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A Traição do Cirurgião: A Vingança de uma Esposa

A Traição do Cirurgião: A Vingança de uma Esposa

Autor:: Yue Yan
Gênero: Moderno
Depois de três anos em uma clínica psiquiátrica onde meu marido, Artur, me internou, eu finalmente consegui escapar. Fui direto para o túmulo da minha mãe - a mãe que doou o próprio rim para salvar a vida dele. Mas a lápide dela não estava mais lá. No lugar, havia um memorial para uma cachorrinha chamada Princesa Fofolete. Meu marido a tinha substituído pelo bicho de estimação da amante dele. Quando o confrontei, ele e sua nova mulher, Bianca, destruíram minha reputação online, me custando todas as ofertas de emprego. Então, durante uma cirurgia cardíaca crítica, Artur - meu cirurgião - simplesmente foi embora, me deixando para morrer na mesa de operação porque Bianca ligou com uma emergência falsa. Ele me deixou para morrer, assim como havia abandonado minha mãe em suas horas finais. O homem a quem eu dei tudo tentou me assassinar. Mas eu não morri. Meu amigo de infância, Leo, invadiu a sala e me salvou. Quando Artur voltou, implorando por perdão, eu o olhei nos olhos e disparei a mentira que se tornaria minha verdade. "Eu sempre amei o Leo. Você foi só uma distração."

Capítulo 1

Depois de três anos em uma clínica psiquiátrica onde meu marido, Artur, me internou, eu finalmente consegui escapar. Fui direto para o túmulo da minha mãe - a mãe que doou o próprio rim para salvar a vida dele.

Mas a lápide dela não estava mais lá. No lugar, havia um memorial para uma cachorrinha chamada Princesa Fofolete. Meu marido a tinha substituído pelo bicho de estimação da amante dele.

Quando o confrontei, ele e sua nova mulher, Bianca, destruíram minha reputação online, me custando todas as ofertas de emprego. Então, durante uma cirurgia cardíaca crítica, Artur - meu cirurgião - simplesmente foi embora, me deixando para morrer na mesa de operação porque Bianca ligou com uma emergência falsa.

Ele me deixou para morrer, assim como havia abandonado minha mãe em suas horas finais. O homem a quem eu dei tudo tentou me assassinar.

Mas eu não morri. Meu amigo de infância, Leo, invadiu a sala e me salvou. Quando Artur voltou, implorando por perdão, eu o olhei nos olhos e disparei a mentira que se tornaria minha verdade.

"Eu sempre amei o Leo. Você foi só uma distração."

Capítulo 1

O hospital tinha arranjado um carro, mas eu escapei pelos fundos. O cachecol favorito da minha mãe estava apertado na minha mão, a seda gasta e macia por anos de uso. Tinha um cheiro fraco de lavanda e maresia, um aroma que prometia consolo. Eu ia encontrá-la.

Três anos atrás, eu não consegui escapar. Três anos atrás, eu estava presa. Lembro-me do quarto branco e estéril, dos olhos pesados dos enfermeiros e de Artur. Artur, de pé, alto e impecável, enquanto eu me ajoelhava a seus pés. Minha voz era um sussurro rouco, implorando para que ele me deixasse ir, para que me deixasse enterrar minha mãe.

Eu prometi que seria boazinha, que tomaria os remédios, qualquer coisa. Apenas que me deixasse cuidar do funeral de Helena. Que me deixasse dizer adeus.

Ele apenas me olhou, suas mãos perfeitas de cirurgião cruzadas na frente do corpo, como se eu fosse um espécime particularmente desagradável sob um microscópio. "Alana, querida", ele disse, a voz escorrendo uma falsa preocupação, "você não está bem. Você nem consegue se lembrar que dia é hoje. Como poderia lidar com arranjos como este?"

Ele prometeu que cuidaria de tudo. Um belo jazigo, uma cerimônia discreta. Um lugar onde eu poderia visitá-la quando estivesse... melhor.

Fui levada embora, o clique metálico da porta me selando lá dentro. A promessa de seu lugar de descanso pacífico foi a única coisa a que me agarrei. Minha vida, meu luto, minha própria existência, estavam inteiramente nas mãos imaculadas de Artur.

Três anos. Três longos e vazios anos.

Eu vi em um recorte de jornal que consegui escondido, uma nota minúscula. O funeral de Helena Marques. Três dias depois de eu ser trancada. Nenhuma menção a mim. Nenhuma menção à sua filha. Eu gritei. Arranhei as paredes. Implorei às enfermeiras por um telefone, por uma voz. Elas apenas me deram outra injeção. As contenções eram ásperas, cravando-se em meus pulsos, deixando marcas roxas que às vezes eu ainda traçava no escuro. O zumbido, o choque, a estática branca e quente em meu cérebro apagando tudo, exceto o momento de dor. Eles chamavam de terapia. Eu chamava de inferno.

Uma tosse suave me trouxe de volta. Um zelador, idoso e gentil, estava a poucos metros de distância.

"Senhora? Está tudo bem? Você parece um pouco pálida."

Apertei meu casaco fino com mais força, o frio do outono se infiltrando em meus ossos.

"Sim, só... foi uma longa jornada."

Ele assentiu, seu olhar compassivo.

"As pessoas geralmente estão, vindo para cá. O jazigo da sua mãe fica logo depois desta subida, perto do carvalho antigo. É um lugar tranquilo."

Eu o segui, meu coração pulsando com uma esperança desesperada e frágil.

Ele apontou, sua mão tremendo contra o céu cinzento.

"Veja aquele pequeno mármore... ah, espere. Não, não está certo." Ele semicerrou os olhos, depois balançou a cabeça. "Ah, a senhora quer dizer o jazigo dos Mason, correto? A mãe da esposa de Artur Mason, Helena Marques?"

Meu sangue gelou ao ouvir o nome de Artur.

Mal esperei por sua correção, uma onda de adrenalina me empurrando para frente. Três anos. Três anos esperando para ficar diante de seu túmulo. Minhas pernas protestaram, fracas pelo desuso, mas um calor se espalhou pelo meu peito. Em breve. Eu quase podia sentir sua presença, ouvir sua risada gentil.

Então eu vi. A placa de mármore, impecável e branca. Não o granito desgastado que eu esperava. Não o nome de Helena. Minha respiração falhou.

Gravado em uma caligrafia elegante estavam as palavras: "Aqui jaz Princesa Fofolete. Amada companheira de Bianca Kline. Para sempre em nossos corações."

Capítulo 2

O mundo girou. Princesa Fofolete. Bianca Kline. O jazigo da minha mãe. Não fazia sentido. Não podia ser. Li a inscrição novamente, esperando que meus olhos estivessem me pregando uma peça, que três anos de medicação forçada tivessem finalmente embaçado minha visão. Mas as palavras permaneceram, nítidas e inegáveis.

"O que é isso?" Minha voz era um som cru, gutural, que eu mal reconheci. Virei-me para o zelador, minhas mãos tremendo. "Onde ela está? Onde está o túmulo de Helena Marques?"

O velho se encolheu, dando um passo para trás.

"Senhora, por favor. Esse é... esse é o jazigo que nos disseram para preparar para... para isso." Ele gesticulou vagamente para o memorial da cachorra. "O Dr. Artur foi bem claro. Disse que foi uma mudança de última hora. Um pedido especial."

Artur. Claro, Artur. O nome tinha gosto de cinzas na minha boca.

"Um pedido especial?" Ouvi minha própria risada, frágil e aguda. "Minha mãe, removida por uma cachorra? Quem deu essa ordem?"

Os olhos do zelador se moveram nervosamente.

"O Dr. Artur. Ele disse... ele disse que a família decidiu espalhar as cinzas dela. No oceano. Disse que ela amava o mar." Ele murmurou, desesperado para escapar do meu olhar. "Por favor, senhora, não crie problemas. Eu só faço o que me mandam."

Ele se virou e saiu apressado, me deixando sozinha no silêncio desolador.

Minhas mãos voaram para os meus ouvidos, tentando bloquear o rugido na minha cabeça. Espalhadas. Como lixo. Minha mãe.

Peguei meu celular, meus dedos desajeitados. Rolei pelos números bloqueados, uma lista que eu havia meticulosamente curado na clínica, desesperada para apagar todos os vestígios dos meus algozes do passado. Agora, eu desbloqueei um. O de Artur. Meu polegar pairou, trêmulo, sobre o botão de chamada.

"Procurando por alguém?"

A voz, suave e venenosa, deslizou para a quietude atrás de mim. Era o silvo de uma serpente, um veneno familiar. Eu congelei. Artur. Eu não o tinha ouvido se aproximar. Ele se movia como um fantasma, sempre lá quando você menos esperava, sempre observando.

Virei-me lentamente, meu rosto uma máscara de pedra. Ele estava lá, impecável como sempre, um buquê de lírios na mão. Seus olhos, geralmente tão calculistas, continham uma tristeza ensaiada.

"Alana. Fiquei sabendo que você teve alta. Por que não me avisou? Eu teria mandado um carro."

Meu olhar permaneceu fixo no dele.

"Onde ela está, Artur?" Minha voz era plana, desprovida de emoção, um escudo deliberado contra a tempestade que se formava dentro de mim.

Sua testa franziu levemente, um lampejo de confusão genuína em seus olhos. Ele devia esperar lágrimas, histeria. Ele esperava a antiga Alana.

"Quem, querida? A Bianca está em casa, perfeitamente bem."

"Minha mãe. Helena Marques." Cada palavra era um caco de vidro na minha garganta. "Onde estão as cinzas dela? O que você fez com ela?"

Ele suspirou, um som longo e sofrido.

"Alana, nós conversamos sobre isso. Três anos atrás. Você não estava em estado de se lembrar. Nós espalhamos as cinzas dela. Era o que ela teria querido. Uma despedida silenciosa, à beira-mar." Ele ofereceu um sorriso fraco e apaziguador. "A pequena Princesa Fofolete da Bianca, coitadinha, faleceu recentemente. A Bianca ficou arrasada. Ela precisava de um lugar para o luto. Este jazigo estava disponível. Pareceu... apropriado."

Apropriado. Suas palavras ecoaram em minha mente, zombando de mim.

"Apropriado? Para uma cachorra?" Uma risada quente e amarga me escapou. "Você acha 'apropriado' substituir a mulher que te deu um rim, que sacrificou tudo por você, por um animal de estimação mimado? A mulher cuja vida você permitiu que acabasse?"

Seus olhos endureceram.

"Alana, já chega. Sua mãe amava os animais. Ela sempre dizia que queria ser uma com a natureza."

"Não se atreva a pronunciar o nome dela", sibilei, meu controle finalmente se quebrando. "Não se atreva a fingir que sabe o que ela queria. Você não merece nem respirar o mesmo ar que ela um dia respirou."

Minha mão voou, um borrão de movimento. O estalo da minha palma contra sua bochecha ecoou pelo cemitério silencioso. Ele não se encolheu, não se moveu para bloquear. Ele apenas ficou lá, a marca vermelha florescendo em sua pele pálida, seus olhos arregalados de surpresa.

"A Bianca me disse que você faria algo assim", ele disse, sua voz baixa, um tremor de uma emoção desconhecida por baixo dela. "Ela disse que você estava instável. Mas eu pensei... eu esperava que você estivesse melhor."

"Bianca", zombei, o nome uma maldição. "Ela te controla, não é? Mesmo do além, minha mãe ainda é uma ameaça para a imagem preciosa dela." Apontei para a lápide da cachorra. "Você visita isso regularmente, não é? Para apaziguar sua rainhazinha das redes sociais?"

Ele não negou. Em vez disso, estendeu a mão, como se para me tocar.

"Alana, por favor. Vamos para casa. Descanse um pouco. Isso não é saudável."

"Casa?" Dei um passo para trás, meu olhar caindo sobre o mármore polido. O cachecol da minha mãe escorregou dos meus dedos dormentes, pousando suavemente na pedra fria. Um impulso súbito e violento me tomou. Chutei a base da lápide. O mármore rachou, uma teia de aranha de fissuras se espalhando pela superfície. Então me ajoelhei, minhas mãos nuas cavando a terra.

Ele agarrou meu braço.

"O que você está fazendo? Pare com isso! Você está fazendo uma cena!"

"Você vai me internar de novo, Artur?" Rosnei, arrancando meu braço de seu aperto. A manga do meu casaco subiu, expondo as linhas roxas e fracas no meu pulso, onde as contenções haviam machucado. "É isso? Chamar os enfermeiros? Dizer a eles que estou tendo outro surto?"

Ele viu as cicatrizes. Seus olhos, pela primeira vez, continham um lampejo de algo parecido com choque.

"O que... o que são essas marcas?" ele sussurrou, sua voz perdendo a compostura habitual. "Eles não... eles não teriam..."

Eu ri, um som seco e sem humor.

"Ah, eles fizeram. E pior. Tudo sob sua cuidadosa supervisão, meu querido marido. Ou talvez você tenha se esquecido de verificar os relatórios diários?" Enfiei minhas mãos de volta na terra, rasgando a grama, ignorando a dor enquanto minhas unhas quebravam. "Vá em frente. Me mande de volta. Eu já estou lá. Pelo menos lá, eles não podem profanar a memória da minha mãe por uma cachorra."

Ele me observou por um longo momento, seu rosto indecifrável, seus olhos ainda fixos no meu pulso. Então, lentamente, ele soltou meu braço.

"Faça o que quiser, Alana", disse ele, com a voz vazia. "Só... não espere que eu limpe a sua bagunça."

Ele se virou, as costas retas como uma vara, e se afastou.

A terra estava fria e implacável. Meus músculos gritavam em protesto, minhas mãos ficando em carne viva, mas eu continuei cavando. Mais rápido. Mais forte. Eu não tinha pá, apenas meus dedos, mas não iria parar. Ele tinha ido embora. Ele achava que eu estava além da salvação, além da razão. Ele estava certo. Não havia mais súplicas em mim, nem mais palavras suaves. Apenas terra, e o buraco aberto onde minha mãe deveria estar.

Finalmente, meus dedos atingiram algo sólido. Uma pequena urna ornamentada. Não a da minha mãe. Esta era da Princesa Fofolete. Minhas mãos tremeram enquanto eu a puxava do chão. Arranquei a tampa, espalhando o pó branco e fino no vento forte do outono. Ele girou, uma nuvem fantasmagórica, capturando os últimos raios de sol. Pareceu... purificador. Um grito primal rasgou minha garganta, silencioso, mas ensurdecedor.

Então, espatifei a urna contra a lápide quebrada da cachorra, estilhaçando-a em cem pedaços. Peguei meu celular, tirei uma foto rápida e borrada do túmulo profanado e a enviei para o número de Bianca Kline. Então, com uma satisfação feroz, a bloqueei novamente.

Capítulo 3

Sair do cemitério foi como trocar de pele. Uma pele pesada e dolorosa. Mas o alívio foi passageiro. A realidade, fria e cortante, esperava do lado de fora dos portões de ferro forjado. Eu precisava de um emprego. Minha vida antiga, a startup de tecnologia na qual eu havia derramado minha alma, era uma memória distante. Mas meu currículo, mesmo com três anos de idade, ainda tinha peso. Minhas conquistas passadas eram inegáveis.

Enviei candidaturas, uma enxurrada de e-mails de um computador de biblioteca pública. Em poucos dias, as ofertas começaram a chegar. Diretora de marketing, líder de projeto, consultora. Meu cérebro, antes entorpecido pela medicação, estava começando a zumbir novamente, afiado e claro. Uma frágil sensação de esperança floresceu em meu peito. Talvez, apenas talvez, eu pudesse reconstruir.

Aceitei uma oferta, uma boa, e uma lasca de paz se instalou sobre mim. Parecia uma pequena vitória. Uma pequena e desafiadora centelha contra a vasta escuridão que Artur havia lançado sobre minha vida. Permiti-me um momento para imaginar um futuro onde eu não estivesse constantemente olhando por cima do ombro, um futuro onde eu pudesse esculpir meu próprio espaço.

No dia seguinte, me vi passando pela minha antiga casa. Ou melhor, nossa antiga casa. A que Artur e eu havíamos compartilhado. A que Helena, minha mãe, nos ajudou a comprar. Estava recém-pintada, um azul vibrante que agredia meus olhos. Cortinas novas pendiam nas janelas. Outra pessoa morava lá agora. Outra pessoa ria na cozinha, dormia em nossa cama, construía memórias sobre as fundações da minha vida estilhaçada.

Uma onda de náusea me atingiu. Lembrei-me de cinco anos atrás, quando a carreira de Artur estava apenas decolando. Ele precisava de capital para um ensaio clínico de cirurgia inovador, algo que poderia revolucionar o tratamento cardíaco. Ele era brilhante, todos diziam. Mas o brilhantismo, naquela época, não pagava por pesquisas de milhões de reais.

Minha mãe, Helena, vendeu sua amada casa de praia em Ubatuba, o lugar onde viveu a vida inteira. Cada centavo da venda, todas as suas economias de uma vida, ela investiu na fundação de Artur. "Para o Artur", ela disse, seus olhos brilhando de orgulho. "Ele vai mudar o mundo, Alana. Precisamos ajudá-lo."

Então, menos de um ano depois, Artur foi diagnosticado com uma doença renal rara e agressiva. Sua carreira brilhante, seu futuro, estavam por um fio. Os médicos disseram que ele precisava de um transplante, rápido. Não havia doadores compatíveis. Ninguém.

Até que Helena se ofereceu. "Pegue o meu", ela disse a ele, sua voz firme, inabalável. "Eu sou mais velha. Ele tem muito mais a oferecer." Ela não hesitou. Nem por um segundo. Ela lhe deu seu rim. Sua vida.

E eu? Eu vendi minha empresa de tecnologia, aquela que construí do zero, aquela que estava prestes a abrir capital. Liquidei cada ativo, cada ação, cada centavo. Despejei tudo em suas contas médicas, sua recuperação, sua nova e acelerada pesquisa. Nosso dinheiro. O dinheiro da minha mãe. O meu dinheiro. Tudo para Artur Mason.

Ele melhorou. Ele prosperou. Ele se tornou o cirurgião de renome mundial que todos previam, aclamado como um gênio, um milagreiro. Seu nome estava em toda parte.

E quanto a nós? Minha mãe. Minha empresa. Minha vida. Tudo o que eu tinha, tudo o que ela tinha, nós demos a ele. Para isso? Para o memorial de uma cachorra? Para uma mulher que agora morava na minha casa, talvez até dormindo na minha cama?

A ironia pura e brutal de tudo aquilo fez meu estômago revirar. Tropecei, apoiando-me em um poste de luz, a casa azul vibrante zombando de mim.

Mais tarde naquela noite, encolhida em uma cama irregular em um motel barato, o silêncio do quarto era pontuado apenas pelo zumbido distante do tráfego. Assim que eu estava caindo em um sono agitado, meu telefone vibrou. Uma vez. Duas vezes. Depois, uma cascata interminável de notificações.

Meus olhos se abriram. O pavor se enrolou em minhas entranhas. Procurei o aparelho, minhas mãos úmidas. A tela se acendeu, um ataque ofuscante de vermelho e preto. Era Bianca. Claro que era Bianca.

Um vídeo. Seu rosto, manchado de lágrimas, dominava a tela. Ela estava chorando, soluçando para a câmera, sua persona perfeita de mídia social em pedaços. "Minha Princesa Fofolete", ela engasgou entre os soluços. "Alguém... alguém profanou o túmulo dela. Minha pobre bebê... ela se foi... e agora isso..." Ela mostrou uma foto borrada da urna quebrada e da lápide partida. Minha foto.

A seção de comentários explodiu. Uma torrente de veneno, um tsunami de ódio. "Crueldade animal!" "Psicopata!" "Encontrem ela!" Em minutos, meu nome, minha antiga empresa, meu breve período na clínica psiquiátrica, tudo foi desenterrado. Meu passado, transformado em arma contra mim.

*Nojento! Quem faria uma coisa dessas?*

*Essa é a Alana Hunt, a ex-CEO maluca! Ela foi internada por um motivo!*

*A Bianca é tão forte por compartilhar isso. Essa mulher precisa voltar para um quarto acolchoado!*

Minhas mãos tremiam, o telefone quase escorregando do meu aperto. A tela, viva com palavras cintilantes, tornou-se uma janela para minha própria execução pública.

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