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A Vingança da Cega

A Vingança da Cega

Autor:: Kirk Akcay
Gênero: Moderno
Por amor, sacrifiquei minha carreira e minha visão, tudo por Pedro, meu marido, que em seu leito de hospital jurou ser meus olhos. Um ano depois, um milagre: minha visão retornou. Mal podia esperar para surpreendê-lo, para ver novamente o homem que havia sido minha luz na escuridão. Mas a casa estava estranhamente silenciosa, e um som rítmico vinha do nosso quarto. Gemidos. Voz de mulher. A voz dele. Pedro e minha secretária, Sofia, na nossa cama. Subitamente, me tornei a "coitadinha cega" que zombava. A dor era física, a umbreza, devastadora. Meu mundo desabou ao som da traição deles. Mas a humilhação virou raiva, e a raiva, um plano gelado. Eu seria a atriz perfeita. Continuaria sendo a esposa cega e indefesa. O cheiro do perfume dela em suas roupas. O sorriso dela em nossos jantares. Ele não podia saber. Até que descobri: um bebê crescia dentro de mim. Não mais sozinha, a fuga se tornou uma nova vida a ser protegida. Ele me testou, pediu que servisse a amante doente. Eu o fiz, com um sorriso forçado. O ponto de ruptura foi a festa. Fogos de artifício com um "S", a flor favorita dela no bolo. A humilhação pública. Ele me abandonou para levar Sofia para casa. E o vi entrando com ela em um hotel. Foi a minha deixa. Com meu celular, gravei a voz de Pedro zombando da "coitadinha cega" para Sofia. A prova irrefutável. De volta para casa, queimei todas as lembranças dele. Pedro voltou, e eu agi. Pedi que assinasse papéis de empresa, alegando "segurança". Ele assinou, sem ler, o divórcio. Ele havia assinado seu próprio fim, sem saber. Agora, livre das amarras de um casamento morto, com a verdade em minhas mãos e uma nova vida dentro de mim, eu renasceria.

Introdução

Por amor, sacrifiquei minha carreira e minha visão, tudo por Pedro, meu marido, que em seu leito de hospital jurou ser meus olhos.

Um ano depois, um milagre: minha visão retornou.

Mal podia esperar para surpreendê-lo, para ver novamente o homem que havia sido minha luz na escuridão.

Mas a casa estava estranhamente silenciosa, e um som rítmico vinha do nosso quarto.

Gemidos. Voz de mulher. A voz dele.

Pedro e minha secretária, Sofia, na nossa cama.

Subitamente, me tornei a "coitadinha cega" que zombava.

A dor era física, a umbreza, devastadora. Meu mundo desabou ao som da traição deles.

Mas a humilhação virou raiva, e a raiva, um plano gelado.

Eu seria a atriz perfeita. Continuaria sendo a esposa cega e indefesa.

O cheiro do perfume dela em suas roupas. O sorriso dela em nossos jantares. Ele não podia saber.

Até que descobri: um bebê crescia dentro de mim.

Não mais sozinha, a fuga se tornou uma nova vida a ser protegida.

Ele me testou, pediu que servisse a amante doente. Eu o fiz, com um sorriso forçado.

O ponto de ruptura foi a festa. Fogos de artifício com um "S", a flor favorita dela no bolo. A humilhação pública.

Ele me abandonou para levar Sofia para casa. E o vi entrando com ela em um hotel.

Foi a minha deixa.

Com meu celular, gravei a voz de Pedro zombando da "coitadinha cega" para Sofia. A prova irrefutável.

De volta para casa, queimei todas as lembranças dele.

Pedro voltou, e eu agi.

Pedi que assinasse papéis de empresa, alegando "segurança". Ele assinou, sem ler, o divórcio.

Ele havia assinado seu próprio fim, sem saber.

Agora, livre das amarras de um casamento morto, com a verdade em minhas mãos e uma nova vida dentro de mim, eu renasceria.

Capítulo 1

Para Maria Clara, a arquitetura não era apenas uma profissão, era a sua alma. Ela construiu sua vida e sua carreira com a mesma precisão e paixão com que desenhava seus projetos. E no centro de tudo, como a viga mestra de sua existência, estava Pedro, seu marido. Por ele, ela sacrificou projetos internacionais, noites de sono e, finalmente, a própria visão. Um acidente de carro, um giro violento de metal e vidro, e ela se jogou na frente dele sem pensar. O resultado: Pedro saiu com arranhões, e Maria Clara mergulhou em um mundo de escuridão total.

"Eu serei seus olhos, meu amor" , ele sussurrou em seu leito de hospital, sua voz embargada de uma emoção que ela acreditou ser amor e culpa. "Eu nunca vou te abandonar. Nunca."

E por um ano, ele cumpriu a promessa. Ele a guiava pela casa que ela mesma projetou, descrevia as cores do pôr do sol que ela não podia mais ver e lia para ela todas as noites. Maria Clara se agarrou a essas promessas, à sua voz, ao seu toque. A escuridão era suportável porque ele era sua luz. A dedicação dele era tão intensa que ela quase se esqueceu da mulher ambiciosa e independente que um dia fora. Ela era agora uma mulher que dependia do marido para tudo, e se convenceu de que isso era uma nova forma de amor.

Então, o milagre aconteceu. Após meses de tratamentos e uma cirurgia delicada, o médico retirou as bandagens. A luz entrou, primeiro como uma mancha leitosa, depois com uma clareza dolorosa e, finalmente, com a nitidez de um mundo renascido. A primeira coisa que ela queria ver era o rosto de Pedro, para surpreendê-lo com a notícia. O médico sugeriu que ela ficasse em observação, mas a impaciência de Maria Clara era maior. Ela queria ir para casa. Queria ver sua casa com seus próprios olhos. Queria ver o homem que tinha sido seus olhos.

Ela pegou um táxi, o coração batendo descontrolado no peito. A cidade parecia mais vibrante, as cores mais intensas. Ela pagou o motorista com as mãos trêmulas e caminhou até a porta da frente, a chave parecendo estranha em sua mão depois de tanto tempo. A casa estava silenciosa. Estranhamente silenciosa.

"Pedro?" , ela chamou, sua voz um pouco rouca.

Nenhuma resposta.

Ela sorriu, imaginando que ele devia estar no escritório do andar de cima. Ela subiria as escadas em silêncio e o surpreenderia. Subiu os degraus que conhecia de cor, o toque da madeira sob seus pés agora acompanhado pela visão de cada veio. Tudo era novo e familiar ao mesmo tempo.

Quando chegou ao topo da escada, ouviu um som. Um som baixo, rítmico. Não era do escritório. Vinha do quarto deles. O quarto principal. Um calafrio percorreu sua espinha. Ela andou devagar, o coração agora martelando contra suas costelas. A porta do quarto estava entreaberta.

O som ficou mais claro. Eram gemidos. Sons de prazer. A voz de uma mulher, e a voz de um homem. A voz de Pedro.

A realidade a atingiu como uma parede de concreto. O ar foi arrancado de seus pulmões. Ela se aproximou da porta, o corpo movendo-se por uma força que não era a sua. A visão que a saudou foi mais violenta do que qualquer escuridão.

Pedro estava na cama deles. A cama onde ele a embalava para dormir. E sobre ele, movendo-se com uma intimidade que revirou o estômago de Maria Clara, estava Sofia. Sua secretária. A jovem e ambiciosa Sofia, que sempre a tratou com uma deferência quase excessiva, chamando-a de "Dona Maria Clara" .

Sofia estava nua, seus cabelos longos e escuros espalhados pelas costas. Ela ria, um som baixo e gutural, enquanto se inclinava para beijar Pedro.

"Você é incrível" , sussurrou Sofia, sua voz carregada de uma satisfação que fez o sangue de Maria Clara gelar.

Pedro riu de volta, uma risada que ela conhecia tão bem, mas que agora soava monstruosa.

"Você me deixa louco" , ele disse, suas mãos percorrendo o corpo dela. "A coitadinha cega nunca saberia a diferença."

Aquelas palavras. "A coitadinha cega." Foi isso que ela se tornou para ele. Não sua esposa, não a mulher que ele amava, mas um fardo, uma piada. A mulher que ele enganava em sua própria casa, em sua própria cama.

A dor foi tão aguda, tão física, que Maria Clara teve que se apoiar na parede para não cair. A visão recém-recuperada se encheu de pontos pretos. Ela queria gritar, queria invadir o quarto e arrancar os dois de sua cama. Mas seus membros não obedeciam. Um tipo diferente de cegueira a tomou, a cegueira da alma.

Ela recuou, passo a passo, o som de seus próprios pés abafado pelo som da traição deles. Ela desceu as escadas como um autômato. Seu corpo estava frio, gelado, apesar do calor do aquecedor da casa. Ela olhou pela grande janela da sala de estar. Lá fora, flocos de neve pesados e grossos começaram a cair, cobrindo o mundo com um manto branco e silencioso. Parecia um funeral. O funeral de seu casamento, de seu amor, de sua vida como ela a conhecia.

A decisão foi instantânea, forjada no fogo da dor e no gelo da desilusão. Ela não podia ficar. Não podia confrontá-los. Não ainda. Ela precisava ir embora.

Ela subiu novamente, mas desta vez para o quarto de hóspedes. Com uma calma assustadora, ela pegou uma pequena mala de viagem. Jogou dentro algumas roupas, seu passaporte, o dinheiro que guardava para emergências. Seu cérebro funcionava com uma clareza fria. Enquanto arrumava a mala, seus olhos recém-curados captaram cada detalhe da traição: um copo de batom de Sofia na mesa de cabeceira do quarto de hóspedes, um perfume dela no ar. A casa inteira estava contaminada.

Com a mala na mão, ela pegou o celular. Seus dedos tremiam, mas ela conseguiu encontrar o número. Um número que não discava há anos. Sua prima, Ana, que vivia em uma pequena comunidade isolada em Minas Gerais, o lugar onde Maria Clara nasceu e cresceu antes de se mudar para a cidade grande em busca de seus sonhos.

"Ana?" , disse Maria Clara, sua voz um sussurro frágil.

"Clara! Que surpresa! Como você está? E a visão?"

Maria Clara engoliu em seco.

"Eu preciso de um lugar para ficar, Ana. Por um tempo. Posso ir para aí?"

Houve uma pausa do outro lado da linha.

"Claro que pode, prima. Aconteceu alguma coisa? Você não parece bem."

"Eu só preciso sair daqui" , disse ela, olhando para a porta fechada do seu quarto. "Eu te explico quando chegar aí."

"A porta da minha casa está sempre aberta para você. Venha quando quiser."

Maria Clara desligou. Ela olhou uma última vez para a casa que projetou, para a neve que caía lá fora, para a vida que estava deixando para trás. Sem um som, ela abriu a porta da frente e saiu para a noite fria, deixando o som da risada de Pedro e Sofia ecoar em uma casa que não era mais seu lar.

Capítulo 2

O plano de Maria Clara era simples e brutal: ela precisava aguentar mais alguns dias. Dias suficientes para finalizar os detalhes de sua partida, para transferir seus fundos pessoais para uma conta que Pedro não pudesse rastrear, e para desaparecer sem deixar um único rastro. Para fazer isso, ela precisava continuar sendo a "coitadinha cega" .

Ela voltou para casa no meio da noite, depois de passar horas em um café, o calor da xícara aquecendo suas mãos geladas, mas não seu coração. Ela entrou em casa e foi direto para o quarto de hóspedes, deitando-se na cama sem tirar a roupa. O sono não veio. Cada rangido da casa, cada sombra na parede, era um lembrete.

Na manhã seguinte, ela ouviu Pedro se levantar. Ele entrou no quarto de hóspedes, a voz cheia de uma falsa preocupação.

"Meu amor, você dormiu aqui? Eu te procurei. Fiquei preocupado."

Maria Clara manteve os olhos fechados, o rosto virado para a parede. Seus olhos recém-curados agora eram sua arma secreta, seu fardo.

"Tive um pesadelo" , ela mentiu, a voz abafada pelo travesseiro. "Não queria te acordar."

Ele se sentou na beira da cama, sua mão em seu ombro. O toque que antes a confortava agora a queimava.

"Você está bem? Quer que eu traga o café da manhã na cama?"

"Não precisa. Eu estou bem."

Mais tarde, naquele mesmo dia, a farsa atingiu um novo nível de crueldade. Maria Clara estava na sala de estar, sentada no sofá, fingindo ouvir um audiolivro, quando Sofia chegou. Ela ouviu a porta se abrir e a voz de Sofia, brilhante e falsa.

"Bom dia, Dona Maria Clara! O Pedro me pediu para trazer uns documentos para ele assinar."

"Bom dia, Sofia" , respondeu Maria Clara, mantendo o rosto impassível, os olhos focados em um ponto vago à sua frente.

Ela podia vê-la perfeitamente. Sofia usava um vestido justo, um sorriso presunçoso nos lábios. Ela olhou para Maria Clara com uma mistura de pena e triunfo. Pedro desceu as escadas e beijou a bochecha de Maria Clara.

"Querida, vou precisar trabalhar um pouco com a Sofia aqui em casa hoje. Você se importa?"

"Claro que não" , disse Maria Clara.

Eles se sentaram à mesa de jantar, espalhando papéis. Maria Clara podia ouvir o sussurro deles, o roçar de seus corpos quando Sofia se inclinava para apontar algo em um documento. Era uma tortura. Cada risada baixa, cada toque "acidental" , era uma facada em seu peito. Ela sentia seus olhares sobre ela, testando-a, deliciando-se com sua ignorância forçada.

O ponto de ruptura veio algumas horas depois. Sofia soltou uma pequena tosse.

"Acho que peguei um resfriado" , disse ela, a voz soando deliberadamente fraca.

Pedro imediatamente se levantou, a preocupação em sua voz agora dirigida a outra mulher.

"Você precisa tomar alguma coisa. Devemos ter algum remédio para gripe no armário do banheiro." Ele se virou para Maria Clara. "Meu amor, você poderia pegar o remédio para a Sofia? Você sabe onde fica, na prateleira de cima. Eu não sei qual pegar."

O pedido a deixou sem ar. Ele não estava apenas a traindo; ele estava a tornando cúmplice. Ele queria que ela, a esposa cega e indefesa, servisse a amante doente em sua própria casa. Era uma humilhação tão profunda, tão calculada, que por um momento ela pensou que iria se levantar e gritar.

Mas ela se lembrou de seu plano. De sua fuga. De sua liberdade.

"Claro" , disse ela, a voz saindo mais firme do que esperava.

Ela se levantou lentamente, usando a bengala que não precisava mais, mas que era parte essencial de sua performance. Ela caminhou até o banheiro do corredor, cada passo um esforço monumental de autocontrole. Ela abriu o armário de remédios. Suas mãos tremiam tanto que ela quase derrubou um frasco de perfume. Lá estava a caixa de remédio para gripe. Ela a pegou, o papelão frio em seus dedos. Ela olhou para seu próprio reflexo no espelho. Viu uma mulher com os olhos cheios de uma dor que ninguém podia ver. Uma atriz no papel mais difícil de sua vida.

Ela voltou para a sala, estendendo a caixa na direção geral da voz de Sofia.

"Aqui está."

"Oh, obrigada, Dona Maria Clara. Você é tão gentil" , disse Sofia, sua voz pingando uma doçura venenosa.

Maria Clara podia ver Pedro sorrindo para Sofia, um sorriso íntimo e cúmplice. Ele então se virou para ela, o rosto transformado em uma máscara de carinho.

"Você é um anjo, meu amor. Sempre cuidando de todos."

Ele se aproximou e tentou beijá-la, mas Maria Clara se afastou sutilmente.

"Estou um pouco tonta. Acho que vou me deitar um pouco."

"Claro, querida. Descanse. Eu e a Sofia terminaremos aqui."

Ela subiu as escadas, sem olhar para trás. No quarto de hóspedes, ela se sentou na cama e finalmente deixou que as lágrimas silenciosas caíssem. Ela chorou não pela traição, mas pela humilhação. Pela mulher que ela estava se tornando para sobreviver: uma mentirosa, uma espectadora silenciosa de sua própria destruição.

Naquela noite, depois que Sofia finalmente foi embora e Pedro veio dar seu beijo de boa noite, o cheiro do perfume de Sofia ainda pairando sobre ele, Maria Clara esperou ele dormir. Então, ela pegou seu celular e discou o número de Ana novamente.

"Ana, sou eu."

"Clara! Já estava preocupada. Quando você vem?"

"Em alguns dias. Eu só preciso de mais alguns dias" , disse ela, a voz agora cheia de uma determinação fria. "Não importa o que aconteça, não diga a ninguém que eu liguei. Especialmente ao Pedro."

"Seu segredo está seguro comigo, prima."

Ela desligou o telefone. O choro havia parado. Em seu lugar, havia uma resolução de aço. Ela não era um anjo. Ela não era uma coitadinha cega. Ela era uma mulher à beira de sua própria libertação. E ela faria o que fosse preciso para conquistá-la.

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