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A Sobremesa Amarga do Amor

A Sobremesa Amarga do Amor

Autor:: Mila
Gênero: Romance
A noite da minha vida. Meu "Coração de Rubi" eleito a melhor sobremesa do ano. Gabriel, meu namorado e ídolo nacional do futebol, ajoelhou-se no palco, o anel brilhando. O momento que esperei por anos. Mas então, o sorriso dele se transformou em escárnio. "Eu gostaria de agradecer à Sofia", sua voz carregada de nojo, "por ser uma substituta tão maravilhosa." Minha mente se esvaziou. Ele se levantou, me descartando como lixo, para estender a mão para Isabella, a ex-modelo deslumbrante. "Isabella e eu vamos nos casar", ele anunciou ao mundo. "Este noivado com a Sofia foi uma ideia genial para despistar a mídia." A humilhação me atingiu como um golpe físico. Corri para casa, mas o apartamento estava impregnado do perfume dela. Na nossa cama, o batom vermelho dela. A náusea me sufocou. Então, encontrei a câmera de segurança. Vi Gabriel e Isabella no meu quarto, rindo de mim. "Ela é tão ingênua, acredita em tudo que eu digo", ouvi a voz dele. Fui apenas uma piada, um disfarce conveniente. A raiva gelada substituiu a dor. Não ia mais chorar. Peguei o celular. "Eu quero ir para a Europa. Agora." Candice, minha gerente e amiga, não hesitou: "Deixa comigo. Arrume suas coisas." Estava pronta. Pronta para deixar tudo para trás.

Introdução

A noite da minha vida. Meu "Coração de Rubi" eleito a melhor sobremesa do ano.

Gabriel, meu namorado e ídolo nacional do futebol, ajoelhou-se no palco, o anel brilhando. O momento que esperei por anos.

Mas então, o sorriso dele se transformou em escárnio.

"Eu gostaria de agradecer à Sofia", sua voz carregada de nojo, "por ser uma substituta tão maravilhosa."

Minha mente se esvaziou. Ele se levantou, me descartando como lixo, para estender a mão para Isabella, a ex-modelo deslumbrante.

"Isabella e eu vamos nos casar", ele anunciou ao mundo. "Este noivado com a Sofia foi uma ideia genial para despistar a mídia."

A humilhação me atingiu como um golpe físico. Corri para casa, mas o apartamento estava impregnado do perfume dela.

Na nossa cama, o batom vermelho dela. A náusea me sufocou.

Então, encontrei a câmera de segurança. Vi Gabriel e Isabella no meu quarto, rindo de mim.

"Ela é tão ingênua, acredita em tudo que eu digo", ouvi a voz dele.

Fui apenas uma piada, um disfarce conveniente. A raiva gelada substituiu a dor. Não ia mais chorar.

Peguei o celular. "Eu quero ir para a Europa. Agora."

Candice, minha gerente e amiga, não hesitou: "Deixa comigo. Arrume suas coisas."

Estava pronta. Pronta para deixar tudo para trás.

Capítulo 1

O restaurante estava lotado, o zumbido de conversas animadas e o tilintar de talheres criavam uma sinfonia de celebração. Sofia, com seu impecável dólmã branco, sentia o coração bater forte no peito, uma mistura de ansiedade e felicidade. Esta noite era sobre ela, sua conquista. A sobremesa que ela criou, "Coração de Rubi", tinha acabado de ser eleita a melhor do ano pela mais prestigiada revista de gastronomia do país.

Mas a noite era sobre algo mais. Gabriel, seu namorado desde a adolescência, o famoso jogador de futebol, estava ali. Ele raramente aparecia em seus eventos, sempre ocupado com treinos ou jogos, mas hoje ele estava presente, sentado na primeira fila, sorrindo para ela. Ele prometeu que esta noite seria inesquecível.

Depois do discurso de agradecimento, onde Sofia mal conseguiu conter as lágrimas de alegria, Gabriel subiu ao palco. O murmúrio na plateia aumentou, câmeras de celulares se ergueram como um mar de vaga-lumes.

Ele pegou o microfone, o sorriso em seu rosto era radiante, o mesmo sorriso que fazia milhões de fãs suspirarem.

"Sofia e eu estamos juntos há muito tempo," ele começou, sua voz ressoando pelo salão. "Ela é a mulher mais doce, mais dedicada que eu conheço. E esta noite, enquanto ela celebra seu sucesso, eu quero celebrar o nosso futuro."

O ar ficou rarefeito. Sofia prendeu a respiração. Era isso. O momento que ela esperou por anos.

Gabriel se ajoelhou.

Um suspiro coletivo percorreu o restaurante. Ele tirou uma pequena caixa de veludo do bolso.

"Sofia," ele disse, olhando em seus olhos.

As lágrimas de Sofia agora eram de pura felicidade. Ela assentiu, incapaz de falar.

Ele abriu a caixa, revelando um anel de diamante que brilhou sob as luzes. Mas então, seu sorriso mudou. Tornou-se algo frio, cortante.

"Eu gostaria de agradecer a Sofia," ele continuou, sua voz agora com um tom de escárnio que só ela pareceu notar no início. "Por ser uma substituta tão maravilhosa."

O quê? A mente de Sofia ficou em branco.

Ele se levantou, sem colocar o anel em seu dedo. Ele se virou para a plateia, que agora estava em silêncio, confusa.

"Vocês veem, enquanto Sofia estava ocupada fazendo seus doces, eu estava ocupado amando outra mulher. A verdadeira paixão da minha vida."

Ele estendeu a mão para uma mesa no canto escuro do salão. As câmeras se viraram. De lá, Isabella, uma ex-modelo deslumbrante, se levantou e caminhou em direção ao palco, um sorriso vitorioso no rosto. Ela usava um vestido vermelho que abraçava cada curva de seu corpo.

"Isabella e eu vamos nos casar," Gabriel anunciou, colocando o braço ao redor da cintura dela. "Na verdade, este noivado com a Sofia foi uma ideia genial para despistar a mídia. Obrigado a todos por participarem da nossa pequena farsa."

A humilhação atingiu Sofia como uma força física. O ar foi arrancado de seus pulmões. O zumbido em seus ouvidos era ensurdecedor. Ela olhou para a multidão, para os rostos chocados, os celulares agora gravando seu colapso. Ela sentiu o mundo inteiro desmoronar sob seus pés. Sem pensar, ela se virou e correu, empurrando as pessoas para fora de seu caminho, fugindo do palco, do restaurante, de sua vida em ruínas.

Ela correu pelas ruas, a chuva fina começando a cair, misturando-se com suas lágrimas. Ela não sabia para onde estava indo, apenas sabia que precisava fugir. Ela acabou na porta do apartamento que dividia com Gabriel, o lugar que ela chamava de lar. Suas mãos tremiam tanto que ela mal conseguiu colocar a chave na fechadura.

A primeira coisa que a atingiu foi o cheiro. Um perfume floral, doce e enjoativo, que não era o dela. Era o perfume de Isabella. O cheiro estava por toda parte, impregnado no sofá, nas cortinas.

Com o coração pesado, ela caminhou até o quarto. A cama, a cama deles, estava desfeita. Lençóis de seda, que ela nunca tinha visto antes, estavam amarrotados. Sobre o travesseiro do lado de Gabriel, havia uma mancha de batom vermelho vivo. O mesmo tom que Isabella usava.

A náusea subiu por sua garganta. Ela correu para o banheiro e vomitou, o corpo tremendo incontrolavelmente. A dor da traição era uma ferida aberta, crua. Não era apenas uma traição, era um plano elaborado, uma humilhação pública calculada.

Sentada no chão frio do banheiro, ela começou a juntar as peças. As viagens "de negócios" de Gabriel, suas ausências constantes, os presentes caros que apareciam e ele dizia que eram de patrocinadores. Tudo fazia sentido agora, um quebra-cabeça doentio de mentiras. Ele nunca a amou. Ela era apenas uma fachada, um disfarce conveniente para proteger sua imagem pública enquanto ele vivia seu "verdadeiro amor".

Uma raiva fria começou a substituir o choque. Ela não ia ficar ali, chorando em meio à sujeira da traição deles. Ela se levantou, o rosto manchado de lágrimas, mas com uma nova determinação nos olhos. Ela precisava sair. Sair de verdade.

Ela pegou o celular e discou o número de sua gerente, Candice. Candice não era apenas sua gerente, era a única pessoa que sempre acreditou em seu talento, sua mentora e amiga.

"Sofia? O que aconteceu? Meu telefone não para de tocar, as notícias..."

"Candice," Sofia a interrompeu, a voz rouca. "Você se lembra daquela proposta da academia de Paris? Aquela vaga para o curso de especialização?"

Houve uma pausa do outro lado da linha. "Sim, eu lembro. Sofia, você está bem?"

"Eu quero ir," disse Sofia, com uma firmeza que surpreendeu a si mesma. "Eu quero ir para a Europa. Agora."

Candice não hesitou. "Deixa comigo. Arrume suas coisas. Eu cuido do resto."

Desligando o telefone, Sofia sentiu uma pequena faísca de esperança. Paris. Um novo começo. Longe de Gabriel, longe de tudo isso.

Ela começou a fazer as malas, jogando suas roupas de qualquer maneira dentro da mala. Seu olhar caiu sobre a moldura digital na mesa de cabeceira, que passava fotos felizes do casal. Ela a pegou e a jogou contra a parede. O vidro se estilhaçou, o som ecoando no silêncio do apartamento.

Ela estava prestes a sair do quarto quando algo chamou sua atenção. Um pequeno dispositivo piscando sob a cômoda. Era uma câmera de segurança. Gabriel a instalou semanas atrás, dizendo que era para a segurança deles. Ele disse que ela poderia acessar as imagens pelo tablet dele.

Movida por um impulso sombrio, ela pegou o tablet. Com os dedos trêmulos, abriu o aplicativo da câmera. Ela rolou para trás, para os dias em que ela estava trabalhando até tarde em sua confeitaria.

As imagens que ela viu a quebraram em um milhão de pedaços.

Lá estava Gabriel, trazendo Isabella para o quarto deles. Eles riam, se beijavam na cama dela. Em uma gravação, Isabella pegou um dos vestidos de Sofia do armário.

"Nossa, ela realmente acha que esse estilo combina com você?", Isabella zombou, segurando o vestido contra o próprio corpo. "Tão sem graça. Tão... Sofia."

Gabriel riu. "É por isso que ela é o disfarce perfeito. Ninguém nunca suspeitaria. Ela é tão ingênua, acredita em tudo que eu digo."

Ele a puxou para a cama. "Agora, esqueça ela. Vamos falar sobre o nosso casamento de verdade."

Sofia deixou o tablet cair no chão. O som da voz dele, o desprezo, a crueldade casual. Ela não era apenas uma substituta, ela era uma piada para eles. Todo o seu amor, sua dedicação, sua vida inteira com ele, era uma mentira que eles contavam rindo.

Ela fechou a mala. Não havia mais lágrimas. Apenas um vazio gelado e uma determinação de ferro. Ela não ia apenas fugir. Ela ia se reerguer. E um dia, ele se arrependeria.

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Capítulo 2

O som da porta da frente se abrindo com força fez Sofia pular. Ela estava na sala de estar, com a mala ao seu lado, esperando o carro que Candice havia chamado.

Gabriel entrou, o rosto uma máscara de fúria. Isabella o seguia, parecendo irritada, mas ainda com um ar de superioridade.

"O que você pensa que está fazendo?", ele gritou, apontando para a mala. "Indo a algum lugar?"

Sofia o encarou, o coração martelando contra as costelas, mas ela se recusou a demonstrar medo. "Estou indo embora, Gabriel."

"Você não vai a lugar nenhum," ele rosnou, dando um passo em sua direção.

Isabella interveio, colocando a mão no peito dele. "Querido, se acalme. Ela só está fazendo uma cena." Ela olhou para Sofia com desprezo. "Sempre tão dramática."

A calma de Isabella só serviu para alimentar a raiva de Gabriel. "Você viu o que você fez? Os repórteres estão lá fora como abutres! Você arruinou tudo!"

"Eu arruinei?", Sofia riu, um som amargo e sem alegria. "Você me humilhou na frente do mundo inteiro, transformou meu maior triunfo na minha maior vergonha, e eu sou a culpada?"

"Você fugiu como uma criança! Se você tivesse ficado lá, sorrido e fingido, poderíamos ter controlado a situação!", ele gritou.

"Fingido? Fingir que meu coração não foi arrancado do peito e pisoteado por você e sua amante?", a voz de Sofia tremia de raiva. "Eu vi as câmeras, Gabriel. Eu vi vocês dois na nossa cama, rindo de mim."

O rosto de Gabriel empalideceu por um momento, mas a raiva voltou rapidamente. Isabella, por outro lado, parecia se divertir.

"Ah, você viu isso?", ela disse com um sorriso malicioso. "Pelo menos a cama dela serviu para alguma coisa útil."

"Cala a boca, Isabella!", Gabriel ordenou, mas sem convicção. Ele se virou para Sofia. "Você não tinha o direito de olhar isso."

"Eu não tinha o direito?", Sofia deu um passo à frente, a dor se transformando em fúria. "Esta é a minha casa! Aquele era o meu quarto! Aquela era a minha vida que vocês transformaram em um circo!"

Ela tentou passar por ele, para pegar sua mala, mas ele a agarrou pelo braço, com força.

"Você não vai sair daqui e piorar as coisas," ele disse entredentes, o aperto machucando.

"Me solta!", ela gritou, tentando se livrar dele.

Em um acesso de raiva cega, Gabriel a empurrou. Sofia perdeu o equilíbrio e caiu para trás, batendo a cabeça na quina da mesinha de centro. Uma dor aguda explodiu em sua cabeça, e o mundo girou por um segundo.

"Gabriel!", Isabella exclamou, mas seu tom era mais de repreensão do que de preocupação com Sofia. "Cuidado, você pode se machucar!"

Sofia levou a mão à parte de trás da cabeça, sentindo algo úmido e pegajoso. Sangue. Ela olhou para os dedos, para o vermelho vivo manchando sua pele. O choque da dor física a trouxe de volta à realidade.

Gabriel olhou para o sangue na mão dela, seus olhos se arregalando. Por um instante, pareceu haver um lampejo de remorso. Mas desapareceu tão rápido quanto veio.

Isabella se aproximou de Sofia, que ainda estava no chão, atordoada. Ela se agachou, o sorriso de escárnio de volta ao rosto.

"Oh, coitadinha," ela sussurrou, para que só Sofia pudesse ouvir. "Será que o grande jogador de futebol vai ser cancelado por machucar sua ex-namorada patética? Não se preocupe, eu vou cuidar dele."

A provocação de Isabella foi a gota d'água. Gabriel, em vez de ajudar Sofia, virou-se para Isabella. "Vamos sair daqui. Não podemos ser vistos com ela assim."

Ele puxou Isabella em direção à porta. Sofia olhou para ele, incrédula.

"Você vai simplesmente me deixar aqui?", sua voz era um sussurro rouco. "Assim?"

Gabriel parou na porta, mas não se virou. Sua voz era fria, desprovida de qualquer emoção.

"Você sempre foi muito emotiva, Sofia. É por isso que nunca daria certo entre nós. Eu preciso de alguém forte, como a Isabella. Alguém que entenda o jogo."

O jogo. Então era isso que a vida deles tinha sido para ele. Um jogo.

"Você me prometeu," Sofia disse, as palavras saindo com dificuldade. As lembranças a inundaram. Gabriel, com dezoito anos, prometendo que eles construiriam um futuro juntos. Gabriel, depois de seu primeiro grande contrato, dizendo que nada mudaria entre eles. Promessas. Todas vazias.

"As pessoas mudam, Sofia," ele disse, sua voz dura. "Eu mudei. Você não."

Ele abriu a porta. A luz dos flashes dos paparazzi do lado de fora inundou a sala por um instante.

"Adeus, Sofia," ele disse, sem olhar para trás.

Ele e Isabella saíram, fechando a porta atrás deles, deixando Sofia sozinha no chão, sangrando, em meio aos destroços de sua vida. O som da porta se fechando foi o som mais final e desolador que ela já tinha ouvido. Era o fim. O fim de tudo que ela conhecia e amava. A solidão a envolveu como um manto frio e pesado. Naquele momento, ela percebeu que estava completamente, terrivelmente sozinha.

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