Tereza Del'carmo, a mulher determinada e movida pelo desejo de vingança, encontra-se em uma situação complexa. Seu irmão injustamente atrás das grades, acusado de tráfico de drogas por Henrico Santiago, um magnata alemão. A busca por justiça e a revelação da verdade são seus objetivos, mas o que ela não esperava era a intensa atração que Henrico despertaria nela.
A paixão e o perigo se entrelaçam enquanto Tereza se vê dividida entre seu plano de vingança e os sentimentos que surgem. Amar Henrico não estava nos seus planos, mas o destino parece ter outros desígnios para ela.
Seu caminho é incerto, mas sua determinação é inabalável. Que escolhas Tereza fará em sua busca pela verdade e pela justiça? Somente o tempo dirá.
A seguir vou falar pra vocês um pouco de cada personagem que será de certa forma um ponto principal da história. (Contem alguns Spoilers)
Personagens principais:
Tereza Del'carmo: Mulher sexy e envolvente, 25 anos de idade, 1,65 de altura, saiu da cidade de Seattle na intenção de desmascarar o CEO Executivo Henrico Santiago dono de umas das maiores empresas de exportação da Espanha. Exportadora Vasty Santiago.
Motivo da vingança: Colocou atrás das grades o seu irmão gêmeo, Thomas Del'Carmo.
Tereza estava decidida a vingar-se de Henrico, juntou tudo que podia entre imagens e notícias dos jornais e tudo sobre a empresa da família Santiago. Com isso tudo preparado foi para a Espanha a fim de colocar seu plano em prática.
Henrico Santiago: Magnata Arrogante, frio e cálculista (talvez não) quando vocês começarem a ler vai perceber que ele não é tudo isso que Tereza havia articulado ou imaginado, Henrico Santiago é um CEO dono da maior empresa de exportação da Espanha, Com seus 34 anos Dono de um físico forte e másculo, viúvo e pai de uma criança de 5 anos. Foi testemunha no julgamento do irmão de Tereza, acreditando ele que o homem teria sido culpado por tráfico de drogas.
Emília Santiago: Criança inteligente, com seus 5 anos de idade única filha de Henrico, inteligente e um tanto desobediente, que ao conhecer Tereza consegue ver ali uma figura materna.
Thomas Del'Carmo, avisado e preso injustamente por tráfico de drogas, sabendo que não poderia jamais lutar contra seu algoz, o poderoso Henrico, aceitou a sua prisão, mas sua irmã Tereza Não iria jamais deixar isso barato, prometeu a ele e si mesma que vingaria a prisão de seu irmão, e iria desmarcar o homem que o fez parar atrás das grades.
Loreta Santiago: Mãe de Henrico, busca casar seu amado filho Henrico com uma jovem aristocrata filha de família ricas e de nomes cortês. Mas não sabe ela que o coração de Henrico já estava a pertencer a uma mulher atraente.
Felicity Almeida: Irmã de Henrico, casada, mora atualmente no México e tem 2 filhos, no decorrer da trama haverá uma separação e Felicity volta pra casa.
April Capshaw: Assistente do senhor braço direito e amigo de Henrico, se torna melhor amiga de Tereza dentro da empresa, April é irmã do advogado Ricky Capshaw.
Gustavo Dior: Melhor amigo e braço direito de Henrico, Frio e antipática que toma toda frente de todos material que é enviado pela exportadora. Ambicioso, traidor e egoísta.
Ricky Capshaw: Irmão de Abril e advogado, ajuda Tereza nas investigações sobre a incriminação de Thomas, e também sobre o envolvimento de Henrico na exportação de drogas.
A violenta brecada do táxi foi o ponto final na assustadora corrida pelas ruas estreitas e congestionadas de Madrid, capital da Espanha. O motorista voltou-se para a silenciosa passageira e disse, em um sotaque espanhol perfeito:
- Chegamos, senorita. Edifício Aviaho.
O cerimonioso tratamento local de "Senorita" era completamente desperdiçado com Tereza Del' Carmo. Ela engoliu a bola que se formava em sua garganta pelas muitas e perigosas "finas" tiradas de outros carros pelo caminho e relaxou as mãos, que se apertavam, nervosas, contra o assento do velho e maltratado Chevrolet. Se bem que o modo de dirigir em outros países que não o seu já a tivessem deixado um tanto nervosa, sempre conseguia manter certo controle. Mas desta vez não. A lembrança do acidente ainda era muito recente. Um acidente que, por ironia, havia acontecido em sua própria cidade.
Suas mãos ainda tremiam quando abriu a bolsa para pegar a carteira:
- Cuánto... Quanto devo pagar? - perguntou ao motorista.
- Dezesseis Euros, senorita.
Tereza contou o dinheiro e deu-o ao motorista.
- Obrigada. Fique com o troco.
A gorjeta generosa provocou um entusiasmado agradecimento, enquanto ela saía do carro.
Depois que o táxi se afastou, várias pessoas tiveram que se desviar de Tereza, que ficou parada na calçada. Por instantes, ela olhou o monstro de concreto e aço que era um orgulhoso ilustre da arquitetura espanhola. Mas não o admirava, nem estava impressionada com o edifício mais alto do país. Estava pensando em Altamiro Munhoz, o homem que era o motivo de sua longa viagem de Los Angeles até ali. Se por acaso ele estivesse numa das janelas do prédio e olhasse para baixo, poderia vê-la.
E daí?, perguntou a si mesma. Mesmo que estivesse parado diante dela, ele não saberia quem era, nem por que estava ali.
"Você devia virar e voltar para casa!", exclamou uma voz no fundo de seu cérebro, e Tereza hesitou. Depois sacudiu os ombros, decidida a não se deixar dominar pela voz em seu interior.
Subiu os degraus de entrada do prédio sem hesitar, com a cabeça erguida, relanceando os olhos pelas esmeraldas e jóias de ouro expostas na vitrine da Joalheria Vancestes.
Um rapaz simpático, com ar esportivo e farto bigode negro, chegou à pesada porta de vidro junto com ela; abriu-a, gentil, e foi recompensado com um sorriso agradecido.
Os saltos dos sapatos de Tereza batiam rigorosos no piso de mármore do saguão.
Não reparou nos quadros nas paredes, nem nos clientes da Avianca encostados ao balcão à sua esquerda, nem nos guichês e caixas de correio à direita. Só parou diante do balcão de informações, onde um senhor com farda azul e amarela atendeu-a.
- Exportadora Visteon? - repetiu ele. - Trigésimo quinto andar, señorita.
O homem havia sido cortês, mas sem o sorriso que subia tão facilmente aos lábios dos norte-americanos. Desde que chegou à Espanha, naquela manhã, Tereza se ressentia dessa fria e distante gentileza.
Agradeceu e Seguiu. Com a confiança de quem sabe onde vai e para quê, dirigiu-se aos elevadores.
O rapaz que lhe abriu a porta ainda estava ali, esperando pelo elevador, que chegou lotado. Depois que os passageiros saíram, ele esperou que ela entrasse e só então o fez.
Consciente das batidas de seu coração que se acelerava, Tereza observava os números que se iluminavam indicando os andares. Quando o trigésimo quinto estava próximo foi de novo assaltada pela dúvida. E se Altamiro Munhoz se recusasse a recebê-la? Afinal, executivos ocupados não costumam dar atenção a subalternos.
Procurando acalmar-se, Tereza tratou de prestar atenção nas pessoas que entravam ou saíam cada vez que o elevador, parava. O rapaz de bigode continuava ali. Notou que de vez em quando ele lhe lançava discretos olhares de admiração e isso aumentou-lhe a confiança. Não que Tereza fosse orgulhosa de sua aparência. Sabia que era razoavelmente atraente e naquele momento em especial agradecia à natureza por ter sido generosa com ela. Sabia que os homens eram mais atenciosos com as mulheres que achavam atraentes. Altamiro Munhoz não era homem para brincadeiras e, com a vida de Tobby, seu irmão, na balança, ela estava disposta a lançar mão de todos os trunfos ao seu alcance.
Quando, afinal, a porta do elevador abriu-se no trigésimo quinto andar, ela retribuiu o sorriso do rapaz e saiu. Na porta dupla à sua frente estava escrito Exportadora Visteon Munhoz com letras douradas. Abriu-a e entrou, sem se dar chance de recuar.
A recepcionista era uma jovem com cabelos presos em um rabo de cavalo, de modo a mostrar um par de brincos de esmeraldas e brilhantes em suas orelhas. O rosto bonito estava tão bem maquiado e tão sem expressão que Tereza não pôde deixar de pensar em um manequim.
- Pois não - perguntou a moça, em inglês.
Tereza não se surpreendeu ao ser reconhecida como estrangeira. Afinal, a combinação dos cabelos de um loiro escuro, quase castanho, com olhos azuis como os dela não devia ser comum na espanha.
- Quero falar com o Sr. Munhoz, por favor. Meu nome é Isis Morales - deu o nome falso sem hesitar.
- Tem hora marcada? - indagou a recepcionista, indiferente.
- Não - respondeu Tereza, sem demonstrar sua inquietação. - Cheguei hoje de manhã dos Estados Unidos e preciso muito falar com ele.
- Sinto, mas o Sr. Munhoz não recebe ninguém sem hora marcada. - A recepcionista fez uma pausa e indagou: - Quer falar com a assistente dele?
Tereza conhecia bastante o mecanismo de escritórios para saber que a secretária, depois da recepcionista, era o maior obstáculo a ser transposto. Respondeu:
- Sim, por favor. Se for possível, falo com ela.
- Pois não...
Esmeraldas e brilhantes faiscaram quando a moça se inclinou para o telefone; faziam jogo com o anel que tinha na mão direita. O espanhol dela era claro o suficiente para Tereza entender. Depois de desligar, a moça disse:
- A Sra. Agatha vai atendê-la já. Deseja se sentar? - E indicou as pesadas poltronas e o sofá do outro lado.
Estava sentada há minutos quando viu uma elegante mulher madura sair de uma das salas. Ela parou para falar rapidamente com a recepcionista antes de se dirigir a Tereza, que se levantou. Apesar da baixa estatura, a mulher tinha uma figura imponente, dominadora.
- Sou a Sra. Agatha, secretária-executiva do Sr. Munhoz - identificou-se, com aquela gentileza sem sorriso. - Soube que quer falar com ele. Talvez eu possa ajudá-la.
- Agradeço pela atenção, Sra. Ágatha - respondeu Tereza -, mas o que eu tenho a dizer ao Sr. Munhoz é pessoal e muito confidencial.
- O Sr. Munhoz está muito ocupado... - Os olhos da secretária tornaram-se frios. - A menos que me explique com mais clareza o motivo da sua visita, nada posso fazer.
Aquela mulher era uma rocha, pensou Tereza, e não adiantaria implorar. Demonstrando uma insolência que não possuía, falou:
- Garanto que o Sr. Munhoz me receberá, se a senhora lhe disser que estou aqui, Sra. Ágatha. Por favor, faça apenas isso.
A mulher parecia não esperar tal atitude de Tereza. Hesitou, depois disse:
- Bem... Com licença, então. Vamos ver o que o Sr. Munhoz acha.
Mal acreditando no parcial sucesso de sua audácia, Tereza teve que se dominar para não suspirar de alívio enquanto a Sra. Ágatha se afastava. Os minutos seguintes determinariam o êxito ou o fracasso de sua missão... Uma missão de vida ou morte.
Para disfarçar a apreensão, sentou-se e pegou uma das revistas arrumadinhas na mesa de vidro e começou a folheá-la.
- Srta. Isis Morales!
Levou algum tempo para Tereza compreender que a secretária voltou e estava falando com ela. Era com coisas assim (não responder ao ouvir seu novo nome) que tinha de tomar cuidado. Um erro estragaria todos os cuidadosos planos. Tinha de ficar alerta.
- Pois não? - ergueu os olhos da revista, falando com ironia.
- O Sr. Munhoz vai recebê-la.
Incrível! A jogada deu resultado. Procurando se acalmar, Tereza pôs a revista de volta na mesinha. Pegou a bolsa e o envelope que deixou sobre o sofá. Seguiu a secretária pelo longo corredor acarpetado, que dava no santuário do presidente da maior companhia de exportação da Espanha.
Pararam diante da pesada porta de madeira maciça no fundo do corredor. A secretária abriu-a e fez um gesto seco com a cabeça, indicando-lhe que entrasse. Tereza respirou fundo, ergueu os ombros e, fixando um sorriso no rosto, entrou no enorme e elegante escritório.
A pesada cortina estava aberta; o sol entrava forte pela parede inteira de vidro que dava para a cidade e arranha-céus enormes e as montanhas ao longe. As outras paredes tinham painéis de madeira. Um canto distante da parede de vidro estava ajeitado para conversas informais.
Mas a atenção de Tereza não estava presa à decoração. Concentrou-se imediatamente no homem que se levantou ao vê-la entrar. Com mais de um metro e oitenta, Altamiro Munhoz era bem mais alto do que ela esperava. Sentiu-se intimidada e ao mesmo tempo atraída pelo rosto com que se familiarizou através de fotografias enquanto arquitetava os planos. Em outras circunstâncias, talvez os traços marcados, aristocráticos, fossem mais suaves do que naquele momento. Aquele rosto seria constrangedor se não fosse bonito. Sentiu um arrepio de alarme diante dos olhos azuis que a examinavam enquanto se aproximava. Notou a determinação do queixo forte e quadrado. Havia apenas uma nuança de desalinho no cabelo negro, de corte conservador, assim como era conservadora a camisa branca que realçava a pele branca e bronzeada e o terno escuro, elegantíssimo.
Se não estivesse tão atenta às reações dele, não teria notado o brilho rápido que passou pelos olhos azuis. Então, ficou satisfeita por ter escolhido o conjunto verde-maçã que ia tão bem com seus olhos verdes.
- Sr. Munhoz - Tereza estendeu a mão, com o mais encantador dos sorrisos. - Agradeço a gentileza de me receber.
- Srta. Morales...
Sentiu como que um pequeno choque quando a mão grande e forte apertou a dela. Talvez fosse um aviso: um homem como Altamiro Munhoz poderia moer-lhe os ossos se desconfiasse da verdadeira finalidade de sua visita. Teve a impressão de que milhares de borboletinhas esvoaçavam em seu estômago e sentiu vontade de sair correndo, de fugir. Mas já não dava para recuar.
- Não quer se sentar? - convidou Altamiro, indicando as duas elegantes poltronas de couro diante de sua mesa.
- Obrigada - murmurou.
Fazendo enorme esforço para não se sentar na beiradinha, Tereza acomodou-se numa das duas poltronas de couro claro e macio. Em vez de ir sentar-se na cadeira giratória, executiva, Altamiro preferiu a própria escrivaninha. Obrigada a olhá-lo de baixo para cima, Tereza sentiu-se ainda pior. A sensação esquisita no estômago transformou-se em medo quando compreendeu que aquela atitude dele havia sido calculada. Sempre soube que era um homem perigoso, mas a facilidade com que punha o adversário em desvantagem era assustadora.
Tereza esforçou-se para dominar o pânico enquanto Altamiro se inclinava para pegar uma caixinha metálica, toda decorada, em cima da enorme escrivaninha. Lamentando não fumar, Tereza recusou o cigarro: isso lhe daria o que fazer com as mãos. Cruzou-as, vulgarmente, no colo.
- Importa-se se eu fumar?
- Não. Claro que não.
Tentou reunir coragem enquanto ele acendia o cigarro com um isqueiro de ouro tão fino quanto o dedinho mínimo dela. Expelindo a fumaça, guardou o isqueiro no bolso do paletó.
- Bem, Srta. Morales? Quem sabe queira ter a bondade de me falar sobre o que tem, de tão pessoal e confidencial, para me dizer.
O inglês dele era bom e seria fácil para Tereza descobrir que o leve sotaque tornava aquela voz máscula, profunda, ainda mais atraente. Mas iria pensar nisso mais tarde. Seria agora ou nunca!