vem querer fazer ponte em minha vida amorosa.
"Não começa, aliás, porque você não está indo com seu namorado, peguete, ficante Premium, ou algo assim?"
A Cora vive idealizando relações com o que ela chama de ficante Premium, que é basicamente o cara pra quem ela dá todo benefício de um namoro, mas passados quase sempre, o período de três meses, a coisa simplesmente desanda.
"Golpe baixo esse seu, não é peguete e já é quase um namoro sim, ele só não teve coragem suficiente ainda pra me pedir, mas para seu governo já estamos juntos há praticamente 3 meses, tenho certeza que o pedido vai vim, mas hoje ele tinha compromisso com a família dele, então ele não pode se juntar com nós."
"Hum, entendi"
Não sou alguém pessimista ou algo do gênero, quero ver ela feliz, mas sendo sincera, acredito que ele só a está enrolando, das duas últimas vezes que ela ia apresentar ele para nós, ele sempre deu desculpas, logo eu presumo, que ele não está depositando o mesmo que ela, e isso na verdade me incomoda bastante, porque a conhecendo bem, já sei o quanto isso irá mexer com ela e a desestabilizar.
"Já sei o que você está pensando Lis, mas pode ficar tranquila, eu não vou me magoar dessa vez, ele é um cara bacana."
"Tá bom Cora, você sabe que só quero te ver bem, não vamos comentar nada sobre mais não, e desculpa pela minha fala. Agora sobre o André e a Camila, vamos tentar fazer a noite dela o mais especial possível, porque com ele não indo, sabemos bem o quanto que isso vai magoar ela."
"Sim, vai, na verdade já está, hoje ela já chorou, quando passei lá para conversar com ela, a peguei com os olhos vermelhos e inchados."
"Oh céus! Relacionamentos causam desgastes, e vocês ainda ficam querendo que eu arrume um, misericórdia, quero nem saber, nunca mais, quero distância desses problemas!"
"Ah Lisley, o dia que o amor bater a sua porta, você me conta."
"Não Cora, ele pode até bater, mas a porta aqui, está sumariamente trancada, emperrada, muito bem fechada, ninguém entra aqui não."
Ela deu um suspiro de resignação, e seguimos para nossa tour da noite.
Conheci alguns caras, muitos por impulso delas, mas não passava de conhecer superficialmente, porque eu simplesmente não me permito ir além de uma conversa trivial, até fiz amizade, mas foi apenas isso, amizade com uns dois, eu não consigo me deixar envolver, e sendo bem sincera, estou tão calejada, que não me toco pelas cantadas baratas, e para mim, tudo que me dizem para flertar é só pra tentar me conquistar, tentar me seduzir, e depois se vangloriar que fui mais uma pra lista de conquistas deles, então, eu fechei meu coração e meu corpo para qualquer tipo de envolvimento.
"Aff, tem dois anos que você separou, e até hoje não se envolveu com ninguém, Lis, você tem que permitir alguém, você só ficou com aquele bosta do seu ex desde os seus 18 anos, ele te traiu, mas você tem o direito de ser feliz, de se envolver, de ter prazer com outros caras."
"Já cansei de falar que não preciso, de homem para ser, ou me sentir completa, e também não vou sair me entregando pra qualquer homem, só para ter umas horas de prazer, isso se tiver né, você sabe como sou em relação a isso, e não consigo e nem quero, deixar que qualquer um tenha acesso a mim, a minha energia..."
Ela me interrompe "qualquer um não né?! Você não deixa ninguém, poxa, no máximo você dá uns beijinhos e já corta os caras e coloca eles pra correrem."
"Ah porque simplesmente não faz diferença pra mim, por isso, digo que não quero me envolver com ninguém, e não vou, ponto."