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A Vingança Fria da Esposa Estéril

A Vingança Fria da Esposa Estéril

Autor:: Swing
Gênero: Moderno
Por oito anos, eu sofri sete abortos espontâneos, agarrando-me à esperança de começar uma família com meu marido, Heitor. Então, ouvi a verdade. Ele e minha irmã adotiva, Lorena, haviam orquestrado cada perda. Eles precisavam das células-tronco únicas dos meus abortos para curar o filho secreto deles. Meu corpo era apenas uma incubadora para o plano doentio deles. Após o oitavo aborto, eles me deixaram estéril, meu útero removido para salvar minha vida. Eles roubaram meus filhos, meu futuro e minha capacidade de ser mãe. Eles pensavam que eu era uma princesinha ingênua e quebrada. Mal sabiam eles que tinham acabado de criar uma rainha sedenta por vingança. Agora, eu estou de volta. E vou queimar o império deles até as cinzas, deixando-os com nada além da poeira de sua traição.

Capítulo 1

Por oito anos, eu sofri sete abortos espontâneos, agarrando-me à esperança de começar uma família com meu marido, Heitor.

Então, ouvi a verdade. Ele e minha irmã adotiva, Lorena, haviam orquestrado cada perda. Eles precisavam das células-tronco únicas dos meus abortos para curar o filho secreto deles.

Meu corpo era apenas uma incubadora para o plano doentio deles. Após o oitavo aborto, eles me deixaram estéril, meu útero removido para salvar minha vida. Eles roubaram meus filhos, meu futuro e minha capacidade de ser mãe.

Eles pensavam que eu era uma princesinha ingênua e quebrada. Mal sabiam eles que tinham acabado de criar uma rainha sedenta por vingança.

Agora, eu estou de volta. E vou queimar o império deles até as cinzas, deixando-os com nada além da poeira de sua traição.

Capítulo 1

Ponto de Vista de Helena:

"Deu positivo, Helena. Parabéns." A Dra. Esteves sorriu, suas palavras uma melodia suave no silêncio estéril da sala de exames.

Minhas mãos tremiam, agarrando o palito fino com duas linhas rosas fracas. Era isso. A oitava vez. Oito anos, sete corações partidos, mas desta vez parecia diferente. Uma esperança frágil, brilhando como o orvalho da manhã.

"O bebê parece forte e seus exames estão ótimos." Ela fez uma pausa, seu sorriso desaparecendo um pouco. "Mas Helena, dado seu histórico, esta é provavelmente sua última chance. Seu corpo... ele não aguenta muito mais."

Um nó gelado se apertou em meu estômago. Última chance. As palavras eram pesadas, um aviso severo contra a alegria que crescia em meu peito. Mas eu afastei o pensamento. Este bebê seria diferente. Este bebê nos tornaria uma família.

Eu praticamente flutuei para fora da clínica, com um sorriso bobo estampado no rosto. Eu tinha que contar para o Heitor. Tinha que contar agora mesmo. Ele tinha sido tão solidário em todas as perdas, me abraçando enquanto eu chorava, sussurrando promessas de um futuro com filhos. Ele merecia saber primeiro.

Dirigi direto para o escritório dele, a sede da Almeida Tecnologia, o império que construímos juntos. Ou melhor, o império que eu o ajudei a construir. Os contatos do meu pai, minha fé infinita, meu impulso incansável por sua visão. Passei correndo pelas elegantes portas de vidro, meu coração vibrando de expectativa. Ainda era cedo, os escritórios estavam silenciosos. Planejei entrar em sua sala particular, surpreendê-lo com a notícia. Talvez um bilhetinho, ao lado do teste. Um momento perfeito.

A porta do escritório de Heitor estava entreaberta. Ouvi vozes. A voz dele e outra, mais suave, familiar. Lorena. Minha irmã adotiva. Uma pontada de irritação, mas eu a ignorei. Ela o visitava com frequência. Eu estava prestes a empurrar a porta, a compartilhar minha alegria, quando um som frio cortou o ar.

"Você tem certeza de que esta é a última, Heitor?" A voz de Lorena, com uma doçura que agora arranhava meus nervos.

Minha mão congelou na maçaneta. A última? Do que ela estava falando?

"Sim, Lorena. A Dra. Esteves acabou de confirmar para ela. O corpo dela não aguenta outra perda." O tom de Heitor era indiferente, quase clínico. Não, não quase. Era clínico.

Meu sangue gelou. Meu coração martelava contra minhas costelas, um pássaro frenético preso em uma gaiola. Pressionei-me contra a parede, ouvindo, minha respiração presa na garganta.

"Ótimo. Não podemos ter mais atrasos. A paciência do seu pai está se esgotando, e minha gravidez está progredindo bem." Lorena riu, um som que fez minha pele arrepiar. "Este oitavo, o sangue do cordão... tem que ser suficiente para curar nosso filho, Heitor."

Nosso filho? Curar? Sangue do cordão umbilical? As palavras se embaralharam em minha mente, recusando-se a formar um pensamento coerente. Era um pesadelo. Um pesadelo horrível e impossível.

"Vai ser suficiente. A Dra. Esteves me garantiu que as células-tronco fetais de um aborto no oitavo mês são incrivelmente potentes, especialmente de uma mãe com os marcadores genéticos únicos de Helena. É a única maneira de salvar nosso filho, Lorena." A voz de Heitor endureceu. "E para garantir minha posição na empresa. Benício nunca suspeitará de nada."

Benício. Meu pai adotivo. Meu mundo girou. Minha visão embaçou. Heitor. Meu marido. Meu melhor amigo. O homem que me abraçou durante sete abortos. Ele os havia orquestrado. Todos eles.

Senti um pavor frio e paralisante infiltrar-se em meus ossos. Sete vezes. Sete vidas minúsculas. Sete vezes eu chorei até secar em seus braços, acreditando que sua dor era genuína. Acreditando que ele me amava. Ele tinha me usado. Usado meu corpo como uma incubadora, uma fábrica para seu plano doentio. E Lorena. Minha irmã. Aquela que eu sempre tentei proteger. Ela estava envolvida. Ela estava grávida do filho dele.

Dei um passo trêmulo para trás, o teste de gravidez positivo ainda em minha mão. Parecia uma piada cruel. Uma ironia doentia e perversa. Este bebê, minha última esperança, era apenas mais uma ferramenta em seu jogo monstruoso.

As memórias voltaram, uma torrente de dor e engano. Cada aborto, uma história diferente. O remédio trocado, a queda "acidental", o sangramento súbito e inexplicável. Ele sempre esteve lá, a imagem da dor devastada, sussurrando mentiras reconfortantes. Minha pobre Helena. Vamos tentar de novo, meu amor.

Ele nunca me amou. Nem um pouco. Eu era um meio para um fim. Um recurso. Um degrau para sua ambição e um banco de sangue ambulante para sua família de verdade.

Um soluço engasgado escapou dos meus lábios, mas foi engolido pela fúria súbita que me consumiu. Meus joelhos cederam. Caí no chão, pressionando a mão sobre a boca para abafar os gritos que ameaçavam explodir. As lágrimas escorriam pelo meu rosto, quentes e amargas. Isso não era luto pelo bebê ainda. Era ódio puro e absoluto. Era o peso esmagador de oito anos de uma mentira meticulosamente construída.

Limpei o rosto com as costas da mão, forçando-me a respirar. Minha visão ainda estava turva, mas eu podia ver suas silhuetas pela fresta da porta. Lorena estava encostada em Heitor, a cabeça em seu ombro, o braço dele em volta dela. Eles estavam rindo. Compartilhando um momento de intimidade, um momento construído sobre o meu sofrimento. Ele acariciava o cabelo dela, um gesto que costumava reservar para mim. A percepção me atingiu como um golpe físico. Ele a amava. Ele sempre a amou.

"A Helena é tão ingênua," Lorena murmurou, sua voz pingando veneno. "Ela realmente acredita que você a ama."

Heitor riu, um som baixo e gutural que rasgou minha alma. "Ela sempre foi fácil de manipular. A princesinha protegida de Benício. Ela abriu o caminho para toda esta empresa para mim. E agora, ela vai me dar a peça final que eu preciso."

Minha visão se aguçou. Minha mente ficou fria, clara. As lágrimas pararam. Eu não era apenas uma vítima. Eu era uma arma. E eles tinham acabado de me carregar.

Minha mão instintivamente alcançou meu celular, um retângulo frio e duro em meus dedos trêmulos. Procurei o gravador de voz, meu coração batendo um ritmo furioso contra minhas costelas. Clique. A luz vermelha brilhou. Estabilizei minha respiração, cada músculo do meu corpo tenso. Eu não os deixaria vencer. Não desta vez. Nunca mais.

Rastejei para longe em silêncio, meu corpo gritando com a confiança violada. Uma vez segura em meu carro, estacionado vários andares abaixo, soltei um grito gutural que foi engolido pelo zumbido do motor. O teste de gravidez positivo amassado em meu punho, um símbolo de tudo que eu havia perdido e de tudo pelo que eu lutaria.

Minha família biológica. Eles me encontraram alguns anos depois que Benício me adotou. Eram da classe trabalhadora, lutando. Eles pintaram um quadro de arrependimento, de querer se reconectar. Eu, uma jovem ingênua faminta por conexão, caí na armadilha. Eles me apresentaram à outra filha deles, Lorena. Minha suposta irmã. Tudo isso, uma ilusão cuidadosamente construída.

Joguei o teste amassado pela janela. Ele voou para longe, uma bandeira branca de rendição a um passado que agora estava irrevogavelmente quebrado. Não, não quebrado. Reduzido a cinzas.

Peguei meu celular, meus dedos voando pela tela. O número do meu pai. Benício. Ele sempre me avisou sobre Heitor, sobre o brilho em seus olhos, a ambição que ofuscava tudo. Eu havia descartado suas preocupações, cega de amor.

"Pai," eu disse com a voz embargada, crua e quebrada.

"Helena? O que há de errado, querida? Você parece péssima." Sua voz era calorosa, preocupada. A preocupação genuína que eu sempre desejei e tolamente ignorei.

"Ele... ele planejou tudo, pai. Tudo. Os abortos. Para a Lorena. Para o filho deles." As palavras saíram de uma vez, uma confissão da minha dor mais profunda e da traição mais profunda dele.

Um silêncio pesado. Então, uma fúria silenciosa e controlada em sua voz. "Eu sabia. Eu te avisei. Aquele rapaz... ele é uma cobra."

"Eu quero que ele pague, pai. Quero que os dois paguem. Por cada vida que eles roubaram. Por cada lágrima que eu chorei. Por cada mentira." Minha voz estava fria agora, desprovida de emoção. "Eu quero arruiná-lo. Completamente. Financeiramente. Socialmente. Quero que ele perca tudo, assim como eu perdi."

A voz de Benício era firme, resoluta. "Considere feito, Helena. Vou tomar as providências. Apenas se concentre em você. E nesse bebê. Nós vamos proteger este, não importa o que aconteça."

"Não," eu sussurrei, uma nova resolução endurecendo meu olhar. "Este bebê... esta é a minha força. Minha razão. Eu farei isso. Por eles. Vou garantir que eles nunca esqueçam o preço de sua traição."

Desliguei a chamada, minha mão ainda tremendo, mas com um tipo diferente de energia agora. Não medo, mas propósito. O jogo havia mudado. E eu não era mais um peão. Eu era a jogadora.

Capítulo 2

Ponto de Vista de Helena:

O cheiro familiar da minha casa, antes um conforto, agora parecia um sudário sufocante. Arrastei-me pela porta da frente, o esgotamento um peso enorme em meus ombros. Cada passo era uma batalha, cada respiração um esforço consciente. Passei horas dirigindo, ouvindo a gravação arrepiante repetidamente, deixando o veneno infiltrar-se em minhas veias. Era a única maneira de manter a fachada intacta.

"Helena, meu amor! Aí está você." A voz de Heitor, enjoativamente doce, cortou o silêncio. Ele saiu da cozinha, uma expressão preocupada no rosto. Ele se moveu em minha direção, os braços estendidos, pronto para sua performance habitual de marido dedicado.

Eu enrijeci, uma onda de náusea me invadindo. O simples pensamento de seu toque enviava arrepios de repulsa pela minha espinha.

"Sinto muito, querida. Minha reunião se estendeu. Eu deveria ter ido te buscar. Como foi a consulta?" Ele tentou me puxar para um abraço, sua mão alcançando minha cintura.

Eu o desviei sutilmente, fingindo uma tontura repentina. "Só um pouco cansada, querido. Dia longo. O médico disse que está tudo bem, no entanto." Consegui um sorriso fraco, minha voz mal um sussurro. A mentira tinha gosto de cinzas.

"Que notícia maravilhosa!" Seu sorriso era largo, largo demais, seus olhos brilhando com uma mistura inquietante de alívio e algo que eu não conseguia identificar. Expectativa. Ele já estava planejando.

Ele me levou para a mesa de jantar, onde um jantar suntuoso estava servido. Meus pratos favoritos. Uma tentativa desesperada de normalidade, pelo menos para ele. Os aromas ricos, antes convidativos, agora reviravam meu estômago. Senti um suor frio brotar em minha testa.

"Eu fiz sua massa favorita," ele disse, puxando uma cadeira para mim. "Você precisa manter suas forças, por vocês dois."

Forcei-me a sentar, meu olhar fixo no prato. Meu apetite havia desaparecido, substituído por um vazio profundo e roedor. "Parece delicioso, Heitor, mas acho que só preciso deitar. Sinto-me um pouco... estranha."

Sua testa franziu levemente. "Tem certeza, amor? Você parece um pouco distante hoje. Está tudo bem?" Ele estendeu a mão sobre a mesa, cobrindo a minha.

Eu recuei, puxando minha mão para trás como se estivesse queimada. "Só exausta, eu prometo. É... muita coisa para processar." Minha voz era plana, sem emoção.

Ele me estudou por um momento, um lampejo de suspeita em seus olhos. Então, ele se animou. "Ah, eu sei exatamente o que vai te animar! Tenho uma surpresa para você. Venha."

Ele praticamente me arrastou da mesa, seu entusiasmo parecendo um ataque físico. Ele me levou escada acima, pelo corredor, e parou em frente à porta do quarto de hóspedes. Aquele que sempre falamos em transformar em um berçário.

Ele abriu a porta com um floreio. O quarto brilhava com uma luz suave e quente. Um mural recém-pintado de nuvens fofas e animais de desenho animado adornava uma parede. Um berço novinho em folha, uma cadeira de balanço e prateleiras transbordando de roupinhas e brinquedos de pelúcia enchiam o espaço. Era perfeito. Um berçário de conto de fadas.

"Para o nosso bebê, Helena," ele disse, sua voz embargada com o que parecia ser emoção genuína. "Eu queria te surpreender. Um novo começo. Desta vez, tudo será perfeito."

Eu encarei o quarto impecável, uma dor oca no peito. Ele tinha feito isso. Tudo isso. A fachada inocente, o marido dedicado, o futuro pai animado. Tudo enquanto planejava me trair e matar nosso filho. A pura audácia de seu engano era de tirar o fôlego.

Ele me observava, um toque de nervosismo em sua postura. "Você... você gostou?"

Virei-me lentamente, um fantasma de sorriso tocando meus lábios. "É lindo, Heitor. De verdade." As palavras eram uma mentira amarga, mas minha voz não tremeu. Eu era uma mestra do engano agora, graças a ele.

Seu alívio foi palpável. Ele se aproximou, enfiando a mão no bolso. "E eu tenho mais uma coisa." Ele tirou uma pequena caixa de veludo. Dentro, aninhado em uma almofada de cetim, havia um delicado colar de diamantes. O pingente tinha a forma de um berço minúsculo e intrincado.

"É da coleção de herança da família Almeida," ele explicou, sua voz mais suave agora. "Minha avó usou quando estava esperando seu primeiro filho. Quero que você o use, Helena. Um símbolo do nosso novo começo. Nossa família."

Ele tirou o colar, seus dedos roçando o metal frio. Ele ficou atrás de mim, suas mãos alcançando o fecho. Senti sua respiração em meu pescoço, e uma onda de pura repulsa me invadiu. Meu corpo inteiro enrijeceu, resistindo ao impulso de recuar.

Mas eu fiquei imóvel. Isso era parte do ato. Parte do jogo.

Ele fechou o fecho, seus dedos demorando em minha pele. "Pronto. Combina com você."

Olhei para meu reflexo no espelho, o berço de diamante brilhando contra minha clavícula. Um símbolo de um passado roubado e um futuro que ele nunca teria. Uma percepção fria e dura se instalou. Este colar. Este exato colar. Eu já o tinha visto antes. Não em sua avó, não em algum cofre de família empoeirado. Era uma réplica. Uma imitação barata de uma peça que minha mãe adotiva, sua sogra, uma vez me mostrou. Um presente de Benício, uma sutil oferta de paz após a desaprovação inicial deles ao nosso casamento. Heitor devia saber que eu não reconheceria a falsificação, ou ele simplesmente não se importava. O verdadeiro valia milhões. Este, provavelmente alguns milhares. Ele não podia nem se dar ao trabalho de me dar joias de família de verdade. Ele estava zombando de mim.

Meu coração endureceu ainda mais, um bloco de gelo envolvendo os últimos vestígios do meu amor por ele. Ele não era apenas um traidor, era um mesquinho e calculista avarento.

Afastei-me, virando-me para encará-lo, minha expressão indecifrável. "Heitor, há algo importante que precisamos discutir." Minha voz era calma, firme.

Ele franziu a testa, seu deleite momentâneo substituído por cautela. "O que é, amor? Você está me assustando."

Enfiei a mão na bolsa, meus dedos se fechando em torno da pasta fina que eu havia preparado. "Nosso divórcio. Eu quero um."

Seus olhos se arregalaram em choque. "O quê? Helena, do que você está falando? É porque eu me atrasei? É sobre os abortos? Eu te disse, vamos superar isso. Teremos este bebê, e depois outro. Vou compensar tudo para você." Ele tentou soar reconfortante, mas sua voz estava tingida de pânico.

Meu celular vibrou então, um som agudo e intrusivo. Ele olhou para ele, uma notificação piscando na tela. Lorena Miles. Uma mensagem de texto. Ele rapidamente o silenciou, mas não antes de eu ver o nome.

"Assine estes papéis, Heitor," eu disse, minha voz cortando sua gagueira. "É um acordo de separação, por enquanto. Apenas até eu poder pensar com clareza. Preciso de espaço." Minha voz era um bálsamo cuidadoso, projetado para acalmar sua paranoia. Eu sabia que ele não leria os documentos completamente, não com a mensagem urgente de Lorena o distraindo.

Ele hesitou, seu olhar indo dos documentos para o celular, depois de volta para mim. "Uma separação? Helena, você está sendo irracional. Estamos esperando um bebê!"

"Exatamente," eu disse, minha voz mais fria que gelo. "E eu preciso estar calma e focada. Esta é apenas uma medida temporária, para nos dar um pouco de espaço para respirar. Meu advogado os redigiu. Procedimento padrão." Era uma mentira. Uma mentira linda e devastadora. "Se você me ama, se você se importa com nosso bebê, você vai assiná-los. Para nossa paz de espírito."

Seus olhos piscaram para o telefone mais uma vez. Ele suspirou, um som de resignação frustrada. "Tudo bem. Tudo bem, Helena. Apenas por enquanto. Mas isso não significa nada. Ainda estamos juntos. Ainda somos uma família." Ele pegou a caneta que eu ofereci, sua assinatura um rabisco apressado no final da página. Ele nem leu o título: "Transferência de Patente e Dissolução de Sociedade."

"Obrigada, Heitor." Peguei os papéis de volta, um sorriso triunfante florescendo em meu coração, embora meu rosto permanecesse impassível. "Agora, se me der licença, eu realmente preciso descansar."

Ele já estava distraído, seu telefone zumbindo novamente. "Eu volto já, amor. Só... uma ligação rápida." Ele praticamente correu para fora do quarto, deixando-me sozinha com o silêncio.

Encarei sua assinatura no documento, uma sensação arrepiante de satisfação me invadindo. Ele tinha acabado de assinar a renúncia de toda a sua empresa. Não apenas um acordo de separação. Esta era a transferência da patente principal da Almeida Tecnologia, o coração de seu império, para a empresa rival de Jayme Vasconcelos. E legalmente, ele tinha acabado de concordar com uma dissolução total e completa de nossos bens compartilhados, comigo retendo a propriedade total da tecnologia que eu havia trazido para a mesa. Ele ia perder tudo. Cada centavo.

Agarrei o documento assinado, minha mão ainda tremendo, mas desta vez com a emoção de uma vitória fria e dura. Isso não era apenas divórcio. Era aniquilação total.

"Você acha que venceu, Heitor?" sussurrei para o quarto vazio, minha voz uma ameaça sedosa. "Você nem começou a perder."

Olhei para o berço de diamante em volta do meu pescoço. Uma réplica barata, um símbolo de seu engano. Eu o usaria. Por enquanto. Um lembrete do monstro com quem eu era casada. Um lembrete da vingança que eu estava prestes a desencadear.

Capítulo 3

Ponto de Vista de Helena:

Heitor não voltou para casa naquela noite. Eu não esperava que voltasse. As palavras sussurradas de Lorena, "minha gravidez está progredindo bem", ecoavam em minha mente, um lembrete constante de sua traição. Enquanto eu estava acordada na casa silenciosa, ele estava, sem dúvida, com ela, fazendo o papel de pai dedicado para o filho em desenvolvimento deles. O pensamento era uma marca em brasa, mas também alimentava minha determinação.

A luz da manhã trouxe uma aparência de calma, mas meus nervos ainda estavam à flor da pele. Meu celular vibrou, uma distração bem-vinda. Era Benício.

"Helena? Tudo pronto para a transferência da patente?" Sua voz era baixa, cautelosa.

"Sim, pai. Heitor assinou ontem à noite, disfarçado de acordo de separação. Ele nem leu." Uma satisfação sombria torceu meus lábios. "A tecnologia foi formalmente transferida para as Indústrias Vasconcelos."

"Excelente. Jayme cuidará disso a partir de agora. Ele já começou o trabalho preliminar para integrar sua patente. Mas sobre o outro assunto... as provas contra eles." Benício fez uma pausa. "Meu pessoal está tendo problemas. Heitor cobriu seus rastros meticulosamente. Não conseguimos encontrar nenhuma evidência direta dele causando intencionalmente seus abortos. Nenhum rastro de papel, nenhuma transação suspeita para médicos."

Meu coração afundou. Eu esperava que a gravação fosse suficiente, mas era apenas uma confissão verbal entre conspiradores. Provava a intenção, sim, mas a ação direta era mais difícil de provar. "Então, e agora?" Minha voz estava tensa de frustração.

"Precisamos de algo mais. Algo de seus dispositivos pessoais. Seu computador particular, talvez. Ele é arrogante o suficiente para manter detalhes incriminadores lá, pensando que ninguém jamais olharia."

"O escritório dele é muito público. Mas ele tem um escritório seguro em casa. Eu sei as senhas dele." Um pensamento arrepiante se formou em minha mente. "Eu posso conseguir."

"Tem certeza? É arriscado," Benício alertou.

"Eu serei cuidadosa. Eu tenho que ser. Pelo meu bebê." Minha mão instintivamente foi para minha barriga ainda lisa. "Quando posso fazer isso?"

"Esta noite. Ele estará na gala da Almeida Corp. Lorena estará lá também, é claro." Sua voz estava tingida de desgosto. "É a janela perfeita."

"Entendido." Eu estava prestes a desligar quando meu outro celular, um descartável que eu mantinha para emergências, vibrou freneticamente. Minha mãe biológica.

Hesitei, depois atendi. "Mãe?"

"Helena! Oh, graças a Deus! Eles me pegaram! Eles me pegaram!" Sua voz era estridente, aterrorizada.

Um pavor frio me dominou. "Quem te pegou? Do que você está falando?"

"São os agiotas! Eles me encontraram! Estão exigindo dinheiro, Helena! Por favor, você tem que me ajudar!" Ela lamentou, sua voz falhando.

Então, uma voz masculina e rude interrompeu. "Escuta aqui, garota rica. Sua mamãe nos deve muito dinheiro. Cinquenta milhões. Você tem até a meia-noite. Sem polícia. Tente qualquer coisa, e ela desaparece. Entendeu?"

Minha mente disparou. Cinquenta milhões. Era uma quantia enorme, mas não impossível para mim. Minha mãe biológica, que me abandonou ao nascer e só se reconectou para sugar a riqueza do meu pai adotivo, estava agora em perigo. Apesar dos anos de manipulação e decepção, um instinto primitivo de protegê-la se agitou dentro de mim. Ela ainda era minha mãe, de alguma forma distorcida. Meu pai, Benício, sempre a desprezou e a minha família biológica por sua ganância. Mas eu sempre senti um senso de dever filial, um desejo desesperado por sua aprovação, por mais fugaz que fosse.

"Eu entendo," eu disse, minha voz surpreendentemente firme. "Onde eu levo o dinheiro?"

Ele recitou um endereço, um distrito de armazéns desolado na periferia da cidade. "E lembre-se, sem truques. Ou sua mamãe já era."

Desliguei, meu coração uma batida frenética no peito. O laptop de Heitor podia esperar. Esta era uma ameaça imediata. Liguei para Benício de volta, explicando a situação em frases curtas e secas.

"Helena, ela nunca te trouxe nada além de problemas," Benício disse, sua voz tingida de exasperação. "Deixe a polícia cuidar disso."

"Não, pai. Eles disseram sem polícia. E... eu não posso simplesmente deixá-la morrer. Ela ainda é minha mãe." As palavras pareciam vazias, mas verdadeiras de uma forma que eu não conseguia articular. Era uma dívida que eu sentia que devia, por razões que eu ainda não conseguia compreender totalmente. Talvez fosse a conexão biológica, um membro fantasma de anseio que se recusava a ser cortado.

Benício suspirou, um som de derrota. "Tudo bem, vou providenciar o dinheiro. Mas você vai com uma equipe. Meus seguranças te encontrarão lá."

"Não. Eles disseram sem truques. Eu tenho que ir sozinha. Só eu e o dinheiro." Eu sabia que era tolice, mas senti uma compulsão inexplicável. Uma necessidade de provar algo, talvez. Para mim mesma, para ela.

Uma longa pausa. "Helena... tenha cuidado. Por favor. Você está grávida." Sua voz suavizou, um toque de preocupação superando sua frustração.

"Eu terei, pai. Eu prometo."

Em uma hora, uma maleta transbordando de notas novas foi entregue à minha porta. O peso dela parecia impossível, tanto física quanto metaforicamente. Eu nunca tinha segurado tanto dinheiro na minha vida. O pensamento de levá-lo para um local escuro e desconhecido me encheu de um pavor frio, mas os gritos abafados da minha mãe no telefone ainda ecoavam em meus ouvidos.

Dirigi até as coordenadas, minhas mãos escorregadias no volante. O distrito de armazéns era um labirinto de aço corrugado e janelas quebradas, banhado pelo brilho amarelado e doentio dos postes de luz distantes. A cada solavanco na estrada, uma dor aguda atravessava meu baixo-ventre. Meu corpo já estava frágil, os abortos repetidos cobrando seu preço. Eu tinha que ser forte. Por este bebê.

Parei no armazém designado, sua enorme porta de metal ligeiramente entreaberta. Saí, a maleta pesada fazendo meus braços doerem. O ar estava denso com o cheiro de poeira e decomposição. Eu podia ouvir gemidos de dentro.

"Mãe?" chamei, minha voz tremendo apesar dos meus esforços para controlá-la.

Uma figura emergiu das sombras. Minha mãe, desgrenhada e aterrorizada, com as mãos amarradas. Seus olhos se arregalaram quando me viu. "Helena! Você veio!"

"O dinheiro está aqui," eu disse, levantando a maleta. "Deixe-a ir."

Três homens corpulentos saíram de trás dela, seus rostos obscurecidos pela luz fraca. Um deles, a voz rude do telefone, deu um passo à frente. "Passe pra cá."

Coloquei a maleta no chão, empurrando-a em direção a eles com o pé. "Agora, deixe-a ir."

O homem abriu a maleta, seus olhos brilhando ao ver as pilhas de dinheiro. "Bom. Muito bom, garota rica." Ele estalou os dedos, e seus companheiros desamarraram minha mãe.

Ela tropeçou em minha direção, seu rosto manchado de lágrimas. "Minha filha! Você me salvou!" Ela jogou os braços ao meu redor, agarrando-se com força.

Senti uma onda de desconforto. Seu abraço parecia menos de alívio e mais de posse.

"Espere um minuto," disse o homem rude, seus olhos se estreitando ao me olhar. "Você é Helena Ferraz. A filha adotiva do bilionário da tecnologia. E esposa de Heitor Almeida."

Minha mãe, ainda agarrada a mim, deixou escapar: "Sim, ela é rica! Minha Helena é tão rica! Ela pode dar mais a vocês! Ela herdou milhões de seu pai adotivo!"

Um lampejo de pânico me atravessou. Idiota. Apertei a mão dela, um aviso silencioso. Mas era tarde demais.

Os olhos do homem se iluminaram com ganância renovada. "Bem, bem, bem. Parece que tiramos a sorte grande. Cinquenta milhões não vão ser suficientes agora, princesinha. Queremos mais. Muito mais."

"Não! Vocês não podem!" Minha mãe gritou, sua voz falhando. "Vocês disseram que me deixariam ir!"

"Os planos mudam, velhota," ele zombou. "Especialmente quando um prêmio maior entra direto na nossa armadilha."

Senti uma raiva fria crescendo dentro de mim. Minha própria mãe, me traindo novamente. Me vendendo.

"Deixe-nos ir," eu disse, minha voz perigosamente baixa. "Vocês têm o dinheiro. Não abusem da sorte."

Ele riu, um som áspero e irritante. "Ou o quê? Você vai chorar para o seu papai bilionário? Ou para o seu marido traidor?"

Essa última palavra, "traidor", foi uma faísca. Acendeu um fogo em mim. Vi minha chance. Enquanto o líder dos bandidos estava distraído com sua própria piada cruel, empurrei minha mãe para longe de mim, em direção à porta de metal ligeiramente aberta. "Corra, mãe! Agora!"

Então, com uma explosão de adrenalina, chutei a maleta, espalhando dinheiro por toda parte. Os homens xingaram, momentaneamente distraídos pelo dinheiro voando. Usei a distração, agarrando o braço da minha mãe e puxando-a em direção à saída.

"Corra!" insisti, minha voz rouca.

Saímos correndo do armazém, os gritos dos homens ecoando atrás de nós. Passos batiam no concreto, cada vez mais perto.

Um tiro estalou na noite. Senti uma dor lancinante no ombro. Minha mãe ofegou, um soluço aterrorizado rasgando sua garganta. Seu peso era uma âncora morta em meu braço, seus movimentos desajeitados de medo.

Corremos por um beco estreito, os sons da perseguição se aproximando. Meu ombro latejava, uma dor quente e ardente, mas eu a ignorei. Meu foco estava no bebê. O bebê dentro de mim.

"Mais rápido, mãe! Temos que ir mais rápido!" implorei, minha voz tensa.

Ela gemeu, seu aperto em meu braço se intensificando. "Eu não consigo, Helena! Eu não consigo!" Ela tropeçou, me puxando para baixo com ela.

Gritei, perdendo o equilíbrio. Caímos por um pequeno e íngreme barranco de concreto, aterrissando com força em um monte. Uma dor aguda e agonizante rasgou meu baixo-ventre, uma sensação familiar e aterrorizante. Não. De novo não. Por favor, de novo não.

Instintivamente, encolhi-me em posição fetal, protegendo minha barriga com os braços. Uma umidade quente e pegajosa se espalhou entre minhas pernas. Minha visão turvou.

Um leve tremor. Um movimento minúsculo e desesperado de dentro. Meu bebê. Meu precioso e inocente bebê. Eles ainda estavam lutando.

"Não, não, não," gemi, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Lembrei-me das palavras da médica: Seu corpo não aguenta muito mais. Minha visão começou a embaçar, o mundo desvanecendo para um cinza opaco.

A última coisa que vi foi o rosto de Heitor, seus olhos arregalados com uma paródia grotesca de preocupação, enquanto ele corria em minha direção, empurrando os bandidos. Ele se ajoelhou ao meu lado, suas mãos me alcançando. "Helena! O que aconteceu? Meu Deus!"

Ele me puxou para seus braços, seu toque abominável. Mas eu estava fraca demais para lutar contra ele. Fraca demais para fazer qualquer coisa além de ofegar por ar, a dor me consumindo por inteiro. Meu corpo se contraiu, uma contração final e brutal.

Então, a escuridão. Doce e abençoada escuridão.

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