Por cinco longos anos, fui Tônia Ferraz, a esposa troféu do famoso jogador Leonardo.
Mas na noite em que os papéis do divórcio chegaram, senti um vazio oco, ele me descartou como se eu fosse um acessório velho e sem valor.
Em um ato de desespero e raiva, mergulhei na balada, e bêbada, subi no balcão e anunciei: "Quem passar a noite com esta garota, ganha mil reais!".
Eu só queria esquecer a dor, a humilhação de ter minha dedicação transformada em um conto mentiroso sobre "eu usar o dinheiro dele pra sustentar a família brega", quando na verdade, eu havia bancado a família dele com a minha herança.
Mas o que era para ser uma noite de esquecimento com um desconhecido se transformou, quando Pedro, um homem misterioso e incrivelmente magnético, aceitou minha proposta.
Sua intensidade beirava a agressividade, me forçando a impor limites, e foi quando a verdade veio à tona: eu estava grávida.
Aquele bebê, fruto de uma noite caótica, me deu a força para rejeitar seu pedido de casamento e construir meu próprio império da moda, longe de suas tentativas de controle.
Até que ele reapareceu, revelando ser Pedro Henrique, um magnata que me observava há anos, e, para meu choque, o pai do meu filho.
Seu amor era avassalador, e suas ações protegendo a mim e nosso filho de Leonardo, que tentou me humilhar mais uma vez em público, quebraram minhas últimas barreiras.
Ninguém nunca me amou assim, e eu sabia que aquele amor, embora intenso, era real e profundo.
Na noite em que os papéis do divórcio finalmente chegaram, Maria Antônia, ou Tônia, como era chamada, sentiu um vazio oco tomar conta do peito. Por cinco anos, ela havia sido a Sra. Leonardo Ferraz, a esposa troféu do mais famoso e arrogante jogador de futebol do Brasil. Agora, era apenas Tônia. Com a assinatura que a libertava, veio também uma solidão esmagadora.
Para afogar o silêncio, ela vestiu a primeira peça de roupa que encontrou, um vestido preto simples que não usava há anos, e foi para a balada mais badalada de São Paulo, a "Paraíso Noturno".
O lugar pulsava com música eletrônica, luzes de neon cortavam a fumaça e corpos suados se moviam em um ritmo frenético. Tônia caminhou até o bar, ignorando os olhares curiosos. A esposa abandonada de Leonardo Ferraz era notícia fresca. Ela sentou-se em um banco alto e pediu a bebida mais forte que tivessem.
Enquanto o álcool começava a queimar sua garganta, as memórias dos últimos cinco anos vieram em flashes dolorosos. Ela se lembrou de como abandonou sua promissora carreira de designer de moda para se dedicar inteiramente a ele. Cuidava da casa, da agenda, das crises de ego dele, do relacionamento com a família dele que nunca a aceitou. Ela era a esposa perfeita, sempre sorrindo para as câmeras, sempre apoiando-o nas vitórias e, principalmente, nas derrotas.
Leonardo, em troca, oferecia-lhe uma vida de luxo superficial e uma indiferença cortante. Ele a via como um acessório, uma funcionária não remunerada que cuidava de sua vida para que ele pudesse brilhar. A traição que levou ao divórcio foi apenas a gota d'água em um oceano de negligência.
Um soluço escapou de seus lábios, mas foi rapidamente engolido pela batida da música. Ela pediu outra dose. E mais outra. A dor começou a se transformar em uma raiva entorpecida. Ela se sentia usada, descartada.
De repente, uma ideia louca, impulsionada pelo álcool e pelo desespero, tomou forma em sua mente. Ela precisava provar a si mesma que ainda tinha algum controle, algum poder.
Tônia subiu em cima do balcão do bar, desequilibrando-se por um momento antes de encontrar apoio. As pessoas ao redor pararam de dançar e se viraram para ela, alguns com celulares já em mãos, prontos para registrar o escândalo.
Ela ergueu o copo, o líquido âmbar balançando perigosamente.
"Atenção!" gritou ela, a voz rouca e mais alta do que pretendia. "Hoje eu estou livre! E para comemorar..."
Ela fez uma pausa dramática, um sorriso torto brincando em seus lábios.
"Quem passar a noite com esta garota," ela apontou para si mesma, "ganha mil reais!"
Um murmúrio percorreu a multidão. Risadas, assobios, comentários maliciosos. Tônia sentiu uma pontada de arrependimento, mas já era tarde demais. O desafio estava lançado.
Vários homens a olharam com cobiça, avaliando-a como se fosse um prêmio. Ela se sentiu exposta, vulnerável, mas manteve o queixo erguido.
Foi então que um homem se destacou da multidão. Ele não ria nem a olhava com desejo vulgar. Caminhava com uma calma e confiança que pareciam deslocadas naquele ambiente caótico. Ele era alto, vestia um terno impecável que contrastava com as roupas casuais dos outros, e tinha um rosto que parecia esculpido por um artista. Seus olhos escuros a fixaram com uma intensidade que a fez prender a respiração.
Ele parou em frente ao balcão, ergueu a mão para ela e, com uma voz grave e suave que cortou o barulho, disse:
"Eu, Pedro, me ofereço para ajudar a senhorita..."
Ele segurou a mão dela. O toque era firme, quente, e por um instante, Tônia sentiu como se uma âncora a tivesse impedido de afundar completamente.
A música na "Paraíso Noturno" parecia vibrar dentro do corpo de Tônia. Depois que Pedro a ajudou a descer do balcão, a multidão gradualmente voltou a se dispersar, embora os cochichos e olhares continuassem a segui-la. Pedro a guiou com uma mão firme em suas costas até uma área VIP mais reservada, longe do epicentro da pista de dança.
"Você está bem?" ele perguntou, sua voz calma um contraponto ao caos ao redor.
"Estou ótima," Tônia respondeu, tentando parecer mais confiante do que se sentia. "Só precisava de um pouco de... entretenimento."
Ela se jogou em um sofá de couro macio, sentindo o corpo pesado pelo álcool. Pedro sentou-se a uma distância respeitosa, observando-a em silêncio. Ele não fez perguntas sobre o divórcio, sobre Leonardo, sobre o motivo de seu espetáculo. Ele apenas ficou ali, uma presença sólida e tranquila.
Tônia sentiu uma onda de gratidão por isso. Ela pediu mais uma garrafa do champanhe mais caro, querendo se entregar completamente àquela noite de esquecimento. Ela bebeu direto da garrafa, sentindo as bolhas estourarem em sua língua e o efeito do álcool nublar ainda mais seus pensamentos. Ela riu, dançou um pouco no lugar, sentindo uma liberdade que não experimentava há muito tempo.
No entanto, mesmo em sua névoa alcoólica, uma parte de sua mente permaneceu alerta. Ela notou o jeito que Pedro a olhava. Não era o olhar faminto dos outros homens na balada. Era algo mais profundo, analítico, quase... protetor. Isso a deixou inquieta. A proposta dela tinha sido clara: uma transação, uma noite, sem sentimentos. Aquele olhar não se encaixava no roteiro.
"Preciso ir ao banheiro," ela anunciou de repente, precisando de um momento para si mesma, para clarear a cabeça. Ou pelo menos tentar.
Ela se levantou, cambaleando um pouco, e caminhou pelos corredores labirínticos da balada. As luzes estroboscópicas a deixavam tonta, e todos os corredores pareciam iguais. Ela empurrou uma porta que achava ser a do banheiro feminino, mas se viu em um corredor silencioso e mal iluminado, ladeado por portas de salas privadas.
Confusa, ela tentou voltar, mas sua cabeça girava. Ela se apoiou em uma das portas, que se abriu sob seu peso. Tônia tropeçou para dentro, caindo em um ambiente luxuoso e silencioso.
A sala era um camarote privado, muito maior e mais sofisticado do que a área VIP onde estivera. Havia algumas pessoas ali, homens de terno e mulheres elegantemente vestidas, mas todos pareciam tensos, parados em volta de um sofá central.
Sentado no sofá, recostado de olhos fechados, estava Pedro. Seu rosto estava pálido e coberto por uma fina camada de suor. Ele parecia estar com dor.
Tônia, em sua embriaguez, não processou a estranheza da cena. Ela via apenas o homem que havia aceitado sua proposta. A lógica do álcool era simples e direta.
Ela caminhou até o centro da sala, parando na frente dele. Todos os olhares se voltaram para ela, chocados com a intrusão.
"Ei," ela disse, a voz um pouco arrastada. "Eu te contratei para a noite, lembra? Mil reais. Você não pode simplesmente me abandonar."
Pedro abriu os olhos lentamente. Eles estavam turvos, mas focaram nela. Um dos homens ao lado dele, parecendo um assistente, deu um passo à frente.
"Senhorita, por favor, se retire. O Sr. Pedro não está se sentindo bem."
Tônia o ignorou. Ela se inclinou sobre Pedro, o cheiro de álcool e perfume caro se misturando.
"Eu pago o dobro," ela sussurrou, audaciosa. "Dois mil. Mas você vem comigo. Agora."
O silêncio na sala era pesado. Pedro olhou para Tônia, um brilho estranho em seus olhos. Então, ele ergueu uma mão e fez um gesto de dispensa para as outras pessoas na sala.
"Saiam," ele ordenou, a voz baixa, mas carregada de uma autoridade inquestionável. "Todos vocês."
Ninguém hesitou. Em segundos, a sala estava vazia, deixando apenas os dois.
Pedro se levantou lentamente, seu corpo ainda parecendo tenso. Ele caminhou em direção a Tônia, cada passo deliberado e cheio de uma tensão contida. Ele parou a centímetros dela, seus corpos quase se tocando. A diferença de altura a fez ter que inclinar a cabeça para trás para encará-lo.
Ele estendeu a mão e traçou a linha da mandíbula dela com o polegar. O toque era elétrico.
"Você não sabe com o que está brincando," ele sussurrou, a voz rouca. "Mas se é isso que você quer..."
Ele não terminou a frase. Em vez disso, ele a puxou para si, seus lábios encontrando os dela em um beijo que não era nem gentil nem hesitante, mas sim possessivo e faminto. Tônia sentiu o mundo girar, não mais pelo álcool, mas pela intensidade daquele homem.