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A Suprema Alfa

A Suprema Alfa

Autor:: Augusta Andrade
Gênero: Lobisomem
Livro II da Saga Lua De Sangue: Luz Dos Teus Olhos Vermelhos JÁ DISPONÍVEL! . "Minha vida virou de cabeça para baixo quando a demônia fugiu... Eu sabia que ela não sentia minha falta com eu sentia a dela, a Karolina me via apenas como seu pior inimigo, enquanto ela é tudo para mim... Cogitei me matar com um golpe da minha espada... E assim a Karolina sinta um pouco de compaixão por mim enquanto eu vou para o inferno. O meu amor egoísta e doentio não correspondido um dia vai ser meu fim." 🌔Karolina é uma loba escrava que foi forçada a trabalhar e servir ao Alfa de uma alcateia, cansada de ser humilhada e sofrer violência por anos, ela resolve fugir, não antes de perceber sentimentos diferentes do Alfa que sempre a tratou mal, durante sua jornada, a loba conhece várias pessoas que poderão desencadear amor, raiva ou amizade, entre elas há um vampiro misterioso e Alfa da alcateia inimiga, enquanto ela percebe que sua vida foi feita com um propósito bem maior e mais sombrio que ela, uma simples escrava, poderia imaginar.🌖 Alerta de Gatilhos: Violência, sexo explícito, lutas sangrentas e mortes.

Capítulo 1 A Escrava do Alfa

– ACORDA! – Escuto um dos lobos soldados me chamar pela porta do porão após eu despertar de mais um dos meus pesadelos com a aquela que eu orava e era devota, a Deusa da Lua, que de boa não tem nada. Suspiro e me levanto do resto de colchão que estava dormindo, sentindo algumas dores no corpo devido à fraqueza e ao cansaço. – Já escureceu e você ainda está dormindo? – Os lobos são noturnos, então dormimos durante o dia e à noite ficamos acordados. - PREGUIÇOSA! – Ouço aquele cão sem dono esbravejando e batendo na porta.

– DESTRANQUE A PORTA, PRIMEIRO PARA QUE EU POSSA SAIR, SEU RETARDADO! – Grito dentro do meu "quarto do castigo" já sem paciência, e meus "amiguinhos", os ratos e as baratas, se escondem.

Logo, a porta abre bruscamente e o cão sem dono aparece fervendo de raiva. Ele parece um brutamonte com uma cicatriz que começa na testa e passa pelo olho esquerdo até o meio da bochecha de uma briga que teve com lobos de outra alcateia que quase o deixa cego, o peito estava descoberto era musculoso e cheio de cabelos que iam até a virilha coberta com uma calça de couro e de botas pesadas. Algumas lobas da nossa alcateia adoravam aquela brutalidade dele, mas quem ia pra cama com esse homem se arrependia por causa da violência, Bruthus, como o nome já indica, é violento, às vezes bate até a loba perder a consciência, sua própria companheira fugiu, e agora ele é um cão sem dono.

Ele me pega pela garganta e aperta, me batendo contra parede e me deixando sem ar. – Está pensando que é quem para falar desse jeito comigo? Puta!

Puta... Odeio esse nome! Sempre me chamam assim.

– Não se esqueça de que você não passa de uma escrava do Alfa, de uma putinha! Quer ficar aqui mais alguns dias? Se bem que aqui é o lugar ideal para você, na podridão, assim como você é: podre! – Já estava ficando sem ar, queria revidar, mas não podia, não posso, pois eles sabem minha fraqueza e usam isso para que possam me controlar, me deixar submissa.

INFERNO DE VIDA!

Quando eu já estava quase inconsciente, ele me solta, caio no chão e levo um chute na barriga.

– Vamos! Levanta! O Alfa quer te ver. – Mesmo fraca por causa da pouca comida que quase não recebi durante três dias nesse porão (cativeiro), tossindo sem parar e dolorida, eu me levanto e sigo-o.

A alcateia está sendo iluminada por tochas, as casas são feitas de pedras, algo bem rústico, ela era limpa e organizada, pois os lobos adoram limpeza, por isso que meu "quarto do castigo" é bastante imundo, uma maneira que o Alfa tem de me humilhar quando eu faço algo que o desagrada, meu último castigo foi ter dito para uma filhote, da qual mexeu com quem não devia, que eu estava vendo um vampiro na floresta e ele queria sugar o sangue dela, a peste ficou com tanto medo que teve pesadelos e contou para sua mãe quem disse isso e, claro, fui castigada.

Quando entro no salão principal (onde a alta sociedade se reúne) sou direcionada para uma sala específica, a maior de todas, a sala do Alfa. Suspiro, baixo a cabeça e entro. Mesmo de cabeça baixa eu o sinto me encarando do outro lado da mesa, ouço passos dele dando a volta e ficando na minha frente, ainda de cabeça baixa vejo suas botas de couro bem trabalhadas, até que sinto suas garras no meu queixo forçando minha cabeça a levantar.

O Poderoso Alfa da nossa alcateia, o mais forte e mais temido dessa aldeia, abaixo dele, a segunda no comando, está a Luna, pois as fêmeas sempre estão abaixo dos seus companheiros machos na nossa hierarquia. Ele está todo coberto com um manto marrom escuro, mas há uma pequena gola aberta que vai até quase o meio do peito mostrando um pouco de seus músculos e alguns cabelinhos saem de lá, as mangas que cobrem os braços parecem que vão rasgar por causa dos músculos, o corpo não é tão grande quanto o de Bruthus mas sua áurea mostra que ele é mais poderoso que o cão sem dono. Quando olho pra cima vejo seus olhos castanho-claros me encarando com arrogância, barba por fazer, cabelos loiros bagunçados e pele clara, a masculinidade exala nele.

– Você está fedendo. – É a primeira coisa que o cretino diz.

– Está mais magra... Não está tão bonita assim, Karolina. – Como eu poderia estar bem depois de ficar dias trancafiada naquele porão imundo e sem comida?

– Desculpa, meu Alfa. – Respondo, não quero desafiá-lo, não enquanto ele usa minha fraqueza contra mim.

– Parece que aprendeu a se comportar, esses três dias foram o suficiente ou precisa de mais? – Meu coração acelera só de pensar em ficar mais tempo no cativeiro e longe dela.

– E-Eu aprendi meu erro, meu Senhor, prometo que não irá mais se repetir... – Engulo o nó na garganta.

– Assim espero, Karolina. – Ele solta meu queixo e caminha de volta para sua cadeira atrás da mesa. – Vá, tome um banho que esse cheiro está me deixando enjoado e prepare minha janta, estarei esperando você no "nosso quarto". – Me estremeço quando escuto essa palavra, a noite vai ser longa...

– Vamos, menina, apresse-se, não deixe o Alfa esperar muito tempo! – A dona Tâmara fala me ajudando com a janta do digníssimo. Algumas escravas, as que não tentam agradar seus senhores e senhoras para terem benefícios, ou que são consideradas feias e velhas o suficiente que não chamam atenção de um lobo tarado são, portanto, gentis comigo, me tratam com respeito, uma delas é a dona Tâmara.

– Calma! Não me apresse! – Falo enquanto belisco algo.

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Em frente à porta do "nosso quarto", deixo a bandeja na mesinha ao lado, na varanda, e bato na porta para ter permissão de entrar, ele aparece já zangado, pois o deixei esperando um pouco, mesmo assim me deixa entrar.

– Desculpe o atraso, senhor. – Digo depositando a comida na mesa de madeira que fica do lado esquerdo enquanto uma cama de casal fica do lado direito.

Após sua refeição e de me advertir por ter me atrasado alguns minutos, ele se levanta e vem até o canto onde estou de cabeça baixa, levanta minha cabeça e suas garras apertam meu maxilar.

– Karolina, eu deveria matá-la pela sua audácia, ou cortar sua língua por falar demais, até os meus Bethas você desafia...! – Ele deve estar falando do que ocorreu no porão, aquele cão sem dono do Bruthus, fuxiqueiro! – Não vai dizer nada?

– Des-desculpe, senhor.

– É só isso que você sempre tem para me dizer? Não sei quantas vezes você já me pediu desculpas e logo em seguida grita com alguém, bate em alguém e até xinga, ameaça, até mesmo uma filhote você ameaçou. – Tenho vontade de revirar os olhos quando ele fala dessa pirralha pulguenta, mas permaneço neutra e continuo o encarando. Ele tira a mão do meu maxilar e vai para o meu cabelo que está preso em um coque e com uma das suas garras ele desamarra deixando o cabelo cair até a cintura, então o lobo pega uma das mechas e cheira. Os olhos dourados dele começam a brilhar, logo eu entendo o que significa... desejo.

Ele pega meu cabelo atrás da cabeça com força, envolve seu antebraço na minha cintura e me puxa com força contra seu corpo.

– Karolina, sua desgraçada! Você é uma praga nessa aldeia! A pior escrava que já comprei! Desobediente, que não quer se submeter aos habitantes daqui, desgraçada! – Ele toma minha boca com a ferocidade de um lobo faminto e força passagem, com isso me beija, desce a mão que estava na minha cintura para a bunda e morde meus lábios com força me fazendo gritar e empurrá-lo.

– Fique quietinha se não quiser apanhar... – Obedeço. Então, com suas garras, ele rasga minha roupa e fico nua, poucos segundos depois o macho já está nu com o pau dele mirando na minha direção, sem deixar de me encarar.

Sou jogada na cama e o sinto em cima de mim abrindo minhas pernas no percurso.

O macho novamente me beija enquanto passa a mão direita pelo meu corpo e a esquerda é usada para se apoiar. Beijando-me, ele me penetra com toda vontade e força que estava controlando durante esses dias. Ele passa horas assim, me submetendo a várias posições enquanto se enche de prazer... Enquanto eu não sinto nada além de ardência no canal vaginal.

Quando finalmente o lobo chega ao ápice, gozando dentro de mim, ele se vira para o outro lado da cama. O deixo quieto e relaxado por alguns minutos enquanto crio coragem de fazer a pergunta que mais me atormenta durante dias.

– Lúcius...?

– Humm? - Ele responde com os olhos fechados, então eu continuo a falar, preciso saber onde ela está, meu ponto fraco, a razão por eu ter amedrontado a lobinha pirralha, que ousou arranhá-la, ainda a chamou de filha de prostituta, preciso saber o que aconteceu com ela ou vou enlouquecer, ela é tudo que tenho, que me dá esperança, é meu ponto fraco, mas também é quem me dá força apesar de ter apenas 5 anos de idade.

– Cadê a minha filha?

Ele olha pra mim e fala:

– NOSSA FILHA, você quer dizer...

Capítulo 2 Minha Kamilla

Já faz cinco anos! Cinco anos que estou aqui nessa alcateia como uma escrava. Todos os dias sempre a mesma coisa: acordo antes de anoitecer, varro, limpo, cozinho, sirvo, faço roupas para o Alfa ou alguém que ele queira que eu faça.

Todo o meu trabalho é para o agrado dele, meu Senhor, o Lúcius, chego à exaustão sem nem lembrar de comer nada (isso quando eles me dão ou quando pego escondida) e mesmo assim nunca é o suficiente, ele sempre quer mais! Exige mais! Às vezes exige quando me obriga a ir para o "nosso quarto" ou quando me pega no meio de algum lugar para me penetrar como bem entender e quando eu recuso ou me escondo, recebo castigos, se não for para ficar presa no porão, ele me bate ou manda um dos Bethas dele me bater e quem adora fazer isso é o Bruthus, o cão sem dono.

Se eu já tentei fugir? Claro que sim! Mas isso foi antes, antes de ter ela, a Kamilla. Quando descobri que estava grávida, aos 18 anos, assim que fui raptada e forçada a ser escrava, me enfureci. Não aceitava ter um filho fruto de um estupro, minha primeira relação sexual foi um estupro que me fez sangrar por dias e fiquei inconsciente durante horas.

Não!

Isso não!

Não aceito!

Um filho não!

Ele vai nascer igual ao pai! Vai ser tirano igual a ele!

Foi quando os pesadelos começaram. Pesadelos de uma criança igual a um demônio saindo de dentro de mim, me matando de dentro para fora.

Não!

Um filho não!

A insanidade começava a dizer oi para mim...

Vou morrer...!

Dia e noite, noite e dia era a mesma coisa, não conseguia dormir...

Ele vai me estraçalhar...!

E quando conseguia pegar no sono o pesadelo vinha...

Um filho não!

Orava para dormir, mas era em vão, orava para morrer logo e nada. Quem aparecia no lugar da Deusa? Lúcius. Queria meu corpo, me queria, se não tinha me batia e quando descobriu que eu estava grávida parou de forçar.

– É para o bebê nascer saudável e ser forte igual o pai. – Falava.

Até que um dia quando eu não mais resistia, por insanidade ou fingimento, ele deixou brechas do cativeiro e eu consegui escapar. Corri mata adentro, quando cheguei perto do riacho encontrei uma planta boa para regular a menstruação e causar aborto, peguei a água do rio em uma tigela deixada por alguma escrava que buscava água para alimentos e fiz um chá. Quando terminei de tomar a última gota, senti mãos envolver minha cintura por trás e enfiar o dedo na garganta, forçando o vômito, joguei tudo pra fora, quem era? O Alfa.

Por causa disso, ele me deixou trancafiada tempo o suficiente para que planta nenhuma conseguisse ter efeito. O tempo foi passando e a barriga crescendo, mas meus medos continuavam e eu estava determinada de que se essa criança nascesse loira com os olhos castanho-claros assim como ele, eu iria matá-la, daria um fim misericordioso. Então ela veio ao mundo: Kamilla era tão branca quanto ele, mas era só isso. Seus olhos eram avermelhados como o meu e o cabelo é um vermelho ruivo, quase loiro, mesmo assim é ruivo, um pouco diferente do meu que já é um vermelho tão escuro que parece ser preto. Seu rostinho é idêntico ao meu quando criança parece uma mini Karolina, então eu a amei, e prometi cuidar dela, defender a todo custo, e nunca mais ter crises de insanidade.

Lúcius percebendo o meu amor pela menina, para me ter sob controle, deixava ela a noite toda em uma casa separada com outros filhotes e somente alguns dias que ela poderia dormir comigo, assim eu não conseguiria ir embora. E para que eu não tivesse força o suficiente e o desafiasse, minha comida era escassa. Mas isso nem sempre foi assim...

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Há treze anos...

– Menina, peste, desce daí agora! – Meu tio materno gritou comigo, enquanto eu, com 10 anos de idade, estava pendurada em cima de uma árvore que tinha atrás do quintal da nossa casa, a única casa que tinha ali, entre aquela floresta que eu tanto amava.

– Não vou descer! Foi sem querer! Não queria ter quebrado a mesa. – Falo quase chorando com medo de apanhar daquele cabo de vassoura que meu tio estava na mão, ele mesmo que havia feito.

– Desce já daí ou eu vou subir, Karolina!

– Claro que ele não vai subir, velho do jeito que está pode quebrar as costas. – Murmurei, mas esqueci de que ele também era um lobisomem e tinha a audição apurada. O velho rosnou e começou a subir, no desespero, segurei um galho com as duas mãos e pulei, ganhando equilíbrio, consegui sair correndo e o velho atrás de mim com aquele cabo de vassoura na mão.

– Volta aqui menina ou eu vou quebrar esse cabo nas tuas costelas!

Entrei na floresta e fui parar dentro de um tronco de árvore que, para minha sorte, eu cabia lá dentro e ele não.

– Hoje você não escapa, Karolina, você não escapa! – Então ele saiu e foi para dentro da casa, eu fiquei lá dentro algum tempo até a fera se acalmar e quando voltei pra casa, toda assanhada, descalço, suja e fedendo, meu tio já foi logo dizendo, no seu tom de voz normal, calmo:

– Vem, vai tomar um banho antes de comer.

Naãao! Cadê a vassoura? Pega ela! É melhor que banho... aaaah!

– Desculpe-me, Dindo (como eu o chamava) – Falei de cabeça baixa enquanto ele colocava a comida no meu prato.

– Tudo bem, veja, eu já consertei, eu sei que você precisa se acostumar com a sua força de lobo que está aumentando cada vez mais, amanhã vamos treinar para você se acostumar, agora coma porque um lobisomem precisa de bastante alimento para poder gastar sua energia. – Ele me entrega o prato e quando percebe que ainda estou de cabeça baixa por me sentir culpada pela mesa, faz cócegas na minha axila. Eram assim todos os dias, risos, gargalhadas, estudos, treinos, brincadeiras e todo o cuidado que uma criança precisa. Meu tio corria com uma vassoura, mas nunca me bateu de verdade, a não ser nos treinamentos, claro!

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Atualmente...

– Lúcius, por favor, só quero ter notícias dela, só isso... – O adulo a responder onde está a menina.

– Comporte-se bem, Karolina, e amanhã eu deixo você ver ela. – Ele responde depois de depositar a mão no meu rosto.

– O que mais você quer que eu faça, Lúcius? Eu já aprendi a lição, já fui castigada. – Respondo olhando naqueles olhos dourados, sem sentimento algum. Ele suspira e me dá um selinho.

– Não foi o suficiente e você sabe disso, você não muda, continua do mesmo jeito. – Tenho vontade de revirar os olhos com isso, mas permaneço neutra e tento adular novamente, pela minha filha, por ela.

– Você sabe o porquê agi daquela forma, você viu o ferimento no pescoço da Kamilla? Eu apenas agi por impulso, mas vou me controlar, prometo. – Digo isso com uma voz bem serena e passando meu braço pela sua cintura, espero que dê certo.

– Aaah Karolina... – Ele fala também com a voz serena e me beija, depois de alguns segundos me solta. – Tudo bem, pode ir vê-la. – Então se levanta da cama e começa a se vestir. – Mas quero você antes de amanhecer aqui, vai dormir comigo hoje.

Meu coração pula de alegria! Vou ver minha filha!

Saio da casa e vou direto ao campo que ficam alguns filhotes brincando, todas as mães acompanham eles de perto enquanto um grupo de pais sai para caçar. Quando um casal tem filhotes, eles se tornam menos dependente da alcateia, as fêmeas tomam de conta dos serviços domésticos da casa enquanto cuida do filho e o pai caça e toma de conta dos serviços mais pesados, também se responsabiliza pela proteção da família. As escravas servem apenas para ajudar caso for necessário, e isso só pode depois que o macho avalia a escrava, então ela é obrigada a tomar banhos com plantas e sabão que os pais usam para que o seu cheiro fique semelhante ao casal, só então ela tem permissão de entrar na casa deles e se aproximar da cria sem que corra o risco de ser morta pelo macho, pois ele é quem protege, é o protetor.

Como sou escrava, mesmo tendo o sangue da alcateia, essas regras não se aplicam a mim, às vezes quando vejo um macho trazendo uma caça para sua família e mostrando toda sua dominância para protegê-la me dava uma pontada de inveja por saber que minha filha e eu nunca teremos isso, ou tristeza por saber que Kamilla nunca terá um pai que a ame e a proteja, eu ao menos tive isso, não era meu pai de sangue, mas era meu tio, meu Dindo.

O que torna tudo uma grande piada que me fez várias vezes dar gargalhadas, literalmente, em imaginar o Lúcius fazendo essas coisas de pai e marido. Mesmo se fosse, ele não precisa caçar já que tem soldados e escravos para isso.

– MAMAÃAE! – Escuto aquele gritinho e em seguida uma menina correndo até mim. A filhote pula em cima de mim, agarra as perninhas nas minhas costas e as mãos no meu pescoço parecendo um carrapatinho ruivo, logo ela me enche de beijos molhados por todo o rosto.

– Minha filhotinha. – Dou um abraço apertado com um sorriso no rosto e depois a analiso para saber se está tudo bem... Nunca se sabe.

– Ela está bem. – Ouço a voz serena de Maria Elena caminhando até mim, sorrindo, para me deixar tranquila. – Eu cuidei dela esses dias, está bem alimentada e banha diariamente. – Maria Elena é uma escrava humana que foi capturada por uma matilha de soldados há dois anos. Não conheço seu passado, mas desde que a conheci, ela cuida da Kamilla enquanto eu fico ausente, já que a menina só tem a mim para cuidá-la. A escrava humana também é quem divide o quarto comigo e minha filha. Ela é branca, cabelo liso, castanho escuro, olhos da cor do cabelo, dá para ver a beleza no rosto dela e é minha "amiga", ou a pessoa que eu menos desconfio daqui, já que meus instintos não permitem que confio em ninguém.

– Como foram esses dias? – Pergunto um pouco apreensiva, mas tento manter a calma. A mulher entende o que quero realmente perguntar e já vai respondendo como pode.

– Tudo bem, não aconteceu nada de mais, apenas a Kamilla brincando. – Consigo relaxar, os pais da pirralha que eu meti medo não fizeram nada com minha filha enquanto eu estava longe.

– Minha linda, seu vestidinho está sujo, vamos trocá-lo? – Olho para a Maria Elena e ela já entende.

– Vamos! Mostra para a mamãe a roupinha nova que eu fiz para você. – Minha filha muda logo a expressão de confusa no rosto para alegria de querer mostrar a roupinha nova. Assim chegamos ao nosso quarto que parece mais uma pequena prisão, era cinza, duas camas de solteiro, duas pias para cada, duas pequenas cômodas de madeira e nada dividindo entre as camas para que tenhamos privacidade, porém preferia dormir aqui do que naquela casa bonita e afastada das demais, com Lúcius. Finalmente, no quarto poderíamos conversar melhor sem ter aquelas cadelas escutado nossa conversa.

– Os pais daquela filhote disseram algo? – Pergunto com a voz baixa e sentada na cama enquanto a Kamilla ia pegar a roupinha para me mostrar.

– Na verdade não, mas fiquei sabendo que a mãe da pirralha mandou sua escrava ir ao escritório da Luna entregar algum alimento, tenho certeza de que o objetivo principal não era esse. – Me estremeci quando ouvi esse nome, a Luna, ela sabe, está sabendo de tudo que tenho feito até agora, provavelmente até sobre minha audácia com o Betha. Problemas...

– A Luna não vai deixar isso passar, ela vai tentar alguma coisa... – Olho pra minha filha com um medo querendo me dominar, respiro fundo para não deixar com que as emoções atrapalhem minha razão, e foco o olhar em Kamilla que está jogando todas as nossas roupas para o ar, derrubando tudo no chão para achar a bendita roupinha nova, falta de disciplina!

– Kamilla! – Digo séria com um rosnado em voz baixa. Ela para de bagunçar o quarto e já pede desculpa e finge arrumar tudo de novo, só que na verdade tá apenas piorando. Desisto...

– ACHEI! – Ai meus ouvidos... Kamilla precisa se controlar com seus gritinhos que meu ouvido de loba é mais sensível que de humano ou de uma filhote. – Olha mamãe, não é lindo?

– É lindo sim, filhotinha. – Realmente é muito fofinho o novo vestidinho de pele que a humana fez, colorido para uma criança, cheio de vida, e a pintura é impecável, a mulher sabe pintar muito bem. Mas, espera...

– Esses não são os trapos do antigo vestido que você fez? – Olhei para Maria Elena confusa. Ela começou a sorrir baixinho enquanto minha filha mostrava uma carinha de culpa.

– O que você fez, Kamilla? – Perguntei ainda confusa, mas conheço a filha que tenho, eu era igual quando criança.

– E-eu rasguei sem queler na fo-folesta... – Disse em voz baixa com a cara de cachorro com o rabo entre as pernas.

– E o que você foi fazer na floresta? – Isso tá me cheirando mal, e a Maria Elena continua lá sorrindo.

– E-eu fui pegar erva pla caganela – Continua com a cabeça baixa, parece um cachorrinho que aprontou alguma coisa, encaro-a.

– Pra que você queria erva para caganeira? – Fico mais séria.

– Pla fazer chá, ué... – Debochada! Menina debochada! Está aprendendo com quem?

– Não minta pra mim, Kamilla! – Uso um tom mais sério.

– Mamãe, eu coloquei as ervas na comida da Rosinha porque ela me bateu, aí ela ficou com caganela. – Não aguentei. Começamos a rir e elas foram me contar os detalhes da pirralha se cagando nas calças na frente dos outros filhotes, essa minha filha é incontrolável.

– Preciso te contar uma coisa. – Maria Elena fala depois da crise de riso de nós três e pega no meu braço para que eu incline meu corpo enquanto ela chega no meu ouvido para sussurrar algo.

– O Alfa já me falou que será daqui há três dias... – Olho para ela com os olhos arregalados, enquanto ela olha pra mim com um leve sorriso no rosto.

– Daqui a três dias... - a voz não sai do meu ouvido.

Daqui a três dias que eu finalmente ficarei livre!

Capítulo 3 Alguém está na floresta.

– Está acontecendo alguma coisa aos arredores da floresta, mas não sei o que é, Karolina. – Maria Elena me encara enquanto continuamos a conversar no quarto. – O Alfa mandou aumentar a segurança ao redor da alcateia, os lobos pais quando saem para caçar não podem mais ficar sozinhos e nem se afastarem muito. E o que mais me deixou intrigada é o aumento de armas que os escravos devem fazer. – Analiso a informação que ela me diz. Perdi muita coisa nesses três dias de cativeiro.

– Pode ser a alcateia inimiga invadindo o território, há mais alguma coisa de estranho que você percebeu? – Pergunto com medo da resposta. Se for a outra matilha de lobos invadindo o território é mais que certeza de outra guerra. Mais uma guerra, mais mortes, lutas sem sentido, apenas pela busca de poder e mais territórios. Desnecessário... Triste...

– Sim! – Ela fala arregalando os olhos. Coisa boa não é.

– Algumas escravas que se afastaram demais e foram para além do riacho, sumiram. Não encontraram nada, além alguns trapos das roupas delas rasgados na mata, nem os utensílios que elas carregavam foram encontrados. – Maria Elena fala com uma tristeza nos olhos e eu entendo essa tristeza, pois também sou escrava, e como nós duas, essas outras escravas foram forçadas a servir os lobos, serem usadas como eles bem queriam, a maioria ainda teriam esperança de voltar para suas famílias, e sumirem assim, do jeito que foi dito é certeza que estão mortas ou pior.

A escravidão é algo comum no meu povo, também em outras espécies, principalmente a dos humanos, que tem escravos por causa da cor de pele, enquanto a nossa, os escravos são quem não faz parte da alcateia, quem não tem o sangue dela, alguém que foi capturado ou vendido. Normalmente os escravos dos lobisomens são humanos por serem mais fracos fisicamente e mais fáceis de controlar, principalmente as escravas que já nasceram assim, as negras, enquanto as brancas se sentem injustiçadas por serem brancas. Nunca consegui entender qual a diferença entre pele branca e pele negra, pele é pele, são carnes do mesmo jeito, dá pra fazer um churrasco com uma branca e uma negra e comer a noite inteira.

Huummm... Comida... Carne humana não é minha favorita, mas comeria duas escravinhas, uma branca e outra negra apenas para saber a diferença delas e encher a barriga! Huuum... Delíciaaa... Fiquei com a boca cheia d'água só de pensar...

– Karol?! – Levo um susto quando saio do meu churrasco imaginário e vejo a Elena agarrada na Kamila, em pé, no canto da cama, só então percebo a besteira que fiz. Durante esses três dias trancada só recebi duas refeições que eram pão com água, estou com tanta fome que não percebi no momento que meus olhos começaram a brilhar em um vermelho e quase perdi o controle podendo atacar qualquer humano na minha frente apenas para matar minha fome.

Baixei minha cabeça e fechei os olhos, não para me controlar e sim por vergonha do que houve, não quero deixar Kamilla e Elena com medo de mim.

– Perdoem-me... – Falo num suspiro, mostrando minha vergonha e tristeza.

– Há quanto tempo você não come? – A voz da Elena saiu um pouco apreensiva. Eu sentia o medo delas duas, medo de mim. Respirei fundo antes de abrir os olhos que já não estavam mais tão vermelhos, estavam quase ruivos da cor do cabelo da Kamila, meus olhos perdem a cor devido ao cansaço e má alimentação.

– Eu estou bem. – Dei um sorriso meio sem graça para aliviar a tensão. Elas se aproximaram com cautela, e Kamila já sem medo sentou do meu lado depositando as mãozinhas dela nas minhas.

– Mamãe, você está tlemendo. – Percebi a preocupação da minha filha. Era verdade que estava me tremendo, estava com fome, fraca e sentia dores pelo meu corpo, mas não demonstrava porque as duas precisam de mim para fugir.

– Karol, precisa se controlar nesses dias, vai ter várias provocações contra você dos outros para que o Alfa se zangue e te coloque de castigo novamente e você tem que se fortalecer, não pode haver nenhum outro castigo. Vou dividir minha comida contigo para que fique forte o suficiente daqui a três dias. – Quando ela falou isso, sorri para as duas. Eu só tinha que aguentar mais três dias... três dias.

Faltando 4 horas para amanhecer, me despedi delas e tive que voltar para a casinha afastada, não antes de entrar na cozinha com a mentira de que foram ordens do Alfa para que eu preparasse um lanchinho pra ele, tinha que ser um pouquinho de comida porque já levei a janta dele e os soldados iriam desconfiar. Enquanto preparava "um lanchinho para o Alfa" que ele nunca iria ver na vida, eu não parava de pensar na Maria Elena.

Há dois anos, quando ela foi trazida pra cá, não parecia com nenhuma dessas escravas brancas apesar da cor de pele ser igual, mas os olhos da Elena eram bem puxadinhos e pequenos, quando a questionei, ela disse que era porque o pai vinha de um lugar chamado... não lembro o nome... é... Coronéia? Coloreia? Caa... Cuu... Não, não... Começa com "Co" mesmo... Cornélia? Ahhhh desisto! Vinha de um lugar aí.

Ela não usava os trapos de escrava nem de uma pessoa da nobreza dos humanos, eram roupas simples, de uma camponesa e era realmente uma camponesa que vivia com os pais. Mas o que me intrigou (e até hoje tento entender) é o tratamento diferenciado da humana com os outros escravos. A mulher ficava entre os lobos sem ter medo de ser atacada porque eles não podiam, nenhum lobisomem dessa aldeia podia atacar, ameaçar ou tentar serviços sexuais, pois o Alfa não permitia. No começo pensei que fosse por interesse da humana e fiquei feliz, achava que com isso ele me deixaria em paz (não a conhecia então era melhor ela do que eu), mas ele nunca a tocou, nunca a beijou, nem tinha interesse dele nos olhos, tinha, na verdade, desprezo, mas ele falava com ela como qualquer outro lycan, com arrogância, dominância, ela não podia abusar da hospitalidade e proteção, porém era só isso.

No começo, fiquei até com inveja dela, pois sua integridade e virgindade estariam intactas, fora a comida e as faltas de castigo (nesse caso, eu era a que mais sofria e mais recebia castigos), além disso, eu ainda tinha que aguentar o Alfa exigindo meu corpo e a humilhação de toda alcateia como se eu que fosse a culpada disso. A que seduziu o Alfa... – Eles diziam.

Então, assim nos colocaram no mesmo quarto, as que não podiam ser tocadas, eu apenas de forma sexual, pois pertencia somente ao Lúcius, mas para me baterem... Aí é outra história.

E pensando nisso, enquanto estava terminado o lanche, eles vieram, três soldados, me seguraram e me arrastaram para o salão principal, dois me seguraram de cada lado e o terceiro batia no meu rosto e barriga. Quando estava quase para desmaiar, fui acordada por um balde de água gelada no rosto, foi quando eu a vi.

A Luna estava sentada no seu trono no salão principal, loira, cabelos cacheados soltos, olhos da cor dos cabelos e estavam brilhando, cheia de joias, vestido de pele perfeitamente trabalhado com bordados de ouro, exalava o poder, riqueza e beleza de uma verdadeira Luna, mulher do Alfa, mulher do Lúcius. Olhando para mim com um sorriso sarcástico, mas que era possível sentir seu ódio, ela fala:

– Como está, irmãzinha?

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