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A Vingança de Sofia

A Vingança de Sofia

Autor:: Eira
Gênero: Moderno
Deitada na cama do hospital, ainda a recuperar de uma cirurgia, soube que o meu noivo, Tiago, tinha chegado. Foi no mesmo acidente de carro que perdi a minha mãe e o meu bebé. Ele, o condutor, saiu ileso. Junto com as minhas perdas, descobri a sua verdade cruel. Ele não se desviou para nos proteger, como disse. Eu vi-o. Virei o volante para proteger-se a si mesmo, sacrificando o lado onde a minha mãe e eu estávamos sentadas. No funeral da minha mãe, a sua mãe, Clara, ousou dizer que a culpa era minha, que Tiago estava a sofrer e que ele tinha perdido "o filho dele". A arrogância deles gelou-me o sangue. Agarrei o anel de noivado e atirei-o à cara dele, revelando a todos a sua covardia assassina. "Eu sei o que fizeste. Tu sacrificaste a minha mãe e o nosso bebé," gritei, antes de virar as costas para aquela cena de horror. Eles tentaram silenciar-me, cortando os meus rendimentos e oferecendo-me dinheiro para desaparecer. A raiva gelada consumiu-me enquanto rasgava as notas. Então, o impensável aconteceu: o colega da minha mãe entregou-me uma caixa com as provas que ela recolheu. Não foi um acidente. Foi assassinato. Agora, eles iriam pagar.

Introdução

Deitada na cama do hospital, ainda a recuperar de uma cirurgia, soube que o meu noivo, Tiago, tinha chegado. Foi no mesmo acidente de carro que perdi a minha mãe e o meu bebé. Ele, o condutor, saiu ileso.

Junto com as minhas perdas, descobri a sua verdade cruel. Ele não se desviou para nos proteger, como disse. Eu vi-o. Virei o volante para proteger-se a si mesmo, sacrificando o lado onde a minha mãe e eu estávamos sentadas.

No funeral da minha mãe, a sua mãe, Clara, ousou dizer que a culpa era minha, que Tiago estava a sofrer e que ele tinha perdido "o filho dele". A arrogância deles gelou-me o sangue.

Agarrei o anel de noivado e atirei-o à cara dele, revelando a todos a sua covardia assassina. "Eu sei o que fizeste. Tu sacrificaste a minha mãe e o nosso bebé," gritei, antes de virar as costas para aquela cena de horror.

Eles tentaram silenciar-me, cortando os meus rendimentos e oferecendo-me dinheiro para desaparecer. A raiva gelada consumiu-me enquanto rasgava as notas. Então, o impensável aconteceu: o colega da minha mãe entregou-me uma caixa com as provas que ela recolheu. Não foi um acidente. Foi assassinato. Agora, eles iriam pagar.

Capítulo 1

Quando o médico me disse que o meu noivo, Tiago, tinha chegado, eu estava deitada na cama do hospital, ainda a recuperar da cirurgia.

A enfermeira tinha acabado de trocar o meu saco de soro.

"Senhora, o seu noivo está lá fora," disse ela, com uma expressão de pena no rosto.

"Não o deixem entrar," pedi, com a voz fraca.

"Mas ele diz que precisa de falar consigo sobre o funeral da sua mãe."

Funeral.

Essa palavra atingiu-me com força.

A minha mãe tinha falecido.

No mesmo acidente de carro que me pôs nesta cama de hospital e me fez perder o meu bebé.

E Tiago, o meu noivo, o condutor, saiu ileso.

Porque ele se desviou para me proteger, fazendo com que o lado da minha mãe sofresse o impacto total.

Pelo menos, foi isso que ele me disse.

Mas a verdade era que ele se desviou para proteger a si mesmo.

Eu vi.

Lembro-me de cada segundo. O camião a vir na nossa direção, o guincho dos pneus.

Lembro-me do seu rosto, pálido de medo.

E lembro-me de ele ter virado o volante para a direita, para longe do camião, colocando o lado do passageiro, onde a minha mãe e eu estávamos sentadas, diretamente no caminho do perigo.

Ele escolheu-se a si mesmo em vez de nós.

E agora, ele queria falar sobre o funeral da minha mãe.

Fechei os olhos, a exaustão a pesar em mim.

"Diga-lhe que estou a dormir," murmurei.

A enfermeira hesitou, mas depois saiu silenciosamente.

Momentos depois, o meu telemóvel, que estava na mesa de cabeceira, começou a vibrar.

Era o Tiago.

Ignorei.

Vibrou outra vez.

E outra.

Finalmente, atendi, cansada da sua insistência.

"Sofia, meu amor, porque é que não me deixas entrar?" a voz dele soou ansiosa, cheia de uma preocupação que agora me parecia falsa.

"Estou cansada, Tiago."

"Eu sei, eu sei, mas precisamos de falar sobre a tua mãe. O funeral é amanhã. Eu tratei de tudo, não te preocupes."

Ele tratou de tudo.

Como se isso compensasse alguma coisa.

"Tiago," disse eu, a minha voz a tremer ligeiramente, "vamos acabar com isto."

Houve um silêncio do outro lado da linha.

Depois, a sua voz voltou, mais dura, a preocupação falsa desapareceu.

"Acabar com o quê? O noivado? Estás a brincar comigo, Sofia? Depois de tudo o que eu passei?"

"O que tu passaste?" A minha voz subiu de tom, a incredulidade a dar-me uma força que eu não sabia que tinha. "A minha mãe está morta. O nosso bebé morreu. E tu estás a falar do que passaste?"

"Foi um acidente! Eu tentei salvar-vos! Eu virei o carro para te proteger!"

"Não, não viraste," disse eu, com uma calma assustadora. "Eu vi, Tiago. Eu vi-te a salvar a ti mesmo."

Ele ficou em silêncio novamente.

Quando falou, a sua voz era fria como gelo.

"Tu estás em choque. Não sabes o que estás a dizer. Estás a sofrer e a culpar-me. A tua mãe não te ensinou a ser grata?"

Gratidão.

Ele queria que eu fosse grata por ele ter matado a minha mãe e o meu filho para se salvar.

"Não voltes a falar da minha mãe," sibilei.

"Descansa, Sofia. Vais sentir-te melhor amanhã. Vemo-nos no funeral," disse ele, com uma finalidade que me gelou os ossos.

Ele desligou.

Olhei para o teto branco do hospital.

O funeral era amanhã.

E eu estaria lá.

Mas não como a noiva de luto que ele esperava.

Capítulo 2

No dia seguinte, recebi alta do hospital contra o conselho dos médicos.

Vesti o vestido preto que a enfermeira me ajudou a encontrar na mala que os paramédicos trouxeram do local do acidente.

O meu corpo doía a cada movimento, um lembrete constante do que tinha perdido.

Cheguei ao cemitério.

O céu estava cinzento, a condizer com o meu humor.

Vi Tiago de longe.

Ele estava a cumprimentar os convidados, a aceitar os seus pêsames, a desempenhar o papel do genro de luto na perfeição.

A sua mãe, a Clara, estava ao seu lado.

Ela nunca gostou de mim.

Sempre achou que eu não era boa o suficiente para o seu filho precioso.

Quando me viu, a sua expressão endureceu.

Ela caminhou na minha direção, o seu rosto uma máscara de desaprovação.

"Sofia. Pensei que estarias de cama," disse ela, sem um pingo de simpatia na sua voz.

"Eu precisava de estar aqui. Pela minha mãe," respondi, a minha voz firme.

"Claro. Mas devias ter cuidado. O Tiago está a passar por muito. Ele está devastado. Perdeu a tua mãe, que ele adorava, e o seu próprio filho."

O seu filho.

Ela disse-o como se a perda fosse apenas dele.

"Eu também perdi o meu filho," disse eu, olhando-a diretamente nos olhos. "E a minha mãe."

Clara bufou.

"Não sejas dramática. Acidentes acontecem. O importante é que o meu filho está bem. Ele tem uma carreira brilhante pela frente. Não podes deixá-lo desmoronar por causa disto."

A sua crueldade deixou-me sem fôlego.

Ela estava mais preocupada com a carreira do filho do que com as duas vidas que foram destruídas.

"Eu não vou deixá-lo desmoronar," disse eu, com uma calma que a surpreendeu. "Vou libertá-lo."

Virei-lhe as costas e caminhei em direção a Tiago.

Ele viu-me a aproximar e o seu rosto abriu-se num sorriso triste e ensaiado.

"Sofia, meu amor," disse ele, estendendo a mão para me tocar.

Afastei-me do seu toque.

"Tiago," disse eu, em voz alta o suficiente para que os que estavam mais próximos ouvissem. "Eu sei o que fizeste."

O sorriso dele vacilou.

"Do que estás a falar?"

"Tu desviaste o carro para te salvares. Tu sacrificaste a minha mãe e o nosso bebé."

Um murmúrio percorreu a pequena multidão.

O rosto de Tiago ficou vermelho.

"Sofia, para com isso! Estás a fazer uma cena. Estás a envergonhar a memória da tua mãe."

"A única vergonha aqui és tu," respondi, a minha voz a ganhar força. "O nosso noivado acabou. Quero que fiques longe de mim."

Tirei o anel de noivado do meu dedo.

Era pesado, um símbolo de mentiras.

Joguei-o na direção dele.

O anel bateu no seu peito e caiu na relva, brilhando contra o verde húmido.

Clara ofegou.

"Sua ingrata! Depois de tudo o que fizemos por ti!"

Ignorei-a.

Olhei para o caixão da minha mãe, que estava a ser preparado para ser baixado à terra.

"Desculpa, mãe," sussurrei. "Desculpa por ter trazido este monstro para as nossas vidas."

Virei-me e afastei-me, sem olhar para trás, deixando para trás o som das suas vozes chocadas e zangadas.

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