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A Verdade por Trás da Ferida

A Verdade por Trás da Ferida

Autor:: Gavin
Gênero: Moderno
Com oito meses de gravidez, o meu corpo falhava. O sangue escorria, uma dor aguda na barriga, pré-eclâmpsia severa. Vida ou morte. Desesperada, liguei ao meu marido, Tiago, um cirurgião de topo no mesmo hospital. Mas a sua resposta veio fria, distante: "Clara, não posso ir. A Sofia teve um acidente." Sofia. A sua irmã mais nova. O pânico subiu pela minha garganta. Quase morri na mesa de operações, o nosso bebé Lucas nasceu prematuro, lutando pela vida na UCI Neonatal. E quando Tiago finalmente apareceu, não tinha preocupação nos olhos. Apenas cansaço. Contou-me como 'salvou' a Sofia de um 'corte'. Pelo contrário, a minha sogra, Helena, chamou-o de herói e acusou-me de ingratidão. Até a própria Sofia se mudou para a nossa casa, 'traumatizada'. Será que sou eu a irracional, a 'dramática' sob efeito de medicamentos? Como podia o meu marido, um médico, priorizar um arranhão superficial à vida da sua esposa e do seu filho? O homem com quem me casei, que prometeu proteger-me, não o reconhecia. Estava cega? Eles queriam que eu me sentisse culpada. Mas uma clareza terrível atingiu-me. Não estou louca. Lutei para sobreviver, e agora vou lutar pelo meu filho. "Quero o divórcio", declarei, com uma voz firme. "E vou lutar pela custódia total do meu filho." A minha guerra começou. E não estou sozinha.

Introdução

Com oito meses de gravidez, o meu corpo falhava.

O sangue escorria, uma dor aguda na barriga, pré-eclâmpsia severa.

Vida ou morte.

Desesperada, liguei ao meu marido, Tiago, um cirurgião de topo no mesmo hospital.

Mas a sua resposta veio fria, distante:

"Clara, não posso ir. A Sofia teve um acidente."

Sofia. A sua irmã mais nova. O pânico subiu pela minha garganta.

Quase morri na mesa de operações, o nosso bebé Lucas nasceu prematuro, lutando pela vida na UCI Neonatal.

E quando Tiago finalmente apareceu, não tinha preocupação nos olhos. Apenas cansaço.

Contou-me como 'salvou' a Sofia de um 'corte'.

Pelo contrário, a minha sogra, Helena, chamou-o de herói e acusou-me de ingratidão.

Até a própria Sofia se mudou para a nossa casa, 'traumatizada'.

Será que sou eu a irracional, a 'dramática' sob efeito de medicamentos?

Como podia o meu marido, um médico, priorizar um arranhão superficial à vida da sua esposa e do seu filho?

O homem com quem me casei, que prometeu proteger-me, não o reconhecia.

Estava cega? Eles queriam que eu me sentisse culpada.

Mas uma clareza terrível atingiu-me. Não estou louca.

Lutei para sobreviver, e agora vou lutar pelo meu filho.

"Quero o divórcio", declarei, com uma voz firme.

"E vou lutar pela custódia total do meu filho."

A minha guerra começou. E não estou sozinha.

Capítulo 1

O meu sangue escorria pelas minhas pernas, manchando o chão branco do hospital. A dor na minha barriga era aguda, insuportável.

"Precisa de uma cesariana de emergência", disse o médico, com o rosto sério. "A sua pressão arterial está perigosamente alta, é pré-eclâmpsia grave."

Eu agarrei o braço dele.

"Chame o meu marido, por favor. Tiago. Ele é cirurgião aqui."

A enfermeira assentiu e pegou no telefone. Eu estava grávida de oito meses, e o nosso bebé estava em perigo. Eu estava em perigo.

Enquanto me preparavam para a cirurgia, o meu telemóvel tocou. Era Tiago. Atendi, com a voz a tremer.

"Tiago, onde estás? Preciso de ti. O bebé..."

A voz dele soou distante, tensa.

"Clara, não posso ir agora. A Sofia teve um acidente."

Sofia. A irmã mais nova dele. A menina dos olhos dele e da minha sogra.

"Que acidente? Ela está bem?", perguntei, o pânico a subir pela minha garganta.

"Ela cortou-se, perdeu muito sangue. Estou a levá-la para as urgências. Tem calma, vais ficar bem. Há outros médicos aí."

Ele desligou.

Fiquei a olhar para o telemóvel, incrédula. Outros médicos? Ele era o meu marido. Este era o nosso filho.

A enfermeira voltou, com o rosto pálido.

"O Dr. Tiago não pode vir. Disse que está numa emergência familiar."

Uma emergência familiar. Mais importante do que a vida do seu próprio filho.

A dor intensificou-se, e uma escuridão começou a tomar conta da minha visão. A última coisa que ouvi foi a voz de um médico desconhecido a gritar ordens.

"Precisamos de sangue AB negativo, agora! Estamos a perdê-la!"

Quando acordei, estava num quarto privado. A minha barriga estava vazia. O meu corpo doía.

Uma enfermeira entrou a sorrir.

"Parabéns, mamã. Teve um menino. Ele é prematuro, mas é um lutador. Está na incubadora, na UCI Neonatal."

As lágrimas rolaram pelo meu rosto. Alívio e uma dor profunda misturaram-se no meu peito.

A porta abriu-se e Tiago entrou. Ele não parecia preocupado. Parecia cansado.

"Como te sentes?", perguntou ele, a voz neutra.

Não respondi. Apenas olhei para ele.

Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo.

"Olha, a Sofia assustou-se muito. O corte era fundo. Tive de a suturar eu mesmo. Ela não confia em mais ninguém."

"E o nosso filho?", sussurrei. "E eu? Eu tenho um tipo de sangue raro, Tiago. Eu podia ter morrido."

"Mas não morreste", disse ele, encolhendo os ombros. "O Dr. Miguel tratou de ti, ele é excelente. A equipa fez o seu trabalho. Não havia necessidade de pânico."

Não havia necessidade de pânico.

Olhei para o homem com quem me casei, o homem que prometeu proteger-me, e não o reconheci.

"Quero o divórcio", disse eu, a voz surpreendentemente firme.

Capítulo 2

Tiago ficou a olhar para mim, a sua expressão mudou de cansaço para incredulidade.

"Divórcio? Estás a brincar, certo? Acabaste de ter um bebé."

"Não estou a brincar", respondi, a voz fria como gelo. "Estou a falar muito a sério."

Ele riu, um som seco e sem alegria.

"Clara, estás a ser dramática. Estás sob o efeito de medicamentos, não estás a pensar com clareza. Tivemos uma noite difícil, só isso."

"Uma noite difícil?", repeti eu. "Eu quase morri. O nosso filho nasceu prematuro porque tu estavas a dar pontos na tua irmã por causa de um corte."

"Não foi 'um corte'", disse ele, a irritação a subir-lhe à voz. "Foi um acidente sério. Ela podia ter ficado com uma cicatriz horrível. Ela estava em pânico."

A porta abriu-se novamente e a minha sogra, Helena, entrou a correr. Ela nem olhou para mim. Foi direta a Tiago, abraçando-o com força.

"Oh, meu filho! Estava tão preocupada! A Sofia disse-me o que fizeste. És um herói! Salvaste-a!"

Ela virou-se para mim, o seu olhar era acusador.

"E tu. Em vez de agradeceres por teres um marido tão competente, estás a criar problemas."

Fiquei sem palavras. Agradecer?

Tiago pôs um braço à volta dos ombros da mãe.

"Mãe, a Clara não está bem. Está cansada e confusa."

"Confusa?", disse Helena, com desdém. "Ela parece-me bastante decidida. Ouvi o que ela disse quando entrei. Divórcio. Que absurdo. Depois de tudo o que o meu filho faz por ela."

Olhei para Tiago, à espera que ele me defendesse. Que ele dissesse à mãe para parar.

Ele não disse nada. Apenas desviou o olhar.

"Saiam", disse eu, a minha voz baixa mas cheia de uma fúria que não sabia que tinha. "Saiam os dois do meu quarto. Agora."

Helena ofegou, chocada.

"Que ingratidão!"

Tiago finalmente falou.

"Mãe, talvez seja melhor irmos. Deixamo-la descansar."

Ele guiou-a para a porta, mas antes de sair, virou-se para mim.

"Vamos falar sobre isto quando estiveres mais calma. Estás a ser irracional."

A porta fechou-se, deixando-me no silêncio do quarto. Irracional. Talvez eu fosse. Ou talvez, pela primeira vez em muito tempo, eu estivesse a ver tudo com uma clareza terrível.

O meu casamento tinha acabado. Tinha acabado no momento em que o meu marido escolheu a irmã em vez de mim e do nosso filho por nascer.

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