Termino de arrumar minhas coisas no escritório. Mais uma vez o Sr. Gregório foi embora mais cedo e tudo sobrou para mim. Prazos e mais prazos processuais. Estou me cansando disso. De estagiária estou me tornando escrava. Ganho mais em uma noite dançando para um cliente, do que em uma semana trabalhando aqui. Se o que eu faço, não fosse tão ruim aos olhos da sociedade, ficaria apenas como stripper. Se bem que eu não teria coragem de viver para sempre fazendo isso. Receber olhares desejosos de homens comprometidos é triste demais. Penso em suas parceiras.
Elas não fazem ideia do que seus homens cobiçam, longe delas.
Termino de arrumar minhas coisas e olho mais uma vez à mensagem do cliente de hoje. O nome dele é Ricardo e quer me enviar de presente ao seu irmão, que está sozinho em um hotel aqui na cidade. Ele quer dar uma noite interessante ao coitado isolado. Parece que minha entrada no hotel já está liberada, mas seu irmão não sabe. Acho que é minha primeira dança sem motivo. Não é aniversário, não me parece despedida de solteiro e tão pouco uma festa de amigos. É somente uma dança para uma pessoa sozinha. Isso me deixa insegura. Nunca dancei apenas para um. Ricardo não me pediu nenhuma roupa especifica. Isso significa que não quer fantasias. Vamos de roupa íntima matadora então.
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Chego em frente ao hotel. Minhas mãos estão frias e meu coração acelerado. Nunca me senti assim antes. Dançar, tirar a roupa e ir embora, já havia se tornado algo normal em minha vida. Mas hoje me sinto como se estivesse indo para a minha primeira apresentação de dança. O mesmo nervosismo de quando dançava profissionalmente. Fecho meus olhos e respiro fundo, várias vezes. Entrar, dançar, tirar roupa, colocar roupa e ir embora. Só isso Alice! Nada mais do que isso. Não é algo horrível de se fazer. É apenas uma dança por dinheiro. Bufo, querendo rir. Uma dança quase nua. Tomo coragem, entro no hotel e sigo para a recepção.
- Pois não?
A recepcionista diz com cara de bunda, me medindo dos pés a cabeça. Odeio hotéis de luxo.
- Quarto 2034.
Ela olha o monitor, de seu caro computador.
- Srta. Lois?
Esse é meu nome de stripper. De manhã a estudante e estagiária Alice Fernandes. De noite a stripper profissional Lois Lane. Fanatismo por Superman gerou esse nome.
- Sou eu.
Ela digita algo em sua tela.
- Pode subir. É a cobertura.
- Obrigada!
Sigo para o elevador e um dos seguranças já aperta o botão de um deles para mim.
- Boa noite!
Diz com um sorriso gentil.
- Boa noite!
As portas do elevador se abrem e entro.
- Não precisa apertar nada. O elevador já a deixará na cobertura.
- Obrigada!
As portas se fecham e o elevador começa a subir. Meu coração sobe junto com ele e parece que entala na garganta. Um "pim" anuncia que cheguei e as portas se abrem. Saio do elevador e estou em uma bela sala.
- Ricardo...
Uma voz grossa surge do meu lado esquerdo. Viro e minha respiração falha ao ver o belo homem que surge.
- Achei que fosse meu irmão. Quem é você?
Pergunta irritado. Merda !!!! Ele não parece que vai curtir o presente do irmão.
- Ali... Lois.
Inferno! Quase falei meu verdadeiro nome.
- Lois mesmo?
Pergunta me olhando como se soubesse que é mentira.
- Lois, mas se preferir posso Ter outro nome.
Tomada por uma coragem e determinação, desconhecida por mim. Tiro meu celular do bolso, que já está na tela do repertório de músicas que uso e ando até uma mesinha, no centro da sala. Coloco o celular na mesinha e meu corpo queima. Sei que ele me observa.
- O que está fazendo aqui? Acho que errou de quarto.
- Não errei de quarto.
Aperto o play e Beyonce começa a tocar.
- Seu irmão me mandou.
Viro para ele e quando nossos olhos se encontram, esqueço por segundos o que tenho que fazer.
- Ele te mandou pra que?
Respiro fundo. Com seus olhos em mim, levo minhas mãos ao nó do meu sobretudo e desfaço ele lentamente.
- Ele me disse que estava sozinho.
Sussurro com a voz sexy e solto o cordão do sobretudo.
- Que precisava de uma distração.
Balanço meu corpo suavemente, focando o ritmo em meu quadril. Ele está hipnotizado em meu quadril.
- É garota de programa?
- Não...
Nego com a cabeça e ando até ele, que não se afasta quando quase colo nossos corpos.
- Não fodo com clientes.
Seguro sua gravata e o arrasto para o meio da sala, onde tem uma poltrona e um sofá.
- Vocês não me tocam.
Enrolo minha mão em sua gravata e o puxo pra mim, colando nossos corpos. Seu rosto próximo do meu, me faz ver o quanto esse homem é lindo. Ele é mais alto e está curvado para mim. Cabelo liso, um pouco cumprido, fazendo uma leve franja jogada de lado quase encobrindo um de seus olhos. Lábios e nariz perfeitos. Uma barba rala me faz coçar a mão com vontade de toca-la. Sua pele branca contrasta com seus olhos e cabelos escuros. Ele é lindo!
- Apenas me olham e me desejam.
- Stripper?
- Sim...
O empurro para a poltrona, que cai sentado.
- Lois... a sua stripper.
Ergue a mão e passa no queixo.
- Você só vai dançar pra mim?
- Sim, mais nada.
- Não nos tocamos?
- Não...
- Tudo bem.
Cruza as pernas e relaxa o corpo.
- Então... dance pra mim.
- Tudo bem! Não sei seu nome, somente sei o do seu irmão.
- Já que você se chama Lois.
Sussurra de forma divertida.
- Eu serei...
Fecha um olho pensando.
- Clark... me chame de Clark Kent.
Um enorme sorriso surge em meus lábios. Ele é o primeiro cliente que entende de onde vem meu nome artístico.
- Aproveite a sua dança, Clark.
Começo a dançar, brincando com o sobretudo aberto. Quero manter meus olhos nos dele, mas ele olha tão intensamente, que fujo de seu olhar várias vezes. Desço meus olhos para o meu corpo, para fugir de seu olhar.
- Olha pra mim.
Pede e ergo a cabeça.
- Quero olhar seus lindos olhos, enquanto aproveito a minha dança.
Mordo meu lábio inferior, tentando controlar o nervosismo idiota. Não é sua primeira dança! Repreendo-me na hora. Que se dane! Tem um homem delicioso na minha frente, querendo me ver dançar pra ele. Vou lhe dar a minha melhor dança. Me movo no ritmo da dança até a cadeira onde está. Quando estou a sua frente, seguro o sobretudo, o retiro e deixo cair no chão, lhe arrancando um suspiro ao ver minha roupa íntima. Viro de costas e vou rebolando. Viro minha cabeça e o olho por cima do meu ombro. Seus dedos alisam sua boca perfeita. Ele está ficando excitado. Começo a passar minha mão pelo meu corpo, ainda de costas pra ele. Vou rebolando e me abaixando até quase o chão. Quando vou subir, empino a bunda pra ele, balançando no ritmo lento e sexy da música. Posso ouvir os sons que saem baixos de sua boca, de apreciação. Já em pé novamente, me viro pra ele. Ergo meu pé direito e coloco entre suas pernas.
- Quer que eu tire meu salto?
- Não...
Agarra meu pé.
- Posso tirar?
- Disse que não podia me tocar.
- Só os pés.
Sem minha autorização, ergue meu pé e puxa meu sapato, colocando-o no chão ao lado de sua poltrona. Puxo meu pé de sua mão e lhe entrego o outro, ainda calçado.
- Tira...
Ordeno e ele sorri. Faz o que mandei e coloca o salto junto com o outro. Puxo meu pé e o levo ao seu peito. Ele me olha intensamente.
- Tocou meus pés. Agora tenho direito de tocar algo seu.
Deslizo meu pé para baixo, até o meio de suas pernas. Preciso apenas saber se ele está duro. Passo meu pé no meio de suas pernas e percorro sua ereção. Oh meu Deus! É enorme... Ele agarra meu pé e o puxa pra cima.
- Já me tocou. Estamos quites.
Puxo meu pé de sua mão e volto a dançar pra ele, passando a mão pelo meu corpo. Me afasto e vou até o sofá a sua frente. Coloco minha perna nele e rebolando, me curvo até minha meia. Paro de olha-lo e vou enrolando a meia, tirando-a da minha coxa e descendo para o joelho.
- Eu tiro.
Levo um susto ao sentir seu corpo atrás do meu e sua voz baixa perto do meu ouvido. Ele está inclinado sobre mim, mas não me toca.
- Seu irmão me pagou para tirar a roupa pra você e não que tirasse a minha roupa.
- Me deixa fazer isso.
Suas mãos cobrem as minhas, que ainda seguram minha meia, na altura do joelho. Nunca deixei um cliente me tocar antes. Quero dizer que ele não pode, mas quando suas mãos afastam das minhas e as dele voltam para a meia, tocando de leve a minha pele, já estou completamente entregue ao seu toque. Atrás de mim ele vai se abaixando, conforme desce minha meia. Sinto o ar quente de sua boca em minha bunda. Sua boca está bem perto do meu sexo. Fecho os olhos, esperando sua boca me tocar ali, mas ele não faz. Tira toda a minha meia e vai para a outra. Sua mão se arrastando em minha pele me queima. Quando termina, volta a se erguer atrás de mim. Encosta sua ereção no meio da minha bunda.
- Continue sua dança, Lois!
Diz em meu ouvido e estou me controlando para não gemer.
- Então sente Clark.
- Quero ver de perto.
Suas mãos seguram minha cintura.
- Quero sentir você dançar.
- A dança é para você e não com você.
- A dança é minha e acho que deveria ser feita como eu quero.
Cola seu corpo todo atrás do meu e começa a dançar, me levando com ele.
- Vai tirar mais alguma coisa?
Pergunta em meu ouvido.
- Você está prejudicando meu trabalho.
Falo controlando minha voz, para não mostrar que estou gostando.
- Sou o seu trabalho hoje.
Sua mão direita vem para a minha barriga e quando vai deslizar para a minha calcinha o empurro com a bunda. Me afasto dele e o encaro.
- Já disse que não sou garota de programa.
- Não estava tentando transar com você.
- Sua mão estava indo até certa parte do meu corpo, que claramente nos levaria ao sexo.
- Se eu tirar sua calcinha, obrigatoriamente, teremos sexo?
- Não tiro minha calcinha nas danças.
- Uma stripper que não tira a calcinha?
Sua risada me irrita.
- Sim... sou uma stripper que não tira a calcinha e dependendo do cliente babaca, nem o sutiã.
Ele para de rir e me olha de um jeito serio, que faz meu corpo arrepiar.
- Acho melhor ir embora.
- Ainda tenho mais duas músicas para cumprir meu acordo com seu irmão.
- Não precisa se preocupar. Direi a ele que veio e fez sua obrigação direitinho.
- Você é um idiota. Custa sentar a porra da bunda naquela poltrona e me deixar dançar pra você?!
Merda!!! Ele avança em cima de mim e quase caio no sofá, tentando fugir.
- Não sou o tipo de homem que fica sentado vendo uma bela mulher dançando e se despindo na minha cara.
Estamos tão próximos que posso sentir sua respiração pesada em meu rosto.
- Então se quer mesmo terminar seu trabalho e dançar pra mim, vai ter que ser do meu jeito.
- Que... jeito...?
Gaguejo.
- Me deixando terminar de te despir. No que eu posso tirar, claro.
Percebo que a última música do meu repertório acabou. Era pra já ter dançado, ele estar feliz e eu indo embora.
- A música acabou.
- Não precisamos dela. O encanto está em você e não na música.
Sinto sua mão subir pelo meu braço.
- Posso tocar aqui?
Minha respiração acelera.
- Sim...
Respondo com a voz rouca.
- Aqui?!?!?!
Seu dedo desliza em meu ombro e seus olhos estão nos meus.
- Sim...
Prende seu dedo na alça do meu sutiã.
- Posso abaixar essa alça?
Paro de falar e apenas balanço minha cabeça de forma afirmativa, permitindo. Clark vai baixando a alça e seu dedo em minha pele suavemente, me faz querer gemer. Mordo meu lábio, para controlar a vontade de gemer.
- Vou abaixar a outra alça.
Enquanto sua outra mão se dedica ao meu outro ombro, a que acabou de baixar uma alça, desce para a minha cintura. Seus dedos me apertam firme, enquanto os que descem a última alça do sutiã me tocam delicadamente.
- Pronto!
Sussurra e solto um suspiro, aliviada.
- Vamos tirar seu sutiã agora, quero ver o que eles escondem.
Meu rosto queima e sei que é de vergonha. Não tenho seios fartos como os de Juliana. Seu peito cola no meu e meu rosto está em seu pescoço. O cheiro dele é tão forte e maravilhoso. Fecho meus olhos e o deixo soltar o feixe do sutiã. Sinto o sutiã se soltar e infelizmente ele se afasta.
- Agora quero ver você.
Minhas mãos automaticamente sobem para segurar o sutiã, que ainda cobrem o que ele quer ver.
- Solta!
Pede com a voz rouca e meu corpo todo arrepia.
- É melhor eu ir embora.
Tento passar por ele, mas suas mãos me puxam e me levam até seu corpo. Encaro seu peito, com a respiração pesada.
- Você quer mesmo ir?
Pergunta com a boca em meu cabelo, perto do meu ouvido. Não... eu não quero ir. E é por isso mesmo que devo ir.
- Preciso ir.
Me solto dele e corro até meu sobretudo. Quando me abaixo para pegá-lo, deixo cair meu sutiã e agradeço a Deus, por estar de costas pra ele. Deixo o sutiã e pego sobretudo. Visto rapidamente e fecho os botões. Escuto os passos dele vindo até mim.
- Se não gostou da dança, avise seu irmão e devolvo o dinheiro.
Solto rapidamente e corro para o elevador. Entro nele e aperto o único botão dentro dele para descer. Viro e enquanto vejo as portas se fecharem, também o vejo segurando meu sutiã e o meu celular. Oh merda!!!! Meu celular. As portas se fecham e quero me socar por ter esquecido o celular. Não posso voltar. Assim que chegar na recepção peço para ele descer e me entregar ou pedir para alguém me enviar. As portas do elevador se abrem e quando vou sair, vejo que estou descalça. Inferno!!!! Tem muita coisa minha com ele. Meias, sapato, sutiã e celular. Quero rir de desespero. Saio do elevador e o segurança simpático se aproxima.
- O Sr. Guedes solicitou que voltasse a suíte. Parece que esqueceu algumas coisas.
Diz olhando para os meus pés.
- Poderia pedir a ele que me trouxesse ou alguém buscar para mim?
- Ele disse que só devolveria se fosse buscar.
Olho para o elevador e não possuo coragem alguma de voltar.
- Outro dia pego. Obrigada!
Ando acelerada para fora do hotel. Preciso de ar. Preciso tirar o cheiro dele de mim e a sensação de seu toque em minha pele. Um taxi está parado em frente ao hotel. Entro nele rapidamente. Passo meu endereço e agradeço por ter guardado o dinheiro no bolso interno do sobretudo.
**************
Entro no apartamento e vejo Juliana de pijama no sofá, assistindo filme. Seus olhos percorrem meu corpo e param em meus pés.
- O que aconteceu?
Pergunta assustada, saindo do sofá e se aproximando.
- Esqueci os sapatos na casa do cliente.
Para de andar e estreita os olhos para mim.
- Sapatos, celular, sutiã e meias.
Seus olhos se arregalam.
- Você dormiu com um cliente?
- Não...
Quase grito.
- Mas eu queria... E antes de fazer essa merda, fugi dele.
Digo envergonhada.
- Por favor, amanhã você pode pegar pra mim o que esqueci? Te dou os dados do hotel para pegar.
- Ele mexeu tanto assim com você a ponto de temer voltar?
- Se eu voltar, dou pra ele.
Juliana começa a rir.
- Ele era tão foda assim?
- Tão foda não descreve nem o dedinho da mão dele.
- Homão da porra!
- Muito.
Estamos as duas rindo.
- Anota pra mim o nome do hotel e do quarto. Amanhã á noite, antes do meu compromisso, passo e pego.
Juliana assim como eu é stripper. Ela me apresentou essa vida e a agradeço por isso. Graças às danças é que pago minha faculdade e o aluguel do apartamento que divido com ela. Sai de Minas Gerais para realizar o sonho de fazer faculdade, ser independente e deixei meus pais. Juliana é a única que sabe dessa parte da minha vida e sou a única que sei dessa parte da vida dela. Sou stripper Lois e ela a Stripper Diana, como a mulher maravilha.
- Vou para um banho.
- Certo.
- Amanhã tenho aulas chatas de manhã e de tarde aguentar o Dr. Gregório.
Reviro os olhos.
- Não tem cliente essa semana?
- Não... Semana livre pra estudar.
****************
Minha noite foi recheada de dança, mãos e Clark. Sim... Sonhei a noite toda com ele e agora pareço um zumbi, no meio da aula de penal. Queria meu celular agora para me tirar do tédio. Fecho meus olhos e ele vem a minha mente. Tinha que ser tão gostoso? Devia ter dado pra ele, assim não estaria grudado na minha mente e meu corpo. Hum!!!! Mas e se ele tivesse um pau delicia e eu caísse de amores? Fiz certo... Melhor sonhar com ele do que me apaixonar.
- Srta. Fernandes!
Abro meus olhos e me assusto ao ver o professor na minha frente.
- Oi!
- A aula já acabou.
Olho em volta e a sala já está vazia. Dou um sorriso sem graça ao professor e recolho minhas coisas correndo.
**************
Chego ao escritório correndo. Entro na minha sala e vejo as pilhas de processo, deixada pelo Dr. Gregório. Em cima da pilha tem um bilhete.
"Cumprir os prazos"
Respiro fundo para não sair tacando tudo no chão. Coloco minha mala na cadeira e começo a empilhar os prazos iguais. O telefone toca e corro para atender.
- Advocacia Gregório.
- Alice!
Minhas pernas falham e caio na cadeira, segurando o celular.
- Como?
Só consigo soltar isso.
- Devia colocar senha no seu celular. Alguém poderia pegá-lo e mexer na sua agenda, na sua galeria de imagens e... nas suas mensagens.
- Você mexeu no meu celular sem a minha permissão?
Levanto da cadeira, muito puta.
- Não disse que mexi, somente que alguém poderia.
- Como achou o número de onde trabalho?
- Na sua agenda está como escritório.
- Então alguém mexeu no meu celular.
Ele está rindo e sua risada me acalma. O som dela é engraçado.
- Esse alguém precisava devolvê-lo a você de alguma forma.
- Hoje a noite minha amiga vai passar e pegar.
- Não... você vem.
- Deixe na recepção, por favor.
- Não... você vem, sobe, dança pra mim, mas dessa vez até o fim e pega o celular.
- Você não me deixou dançar direito pra você.
Ele respira fundo.
- Então vem dançar direito para mim.
- Acho melhor não.
- Pago o dobro.
Fico calada, sem saber o que dizer. Na verdade eu iria de graça, se não soubesse que seria errado me envolver com ele.
- Não...
- Sim...
Sussurra de volta.
- Não...
- Vem dançar pra mim.
Fecho os olhos, ao ouvir sua voz rouca me pedindo.
- Mas agora venha como Alice.
- Ela não dança, Lois é a stripper.
- Não quero que venha a Lois. Quero a Alice, dançando pra mim.
Vai dar merda isso. Nenhum cliente soube meu nome. Nunca dancei como Alice para ninguém.
- Para quem Alice dançaria?
- Para mim...
- E quem é você?
Sua risada é baixa.
- Bruno...
- Prefiro seu verdadeiro nome.
- Prefiro Alice também.
- Me deixaria dançar pra você do meu jeito?
- Sim...
- Sem me tocar?
- Uhrummmm!
- Diga sim...
- Não posso prometer isso. Porque eu ainda quero te tocar.
- Mas não pode.
- É por não poder, que eu quero. Diz que vem...
Passo a mão em minha testa, tentando usar o cérebro ao invés da minha parte baixa para responder.
- Te espero hoje às 20h.
- Certo!