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A Vingança da Bailarina Esquecida

A Vingança da Bailarina Esquecida

Autor:: Jun Shang Ye
Gênero: Romance
O samba ecoava no salão, minha vida, minha arte. Eu, Mari Silva, bailava para o meu futuro, sob o olhar de Lucas, meu marido jogador, acreditando no conto de fadas. Mas a sombra de Joana, minha prima, sempre presente, escondeu a cruel realidade. Num salto, o chão me traiu. Um estalo seco, a dor lancinante, o osso exposto. E, numa onda quente e líquida, a bolsa estourou. Gritos, pânico, e Lucas correndo – mas seus olhos desviaram. Joana também sentia dor, a mão na barriga. "Ela também entrou em trabalho de parto!" , alguém gritou. No hospital, em meio a contrações e a fratura que me dilacerava, ouvi Lucas: "Calma, Joana, estou chegando. Já estou no hospital. Fica calma, meu amor." Meu amor? Ele falava com ela. Médicos corriam, o bebê pélvico, minha cirurgia urgente. Joana passou em outra maca, gemendo. Lucas me soltou, agarrou o anestesista: "Doutor, ajude minha prima! Ela é mais frágil. Atenda ela primeiro." Minha dor física era nada perto da traição. "A Mari é forte, ela aguenta. Ela sempre quis parto normal, para não estragar o corpo de dançarina. Faça o parto da Joana." Ele usou meu desejo contra mim. Ele fez uma ligação, e o diretor do hospital apareceu. Meu marido, com poder e influência, me abandonou ali, sangrando, com meu filho lutando pela vida. Eu flutuava no vazio. "Seu bebê precisa de você. É uma menina. Ela é pequena, mas está lutando." A voz do Dr. Pedro me trouxe de volta. Minha filha Luz. Nós sobrevivemos. Mas a crueldade não tinha fim. Lucas ligou, animado: "Peguei o enxoval caro que você comprou. O Léo precisa para se aquecer. Nossa filha nem vai poder usar agora, ela está cheia de tubos. E o Léo precisava mais." O ar sumiu dos meus pulmões. Não só me abandonou, tentou apagar a existência da minha filha, pedacinho por pedacinho. A dor da traição era um abismo. Um grito rasgou minha garganta. "Ele não podia! Ele não podia!" O ódio puro e frio me invadiu. Lucas, o jogador, se vangloriava de me ter "entendido". Mal sabia ele que um plano vil seria sua ruína. Eu não seria a vítima. Eu seria a tempestade.

Introdução

O samba ecoava no salão, minha vida, minha arte. Eu, Mari Silva, bailava para o meu futuro, sob o olhar de Lucas, meu marido jogador, acreditando no conto de fadas.

Mas a sombra de Joana, minha prima, sempre presente, escondeu a cruel realidade.

Num salto, o chão me traiu. Um estalo seco, a dor lancinante, o osso exposto. E, numa onda quente e líquida, a bolsa estourou. Gritos, pânico, e Lucas correndo – mas seus olhos desviaram. Joana também sentia dor, a mão na barriga.

"Ela também entrou em trabalho de parto!" , alguém gritou.

No hospital, em meio a contrações e a fratura que me dilacerava, ouvi Lucas: "Calma, Joana, estou chegando. Já estou no hospital. Fica calma, meu amor." Meu amor? Ele falava com ela.

Médicos corriam, o bebê pélvico, minha cirurgia urgente. Joana passou em outra maca, gemendo. Lucas me soltou, agarrou o anestesista: "Doutor, ajude minha prima! Ela é mais frágil. Atenda ela primeiro."

Minha dor física era nada perto da traição. "A Mari é forte, ela aguenta. Ela sempre quis parto normal, para não estragar o corpo de dançarina. Faça o parto da Joana." Ele usou meu desejo contra mim.

Ele fez uma ligação, e o diretor do hospital apareceu. Meu marido, com poder e influência, me abandonou ali, sangrando, com meu filho lutando pela vida.

Eu flutuava no vazio. "Seu bebê precisa de você. É uma menina. Ela é pequena, mas está lutando." A voz do Dr. Pedro me trouxe de volta. Minha filha Luz. Nós sobrevivemos.

Mas a crueldade não tinha fim. Lucas ligou, animado: "Peguei o enxoval caro que você comprou. O Léo precisa para se aquecer. Nossa filha nem vai poder usar agora, ela está cheia de tubos. E o Léo precisava mais."

O ar sumiu dos meus pulmões. Não só me abandonou, tentou apagar a existência da minha filha, pedacinho por pedacinho. A dor da traição era um abismo.

Um grito rasgou minha garganta. "Ele não podia! Ele não podia!" O ódio puro e frio me invadiu. Lucas, o jogador, se vangloriava de me ter "entendido". Mal sabia ele que um plano vil seria sua ruína. Eu não seria a vítima. Eu seria a tempestade.

Capítulo 1

O som dos surdos da bateria ecoava no meu peito, uma batida que era a própria pulsação da minha vida. Eu, Maria Silva, ou Mari para todos, flutuava no meio do salão. O samba não era apenas uma dança para mim, era o ar que eu respirava. Cada passo, cada giro, cada sorriso era uma declaração de amor à vida, ao meu corpo, à minha arte. E naquela noite, eu dançava não apenas para o público, mas para o meu futuro. Na plateia, meu marido, Lucas, o famoso jogador de futebol, me assistia. Pelo menos era o que eu pensava.

Casei com Lucas acreditando num conto de fadas. A dançarina e o craque. Mas a realidade tinha uma sombra constante: Joana, minha prima. Ela sempre esteve lá, um pouco perto demais, um pouco íntima demais. Lucas a chamava de "minha priminha querida", um apelido que soava amargo na minha boca. Ele dizia que era um amor fraterno, que cresceram juntos. Eu, cega de amor, acreditava. Ou fingia acreditar.

A apresentação estava no auge. Eu era a rainela da noite, a estrela principal. Num movimento ousado, um salto que eu já tinha executado centenas de vezes, meu pé escorregou. O chão veio ao meu encontro com uma violência brutal. Um estalo seco, agudo, ecoou mais alto que a música. Uma dor lancinante explodiu na minha perna, tão intensa que me roubou o ar. Olhei para baixo e o horror tomou conta de mim. O osso da minha canela estava exposto, uma fratura aberta e sangrenta.

E então, uma segunda onda de dor, quente e líquida, desceu por entre minhas pernas. Minha bolsa tinha estourado. O pânico se instalou na multidão. Gritos, correria. Em meio ao caos, meus olhos buscaram os de Lucas. Ele correu para o palco, mas seu rosto não mostrava a preocupação que eu esperava. Havia pânico, sim, mas era diferente. Seus olhos se desviaram para o lado, para onde Joana também estava sendo amparada, com a mão na barriga, o rosto contorcido de dor.

"Ela também entrou em trabalho de parto!", alguém gritou.

A ambulância chegou rápido. O trajeto até o hospital foi uma névoa de dor e sirenes. Colocaram-me numa maca, a perna imobilizada de forma precária, as contrações do parto se misturando à dor aguda da fratura. Lucas estava ao meu lado, no celular.

"Calma, Joana, estou chegando. Já estou no hospital. Fica calma, meu amor."

Meu amor? Aquelas palavras me atingiram como um soco. Ele estava falando com ela.

No corredor da emergência, a confusão era total. Médicos e enfermeiros corriam ao nosso redor. Um cirurgião ortopédico e um obstetra me avaliaram rapidamente.

"Fratura exposta grave, precisa de cirurgia imediata. E ela está em trabalho de parto, já com dilatação. Precisamos levá-la para o centro cirúrgico agora", disse o ortopedista.

"O bebê está em posição pélvica. Com essa fratura, o parto normal é impossível. Precisamos de uma cesariana de emergência", completou o obstetra.

Nesse exato momento, outra maca passou ao nosso lado. Nela estava Joana, gemendo. Lucas se soltou de mim como se eu queimasse e correu para o lado dela.

"Doutor! Doutor, ajude minha prima! Ela está em trabalho de parto, o bebê dela está para nascer!", ele gritou, agarrando o braço do anestesista que se preparava para me acompanhar.

O médico olhou, confuso. "Senhor, sua esposa precisa de uma cirurgia de emergência. A situação dela é mais grave."

"Não! A Joana... ela está sofrendo muito. Ela é mais frágil. Atenda ela primeiro", Lucas insistiu, a voz cheia de uma urgência que ele não tinha demonstrado por mim.

Fiquei olhando aquela cena, incrédula. A dor na minha perna era um fogo consumidor, as contrações me rasgavam por dentro, mas a dor daquelas palavras era a pior de todas. Eu estava sangrando em uma maca, com um osso para fora da pele, e meu marido estava implorando para que o médico atendesse outra mulher primeiro.

O anestesista, um homem mais velho e experiente, franziu a testa. "Senhor, eu sou o único anestesista de plantão no centro cirúrgico esta noite. Sua esposa tem uma fratura exposta e precisa de anestesia geral para a cirurgia ortopédica e para a cesárea. O caso dela é uma emergência absoluta."

Lucas não cedeu. Seu rosto estava transtornado, uma máscara de preocupação desesperada por Joana.

"A Mari é forte, ela aguenta. Ela sempre quis parto normal, para não estragar o corpo de dançarina. Faça o parto da Joana. Uma anestesia local para ela é mais rápido. Depois você cuida da Mari."

As palavras dele me deixaram sem fôlego. Usar meu desejo por um parto natural, um desejo que eu tinha quando estava saudável e segura, contra mim naquele momento. Era uma crueldade que eu não conseguia processar.

"Senhor, isso não é uma escolha. É uma necessidade médica. Sua esposa e seu filho correm risco de vida", o médico tentou argumentar, mas Lucas foi irredutível.

"Eu não autorizo a cesariana!", ele gritou, a voz ecoando pelo corredor. "Parto normal é melhor para o bebê. Ela vai ter um parto normal."

O médico me olhou, os olhos cheios de uma mistura de pena e frustração. "Eu não posso fazer a cesárea sem a autorização do marido ou de um familiar direto, a menos que seja um risco iminente de morte constatado."

"Ela não está morrendo!", Lucas rosnou. "Ela só está fazendo drama. A dor da Joana é real."

E então, para o meu completo horror, Lucas usou sua influência. Ele pegou o celular, discou um número e falou rapidamente com alguém. Minutos depois, o diretor do hospital apareceu. Lucas falou com ele em voz baixa, gesticulando na direção de Joana. Eu vi o diretor assentir e depois se virar para o anestesista.

"Doutor, por favor, atenda a paciente da sala 3. É um pedido especial."

O anestesista olhou para Lucas com puro desprezo, depois para mim, com desculpas nos olhos. Ele se virou e caminhou na direção da sala de parto de Joana.

Fui deixada para trás. Sozinha no corredor, com a perna quebrada, meu bebê lutando para nascer dentro de mim, e a certeza avassaladora de que meu marido tinha acabado de me abandonar para a morte. A dor física era nada comparada à traição que me rasgava a alma.

Capítulo 2

Uma enfermeira com o rosto cansado empurrou minha maca para uma sala de observação fria e impessoal. As luzes brancas do teto pareciam me perfurar os olhos. O tempo começou a se arrastar de uma forma torturante. Cada segundo era preenchido pela dor da fratura, que irradiava em ondas de fogo pela minha perna, e pelas contrações, que vinham cada vez mais fortes e mais próximas. Eu mordia o lábio para não gritar, um suor frio cobrindo minha testa.

O monitor cardíaco ao meu lado apitava num ritmo desesperado, um som que parecia ser o do meu próprio pânico. Onde estava Lucas? Ele realmente tinha me deixado aqui para morrer? A imagem dele, defendendo Joana com uma ferocidade que ele nunca tinha demonstrado por mim, se repetia em minha mente.

Uma médica jovem, com óculos de aro fino e uma expressão preocupada, entrou na sala. Ela se apresentou como Dra. Alice, uma residente de obstetrícia. Ela olhou meus sinais vitais no monitor e sua expressão se tornou ainda mais grave.

"Mari, os batimentos do bebê estão caindo muito a cada contração. Isso é sofrimento fetal agudo. A gente precisa agir agora."

Pânico me gelou por dentro. Meu filho. Meu bebê estava em perigo por causa da loucura de Lucas.

"A cesárea... por favor...", eu supliquei, a voz um fio.

"Eu sei, eu sei", disse a Dra. Alice, a voz tensa. "Estou tentando localizar o Dr. Pedro, nosso chefe de obstetrícia. Ele estava de folga, mas mora perto. O problema é que, mesmo que ele venha, precisamos da autorização do seu marido, e ele... ele não está atendendo o telefone."

"Ele está com ela", eu sussurrei, as lágrimas finalmente rolando quentes pelo meu rosto. "Ele está com a Joana."

A Dra. Alice fechou os olhos por um instante, uma expressão de pura frustração em seu rosto. "Eu ouvi o que aconteceu no corredor. Sinto muito, Mari. Isso é... inacreditável."

Ela pegou o telefone do hospital e tentou ligar para o celular de Lucas novamente. Nada. Ela então ligou para a sala de parto onde Joana estava.

"Aqui é a Dra. Alice, da observação. Preciso falar com o Sr. Lucas... Sim, o marido da paciente com a fratura... Como assim ele não pode atender? O que é mais importante do que a vida da esposa e do filho dele?"

A voz dela se elevou em indignação. Eu podia ouvir fragmentos da resposta do outro lado da linha. "Acalmando a prima...", "momento delicado...", "ele pediu para não ser incomodado".

A Dra. Alice desligou o telefone com força. "Eles disseram que ele está 'dando apoio emocional' para a prima, que o parto dela está complicado. Complicado? O seu bebê está morrendo e você tem uma fratura exposta! Que tipo de monstro faz isso?"

A realidade da minha situação me atingiu com a força de um trem. Eu estava presa. Presa pela burocracia do hospital, presa pela crueldade do meu marido, presa em um corpo que estava me traindo e falhando com meu filho.

"Não tem mais ninguém?", perguntei, a esperança se esvaindo. "Minha mãe... o número dela está no meu celular..."

"Vamos tentar", disse a Dra. Alice, mas seu rosto mostrava que seria um processo lento. Encontrar o celular, achar o contato, ligar, explicar a situação... tempo que não tínhamos.

Nesse momento, um enfermeiro entrou correndo na sala. "Doutora, o Dr. Pedro chegou. Ele veio assim que soube da situação."

Um homem alto, de cabelos escuros e olhos intensos, entrou na sala logo atrás dele. Ele não usava jaleco, apenas uma camisa amassada e calça jeans, como se tivesse saído de casa às pressas. Ele olhou para o monitor, depois para mim, e seu rosto se fechou numa expressão de extrema seriedade.

"Sou o Dr. Pedro. O que temos aqui?", ele perguntou, a voz calma, mas carregada de autoridade.

A Dra. Alice resumiu a situação rapidamente: a fratura, a bolsa rompida, o sofrimento fetal agudo, a recusa do marido em autorizar a cesárea e o anestesista ocupado com a "prima frágil".

Dr. Pedro ouviu tudo sem interromper. Seus olhos encontraram os meus, e pela primeira vez naquela noite, eu senti que alguém realmente me via. Via minha dor, meu medo.

"Isso é uma barbárie", ele disse, a voz baixa e furiosa. "Esqueçam o marido. Eu assumo a responsabilidade. Esta mulher precisa de uma cesariana de emergência agora. O bebê não vai aguentar mais dez minutos. Alice, prepare a sala de cirurgia 2. Eu vou buscar outro anestesista, nem que seja na casa dele."

Mas antes que ele pudesse se mover, o monitor ao meu lado disparou num alarme agudo e contínuo. O som dos batimentos do meu bebê tinha desaparecido.

"Parada cardíaca fetal!", gritou a Dra. Alice.

O mundo ao meu redor começou a escurecer. A dor na minha perna se tornou uma coisa distante. O som do alarme ficou abafado. A última coisa que vi antes de a escuridão me engolir completamente foi o rosto do Dr. Pedro, uma máscara de determinação e fúria, enquanto ele gritava ordens. Eu estava perdendo a consciência, a vida se esvaindo de mim e do meu filho, abandonada pelo homem a quem eu tinha entregado meu coração.

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