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A Sertaneja Que Calou a Elite

A Sertaneja Que Calou a Elite

Autor:: Sue Stigler
Gênero: Romance
A liberdade da dança era tudo para mim naquele caloroso São João. Mas uma bebida envenenada transformou meu sonho em pesadelo. Drogada e desorientada, agarrei-me ao homem errado, o arrogante e frio Rafael, buscando salvação. Em vez disso, recebi seu desprezo. Pouco depois, fui arrancada do meu sertão, jogada em um mundo de luxo que não me pertencia: a mansão da minha família biológica em São Paulo. Ali, minha "irmã" Isabella e minha "tia" Clara me aguardavam, prontas para me destruir. Fui rotulada de "sertaneja vulgar", humilhada publicamente e acusada de tentar seduzir Rafael. Meu noivado foi desfeito, minha reputação manchada. Estava sozinha, cercada de inimigos. Como sobreviver em uma jaula de ouro que me sufocava, onde cada passo era vigiado? Minha única fuga era um fórum online, onde, como "Flor de Mandacaru", encontrei um refúgio intelectual. Lá, minha alma se conectou com "ObservadorUrbano", um homem cuja mente me fascinava, mas escondia um segredo devastador... Nosso encontro foi um choque: ele era o mesmo Rafael que me desprezava! Mas não me curvaria. Minha dança apaixonada, minha inteligência afiada e a verdade seriam minhas armas. Lutarei não só pela minha reputação, mas para desmascarar as mentiras e, talvez, transformar o desprezo de um homem em algo mais profundo. Será que uma flor do sertão pode florescer na mais inóspita das terras?

Introdução

A liberdade da dança era tudo para mim naquele caloroso São João.

Mas uma bebida envenenada transformou meu sonho em pesadelo.

Drogada e desorientada, agarrei-me ao homem errado, o arrogante e frio Rafael, buscando salvação.

Em vez disso, recebi seu desprezo.

Pouco depois, fui arrancada do meu sertão, jogada em um mundo de luxo que não me pertencia: a mansão da minha família biológica em São Paulo.

Ali, minha "irmã" Isabella e minha "tia" Clara me aguardavam, prontas para me destruir.

Fui rotulada de "sertaneja vulgar", humilhada publicamente e acusada de tentar seduzir Rafael.

Meu noivado foi desfeito, minha reputação manchada.

Estava sozinha, cercada de inimigos.

Como sobreviver em uma jaula de ouro que me sufocava, onde cada passo era vigiado?

Minha única fuga era um fórum online, onde, como "Flor de Mandacaru", encontrei um refúgio intelectual.

Lá, minha alma se conectou com "ObservadorUrbano", um homem cuja mente me fascinava, mas escondia um segredo devastador...

Nosso encontro foi um choque: ele era o mesmo Rafael que me desprezava!

Mas não me curvaria.

Minha dança apaixonada, minha inteligência afiada e a verdade seriam minhas armas.

Lutarei não só pela minha reputação, mas para desmascarar as mentiras e, talvez, transformar o desprezo de um homem em algo mais profundo.

Será que uma flor do sertão pode florescer na mais inóspita das terras?

Capítulo 1

O calor da noite de São João era denso, pesado com o cheiro de milho assado e a poeira levantada pelos pés dançantes. O som da sanfona, do triângulo e da zabumba ditava o ritmo dos corações na pequena cidade do sertão. Eu estava no meu elemento, girando no meio do povo, sentindo a música como uma segunda pele. Era a minha liberdade.

Um conhecido da cidade, um homem que sempre me olhava de um jeito que me dava arrepios, aproximou-se com um copo na mão.

"Uma bebida para a melhor dançarina da festa, Sofia."

Eu hesitei, mas a sede era grande e a recusa seria vista como grosseria. Agradeci e bebi um gole generoso. Foi um erro.

Minutos depois, o mundo começou a girar. O calor aumentou, uma febre estranha subindo pela minha pele. O rosto do homem tornou-se predador. O seu sorriso era um convite para algo que eu não queria. O pânico subiu pela minha garganta.

Precisei de fugir.

Corri para longe da luz e da música, procurando um canto escuro para recuperar o fôlego e a clareza. As minhas pernas estavam fracas. A minha cabeça latejava. Tropecei e caí contra algo duro, firme. Uma muralha humana.

"Cuidado."

A voz era fria, cortante como uma faca no ar quente da noite. Olhei para cima. A minha visão estava turva, mas consegui distinguir uma silhueta alta, imponente. Um homem de roupas caras que não pertenciam àquele lugar. No meu estado de confusão, o seu rosto misturou-se com o do meu assediador.

O desespero tomou conta de mim. Agi por puro instinto.

Agarrei-me à sua camisa, o tecido fino e caro amassando-se sob os meus dedos.

"Não me deixes", murmurei, a voz pastosa. "Fica comigo."

Ele enrijeceu completamente, o corpo tenso como uma corda de violão.

"Solte-me."

A sua repulsa era palpável, uma onda de gelo que me atingiu mesmo através da névoa da droga. Mas eu não conseguia. Na minha mente confusa, ele era a minha única segurança. Inclinei-me para a frente, tentando beijá-lo, procurando um porto seguro no meio da tempestade que se formava dentro de mim.

Ele virou o rosto bruscamente, o seu maxilar tenso.

"O que pensa que está a fazer?"

A sua mão agarrou o meu braço, não com violência, mas com uma força contida que me afastou. O seu olhar era de puro desprezo. Ele via uma rapariga vulgar, uma sertaneja atrevida a tentar a sua sorte.

Nesse momento, uma vizinha, Dona Elza, encontrou-me.

"Sofia, minha filha! O que aconteceu?"

Ao ver outra pessoa, o homem soltou-me como se eu queimasse. Ele olhou para a minha roupa simples, para os meus pés descalços sujos de terra, e depois para Dona Elza. O seu julgamento estava estampado no seu rosto.

Sem dizer mais uma palavra, ele deu-me as costas e desapareceu na escuridão, deixando para trás apenas o eco da sua voz fria e o peso da sua repulsa.

Capítulo 2

Duas semanas depois, o sertão ficou para trás. A poeira vermelha foi trocada pelo cinza de São Paulo. Eu estava numa mansão que mais parecia um museu, fria e silenciosa, diante da família que me tinha sido tirada no nascimento.

Meus pais biológicos, Seu Afonso e Dona Lúcia, olhavam para mim com uma mistura de curiosidade e constrangimento. Ao lado deles, a minha "irmã", Isabella, a rapariga que viveu a minha vida, sorria de forma doce, mas os seus olhos eram duros. E a Tia Clara, uma mulher de rosto amargo, analisava-me de cima a baixo com um desprezo mal disfarçado.

"Então esta é ela", disse Tia Clara, a voz fina e cortante. "Direto da roça."

Isabella colocou uma mão no braço da tia, um gesto de falsa repreensão.

"Tia, por favor. Ela é minha irmã."

Mas o seu olhar dizia o contrário. Ela saboreava cada segundo da minha humilhação.

Naquela noite, houve um jantar. Lucas, o primo de Rafael e meu noivo por um arranjo familiar que eu mal entendia, estava lá. Ele era bonito, rico e superficial.

Isabella, com a sua voz melodiosa, contou uma versão distorcida da noite da festa de São João.

"Coitadinha da Sofia, ela não está habituada à cidade grande. Na sua terra, as pessoas são mais... expansivas. Ela agarrou-se a um empresário importante, um homem muito sério, e tentou beijá-lo à força. Foi uma cena tão embaraçosa."

Lucas olhou para mim, o sorriso a desaparecer do seu rosto. O seu olhar tornou-se frio.

"É verdade isso, Sofia?"

Eu abri a boca para me defender, para explicar que estava drogada, mas as palavras não saíram. Quem acreditaria em mim? Na "sertaneja vulgar"?

Lucas levantou-se, ajeitando o seu fato caro.

"Acho que este noivado foi um erro. A nossa família não pode estar associada a este tipo de... comportamento."

Ele saiu sem olhar para trás. A sala ficou em silêncio. Dona Lúcia, minha mãe, tinha lágrimas nos olhos, mas não de pena por mim, e sim de vergonha. Seu Afonso parecia uma estátua.

Isabella e Tia Clara trocaram um olhar de triunfo. A primeira batalha tinha sido vencida por elas.

Eu estava sozinha, numa gaiola de ouro, com inimigos por todos os lados.

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