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A Vingança da Ex: Seduzindo o Herdeiro Proibido

A Vingança da Ex: Seduzindo o Herdeiro Proibido

Autor:: Rabbit2
Gênero: Romance
Poente vivia uma mentira dourada como a esposa troféu de Júlio Ouro, enquanto escondia do mundo que era "Iris", a compositora genial por trás dos maiores sucessos musicais da atualidade. Tudo mudou quando ela descobriu que seu casamento foi uma armadilha: Júlio usou a união para destruir a empresa de sua família, levando seus pais a um acidente de avião fatal enquanto ela ainda usava o véu de noiva. Sozinha e humilhada por Júlio e sua amante, Poente foi acolhida por Mauro Nobre, o irmão poderoso de seu marido. Mas o que parecia ser uma salvação tornou-se uma gaiola de ouro, onde Mauro passou a controlar seus bens, seus passos e até seus advogados. "Eu cuido de você," sussurrou Mauro em um momento de intimidade, mas Júlio logo lançou a dúvida mortal: Mauro teria assinado o documento que causou a morte dos pais dela. Como amar o homem que pode ser o verdadeiro carrasco de sua família? A incerteza a corroía, transformando cada toque de Mauro em um campo de batalha entre o desejo e a sede de justiça. Seria ele seu protetor ou apenas o monstro mais inteligente daquela família cruel? Diante da traição e do mistério, Poente decidiu parar de fugir. Determinada a descobrir a verdade e destruir o império dos Nobre por dentro, ela usará sua identidade como Iris para incendiar o legado de quem lhe tirou tudo, começando agora.

Capítulo 1 No.1

A primeira coisa que Poente notou foi o silêncio.

Não era o silêncio pacífico dos subúrbios, com pássaros cantando. Era um silêncio pesado, pressurizado. O tipo de silêncio que só existia setenta andares acima do chão, atrás de vidros triplos que transformavam o caos da cidade numa pintura muda e em movimento.

A segunda coisa que ela notou foi a dor.

Começou na base do crânio, uma pulsação surda e rítmica que seguia o compasso do seu coração. Tentou abrir os olhos, mas a luz que filtrava pela fresta das cortinas escuras pareceu uma agressão física. Ela gemeu, mudando de posição, e percebeu duas verdades aterrorizantes ao mesmo tempo.

Primeira: os lençóis contra sua pele nua eram de algodão egípcio, muito mais macios do que qualquer coisa no quarto de hóspedes da sua casa.

Segunda: ela não estava sozinha.

O pânico, frio e intenso, atravessou a névoa da ressaca. Poente prendeu a respiração. Seus pulmões queimavam com o esforço de permanecer perfeitamente imóvel. Moveu os olhos, apenas os olhos, examinando a periferia.

À sua esquerda, um homem dormia.

Ele estava de bruços, o rosto enterrado no travesseiro. O lençol tinha escorregado até a cintura, revelando costas que pareciam ter sido esculpidas em mármore e tensão. Ombros largos que se estreitavam até uma cintura fina. Os músculos ondulavam levemente mesmo durante o sono. Havia uma cicatriz, irregular e branca, correndo pela omoplata direita.

Não era Júlio Ouro.

Júlio, seu marido, tinha mãos macias e costas ainda mais macias. Aquele homem parecia alguém capaz de quebrar coisas.

Memórias da noite anterior colidiram em sua mente como vidro estilhaçado. O baile de caridade. O champanhe com gosto levemente metálico. A tontura repentina que fez o salão girar. Uma mão segurando seu cotovelo. Uma voz profunda. Uma viagem de carro. E então... calor.

Ela apertou os olhos com força. A vergonha era um peso físico em seu estômago, pesado e amargo. Ela havia traído. Após três anos de um casamento sem sexo e sem amor, ela finalmente quebrara a única regra que mantinha um teto sobre sua cabeça.

Ela precisava sair.

Poente deslizou a perna para fora do edredom. Cada movimento parecia amplificado, o roçar do tecido soando como um tiro no quarto silencioso. Colocou um pé no chão. Depois o outro. Suas pernas tremiam, fracas e instáveis.

Ela examinou o chão em busca de suas roupas. Seu vestido, uma tira prateada de seda que ela odiava, estava amontoado perto da porta. Seus saltos tinham sido chutados para um canto.

Vestiu-se num frenesi, os dedos atrapalhando-se com o zíper. Estava quebrado. Claro que estava quebrado. Encontrou um alfinete de segurança na bolsa e prendeu o tecido. A dor a ancorava na realidade.

Precisava ir embora. Agora. Antes que ele acordasse. Antes que tivesse que olhá-lo nos olhos e ver a transação em seu olhar.

Encontrou um bloco de notas na mesa de cabeceira. Estendeu a mão, pretendendo escrever... algo. Um pedido de desculpas? Um adeus?

Seus olhos captaram o cabeçalho em relevo: Plaza Nobre.

Poente congelou. Seu sangue gelou. Nobre.

Era o nome da família do seu marido. O nome na sua certidão de casamento.

Olhou novamente para o homem adormecido. O pânico arranhou sua garganta. Poderia ser? Um primo? Um parente distante visitando da Europa? A família era vasta, mas ela achava que conhecia os principais membros.

Estudou-o novamente. A cicatriz. O tamanho dele. Ele não parecia os homens macios e mimados que ela conhecia nas festas de Júlio. Ele parecia perigoso.

Talvez seja apenas uma coincidência, disse a si mesma freneticamente. É o hotel da família. Ele é apenas um hóspede.

Mas o risco era alto demais. Se esse homem conhecesse Júlio... se a reconhecesse...

Abriu a bolsa para procurar o celular. Sua carteira estava aberta. Dentro, uma pilha de notas de cem dólares novinhas estava presa num clipe de prata.

Um pensamento amargo e distorcido criou raízes em sua mente.

Se ela saísse agora, seria uma esposa fugitiva que cometeu um erro. Mas se ela pagasse a ele...

Se ela pagasse, ele se tornaria um serviço. E ela se tornaria a cliente. Isso removia a intimidade. Transformava um pecado numa compra. E se ele fosse um estranho, isso o confundiria o suficiente para impedi-lo de procurá-la.

Poente puxou três notas. Trezentos dólares.

Caminhou até a mesa de cabeceira. Ao lado de um Rolex de platina e um copo de cristal pesado meio cheio de água, ela colocou o dinheiro.

Pegou a caneta do hotel, a mão tremendo enquanto escrevia no bloco.

Pelo serviço. Fique com o troco.

Colocou o bilhete em cima do dinheiro.

Olhou para ele uma última vez. Ele não tinha se movido. Era um estranho. Tinha que ser. Um erro lindo e perigoso.

Poente virou-se e correu. Não colocou os sapatos até estar no elevador, observando os números descerem, rezando para que as portas não se abrissem revelando um rosto familiar.

Setenta andares acima, Mauro Nobre abriu os olhos.

Ele não estava dormindo. Estivera ouvindo a respiração errática dela, sentindo a mudança no colchão enquanto ela fugia.

Ele rolou na cama, o movimento fluido e controlado. Estendeu a mão para o espaço ao lado dele. Os lençóis ainda estavam quentes.

Sentou-se, passando a mão pelo cabelo escuro. Normalmente, na manhã seguinte após uma mulher dividir sua cama - uma ocorrência rara, quase inexistente dada a sua condição - ele sentiria a náusea familiar. A repulsa. A necessidade de esfregar a pele até ficar em carne viva.

Hoje, não havia nada. Nem náusea. Nem pânico. Apenas uma fome estranha e vazia.

Seus olhos pousaram na mesa de cabeceira.

Ele franziu a testa. Estendeu a mão e pegou as notas. Benjamin Franklin o encarava de volta, zombando.

Trezentos dólares.

Uma risada baixa e sombria retumbou em seu peito. Era um som enferrujado. Ele não conseguia se lembrar da última vez que tinha rido.

Ela o tratara como um garoto de programa. Mauro Nobre, o homem que controlava metade do horizonte da cidade, o homem cujo patrimônio líquido tinha mais zeros do que ela provavelmente conseguia contar, tinha recebido uma gorjeta.

Pegou o bilhete. A caligrafia era elegante, afiada, apressada.

Pelo serviço.

Ele esmagou o papel no punho. Seus olhos, da cor de um mar tempestuoso, estreitaram-se.

Pegou o telefone fixo. Não discou um número; apenas apertou um único botão.

"Escudeiro," disse ele, a voz rouca de sono e ameaça. "Havia uma mulher no meu quarto. Ela acabou de sair. Verifique as câmeras do saguão."

"Senhor?" A voz do assistente tremia.

"Encontre-a," Mauro ordenou. "Não me importa o que seja necessário. Encontre-a."

Capítulo 2 No.2

A mansão da família em Greenwich era um mausoléu para os vivos.

Poente entrou pela porta lateral, a que os funcionários usavam. A casa cheirava a lustra-móveis de limão e dinheiro velho - um cheiro frio, estéril e julgador.

Subiu correndo as escadas dos fundos, os pés descalços sem fazer barulho no tapete macio. Precisava esfregar a noite para fora de sua pele. Precisava lavar o cheiro do estranho - fumaça de lenha, chuva e algo mais escuro, como uísque caro.

No banheiro principal, ligou o chuveiro na temperatura máxima. Ficou sob o jato até a pele ficar rosa, esfregando até sentir ardor.

Saiu e limpou o vapor do espelho.

Havia marcas em seu pescoço. Hematomas fracos e arroxeados. Chupões.

"Estúpida," sibilou para seu reflexo. "Estúpida, estúpida, estúpida."

Pegou seu corretivo pesado e começou a aplicar, criando camadas grossas. Estava terminando quando a porta do quarto se abriu.

Júlio Ouro entrou.

Ele parecia terrível. Seus olhos estavam vermelhos, a pele pálida e úmida. Usava o mesmo terno que usara no baile, agora amassado e manchado.

Poente estremeceu. Era um reflexo que odiava, uma resposta condicionada a três anos de erosão emocional.

"Onde você estava?" Júlio explodiu. Ele não olhou para ela; estava ocupado afrouxando a gravata, seus movimentos bruscos e agitados. "Eu procurei por você. Você me envergonhou, Poente. De novo."

"Eu não estava me sentindo bem," disse Poente, a voz firme apesar do martelar em seu coração. "Peguei um táxi para casa mais cedo. Dormi no quarto de hóspedes para não te incomodar."

Era uma mentira que ela ensaiara no táxi.

Júlio zombou. "Sempre a vítima. Sempre frágil."

Ele passou por ela em direção ao banheiro. Quando ele passou, Poente viu.

Um arranhão.

Estava na lateral do pescoço dele, logo abaixo da orelha. Uma linha vermelha fina e irritada. Não era um corte de barbear. Era curvo. Era de uma unha.

Poente encarou a marca. "O que aconteceu no seu pescoço?"

Júlio congelou. Ele não pulou; ficou anormalmente imóvel. Sua mão subiu lentamente para cobrir a marca. "Nada. Acidente ao fazer a barba."

"Você não faz a barba desde ontem de manhã," apontou Poente, a voz calma.

Júlio girou. Seus olhos não estavam apenas com raiva; estavam calculistas. "Pare de me interrogar! Você está paranoica, Poente. Você sufoca."

Ele bateu a porta do banheiro.

Poente ficou ali, o silêncio zumbindo em seus ouvidos. Ela não era paranoica. Era observadora.

O telefone de Júlio vibrou na cômoda.

Poente olhou para ele. A tela acendeu.

Mensagem de S.

A respiração de Poente falhou. Ela deu um passo à frente.

O enjoo matinal está acabando comigo, amor. Preciso que você traga aqueles comprimidos.

O mundo inclinou-se sobre seu eixo.

S. Serena Lâmina. A estrela pop que Júlio agenciava. A mulher que os tabloides chamavam de gênio, a mulher que cantava músicas que Poente havia escrito na calada da noite.

Enjoo matinal.

Poente sentiu o sangue drenar de seu rosto. Júlio não estava apenas traindo. Ele estava começando uma família. Uma família que ele sempre dissera a Poente que não estava pronto para ter.

A porta do banheiro se abriu. Júlio saiu, uma toalha na cintura. Viu-a perto do telefone.

Ele não avançou. Não foi tão desleixado. Caminhou rapidamente, os movimentos tensos, e arrancou o aparelho da cômoda com uma casualidade forçada que era mais aterrorizante do que a violência.

"Não toque nas minhas coisas," disse ele, a voz baixa.

"Eu não toquei," disse Poente, levantando as mãos. "Ele acendeu."

"Saia," disse Júlio. "Tenho que ir para o escritório."

"Num domingo?"

"Negócios não dormem, Poente. Ao contrário de você."

Ele a empurrou ao passar.

Poente esperou até ouvir a porta da frente bater e o rugido do Porsche dele desaparecendo na entrada da garagem.

Ela não chorou. Já tinha chorado o suficiente no primeiro ano.

Saiu do quarto, desceu o corredor, passou pelas suítes de hóspedes, até o final da ala leste. Havia um depósito empoeirado lá, cheio de móveis velhos cobertos por lençóis. Júlio nunca vinha aqui. Era sujo demais, esquecido demais.

Ela se espremeu atrás de uma pilha de quadros velhos e pressionou uma tábua solta no painel.

Um clique, e abriu.

Dentro havia um espaço pequeno e apertado, mal cabia um armário. Mas era dela. Um teclado, um laptop e uma parede coberta de papéis emoldurados.

Não eram discos de platina. Esses estavam pendurados na mansão de Serena. Eram as folhas de composição originais, escritas à mão. Os primeiros rascunhos crus e bagunçados dos sucessos que atualmente lideravam as paradas. Não estavam assinados, mas a caligrafia era dela. As datas estavam lá. Era a única prova que ela tinha de que existia.

Sentou-se e abriu o laptop. Não abriu seu software de música. Abriu um aplicativo de mensagens seguro.

Digitou uma mensagem para Lira, seu contato no submundo digital.

Preciso dos registros de chamadas do Júlio. Extratos de cartão de crédito. Tudo dos últimos seis meses.

A resposta de Lira foi instantânea.

Problemas no paraíso?

Poente olhou para o reflexo de seus próprios olhos na tela preta. Pareciam frios. Duros.

Preciso de vantagem, digitou ela. Inicie o rastreamento.

Capítulo 3 No.3

Três dias depois, a guerra ainda era fria, mas a atmosfera na casa era sufocante.

Júlio mal parava em casa. Quando estava, tratava Poente como um móvel que havia sido colocado num lugar inconveniente.

"Ação de Graças," anunciou Júlio sobre um café da manhã que Poente não havia tocado. Ele não levantou os olhos do tablet. "Mamãe espera a gente na propriedade dos Hamptons."

Poente apertou sua caneca de café. "Achei que iríamos pular este ano."

"Mudança de planos," disse Júlio, a voz tensa. "Mauro voltou."

O nome pousou na mesa como um pássaro morto.

Mauro Nobre. O irmão mais velho. O chefe do fundo fiduciário da família. O homem de quem Júlio tinha pavor.

"Achei que ele estava na Europa," disse Poente.

"Estava. Agora não está. E quando Mauro convoca, nós vamos. É obrigatório para o desembolso do fundo." Júlio olhou para ela então, os olhos críticos. "Use o anel. Aquele de safira. E tente parecer... feliz. Mauro fareja fraqueza."

"Ele soa como um monstro," murmurou Poente.

"Ele é," disse Júlio, e pela primeira vez, pareceu honesto. "Ele é um psicopata com um talão de cheques. Não fale com ele a menos que ele faça uma pergunta direta. E não o toque. Ele tem... problemas."

Poente subiu para se vestir. Escolheu um vestido de gola alta e mangas compridas num azul-marinho severo. Parecia uma armadura.

Sentou-se na penteadeira, abrindo sua caixa de joias. Seus dedos roçaram os compartimentos de veludo.

Ela parou.

Seus brincos de diamante. Os solitários que usava todos os dias.

Um estava lá. O outro tinha sumido.

O coração de Poente martelou contra as costelas. Ela esvaziou freneticamente a pequena caixa sobre a bancada de mármore. Colares, pulseiras, anéis tilintaram.

Nenhum brinco.

Verificou o tapete. Verificou a bolsa. Verificou o chão do banheiro.

Tinha sumido.

Um pavor frio instalou-se em seu estômago. Devia tê-lo perdido no hotel.

Se alguém o encontrasse... não, era apenas um diamante comum. Não era personalizado. Não poderia ser rastreado até ela. Poderia?

Mas se Júlio notasse que estava faltando, faria perguntas. Ele conhecia cada peça de joia que comprara para ela - não por sentimento, mas por controle de inventário.

"Poente!" Júlio gritou do saguão. "Estamos saindo!"

Ela pegou rapidamente um par de pérolas, enfiando o diamante solitário restante no fundo de uma gaveta. Deslizou o pesado anel de safira no dedo. Parecia frio e pesado, como uma algema.

Desceu as escadas para encontrar o marido, a mente acelerada de ansiedade, sem saber que estava caminhando direto para a cova dos leões.

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