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A Traição Dele, Meus Votos de Casamento Súbitos

A Traição Dele, Meus Votos de Casamento Súbitos

Autor:: Arcadia
Gênero: Máfia
Por sete anos, eu fui propriedade dele. A amante e operadora de maior confiança de Damião Medeiros, o chefão implacável de São Paulo. Levei tiros por ele, cuidei de suas contas sujas de sangue e, estupidamente, confundi sua possessividade com amor. Então, ele me ordenou que seduzisse seu rival, Heitor Reis. Era tudo um plano cruel para conquistar o coração de outra mulher. Segui suas ordens, atraí Heitor para uma suíte de hotel durante uma festa de gala, apenas para Damião invadir o quarto com a imprensa. Ele me humilhou publicamente, me deixando nua e exposta enquanto seu verdadeiro amor me chamava de lixo. Minha devoção de sete anos foi destruída pelo homem que eu pensei ser meu salvador. Mas enquanto os flashes das câmeras me cegavam, Heitor Reis, o homem que fui enviada para destruir, protegeu meu corpo do mundo. Ele olhou para mim, sua expressão indecifrável, e fez um anúncio que selou meu destino. "Nós vamos nos casar."

Capítulo 1

Por sete anos, eu fui propriedade dele.

A amante e operadora de maior confiança de Damião Medeiros, o chefão implacável de São Paulo.

Levei tiros por ele, cuidei de suas contas sujas de sangue e, estupidamente, confundi sua possessividade com amor.

Então, ele me ordenou que seduzisse seu rival, Heitor Reis.

Era tudo um plano cruel para conquistar o coração de outra mulher.

Segui suas ordens, atraí Heitor para uma suíte de hotel durante uma festa de gala, apenas para Damião invadir o quarto com a imprensa.

Ele me humilhou publicamente, me deixando nua e exposta enquanto seu verdadeiro amor me chamava de lixo.

Minha devoção de sete anos foi destruída pelo homem que eu pensei ser meu salvador.

Mas enquanto os flashes das câmeras me cegavam, Heitor Reis, o homem que fui enviada para destruir, protegeu meu corpo do mundo.

Ele olhou para mim, sua expressão indecifrável, e fez um anúncio que selou meu destino.

"Nós vamos nos casar."

Capítulo 1

"Eu sou seu dono", o velho da facção havia dito, seus olhos turvos percorrendo meu corpo trêmulo. "Mas esse rosto, esse corpo... não são para gente como nós. São uma arma. Um presente para alguém muito, muito mais importante."

Isso foi há sete anos.

No dia seguinte, me limparam, me vestiram com roupas que valiam mais do que toda a dívida médica da minha família e me entregaram como um pacote na cobertura de Damião Medeiros.

O rei não coroado de São Paulo.

Eu estava apavorada.

As histórias sobre ele eram material de pesadelo, sussurradas nos cantos escuros do submundo em que eu havia sido jogada.

Diziam que ele era implacável, de sangue frio, um predador em um terno sob medida.

Minhas mãos estavam suadas, meu coração martelava contra minhas costelas com tanta força que pensei que poderia se libertar.

A cobertura era silenciosa, cavernosa, as janelas do chão ao teto mostrando uma cidade que brilhava como uma galáxia de estrelas caídas.

Uma cidade que agora parecia uma jaula.

Ele estava sentado em uma poltrona de couro, um copo de líquido âmbar na mão, o gelo tilintando suavemente enquanto ele o girava.

Ele não olhou para mim.

Apenas encarava as luzes da cidade.

"Por favor", sussurrei, minha voz quase inaudível. "Por favor, eu posso trabalhar. Faço qualquer coisa. Só... não isso."

Meu estômago se revirava com uma mistura doentia de medo e bile.

A ideia de suas mãos em mim, do que se esperava de mim, fazia minha pele arrepiar.

Senti uma onda de náusea tão intensa que tive que engolir em seco para não vomitar no chão de mármore impecável.

Damião finalmente virou a cabeça.

Seus olhos, da cor de uísque escuro, moveram-se sobre mim lentamente, com desdém.

Não havia pena neles.

Nem calor.

Apenas uma avaliação fria, como um homem olhando para uma nova obra de arte que acabara de adquirir.

Ele pousou o copo com um clique suave e se levantou.

Era mais alto do que eu imaginava, sua presença preenchendo a sala, sugando todo o ar.

Ele caminhou em minha direção, cada passo deliberado, predatório.

Eu me encolhi quando ele estendeu a mão, seus dedos longos e elegantes afastando uma mecha de cabelo do meu rosto.

Meu corpo inteiro ficou rígido.

"Você está tremendo", observou ele, sua voz um barítono baixo e suave que não trazia nenhum conforto.

Ele agarrou meu queixo, forçando-me a olhá-lo. "Não trema."

A força de seu aperto enviou uma onda de dor e terror através de mim.

Lágrimas brotaram em meus olhos, borrando seu rosto impossivelmente bonito e terrivelmente frio.

"Não se preocupe", disse ele, e o canto de sua boca se ergueu em um sorriso que não alcançou seus olhos. "Vou cuidar bem de você. Você é minha agora."

Seu polegar acariciou meu lábio inferior, um gesto que era ao mesmo tempo íntimo e totalmente invasivo.

Parecia que eu estava sendo marcada.

Ele se inclinou para mais perto, seus lábios roçando minha orelha.

"Me diga, Alina", ele murmurou, sua voz caindo para um sussurro conspiratório que enviou uma nova onda de pavor através de mim. "Eu e o Heitor Reis... qual de nós você acha que é melhor na cama?"

A pergunta, tão bizarra e deslocada, pairou no ar entre nós, um presságio de uma realidade que eu ainda não conseguia compreender.

Esse foi o começo.

Tudo começou porque eu era ingênua.

Recém-saída da faculdade, com um diploma em uma mão e uma pilha de contas médicas da minha mãe na outra, alta o suficiente para sufocar um cavalo.

Peguei um emprego anunciado em um fórum da universidade: "Assistente Executiva para Investidor Privado. Salário lucrativo. Discrição necessária."

Pensei que era minha passagem para sair de uma dívida esmagadora.

Em vez disso, foi uma passagem só de ida para o inferno.

O "investidor privado" era uma fachada para uma das facções criminosas menores de São Paulo.

Eles não se importavam com meu diploma.

Eles se importavam com meu rosto, minha obediência e o fato de eu estar desesperada.

O lugar onde nos mantinham era um porão úmido e sem luz que cheirava a mofo e medo.

Éramos mercadorias, garotas esperando para serem vendidas, usadas ou quebradas.

Uma noite, um cliente bêbado, um dos capangas de nível médio da facção, decidiu que não queria esperar sua vez.

Ele me encurralou, seu hálito quente e fedendo a cachaça barata.

Ele rasgou o tecido fino da minha blusa, suas mãos ásperas me agarrando.

"Coisinha linda", ele arrastou as palavras, me empurrando contra a parede fria e úmida. "Boa demais para nós, hein? Vamos ver o que você tem."

Um grito ficou preso na minha garganta, sufocado pelo puro terror.

Minha mente ficou em branco.

Era isso.

Era o fim da pouca dignidade que me restava.

Meu espírito parecia estar se estilhaçando, um cristal fino rachando sob imensa pressão.

Então, a porta do porão se abriu com um estrondo.

A sala ficou em silêncio.

O homem que me segurava congelou.

Uma figura se destacava na porta, exalando uma aura de autoridade absoluta.

"Tire as mãos dela", uma voz comandou, baixa e letalmente calma.

O bandido se afastou de mim como se eu estivesse em chamas.

Ele caiu de joelhos, a cabeça baixa. "Sr. Medeiros, eu... eu não sabia que ela era..."

"Ela é agora", a voz o interrompeu.

Um único sinal de mão, e dois homens de terno preto avançaram, arrastando o bandido choramingante para longe.

O silêncio que se seguiu foi mais aterrorizante do que os gritos.

Essa foi a primeira vez que o vi.

Damião Medeiros.

Em São Paulo, seu nome era uma lenda.

Para o público, ele era Damião Medeiros, o enigmático bilionário CEO do Grupo Medeiros, um magnata filantropo cujo rosto estampava as capas das revistas de negócios.

Mas no submundo, ele era simplesmente "O Chefe".

O predador alfa.

O homem que era dono das sombras da cidade.

Ele governava com mão de ferro, sua influência tão vasta que se dizia que nem um único real ilícito se movia em São Paulo sem sua aprovação silenciosa.

Ele era carismático, implacável e totalmente intocável.

Ele tinha vindo cobrar uma dívida e, em vez disso, tropeçou em mim.

Uma peça de mercadoria danificada.

Eu me levantei desajeitadamente, agarrando os restos rasgados da minha blusa, todo o meu ser consumido por uma necessidade primitiva de sobreviver.

Corri até ele, caindo a seus pés, meus dedos agarrando desesperadamente a barra de suas calças caras.

"Por favor", implorei, a palavra arrancada da minha garganta. "Me leve com você. Por favor."

Ele olhou para mim, sua expressão indecifrável.

E naquele momento, ele se tornou meu salvador.

Por sete anos, vivi em sua sombra.

Tornei-me mais do que apenas uma mulher aquecendo sua cama.

Tornei-me sua ferramenta mais indispensável.

Aprendi a navegar nas correntes traiçoeiras de seu mundo, a lidar com seus negócios ilícitos com cabeça fria e mão eficiente.

Eu cuidava de seus livros contábeis, aqueles escritos com sangue e segredos.

Fiquei entre ele e as balas de seus inimigos.

Tornei-me seu escudo, sua confidente, sua operadora de maior confiança.

E, como a tola que eu era, me apaixonei por ele.

Confundi sua possessividade com proteção, seu controle com cuidado.

Ele me deu uma vida de luxo, me cobriu de diamantes e me protegeu da feiura do mundo que ele comandava.

Em troca, dei a ele minha lealdade, meu corpo e meu coração.

Todos em seu círculo acreditavam que eu era diferente.

Eles viam como seus olhos me seguiam, como ele me deixava entrar em seu escritório particular quando ninguém mais era permitido.

Eles sussurravam que eu seria a única a finalmente se tornar a Sra. Medeiros.

Eu também acreditei.

Até a noite passada.

Depois de uma noite de paixão ardente, quando ele me segurava em seus braços, seu corpo ainda úmido de suor, sua respiração se acalmando contra meu cabelo, ele de repente ficou frio.

Ele se afastou, sentando-se na beira da cama, suas costas uma parede rígida de músculos.

"Alina", disse ele, sua voz desprovida do calor que tinha momentos antes. "Tenho um trabalho para você."

Sentei-me, um nó de inquietação se apertando em meu estômago. "O que é?"

Ele se virou para mim, seus traços bonitos lançados na sombra, seus olhos segurando uma crueldade familiar e arrepiante. "Quero que você seduza Heitor Reis."

Meu mundo, que eu havia construído tão cuidadosamente em torno da ilusão de seu amor, se estilhaçou em um milhão de pedaços.

Ele não parou por aí.

Ele expôs o plano com precisão fria.

Eu deveria me aproximar de Heitor Reis, seu arquirrival tanto nos negócios quanto no crime.

Eu deveria me tornar amante de Heitor, criar um escândalo público tão explosivo que estaria na primeira página de todos os jornais de São Paulo.

"Por quê?" A palavra era um som cru e ferido.

A mandíbula de Damião se contraiu. "Porque a Bianca é obcecada por ele. Ela acha que ele é algum tipo de herói romântico. Quero destruir essa ilusão. Quero que ela o veja como ele é: apenas mais um homem que pode ser derrubado. Quando ela estiver de coração partido, quando sua fantasia for destruída... ela finalmente virá para mim."

Bianca Monteiro.

A socialite número um da cidade, a herdeira mimada e ingênua do império Monteiro.

A "paixão platônica" de Damião.

A mulher que ele vinha perseguindo há anos, a única mulher que o rejeitava consistentemente, seu coração fixo no único homem que Damião não conseguia derrotar: Heitor Reis.

Capítulo 2

O mundo girou em seu eixo.

Um som rugidor encheu meus ouvidos, como a corrida de uma onda prestes a me puxar para o fundo.

Por sete anos, eu fui dele.

Sua amante, sua operadora, sua sombra.

Eu levei balas por ele.

Eu menti por ele.

Eu sangrei por ele.

E agora, ele estava me pedindo para dar meu corpo a outro homem, não por poder, não por território, mas para ganhar o coração de outra mulher.

"A Bianca é... sensível", Damião continuou, alheio à ferida aberta que ele acabara de rasgar em meu peito. "Ela não gosta do mundo em que vivo. Ela não gosta de homens como eu."

Ele estava andando de um lado para o outro agora, um tigre enjaulado em sua própria prisão luxuosa.

"O plano é simples. Você se aproxima do Heitor. Você o faz te desejar. No baile de caridade anual dos Monteiro, você o atrai para uma suíte. Vou garantir que a imprensa esteja lá. Vou garantir que a Bianca esteja lá para ver tudo em primeira mão."

Bianca Monteiro.

Eu conhecia o nome dela, é claro.

Todos em São Paulo conheciam.

Ela era a filha da poderosa família Monteiro, um clã com dinheiro antigo e influência política que até mesmo Damião tinha que pisar com cuidado.

Ela era sua obsessão, o único prêmio que ele parecia não conseguir conquistar.

E ela estava apaixonada por Heitor Reis.

Totalmente, tolamente apaixonada.

A ironia era uma pílula amarga.

Por anos, Damião travou uma guerra em duas frentes: uma contra Heitor pelo controle do submundo da cidade, e outra, mais pessoal, pelo afeto de Bianca.

Bianca, em sua ingenuidade dourada, via Heitor como uma figura arrojada e misteriosa, um anti-herói romântico.

Ela era cega para as maquinações de Damião, vendo-o apenas como um homem rude e possessivo com quem ela não queria nada.

Lembrei-me da noite em que tudo começou, a noite em que Damião me "resgatou".

Não foi uma coincidência.

Ele e Bianca tiveram uma briga violenta horas antes.

Ele havia orquestrado uma aquisição hostil de uma empresa rival, um movimento que inadvertidamente prejudicou o portfólio da família Monteiro.

Ele fizera isso para provar seu poder, para mostrar a ela que era um homem digno dela.

Ele havia colocado o mundo corporativo a seus pés.

Ela o esbofeteou.

Em público, em um restaurante.

Ele voltou para a sede da facção naquela noite, seu rosto como uma nuvem de tempestade, procurando algo para quebrar.

E ele me encontrou.

Ele não me salvou por bondade.

Ele me salvou como um ato de desafio.

Ele me exibiu na frente de Bianca, uma criatura bonita e obediente completamente sob seu controle, um troféu vivo para provocá-la.

Ele estava mostrando a ela o que ela estava perdendo, o que ela poderia ter: um homem poderoso que poderia dar a uma mulher o mundo.

A partir daquele dia, tornei-me sua companhia constante.

Ele nunca me escondeu.

Ele me levava a todos os lugares, me adornando com joias e roupas de grife.

Ele me comprou uma cobertura, um carro esportivo, qualquer coisa que eu pudesse desejar.

Ele estava mostrando a Bianca: "Vê? É assim que eu trato minhas mulheres. Poderia ser você."

Lembro-me de uma festa, no início.

Um sócio bêbado fez uma piada grosseira às minhas custas, sua mão demorando demais na parte inferior das minhas costas.

Damião não disse uma palavra.

Ele simplesmente sorriu, levou o homem para fora e quebrou metodicamente todos os dedos de sua mão direita.

Ele voltou para dentro, limpando os nós dos dedos com um lenço de seda, e anunciou para a sala aterrorizada: "Ninguém toca no que é meu."

A cidade aprendeu rápido.

Eu era a mulher de Damião Medeiros.

Tocar em mim era convidar sua ira.

Eu estava segura.

Eu estava protegida.

Eu era uma posse.

E eu, cega pela gratidão e pela ilusão inebriante do amor, disse a mim mesma que era mais.

Disse a mim mesma que seu ciúme era paixão.

Disse a mim mesma que sua possessividade era um sinal de seus sentimentos profundos por mim.

Colecionei cada pequeno momento de ternura percebida, cada sorriso raro e desprotegido, e construí uma fortaleza de fantasia ao redor do meu coração.

Agora, de pé na luz fria de seu quarto, essa fortaleza desmoronou em pó.

Olhei para ele, olhei de verdade, além da máscara bonita e da fachada cuidadosamente construída.

Pela primeira vez, vi o gelo nas profundezas de seus olhos.

O mesmo olhar frio e calculista que ele dava a seus inimigos antes de destruí-los.

Não havia amor ali.

Nunca houve.

Uma única lágrima silenciosa traçou um caminho pelo meu rosto.

Meu sonho de sete anos, meu mundo inteiro, tinha sido uma mentira.

Uma piada cruel e elaborada.

A esperança à qual me agarrei por tanto tempo morreu uma morte silenciosa e dolorosa.

"Eu faço", ouvi-me dizer, minha voz um eco oco do que já foi.

Capítulo 3

O passo incessante de Damião parou.

Ele se virou para mim, um brilho de algo indecifrável em seus olhos.

Surpresa?

Eu esperava que ele ficasse satisfeito, que visse meu rápido consentimento como a obediência que ele cultivou por sete anos.

Mas sua mandíbula estava tensa, seus lábios pressionados em uma linha fina.

"Você poderia dizer não", disse ele, sua voz estranhamente tensa.

Por um momento louco e insano, eu quase disse.

A palavra estava na ponta da minha língua, uma rebelião nascida do coração partido.

Mas o que aconteceria então?

Ele encontraria outro jeito.

Ele encontraria outra garota.

E eu... eu seria expulsa, de volta à escuridão de onde ele me arrancou, mas desta vez sem esperança e com um alvo nas costas.

Eu era sua posse.

Uma posse que havia superado sua utilidade primária.

Ele deu um passo em minha direção, sua mão se estendendo como se para tocar meu rosto.

Era um gesto familiar, um que costumava fazer meu coração palpitar.

Desta vez, dei um passo para trás.

Sua mão congelou no ar.

"Sou sua assistente executiva, Sr. Medeiros", eu disse, minha voz plana e profissional, um tom que eu geralmente reservava para seus negócios. "Você dá uma ordem, eu a executo. Esse é o acordo."

Seus olhos se estreitaram, estudando-me como se estivesse me vendo pela primeira vez.

O silêncio se estendeu, denso com palavras não ditas.

Eu podia sentir seu olhar sobre mim, analítico e frio, despindo os anos de história compartilhada, de camas compartilhadas, deixando apenas a natureza crua e transacional de nosso relacionamento.

Finalmente, ele soltou um suspiro lento. "Tudo bem."

Ele caminhou até mim, seus movimentos mais uma vez fluidos e confiantes.

Ele ficou atrás de mim, suas mãos pousando em meus ombros.

Senti o calor de suas palmas através da seda fina do meu roupão, um fantasma de uma intimidade que agora estava morta.

Eu me encolhi, meus músculos se contraindo involuntariamente.

Seu aperto se intensificou por um segundo, um comando silencioso para ficar quieta.

"É apenas um papel, Alina", ele murmurou, sua voz agora suave e persuasiva, a voz que ele usava para fechar negócios e dobrar as pessoas à sua vontade. "Pense nisso como atuação. O Heitor é apenas um alvo. Isso não muda nada entre nós."

Uma risada amarga ameaçou borbulhar na minha garganta.

Não muda nada?

Tinha mudado tudo.

"Quando isso acabar", ele continuou, seus dedos traçando a linha da minha clavícula, "você pode ter o que quiser. Aquela vila em Fernando de Noronha que você gostou? É sua. A nova coleção da Cartier? Vou comprar tudo para você."

Levantei a cabeça, encontrando seu olhar no reflexo da janela escura.

"Obrigada, Sr. Medeiros", eu disse, minha voz vazia. "Vou cumprir minhas funções da melhor maneira possível."

O calor de seu corpo atrás de mim, um conforto que eu busquei por anos, agora parecia uma jaula.

O cheiro familiar de seu perfume, sândalo e algo unicamente dele, era sufocante.

Afastei-me e caminhei em direção à porta, precisando escapar da intimidade enjoativa do quarto.

"Alina."

Sua voz me parou no limiar.

Era o jeito que ele dizia meu nome, o mesmo tom baixo e íntimo que ele usava no escuro, logo antes de me puxar para perto dele.

Eu me virei.

Ele estava de pé perto da cama, uma silhueta escura contra a paisagem urbana cintilante.

As sombras escondiam sua expressão, mas eu podia sentir seu olhar, intenso e pesado.

"Espero... quando isso acabar", disse ele lentamente, "que você encontre alguém que te faça feliz."

Sua voz era suave, quase gentil. "Podemos nos separar em bons termos. Um rompimento amigável."

Um rompimento amigável.

Depois de sete anos sendo dele, de ter minha vida entrelaçada com a dele tão completamente que eu não sabia onde ele terminava e eu começava.

Pensei no dia em que ele me encontrou, uma coisa quebrada em um porão sujo.

Ele tinha sido meu salvador, meu deus.

Desde o início, eu sabia que éramos de mundos diferentes.

Ele era o sol, e eu era uma sombra, sortuda por sequer existir em sua luz.

Cada dia que passei com ele, cada toque, cada refeição compartilhada, parecia um presente roubado.

Algo que eu não merecia, mas era gananciosa o suficiente para pegar.

Eu sempre soube que este dia poderia chegar.

Só nunca pensei que doeria tanto.

Forcei meus lábios em um sorriso, uma coisa frágil e rachada. "Claro, Damião. Obrigada."

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