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A Vingança da Esposa Traída

A Vingança da Esposa Traída

Autor:: Miles Frost
Gênero: Moderno
Eu preparei o jantar perfeito para comemorar nosso projeto e finalmente contar ao meu marido, André, sobre a gravidez que lutei anos para conseguir. Mas ele me trocou por um "compromisso inadiável": um evento de gala com sua amante, Cármen, que apresentava meu projeto de vida como se fosse dela. O choque da traição me fez perder nosso bebê. Meses depois, em uma festa, ele me forçou a beber, causando um segundo aborto. Enquanto eu sangrava no chão, ele me acusou de fingir e me abandonou para ficar com Cármen, que também esperava um filho dele. Ele roubou meu projeto, meu dinheiro e a vida dos meus dois filhos. Para ele, eu não era nada. Após a segunda perda, meu vizinho me resgatou e revelou ser o herdeiro de um império, me oferecendo o cargo de diretora. Com acesso a novos recursos, descobri a fraude financeira de André. Liguei para minha advogada. "Eu tenho as provas. Provas que não só vão deixá-lo sem um centavo, mas que podem levá-lo para a cadeia."

Capítulo 1

Eu preparei o jantar perfeito para comemorar nosso projeto e finalmente contar ao meu marido, André, sobre a gravidez que lutei anos para conseguir.

Mas ele me trocou por um "compromisso inadiável": um evento de gala com sua amante, Cármen, que apresentava meu projeto de vida como se fosse dela.

O choque da traição me fez perder nosso bebê. Meses depois, em uma festa, ele me forçou a beber, causando um segundo aborto.

Enquanto eu sangrava no chão, ele me acusou de fingir e me abandonou para ficar com Cármen, que também esperava um filho dele.

Ele roubou meu projeto, meu dinheiro e a vida dos meus dois filhos. Para ele, eu não era nada.

Após a segunda perda, meu vizinho me resgatou e revelou ser o herdeiro de um império, me oferecendo o cargo de diretora. Com acesso a novos recursos, descobri a fraude financeira de André.

Liguei para minha advogada.

"Eu tenho as provas. Provas que não só vão deixá-lo sem um centavo, mas que podem levá-lo para a cadeia."

Capítulo 1

Sofia POV:

O bolo de chocolate e morangos, coberto com glacê branco imaculado e cintilantes granulados prateados, estava perfeito. A toalha de mesa de linho, que eu havia guardado para ocasiões especiais, espalhava-se sobre a nossa mesa de jantar. As duas taças de cristal, que ganhamos no nosso noivado, reluziam sob a luz suave. Tudo estava pronto para a nossa pequena celebração, a véspera do lançamento do nosso grande projeto.

"Amor, está tudo pronto aqui! O jantar está na mesa e o bolo está te esperando. Mal posso esperar para celebrarmos", digitei, enviando a mensagem para André com uma foto do nosso apartamento festivo.

A resposta veio quase instantaneamente, um breve e-mail sem emoção. André não estaria presente. Ele tinha um "compromisso inadiável de última hora". De novo.

Uma pontada fria atravessou meu peito. Eu já deveria estar acostumada.

Com um suspiro que soou mais como um gemido, eu apaguei as velas. As luzes cintilantes que eu havia pendurado com tanto carinho pareceram murchar, e o ar festivo que eu tinha criado com tanto esmero dissipou-se. Retirei o bolo da mesa, sentindo um gosto amargo na boca. Ele sempre esquecia os nossos momentos importantes.

Nove anos. Nove anos de datas esquecidas, promessas quebradas e uma sensação persistente de que eu era sempre a segunda opção. Minha mente vagou pelas incontáveis vezes em que ele se lembrava do aniversário da mãe, do dia em que conheceu Cármen... A própria Cármen Dorneles, a chef celebridade que ele insistia em chamar de "apenas uma amiga".

Uma amiga que ele levava flores caras, que presenteava com joias extravagantes, e para quem ele nunca "esquecia" uma data. Uma amiga cujos posts nas redes sociais pareciam sempre surgir quando André estava "ocupado demais" para mim.

Meu olhar recaiu sobre o envelope branco repousando na mesa de centro. Os resultados. O exame que eu finalmente havia feito, depois de anos de tratamentos falhos e desilusões. Eu havia planejado contar a ele hoje, durante o nosso jantar íntimo, como uma surpresa para celebrar a nova fase da empresa.

Mas agora, qual era o sentido?

Nos últimos três anos, nossa vida de casal tinha se resumido a uma montanha-russa de esperanças e frustrações. Tinha sido um ciclo interminável de consultas médicas, agulhas e medicamentos que prometiam um milagre. Meu corpo, antes um templo de vitalidade, tornou-se um campo de batalha, marcado por cicatrizes visíveis e invisíveis. Cada tentativa fracassada era um golpe, uma lágrima silenciosa derramada no travesseiro, enquanto André, absorto em seus próprios interesses, mal notava minha dor. Ele dizia que me amava, mas seu amor parecia pálido e distante, incapaz de penetrar a armadura de sua indiferença.

Os médicos haviam me dado menos de 10% de chance de engravidar naturalmente. Mas eu nunca desisti. Eu não podia. A ideia de ter um bebê, de criar uma família com o homem que eu amava, era o meu motor, a minha luz no fim do túnel. Até hoje.

Quando o resultado positivo veio, há algumas semanas, o mundo pareceu se iluminar. Era um milagre. Minha chance. Nosso futuro.

Mas o brilho daquele milagre se estilhaçou no momento em que eu li a mensagem de André.

Era para ser a noite perfeita. Mas a vida, como sempre, tinha outros planos.

Meu telefone vibrou com uma notificação. Era um alerta de notícias. Um evento de gala. A inauguração de um novo restaurante badalado. O nome "Cármen Dorneles" saltou da tela. E ao lado dela, sorrindo como um bobo apaixonado, estava ele. André Pires. O homem que tinha um "compromisso inadiável de última hora".

Meu estômago se revirou. Uma onda de náusea subiu pela minha garganta.

Eu cliquei nas fotos, e cada imagem era um soco no estômago. Cármen, desfilando com um vestido de grife, apresentava pratos que eram cópias exatas das minhas receitas, da minha visão. Ela falava sobre "sustentabilidade" e "inovação alimentar" com a minha própria paixão, a minha própria linguagem.

A minha empresa. O meu projeto de vida. Roubado.

O telefone vibrou novamente. Uma mensagem do banco. "Conta da empresa encerrada. Fundos esgotados."

Minhas mãos tremiam tanto que o telefone quase caiu. Fechei os olhos, mas as imagens da Cármen e do André, felizes, roubando o meu futuro, queimavam na minha mente.

Ele me acusaria publicamente de má gestão, eu sabia. Ele sempre fez isso. Ele sempre me fez sentir pequena, incompetente.

Uma dor aguda perfurou meu baixo ventre. Uma dor que eu já havia sentido antes, mas nunca com essa intensidade.

Não. Não podia ser. Eu não podia perder o meu bebê também.

André não sabia da gravidez. Ninguém sabia. Eu tinha mantido em segredo, querendo que fosse a surpresa perfeita, a cereja no topo do bolo da nossa celebração de lançamento. Mais uma coisa que ele havia arruinado.

A dor se intensificou, espalhando-se como fogo. Minha visão escureceu. Minhas pernas fraquejaram.

"Não", sussurrei, a voz embargada. Eu me agarrei à bancada da cozinha, tentando me firmar. A náusea voltou com força total. Corri para o banheiro, vomitando até não ter mais nada no estômago.

Quando levantei a cabeça, a imagem no espelho era de uma mulher pálida, com os olhos vermelhos e desesperados. Mas não era só o cansaço. Havia sangue.

Não, não, não!

O pânico tomou conta de mim. A dor era insuportável agora, como se alguém estivesse apertando minhas entranhas com garras de ferro. Eu me joguei no chão frio do banheiro, as mãos instintivamente sobre minha barriga. Meu bebê. Meu milagre.

Eu tinha que protegê-lo. Não importava o quão cruel André fosse, não importava o quanto eu tivesse sido traída. Meu bebê era tudo o que me restava.

Com a pouca força que me restava, rastejei até o telefone. Meus dedos escorregavam na tela, mas consegui discar o número de emergência. A voz do atendente parecia distante, abafada.

"Preciso de ajuda", gaguejei, sentindo um suor frio escorrer pela minha testa. "Estou grávida... estou sangrando..."

As palavras se embolaram na minha boca. A dor era um tsunami, varrendo toda a minha capacidade de raciocinar. Eu tentei me levantar, mas minhas pernas cederam. Caí de joelhos.

Não era a primeira vez que eu me sentia mal hoje. Eu tinha tido algumas tonturas e um desconforto abdominal leve pela manhã. Mas eu descartei, atribuindo ao estresse do lançamento e à excitação da minha surpresa. Eu havia me forçado a descansar um pouco, tentando poupar energia para o que eu acreditava ser a noite mais importante da nossa vida. A ironia era cruel.

Talvez fosse só um susto. Uma pequena complicação. Eu queria acreditar. Eu tinha que acreditar.

Mas então, o chão começou a girar. Minha cabeça bateu na parede fria. Uma escuridão profunda me engoliu.

Ouvi um som abafado, como um chamado distante. "Sofia? Sofia!"

Era Artur, meu vizinho. Ele devia ter ouvido o barulho.

Uma mão gentil me virou. Artur. Seu rosto, geralmente tão sereno, estava marcado pela preocupação.

"Meu Deus, Sofia! Você está sangrando! O que aconteceu?" Sua voz era urgente.

"O bebê", sussurrei, a voz mal saindo. "Me ajude... hospital..."

Ele não hesitou. Com uma força surpreendente, ele me levantou e me carregou para fora do apartamento, para a escuridão da noite.

No hospital, o médico, com o rosto grave, confirmou meus piores medos.

"Lamento, Sra. Rosa. Não conseguimos salvá-lo."

Meu mundo desabou.

O médico continuou, sua voz um murmúrio distante. "Você sofreu um aborto espontâneo. O impacto da queda e o estresse agudo foram demais para a gravidez, que já era de alto risco. Precisamos mantê-la em observação. Seu útero está muito fragilizado."

Ele se virou para Artur, que ainda estava ao meu lado. "É crucial que ela tenha repouso absoluto. E por favor, o pai precisa estar ciente. Ela precisará de muito apoio daqui para frente."

Eu forcei um sorriso amargo. "Não precisa se preocupar, doutor. Ele... ele está em um compromisso muito importante."

A verdade era que ele nunca se importaria. Ele nunca se importou.

Capítulo 2

Sofia POV:

O médico foi inflexível. Eu precisava ficar em observação. Meu corpo estava traído e eu não tinha forças para argumentar. Enquanto as enfermeiras se moviam ao meu redor, Artur permaneceu firme em uma cadeira ao lado da minha cama, uma presença silenciosa e reconfortante. Ele havia cuidado de tudo, desde a papelada da internação até garantir que eu tivesse um quarto tranquilo.

Em um momento de silêncio, ele perguntou, sua voz suave, quase hesitante. "Sofia, devo ligar para o André? Ele precisa saber."

Minha garganta se apertou. Eu hesitei por um longo minuto, o peso de todas as traições, todas as decepções, pesando sobre mim. A imagem dele sorrindo ao lado de Cármen no lançamento, enquanto meu mundo desmoronava, era um punhal cravado em meu coração.

"Não", eu disse, minha voz rouca, mas firme. "Não precisa. E... não se preocupe em ligar para ele. Na verdade, estou em processo de divórcio."

Artur piscou, surpreso. Seus olhos castanhos, geralmente tão calmos, revelaram um lampejo de consternação. Uma ruga se formou entre suas sobrancelhas. Eu vi o choque em seu rosto e senti um pingo de culpa por despejar tudo aquilo sobre ele.

"Me desculpe. Eu não queria... é só que..." Minhas palavras se perderam.

Ele balançou a cabeça, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios. "Não, Sofia. Não precisa se desculpar por nada. Está tudo bem. Eu entendo." Ele pegou minha mão por um instante, um gesto de puro apoio, antes de soltá-la.

O calor de sua mão em contraste com o gelo que se instalara em meu coração fez uma lágrima silenciosa escorrer pelo meu rosto. Era um contraste tão gritante com a indiferença de André. Por anos, eu havia tolerado a sua impaciência, as suas críticas. "Você é dramática demais", ele resmungava quando eu chorava. "Por que você não consegue ser mais como a Cármen? Ela é tão... equilibrada."

A menção de Cármen era sempre um gatilho.

Meu telefone vibrou. Era uma mensagem de André.

Uma foto. Uma tiara de flores secas. Feia. Sem graça.

"Comprei isso para você", dizia a mensagem. "É uma edição limitada daquela artesã que você gosta. Não diga que não penso em você."

Meu sangue ferveu. Eu conhecia aquela artesã. As tiaras mais bonitas e caras dela eram frescas, vibrantes. Aquela era a versão mais barata, ressecada, quase murcha.

Rapidamente, abri o Instagram. Lá estava. Cármen, com um buquê de flores frescas e uma tiara idêntica, mas impecável, na cabeça. "Meu amor, André, você me surpreende a cada dia! As flores mais lindas e a peça mais exclusiva para a mamãe e o bebê! #abençoada #futuramamãe"

O ar me faltou. Meu coração batia tão forte que parecia que ia explodir. Grávida. Cármen estava grávida. E André chamava a ela de "meu amor". Ele comprou para ela a tiara perfeita, e para mim, a versão murcha.

A tiara murcha. A versão rejeitada. Ele havia me dado as sobras.

Uma risada amarga escapou dos meus lábios. André, tão previsível em sua crueldade.

Eu digitei, minhas mãos tremendo de raiva. "Não, obrigada. Não quero as sobras da Cármen. Dê a ela. Ela parece precisar mais de flores murchas do que eu."

O telefone tocou imediatamente. Era ele. André.

"O que diabos é isso, Sofia? Qual é o seu problema? Ciúmes? Você está agindo como uma criança mimada!" A voz dele explodiu no meu ouvido, carregada de raiva. "Eu te dou uma vida de luxo, e você me acusa de quê? De ser gentil com uma amiga? Cármen é apenas uma colega, uma artista! Você é patética!"

Patética. A palavra ecoou na minha mente.

Uma vida de luxo? Eu quis rir. Do que ele estava falando?

Nosso relacionamento começou oito anos atrás, muito antes da Cármen existir na nossa vida. Naquela época, André não tinha nada. A família dele não era rica. Ele veio de origens humildes, assim como eu.

Lembro-me de quando ele estava começando a nossa startup. Ele não tinha dinheiro. Ele dormia em sofás de amigos, comia macarrão instantâneo. Eu estava lá. Eu investi minhas economias, minhas horas, minha alma. Eu acreditei nele. Eu o apoiei em cada passo, em cada fracasso, em cada pequena vitória.

Por anos, vivi modestamente, economizando cada centavo. Eu não gastava com luxos, não comprava roupas de grife. Minha paixão era nosso projeto, nossa empresa. Eu acreditava que estávamos construindo um futuro juntos. Para nós. Para a nossa família.

E em troca, recebi "patética" e "mimada".

Mesmo assim, a mãe dele, minha sogra, sempre me culpava por não ter engravidado. "Você não está contribuindo com a família", ela dizia, a voz fria. "André precisa de um herdeiro."

E agora, Cármen estava grávida. Do herdeiro dele.

"Vida de luxo?", eu sussurrei para mim mesma, a voz embargada.

Artur, que estava em um canto do quarto, se aproximou lentamente. Em suas mãos, havia uma bandeja com uma sopa fumegante e uma torrada simples. O cheiro era suave, reconfortante. Ele colocou a bandeja na mesinha ao lado da cama.

"Sofia, você precisa comer", ele disse, sua voz gentil.

A voz de Artur foi ouvida pelo telefone. Um silêncio gélido se instalou do outro lado da linha. Então, a voz de André explodiu novamente, mais alta e furiosa do que antes.

"Quem é esse aí, Sofia? É por isso que você está agindo assim? Tem outro homem no seu quarto de hospital? Você me traiu, não é? Sua vadia!"

Minhas mãos tremeram tanto que quase deixei o telefone cair. "Estou no hospital, André! Eu perdi o nosso bebê!"

Um silêncio pesado. Então, uma risada fria e zombeteira.

"Você é ridícula, Sofia! Sempre com seus draminhas. 'Nosso bebê'? Você sabia que eu não queria ter filhos agora, não é? Você está inventando isso para me prender! Você é doente!"

As palavras dele foram um golpe. Mais do que a traição, mais do que a perda do bebê. Ele negou a existência do meu filho. Ele me chamou de doente.

Meu corpo inteiro tremia, mas uma calma estranha, gelada, se apoderou de mim.

Este homem. Este monstro. Ele não valia mais uma lágrima.

Meu bebê. Eu havia lutado tanto por ele. E eu não permitiria que a memória dele fosse manchada pela crueldade de André.

"Você está certo, André", eu disse, minha voz surpreendentemente calma. "Não há nada para você aqui. Não vou mais te prender. Minha vida será muito mais tranquila sem você nela."

Pela primeira vez em anos, eu mesma desliguei o telefone na cara dele.

Imediatamente, uma enxurrada de mensagens de texto começou a chegar. "Você vai se arrepender!", "Não me peça perdão depois!", "Você não é nada sem mim!"

Eu simplesmente coloquei o telefone de lado. Peguei a colher e comecei a comer a sopa que Artur havia trazido. Era insosso, mas eu precisava de força.

Capítulo 3

Sofia POV:

"Sofia, você precisa vir. Cármen está dando uma festa para anunciar a gravidez. Ela quer você lá." A voz de André no telefone era um amálgama estranho de ordem e súplica. "Não me faça passar vergonha, por favor. É importante para a minha imagem."

Eu ri, um som seco e sem humor. "Sua imagem? E a minha, André? O que resta dela?"

"Não seja ridícula. Você é minha esposa. As pessoas esperam que você esteja lá."

Eu sabia que ele estava me usando para dar uma fachada de normalidade à situação, para legitimar a Cármen. Mas meu coração, quebrado e remendado, já não sentia dor. Eu havia assinado os papéis do divórcio. Eles estavam com meu advogado, esperando apenas a assinatura dele. Eu estava livre.

"Tudo bem, André. Eu vou." A voz de Artur me veio à mente. "Você não é mais refém de ninguém, Sofia." E ele estava certo. Eu não era. Eu não seria.

A festa de Cármen era em um salão opulento no centro da cidade. Luzes cintilantes, música alta. Ela devia ter gasto uma fortuna.

Eu entrei, sentindo-me um espectro. Meu corpo ainda estava frágil. Eu estava pálida, com olheiras profundas. O vestido preto que eu usava parecia pendurado em mim.

Então ela chegou. Cármen. Radiante. Uma deusa de cabelos esvoaçantes e um sorriso vitorioso. Ela usava um vestido vermelho, que realçava sua barriga já proeminente. Parecia um fogo, queimando tudo ao redor.

"Olha só a Cármen! Que mulher inspiradora! Artista independente, mãe solteira por opção. Um exemplo de força feminina!", ouvi uma mulher sussurrar, a voz cheia de admiração.

"Nada a ver com certas donas de casa que só sabem se encostar no marido", outra acrescentou, e senti os olhares se virarem para mim, carregados de escárnio.

Cármen sorriu, um sorriso doce e falso, e ergueu uma taça de champanhe. "Por favor, pessoal, a conta é minha!"

Um homem propôs um jogo. "Que tal 'Verdade ou Desafio' para animar a noite?"

A garrafa girou e parou em Cármen. "Verdade", ela escolheu, com um brilho nos olhos.

Uma amiga dela, uma mulher com um sorriso malicioso, fez a pergunta. "Cármen, você deixaria seu futuro filho chamar o André de pai?"

Cármen acariciou a barriga com um sorriso vitorioso e olhou diretamente para mim. Um flash de triunfo em seus olhos.

"Sofia, querida, eu sei que isso deve ser difícil para você. Mas pense bem", ela disse, a voz cheia de falsa compaixão. "Quando meu filho nascer, ele será o herdeiro legítimo de André. Ele virá de uma linhagem de sucesso, de grandes artistas. Ele cuidará de você e do André na velhice. Não se preocupe."

A multidão aplaudiu. Risadas abafadas. Meu estômago se apertou.

Mas eu não senti nada. Meu rosto permaneceu impassível. Minha alma estava vazia.

Nos últimos dois anos, desde que o André começou a fazer sucesso, a Cármen passou a frequentar a nossa vida como uma sombra. No início, eu estava chocada, com raiva, com ciúmes. Eu gritei com André, implorei para ele parar. Ele sempre a escolhia. Me chamava de imatura, de paranoica.

Com o tempo, a dor deu lugar à exaustão. A raiva se transformou em cansaço. E agora, apenas indiferença. Meu coração estava em paz.

"Não se preocupe, Cármen", eu disse, minha voz baixa, mas clara, cortando o barulho da multidão. "Você pode ter a sua 'família de sucesso'. Mas eu não preciso de um herdeiro para cuidar de mim. E não preciso do André para nada. Na verdade, sugiro que você incentive ele a assinar os papéis do divórcio o mais rápido possível. Assim, ele pode se concentrar totalmente no seu 'legítimo herdeiro'."

O sorriso de Cármen vacilou. O rosto de André ficou branco.

"Sofia! O que você está dizendo?", ele sibilou, a raiva em seus olhos.

Eu dei um sorriso frio. "Estou dizendo, André, que você não é tão importante quanto pensa. E que eu não me importo mais com você."

A cara dele era uma mistura de pânico e incredulidade. Ele tentou dizer algo, mas Cármen o puxou para perto.

"Tudo bem, pessoal! Chega de drama! Vamos continuar o jogo!" A amiga de Cármen tentou acalmar a situação.

A garrafa girou novamente. E desta vez, parou em mim.

"Verdade ou Desafio, Sofia?", ela perguntou, um sorriso cruel.

Eu ia escolher "Verdade", mas Cármen se adiantou. "Desafio! Ela não tem coragem para a verdade. Eu desafio a Sofia a beijar o primeiro homem que sair daquela porta!" Ela apontou para a saída, rindo.

Eu observei a cena com uma calma gélida. Era um circo. E eles eram os palhaços.

"Não! Sofia não pode fazer isso!", André gritou, empurrando três taças de champanhe em minha direção. "Ela não vai conseguir! Beba isso, Sofia! Será a sua punição!"

A amiga de Cármen interveio. "É verdade, André está aqui. É desrespeitoso. Beba, Sofia!" A multidão concordou.

Eu me levantei, meus olhos fixos no rosto de Cármen. "Por que eu iria querer desistir, Cármen? Eu nunca desisto de um desafio."

André se levantou bruscamente, o rosto vermelho. "Sofia, você está me provocando, não está?"

Eu não respondi. Ele me chamava de provocadora, mas beijava a Cármen na minha frente?

Cármen se aproximou, um sorriso no rosto. Seus olhos, no entanto, estavam fixos em minha barriga. "André, querido, é só um champanhe. A porcentagem de álcool é mínima. Não vai fazer mal nenhum."

André, como um cão adestrado, virou-se para mim, a taça na mão. "Beba, Sofia! Não me envergonhe mais!"

Ele me empurrou contra a parede, e a taça de champanhe se chocou contra meus lábios. O líquido borbulhante escorreu pelo meu queixo, parte dele entrando na minha boca, parte salpicando meus olhos. Eu tossi, engasgando.

"Você é ridícula!", ele gritou. "Sempre criando uma cena!"

A dor. A dor no meu baixo ventre. Não! Não de novo!

Eu tentei me defender, empurrá-lo, mas minhas pernas fraquejaram. Caí no chão.

Meu bebê!

A dor era dilacerante. Eu instintivamente cobri minha barriga, um grito primal rasgando minha garganta.

"Não! Me ajude! Meu bebê!"

André, por um instante, pareceu chocado. Ele estendeu a mão, mas o olhar em seu rosto era de desdém. "Sofia, é só uma queda. Você não vai morrer por isso. Pare de fazer drama!"

Foi então que uma mulher ao lado gritou, seus olhos arregalados.

"Sangue! Meu Deus, tem muito sangue!"

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