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A Vingança da Mulher Traída

A Vingança da Mulher Traída

Autor:: Ben Nan Yi Die
Gênero: Moderno
Quando abri os olhos no hospital, o cheiro a desinfetante e um vazio insuportável no meu ventre diziam-me que tinha perdido o meu bebé. O meu filho Leo, de cinco anos, estava desaparecido. Liguei ao Miguel, o meu marido, a contar-lhe que tínhamos sofrido um acidente terrível. Mas em vez de preocupação, ouvi a voz da Clara, a minha prima, ao fundo, preocupada com o braço partido do filho dela. "Miguel, o Lucas partiu o braço, e o nosso filho está em coma depois de uma cirurgia ao cérebro, e tu estás com ELA?", gritei, antes que ele me bloqueasse. A minha sogra, Helena, só se preocupava com a reputação do filho, não com a vida do meu neto. A dor e o luto foram esmagadores. Mas o mundo virou-se de cabeça para baixo quando um inspetor de polícia me ligou. "Os travões do seu carro foram adulterados. Isto não foi um acidente, foi uma tentativa de homicídio." No mesmo dia, a minha mãe revelou que a nossa conta conjunta tinha sido esvaziada. O Miguel e a Clara não estavam apenas a ter um caso; eles queriam a minha morte. A raiva gelou o meu sangue. Era uma guerra, e eu ia lutar.

Introdução

Quando abri os olhos no hospital, o cheiro a desinfetante e um vazio insuportável no meu ventre diziam-me que tinha perdido o meu bebé. O meu filho Leo, de cinco anos, estava desaparecido.

Liguei ao Miguel, o meu marido, a contar-lhe que tínhamos sofrido um acidente terrível. Mas em vez de preocupação, ouvi a voz da Clara, a minha prima, ao fundo, preocupada com o braço partido do filho dela.

"Miguel, o Lucas partiu o braço, e o nosso filho está em coma depois de uma cirurgia ao cérebro, e tu estás com ELA?", gritei, antes que ele me bloqueasse. A minha sogra, Helena, só se preocupava com a reputação do filho, não com a vida do meu neto.

A dor e o luto foram esmagadores. Mas o mundo virou-se de cabeça para baixo quando um inspetor de polícia me ligou. "Os travões do seu carro foram adulterados. Isto não foi um acidente, foi uma tentativa de homicídio."

No mesmo dia, a minha mãe revelou que a nossa conta conjunta tinha sido esvaziada. O Miguel e a Clara não estavam apenas a ter um caso; eles queriam a minha morte. A raiva gelou o meu sangue. Era uma guerra, e eu ia lutar.

Capítulo 1

Quando abri os olhos, o cheiro de desinfetante encheu as minhas narinas, e o teto branco do hospital era a primeira coisa que via.

A minha cabeça latejava.

A última coisa de que me lembrava era do meu carro a ser abalroado por um camião desgovernado, o som de metal a rasgar e o meu próprio grito.

Lembrei-me do meu filho de cinco anos, Leo, no banco de trás.

"Leo?", chamei, a minha voz rouca e fraca.

Ninguém respondeu.

Lutei para me sentar, mas uma dor aguda no meu abdómen fez-me ofegar. Olhei para baixo e vi a minha barriga, agora coberta por um lençol de hospital, mas eu sabia.

Sabia que o bebé que carregava há sete meses se tinha ido.

O meu telemóvel estava na mesa de cabeceira. Agarrei-o com as mãos a tremer e liguei para o meu marido, Miguel.

A chamada demorou a ser atendida. Quando ele finalmente atendeu, a sua voz estava tensa e distante.

"Estou ocupado, Sofia. O que se passa?"

A sua voz soava estranhamente calma, sem qualquer preocupação.

"Miguel, sofremos um acidente. Eu e o Leo. Onde estás? Onde está o Leo?"

Fez-se silêncio do outro lado. Um silêncio pesado e terrível que fez o meu coração gelar.

Depois, ouvi uma voz feminina ao fundo, uma voz que eu conhecia demasiado bem. Era a Clara, a minha prima.

"Miguel, querido, não te preocupes com ela. O médico disse que ela vai ficar bem. O mais importante agora é a cirurgia do Lucas. Ele precisa de ti."

A voz da Clara era suave e cheia de uma falsa preocupação que me nauseava.

"Miguel, o que é que ela está a dizer?", perguntei, o pânico a subir pela minha garganta. "Que cirurgia? Onde está o meu filho?"

"Sofia", disse Miguel, a sua voz finalmente a quebrar-se com irritação. "Pára de fazer uma cena. O Lucas magoou-se. Ele caiu e partiu o braço. A Clara está aqui comigo no hospital."

Lucas era o filho da Clara.

"Ele partiu o braço?", repeti, incrédula. "Eu e o teu filho sofremos um acidente de carro, eu perdi o nosso bebé, e estás preocupado com um braço partido?"

"Não fales assim do Lucas!", retorquiu ele. "E não foi só um braço partido, foi uma fratura complicada! E como é que eu ia saber do vosso acidente? Estava ocupado!"

A sua desculpa era tão fraca que era quase um insulto.

As lágrimas que eu tinha estado a suster finalmente escorreram pelo meu rosto.

"Miguel, eu quero o divórcio."

Ele riu-se. Uma risada fria e cruel.

"Divórcio? Sofia, acabaste de perder um bebé, as tuas hormonas devem estar descontroladas. Não digas coisas de que te vais arrepender. O Leo precisa de um pai."

"Não uses o meu filho contra mim", sussurrei, a minha voz a tremer.

"Não estou a usar ninguém. Estou a ser realista. A Clara precisa do meu apoio agora. Sê razoável. Falamos mais tarde."

Ele desligou.

Simplesmente assim.

Olhei para o telemóvel na minha mão. Tentei ligar novamente, mas foi direto para o correio de voz. Ele tinha-me bloqueado.

O meu corpo tremia incontrolavelmente. A dor física não era nada comparada com a agonia no meu peito.

O nosso bebé, o bebé que tínhamos esperado tanto tempo, tinha-se ido. E o meu marido, o pai dos meus filhos, estava a consolar outra mulher por causa do braço partido do filho dela.

O filho dela, que estava no mesmo hospital que eu.

A porta do quarto abriu-se e a minha mãe entrou, o seu rosto pálido e os seus olhos vermelhos de tanto chorar.

"Querida", disse ela, a sua voz a quebrar-se. "O Leo... ele está em cirurgia. Ele tem um ferimento grave na cabeça."

O mundo pareceu parar.

Enquanto eu estava deitada aqui, o meu marido estava com a minha prima, e o meu filho lutava pela vida sozinho.

A minha sogra, a Helena, entrou logo a seguir à minha mãe. O seu rosto estava contorcido numa máscara de fúria.

"Sofia! O que é que fizeste? O meu neto está a lutar pela vida, e tu estás aqui deitada como se nada fosse! E ouvi dizer que pediste o divórcio ao Miguel? Que tipo de mulher faz isso numa altura como esta? És uma vergonha!"

Ela não perguntou como eu estava. Não mencionou o neto que eu tinha acabado de perder.

Aos olhos dela, eu era a vilã.

Eu era sempre a vilã.

Capítulo 2

"Onde está o Miguel?", perguntei, a minha voz perigosamente calma.

A minha sogra, Helena, bufou. "Onde é que ele havia de estar? Está com a Clara, claro! O pobre do Lucas está em choque. Ele precisa do tio."

"O tio dele?", repeti lentamente, cada palavra a saber a veneno. "O Leo é o filho dele. O Leo está numa cirurgia ao cérebro. E ele está a confortar o sobrinho por causa de um braço partido?"

"Não sejas tão dramática, Sofia", repreendeu-a. "O Lucas é uma criança sensível. E a Clara está sozinha, coitada. Ela precisa de apoio."

"E eu não?", gritei, a minha voz finalmente a quebrar-se. "Eu acabei de perder o meu bebé! O meu filho está a morrer! E eu não preciso de apoio?"

"Tu és forte", disse ela, como se isso fosse uma desculpa. "Sempre foste. A Clara é mais frágil."

A minha mãe, que tinha estado em silêncio, deu um passo em frente. "Helena, já chega. A minha filha acabou de passar por um trauma terrível. Mostra um pouco de respeito."

Helena virou o seu desprezo para a minha mãe. "Tu! É tudo culpa tua e da tua má educação. Se tivesses ensinado a Sofia a ser uma esposa melhor, mais compreensiva, nada disto teria acontecido."

Ela cuspiu as palavras e saiu do quarto, deixando um silêncio pesado para trás.

Eu olhei para a minha mãe, cujos olhos estavam cheios de lágrimas por mim.

"Mãe, eu quero sair daqui", sussurrei. "Eu não aguento mais."

Ela assentiu, o seu rosto determinado. "Vamos tirar-te daqui, querida. E vamos lutar pelo Leo."

Foi a minha mãe que assinou os papéis do hospital, que falou com os médicos, que se sentou ao meu lado enquanto eu chorava silenciosamente pela perda dupla do dia.

O meu marido não apareceu. Nem uma vez.

Mais tarde naquela noite, o médico do Leo veio falar connosco.

"A cirurgia foi um sucesso", disse ele, a sua voz gentil mas séria. "Conseguimos aliviar a pressão no cérebro dele. Mas ele está em coma. As próximas 48 horas são críticas."

Coma.

A palavra ecoou na minha cabeça. O meu menino vibrante e falador, agora deitado imóvel numa cama, ligado a máquinas.

"Posso vê-lo?", perguntei.

O médico hesitou. "Ele está na unidade de cuidados intensivos. Apenas um visitante de cada vez, e por um curto período."

A minha mãe apertou a minha mão. "Vai tu, Sofia. Ele precisa de ti."

Apoiando-me na minha mãe, caminhei lentamente até à UCI. Ver o meu filho deitado naquela cama, pálido e pequeno, rodeado por tubos e monitores que apitavam, partiu o que restava do meu coração.

Sentei-me ao lado dele e peguei na sua mãozinha. Estava tão fria.

"Leo, meu amor", sussurrei. "A mamã está aqui. Por favor, acorda. Por favor, luta."

Fiquei ali, a falar com ele, a cantar as suas canções de embalar favoritas, até uma enfermeira me dizer gentilmente que o meu tempo tinha acabado.

Quando voltei para o meu quarto, vi uma figura familiar à porta.

Era o Miguel.

Finalmente.

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