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A Secretária Comprada: O Preço da Vingança

A Secretária Comprada: O Preço da Vingança

Autor:: Mundo Creativo
Gênero: Romance
"Você não é minha funcionária, Valeria. Você é meu troféu. E troféus não têm vontade." Valeria de la Vega tinha tudo: um sobrenome ilustre, uma vida de luxos e um futuro garantido. Mas, em uma única noite de apostas clandestinas, seu pai perde tudo para o homem mais temido da indústria: Dante Volkov. Um homem sem escrúpulos, apelidado de "O Lobo de Ferro", cuja fortuna só é superada pela sua crueldade. Para evitar que seu pai apodreça em uma cela, Valeria deve assinar um contrato que a priva de sua liberdade. Durante um ano, ela será a assistente pessoal de Dante. Mas não haverá cafés nem agendas para organizar. Dante exige disponibilidade absoluta 24 horas por dia, controle total sobre o seu guarda-roupa e que ela seja o lembrete vivo da ruína da sua família. O que Valeria não sabe é que Dante não a escolheu ao acaso por causa da dívida de seu pai. Por trás de seu olhar gélido e de suas ordens implacáveis, esconde-se um jovem que ela humilhou dez anos atrás, quando ele não era ninguém e ela era o mundo dele. Agora, o poder mudou de mãos. Dante está decidido a cobrar cada desprezo, cada lágrima e cada cicatriz. Mas, neste jogo de dominação e castigo, a linha entre o ódio e a obsessão é perigosamente tênue. Conseguirá Valeria sobreviver à gaiola de ouro de Dante, ou descobrirá que o preço da sua liberdade é entregar o seu coração ao homem que jurou destruí-la?

Capítulo 1 A Queda do Império

O som do vidro quebrando contra o chão de mármore foi a única coisa que interrompeu o silêncio sepulcral da mansão De la Vega.

Valeria se assustou, deixando cair a revista de moda que folheava distraidamente no sofá de veludo. Eram duas da manhã. Seu pai, Rodrigo de la Vega, nunca chegava tarde. E, certamente, nunca entrava em casa fazendo barulho. Ele era um homem de compostura, de ternos impecáveis e modos da velha guarda.

- Papai? - chamou ela, levantando-se. A seda de seu robe creme roçou em seus tornozelos enquanto caminhava para o vestíbulo.

O que encontrou lá gelou seu sangue.

Seu pai estava encostado na pesada porta de carvalho, como se o peso do mundo acabasse de esmagá-lo. Sua gravata estava desfeita, pendurada frouxamente ao redor do pescoço; seu cabelo, sempre penteado para trás com gel, estava bagunçado, e seu rosto... seu rosto tinha a cor das cinzas.

- Papai, o que aconteceu? - Valeria correu até ele, segurando-o pelo braço pouco antes de seus joelhos cederem. Ele cheirava a tabaco velho e suor frio. Cheirava a medo.

- Acabou, Valeria - murmurou ele, com a voz embargada, uma sombra do barítono autoritário que costumava fechar negócios milionários na cidade. - Acabou tudo.

Ela franziu a testa, tentando processar as palavras enquanto o ajudava a caminhar até a sala principal.

- Do que você está falando? Foi a fusão com os investidores asiáticos? Eu te disse para não se preocupar, podemos vender a casa de verão nos Hamptons se precisarmos de liquidez...

Rodrigo soltou uma risada seca, um som terrível desprovido de qualquer humor. Ele se deixou cair no sofá, cobrindo o rosto com as mãos.

- Não há casa de verão, Valeria. Não há ações. Não há contas na Suíça. - Ele separou os dedos para olhá-la com olhos injetados de sangue. - Não há nada. Eu perdi tudo.

Valeria sentiu um zumbido nos ouvidos.

- Tudo? Isso é impossível. Somos os De la Vega. Nossa fortuna tem gerações...

- Eu a apostei - confessou ele, em um sussurro que atingiu Valeria mais forte que um tapa. - Eu estava desesperado. As dívidas se acumulavam, os bancos fechavam as portas... Precisava de um golpe de sorte. Uma última jogada para salvar a empresa.

Valeria deu um passo para trás, horrorizada. Seu pai não era um jogador. Era um empresário.

- Você apostou... nosso patrimônio? - perguntou, com a voz trêmula.

- Contra ele. Achei que poderia vencê-lo. Achei que era apenas um novo rico arrogante, um vira-lata com sorte... - Rodrigo passou a mão pelo cabelo, tremendo. - Mas ele sabia cada movimento que eu ia fazer. Brincou comigo como um gato com um rato moribundo.

- Quem, papai? Quem tem todo o nosso dinheiro?

Rodrigo ergueu o olhar. Em seus olhos havia um terror puro, primitivo.

- Dante Volkov.

O nome aterrissou na sala como uma sentença de morte. Valeria conhecia esse nome. Todos na alta sociedade o conheciam, embora ninguém o convidasse para suas festas. Eles o chamavam de "O Lobo de Ferro". Um homem que havia surgido do nada, devorando empresas falidas e destruindo legados familiares apenas por esporte. Diziam coisas terríveis sobre ele: que não tinha alma, que seus negócios beiravam a ilegalidade, que em suas veias corria gelo em vez de sangue.

- Volkov... - repetiu ela, sentindo um calafrio. - Certo. Advogados. Ligaremos para os advogados amanhã. Declararemos falência, venderemos esta casa, nos mudaremos para um apartamento pequeno. Podemos começar do zero, papai. Estamos juntos.

Rodrigo balançou a cabeça em negação, e as lágrimas começaram a rolar por suas bochechas enrugadas.

- Você não entende, filha. Não foi uma aposta legal. Foi... um acordo privado. Se eu não pagar até amanhã ao meio-dia, não apenas tirarão a nossa casa. Irei para a prisão por desvio de fundos. Ele tem as provas, Valeria. Ele tem minha vida na palma da sua mão.

Valeria sentiu o chão se abrir sob seus pés. Prisão. Seu pai, um homem de sessenta anos com o coração fraco, não sobreviveria uma semana na prisão.

- Quanto? - perguntou ela, enrijecendo a mandíbula. - Quanto ele quer para deixá-lo livre? Venderei minhas joias, meu carro, tudo.

- Ele não quer dinheiro - disse Rodrigo. Sua voz baixou tanto que Valeria teve que se inclinar para ouvi-lo. - Ofereci a ele tudo o que me restava. Implorei. Eu disse que te deixaria sem herança para pagá-lo.

- Então, o que ele quer?

Rodrigo ergueu o olhar e encarou a filha. Ele a olhou como se fosse a última vez que a via. Havia vergonha em seu olhar, uma vergonha tão profunda que fez o estômago de Valeria revirar.

- Ele fez uma contraproposta. Disse que perdoaria a dívida. Que queimaria os documentos que me incriminam e deixaria a mansão no meu nome...

- Em troca de quê? - gritou ela, perdendo a paciência.

- Em troca de você.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Valeria piscou, certa de ter ouvido mal.

- O quê?

- Ele quer você, Valeria - soluçou seu pai, desmoronando completamente. - Um contrato. Um ano. Quer que você trabalhe para ele. Que viva sob o teto dele. Que seja sua... propriedade exclusiva. Ele disse que esse é o preço pela minha liberdade.

Valeria sentiu o ar abandonar seus pulmões. Não era uma oferta de emprego. Era uma venda. Dante Volkov não queria uma assistente; ele queria um troféu. Queria humilhar o grande Rodrigo de la Vega levando a única coisa pura que lhe restava.

- Você me vendeu... - sussurrou ela, com lágrimas de incredulidade ardendo em seus olhos.

- Eu não disse sim - apressou-se em dizer seu pai, segurando as mãos dela com desespero. - Eu disse não a ele! Preferiria morrer a entregá-la a esse monstro. Irei para a prisão, Valeria. Não me importo.

Valeria olhou para o pai. Viu o tremor em suas mãos, o terror em seus olhos diante da ideia da prisão, a fragilidade de sua velhice. Se ele fosse para a prisão, morreria lá. E Dante Volkov ficaria com tudo de qualquer maneira.

Ela se soltou suavemente do aperto do pai e se levantou. Caminhou até a grande janela que dava para os jardins escuros. Em algum lugar daquela cidade, em uma torre de vidro e aço, um homem estava esperando para destruir a sua vida.

Um homem que acreditava poder comprar tudo.

Valeria secou uma lágrima solitária que escapou por sua bochecha. Sua vida de luxos, festas e preocupações superficiais havia terminado cinco minutos atrás. Agora, restava apenas a sobrevivência.

Ela se virou para o pai, de queixo erguido e com uma frieza nova no olhar.

- Você não irá para a prisão, papai - disse com voz firme. - Ligue para Volkov. Diga a ele que aceito o acordo.

Amanhã ela conheceria o Diabo. E pretendia olhá-lo diretamente nos olhos.

Capítulo 2 A Reunião

- Eu não disse sim - apressou-se em dizer seu pai, segurando as mãos dela com desespero. - Eu disse não a ele! Preferiria morrer a entregá-la a esse monstro. Irei para a prisão, Valeria. Não me importo.

Valeria olhou para o pai. Viu o tremor em suas mãos, o terror em seus olhos diante da ideia da prisão, a fragilidade de sua velhice. Se ele fosse para a prisão, morreria lá. E Dante Volkov ficaria com tudo de qualquer maneira.

Ela se soltou suavemente do aperto do pai e se levantou. Caminhou até a grande janela que dava para os jardins escuros. Em algum lugar daquela cidade, em uma torre de vidro e aço, um homem estava esperando para destruir a sua vida.

Um homem que acreditava poder comprar tudo.

Valeria secou uma lágrima solitária que escapou por sua bochecha. Sua vida de luxos, festas e preocupações superficiais havia terminado cinco minutos atrás. Agora, restava apenas a sobrevivência.

Ela se virou para o pai, de queixo erguido e com uma frieza nova no olhar.

- Você não irá para a prisão, papai - disse com voz firme. - Ligue para Volkov. Diga a ele que aceito o acordo.

Amanhã ela conheceria o Diabo. E pretendia olhá-lo diretamente nos olhos.

A Torre Volkov cortava o céu da cidade como uma adaga de obsidiana.

Valeria de la Vega ergueu o olhar da calçada, sentindo que o edifício se inclinava sobre ela, ameaçando esmagá-la antes mesmo de entrar. Cinquenta andares de vidro fumê e aço negro. Um monumento à arrogância.

Ela alisou a saia de seu terninho Chanel branco - sua armadura para a batalha - e respirou fundo. O ar-condicionado do saguão a atingiu com um tapa gelado assim que as portas giratórias a engoliram. Tudo ali dentro gritava dinheiro novo e poder absoluto: o chão de mármore negro sem um único veio, a recepção que parecia mais um altar do que uma mesa, e o silêncio religioso que reinava no ambiente.

- Tenho uma reunião com o senhor Volkov - disse Valeria, esforçando-se para que sua voz não tremesse.

A recepcionista, uma mulher loira de beleza clínica e fria, nem sequer a olhou nos olhos enquanto digitava.

- 50º andar. Estão esperando por você, senhorita De la Vega. O elevador privativo é o da esquerda.

Valeria caminhou em direção ao elevador de queixo erguido, sentindo os olhares dos seguranças em suas costas. Quando as portas se fecharam e a caixa de metal começou a subir a uma velocidade vertiginosa, seus ouvidos taparam.

"É apenas um homem", repetiu para si mesma mentalmente. "Um homem de negócios cruel, mas um homem, afinal de contas. Posso negociar. Posso oferecer minhas ações, meu fundo fiduciário, meu trabalho... mas sob as minhas condições."

O elevador parou com um suave ding e as portas se abriram diretamente para um escritório que ocupava o andar inteiro.

Não havia secretária. Não havia sala de espera. Apenas um vasto espaço aberto com paredes de vidro que ofereciam uma vista panorâmica da cidade a seus pés. O sol do entardecer banhava a sala em tons de laranja e vermelho, dando a impressão de que o céu estava em chamas.

E lá, no fundo da sala, atrás de uma mesa de madeira escura tão grande quanto uma mesa de banquete, estava ele.

Estava de costas, olhando pela grande janela, com as mãos nos bolsos de uma calça social que se ajustava perfeitamente à sua figura.

- Senhor Volkov - chamou Valeria, dando um passo à frente. Seus saltos ecoaram contra o chão de madeira polida, um som solitário e agudo. - Sou Valeria de la Vega. Vim discutir os termos da... dívida do meu pai.

O homem não se virou imediatamente. Valeria notou a largura de seus ombros sob o tecido fino da camisa branca. Ele era alto. Muito mais alto e atlético do que imaginava para um tubarão financeiro.

- Sei a que veio, Valeria - disse ele.

A voz a fez parar bruscamente.

Era grave, áspera como cascalho, com um tom sombrio que percorreu sua espinha como um choque elétrico. Aquela voz... aquela voz lhe era incrivelmente familiar, embora tivesse amadurecido, tornando-se mais profunda e perigosa.

O homem se virou lentamente.

Valeria sentiu o ar escapar de seus pulmões. Sua bolsa de grife escorregou de seus dedos e caiu no chão com um baque surdo.

Não era um desconhecido. Não era um empresário velho, acima do peso e com cheiro de charuto.

Diante dela, com um sorriso que não chegava aos seus olhos cinzentos como gelo, estava o garoto que costumava podar as cercas vivas do labirinto de seu jardim dez anos atrás. O filho da cozinheira e do jardineiro. O garoto sujo e silencioso que ela e seus amigos haviam apelidado de "O Mudo".

- Dante... - sussurrou, com a incredulidade estrangulando sua garganta.

- Dante Volkov - corrigiu ele, caminhando ao redor da mesa com a graça predatória de um felino.

Ele já não usava os jeans rasgados nem as botas sujas de lama. Vestia um terno feito sob medida que custava mais do que o carro de Valeria. Seu cabelo preto, antes bagunçado e comprido, agora estava curto e penteado com precisão militar. Mas eram os olhos... aqueles olhos cinzentos continuavam os mesmos, embora agora brilhassem com uma inteligência letal e um ódio frio.

Ele parou a um metro dela, invadindo seu espaço pessoal. Cheirava a sândalo, a especiarias caras e a perigo.

- Você está pálida, princesa - disse ele, cuspindo o apelido com uma mistura de zombaria e veneno. - Esperava outra pessoa?

- Você... você é o dono de tudo isso - balbuciou Valeria, incapaz de ligar os pontos. Como o filho dos empregados domésticos havia se tornado o homem mais rico da cidade em uma década? - Você arruinou meu pai?

- Seu pai se arruinou sozinho - respondeu Dante, sem desviar o olhar dela. Seu olhar percorreu o corpo de Valeria de cima a baixo, detendo-se no terninho branco impecável, avaliando-a não como a uma mulher, mas como a uma mercadoria. - Eu apenas lhe dei a pá para que cavasse a própria cova.

Valeria recuou um passo, esbarrando em uma cadeira de design. O medo começou a substituir o choque. Se Dante era quem detinha a dívida... aquilo não era negócios. Era pessoal. Muito pessoal.

Ela se lembrou vagamente da última vez que o viu. Uma festa na piscina. Risadas cruéis. Ele saindo encharcado e humilhado da propriedade. Uma lembrança borrada que ela havia enterrado sob anos de privilégios.

- Dante, se isso é pelo que aconteceu quando éramos crianças... - começou ela, tentando recuperar a compostura.

Ele soltou uma gargalhada curta e sem humor que a cortou bruscamente.

- "O que aconteceu". Que maneira tão elegante de chamar isso - Dante se inclinou na direção dela, apoiando uma mão no encosto da cadeira, encurralando-a. - Você não está aqui para falar do passado, Valeria. Você está aqui porque seu pai a vendeu para salvar a própria pele.

- Vim para negociar - insistiu ela, embora sua voz soasse fraca até para os seus próprios ouvidos.

- Você não tem nada com que negociar - Dante se afastou e caminhou até sua mesa, pegando uma pasta de couro preto. Ele a jogou sobre a mesa, deslizando-a até ela. - Tudo o que você está vestindo, desde esses brincos de diamante até os sapatos, tecnicamente já é meu. Sua casa é minha. O sobrenome De la Vega não vale nem a tinta com a qual é impresso.

Ele se sentou em sua cadeira de couro, recostando-se com uma arrogância que fez o sangue de Valeria ferver.

- Sente-se - ordenou. Não foi um convite. Foi uma ordem.

Valeria hesitou por um segundo, mas suas pernas tremiam tanto que ela obedeceu, sentando-se na ponta da cadeira de frente para ele.

- Leia - disse Dante, apontando para a pasta. - E assine. Você tem cinco minutos antes que eu ligue para a polícia e mande seu pai para uma cela com assassinos e estupradores.

Valeria abriu a pasta. As letras dançavam diante de seus olhos.

Contrato de Cessão de Serviços e Confidencialidade.

Mas à medida que lia as cláusulas, a bile subia pela sua garganta.

Cláusula 4: Disponibilidade absoluta 24 horas por dia.

Cláusula 7: O empregador tem o direito de decidir a vestimenta, residência e agenda da funcionária.

Cláusula 12: Proibição total de contato com a mídia ou parceiros anteriores.

Ela ergueu o olhar, horrorizada.

- Isso é escravidão. É ilegal.

Dante deu de ombros, indiferente.

- É um acordo privado entre adultos. Se não gostar, a porta está aberta. Você pode ir embora. Mas se cruzar aquela soleira sem assinar, seu pai jantará na prisão esta noite.

Ele tirou uma caneta-tinteiro de ouro e a deixou sobre o papel. O som metálico ressoou como um tiro.

- Você decide, Valeria. Quanto vale o seu orgulho?

Valeria olhou para a caneta. Olhou para Dante, o garoto que um dia ignorou, agora transformado em seu carrasco. Entendeu então que não havia escapatória. Ele havia planejado isso durante anos. Cada detalhe. Cada humilhação.

Com a mão trêmula, ela pegou a caneta. A tinta preta fluiu sobre o papel, selando o seu destino.

Dante sorriu. E, pela primeira vez, Valeria viu o lobo mostrar os dentes.

- Bem-vinda ao meu mundo, Valeria - murmurou ele, guardando o contrato em uma gaveta. - Agora, levante-se. Você tem trabalho a fazer. E a primeira coisa é tirar essa roupa ridícula. Eu odeio branco.

Capítulo 3 O Contrato do Diabo

O som da gaveta se fechando foi definitivo, como o golpe de um juiz ditando a sentença.

Valeria soltou a caneta, sentindo que seus dedos estavam dormentes. Ela havia assinado. Havia vendido um ano de sua vida ao homem que a olhava do outro lado da mesa com uma satisfação predatória.

- Ótimo - disse Dante, sua voz desprovida de qualquer calor. - Agora que os trâmites legais estão resolvidos, vamos falar sobre as suas obrigações.

Ele se levantou de sua cadeira de couro e caminhou lentamente ao redor da mesa, parando bem na frente dela. Valeria se obrigou a não recuar, a manter o queixo erguido, embora por dentro estivesse tremendo.

- Sou sua assistente executiva - disse ela, agarrando-se à pouca dignidade profissional que lhe restava. - Organizarei sua agenda, filtrarei suas ligações e...

Dante soltou uma risada sombria, interrompendo-a.

- Assistente executiva? - repetiu ele, como se fosse a piada mais engraçada que já tinha ouvido. - Valeria, tenho três pessoas com mestrado em Harvard que brigam para me trazer o café. Não preciso de você para isso.

Ele se inclinou na direção dela, invadindo seu espaço pessoal até que Valeria pôde sentir a mistura inebriante de sua colônia cara e tabaco.

- Não te contratei por suas habilidades, princesa. Te contratei pelo seu sobrenome. E pela sua obediência.

Valeria franziu a testa.

- Então o que você espera que eu faça?

Dante começou a enumerar, marcando cada ponto com um dedo, dando um passo a mais a cada palavra.

- Primeiro: A sua agenda é a minha agenda. Se eu tiver uma reunião às três da manhã em Tóquio, você estará lá. Se eu decidir jantar à meia-noite, você me servirá o vinho. Não há horário de expediente. Não há fins de semana. O seu tempo me pertence.

Valeria engoliu em seco.

- Isso é ilegal. As leis trabalhistas...

- Você leu a Cláusula 4 - cortou ele. - Você renunciou aos seus direitos trabalhistas em troca da dívida do seu pai. Próximo ponto.

Dante contornou a cadeira onde ela estava sentada, sua mão roçando deliberadamente o ombro de Valeria. Ela ficou tensa com o contato, sentindo o calor da palma dele através do tecido de seu paletó.

- Segundo: A sua imagem. - Ele fez uma pausa, e Valeria sentiu o olhar dele percorrendo suas costas. - Esse terninho branco da Chanel... é ridículo. Você parece uma virgem sacrificada. E na minha empresa, a inocência é uma fraqueza.

- É um terno de grife - retrucou ela, ofendida.

- É uma fantasia - corrigiu ele em seu ouvido, provocando-lhe um calafrio. - A partir de amanhã, você usará o que eu disser. Meus alfaiates virão à cobertura logo cedo. Você jogará fora tudo o que trouxe. Roupa íntima, sapatos, vestidos. Tudo.

Valeria virou-se bruscamente para olhá-lo.

- Até a minha roupa íntima? Isso é pervertido!

Dante não se abalou. Seu rosto era uma máscara de pedra.

- É controle, Valeria. Quero que toda vez que você se vestir de manhã, lembre-se a quem pertence. Não quero ver nem um único fio da "velha" Valeria. Aquela garotinha mimada morreu no momento em que seu pai perdeu aquela aposta.

Ele se afastou e caminhou até uma mesa lateral onde havia uma jarra de água e vários dispositivos eletrônicos. Pegou um smartphone de última geração, preto e elegante, e o jogou no colo de Valeria.

- Terceiro: Comunicação. Me dê o seu telefone.

Valeria protegeu sua bolsa instintivamente.

- O quê? Não. Tenho meus contatos, minhas fotos, meus...

- Me dê - ordenou Dante, estendendo a mão com a palma aberta. Ele não gritou, mas a autoridade em sua voz era absoluta. - Ou o acordo está desfeito e eu ligo para a polícia agora mesmo.

Com os olhos cheios de lágrimas de raiva, Valeria pegou seu iPhone e o deixou cair na mão dele. Dante nem sequer olhou para o aparelho; deixou-o cair na lixeira de metal ao lado de sua mesa com um baque surdo.

- Esse - apontou ele para o telefone preto no colo dela - é o seu novo número. Só tem um contato salvo: Eu. Tem GPS ativado 24 horas por dia. Se você tentar sair da cidade, eu saberei. Se tentar ligar para a imprensa, eu saberei. Se tentar entrar em contato com seus velhos amiguinhos do clube de campo, eu os bloquearei.

Valeria olhou para o dispositivo preto como se fosse uma granada. Estava isolada. Completamente sozinha na toca do lobo.

- Por quê? - sussurrou ela, erguendo o olhar para ele. Seus olhos castanhos brilhavam com uma mistura de medo e desafio. - Por que está fazendo isso, Dante? Me odeia tanto assim porque não quis sair com você quando tinha dezesseis anos? É isso? Um ego ferido?

A temperatura na sala pareceu cair dez graus.

Dante se aproximou dela, desta vez rápido, encurralando-a entre seus braços e o encosto da cadeira. Apoiou as mãos nos braços da cadeira, prendendo-a. Seu rosto estava a centímetros do dela, e Valeria pôde ver uma tempestade em seus olhos cinzentos.

- Não se faça de ingênua, Valeria - rosnou ele, com uma intensidade que a deixou sem fôlego. - Não foi apenas uma "rejeição". Você e sua maldita família me trataram como lixo. Me humilharam. Me fizeram acreditar que eu não valia nada.

Fez uma pausa, respirando com dificuldade, como se estivesse contendo uma violência antiga.

- Agora, eu tenho o poder. E vou te ensinar como é a sensação de não ser ninguém. Você será a minha sombra, Valeria. Vai ver como eu comando o mundo enquanto você só pode olhar e obedecer. E quando o ano terminar... quando eu tiver te quebrado o suficiente... então, e só então, você poderá ir embora.

Ele se afastou bruscamente, como se a proximidade dela o queimasse. Ajeitou o paletó, recuperando sua frieza habitual em um instante.

- Vá para o elevador. Meu motorista a levará até a cobertura. Suas malas já estão lá.

Valeria se levantou, sentindo-se tonta.

- E você?

Dante sentou-se novamente atrás de sua mesa e abriu uma pasta, ignorando-a deliberadamente.

- Eu tenho trabalho. Não me espere acordada. Ah, e Valeria...

Ela parou na porta, com a mão na maçaneta de cristal.

- Não tente fugir - disse ele sem levantar o olhar. - Meus seguranças não são tão gentis quanto eu.

Valeria saiu da sala, sentindo que as paredes se fechavam sobre ela. Enquanto o elevador descia, ela se olhou no espelho de metal polido. Ainda usava seu terninho branco, mas já se sentia manchada.

A gaiola havia se fechado. E a chave estava no bolso de Dante Volkov.

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