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A Vida Depois Dele

A Vida Depois Dele

Autor:: Madison
Gênero: Romance
O celular vibrou na cozinha, mas meus olhos estavam fixos nas duas linhas vermelhas do teste. Positivo. Grávida. Depois de dois anos de tentativas, a alegria me inundou. Mal tive tempo de sonhar com o Pedro e nossa família, quando o celular vibrou de novo. Era um vídeo. O som de um samba de roda e ele, Pedro, bêbado. Alguém perguntou: "E a Maria, Pedro? Cadê a patroa?" Ele virou o rosto para a câmera, os olhos brilhando de álcool e de uma euforia cruel. "Maria? A gente está junto por costume, só isso." "A verdade? Eu não a amo mais como antes. Chega uma hora que cansa, sabe?" Meu mundo desabou. A imagem de Sofia, a estagiária "esforçada" dele, desfocada atrás dele, não saía da minha cabeça. Eu liguei, o coração batendo no peito. Ele atendeu, a voz normal. Tão normal. "Eu recebi um vídeo seu." Um silêncio. Um suspiro. "Ah, isso? Maria, pelo amor de Deus, era só uma brincadeira de bêbado." Ele desligou. Fui ao supermercado, as lágrimas escorrendo. E então os vi. Pedro e Sofia, de mãos dadas, rindo. Ele disse que estava em reunião! A raiva me dominou. "Você não me assusta mais, Pedro." Naquele dia, na calçada gelada, enquanto eu protegia um cachorrinho assustado, o mundo me cobrava mais um preço pela traição dele. Senti algo quente entre minhas pernas. Sangue. E a dor me rasgou por dentro. Perdi meu bebê. E ele, o meu marido, nem sabia que eu estava grávida. Ele nem percebeu. Agora, eu não sentia mais raiva. Eu não sentia nada. Eu olhei para o Pedro, para o homem patético e assustado a meus pés, chorando arrependido no hospital. Eu puxei minha mão. "Acabou, Pedro. Eu quero o divórcio." Era hora de recomeçar. Sem ele. Eu precisei de tempo. Curei minhas feridas, ao lado do Fofão, o cachorrinho caramelo que salvou a minha vida naquele dia. E agora, dois anos depois, ao lado de Ricardo, eu finalmente sinto que tudo o que eu passei valeu a pena. Eu finalmente estava novamente pronta para amar.

Introdução

O celular vibrou na cozinha, mas meus olhos estavam fixos nas duas linhas vermelhas do teste.

Positivo. Grávida. Depois de dois anos de tentativas, a alegria me inundou.

Mal tive tempo de sonhar com o Pedro e nossa família, quando o celular vibrou de novo.

Era um vídeo. O som de um samba de roda e ele, Pedro, bêbado.

Alguém perguntou: "E a Maria, Pedro? Cadê a patroa?"

Ele virou o rosto para a câmera, os olhos brilhando de álcool e de uma euforia cruel.

"Maria? A gente está junto por costume, só isso."

"A verdade? Eu não a amo mais como antes. Chega uma hora que cansa, sabe?"

Meu mundo desabou. A imagem de Sofia, a estagiária "esforçada" dele, desfocada atrás dele, não saía da minha cabeça.

Eu liguei, o coração batendo no peito. Ele atendeu, a voz normal. Tão normal.

"Eu recebi um vídeo seu."

Um silêncio. Um suspiro. "Ah, isso? Maria, pelo amor de Deus, era só uma brincadeira de bêbado."

Ele desligou.

Fui ao supermercado, as lágrimas escorrendo. E então os vi. Pedro e Sofia, de mãos dadas, rindo.

Ele disse que estava em reunião! A raiva me dominou.

"Você não me assusta mais, Pedro."

Naquele dia, na calçada gelada, enquanto eu protegia um cachorrinho assustado, o mundo me cobrava mais um preço pela traição dele.

Senti algo quente entre minhas pernas. Sangue. E a dor me rasgou por dentro.

Perdi meu bebê.

E ele, o meu marido, nem sabia que eu estava grávida. Ele nem percebeu.

Agora, eu não sentia mais raiva. Eu não sentia nada.

Eu olhei para o Pedro, para o homem patético e assustado a meus pés, chorando arrependido no hospital.

Eu puxei minha mão. "Acabou, Pedro. Eu quero o divórcio."

Era hora de recomeçar. Sem ele.

Eu precisei de tempo. Curei minhas feridas, ao lado do Fofão, o cachorrinho caramelo que salvou a minha vida naquele dia.

E agora, dois anos depois, ao lado de Ricardo, eu finalmente sinto que tudo o que eu passei valeu a pena.

Eu finalmente estava novamente pronta para amar.

Capítulo 1

O celular vibrou na mesa da cozinha, mas Maria nem notou.

Seus olhos estavam fixos nas duas linhas vermelhas que apareceram na pequena janela de plástico.

Positivo.

Uma onda de calor subiu por seu corpo, um misto de euforia e pânico. Ela pegou o teste de gravidez com as mãos trêmulas, trazendo-o para mais perto do rosto, como se a proximidade pudesse tornar aquilo mais real.

Grávida.

Depois de dois anos de tentativas, de tabelas de ovulação, de chás de ervas recomendados pela sogra e de uma decepção silenciosa a cada mês, finalmente aconteceu.

Um sorriso lento se abriu em seus lábios. Ela imaginou a reação de Pedro. Ele ficaria surpreso, talvez um pouco assustado, mas no fundo, feliz. Eles teriam um filho, uma família de verdade. Dona Lúcia, sua sogra, finalmente pararia de olhá-la com aquele ar de pena e desaprovação.

O celular vibrou de novo, com mais insistência.

Ela o pegou, ainda sorrindo, e viu uma notificação de mensagem de um número desconhecido. Por um instante, pensou em ignorar, mas a curiosidade foi mais forte.

Era um vídeo.

Ela abriu.

O som alto de um samba de roda encheu a cozinha. A imagem tremia, como se filmada às pressas. No centro da roda, suado e com um copo de cerveja na mão, estava Pedro. Ele ria, um riso alto e solto que ela não ouvia há muito tempo.

Alguém fora da câmera gritou: "E a Maria, Pedro? Cadê a patroa?"

Pedro virou o rosto para a câmera, os olhos brilhando de álcool e de uma euforia cruel. Ele deu um gole na cerveja e disse, com a voz arrastada:

"Maria? A gente tá junto por costume, só isso."

Ele fez uma pausa, e o sorriso em seu rosto se tornou um esgar.

"A verdade? Eu não a amo mais como antes. Chega uma hora que cansa, sabe?"

O vídeo terminou abruptamente.

O silêncio na cozinha era ensurdecedor. O sorriso de Maria desapareceu. O teste de gravidez em sua mão de repente pareceu pesado, frio. Ela sentiu um frio na barriga, o mesmo frio que sentia todo mês quando a menstruação descia, mas mil vezes pior.

Ela assistiu ao vídeo de novo. E de novo. Cada vez, as palavras de Pedro pareciam mais nítidas, mais cruéis. "Não a amo mais como antes." "Cansa."

Seu olhar vasculhou a tela, buscando algo, qualquer coisa que negasse o que ouviu. E então ela viu. Atrás de Pedro, um pouco desfocada, mas inconfundível, estava uma garota. Jovem, cabelo liso e preto, olhando para Pedro com uma admiração que beirava a adoração.

Maria a reconheceu.

Sofia. A nova estagiária do escritório de Pedro. A garota que ele descreveu como "uma menina esforçada, cheia de gás".

A bile subiu por sua garganta. A alegria de minutos atrás se transformou em pó. Em uma mão, a promessa de uma nova vida. Na outra, a prova de que a sua vida atual era uma mentira.

Ela precisava falar com ele. Precisava ouvir da boca dele.

Seu dedo pairou sobre o nome de Pedro na lista de contatos. Seu coração batia descontroladamente, um tambor de pânico em seu peito. O que ela diria? Como começaria a conversa? A imagem de Sofia olhando para Pedro não saía de sua cabeça.

Ela respirou fundo e ligou.

O telefone chamou uma, duas, três vezes. Ela quase desligou quando ele finalmente atendeu.

"Oi, amor. Aconteceu alguma coisa?"

A voz dele era normal, talvez um pouco cansada. Nenhuma pista do homem bêbado e cruel do vídeo.

A voz de Maria saiu como um sussurro.

"Onde você está, Pedro?"

"No trabalho, ué. Reunião atrás de reunião. Por quê?"

"Eu recebi um vídeo seu."

Houve um silêncio do outro lado da linha. Um silêncio que durou uma eternidade.

"Que vídeo?", ele perguntou, a voz agora cautelosa.

"Você numa festa de samba. Dizendo que... dizendo que não me ama mais."

Ela ouviu um suspiro do outro lado. Não era um suspiro de surpresa ou negação. Era um suspiro de cansaço, de quem foi pego.

"Ah, isso", ele disse, com uma leveza que a feriu profundamente. "Maria, pelo amor de Deus, era só uma brincadeira de bêbado. Você sabe como são essas coisas, o pessoal fica enchendo o saco, a gente fala qualquer besteira."

"Besteira?", ela repetiu, a voz embargada. "Você disse que está comigo por costume."

"E qual o problema? A gente não tá? Olha, eu tô no meio de uma coisa importante aqui. A gente conversa em casa, tá bom?"

E antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa, ele desligou.

Maria ficou olhando para o telefone, o som do "tu-tu-tu" ecoando na cozinha silenciosa. "Só uma brincadeira", ele disse. Ela olhou para o teste de gravidez sobre a mesa. A maior notícia de sua vida, reduzida a nada em menos de cinco minutos.

Capítulo 2

As lágrimas que Maria segurou durante a ligação com Pedro desabaram sem aviso no corredor do supermercado.

Ela estava parada em frente à prateleira de fraldas, tentando se concentrar nos pacotes coloridos, mas tudo o que via era o rosto de Pedro no vídeo, rindo. O som do samba parecia ecoar em sua cabeça.

Uma senhora que empurrava um carrinho parou ao seu lado e perguntou, com uma gentileza preocupada:

"Tudo bem, minha filha?"

Maria apenas balançou a cabeça, incapaz de formar palavras. As lágrimas escorriam quentes por seu rosto, e ela se sentia estúpida por chorar em público, mas não conseguia parar.

De repente, uma voz masculina, calma e firme, soou perto dela.

"Com licença. Você parece não estar se sentindo bem. Precisa de um copo d'água?"

Ela ergueu os olhos e viu um homem alto, de jaleco branco, parado a uma pequena distância. Ele tinha um olhar sereno e preocupado. Pela identificação em seu peito, ela viu que era médico da clínica que ficava dentro do supermercado. Dr. Ricardo.

"Eu... eu estou bem", ela mentiu, tentando secar o rosto com as costas da mão.

"Tem certeza? Você está muito pálida", ele insistiu, sem ser invasivo. "Se precisar, a clínica está logo ali. Pode descansar um pouco."

Ela murmurou um "obrigada" e se virou, empurrando o carrinho vazio para longe, querendo apenas fugir daquela situação, da gentileza do estranho, de tudo.

Foi quando ela os viu.

No final do corredor, perto da seção de vinhos, estavam Pedro e Sofia.

Eles não a viram. Estavam rindo, escolhendo uma garrafa. Pedro pegou uma, mostrou para Sofia, e ela tocou o braço dele de um jeito que não era de colega de trabalho. Era um toque íntimo, demorado.

O ar sumiu dos pulmões de Maria. Ele disse que estava em reunião. Mentiu. Estava ali, com ela.

Com o coração martelando no peito, Maria empurrou o carrinho na direção deles. O barulho das rodas no piso liso pareceu um trovão.

Pedro se virou ao ouvir o som e seu rosto congelou quando a viu. O sorriso morreu em seus lábios. Sofia também a viu e deu um passo para trás, adotando uma expressão de inocência assustada.

"Maria? O que você tá fazendo aqui?", Pedro perguntou, a voz tensa.

"Eu te pergunto a mesma coisa. Pensei que estivesse numa reunião importante", ela disse, a voz tremendo de raiva contida.

"Eu... a reunião acabou mais cedo. Sofia precisava de uma carona e passamos aqui pra comprar um vinho pra um jantar de negócios", ele gaguejou, a desculpa fraca e óbvia.

Sofia deu um passo à frente, com um sorriso sem graça.

"Oi, Maria. Tudo bem? A gente só tava..."

"Eu não falei com você", Maria a cortou, fria.

Pedro franziu a testa, a irritação substituindo a surpresa.

"Maria, não seja grossa. O que deu em você? Você estava chorando?"

Ele notou o rosto inchado dela, mas não havia preocupação em seu tom, apenas impaciência, como se o choro dela fosse um incômodo.

"Não importa", ela disse, o olhar fixo nele.

"Claro que importa! Você tá fazendo uma cena no meio do supermercado", ele disse, baixando a voz, olhando ao redor para ver se alguém estava prestando atenção. Ele colocou a mão no braço de Sofia, um gesto protetor quase inconsciente. "Vamos pra casa. A gente conversa lá."

A mão dele no braço dela. Aquele pequeno gesto foi a confirmação final. Ele a estava protegendo. Dela.

Foi então que Maria entendeu. A garota do vídeo e a estagiária do escritório eram a mesma pessoa. A "menina esforçada" era a amante de seu marido.

"Então é ela?", Maria perguntou, a voz baixa e perigosa.

Pedro ficou em silêncio, o rosto se fechando em uma máscara de teimosia.

"Do que você está falando, Maria?", Sofia perguntou, a voz soando falsamente confusa. "Eu sou a estagiária do Pedro, você sabe..."

"Eu sei exatamente quem você é", disse Maria, olhando diretamente nos olhos dela. A máscara de inocência de Sofia vacilou por um segundo.

O mundo de Maria parecia ter encolhido àquele corredor de supermercado, com as luzes fluorescentes zumbindo acima de sua cabeça e o cheiro de produtos de limpeza no ar. Tudo era uma mentira.

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