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A Segunda Opção do Meu Marido

A Segunda Opção do Meu Marido

Autor:: Shu Da Xiao Jie
Gênero: Moderno
No terceiro aniversário do meu filho Lucas, o meu marido, Pedro, voltou a faltar. O bolo intacto na mesa e o olhar expectante do meu filho na porta eram a prova do vazio que nos consumia. Liguei-lhe, a chamada foi direta para o voicemail. A minha sogra, Helena, sentada no sofá, suspirou: "A Sofia não está bem. Ela precisa do Pedro. Tu e o Lucas podem aguentar-se sozinhos." Sofia. A irmã dele. A eterna "frágil" com dramas perpétuos. O Pedro, o seu cavaleiro andante. "O papá não gosta de mim, mamã?", a pergunta inocente do Lucas partiu-me o coração. A minha voz tremeu, mas a decisão estava tomada. Quando o Pedro finalmente apareceu, sem remorsos, veio acompanhado da sua indiferença e da acusação de que eu era "egoísta" por querer o meu marido no aniversário do nosso filho. Ele escolhia sempre a irmã. Sempre. A gota d'água foi quando o Lucas caiu na creche e bateu com a cabeça. Liguei ao Pedro e à Helena. Ninguém atendeu. Descobri que ambos estavam com a Sofia por causa de uma enxaqueca "terrível". O meu filho de três anos, magoado, foi menos importante que uma dor de cabeça. A raiva e a dor sufocaram-me. Eu não podia mais. "Quero o divórcio", disse eu, a minha voz firme como aço. Eles que me chamassem egoísta, sem coração. Eu estava farta de competir. Farta de ser a segunda opção. Esta batalha seria por e para o Lucas. Eu não iria recuar.

Introdução

No terceiro aniversário do meu filho Lucas, o meu marido, Pedro, voltou a faltar.

O bolo intacto na mesa e o olhar expectante do meu filho na porta eram a prova do vazio que nos consumia.

Liguei-lhe, a chamada foi direta para o voicemail.

A minha sogra, Helena, sentada no sofá, suspirou: "A Sofia não está bem. Ela precisa do Pedro. Tu e o Lucas podem aguentar-se sozinhos."

Sofia. A irmã dele. A eterna "frágil" com dramas perpétuos. O Pedro, o seu cavaleiro andante.

"O papá não gosta de mim, mamã?", a pergunta inocente do Lucas partiu-me o coração.

A minha voz tremeu, mas a decisão estava tomada.

Quando o Pedro finalmente apareceu, sem remorsos, veio acompanhado da sua indiferença e da acusação de que eu era "egoísta" por querer o meu marido no aniversário do nosso filho.

Ele escolhia sempre a irmã. Sempre.

A gota d'água foi quando o Lucas caiu na creche e bateu com a cabeça.

Liguei ao Pedro e à Helena. Ninguém atendeu.

Descobri que ambos estavam com a Sofia por causa de uma enxaqueca "terrível".

O meu filho de três anos, magoado, foi menos importante que uma dor de cabeça.

A raiva e a dor sufocaram-me. Eu não podia mais.

"Quero o divórcio", disse eu, a minha voz firme como aço.

Eles que me chamassem egoísta, sem coração.

Eu estava farta de competir.

Farta de ser a segunda opção.

Esta batalha seria por e para o Lucas.

Eu não iria recuar.

Capítulo 1

No dia em que o meu filho Lucas completou três anos, o meu marido, Pedro, não apareceu.

Liguei para ele, mas a chamada foi direta para o voicemail.

O bolo de aniversário com o tema de super-heróis estava na mesa, intacto.

Lucas, na sua pequena cadeira, olhava para a porta com os seus grandes olhos castanhos, à espera do pai.

A minha sogra, Helena, sentada no sofá, suspirou alto.

"Mariana, não precisavas de fazer tanto alarido. O Pedro está ocupado com coisas importantes."

"Coisas importantes?", perguntei, a minha voz a tremer um pouco. "Mais importantes que o aniversário do próprio filho?"

"A Sofia não está bem", disse ela, como se isso explicasse tudo. "Ela precisa do Pedro. Tu e o Lucas podem aguentar-se sozinhos."

Sofia. A irmã mais nova do Pedro. A menina dos olhos da família.

Ela tinha vinte e quatro anos, era saudável, mas vivia num estado de drama perpétuo. E o Pedro era sempre o seu cavaleiro andante.

"Ela teve uma pequena discussão com o namorado", continuou Helena, a inspecionar as unhas. "O Pedro foi consolá-la. Ele é um bom irmão."

Um bom irmão, mas um pai ausente. E um marido negligente.

Olhei para o Lucas. A sua pequena boca começou a tremer.

"O papá não vem?"

O meu coração partiu-se. Ajoelhei-me à sua frente e forcei um sorriso.

"O papá ficou preso no trabalho, meu amor. Mas nós vamos festejar, só nós os dois. Que tal?"

Lucas assentiu, mas a desilusão no seu rosto era evidente.

A minha decisão foi tomada naquele momento. Já não podia continuar assim.

"Helena, eu quero o divórcio", disse eu, com a voz firme.

Ela olhou para mim, chocada, e depois desatou a rir. Um riso frio e desdenhoso.

"Divórcio? Mariana, não sejas ridícula. O Pedro ama-te. Ele só está a passar por uma fase."

"Uma fase que já dura três anos?", retorqui. "Uma fase que o faz faltar a todos os momentos importantes da vida do nosso filho?"

"Tu és tão egoísta!", exclamou ela, levantando-se. "A Sofia precisa dele! Ela é frágil! Tu és forte, tens de compreender!"

Frágil? A Sofia passava os fins de semana a fazer caminhadas na montanha e a viajar pelo mundo. Eu não saía de casa há meses, exausta entre o trabalho e cuidar do Lucas.

"Eu compreendi durante demasiado tempo", disse eu, a minha voz a ganhar força. "Agora acabou. Quando o Pedro voltar, diga-lhe para falar com o meu advogado."

Peguei no Lucas ao colo, ignorei os protestos da minha sogra e fui para o quarto.

Fechei a porta e o som dos seus gritos ficou abafado.

Lucas enterrou o rosto no meu ombro e começou a chorar baixinho.

"O papá não gosta de mim, mamã?"

Abracei-o com força, o meu próprio corpo a tremer de raiva e tristeza.

"Claro que gosta, meu amor. O papá só está... confuso."

Mas as palavras soaram ocas até para mim. O Pedro não estava confuso. Ele tinha feito a sua escolha. E essa escolha não éramos nós.

Capítulo 2

Mais tarde nessa noite, depois de o Lucas finalmente adormecer, exausto de chorar, o Pedro chegou a casa.

Ele entrou no quarto sem fazer barulho, provavelmente a pensar que eu estava a dormir.

"Mariana?", sussurrou ele.

Sentei-me na cama. A luz do corredor iluminava a sua silhueta.

"Onde estiveste, Pedro?"

Ele suspirou, um som cansado e irritado.

"Já sabes onde estive. A minha mãe ligou-me. A Sofia precisava de mim."

"E o teu filho?", perguntei, a minha voz baixa e fria. "Ele também precisava de ti. Era o aniversário dele."

"Eu sei, e sinto muito", disse ele, mas o seu tom não tinha qualquer arrependimento. "Mas a Sofia estava num estado terrível. O Tiago terminou com ela. Tive de a levar a jantar fora para a animar."

Levar a jantar fora. Enquanto o seu filho de três anos esperava por ele em frente a um bolo que nunca foi cortado.

A raiva subiu pela minha garganta, quente e amarga.

"Tu não sentes nada, Pedro. Se sentisses, terias estado aqui."

Ele aproximou-se da cama, a sua voz a baixar para um tom supostamente conciliador.

"Mariana, não vamos discutir. Eu estou cansado. Tu estás cansada. Foi um dia difícil para todos."

"Para todos? O Lucas passou o dia a perguntar por ti. A tua mãe disse-me que eu sou egoísta por querer o meu marido no aniversário do nosso filho."

"A minha mãe exagera, tu sabes como ela é", disse ele, descartando as minhas preocupações. "E tu sabes como a Sofia é. Ela depende de mim."

"E nós? Eu e o Lucas? Não dependemos de ti? Ou a nossa dependência não é tão excitante como os dramas da tua irmã?"

Ele finalmente perdeu a paciência.

"Qual é o teu problema? A minha mãe disse que tu falaste em divórcio. Estás a falar a sério? Por causa disto? Vais deitar fora o nosso casamento por causa de um bolo de aniversário?"

"Não é por causa do bolo, Pedro. É por causa de tudo o que ele representa. É por causa de todos os momentos que perdeste. É por estares sempre a escolher a tua família de origem em vez da família que criaste comigo."

"Eles são a minha família!", gritou ele, agora em voz alta.

"E eu, o que sou? O que é o Lucas? Um inconveniente?"

Ele passou as mãos pelo cabelo, frustrado.

"Claro que não! Eu amo-vos! Mas não podes pedir-me para virar as costas à minha irmã quando ela precisa de mim!"

"Ninguém te pediu para lhe virares as costas. Pedi-te para estabeleceres prioridades. E hoje, a tua prioridade deveria ter sido o teu filho."

Ele ficou em silêncio por um longo momento.

"A minha mãe tem razão", disse ele finalmente, a sua voz cheia de ressentimento. "Tu tornaste-te amarga e exigente."

Com isso, ele virou-se, saiu do quarto e fechou a porta com força.

Ouvi-o a ir para o quarto de hóspedes.

Fiquei sentada no escuro, o coração a bater descontroladamente. Era o fim. Eu sabia disso. E, por mais que doesse, também senti um estranho alívio.

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